Comité contra práticas nefastas na mulher e criança na Guiné-Bissau lamenta falta de apoio da justiça

Setembro 17, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 18 de agosto de 2020.

Fatumata Djau Baldé, lamentou a falta de apoio da justiça no combate ao casamento forçado ou à violência contra menores, situações que não aumentando com o confinamento social.

A presidente do comité para o abandono das práticas nefastas à saúde da mulher e criança na Guiné-Bissau, Fatumata Djau Baldé, lamentou a falta de apoio da justiça no combate ao casamento forçado ou à violência contra menores.

Em declarações à Lusa, Fatumata Djau Baldé disse ter consciência de que com o confinamento social das pessoas, em consequência da pandemia causada pelo novo coronavírus, fenómenos como o casamento forçado, violência física contra crianças e mulheres, estão a aumentar “um pouco por todo o país”.

Antiga ministra em diferentes governos da Guiné-Bissau, Djau Baldé corroborou as denúncias de ativistas e organizações de defesa dos direitos humanos que apontam, por exemplo, para o aumento de casos de violência física contra as mulheres em Bissau e casamento forçado ou precoce no sul do país.

Fatumata Djau Baldé afirmou que “de facto as dificuldades familiares aumentaram” e que perante aquele cenário, alguns pais ou tios “aceitam dar em casamento uma filha ou sobrinha” por acreditarem que o pretendente “tem melhores condições”.

A antiga ministra lembrou que na Guiné-Bissau a lei proíbe o casamento de menores de 16 anos e as pessoas, para casarem, precisam de dar o seu consentimento.

A ativista defendeu que ao comité – plataforma que congrega várias organizações de defesa dos direitos das crianças e mulheres – chegam diariamente denúncias de situações concretas, mas sem a colaboração dos operadores da justiça “fica difícil mudar o quadro”, frisou.

Fatumata Djau Baldé disse que a Polícia de Ordem Pública (POP) não tem competências para administrar a justiça e que compete à Polícia Judiciária investigar as denúncias. Mas, sublinhou, a Polícia Judiciária apenas atua em Bissau e a grande maioria das violações ocorrem no interior.

O comité liderado por Djau Baldé adotou há muito tempo como estratégia de intervenção formar os agentes da POP – que acabam por ser “de facto” as entidades que administram a justiça nas comunidades – mas o problema é que estão em permanente mudanças de esquadras e são recrutados novos agentes, disse.

Um outro problema, afirmou, é a resposta que o comité vem recebendo dos delegados do Ministério Público: “Dizem-me que os processos são encaminhados para os tribunais onde ficam encalhados. Isso é mau demais”.

“A Guiné-Bissau foi aplaudida, nos últimos dez anos, pelos avanços que fez ao nível de produção e adoção legislativa em matéria de proteção dos direitos humanos e da equidade de género”, disse, lamentando os sinais de retrocesso.

Fatumata Djau Baldé afirmou ser cansativo, mas não vê outra saída que não ser voltar a sensibilizar o procurador-geral da República, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça e as diferentes corporações policiais para lhes pedir colaboração na aplicação da legislação contra “um novo fluxo de fenómenos degradantes” à vida da criança e da mulher.

“A aplicação da legislação pode desencorajar práticas seculares”, observou Djau Baldé.

Organizações de defesa das crianças alertam para aumento de casamentos antes dos 18 anos

Fevereiro 4, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 30 de janeiro de 2020.

O casamento antes dos 18 anos, defendem as organizações, tem consequências negativas no desenvolvimento dos jovens e a probabilidade de terminarem o ensino obrigatório diminui. No caso das raparigas, ficam mais expostas a situações de violência doméstica e gravidez na adolescência.

Lusa

Organizações de defesa dos direitos das crianças alertaram para o aumento do número de casamentos de crianças em Portugal entre os 16 e os 17 anos, apontando a necessidade de enquadramento legal para o impossibilitar.

Esta é uma das recomendações de oito organizações — Unicef, Aldeia e Crianças SOS, Conselho Português para os Refugiados, Associação Nacional de Intervenção Precoce (ANIP), Associação Para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), EAPN Portugal/ Rede Europeia Anti-Pobreza, Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social (Fenacerci) e a Assistência Médica Internacional (AMI) — que contam do parecer conjunto no âmbito da consulta pública da Estratégia Nacional Para os Direitos da Criança 2019 -2022 (ENDC), que terminou em 20 de Janeiro.

Segundo as oito organizações, existem discrepâncias normativas na lei portuguesa em relação à idade e do seu entendimento de criança, como é o caso do casamento, como referido pelo Comité dos Direitos da Criança.

Entre 2016 e 2018, casaram oficialmente 393 crianças em Portugal, entre os 16 e os 17 anos, sendo crescente a tendência nestes três anos, explicam. O casamento antes dos 18 anos, defendem, tem consequências negativas no desenvolvimento e no futuro dos jovens e a probabilidade de terminarem o ensino obrigatório diminui. No caso particular das raparigas, ficam mais expostas a situações de violência doméstica e gravidez na adolescência.

Estatísticas do Ministério da Justiça referem que em 2016 casaram 107 crianças entre os 16 e os 18, em 2017 o número aumentou para 132 e em 2018 para 154. As oito organizações defendem assim que a legislação nacional seja adequada à Convenção sobre os Direitos da Criança, recomendando a alteração do enquadramento legal para impossibilitar o casamento antes dos 18 anos.

Organizações defendem medidas de prevenção

Beatriz Imperatori, directora executiva da Unicef Portugal explicou em declarações à Lusa que é importante promover acções de sensibilização para os efeitos negativos de um casamento precoce na vida das crianças, mas o que é verdadeiramente necessário é que “existam menos crianças a casar”.

As organizações defendem ainda que seja assumido um compromisso por parte do Estado português de adoptar um plano de desinstitucionalização de crianças, com metas e objectivos precisos, assim como a implementação de medidas de melhoria da qualidade do sistema de acolhimento com aposta num modelo de cariz familiar.

Outro dos aspectos defendido pelas organizações é que a ENDC oriente as medidas de prevenção e intervenção em casos de violência contra as crianças e preveja, explicitamente, à luz das Observações Finais do Comité dos Direitos da Criança (um diagnóstico abrangente da violência contra as crianças em Portugal), criando mecanismos de recolha de dados desagregados. O objectivo é conhecer a realidade na sua globalidade, definir medidas para eliminar os castigos corporais e assegurar a prevenção e intervenção precoce em casos de violência doméstica, abuso e negligência.

As oito organizações recomendam ainda a criação de um mecanismo independente de inquérito em casos de abuso sexual, mecanismos que evitem a vitimização secundária da criança e garantam o apoio adequado às vítimas assim medidas de erradicação da mutilação genital feminina.

115 milhões de meninos casam durante a infância ou adolescência

Julho 11, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 7 de junho de 2019.

Unicef faz primeira análise sobre casamento precoce masculino; estima-se que casamento infantil totalize os 765 milhões; República Centro-Africana tem a maior prevalência destes casos entre os homens, 28%.

O Fundo das Nações Unida para a Infância, Unicef, estima que 115 milhões de meninos em todo o mundo se tenham casado quando crianças.

A pesquisa do Fundo mostra que uma em cada cinco crianças, ou seja, 23 milhões, contraíram matrimónio antes dos 15 anos.

Prevalência

Analisando dados de 82 países, o estudo revela que o casamento infantil entre meninos é prevalente em vários países, nomeadamente na África Subsaariana, na América Latina e Caribe, no sul e leste Asiático e no Pacífico.

Para a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, “o casamento rouba a infância” e as pessoas que casam com crianças “são forçadas a assumir responsabilidades adultas para as quais podem não estar preparadas.”

A responsável lembra ainda que “os casamentos precoces podem implicar uma paternidade precoce e, com isso, aumentar a pressão para sustentar uma família, reduzindo as oportunidades de educação e de emprego.”

De acordo com estes dados, a República Centro-Africana tem a maior prevalência de casamento infantil entre os homens, 28%, seguida pela Nicarágua, 19%, e Madagáscar, 13%.

Meninas

Estes resultados elevam o número total de noivas e noivos infantis para 765 milhões de crianças.

As meninas continuam a ser mais afetadas, com uma em cada cinco mulheres jovens, com idades entre os 20 e os 24 anos, casadas antes dos 18 anos, em comparação com um em cada 30 rapazes.

Embora a prevalência, as causas e o impacto do casamento infantil entre meninas tenham sido extensivamente estudados, pouca pesquisa existe sobre o casamento infantil dos meninos.

No entanto, as crianças com maior risco de contrair matrimónio são oriundos dos agregados familiares mais pobres, vivem em áreas rurais e têm pouca ou nenhuma educação.

Fore considera que, numa altura em que se comemora o trigésimo aniversário da adoção da Convenção sobre os Direitos da Criança, é necessário “lembrar que casar meninos e meninas enquanto eles ainda são crianças vai contra os direitos consagrados na Convenção.” Para ela, é “através de mais pesquisas, investimentos e capacitação” que se poderá acabar com esta violação de direitos humanos.

Mais informações na Press Release da Unicef:

115 million boys and men around the world married as children – UNICEF

No Dia dos Namorados, agências da ONU chamam atenção para o casamento infantil

Fevereiro 20, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 14 de fevereiro de 2019.

De acordo com o Unicef, cerca de 12 milhões de meninas com menos de 18 anos se casam todos os anos; para o Unfpa, o casamento infantil é o produto tóxico da pobreza e desigualdade de gênero.

Todos os dias, dezenas de milhares de meninas se tornam noivas. Casamentos infantis violam os direitos delas, expõem elas à violência em potencial, colocam em risco suas saúdes e criam um futuro negro.

“Aos 14 anos, fui submetida ao casamento prematuro, onde os meus pais me aconselharam a me casar ainda menor de idade. Eles disseram que se eu me casasse não sofreria mais e que quando chegasse ao meu novo lar, tudo seria diferente e eu teria uma vida boa sem depender de ninguém.”

Esta é Mariamo, de Mocambique. Ela contou a história dela ao Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. Mariamo está entre 21% de jovens mulheres no mundo que segundo a agência, se casam antes dos 18 anos de idade.

“Eu pensava que iria viver uma vida melhor como os meus pais tinha me falado, mas nada daquilo era verdade. Eu sofri, passava as noites sem comer. O meu marido ia pescar e quando voltava eu perguntava, o que vamos comer? Ele dizia, não tenho nada, porque não consegui nada. Você também mulher pode procurar algo para comermos porque você tem mãos.”

Noivas Infantis

De acordo com o Unicef, todos os anos, assim como Mariamo, cerca de 12 milhões de meninas com menos de 18 anos se casam. Até 2030, se o mundo não agir de forma decisiva para terminar o casamento infantil, mais de 150 milhões de meninas podem se tornar “noivas infantis”.

Mas, como aponta o Fundo da População das Nações Unidas, Unfpa, isso não precisa ocorrer e programas para terminar com o casamento infantil estão fazendo a diferença, libertando crianças de uniões indesejadas.

Valentines’Day

Neste 14 de fevereiro, Dia dos Namorados ou Valentines’Day, em inglês, também conhecido como Festa de São Valentim, o Fundo da População das Nações Unidas, Unfpa, está abordando o que acontece quando meninas dizem “eu não quero” ao casamento infantil.

Como diz a diretora executive do Unicef, Henrietta Fore, “para muitos, o Dia dos Namorados é associado com romance, flores e propostas de casamento.” Mas ao tempo, como ela destaca, “para milhares de meninas ao redor do mundo o casamento não é uma escolha, mas um fim indesejado de suas infâncias e futuros.”

Como parte de uma campanha, meninas e mulheres compartilharam suas histórias. Kakenya Ntaiya contou que cresceu na região rural do Quênia. Ela explicou que “a forma tradicional de vida para as meninas é passar pela Mutilação Genital Feminina em preparação para o casamento quando jovens.”

Kakenya disse que “escapou do casamento infantil e lutou pela educação dela.” A jovem eventualmente criou a Kakenya’s Dream, o Sonho de Kakenya na tradução em português, uma ONG que usa a educação para empoderar meninas e transformar as comunidades rurais.

Violência Doméstica

O Unicef destaca que o casamento infantil leva a uma vida de sofrimento. Meninas que se casam antes dos 18 anos têm menos chance de estudar e têm mais chance de serem vítimas de violência doméstica.

A agência também destaca que jovens meninas adolescentes são mais susceptíveis a morrerem devido a complicações na gravides e no parto do que mulheres na casa dos 20 anos.

Pobreza

Para o Unfpa, o casamento infantil é o produto tóxico da pobreza e desigualdade de gênero. Muitas famílias acreditam que o casamento irá assegurar o futuro das filhas, mas na verdade, ele muitas vezes atrapalha as perspectivas das meninas.

Como enfatiza a agência, o casamento infantil é um fenômeno global, que afeta meninas em diversas comunidades e religiões.

Em 2017, O Programa Global do Unicef e do Unfpa para lidar com a questão atingiu 1 milhão de meninas e 4 milhões de membros de comunidades com informação e serviços para terminar com o casamento infantil.

Para o Unfpa, tudo muda quando meninas aprendem que existe um futuro melhor à sua disposição.

Abaixo o Unicef cita 10 fatos que ilustram porque é preciso #TerminarOCasamentoInfantil.

  1. Em todo o mundo, se estima que 650 milhões de meninas e mulheres vivas hoje se casaram antes de completarem 18 anos.
  2. Globalmente, o número total de meninas casadas na infância é estimado em 12 milhões por ano.
  3. A região sul da Ásia abriga o maior número de noivas infantis. São cerca de 285 milhões delas, o que representa  mais do que 40% do total no mundo. Em segundo lugar aparece a África subsaariana, com cerca de 115 milhões de noivas infantis ou 18% dos casos no mundo.
  4. A prática do casamento infantil diminuiu em todo o mundo. Na última década, a proporção de mulheres que se casaram quando crianças diminuiu em 15%, de 1 em 4 (25%) para aproximadamente 1 em 5 (21%).  Ao todo,  cerca de 25 milhões de casamentos infantis foram evitados. O aumento dos índices de educação de meninas, os investimentos pró-ativos do governo em meninas adolescentes e as fortes mensagens públicas sobre a ilegalidade do casamento infantil e os danos que causam estão entre as razões para a mudança.
  5. No sul da Ásia, o risco de uma menina se casar na infância diminuiu em mais de um terço, de quase 50% há uma década para 30% nos dias atuais.  A queda foi em grande parte impulsionada por grandes avanços na redução da prevalência do casamento infantil na Índia.
  6. Cada vez mais, os casos de casamento infantil estão migrando do Sul da Ásia para a África Subsaariana. A região apresenta um progresso mais lento e a uma população crescente. Dos casamentos infantis mais recentes, cerca de 1 em cada 3 acontecem agora na África subsaariana, em comparação com 1 em 7 há 25 anos.
  7. Na América Latina e no Caribe, não há evidências de progressos. Os níveis de casamento infantil continuam tão altos quanto há 25 anos.
  8. O casamento infantil ocorre também em países de alta renda. Nos Estados Unidos, a maioria dos 50 Estados tem uma exceção na lei que permite que as crianças se casem antes dos 18 anos. Até 2017, na União Européia, apenas quatro países não toleravam exceções à idade mínima de 18 anos para o casamento.
  9. O casamento na infância tem repercussões em muitas áreas da vida de uma menina. Por exemplo, na Etiópia, a maioria das jovens que se casaram quando crianças deram à luz antes do seu 20º aniversário. As noivas infantis também têm menos chances de receberem cuidados especializados durante a gravidez e o parto. Além disso, as adolescentes casadas na Etiópia têm três vezes mais probabilidade de estar fora da escola do que as jovens solteiras.
  10. Para eliminar o casamento infantil até 2030, conforme estabelecido na Agenda para o Desenvolvimento Sustentável, o progresso global teria que ser 12 vezes mais rápido do que o nivel observado na última década.

 

 

 

Seca no Afeganistão leva pais a venderem os filhos

Dezembro 13, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Euronews de 28 de novembro de 2018.

A pior seca das últimas décadas no Afeganistão está a levar algumas famílias a venderem os filhos para liquidarem as dívidas ou comprarem alimentos. A seca tem agravado o problema do casamento infantil. A Unicef estima que pelo menos 161 crianças, entre elas seis meninos, tenham sido vendidas num período de apenas quatro meses em duas das províncias afetadas.

“Os pais contraem dívidas para sustentarem a família, esperando que a chuva chegue em breve e lhes permita liquidar a dívida, mas infelizmente a seca continua a arrastar-se e eles não conseguem pagar as dívidas. Infelizmente, as crianças tornam-se uma garantia”, disse Alison Parker, porta-voz da UNICEF para o Afeganistão, numa conferência de imprensa, realizada na terça-feira, em Genebra.

Entre as crianças há bebés de apenas um mês, já prometidos para casamentos forçados. 35% da população afegã realiza casamentos infantis.

10, 6 milhões de pessoas têm dificuldades para alimentar-se no Afeganistão.

“Este é um dos momentos mais difíceis da história do Afeganistão. O povo afegão está a sofrer de uma forma inimaginável”, frisou Toby Lanzer, representante-especial da ONU no Afeganistão.

O Alto Comissariado da ONU anunciou que começou a entregar milhares de tendas aos deslocados, vítimas dos conflitos e da seca.

 

Unfpa diz que 48% das meninas em Moçambique casam-se muito cedo

Setembro 2, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU NEWS de 15 de agosto de 2018.

Ouvir o áudio no link:

https://news.un.org/pt/audio/2018/08/1634522

Mais de 150 milhões de meninas em risco de casamento forçado até 2030 – UNICEF

Março 25, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.destak.pt/ de 6 de março de 2018.

Mais de 150 milhões de meninas correm o risco de ser submetidas a casamentos forçados até 2030, se não se acelerarem os progressos em algumas regiões do mundo, alertou hoje a UNICEF.

Em comunicado, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) referiu que, no ano passado, cerca de 25 milhões de casamentos infantis foram impedidos em todo o mundo, salientando que apesar da “redução significativa” de 15% na última década, esta é uma realidade que afeta ainda 12 milhões de meninas por ano.

“Dado o forte impacto que o casamento infantil pode ter na vida de uma menina, recebemos qualquer redução como uma boa notícia, mas ainda temos um longo caminho por percorrer”, declarou a assessora principal da UNICEF em matéria de género, Anju Malhotra.

Destak/Lusa

Infografia completa da Unicef:

https://www.unicef.org/protection/57929_child-marriage-infographic.html

Comunicado de imprensa da Unicef Portugal

25 milhões de casamentos infantis impedidos na última década devido a rápidos  progressos, de acordo com novas estimativas da UNICEF

 

Já está disponível para download o InfoCEDI n.º 67 sobre Casamento Infantil

Janeiro 19, 2017 às 1:30 pm | Publicado em Divulgação, Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 67. Esta é uma compilação abrangente e actualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre Casamento Infantil.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line. Pode aceder a esta publicação AQUI.

Chamo-me Nojood: tenho 10 anos, sou divorciada

Novembro 16, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://expresso.sapo.pt/ de 21 de outubro de 2016.

Paula Cosme Pinto

Nujood Ali tinha 9 anos quando foi entregue a um homem adulto em troca de um dote. Não passava de uma criança quando se viu na condição de casada, entregue a um leito matrimonial onde deveria cumprir os seus deveres de esposa. Foi abusada sexualmente e espancada repetidamente. Numa primeira visita à sua família, contou à mãe o que se passava dentro das quatro paredes onde agora vivia, e a resposta que obteve foi um abraço, seguido de um singelo: “Filha, ele tem direito a fazer isso tudo.”

Encurralada numa realidade de sofrimento, NuJood fugiu. E sem saber que no país que a vira nascer o casamento infantil não era penalizado, dirigiu-se a um juiz e pediu o divórcio. Foi a primeira vez que tal coisa aconteceu no Iémen e a sua história real, de luta pela dignidade e liberdade, tornou-se não só num símbolo contra o casamento infantil, mas também da revolução das mulheres daquele país quanto às tradições que continuam a subjugar a figura feminina e a reduzi-la à categoria de uma simples mercadoria que pode ser trocada e vendida, sem direito ao livre-arbítrio. Em troca de cerca de cem euros, o divórcio foi-lhe concedido e hoje a pequena é uma adolescente livre do marido. Mas ainda presa à figura paterna.

Em 2008, a incrível história de NuJood inspirou um livro, intitulado “Nojood: 10 anos, divorciada”. Nesse mesmo ano, a menina e a advogada que a defendeu ao longo do processo foram agraciadas com o prémio Glamour Women of the Year, em Nova Iorque. A história encantou o mundo e puxou a atenção para o drama do casamento infantil. O livro – que se tornou num best-seller – inspirou depois um filme com o mesmo nome, que acaba de ser indicado para candidato aos Óscares 2017, na categoria de Melhor Filme Língua Estrangeira.

A cada minuto que passa há 28 meninas forçadas a casar

Avança hoje a Al-Jazeera que este é um momento histórico, uma vez que é a primeira vez que o Iémen faz uma candidatura do género à Academia. Para mim, é também altamente simbólico no que diz respeito aos pequeníssimos passos que o país tentar dar no que toca à igualdade de género, seja pela exposição do tema em causa – que continua a ser um problema grave no Iémen – como pelo facto de a realização do filme ser feita precisamente por uma mulher (algo raro no país). Ambas formas pouco diretas, mas certamente representativas, da assunção deste país quanto à necessidade de mudança de mentalidades. Incluindo a do próprio pai de Nujood, que mesmo depois de ter assistido à odisseia da filha mais velha, voltou a cometer o mesmo erro com a mais nova.

Khadija al-Salami, a realizadora, é conhecida pelo seu trabalho documental e o filme “Nojood: 10 anos, divorciada” foi a sua primeira incursão neste género de cinema. Inspirou-se não só em Nujood, mas também na sua própria história de vida que passa por um casamento forçado aos onze anos, uma tentativa de suicídio e um divórcio. Filmado antes da guerra civil que assola o país, o filme passa uma mensagem clara: a crueldade inerente ao casamento forçado de uma criança, a contínua desvalorização da figura feminina no Iémen, a tradicional subjugação da mulher ao homem, a agressão consentida e inquestionável, a violação dos direitos humanos com base no género. E, é claro, a eterna lacuna da lei no que toca a tudo isto.

É verdade que tanto meninos como meninas estão sujeitos à realidade do casamento infantil, mas o sexo feminino é de longe o mais afetado. Uma boa parte destas miúdas são casadas à força, sujeitas a abusos sexuais, violência doméstica e acabam encurraladas numa vida de dependência total que, simplesmente, não escolheram ter. Não basta prenderem os pais destas crianças para que esta realidade mude, é preciso reeducar populações inteiras, incluindo as mulheres, que têm de ter consciência de que a vida não tem de ser assim, por mais que séculos de tradições assim o ditem como verdade absoluta.

Dados da UNICEF revelam que atualmente existem mais de 700 milhões de mulheres vivas em todo o mundo que foram forçadas a casar na infância. Uma em cada três destas mulheres fizeram-no com menos de 15 anos. No que diz respeito à realidade dos dias de hoje, o resultado da pesquisa conjunta das 400 organizações que trabalham para o Girls Not Brides revela números que me tiram o fôlego sempre que penso neles: 15 milhões de meninas são casadas anualmente, ou seja, a cada minuto que passa há 28 meninas a serem forçadas a casar. Até quando isto vai continuar a acontecer?

 

Líder feminina no Malawi anula 850 casamentos infantis e envia meninas de volta para a escola

Agosto 15, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.hypeness.com.br/

al jazeera

Theresa Kachindamoto, supervisora de um distrito em Malawi, país da África, se destaca como uma líder feminista ajudando mulheres e garotas de sua comunidade. Nos últimos 3 anos, ela já anulou mais de 850 casamentos forçados, colocou meninas na escola e começou uma luta para abolir rituais que iniciam crianças sexualmente.

Mais da metade das mulheres em Malawi acabam se casando antes dos 18 anos. Além disso, o país ainda conta com um baixo Índice de Desenvolvimento Humano. É por essas e outras que o trabalho de Kachindamoto é tão importante.

Ela já trabalha na área há 27 anos e ainda assim não para de conquistar vitórias para sua sociedade. Foi só no ano passado que ela conseguiu instituir a maioridade de 18 para casamentos (mesmo com assinatura dos pais). É comum meninas de 12 anos grávidas por conta disso. E agora ela briga para que essa idade seja elevada para os 21 anos.

Por ser uma região muito pobre, é grande a incidência de famílias que arranjam casamentos para meninas a fim de aliviarem os gastos da casa, deixando as despesas para o futuro marido. E as consequências de comportamentos como esses que diminuem a voz feminina na sociedade são drásticas. Uma em cada cinco mulheres são vítimas de abuso sexual. O que é extremamente preocupante, uma vez que os índices de HIV só crescem no país. 

Por conta de sua conduta e postura, Theresa já foi até ameaçada de morte por outros políticos que são contra suas políticas públicas. Mas ela rebate e diz que continuará lutando até morte. E deixa uma mensagem quando entrevistada: “se elas forem educadas, podem ser o que quiserem”. Ou seja, até esposas e mães. Mas se elas quiserem.

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Fotos via Al Jazeera

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