Os nossos adolescentes precisam de psicólogos? Sim, mas há “muito poucos” perto deles – Daniel Sampaio

Maio 1, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 21 de fevereiro de 2019.

Joana Carvalho Reis com Sara Beatriz Monteiro

Depois de 40 anos a trabalhar com adolescentes e famílias, Daniel Sampaio insiste que a saúde mental deve ser uma prioridade nacional e que os adolescentes devem ser acompanhados nas escolas e nos centros de saúde.

O psiquiatra Daniel Sampaio defende que é urgente olhar para a saúde mental como uma prioridade. Depois de 40 anos a trabalhar com adolescentes e famílias, o especialista conclui que existem muitos profissionais competentes no setor, mas que os serviços na área da psicologia e da psiquiatria são insuficientes.

“Precisamos que os centros de saúde tenham médicos de família, psicólogos e enfermeiros que se dediquem mais à saúde mental, Nós temos muito poucos psicólogos nos centros de saúde e muito poucos enfermeiros. O médico de família não pode fazer tudo. E precisamos nas escolas também de psicólogos que trabalhem lado a lado com os professores para detetar precocemente os problemas de saúde mental dos jovens, as carências dos jovens. A pedopsiquiatria precisa de ser reforçada e a psiquiatria e a psicologia da adolescência também. Tem que ser uma prioridade a nível nacional e infelizmente não tem sido.”

Daniel Sampaio é o convidado da conferência “Parentalidade e Psicopatologia na Era da Internet”, um espaço onde vai ter oportunidade de mostrar a importância de os pais e os professores lidarem com os desafios e com as vantagens das novas formas de comunicação.

Na visão do especialista, os pais e os professores devem estar atentos ao comportamento dos jovens, utilizando a internet para estabelecerem uma comunicação mais eficiente.

“Estamos a dar atenção, mas muitas vezes de uma forma negativa, porque pais e professores estão a criticar o uso da internet pelos jovens em vez de aproveitarem esta oportunidade. Nas escolas há uma má política em relação à utilização do telemóvel, muitas vezes não há regras definidas. Umas escolas proíbem completamente, até no pátio, outras proíbem na sala de aula, outras permitem na sala de aula. Tudo isso gera ruído, gera confusão na comunicação.”

Nesse sentido, Daniel Sampaio defende que “é preciso ajudar, desde a infância, as crianças a estarem na internet com muita precaução e, sobretudo, com regras.”

 

Hospitais e centros de saúde detetam 9 mil crianças em risco de maus tratos

Dezembro 11, 2018 às 11:30 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 11 de dezembro de 2018.

Maioria dos casos são negligência, mas também há muitos casos suspeitos de abuso sexual e maus tratos físicos.

Desde que foram criados, há cerca de dez anos, os Núcleos de Apoio a Crianças e Jovens em Risco dos hospitais e centros de saúde já detetaram cerca de 50 mil situações de risco de maus tratos.

O último relatório da Direção-Geral de Saúde sobre Saúde Infantil e Juvenil sublinha que no último ano com números disponíveis, 2016, existiam 268 núcleos deste tipo no país que detetaram, nesse ano, um número recorde de quase 9 mil casos de risco.

O documento fala num “aumento do número de crianças sinalizadas na rede”, numa subida que tem sido quase contínua: 3.551 em 2010 a 8.927 em 2016, mais 3% que em 2015.

Dos casos assinalados em 2016, cerca de 67% deveram-se a negligência, 20% a maus tratos psicológicos, 7% a maus tratos físicos e 6% a suspeitas de abuso sexual.

O presidente da Comissão Nacional da Saúde Materna, da Criança e do Adolescente admite que os números de situações de risco sinalizadas nos hospitais e centros de saúde a envolver crianças e adolescentes (até aos 18 anos) são preocupantes e obrigam a atuar junto das famílias e das escolas.

Gonçalo Cordeiro Ferreira admite, em declarações à TSF, que é preciso estudar melhor estes números, apesar de já darem uma ideia sobre a problema: “Se tivéssemos menos crianças e estas fossem melhor tratadas, seria um aspeto minimamente positivo da baixa natalidade; o problema é que temos menos crianças e o tratamento dado a essas mesmas crianças nem sempre é o melhor, quer por negligência e cuidados a menos ou em alguns casos por excessos de ansiedade parental que também não deixa as crianças crescerem bem”, conclui.

Mais informações no relatório:

Saúde Infantil e Juvenil – Portugal 2018

 

 

Hospitais e centros de saúde receberam 35 mil crianças por maus-tratos em 6 anos

Abril 20, 2015 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 20 de abril de 2015.

Hospitais e centros de saúde receberam 35 mil crianças por maus tratos em 6 anos

 

Acção de Saúde para Crianças e Jovens em Risco : Relatório 2012

Outubro 29, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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dgs

Descarregar o relatório Aqui

De uma forma genérica, poder-se-á afirmar que, em 2012, a Ação de Saúde para Crianças e Jovens em Risco (ASCJR), criada pelo Despacho da Ministra da Saúde n.º 31292/2008, de 5 de Dezembro, desenvolveu-se na continuidade do que acontecera em anos anteriores.

Tal significa que, de um modo gradual, a nível das Administrações Regionais de Saúde, dos Agrupamentos de Centros de Saúde, dos Hospitais e das Unidades Locais de Saúde, a intervenção junto das crianças e dos jovens em risco foi objeto de atenção crescente por parte dos profissionais de saúde.

Essa evolução encontra-se expressa não apenas no aumento da casuística registada, mas também do número de iniciativas tomadas pelas equipas a nível regional e local, quer sob o ponto de vista da sensibilização, tanto dos profissionais como da população utente, quer ainda do da organização e da participação em iniciativas de caráter formativo, técnico e científico que foram realizadas a propósito do tema.

No que se refere à dinâmica da Rede de Núcleos da ASCJR, é de assinalar a existência de avanços e de recuos no processo, de acordo com as informações fornecidas pelas Coordenações Regionais da ASCJR.

Por um lado, resultado da continuada evolução da orgânica e do modo de intervenção do Serviço Nacional de Saúde (SNS), face à necessidade sentida  pelas equipas de melhor rentabilizarem as potencialidades deste modelo de intervenção, assistiu-se, em 2012, à constituição de novos Núcleos, nomeadamente, em diversos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES).

Por outro lado, em alguns casos, fruto de contingências já amplamente referidas em relatórios anteriores (ver, a este propósito, o relatório referente a 2011), o processo da gestão de recursos humanos veio condicionar a desafetação de profissionais das equipas constituintes dos Núcleos, com a consequente limitação da ação das mesmas.

Acresce, também, como forma de ultrapassar os constrangimentos causados pela exígua disponibilidade dos profissionais, o facto de ter sido reformulado o modelo de funcionamento dos Núcleos em alguns ACES, verificando-se fusões, partilha de recursos e outras formas de colaboração alternativas entre estes e as diferentes unidades do Agrupamento.

Saliente-se também que, no decurso do ano de 2012, não só a Comissão de Acompanhamento como as Coordenações Regionais da Ação passaram a estar envolvidas no processo de revisão do Programa-tipo em Saúde Infantil e Juvenil, permitindo uma ampla base de reflexão e de elaboração de contributos sobre a matéria “crianças e jovens em risco”, a qual veio a ganhar um assinalável destaque no novo Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil (PNSIJ), em vigor desde Junho de 2013.

A par deste contributo para o PNSIJ, através da Equipa de Análise da Ação, foi possível, também, atuar no processo de adaptação dos principais programas informáticos em uso no SNS – SAM e SAPE – ao novo PNSIJ e, por via disso, assegurar recursos de suporte informático à intervenção na área das crianças e jovens em risco. Tal facto veio permitir, se bem que através de um mecanismo alternativo à inicialmente prevista ferramenta informática de apoio à ASCJR, criar as condições para assegurar um suporte de informação útil na matéria, quer sob o ponto de vista da gestão dos casos, quer na perspetiva da informação casuística e epidemiológica.


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