China limita o tempo (e o dinheiro) que as crianças podem gastar com videojogos

Novembro 13, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 6 de novembro de 2019.

As novas regras são uma resposta a um vício que cada vez mais é considerado uma questão de saúde mental. E não apenas na China.

A China vai limitar o uso de videojogos por parte de crianças. Segundo as novas regras publicadas terça-feira, os menores de 18 anos não poderão estar online a jogar entre as 22h00 e as 8h00. Além disso, durante os dias de semana o tempo máximo de jogo é 90 minutos; ao fim de semana serão três horas.

As regras são uma resposta à crescente preocupação com os problemas que os videojogos estão a causar, desde miopia até distúrbios emocionais. Um responsável oficial explicou à agência Xinhua que se trata de “proteger a saúde física e mental dos menores” e criar um espaço de internet limpo. Em 2018, a Organização Mundial de Saúde declarou formalmente o vício dos jogos-vídeos como uma questão de saúde mental.

Para executar o novo regime, havwrá um sistema de identificação unificado. As plataformas de videojogos serão obrigadas a verificar a identidade e a idade dos jogadores, recorrendo a uma base de dados oficial. Já no ano passado a China, o segundo maior mercado para os videojogos, tinha instituído um regulador nessa área e uma moratória na aprovação de novos jogos.

Agora, além das restrições temporais, haverá algumas de natureza financeira. As crianças dos 8 aos 16 anos não poderão gastar mais de 200 renminbis (25,8 euros) por mês em jogos; dos 16 aos 18 o limite sobre para 400 renminbis (51,6 euros). Em 2018, a receita dos videojogos atingiu o equivalente a 34 mil milhões de euros na China.

China está a separar milhares de crianças muçulmanas dos pais e a “reeducá-las”

Julho 22, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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SOPA Images/ Getty Images

Notícia da Visão de 9 de julho de 2019.

Os uighures são muçulmanos que vivem em Xinjiang, no noroeste da China. As autoridades estão a separar famílias, enviar crianças para colégios internos e os pais para campos. Aqueles que escaparam para Turquia falaram à BBC e só pedem para voltar a ver os filhos

Xinjiang é um território autónomo no noroeste da China. Faz fronteira com oito países, entre eles a Mongólia, a Rússia, o Cazaquistão e a Índia. Até há pouco tempo, a grande maioria da sua população era Uighur, uma etnia com traços culturais ligados ao islamismo. Mas a relação entre esta minoria étnica e o povo chinês tem causado vários episódios de violência e perseguição.

Uma grande reportagem emitida na semana passada pela BBC denuncia que as autoridades chinesas estão a separar famílias muçulmanas, situações em que os pais são colocados em campos, ou até mesmo prisões, e as crianças são enviadas para colégios internos onde lhes é incutida a língua, a cultura e a paixão pela China. Alguns conseguiram fugir para outros países.

Abdurahman Tohi é um das centenas de muçulmanos uighures que agora vive na Turquia. Há três anos que não vê nem sabe nada sobre a mulher e os filhos, depois de os mesmos terem partido para Xinjiang numa curta visita aos avós. Este ano, descobriu na internet um vídeo do seu filho de quatro anos, num orfanato, a falar não na língua materna, mas em mandarim. Quando lhe perguntam qual a sua terra natal, a criança responde com entusiasmo “República Popular da China”.

Estes e mais casos são dados a conhecer através de uma série de entrevistas feitas pelo jornalista da BBC na Turquia, o único sítio onde os uighures são livres para falar à imprensa. A grande maioria não sabe onde estão os filhos e outros familiares e emociona-se ao mostrar fotografias dos mesmos às cameras.

Na mesma reportagem, a BBC relata a visita a uma escola em Xinjiang que alberga mais de 800 crianças. “O governo chinês permitiu a entrada de alguns jornalistas (…) isto é o que eles querem que o mundo veja”, afirma o narrador da reportagem, insinuando, e mais tarde comprovando, que as instalações foram modificadas com o intuito de transparecer uma imagem mais livre. Por exemplo, a retirada de câmaras de vigilância e a colocação de espaços de lazer, como campos de basquete, em sítios que normalmente estão vazios.

Os números indicam cerca de 400 crianças separadas dos pais e internadas em colégios onde lhes são ensinadas a língua oficial da China, aspetos da cultura e da identidade do país, convencendo-os de que estão a ser inseridos na sua verdadeira identidade cultural. Separados dos familiares e da sua religão, os jovens estão, segundo as autoridades chineses, a ser desviados do extermismo religioso e da violência.

Pode ler e assitir à grande reportagem da BBC aqui.

Tecnológica chinesa vai limitar tempo passado a jogar dos menores

Setembro 21, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site Notícias ao Minuto de 11 de setembro de 2018.

Por Miguel Patinha Dias

A Tencent vai exigir que os jogadores chineses introduzam os seus nomes reais para jogarem ao imensamente popular ‘Arena of Valor’.

Tencent anunciou através da sua app de mensagens, a WeChat, que limitará o tempo que crianças passam a jogar o seu imensamente popular jogo online ‘Arena of Valor’. Para tal, todos os jogadores terão de se registar no jogo com os seus nomes verdadeiros, os quais serão ligados à base de dados da polícia para identificar quem é menor de idade e deve ter o seu tempo limitado a apenas algumas horas por dia.

Esta limitação será diferente de acordo com a idade. Diz a Reuters que as crianças com 12 anos ou menos terão direito a apenas uma hora no jogo. Já dos 13 aos 18 anos, só será possível jogar até duas horas. Estas limitações impostas pela Tencent surgem por via do próprio Ministério da Educação da China, que apontou como motivo desta limitação o desejo de combater a falta de vista nas crianças.

Porém, a ideia do governo chinês pode ser também ‘quebrar’ o vício de videojogos que parece alastrar por toda a China. Entre os adolescentes, 18% diz jogar pelo menos quatro horas por dia, algo que já levou à criação de instalações especiais para impedir que seja criada esta tendência.

 

 

 

China vai limitar número de videojogos para “evitar miopia” entre as crianças

Setembro 7, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Diário de Notícias de 31 de agosto de 2018.

Autoridades vão limitar o número de videojogos na Internet, o lançamento de novos jogos e poderá ser também incluída uma medida para limitar o número de horas que as crianças passam a jogar.
China vai limitar o número de videojogos disponíveis na Internet do país, “para evitar a miopia”, uma doença que afeta muitas crianças e adolescentes chineses, avançou o ministério chinês da Educação.

O novo regulamento foi anunciado na quinta-feira, logo após uma “importante diretriz” do Presidente chinês, Xi Jinping, que apelou à proteção da visão das crianças.

As autoridades limitarão o número de videojogos na Internet, mas também o lançamento de novos produtos no mercado, segundo o comunicado do ministério da Educação.

Outras medidas poderão incluir limitar o número de horas que as crianças passam a jogar, lê-se na mesma nota, coassinada por outras sete administrações do país.

As ações de várias empresas do setor nas praças financeiras chinesas afundaram esta manhã.

A cotação do gigante chinês da internet Tencent desvalorizou mais de 5%, em Hong Kong. A Perfect World caiu 9%, na bolsa de Shenzhen.

Os estudantes chineses sofrem de uma alta taxa de miopia, que é cada vez mais precoce, alertou Xi Jinping, citado pela agência noticiosa oficial Xinhua.

Este distúrbio ocular tem um impacto negativo significativo na saúde física e mental das crianças e representa um grande problema para o futuro da nação, acrescentou.

A medida anunciada na quinta-feira surge depois de Pequim ter suspendido a emissão de licenças para comercializar novos videojogos.

Segundo a lista da Agência Nacional para a Rádio e Televisão, nenhuma empresa obteve novas licenças desde maio passado.

 

Nove milhões de crianças abandonadas vivem em áreas rurais da China

Novembro 28, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.swissinfo.ch/por/ de 10 de novembro de 2016.

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Autoridades chinesas revelaram nesta quinta-feira que mais de 9 milhões de crianças foram deixadas em áreas rurais por seus pais, que foram para a cidade em busca de trabalho.

Estas crianças, que ficaram com os avós e, em muitos casos, sozinhas, são uma das trágicas consequências das últimas décadas da ascensão econômica do gigante asiático.

Milhões de camponeses deixaram as áreas rurais para trabalhar em grandes centros urbanos, onde normalmente seus filhos teriam acesso limitado à escola e à saúde devido ao sistema de registro familiar chinês.

As famílias se veem, assim, obrigadas a deixar seus filhos com parentes.

Um censo do governo revela que existem 9,02 milhões de crianças nessa situação no país, segundo o ministro de Assuntos Civis em um comunicado em seu site.

Cerca de 90% (8,05 milhões) vivem com seus avós, 3% com outros parentes e 4% totalmente sozinhos, ou seja, quase 400.000 menores.

Existem várias tragédias relacionadas a essa situação.

Em 2015, quatro irmãos de 5 a 14 anos de idade foram abandonados por seus pais durante meses e se suicidaram ingerindo pesticida na remota província de Guizhou, sudoeste do país.

“O fluxo de trabalhadores migrantes para as zonas urbanas afetou a unidade familiar e muitos pais não têm consciência de suas responsabilidades”, explicou Tong Lihua, diretor de uma ONG que ajuda essas crianças.

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O drama das 61 milhões de crianças que crescem sem seus pais na China

Maio 4, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.bbc.com/portuguese de 24 de abril de 2016.

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Imagine a população dos Estados de São Paulo e Rio de janeiro somadas. Esse é o número de crianças que vivem longe dos pais na China.

São, ao todo, mais de 60 milhões de meninos e meninas.

Conhecidas como crianças “deixadas para trás”, elas não foram abandonadas. Mas foram deixadas sob os cuidados de familiares, geralmente avós, porque os pais trocaram os campos pelas cidades. No entanto, nem todas têm a mesma sorte.

A BBC visitou umas das regiões mais remotas da China.

Ali vivem Tao Lan, de 14 anos, e seu irmão menor. Além de ajudá-lo com seu dever de casa, a adolescente se encarrega das tarefas domésticas e de cultivar uma parte dos alimentos que consome, pois os dois vivem sozinhos.

Os pais moram em outra parte da China e vão visitá-los uma vez por ano.

Questionada pela BBC sobre a dificuldade de viver longe dos pais, Lan diz não querer preocupá-los. “Não posso contar a eles sobre os meus problemas porque minha mãe e meu pai levam uma vida dura. Não quero que eles se preocupem por mim.” Em seguida, a menina começa a chorar.bbc2

Desafio

Em algumas escolas, até 80% dos alunos crescem sem ter os pais ao lado.

Após registrar um crescimento econômico de dois dígitos, a China se expandiu graças ao aporte à saída de milhões de trabalhadores em direção às zonas urbanas.

Mas foram as crianças quem pagaram o preço dessa transição, dizem especialistas.

Trata-se de um problema social que o Partido Comunista fez pouco para solucionar. E que começou após a dramática transformação da China que deixou seu passado agrário para abraçar um presente industrial.

Fábrica

A reportagem da BBC visitou outro lugar na zona rural, onde moram Tang Yuwen, de 11 anos, seu irmão, dois primos e sua avó.

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“Meus pais não moram conosco. Trabalham em outra cidade, em fábricas costurando roupa. Sei que eles trabalham duro para ganhar dinheiro, mas sinto muita saudade deles. É muito doloroso”, disse o menino.

Na fábrica, o pai de Yuwen está sentado em frente a uma máquina de costura. Apesar de anos trabalhando na linha de produção, é quase impossível que ele deixe o status oficial de imigrante dentro de seu próprio país.

Assim como milhões de crianças, seus filhos não podem frequentar as aulas das escolas na localidade onde ele e sua mulher trabalham.

Enquanto almoçam, a reportagem da BBC lhes mostrou a entrevista que havia feito com o filho deles, a vários quilômetros de distância.

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Foi um momento difícil para eles. A última vez que viram Yuwen foi há cinco meses.

A mãe não conseguiu segurar as lágrimas. “Estou muito preocupada porque não estou com ele, fico preocupada com a segurança dele. Se não houvesse impedimentos legais, teríamos trazido todos eles para ficar conosco”.

Ano Novo

A ONU estima que mais de 900 milhões de pessoas em todo o mundo deixaram seus locais de origem para trabalhar em outras cidades e países, deixando seus filhos para trás.

Mas o caso da China é dramático pelo número de menores de idade que estão crescendo sem seus pais.

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Muitos deles têm a chance de se reencontrar por poucos dias durante a comemoração do Ano Novo do calendário chinês.

“Queria que eles me levassem com eles. Não quero viver separado (…) Mas não posso fazer nada, não quero importuná-los. Se telefono para eles, vou importunar. Não posso fazer nada a não ser esperar”, disse Yuwen.

“Quando crescer, não vou embora, essa é a minha casa. Quero fazer algo grande, quero ser patrão, ser responsável por uma fábrica. Vou levar meus filhos ao meu trabalho, para que possamos estar juntos”.

 

 

 

Milhares de bebés chineses estão à venda na internet

Março 13, 2015 às 11:01 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 11 de março de 2015.

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A China continua a lidar com o drama dos raptos de crianças, uma realidade epidémica no país. O Governo chinês não dispõe de dados, mas as autoridades norte-americanas falam em milhares de menores à venda online oriundos de 20 mil raptos anuais no país, avança uma investigação da BBC. A imprensa chinesa aumenta em dez vezes este número e diz que todos os anos são retirados 200 mil menores às suas famílias.

Com um impacto devastador para várias famílias, o mercado ilegal de venda de crianças continua sem travão na China. Apesar dos esforços recentes das autoridades, milhares de meninos continuam a acabar nas malhas de redes criminosas.

Esta realidade, já antiga, veio finalmente a público há 12 anos quando a polícia chinesa descobriu 28 bebés na parte de trás de um autocarro em sacos de nylon. Estavam drogados para se manterem em silêncio e um acabou por morrer sufocado.

Este caso chocante foi apenas a ponta do iceberg para o mundo constatar o flagelo tráfico infantil. Todos os anos milhares de pais são confrontados com a agonia de lhes ser roubado um filho. O Governo chinês diz não ter dados sobre o problema, mas o Departamento de Estado norte-americano estima que sejam raptadas 20 mil crianças todos os anos, ou seja 400 por semana.

Um bebé do sexo masculino é vendido por 15 mil euros, o dobro do valor de uma menina. Os chineses continuam a preferir ter filhos, pois existe a crença na cultura do país de que os homens perpetuam o nome da família e sustentam os pais na velhice.

O destino das crianças raptadas é na maioria das vezes a adopção, mas algumas acabam em redes de trabalho forçado ou são entregues a grupos criminosos que as obrigam a mendigar. A maioria destes meninos nunca são encontrados.

A actividade destes criminosos tem vindo a ficar mais sofisticada, fazendo-se agora na internet, já que a polícia chinesa tem estado mais activa no combate a este crime. Em Fevereiro do ano passado, por exemplo, uma operação policial levou a 1094 detenções e ao resgate de 382 bebés que estavam a ser dados para adopção em fóruns online.

Os pais que procuram os seus filhos raptados apelam ao Governo que faça leis mais duras para punir os raptores. Actualmente, o crime de rapto é punido com três anos de prisão se apanhados em flagrante, o que raramente acontece.

 

 

Maioria dos jovens chineses começa a usar a Internet antes dos oito anos

Novembro 27, 2014 às 4:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 27 de novembro de 2014.

Luís Garcia Globalimagens

por Lusa

Comparando com os dados apurados há quatro anos, a percentagem de crianças com menos de oito anos que acede à Internet subiu de 33,7%, para 56,3%.

A maioria dos jovens chineses começa a usar a Internet antes dos oito anos de idade e cerca de um quarto deles até mais cedo, segundo um estudo citado hoje na imprensa oficial chinesa.

Cerca de um terço dos chineses com menos de 18 anos (32,2%) liga-se à Internet para jogar e quase um quarto (24,7%) procura sobretudo ouvir música ou ver filmes, apurou o Chinese Youth Pioneers Business Development Center, depois de uma sondagem junto de 10.000 estudantes.

A realização de trabalhos escolares mobiliza um quinto (20,1%) dos jovens internautas e 5,9% recorrem ao ciberespaço para fazer amigos.

Comparando com os dados apurados há quatro anos, a percentagem de crianças com menos de oito anos que acede à Internet subiu de 33,7%, para 56,3%.

Um quarto dos inquiridos este ano aprenderam a usar a Internet quando tinham cinco anos e mais de dois terços (70%) começaram antes dos dez, indica o estudo.

Pequim tem a percentagem mais alta de jovens que usam a Internet (96%). A mais baixa (78%) é na província de Sichuan, no sudoeste da China.

País mais populoso do mundo, com cerca de 1.350 milhões de habitantes, a China tem também a mais numerosa população online do planeta.

Segundo estatísticas oficiais, o número de utilizadores aumenta em média 2,3 milhões por mês, tendo atingido 632 milhoes em junho passado, e mais de 80% acedem à internet através de smartphones e outros dispositivos móveis.

 

 

ONU: Aborto de meninas espalha-se como «epidemia» no leste europeu

Novembro 17, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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notícia do  http://diariodigital.sapo.pt  de 10 de novembro de 2014.

diário digital

A prática do aborto de fetos do sexo feminino devido a uma preferência por rapazes é uma «epidemia» que está a espalhar-se além de países como a Índia e a China, atingindo agora nações do leste europeu, advertiu segunda-feira um alto funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU).

O chefe da divisão de género do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Luis Mora, disse que estudos realizados nos últimos anos identificaram que o desejo por bebés do sexo masculino e o acesso à tecnologia foram os principais responsáveis pelos mais elevados índices de selecção do género a nível global na região do Cáucaso, ao longo da fronteira da Europa-Ásia entre os mares Negro e Cáspio.

«Durante muitos anos, temos observado a preferência por rapazes e a selecção do género à semelhança do que acontece nos casos da Índia e da China», disse Mora num simpósio de quatro dias sobre o envolvimento de homens e rapazes na igualdade de género.

«Mas temos percebido nos últimos anos que a Índia e a China já deixaram de ser as excepções. Vimos como a discriminação, a preferência por rapazes e todas as questões relacionadas se têm progressivamente espalhado para países que nunca antes tínhamos pensado que poderiam praticar a escolha do género, como os países do Leste Europeu» afirmou.

Mora disse que o facto de o feticídio feminino estar a acontecer em países que, anteriormente, não tinham histórico de tais práticas, como a Albânia, Kosovo e Macedónia, indicava que a discriminação de género era uma «epidemia», comparando-a ao vírus mortal ébola.

De acordo com um estudo de Agosto de 2013 da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, biologicamente 105 meninos nascem para cada 100 meninas.

No entanto, na Arménia e no Azerbeijão mais de 115 meninos nascem para cada 100 meninas, e na Geórgia a proporção é de 120 homens para cada 100 mulheres.

Como resultado, o UNFPA estima que em países como a Arménia haverá falta de cerca de 93 mil mulheres em 2060 se a elevada taxa de selecção de gênero no pré-natal permanecer inalterada.

Especialistas em género afirmam que a estrutura patriarcal é uma das principais razões para a proporção sexual enviesada.

Uma «cultura do aborto» herdada do período soviético e o fácil acesso a tecnologias que permitem aos pais saber o sexo do seu filho antes do nascimento são outros factores importantes.

«Acho que isto é um aviso», disse Mora. «Por detrás dessa situação há uma forte e grave advertência sobre como as desigualdades de género, a violência, a preferência por rapazes e outras práticas nocivas podem realmente tornar-se universais», salientou.

 

 

Na China, há uma geração crescente de “crianças deixadas para trás”

Janeiro 14, 2014 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 10 de janeiro de 2014.

William Wan The Washington Post

Beibei vive com a avó na aldeia onde o seu pai nasceu William Wan The Washington Post

William Wan

Peritos chineses alertam para problemas emocionais e psicológicos das crianças que crescem longe dos pais. Wu Hongwei e Wang Yuan viveram os primeiros anos da vida da sua filha longe dela e já se arrependeram. Em Fevereiro, prometem, a família estará unida.

Os fregueses de uma barbearia da cidade de Jianba, no Sul da China, encontraram-na recentemente fechada, com uma nota curiosa na porta. “Caros clientes, recebi um telefonema da minha filha ontem. Estou há tanto tempo longe que ela já nem sabe chamar-me ‘Papá’. Peço-vos uma semana fora para visitar a minha família”.

O recado, fotografado por um transeunte, foi postado na rede social chinesa equivalente ao Twitter e tornou-se rapidamente viral. Reflecte a crescente ansiedade do país em relação às “crianças deixadas para trás”.

Mais de 61 milhões de crianças – um quinto das crianças da China – vive em aldeias longe dos pais. A maioria descende de camponeses que afluíram às cidades, numa das maiores vagas migratórias da história da Humanidade.

Durante três décadas, a mão-de-obra barata dos migrantes ajudou ao crescimento da máquina económica gigante que é a China. Mas os trabalhadores nas cidades são de tal maneira esmagados com custos elevados e com longas horas de trabalho que muitos mandam os filhos para o campo viver com familiares mais velhos.

O barbeiro da nota pendurada na porta, Wu Hongwei, e a mulher deixaram a filha, então de nove meses, com os avós numa aldeia remota. O casal pensara, na altura, que a distância de 550 quilómetros não seria uma barreira.

Telefonavam todos os dias e diziam à criança “A mamã ama-te” e “O papá tem saudades tuas”. Colaram fotos deles pelas paredes de cimento do quarto dela na casa dos avós. Mas, quase dois anos depois, chegaram a uma conclusão gritante: “Somos completos estranhos para ela”, disse Wu.

Wu, de 24 anos, deixou a pequena aldeia de Zhaishi nas montanhas escarpadas da província de Hunan há oito anos. Ter ficado significaria trabalho de quebrar as costas por apenas três dólares por dia (2,20 euros) – e era quando houvesse trabalho. O jovem, alto e esguio, comprou um bilhete de autocarro para a cidade de Zhangzhou, onde tinha um tio que o levou para uma formação de barbeiro não-remunerada. Wu mudou-se depois para Zhuzhou, onde conseguiu um emprego por 500 dólares (367 euros) por mês.

O nascimento de Beibei
Foi nesta cidade que Wu conheceu Wang Yuan, uma mulher de gargalhada contagiante. Os amigos de Wang tratavam-na por “Baozi”, ou pãozinho, por causa das bochechas rechonchudas. O barbeiro cortejou-a com a sua guitarra e músicas populares. Por um tempo, a vida na cidade parecia cheia de possibilidades para os recém-casados. A filha, Beibei, nasceu em 2011.

Para tomar conta da filha, Wang, de 33 anos, largou o emprego de vendedora de telemóveis. O marido trabalhava horas extraordinárias, cortando cabelo desde manhã até às 11 da noite.

A princípio, as coisas resultaram. Pagavam pela casa uma renda mensal de 100 dólares. Tal como muitos trabalhadores migrantes, Wu tinha também de ajudar os pais aldeãos: 170 dólares iam mensalmente para eles.

Mas o bebé foi entretanto desmamado e precisava de leite em pó – um produto caro na China, onde os pais suspeitam das marcas locais baratas, muitas vezes adulteradas. Isso acontecia mesmo com marcas de qualidade média vendidas por pelo menos 100 dólares por mês, um quinto do rendimento mensal do casal. “Não tínhamos escolha. Precisávamos ambos de trabalhar”, disse Wang, cujos pais estavam demasiado doentes para poderem ajudar.

Então, em Maio de 2012, o casal viajou para a aldeia de Wu – uma esgotante viagem de 14 horas de autocarro, dois comboios e motorizada –, e entregaram o bebé aos cuidados dos pais dele.

Parecia uma solução óbvia. Quase todos os jovens casais da aldeia de Wu tinham feito o mesmo, de modo a poderem ter os seus empregos nas cidades. Isso até permitiu a Wu e a Wang porem algum dinheiro de parte para o seu sonho de terem a sua própria barbearia.

O casal confortava-se com a ideia de que Beibei estaria melhor no campo. “Não queremos que ela suporte a pressão da vida na cidade, que pense sempre em coisas materiais”, disse Wang. “Queremos que seja feliz”.

Os primeiros meses foram martirizantes. “Eu dormia agarrada aos pequenos objectos dela que tinham ficado”, disse Wang. “Chorava constantemente”. O marido, um homem tranquilo, concentrou-se no trabalho e nos cortes cabelo a 2,45 dólares cada, de modo a poder enviar dinheiro para casa.

Visita à aldeia
Três meses depois de terem entregue a filha aos avós, o casal regressou à aldeia, ansioso pela visita. Assim que entraram em casa, Beibei escondeu-se deles. “De cada vez que tentávamos abraçá-la, ela gritava pela avó e agarrava-se a ela”, recordou Wang. A dada altura, o casal perguntou à filha onde estavam a mãe e o pai. Ela correu para as fotos na parede, não para eles.

Com os avós à volta, Beibei era uma criança brincalhona, que crescera calma e levava muitos dos seus dias a cantar para as montanhas. Não entendia o chinês que a mãe falava, porque aprendera o dialecto étnico da aldeia. E a mãe não entendia as poucas palavras que a menina dizia. “Ela ama acima de tudo a avó”, disse Wang, que se tem esforçado por não sentir inveja por isso. “Quando se magoa, é para a avó que ela corre”.

Durante a viagem, o casal comprou numa cidade próxima brinquedos e pãezinhos doces para conseguir a atenção de Beibei. Para pegar na filha, o casal esperou que a avó a adormecesse com uma canção de embalar, depois meteram-se sorrateiramente na cama, a avó tirou os braços com que a abraçava e eles rodearam-na com os seus. “Aquelas poucas horas de noite”, disse Wang, “foram preciosas”.

No final da segunda visita, em Dezembro último, tinham finalmente ensinado a filha a dizer “mãe” e “pai”. “Mas a forma como diz ‘mamã’ não é mais do que um nome para ela”, disse Wang recentemente. “Há alguém chamado ‘mamã’, mas isso não tem significado”. Um dia no Outono passado, os avós de Beibei telefonaram para contar que alguns parentes – um casal recém-casado – tinham-lhes feito uma visita e levado brinquedos para Beibei. Quando a criança viu o jovem casal com brinquedos e guloseimas, chamou-lhes “mãe” e “pai”. “Custou-nos profundamente”, disse Wang.

Wu e a mulher tinham finalmente posto de parte dinheiro suficiente para abrir uma barbearia num pequeno espaço, mas, quando ouviram a história, decidiram ir à aldeia. De partida, afixaram apressadamente a nota na porta. Muitos dos que a viram online deixaram comentários lamentando a natureza brutal da economia moderna da China. “As pessoas têm pago demasiado para conseguirem viver”, dizia um. “Saltam-me as lágrimas porque me revejo neles os dois”, dizia outro.

Nos últimos anos, o fenómeno das “crianças deixadas para trás” tem suscitado crescente atenção. Os peritos chineses alertam para problemas emocionais e psicológicos das crianças que crescem longe dos pais. São crianças que têm muitas vezes piores notas na escola e estudos sugerem que desenvolvem tendências crescentes de suicídio e abuso de álcool.

Mas, nas cidades, as crianças migrantes enfrentam problemas também: é-lhes muitas vezes vedado o acesso às escolas e aos cuidados médicos do sistema público, a não ser que os pais tenham autorizações de residência. E amiúde as populações urbanas discriminam as famílias rurais, considerando-as grosseiras e sem educação.

O que é ser mãe
“O campo tem sido bom para a Beibei”, disse recentemente a avó, Yang Peiyun, de 51 anos. “A comida aqui é limpa e o ar não é poluído, como o da cidade”. Mas acrescentou: “Não há futuro para ela na aldeia. Não há nada, a não ser montanhas”.

Por altura da chegada do Inverno, o casal pediu à avó da Beibei que a trouxesse até à cidade. À medida que a menina subia os degraus do apartamento, segurando a mão do pai, franziu a sobrancelha e perguntou: “De quem é esta casa?” “É a casa da Beibei”, responderam-lhe os pais, mas ela abanou a cabeça. Nessa noite, quando Wang tentou deitar-se com ela, Beibei recusou. A correr para a avó, gritava: “Não quero a mãe”.

Recordando-se destas palavras no dia seguinte, Wang limpava as lágrimas, à porta da barbearia. “Quero tanto ensinar-lhe o significado real de uma mãe”, disse ela. “Mãe é quem nos dá à luz. É quem nos ensina a andar, a falar e a cantar. A mãe é quem nos cria. É a pessoa mais próxima de nós”.

Wang e Wu decidiram então trazer a filha para a cidade e ficar a viver com eles. Ainda não sabem como vão ultrapassar todas as dificuldades financeiras que o plano comporta, mas já têm uma data-limite: o início de Fevereiro, depois do Novo Ano chinês. “Já perdemos muitas coisas, como os primeiros passos dela, as primeiras palavras”, disse Wang. “Mas ainda é pequena. Não é tarde para ela aprender o que significa verdadeiramente ter uma mãe”.

Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post

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