Alerta Unicef: milhares de crianças precisam de assistência humanitária em Moçambique

Março 19, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 18 de março de 2019.

Governo moçambicano estima que 850 mil pessoas  tenham sido afetadas; são necessários US$ 20,3 milhões para apoiar a resposta humanitária nos três países afetados.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, estima que cerca de 850 mil pessoas, metade das quais crianças, foram afetadas pelas graves inundações no Málaui e em Moçambique. O Unicef alerta que estes números podem aumentar à medida que o ciclone Idai se move para oeste.

O ciclone tropical, com chuvas fortes e ventos até 170 km / h, atingiu o porto da Beira, a  segunda maior cidade de Moçambique, na noite de quinta-feira. Cerca de 500 mil pessoas ficaram sem energia e com comunicações limitadas.

Cooperação

Em todo Moçambique, os números iniciais do governo estimam que 600 mil pessoas tenham sido afetadas, 260 mil são crianças.

A diretora regional do Unicef para a África Oriental e Meridional, Leila Pakkala, afirmou que centenas de milhares de crianças foram afetadas pelas enchentes devastadoras e agora o ciclone Idai “trouxe mais sofrimento às famílias no seu caminho.” A responsável lembra que “muitas crianças perderam as suas casas, escolas, hospitais e até amigos e entes queridos.”

O Unicef está no terreno a trabalhar em estreita coordenação com os governos e parceiros humanitários dos três países “para aumentar a resposta e responder às necessidades imediatas das crianças afetadas e das suas famílias.”

Danos

Embora a extensão total do impacto do ciclone ainda não seja clara, é provável que inclua danos nas escolas e nos serviços de saúde, destruição de infraestruturas de água e saneamento, impedindo o acesso a água potável para as comunidades afetadas. Aumentando, por isso, o risco de doenças transmitidas pela água.

Segundo agências de notícias, desde o início de março, as inundações causadas pelo ciclone já afetaram mais de um milhão de pessoas e causaram pelo menos 150 mortes.

O ciclone que se aproxima pode complicar a resposta humanitária, já que o acesso a comunidades vulneráveis ​​ é limitado e poderá ser ainda mais pelo aumento das águas das cheias.

Com milhares de pessoasobrigadas a deixar as suas casas inundadas, muitas famílias carecem de alimentos, água e saneamento.

Zimbabué

No Zimbabué, as primeiras estimativas do Governo apontam para 8 mil pessoas afetadas, com 23 mortes e 71 pessoas relatadas como desaparecidas.

O Unicef está a trabalhar com parceiros para apoiar os governos dos países afetados para atender às necessidades de crianças e mulheres. Segundo o Fundo, são necessários US$ 20,3 milhões para apoiar a resposta humanitária nos três países afetados.

 

 

Como explicar a tragédia às crianças: “é preciso transmitir-lhes segurança”

Junho 20, 2017 às 11:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/de 18 de junho de 2017.

Rui Marques Simões

No rescaldo do incêndio de Pedrógão Grande, é importante dosear a informação transmitida a crianças e adolescentes, explica o psiquiatra Pedro Pires

Ninguém está preparado para lidar com uma tragédia brutal, num contexto e com uma dimensão completamente inesperadas, como o grave incêndio que espalhou a morte em redor de Pedrógão Grande (norte do distrito de Leiria). E mais complicado parece explicá-lo a crianças e adolescente. A prioridade deve ser transmitir-lhes segurança, explica, ao DN, o psiquiatra da infância e adolescência Pedro Pires, colaborador do Programa Nacional para a Saúde Mental nessas áreas.

“O importante é transmitir segurança. O principal medo da criança é pensar que isso lhe pode acontecer. É preciso tranquilizá-la, explicando que é uma experiência isolada e que a criança, no mundo onde vive, está em segurança”, aponta o psiquiatra.

Depois, o grau de profundidade da explicação de uma tragédia como o incêndio de Pedrógão Grande deve variar consoante a idade. “Numa criança pequena, em idades mais precoces, antes da adolescência, é evitável dar explicações detalhadas: até pode ser negativo dar detalhes e mostrar a crueza da realidade, porque a criança não tem – de modo geral – capacidade psíquica e cognitiva de compreensão da totalidade da situação. Já num adolescente é importante abordar este assunto. A conversa deve ser mais detalhada e é importante falar e esclarecer as dúvidas”, descreve Pedro Pires.

De resto, a exposição aos conteúdos mediáticos, como imagens televisivas e partilhas de redes sociais, também deve doseada e intermediada, para não afetar espetadores com idades mais sensíveis. “Não é demais repetir o controlo que deve existir nos media, principalmente quanto à imagem. É um conteúdo traumático sobre o qual criança não tem capacidade de elaborar [raciocínios]. Pela idade, não tem capacidade para aguentar a exposição ao sofrimento. E os pais devem procurar, no que for possível, que crianças pequenas não visualizem essas imagens”, conclui o colaborador para a infância e adolescência do Programa Nacional para a Saúde Mental.

 

 

Mulheres e crianças têm 14 vezes mais chances de morrer em desastres

Novembro 12, 2015 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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notícia da http://www.unmultimedia.org de 30 de outubro de 2015.

Ocha N. Berger

Comparação é feita em relação aos riscos para os homens, segundo especialistas em desastres naturais; em conferência em Fiji, representante da ONU alerta que segurança e saúde de mulheres e crianças devem ser prioridade.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Especialistas em respostas a desastres naturais, incluindo funcionários da ONU e de outras organizações, estão reunidos em Suva, nas ilhas Fiji esta semana. Lá, ocorre a conferência Parcerias Humanitárias para o Pacífico, focando em como prevenir mortes em regiões propensas a desastres.

O chefe do Escritório da ONU para Coordenação Humanitária no Pacífico afirmou no encontro serem necessários mais compromissos para garantir que recomendações se transformem realmente em ação.

El Niño

Sune Gudnitz mencionou a importância de garantir segurança e cuidados de saúde para mulheres e crianças. Segundo ele, o efeito El Niño está ameaçando 11 países do Pacífico e colocando em risco a vida de 4,7 milhões de pessoas.

O representante da ONU afirmou que a ajuda humanitária para a região durante os próximos meses precisa levar em conta a segurança de mulheres e crianças.

A princesa Sarah Zeid, da Jordânia, também participa do encontro em Fiji. Ela afirmou que crises humanitárias colocam “crianças e mulheres em grandes riscos”.

Risco de Morte

Zeid mencionou programas de resistência a desastres e mudanças climáticas, que devem incluir cuidados de saúde reprodutiva, materna e ajuda para recém-nascidos e crianças.

Segundo a princesa da Jordânia, mulheres e crianças têm 14 vezes mais chances de morrerem durante um desastre do que os homens. Ela disse que a proteção das mulheres e crianças deve ser de alta prioridade durante a resposta a emergências.

Na reunião, Sarah Zeid disse ainda que as piores taxas de mortes que podem ser evitadas acontecem durante situações humanitárias.

Ela afirmou que 60% das mortes maternas evitáveis ocorrem em regiões em conflito, durante deslocamentos ou após desastres naturais. No caso das mortes de crianças menores de cinco anos, o índice chega a 53%.

 

 

Tráfico infantil. Desaparecem 25 mil crianças por ano em zonas de catástrofe

Janeiro 31, 2011 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do i de 20 de Janeiro de 2011.

 Crianças no orfanato de Notre Dame em Port-au-Prince Reuters

Crianças no orfanato de Notre Dame em Port-au-Prince Reuters

por Marta F. Reis

Projecto de identificação genética em Granada já devolveu 250 crianças às famílias, 13 no Haiti.

Pelo menos 25 mil crianças são levadas todos os anos de cenários de catástrofe natural para redes de prostituição ou adopção ilegal, entre outros crimes. As inundações da última semana na região serrana do Rio de Janeiro, que só em Teresópolis terão deixado desalojadas mais de 2800 crianças, reforçaram o alerta para um fenómeno hoje recorrente na agenda internacional de defesa dos direitos das crianças. Em situações de emergência, o rapto de crianças tende a disparar.

Jose Lorente, responsável pelo DNA-PROKIDS – projecto que em 2004 fez da genética uma arma de combate ao tráfico humano – ajuda a traçar um cenário conhecido mas pouco documentado. Segundo as estimativas globais das Nações Unidas, diz ao i, todos os anos são traficadas entre 250 mil e 800 mil crianças. “Pelo menos 10% são situações facilmente associadas a desastres naturais”, sublinha o responsável. Das pelo menos 25 mil crianças que todos os anos desaparecem nestas circunstâncias, serão uma minoria as que acabam em situações de adopção ilegal, alerta o especialista. “A maioria entra em esquemas de escravatura ou exploração sexual. Isto acontece sobretudo em sítios onde antes dos desastres já havia redes de tráfico. Mexem-se depressa e chegam às crianças antes de haver uma protecção das autoridades ou o reencontro com as famílias.”

O programa internacional, fundado na Universidade de Granada, Espanha, é o primeiro a nível mundial dedicado à identificação de crianças longe das famílias e, numa fase posterior, à sua associação genética com pais e famílias à procura de jovens que desapareceram dos países de origem. Depois de uma fase piloto entre 2006 e 2009, o ritmo de actividade no ano passado acabou por revelar a eficácia da estratégia: em 12 meses de colaboração com 15 países, entre eles México, Filipinas ou Indonésia, conseguiram devolver 250 crianças às suas famílias. Um dos primeiros casos de sucesso aconteceu poucas semanas depois do terramoto que devastou o Haiti: devolveram 13 crianças, levadas para a Bolívia, aos pais que as procuravam em Port-au-Prince. O caso surgiu depois de as autoridades da Bolívia terem decidido investigar a chegada de 70 imigrantes ilegais a Santa Cruz de la Sierra, pela fronteira com o Peru. O Ministério Público percebeu que 25 crianças do grupo não estavam acompanhadas por familiares e pediu a colaboração do laboratório nacional de genética forense, associado do DNA-PROKIDS na fase piloto do programa. O recurso aos especialistas espanhóis numa situação real encontrou sete mães e um pai a quem tinham sido tirados os filhos.

Colaboração internacional O programa está neste momento em expansão para os Estados Unidos através de uma parceria com a Universidade do Norte do Texas. O objectivo, explica Lorente, é despistar casos de tráfico mas também prevenir adopções ilegais. “Os traficantes e as pessoas que planeiam este tipo de adopções devem passar a estar conscientes de que o ADN consegue descobrir os seus crimes”, resume. Há também casos motivados por uma aparente boa vontade, como o dos padres baptistas que tentaram tirar 30 crianças do Haiti logo após o sismo de 12 de Janeiro do ano passado. Em situações suspeitas, as autoridades podem pedir ao grupo que teste maternidade e paternidade e, em caso de negativo, verificar se há familiares à procura do jovem. “Cada país guarda a sua base de dados, não centralizamos a informação”, adianta o responsável, acrescentando que é um projecto científico de mediação. Até hoje, nenhum caso os trouxe até Portugal.

A vulnerabilidade das crianças em zonas de catástrofe ou cenários de conflito tem sido abordada nos últimos relatórios mundiais de emergência e defesa das crianças. Num levantamento recente de situações de risco levado a cabo pela UN.GIFT – uma iniciativa da ONU lançada em 2007 para combater o tráfico humano -, sublinha-se que crianças em campos de refugiados ou abrigos temporários são frequentemente alvo de organizações criminosas ou traficantes. “Em circunstâncias muitas vezes caóticas, os traficantes conseguem contornar os esforços dos governos para exercer autoridade e proteger populações vulneráveis”, alerta a plataforma. Já o Relatório da Acção Humanitária 2010, publicado pela Unicef no ano passado, introduzia o fenómeno no prefácio. “Os desastres naturais e provocados pelo homem são um teste derradeiro ao compromisso mundial com as crianças”, escreveu a directora-executiva Ann Veneman. “Nos acampamentos, as crianças correm um risco acrescido de ficarem separadas das famílias e mais vulneráveis a abusos sexuais, tráfico, rapto ou trabalhos forçados.” Outro trabalho, da ECPAT Internacional – organização não governamental contra o tráfico sexual – alertava no ano passado para o aumento de casos com menores depois das cheias de 2007 na Suazilândia e na Índia em 2008, com situações de raparigas vendidas para casamentos forçados.

Ainda assim, o problema não está restrito aos países pobres e, no caso da adopção ilegal e do tráfico sexual, tem muitas vezes como destino os Estados Unidos e a Europa, diz Lorente. Em 2008, um estudo promovido pela Shared Hope International, organização de defesa de crianças e mulheres, estudou o crescimento da indústria sexual em Baton Rouge depois do furacão Katrina, em 2005. Em dois anos, o abrigo para jovens em risco da rede Youth Oasis na capital do Louisiana, para onde se mudaram muitos dos desalojados de Nova Orleães, recebeu 157 jovens, 57% considerados vítimas de tráfico sexual e com média de idades de 12 anos. A investigação apurou que muitos foram aliciados logo após a catástrofe.


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