Escola espanhola retira “Capuchinho Vermelho” e outros contos por considerar histórias sexistas

Abril 25, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia do Observador de 11 de abril de 2019.

Ao todo, a escola Táber decidiu retirar 200 livros da sua biblioteca para crianças até aos seis anos por considerar que eram sexistas. Há outras escolas espanholas a seguirem o mesmo caminho.

A escola Táber, em Barcelona, decidiu fazer uma revisão ao catálogo de livros que fazem parte da sua biblioteca infantil e mandou retirar 200 obras — cerca de 30% de todos os livros — que considera “tóxicas” e “sexistas” para crianças até aos seis anos. Entre elas estão histórias como a “Bela Adormecida”, o “Capuchinho Vermelho” e a Lenda de Sant Jordi, o santo padroeiro da Catalunha, noticia o El País.

Anna Tutzó, uma das mães que constituem o comité que avaliou o catálogo, não referiu os títulos dos livros que foram retirados, mas assegura que os livros tradicionais foram “uma minoria” entre os livros afastados. Para a responsável, o problema está no facto de estes contos associarem determinadas características ao género, como a masculinidade a valores como a coragem e a competitividade. “Também em situações de violência, mesmo que sejam pequenas brincadeiras, é o menino que o faz contra a menina. Isto transmite uma mensagem de quem pode exercer a violência e contra quem o pode fazer”, acrescento Anna Tutzó.

“Na primeira infância, as crianças são esponjas e absorvem tudo à sua volta, pelo que acabam por assumir como normais os padrões sexistas. Por outro lado, na escola primária os alunos já têm mais capacidade crítica e os livros podem ser uma oportunidade para aprender, para que eles próprios tomem consciência dos elementos sexistas”, disse ainda Anna Tutzó.”

Mas não é só nesta escola que têm surgido preocupações com o tipo de histórias presentes nas prateleiras das bibliotecas. Na escola de Montseny, em Barcelona, já se iniciou uma revisão do catálogo e também esta instituição anunciou que vai retirar todos os livros que considerar serem sexistas. “O tipo de livros que as crianças leem é muito importante. Os livros tradicionais reproduzem os estereótipos de género e é bom ter livros disponíveis que rompam com eles”, explicou Estel Crusellas, presidente da AMPA da escola Fort Pienc.

Porto Editora explica corte em poema de Álvaro de Campos com pedofilia

Janeiro 15, 2019 às 7:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia do Público de 14 de janeiro de 2019.

Editora afirma que a versão integral do poema Ode Triunfal está no livro reservado aos professores e diz que corte de três versos no manual para os alunos não é censura.

Lusa

A Porto Editora omitiu de um manual de Português do 12.º ano versos de um poema de Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, por possuir “linguagem explícita” e abordar a pedofilia, defendendo que cabe aos professores decidir se estudam os referidos versos.

Três versos do poema Ode Triunfal, de Álvaro de Campos, foram substituídos por um tracejado no manual Encontros do 12.º ano, da Porto Editora. O caso foi revelado neste domingo pelo semanário Expresso.

Por opção editorial desapareceram os seguintes versos: Ó automóveis apinhados de pândegos e de putas; E cujas filhas aos oito anos  e eu acho isto belo e amo-o! –Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada.

Segundo uma declaração assinada pela equipa de autores do manual e enviada para a Lusa pela Porto Editora, o poema “está disponível na íntegra no livro escolar Encontros  12.º ano, na versão do professor”. A Porto Editora também já publicou um esclarecimento na sua página electrónica.

Os autores do manual escolar acrescentam que na versão do professor estão sinalizados os versos omitidos na edição do aluno e, assim, “os docentes podem decidir se abordam em contexto de sala de aula — e de que forma — versos que têm linguagem explícita e se relacionam com a prática da pedofilia”.

A Porto Editora assume que retirou os versos, mas sublinha que “a indicação de que os versos foram cortados é visível tanto graficamente (linhas a tracejado) como através da numeração das linhas”.

Para os autores do manual, deve ser o docente, tendo em conta “as características específicas de cada turma”, a decidir se têm condições para abordar os versos em falta.

“Os professores conhecem as suas turmas e conhecem o poema integralmente, pelo que saberão também se têm ou não condições para abordarem os referidos versos com o tempo e o cuidado necessários, uma vez que podem, obviamente, constituir factor de desestabilização ou de desvio da atenção dos alunos”, acrescentam em resposta à Lusa.

A Porto Editora recusa que tenha havido qualquer tentativa de censura da obra de Fernando Pessoa, garantindo que se tratou “apenas e tão somente de uma preocupação didáctico-pedagógica — seguida pela generalidade dos manuais existentes — que permite aos professores decidirem livremente sobre a abordagem mais adequada junto dos seus alunos”.

 

 

 

Na Rússia há censura nos livros para crianças

Janeiro 11, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

92856541_770x433_acf_cropped

Na Rússia, uma história sobre animais da floresta e um detetive pode incitar à violência e ao álcool. Porquê? Porque há um ratinho que morre e uma bebida chamada Mothitos, feita com borboletas.

Na Rússia há leis rigorosas sobre o conteúdo dos livros infantis. É uma escritora que conta a sua própria experiência de “censura” ao The Guardian. Anna Starobinets preparava-se para lançar uma coleção de livros chamada “Beastly Crime Chronicles” cujo enredo girava à volta das aventuras de um detetive com animais da floresta. Mas houve vários pormenores que estavam “fora da lei”.

Uma editora ficou interessada em publicar a primeira história de três, chamada Inside the Wolf’s Den. Mas antes a história teve de passar pelo crivo da censura. E não ficou bem cotada. Tudo por causa de uma nova lei russa sobre as histórias infantis que visa “proteger as crianças de qualquer informação que possa ameaçar a saúde e o desenvolvimento”. É expressamente proibido difundir conteúdo infantil que alicie as crianças “para o uso de drogas, tabaco e álcool; que tolere ou apoie violência ou cenários de brutalidade e que vá contra os valores de família”.

Problema: a história de Anna Starobinets incluía a morte de um rato e uma bebida inventada pela autora — os Mothitos, uma espécie de mojitos, mas feitos com mariposas (uma espécie de borboletas). O editor que recebeu o texto ficou apreensivo e, para facilitar a publicação, “contratou um ilustrador que desenhasse tudo num ambiente fofinho”, ao contrário do estilo negro desejado pela autora, explica a própria ao jornal. Decidiu ainda mudar o público-alvo dos 8 anos para os 14 anos e mais.

A censura aos livros infantis não é novidade. Em junho do ano passado, um livro sobre dois pinguins que estavam juntos e deram origem a um pinguim bebé foi censurado numa escola de Itália e em vários pontos dos Estados Unidos. “E o tango faz três” faz parte da lista dos 25 livros mais censurados nos últimos 25 anos da Bustle.

Artigo publicado no Observador em 4 de Janeiro de 2016


Entries e comentários feeds.