Chupeta, chuchar no dedo, biberão: os maus hábitos orais na infância têm consequências

Fevereiro 21, 2020 às 11:25 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Público de 17 de fevereiro de 2020.

É preciso “impor limites” a hábitos como chuchar no dedo, morder um objecto, utilizar a chupeta ou o biberão de forma frequente.

A Sociedade Portuguesa da Terapia da Fala alertou este domingo para as consequências que podem provocar os maus hábitos orais na infância, a propósito do Dia Mundial da Motricidade Orofacial, que se assinala na segunda-feira.

A coordenadora do departamento de Motricidade Orofacial da Sociedade Portuguesa da Terapia da Fala, Débora Franco, alertou que os maus hábitos orais na primeira infância contribuem para alterações às estruturas orofaciais, prejudicando funções como o respirar, deglutir e falar.

Chuchar no dedo, morder um objecto, utilizar a chupeta ou o biberão de forma frequente e por um período prolongado de tempo são hábitos “que dão uma sensação de prazer”, mas a sua persistência começa a “trazer alterações às estruturas orofaciais”, traduzindo-se, entre outras situações, na dificuldade em respirar, posicionamento inadequado da língua, deglutição atípica ou alterações na fala como o sigmatismo, conhecido como ‘sopinha de massa’.

“Este é um campo da terapia da fala inovador, que trata as questões orais, faciais e cervicais”, cujas estruturas “são indispensáveis para o funcionamento da fala, respiração, da mastigação, sucção e deglutição”.

“Impor limites”

Débora Franco, que também é professora na Escola Superior de Saúde do Politécnico de Leiria, acrescentou que é habitual dentistas, otorrinolaringologistas ou pediatras encaminharem as crianças para a terapia da fala, quando se deparam com estes problemas já enraizados.

Por isso, defende a aposta na prevenção: “Temos de alertar os pais para algumas medidas. Se retirarmos o hábito mais cedo, evitam-se muitos destes problemas. Recomendamos retirar o biberão por volta dos 18 meses e a chupeta aos dois anos.”

A docente sugere aos pais que não deixem as crianças “ser donas daquele objecto”.

“Não é preciso uma atitude radical e dizer que não se dá chupeta ou biberão, mas a criança não o pode usar quando quer. É importante impor limites e, sobretudo, não prolongar esses hábitos, por muito que custe à criança e aos pais”.

As alterações orofaciais podem, inclusive, prejudicar o rendimento escolar. “Como não respiram pelo nariz, cansam-se muito mais, o sono é mais leve, acordam várias vezes durante a noite e ficam mais agitados e com dificuldades de concentração”.

Quando há alterações estruturais, a solução pode passar por intervenções cirúrgicas, como a “remoção das amígdalas ou dos adenóides e muita terapia da fala”.

Além disso, os hábitos parafuncionais começam a modificar a estrutura orofacial podendo modificar a arcada dentária e a face e a musculatura das bochechas e dos lábios ficar flácida, assim como a língua.

“Verifica-se a deglutição atípica, com a língua muito para a frente e a mastigação ineficiente. Estas pessoas cansam-se muito ao mastigar, porque têm flacidez muscular e optam por comer alimentos menos sólidos, como hambúrgueres e massas”.

Estes problemas orofaciais podem também ser provocados por hábitos nocivos que resultam da ansiedade e ‘stress’, como roer as unhas, morder frequentemente o lábio ou ranger os dentes (bruxismo).

“Quando isto acontece, é importante identificar a fonte de stress e transferir este comportamento para outros, como manipular bolas antistress para acalmar”, aconselhou Débora Franco.

Tão crescida a usar chucha, que feia!

Março 22, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/

A nossa filha já foi alvo deste comentário várias vezes. Geralmente vira a cara, encosta-se a mim e tente ignorar o interlocutor; são claros os seus sinais de desconforto. Para muitos, estes sinais são interpretados como um incentivo para continuar pois estão a ter na criança o efeito desejado.

Acredito que a maior parte das pessoas profere este género de comentários com a melhor das intenções, querem que a criança se livre da chucha e acreditam que ao repreenderem-na estão a ajudar os pais nesta árdua tarefa. Contudo, tal não funciona.

Irei dividir as minhas observações em duas partes: 1) Para os outros; 2) Para os pais.

1) Para os outros

Quantas vezes fumaram um cigarro e alguém vos disse que deviam “largar isso pois faz mal à saúde”?; quantas vezes vos disseram que se deviam afastar daquele/a amigo/a pois é uma má influência nas vossas vidas?; quantas vezes comerem fast food e alguém vos alertou que dessa forma iriam engordar? Em termos concretos, que resultados isso provocou em vocês? Atiraram o cigarro fora e nunca mais fumaram? Enviaram uma mensagem ao/à amigo/a dizendo que pretendiam terminar a amizade? Cuspiram o alimento que estavam a ingerir e desde então detestam-no? Provavelmente não. Nada mudou com os comentários que vos foram feitos ou eventualmente ainda se ligaram mais “ao fruto proibido” exactamente por isso.

Não existe mudança sem motivação e esta última tem de ser intrínseca, isto é, tem de partir do próprio, caso contrário a mudança será temporária. Comentários negativos, que muitas vezes enfatizam a incapacidade de auto-controlo da pessoa e mexem com a sua auto-estima (como quando dizemos a uma criança que é feia por determinado comportamento) podem conduzir à manutenção do comportamento por o outro se sentir incapaz de mudar.

“Devo então incentivar ou ignorar?”, perguntarão alguns. Nem uma, nem outra; podemos encaminhar para a mudança num registo positivo. Quando eu digo: “acredito que vais ser capaz, levarás o teu tempo mas acredito que irás conseguir”, sobretudo quando é dito em frente aos outros, estou a deixar uma semente potente de expectativa que o outro se sentirá tentado a concretizar; mostro que o aceito, que o compreendo, que não o irei pressionar e que confio nas suas capacidades (afago-lhe a auto-estima).

Criticar de forma negativa sem deixar uma linha orientadora ou é improfícuo ou pura maldade.

2) Para os pais

Sejamos sinceros, a maior parte dos comportamentos dos nossos filhos, sobretudo quando são pequenos, resultam de escolhas nossas, ainda que nos arrependamos delas ou que não as reconheçamos a 100%, estamos na origem.

A nossa filha não escolheu usar chucha, na verdade quando nasceu ela até a rejeitava. Acabei por insistir por sentir que isso a iria acalmar e servir de consolo. Hoje, com 2 anos e meio, não a quer largar, se eu permitisse passava o dia todo com ela na boca.

Temos conversado sobre o assunto, sem pressões. Não a comparo com o menino x ou y que não usa chucha pois ela também não me compara com a mãe x ou y Mostro-lhe que vários desenhos de que ela gosta não usam chucha (sem comparar), digo-lhe que não percebo o que ela diz com a chucha posta, explico que a chucha precisa de descansar e por vezes guardamo-la.

Em momentos de crítica em público eu JAMAIS me junto ao outro para a criticar/fazer troça dela. Geralmente coloco-me ao nível dela e respondo que um dia, quando lhe apetecer, irá largar a chucha e evidencio os esforços que já faz: “ela tem usado muito menos, noutro dia até a guardou no quarto durante a manhã toda, fiquei mesmo feliz! Em breve iremos conseguir passar menos tempo com a chucha na boca, vamos com calma”; se tiverem dito que ela é feia, ainda acrescento um “estás tão crescida e LINDA, filha!”.

Não acho que tenhamos sempre de defender os nossos filhos, eles erram tal como nós. Não obstante, acredito que os assuntos se resolvem entre nós e ainda que possa dar razão à pessoa que o repreende, não é saudável juntar-me a ela numa sessão de linchamento público.

Como referi, a nossa filha não queria usar chucha, foi um hábito criado também por mim. Assim, assumo essa responsabilidade, aceito que sou parte activa na sua resolução e defendo a nossa filha de qualquer julgamento exterior feito em tom negativo, mostrando que este não é um problema só dela, é nosso, e como tal iremos resolvê-lo JUNTAS, ao nosso ritmo.

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Quando tirar a chucha e porquê

Dezembro 1, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/

Umas das das primeiras funções que o bebé apresenta é a capacidade de sugar tanto na mama como na tetina, no dedo ou na chucha, a sucção é um reflexo inato e está presente desde a vida intrauterina. É através dela que a criança tem os primeiros contactos com o mundo exterior, satisfazendo, além da nutrição, as suas necessidades afetivas, ajudando o bebé a acalmar-se e promovendo o seu desenvolvimento emocional. Para além disso, é também através do movimento de sucção que o bebé desenvolve os músculos orais, e que ajuda o crescimento da face.

É importante referir que quando o bebé suga na mama esta molda-se naturalmente à boca do bebé e quando suga na tetina é a boca do bebé que terá de se adaptar a esta. Se optar pelo uso de chucha convém saber que para cada faixa etária existe um tamanho recomendado, que deverá corresponder ao tamanho da boca da criança.

O aleitamento natural é a forma mais eficiente para proporcionar a plena satisfação da criança, funcionando como um factor de proteção, uma vez que o bebé sentirá uma menor necessidade de chuchar, no biberão, chucha ou dedo, para além de que também possibilita um adequado desenvolvimento da mastigação, respiração, deglutição e fala.

O uso prolongado da chucha, do biberão ou chuchar no dedo podem trazer alterações no crescimento facial, na arcada dentária e na mobilidade dos lábios ou da língua, necessária para a produção de fala. Além disso, podem ainda alterar a forma como a criança respira, mastiga, engole ou respira.

Existe então uma altura certa tanto para tirar a chucha e o biberão para evitar risco de prejudicar o desenvolvimento normal da criança.

O biberão poderá ser retirado por volta do oito ou nove meses de idade, que é quando começam a aparecer os dentes de leite. Como alternativa ao biberão pode ser utilizado o copo com bico, caneca ou a colher.

Já a melhor altura para a retirada da chucha é entre os dois anos e meio e os três anos fase em que normalmente as crianças abandonam a necessidade de sucção e completam a dentição de leite.

Quando esses hábitos persistem após a idade recomendada, principalmente depois da erupção dos dentes maior será o risco de alterações como:

Alterações dentárias (mordida aberta anterior, mordida cruzada, espaço entre os dentes, etc.)

Alterações no desenvolvimento craniofacial (reduzido desenvolvimento da mandibula, palato alto e esteito)

Alterações das funções estomatognáticas (alterações na mastigação, fala, deglutição e respiração)

Alterações na musculatura da língua, lábios e bochechas;

Maior probabilidade de desenvolvimento de otites médias.

Estas alterações irão depender das características faciais da criança, da frequência, duração e intensidade com que chucha.

Estratégias para prevenir o uso prolongado da chucha ou chuchar no dedo:

– Definir horários e critérios de utilização da chucha: até aos 6 meses pode utilizar a chucha de forma continua, mas depois dessa idade só pode usar para dormir ou para acalmar.

–  Substituir o hábito de chuchar no dedo por mordedores  ou a chucha até aos 18 meses.

– Durante a noite os pais podem estar atentos e ir tirando o dedo da boca ou dar um boneco para a mão.

– Ocupar as mãos da criança com jogos ou brinquedos sempre que leve o dedo à boca, para a distrair.

 

Marta Nunes, Terapeuta da Fala

 

4 grandes consequenciais do uso prolongado da chucha

Maio 29, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 19 de maio de 2017.

Muitos pais adiam o momento de retirar a chucha aos seus filhos por receio de que possa traumatizar a criança ou privá-la do seu único meio de conforto. No entanto, após os 2 anos, as consequências do seu uso começam a surgir em força e  dependendo da criança e da frequência com que a usam, poderão instalar-se de forma quase permanente e só corrigível com recurso a várias especialidades da área da Saúde.

Referimo-nos, sobretudo, ao aparecimento de quatro grandes alterações que habitualmente não associamos ao uso de um objeto que parece tão inofensivo como a chucha – o objeto de conforto mais utilizado por milhões de crianças por todo o mundo.

São estas as quatro grandes consequenciais do uso prolongado da chucha:

1. Alteração da dentição e do palato (céu da boca)

A consequência mais fácil de detetar é a alteração da dentição e do palato (céu da boca) que o formato da chucha provoca. A presença prolongada de um corpo estranho na boca molda todas as estruturas à sua volta, nomeadamente os dentes e o palato, e provoca uma posição incorreta dos lábios (não lhes permite fechar na totalidade) e da língua, que adota uma postura à volta da chucha. Estas alterações nas estruturas causam uma das consequências mais difíceis de detetar – a respiração oral.

2. Respiração oral

Quando o bebé começa a respirar pela boca, devido às alterações estruturais que já ocorreram, o seu sono começa a ter menor qualidade devido à fraca oxigenação (que, por vezes, também desperta mais vezes os bebés) e a falta da correta “filtragem” do ar respirado no nariz, também levará a infeções das vias aéreas.

3. Musculatura

Outra alteração que surge muito frequentemente, ocorre ao nível da musculatura. Devido aos movimentos repetitivos da sucção, as estruturas perdem tónus – os músculos ficam enfraquecidos – e, com a perda de força dos lábios, bochechas e língua, poderemos também estar a provocar futuras dificuldades na alimentação.

4. Aparecimento de alterações na articulação

A consequência mais comum do uso prolongado de chucha e que, diariamente, leva várias famílias a procurarem um Terapeuta da Fala – ainda que nem sempre sabendo qual a causa das dificuldades dos seus filhos – é o aparecimento de alterações na articulação. Esta consequência, por ser notória apenas por volta dos 5/6 anos, quando já esperamos que as crianças articulem perfeitamente as palavras, é também a mais perigosa, pois aparece de forma “silenciosa”. Surge devido a todas as outras alterações estruturais que se desenvolveram ao longo dos anos e faz com que a criança precise de um acompanhamento especializado para conseguir articular vários sons que, habitualmente, distorce. Surgem assim – mas não exclusivamente – os conhecidos “sopinha de massa”, dificuldade que só pode ser corrigida após terapia e, muitas vezes, com a junção de um tratamento ortodôntico. Também as dificuldades de alimentação – por falta de força na musculatura das várias estruturas da boca -, terão de ser corrigidas com terapia.

Como forma de evitar todas estas consequências, e de prevenir a necessidade futura de acompanhamento em várias áreas, aconselhamos a remoção da chucha do seu bebé até aos 2 anos – e prontificamo-nos a ajudá-lo se precisar de algumas dicas sobre como fazê-lo!

Por Inês Peres Silva Terapeuta da Fala Ipsis Verbis®

 

 

 


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