Centro de Reabilitação de Alcoitão recebe cada vez mais crianças vítimas de AVC

Maio 20, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 12 de Maio de 2013.

O Centro de Reabilitação de Alcoitão tem tratado  cada vez mais casos de crianças com diagnóstico de AVC, uma situação considerada  muito rara em pediatria, geralmente associada a malformações congénitas,  mas cujas causas não estão totalmente determinadas.

Segundo os dados oficiais do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão,  em 2011 foram observadas quatro crianças com AVC, em 2012 foram tratadas  21 e só este ano já entraram na instituição duas crianças e outras 10 estão  a ser seguidas em ambulatório.

“Não há dados suficientes a nível nacional sobre a incidência do AVC  na criança. Sabemos que há uma incidência de 200 em cada 100 mil adultos  e que haverá um máximo de 14 crianças com AVC por cada 100 mil pessoas”,  disse à agência Lusa Nilton Macedo, enfermeiro no serviço de reabilitação  pediátrica de Alcoitão, pertencente à Santa Casa da Misericórdia.

Apesar de ser um evento bastante raro na idade pediátrica, nos últimos  anos as crianças e jovens observados em Alcoitão têm sido cada vez mais,  embora o enfermeiro não consiga encontrar uma explicação para este aumento.

As próprias causas do AVC pediátrico não são totalmente esclarecidas,  apesar de haver uma forte associação com patologias congénitas (como uma  malformação arteriovenosa), algumas das quais permanecem desconhecidas até  ao acidente vascular cerebral ocorrer.

“Se as causas de raiz associadas ao AVC são patológicas não consigo  explicar a razão do aumento  1/8dos casos em Alcoitão 3/8”, refere Nilton Macedo,  adiantando que este é o único centro de reabilitação em Portugal com internamento  em pediatria, recebendo por isso crianças referenciadas de hospitais de  todo o país e regiões autónomas.

E as malformações que estão na base destes AVC em idade pediátrica podem  ser uma “bomba relógio”, como indica o enfermeiro, já que em mais de 90%  dos casos não são detetadas à nascença: “Numa malformação arteriovenosa  pode haver uma rutura aos 2 anos como aos 80 anos”.

Em comparação com o adulto, genericamente o prognóstico de recuperação  do AVC na criança é melhor, devido sobretudo a uma maior plasticidade do  cérebro infantil, o que facilita a reabilitação.

“A partir do momento em que as crianças são admitidas  1/8em Alcoitão 3/8  fazemos uma avaliação da criança para dimensionar a limitação com que ficou.  Tentamos promover um processo de reabilitação a vários níveis: física, emocional  e psicológica”, indicou o especialista.

Mas as estratégias e respostas têm de ser adaptadas a cada criança e  a cada família, até porque um AVC numa criança com dois anos não tem as  mesmas repercussões do que num jovem de 16, justifica Nilton Macedo.

No caso das crianças, além de recuperar as competências que perderam  com o acidente, é ainda preciso habilitá-las para adquirirem novas competências.

O enfermeiro do Centro de Alcoitão admite que lidar com estas situações  “não é fácil” para os próprios profissionais de saúde, porque “mexe com  medos pessoais”: “Ninguém sai do serviço e desliga um botão quando vai para  casa. Muitas vezes passamos a sofrer um bocadinho com as situações e com  a dor dos pais, que estão cá 24 horas. Mas vamos todos desenvolvendo estratégias  para lidar com a situação e perceber o nosso limite relacional”.

Lusa


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