Cerca de 800 milhões de mulheres casaram ainda meninas

Abril 25, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da Sábado de 10 de abril de 2019.

Relatório da ONU adianta que, em países onde existem emergências humanitárias, 500 mulheres e meninas morrem a cada dia devido a problemas ligados à gravidez ou ao parto.

Cerca de 800 milhões de mulheres foram casadas quando eram meninas e 300 milhões não têm acesso a métodos e serviços contracetivos, informa o relatório anual do Fundo da População das Nações Unidas, esta quarta-feira publicado.

O relatório, com o qual o organismo assinala os seus 50 anos de existência, adianta que, em países onde existem emergências humanitárias, 500 mulheres e meninas morrem a cada dia devido a problemas ligados à gravidez ou ao parto, sublinhando a necessidade de conseguir que todas tenham plenos direitos sobre a sua reprodução.

Sobre o matrimónio infantil, o documento destaca que em países como o Bangladesh, o Chade, a Etiópia ou a Guiné, 60% das mulheres casam-se antes dos 18 anos, enquanto a percentagem dos homens a quem acontece o mesmo é de 20%.

Em média, uma em cada cinco mulheres no mundo casaram antes dos 18 anos, sendo que o número duplica nos países menos desenvolvidos.

“Apesar do aumento do acesso a contracetivos, milhões de mulheres continuam a não os poder usar, nem desfrutar dos direitos reprodutivos que eles permitem”, destaca a diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), Natália Kanem, num comunicado a propósito da publicação do documento deste ano.

“Esta carência, que influencia diversas facetas da vida, desde a educação à segurança, impede que as mulheres possa escolher o seu próprio futuro”, afirmou.

O documento mede, pela primeira vez, a possibilidade de as mulheres terem escolha sobre três variáveis da sua vida reprodutiva: decidir sobre a relação sexual com o seu parceiro, usar contracetivos e ter acesso a serviços de saúde ligados a esta questão.

Nos 51 países de onde a FNUAP recebeu dados completos, foi possível detetar que 43% das mulheres não têm a possibilidade de decidir o que querem relativamente a nenhuma destas variáveis.

Embora admita haver ainda muitos desafios para enfrentar, o FNUAP refere que, em 50 anos de existência, registaram-se claros avanços, como o facto de o uso de contracetivos pelas mulheres ter crescido de 24% em 1969 para 58% em 2019 (de 1 para 37% nos países menos desenvolvidos).

O FNUAP aproveita também a comemoração do 50º. Aniversário para homenagear 15 personalidades pela sua contribuição para que todos tenham direitos sobre a reprodução, entre as quais figura a ex-presidente chilena Michele Bachelet, atual alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

O documento mostra ainda diversas estatísticas demográficas, como a taxa de fertilidade (número de filhos que cada mulher tem, em média, durante a idade reprodutiva), que passou de 4,8 filhos há 50 anos para 2,9 em 1994.

Esta taxa, que em teoria deveria manter-se acima de dois para garantir que a população total não diminui, continua a baixar a nível global.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

State of World Population 2019 : UNFINISHED BUSINESS : the pursuit of rights and choices FOR ALL

Press Release:

World must work harder to secure sexual and reproductive rights for all, says new UNFPA report

 

 

 

 

No Dia dos Namorados, agências da ONU chamam atenção para o casamento infantil

Fevereiro 20, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 14 de fevereiro de 2019.

De acordo com o Unicef, cerca de 12 milhões de meninas com menos de 18 anos se casam todos os anos; para o Unfpa, o casamento infantil é o produto tóxico da pobreza e desigualdade de gênero.

Todos os dias, dezenas de milhares de meninas se tornam noivas. Casamentos infantis violam os direitos delas, expõem elas à violência em potencial, colocam em risco suas saúdes e criam um futuro negro.

“Aos 14 anos, fui submetida ao casamento prematuro, onde os meus pais me aconselharam a me casar ainda menor de idade. Eles disseram que se eu me casasse não sofreria mais e que quando chegasse ao meu novo lar, tudo seria diferente e eu teria uma vida boa sem depender de ninguém.”

Esta é Mariamo, de Mocambique. Ela contou a história dela ao Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. Mariamo está entre 21% de jovens mulheres no mundo que segundo a agência, se casam antes dos 18 anos de idade.

“Eu pensava que iria viver uma vida melhor como os meus pais tinha me falado, mas nada daquilo era verdade. Eu sofri, passava as noites sem comer. O meu marido ia pescar e quando voltava eu perguntava, o que vamos comer? Ele dizia, não tenho nada, porque não consegui nada. Você também mulher pode procurar algo para comermos porque você tem mãos.”

Noivas Infantis

De acordo com o Unicef, todos os anos, assim como Mariamo, cerca de 12 milhões de meninas com menos de 18 anos se casam. Até 2030, se o mundo não agir de forma decisiva para terminar o casamento infantil, mais de 150 milhões de meninas podem se tornar “noivas infantis”.

Mas, como aponta o Fundo da População das Nações Unidas, Unfpa, isso não precisa ocorrer e programas para terminar com o casamento infantil estão fazendo a diferença, libertando crianças de uniões indesejadas.

Valentines’Day

Neste 14 de fevereiro, Dia dos Namorados ou Valentines’Day, em inglês, também conhecido como Festa de São Valentim, o Fundo da População das Nações Unidas, Unfpa, está abordando o que acontece quando meninas dizem “eu não quero” ao casamento infantil.

Como diz a diretora executive do Unicef, Henrietta Fore, “para muitos, o Dia dos Namorados é associado com romance, flores e propostas de casamento.” Mas ao tempo, como ela destaca, “para milhares de meninas ao redor do mundo o casamento não é uma escolha, mas um fim indesejado de suas infâncias e futuros.”

Como parte de uma campanha, meninas e mulheres compartilharam suas histórias. Kakenya Ntaiya contou que cresceu na região rural do Quênia. Ela explicou que “a forma tradicional de vida para as meninas é passar pela Mutilação Genital Feminina em preparação para o casamento quando jovens.”

Kakenya disse que “escapou do casamento infantil e lutou pela educação dela.” A jovem eventualmente criou a Kakenya’s Dream, o Sonho de Kakenya na tradução em português, uma ONG que usa a educação para empoderar meninas e transformar as comunidades rurais.

Violência Doméstica

O Unicef destaca que o casamento infantil leva a uma vida de sofrimento. Meninas que se casam antes dos 18 anos têm menos chance de estudar e têm mais chance de serem vítimas de violência doméstica.

A agência também destaca que jovens meninas adolescentes são mais susceptíveis a morrerem devido a complicações na gravides e no parto do que mulheres na casa dos 20 anos.

Pobreza

Para o Unfpa, o casamento infantil é o produto tóxico da pobreza e desigualdade de gênero. Muitas famílias acreditam que o casamento irá assegurar o futuro das filhas, mas na verdade, ele muitas vezes atrapalha as perspectivas das meninas.

Como enfatiza a agência, o casamento infantil é um fenômeno global, que afeta meninas em diversas comunidades e religiões.

Em 2017, O Programa Global do Unicef e do Unfpa para lidar com a questão atingiu 1 milhão de meninas e 4 milhões de membros de comunidades com informação e serviços para terminar com o casamento infantil.

Para o Unfpa, tudo muda quando meninas aprendem que existe um futuro melhor à sua disposição.

Abaixo o Unicef cita 10 fatos que ilustram porque é preciso #TerminarOCasamentoInfantil.

  1. Em todo o mundo, se estima que 650 milhões de meninas e mulheres vivas hoje se casaram antes de completarem 18 anos.
  2. Globalmente, o número total de meninas casadas na infância é estimado em 12 milhões por ano.
  3. A região sul da Ásia abriga o maior número de noivas infantis. São cerca de 285 milhões delas, o que representa  mais do que 40% do total no mundo. Em segundo lugar aparece a África subsaariana, com cerca de 115 milhões de noivas infantis ou 18% dos casos no mundo.
  4. A prática do casamento infantil diminuiu em todo o mundo. Na última década, a proporção de mulheres que se casaram quando crianças diminuiu em 15%, de 1 em 4 (25%) para aproximadamente 1 em 5 (21%).  Ao todo,  cerca de 25 milhões de casamentos infantis foram evitados. O aumento dos índices de educação de meninas, os investimentos pró-ativos do governo em meninas adolescentes e as fortes mensagens públicas sobre a ilegalidade do casamento infantil e os danos que causam estão entre as razões para a mudança.
  5. No sul da Ásia, o risco de uma menina se casar na infância diminuiu em mais de um terço, de quase 50% há uma década para 30% nos dias atuais.  A queda foi em grande parte impulsionada por grandes avanços na redução da prevalência do casamento infantil na Índia.
  6. Cada vez mais, os casos de casamento infantil estão migrando do Sul da Ásia para a África Subsaariana. A região apresenta um progresso mais lento e a uma população crescente. Dos casamentos infantis mais recentes, cerca de 1 em cada 3 acontecem agora na África subsaariana, em comparação com 1 em 7 há 25 anos.
  7. Na América Latina e no Caribe, não há evidências de progressos. Os níveis de casamento infantil continuam tão altos quanto há 25 anos.
  8. O casamento infantil ocorre também em países de alta renda. Nos Estados Unidos, a maioria dos 50 Estados tem uma exceção na lei que permite que as crianças se casem antes dos 18 anos. Até 2017, na União Européia, apenas quatro países não toleravam exceções à idade mínima de 18 anos para o casamento.
  9. O casamento na infância tem repercussões em muitas áreas da vida de uma menina. Por exemplo, na Etiópia, a maioria das jovens que se casaram quando crianças deram à luz antes do seu 20º aniversário. As noivas infantis também têm menos chances de receberem cuidados especializados durante a gravidez e o parto. Além disso, as adolescentes casadas na Etiópia têm três vezes mais probabilidade de estar fora da escola do que as jovens solteiras.
  10. Para eliminar o casamento infantil até 2030, conforme estabelecido na Agenda para o Desenvolvimento Sustentável, o progresso global teria que ser 12 vezes mais rápido do que o nivel observado na última década.

 

 

 

Mais de 150 milhões de meninas em risco de casamento forçado até 2030 – UNICEF

Março 25, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.destak.pt/ de 6 de março de 2018.

Mais de 150 milhões de meninas correm o risco de ser submetidas a casamentos forçados até 2030, se não se acelerarem os progressos em algumas regiões do mundo, alertou hoje a UNICEF.

Em comunicado, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) referiu que, no ano passado, cerca de 25 milhões de casamentos infantis foram impedidos em todo o mundo, salientando que apesar da “redução significativa” de 15% na última década, esta é uma realidade que afeta ainda 12 milhões de meninas por ano.

“Dado o forte impacto que o casamento infantil pode ter na vida de uma menina, recebemos qualquer redução como uma boa notícia, mas ainda temos um longo caminho por percorrer”, declarou a assessora principal da UNICEF em matéria de género, Anju Malhotra.

Destak/Lusa

Infografia completa da Unicef:

https://www.unicef.org/protection/57929_child-marriage-infographic.html

Comunicado de imprensa da Unicef Portugal

25 milhões de casamentos infantis impedidos na última década devido a rápidos  progressos, de acordo com novas estimativas da UNICEF

 

A liberdade de uma filha vale uma família inteira?

Abril 24, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.tsf.pt/ de 11 de abril de 2017.

Foto Zohra Bensemra/Reuters

Cláudia Arsénio com Reuters

Zeinab tem 14 anos. O ano passado, um homem mais velho ofereceu dinheiro pelo dote. Mil dólares (cerca de 950 euros) que permitiriam à família escapar à fome e a uma morte certa no sul da Somália.

“Preferia morrer. É melhor fugir e ser comida pelos leões”, desabafou a adolescente bonita quando a mãe lhe falou da oferta. Zeinab sonha ser professora de inglês, sonha com um futuro diferente. “E nós ficaríamos aqui e morreríamos à fome e depois os animais comeriam o que restasse”, respondeu a mãe, dividida entre o amor e o pragmatismo.

Não se sabe ao certo quantas famílias na Somália enfrentam o mesmo dilema, numa altura em que a guerra e a seca levaram o país à maior crise desde a II Guerra Mundial.

Na aldeia de Zeinab e da família, os poços secaram e o gado morreu. A única esperança que lhes resta é chegar a Dollow, uma cidade junto à fronteira com a Etiópia, onde a ajuda internacional fornece água e comida a quem foge de uma morte certa. E, para tal, precisam do dinheiro do dote para a viagem.

O negócio seria realizado. Abdir Hussein, a mãe, confessa à repórter da Reuters, já em Dollow, que nunca se sentiu tão mal. “Acabei com os sonhos do meu bebé. Mas sem aquele dinheiro, teríamos morrido todos”.

Na balança estavam, de um lado, os sonhos de Zeinab e, do outro lado, a vida de 20 sobrinhos e sobrinhas, filhos e filhas das suas três irmãs mais velhas já viúvas ou divorciadas. A vida do seu irmão mais velho, da irmã mais nova e dos seus pais.

O casamento foi celebrado e a união consumada, mas ao fim de três dias… Zeinab fugiu. O marido seguiu-a até Dollow e a família enfrentou um novo dilema: estavam a salvo, mas não poderiam devolver o dinheiro do dote.

A solução seria Abdiweli Mohammed Hersi, a professora de inglês de Zeinab. Com a ajuda do grupo humanitário italiano Cooperazione Internazionale, conseguiu reunir o dinheiro necessário. Agora o grupo vai mediar um encontro entre os homens das duas famílias e propor a devolução do valor do dote se o marido aceitar divorciar-se perante testemunhas,

Ao ouvir estas palavras, os olhos negros da bela Zeinab deixaram de fixar o chão. “Serei livre?”, perguntou.

Fotografias de Zohra Bensemra, da agência Reuters.

mais fotografias n link:

http://www.tsf.pt/internacional/interior/a-liberdade-de-uma-filha-vale-uma-familia-inteira-6214381.html?utm_campaign=Echobox&utm_content=TSF&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1491911394

 

 

Já está disponível para download o InfoCEDI n.º 67 sobre Casamento Infantil

Janeiro 19, 2017 às 1:30 pm | Publicado em Divulgação, Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 67. Esta é uma compilação abrangente e actualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre Casamento Infantil.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line. Pode aceder a esta publicação AQUI.

Chamo-me Nojood: tenho 10 anos, sou divorciada

Novembro 16, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://expresso.sapo.pt/ de 21 de outubro de 2016.

Paula Cosme Pinto

Nujood Ali tinha 9 anos quando foi entregue a um homem adulto em troca de um dote. Não passava de uma criança quando se viu na condição de casada, entregue a um leito matrimonial onde deveria cumprir os seus deveres de esposa. Foi abusada sexualmente e espancada repetidamente. Numa primeira visita à sua família, contou à mãe o que se passava dentro das quatro paredes onde agora vivia, e a resposta que obteve foi um abraço, seguido de um singelo: “Filha, ele tem direito a fazer isso tudo.”

Encurralada numa realidade de sofrimento, NuJood fugiu. E sem saber que no país que a vira nascer o casamento infantil não era penalizado, dirigiu-se a um juiz e pediu o divórcio. Foi a primeira vez que tal coisa aconteceu no Iémen e a sua história real, de luta pela dignidade e liberdade, tornou-se não só num símbolo contra o casamento infantil, mas também da revolução das mulheres daquele país quanto às tradições que continuam a subjugar a figura feminina e a reduzi-la à categoria de uma simples mercadoria que pode ser trocada e vendida, sem direito ao livre-arbítrio. Em troca de cerca de cem euros, o divórcio foi-lhe concedido e hoje a pequena é uma adolescente livre do marido. Mas ainda presa à figura paterna.

Em 2008, a incrível história de NuJood inspirou um livro, intitulado “Nojood: 10 anos, divorciada”. Nesse mesmo ano, a menina e a advogada que a defendeu ao longo do processo foram agraciadas com o prémio Glamour Women of the Year, em Nova Iorque. A história encantou o mundo e puxou a atenção para o drama do casamento infantil. O livro – que se tornou num best-seller – inspirou depois um filme com o mesmo nome, que acaba de ser indicado para candidato aos Óscares 2017, na categoria de Melhor Filme Língua Estrangeira.

A cada minuto que passa há 28 meninas forçadas a casar

Avança hoje a Al-Jazeera que este é um momento histórico, uma vez que é a primeira vez que o Iémen faz uma candidatura do género à Academia. Para mim, é também altamente simbólico no que diz respeito aos pequeníssimos passos que o país tentar dar no que toca à igualdade de género, seja pela exposição do tema em causa – que continua a ser um problema grave no Iémen – como pelo facto de a realização do filme ser feita precisamente por uma mulher (algo raro no país). Ambas formas pouco diretas, mas certamente representativas, da assunção deste país quanto à necessidade de mudança de mentalidades. Incluindo a do próprio pai de Nujood, que mesmo depois de ter assistido à odisseia da filha mais velha, voltou a cometer o mesmo erro com a mais nova.

Khadija al-Salami, a realizadora, é conhecida pelo seu trabalho documental e o filme “Nojood: 10 anos, divorciada” foi a sua primeira incursão neste género de cinema. Inspirou-se não só em Nujood, mas também na sua própria história de vida que passa por um casamento forçado aos onze anos, uma tentativa de suicídio e um divórcio. Filmado antes da guerra civil que assola o país, o filme passa uma mensagem clara: a crueldade inerente ao casamento forçado de uma criança, a contínua desvalorização da figura feminina no Iémen, a tradicional subjugação da mulher ao homem, a agressão consentida e inquestionável, a violação dos direitos humanos com base no género. E, é claro, a eterna lacuna da lei no que toca a tudo isto.

É verdade que tanto meninos como meninas estão sujeitos à realidade do casamento infantil, mas o sexo feminino é de longe o mais afetado. Uma boa parte destas miúdas são casadas à força, sujeitas a abusos sexuais, violência doméstica e acabam encurraladas numa vida de dependência total que, simplesmente, não escolheram ter. Não basta prenderem os pais destas crianças para que esta realidade mude, é preciso reeducar populações inteiras, incluindo as mulheres, que têm de ter consciência de que a vida não tem de ser assim, por mais que séculos de tradições assim o ditem como verdade absoluta.

Dados da UNICEF revelam que atualmente existem mais de 700 milhões de mulheres vivas em todo o mundo que foram forçadas a casar na infância. Uma em cada três destas mulheres fizeram-no com menos de 15 anos. No que diz respeito à realidade dos dias de hoje, o resultado da pesquisa conjunta das 400 organizações que trabalham para o Girls Not Brides revela números que me tiram o fôlego sempre que penso neles: 15 milhões de meninas são casadas anualmente, ou seja, a cada minuto que passa há 28 meninas a serem forçadas a casar. Até quando isto vai continuar a acontecer?

 

Casamento infantil : a triste realidade de uma boda a cada 7 segundos

Outubro 12, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Texto do http://pt.euronews.com/ de 11 de outubro de 2016.

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Dulce Dias

Durante o tempo que vai levar a ler este parágrafo, já uma menina de menos de 15 anos foi obrigada a casar-se. Segundo a ONG Save The children, a cada 7 segundos, uma rapariga de menos de 15 anos é forçada ao matrimónio – na maior parte dos casos, com um homem muito mais velho.

As meninas oriundas de zonas de guerra ou refugiadas por causa dos conflitos são particularmente vulneráveis – mas não são as únicas. Países como o Afeganistão, o Iémen ou a Somália são particularmente apontados do dedo pela ONG mas outros que não estão em guerra, como a Índia, também praticam o casamento infantil.

Sahar*, 14 anos, grávida de dois meses

Sahar casou-se há um ano, no Líbano. Hoje tem 14 anos e está grávida de dois meses. Do dia do casamento recorda: “Tinha-o imaginado um dia de festa – mas foi miserável. Sentia-me mal, estava muito triste”.

Sahar é oriunda da Síria mas a guerra levou-a a fugir para o Líbano e foi, oficialmente, com o objetivo de a proteger que o pai a forçou a casar-se aos 13 anos.

Infelizmente, esta história não é única. Em 2013, uma em cada quatro adolescentes sírias entre os 15 e os 17 anos refugiadas na Jordânia estava casada, segundo um relatório da ONG Save the Children (em inglês).

Um relatório publicado propositadamente neste 11 de outubro, primeiro Dia Internacional das Meninas, decretado pela ONU para fazer avançar a condição feminina no mundo.

Uma condição que começa pela educação – algo que, normalmente é negado às meninas que são forçadas ao casamento.

Khadra* fugiu do marido aos 16 anos

Khadra queria ser médica. Aos 15 anos, quando estava no secundário, o pai casou-a com um homem com o dobro da idade dela. Obviamente, Khadra abandonou os estudos e, ao final de um ano de maus tratos físicos conseguiu fugir do marido. Foi então que soube que estava grávida.

A uma gravidez complicada seguiu-se um parto de cesariana e Khadra esteve três dias sem recuperar a consciência.

Com um filho nos braços, voltar para os bancos da escola já não era uma opção.

“O casamento infantil é o início de um ciclo de desvantagens que nega às meninas os direitos básicos de aprenderem, de se desenvolverem e de serem simplesmente crianças”, explica Helle Thorning-Schmidt.

A directora da Save the Children continua: “As raparigas que se casam demasiado jovens têm mais probabilidade de serem confrontadas à violência doméstica, aos abusos e às violações. Engravidam e estão expostas a doenças sexualmente transmissíveis, incluindo a sida. Como geram crianças antes de o corpo estar completamente preparado para a maternidade, enfrentam consequências devastadoras para a própria saúde e a dos respetivos bebés.”

700.000.000 de casamentos infantis

Entre as mulheres adultas de hoje, a ONU calcula que 400 milhões de mulheres entre 20 e 49 anos já foram casadas ou tiveram uma união informal quando eram meninas.

Ao todo, atualmente, há cerca de 700 mulheres e raparigas que foram forçadas ao casamento infantil, um número que, segundo a UNICEF, alcançará os 950 milhões em 2030, se nada for feito para contrariar a tendência.

Inverter a tendência

Cinco grande factores – casamento precoce, nível de educação, gravidez adolescente, mortalidade materna e proporção de mulheres nos respetivos parlamentos – contribuem para o desenvolvimento ou não das raparigas, que contabilizam, actualmente, 1100 milhões de seres humanos.

São esses fatores que a Save the Children destaca no indíce de oportunidades das raparigas, que comporta 144 países e no qual Portugal aparece muito bem posicionado em 8.° lugar, à frente de pa’ises como a Suiça, a Alemanha ou a França. O primeiro lugar é ocupado pela Suécia.

* Sahar e Khadra são nomes fictivos, para proteger a identidade das duas meninas

 

Líder feminina no Malawi anula 850 casamentos infantis e envia meninas de volta para a escola

Agosto 15, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.hypeness.com.br/

al jazeera

Theresa Kachindamoto, supervisora de um distrito em Malawi, país da África, se destaca como uma líder feminista ajudando mulheres e garotas de sua comunidade. Nos últimos 3 anos, ela já anulou mais de 850 casamentos forçados, colocou meninas na escola e começou uma luta para abolir rituais que iniciam crianças sexualmente.

Mais da metade das mulheres em Malawi acabam se casando antes dos 18 anos. Além disso, o país ainda conta com um baixo Índice de Desenvolvimento Humano. É por essas e outras que o trabalho de Kachindamoto é tão importante.

Ela já trabalha na área há 27 anos e ainda assim não para de conquistar vitórias para sua sociedade. Foi só no ano passado que ela conseguiu instituir a maioridade de 18 para casamentos (mesmo com assinatura dos pais). É comum meninas de 12 anos grávidas por conta disso. E agora ela briga para que essa idade seja elevada para os 21 anos.

Por ser uma região muito pobre, é grande a incidência de famílias que arranjam casamentos para meninas a fim de aliviarem os gastos da casa, deixando as despesas para o futuro marido. E as consequências de comportamentos como esses que diminuem a voz feminina na sociedade são drásticas. Uma em cada cinco mulheres são vítimas de abuso sexual. O que é extremamente preocupante, uma vez que os índices de HIV só crescem no país. 

Por conta de sua conduta e postura, Theresa já foi até ameaçada de morte por outros políticos que são contra suas políticas públicas. Mas ela rebate e diz que continuará lutando até morte. E deixa uma mensagem quando entrevistada: “se elas forem educadas, podem ser o que quiserem”. Ou seja, até esposas e mães. Mas se elas quiserem.

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Fotos via Al Jazeera

Nova iniciativa de vários países destinada a proteger milhões de raparigas do casamento na infância – UNICEF/FNUAP

Março 9, 2016 às 4:26 pm | Publicado em Campanhas em Defesa dos Direitos da Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Um casamento é suposto ser uma ocasião de muita alegria, mas este é tudo menos um conto de fadas.
Cerca de 15 milhões de raparigas serão casadas enquanto crianças este ano – o seu direito à infância é-lhes roubado.
Este vídeo, produzido com a Bridal Musings, um dos blogues sobre casamentos mais lidos do mundo, tem como objetivo chamar a atenção para esta realidade brutal.

 

 

COMUNICADO DE IMPRENSA DA UNICEF
NOVA IORQUE, 8 de Março de 2016 – Uma nova iniciativa de vários países para acelerar o fim do casamento na infância vai ajudar a proteger os direitos de milhões de raparigas mais vulneráveis no mundo, afirmaram a UNICEF e o FNUAP no Dia Internacional da Mulher.
O Programa Global FNUAP-UNICEF para Acelerar o Fim ao Casamento na Infância (UNFPA-UNICEF Global Programme to Accelerate Action to End Child Marriage) anunciado hoje irá envolver famílias, comunidades, governos e jovens. Este programa insere-se num esforço global para evitar que milhões de raparigas casem demasiado cedo e para apoiar as que já casaram muito novas em 12 países de África, Ásia e Médio Oriente, onde as taxas de casamento na infância são elevadas.
“Escolher quando e com quem casar é uma das decisões mais importantes a vida de qualquer pessoa. O casamento na infância nega esta escolha a milhões de raparigas todos os anos,” disse o Dr. Babatunde Osotimehin, Director Executivo do FNUAP, Fundo das Nações Unidas para a População. “No âmbito deste programa global, vamos trabalhar com os governos de países com elevada prevalência de casamento precoce para fazer valer os direitos das raparigas adolescentes, a fim de que possam desenvolver todo o seu potencial e os países possam concretizar os seus objetivos de desenvolvimento socioeconómico.”
O novo programa centra-se em cinco estratégias que têm provado ser eficazes, nomeadamente aumentar o acesso das raparigas à educação, sensibilizar os pais e as comunidades sobre os perigos do casamento na infância, incrementar o apoio económico às famílias, e reforçar e aplicar leis que estabeleçam os 18 anos como a idade mínima para casar.
“O mundo despertou para os danos que o casamento na infância causa a cada uma destas raparigas, aos seus futuros filhos e às suas sociedades,” afirmou o Diretor Executivo da UNICEF, Anthony Lake. “Este novo programa vai ajudar a incentivar a ação para chegar às raparigas que correm maior risco – e ajudar outras jovens, raparigas e mulheres – a consciencializarem-se de que têm o direito de decidir sobre os seus próprios destinos. Este é um aspeto crucial no presente porque se as tendências atuais se mantiverem, o número de raparigas e mulheres que casam em criança será perto de mil milhões em 2030 – mil milhões de infâncias perdidas, mil milhões de futuros arruinados.”
O casamento precoce é uma violação dos direitos das raparigas e das mulheres. As raparigas que casam em criança têm mais probabilidades de não ir à escola, de sofrer de violência doméstica, contrair VIH/SIDA e morrer devido a complicações durante a gravidez e o parto. O casamento na infância também prejudica economias e alimenta a pobreza inter-geracional.

A comunidade internacional deu provas de um grande empenho para pôr fim ao casamento na infância ao incluir nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável uma meta específica sobre a sua eliminação, bem como de outras práticas nefastas. A UNICEF e o FNUAP apelam aos governos e organizações parceiras para que apoiem o novo Programa Global no sentido de ajudar a eliminar o casamento precoce até 2030.

Este Programa conta com o apoio do Canadá, da União Europeia, da Itália, da Holanda e do Reino Unido.

 

UNICEF Portugal

 

 

Casamento Prematuro e Gravidez na Adolescência em Moçambique: Resumo de Análises

Setembro 17, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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CapturarUNICEF

O casamento prematuro é um dos problemas mais graves de desenvolvimento humano em Moçambique mas que ainda é largamente ignorado no âmbito dos desafios de desenvolvimento que o país persegue – requerendo por isso uma maior atenção dos decisores políticos.

Moçambique é um dos países ao nível mundial com as taxas mais elevadas de prevalência de casamentos prematuros, afectando cerca de uma em duas raparigas, representando uma grande violação dos direitos humanos das raparigas. Esta situação influencia negativamente os esforços para a redução da pobreza e o alcance dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODMs) – em particular influenciando para que as raparigas fiquem grávidas precocemente e deixem ter acesso a educação, aumentando os riscos de mortalidade materna  e infantil.

A pressão económica exercida sobre os agregados mais pobres e as práticas socioculturais prevalecentes, continuam a conduzir as famílias a casarem as suas filhas cada vez mais cedo, quando as raparigas ainda não atingiram maturidade suficiente para o casamento e para a gravidez ou para assumirem a responsabilidade para serem esposas e mães. A maior parte das desistências escolares estão ligadas a gravidez precoce nas raparigas, numa fase do seu desenvolvimento físico e emocional em que elas ainda não se encontram preparadas para gerar uma criança, com consequências bastante sérias para a sua saúde e para a sobrevivência dos seus filhos.

Moçambique encontra-se em 10° lugar no mundo entre os países mais afectados pelos casamentos prematuros,  atendendo os dados relacionados com a proporção de raparigas com idades entre os 20-24 anos que se casaram enquanto crianças, isto é, antes dos 18 anos de idade. A maior parte destes casamentos são de facto uniões, mais do que casamentos legalmente registados, mas são usualmente formalizados através de procedimentos costumeiros como o pagamento do lobolo para a família da rapariga. De acordo com os dados do Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS) 2011, 48% de raparigas com a idade entre os 20-24 anos casou-se antes dos 18 anos e 14% antes de atingir os 15 anos. Moçambique encontra-se ainda atrasado nos esforços de prevenção e combate contra este fenómeno, apresentando um nível de prevalência de casamentos prematuros acima dos restantes países da África Austral e Oriental, ficando apenas atrás do Malawi.

UNICEF, 22 Julho 2015

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