El entrenamiento musical mejora la inteligencia de los niños?

Julho 31, 2014 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do site  http://www.psyciencia.com de 12 de dezembro de 2013.

psyciencia

Por David Aparicio

El beneficio más citado relacionado con el entrenamiento musical es que “estudiar música en la infancia mejora la inteligencia”. Esta creencia se ha propagado incluso dentro de la comunidad científica pero, en realidad, existe muy poca evidencia que apoye la idea de que recibir clases de música durante la infancia puede mejorar el desarrollo cognitivo.

Este fue el hallazgo de un estudio aleatorio controlado realizado por investigadores de Harvard y publicado ayer en la revista PLOS ONE (Puedes bajar el PDF completo).

El candidato doctoral en dicha universidad y codirector de la investigación, Samuel Mehr, explicó que esta creencia puede ser rastreada a un solo estudio publicado en la revista Nature. En ella los investigadores denominaron “Efecto Mozart” al resultado que se encontró en los participantes que se desempeñaron mejor en las tareas espaciales luego de haber escuchado música.

Sólo uno mostró un efecto claramente positivo

Unos años más tarde este estudio fue desmentido, pero la noción de que simplemente escuchar música puede hacer a alguien más inteligente se propagó y se adhirió rápidamente a la creencia popular. Esto según Mahr, estimuló una serie de estudios de seguimiento que se concentraron en los beneficios de las clases musicales.

Pero, cuando Mahr y sus colegas revisaron la literatura científica, encontraron que sólo cinco estudios utilizaron ensayos aleatorios controlados (el mejor estándar para determinar los efectos causales). Y de los cinco estudios, sólo uno mostró un efecto claramente positivo, sin embargo, era tan pequeño (solo 2.7 puntos de incremento en el CI) luego de un año de entrenamiento musical que fue apenas estadísticamente significativo.

Para evaluar la relación entre el entrenamiento musical y la cognición, Mehr y su equipo reclutaron a 29 padres y sus hijos de 4 años de edad. Se les aplicó una prueba inicial de vocabulario y a los padres se les presentó una prueba de aptitud musical. Después de esto, cada participante fue asignado por medio del azar a una de las dos clases: una de entrenamiento musical y otra que se abocaría en las artes visuales.

No se encontró evidencia de beneficios cognitivos a causa del entrenamiento musical

A diferencia de los primeros estudios, Mehr y sus colaboradores controlaron el efecto que podrían tener diferentes maestros y utilizaron escalas especialmente diseñadas para evaluar cuatros áreas específicas de conocimiento, vocabulario, matemáticas y dos áreas espaciales, ya que estas escalas son más sensitivas que las pruebas tradicionales de CI.

Al analizar los resultados, no se encontró evidencia de beneficios cognitivos a causa del entrenamiento musical.

Mientras que los dos grupos se desempeñaron parecido en vocabulario y en la tareas de estimación de números, las evaluaciones mostraron que los niños que recibieron entrenamiento musical  se desempeñaron levemente mejor en una tarea espacial, mientras que aquellos que recibieron entrenamiento de artes visuales se desempeñaron mejor que los otros.

Sin embargo, la investigación tenía una importante limitación, sólo contaron con 15 niños en el grupo musical y 14 en el grupo de la artes visuales. Esto provocó que los efectos fueran tan pequeños y que su significación fuera marginal.

Ninguno fue lo suficientemente grande como para ser estadísticamente significativo

Para replicar el estudio, Mehr y su equipo diseñaron un segundo estudio, donde reclutaron a 45 padres e hijos. La mitad de ellos recibió entrenamiento musical y la otra mitad no recibió entrenamiento.

¿Que se encontró? Al igual que el primer estudio, no se halló evidencia de que el entrenamiento musical ofrezca algún beneficio. Más aún, no se encontraron diferencias significativas entre los grupos, incluso cuando los resultados se agruparon para permitir una comparación entre el efecto del entrenamiento musical, el entrenamiento en las artes visuales y el no entrenamiento.

“Hubo pequeñas diferencias entre el rendimiento de los grupos, pero ninguno fue lo suficientemente grande como para ser estadísticamente significativo. Incluso cuando utilizamos los análisis estadísticos más precisos disponibles”, agregó Mehr.

(Artículo relacionado: Beneficios de la formación musical)

Estos datos nos permiten pensar que el “Efecto Mozart” es un mito. Sin embargo, esto no quiere decir que no le debamos enseñar música a nuestros hijos. La música tiene un valor en sí misma, es una expresión exclusivamente humana que permite expresar nuestras emociones, nuestra creatividad e incluso puede enseñar a nuestros hijos disciplina y concentración.

Fuente:News Harvard Imagen: flickrized (Flickr)

 

 

 

Crianças amamentadas são mais inteligentes

Agosto 19, 2013 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site Sapo Crescer de 30 de Julho de 2013.

As crianças que foram amamentadas durante mais tempo na infância tiveram melhores resultados em testes de inteligência e linguagem aos três e aos sete anos de idade, indica novo estudo.

Investigadores norte-americanos descobriram que para cada mês extra que as mães amamentaram, os filhos obtiveram melhores resultados em testes de inteligência e linguagem – embora não em testes de capacidades motoras e de memória.

«Dado o tamanho do benefício, esta informação pode ser útil para as mães que estão a tentar tomar decisões sobre a duração do período de amamentação, já que há muitos fatores que pesam nesta decisão», afirmou Mandy Belfort, que liderou o estudo no Children’s Hospital, em Boston (EUA).

«A mãe deve pesar isto juntamente com o tempo que a amamentação demora, bem como com o tempo que a afasta do trabalho e de outras obrigações familiares», acrescentou.

A investigadora declarou à agência Reuters que as descobertas apoiam as recomendações da Academia Americana de Pediatria e de outros grupos de aleitamento materno exclusivo até aos seis meses de idade, seguido de uma mistura de aleitamento e alimentos sólidos.

Testes de inteligência revelam dados curiosos

Para a realização do estudo, Mandy Belfort e a sua equipa analisaram 1312 mulheres do estado do Massachusetts que foram recrutadas durante a gravidez, entre 1999 e 2002, bem como os seus bebés.

As mães relataram se tinham ou não amamentado e, em caso afirmativo, que idade tinha o seu bebé quando pararam a amamentação. Os investigadores, então, aplicaram aos dois grupos de mulheres e crianças testes padronizados de inteligência. Em testes de linguagem aplicados aos três anos, as crianças do estudo obtiveram uma média de 103,7.

Uma vez que a inteligência das mães e de outros fatores familiares, incluindo os rendimentos, foram levados em consideração, os investigadores descobriram que a cada mês extra de amamentação estava relacionado com uma melhoria de 0,21 pontos no teste. As crianças que foram alimentadas somente com leite materno durante seis meses obtiveram uma média de três pontos a mais no teste de linguagem do que aquelas que nunca foram amamentadas, relata a equipa de Mandy Belfort no seu estudo agora publicado na revista JAMA Pediatrics.

Nos testes de inteligência, que incluíam a leitura e a escrita, aplicados aos sete anos, os resultados médios foram de 112,5 e cada mês extra de amamentação foi associado a uma melhoria de 0,35 pontos. Esses testes levam 10 a 20 minutos a serem concluídos e 100 é considerada uma pontuação média de todas as crianças.

Mandy Belfort afirmou que um pai ou um professor provavelmente não iria notar uma diferença de poucos pontos num teste de inteligência aplicado a uma criança. «Considero que a importância é mais ao nível de toda a população ou sociedade», declarou à Reuters. Se cada criança marcasse alguns pontos a mais, por exemplo, haveria menos crianças no extremo inferior do espectro a precisarem de ajuda extra, disse a investigadora.

Novo estudo é um passo em frente

A amamentação tem sido associada a um menor risco de eczema e de infeção do ouvido e do aparelho digestivo. Estudos anteriores também encontraram uma ligação à inteligência das crianças, mas não tiveram em consideração outras diferenças entre mãe que amamentaram e mães que não o fizeram.

Os investigadores disseram que o novo estudo dá um passo em frente, levando em conta a própria inteligência das mães e outros aspetos do ambiente doméstico das crianças.

«As dificuldades com qualquer estudo são: Quais são as capacidades intelectuais dos pais e será que isso faz alguma diferença?», afirmou Ruth Lawrence, investigadora da amamentação do University of Rochester Medical Center, em Nova Iorque.

«Os colegas mostraram muito claramente que, quando controlada para todos os parâmetros, a amamentação, ainda assim, está associada a um desenvolvimento intelectual mais elevado.»

Ruth Lawrence, que não esteve envolvida no novo estudo, disse que alguns componentes do leite materno – incluindo aminoácidos, ácidos gordos ómega-3 e colesterol – podem ser importantes para o desenvolvimento cerebral.

Maria João Pratt

Programas de Matemática: a luta entre a memorização e a compreensão

Julho 16, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 26 de Junho de 2013.

nelson garrido

Bárbara Wong

Evolução dos programas desde 1950 até aos nossos dias.

Aritmética, geometria e álgebra. Estas eram as matérias ensinadas na década de 1950. Depois disso, a Matemática evoluiu e mais do que a memorização, os programas caminharam para uma compreensão do processo matemático. Agora, lamentam muitos, há um regresso ao passado.

Em 1948 foram aprovados os programas de Matemática do 3.º ciclo do ensino liceal, os actuais 10.º e 11.º anos do secundário. A álgebra era “o mais importante”, recorda João Pedro da Ponte, investigador do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa e um dos autores do programa de Matemática do ensino básico de 2007, entretanto substituído pelo novo, na passada semana.

Naquele tempo, a aritmética era estudada nos níveis de ensino mais elementares e, a partir do actual 3.º ciclo fazia-se a iniciação ao estudo da álgebra e geometria. Chegados ao secundário, os alunos trabalhavam a aritmética racional, “cujos métodos de estudo eram considerados os que mais se prestavam a criar no aluno hábitos de rigor científico”, escreve João Pedro da Ponte num texto sobre o currículo de Matemática no ensino secundário.

No final da década de 1950, o movimento da Matemática Moderna ganha força e consegue entrar nos currículos escolares de muitos países. Em Portugal, pela mão de José Sebastião e Silva, esta corrente é integrada de forma equilibrada, recorda Leonor Santos da Sociedade Portuguesa de Investigação em Educação Matemática (SPIEM). O matemático “tinha uma visão moderada” e a introdução foi feita com “muito cuidado”, corrobora João Pedro da Ponte. Esta é uma “matemática muito abstracta, carregada de símbolos”, continua o investigador.

Por essa razão, a Matemática Moderna não corre bem em muitos países, abrindo guerras entre os que a preconizam e os que defendem o que se ensinava antes. Os últimos acusam a Matemática Moderna de ter uma “terminologia pretensiosa” e reclamam o regresso ao ensino das competências básicas (em inglês back to basics). Ou seja, “o regresso ao cálculo, às contas e ao fazer de cor”, define João Pedro da Ponte.

Este movimento back to basics “encontrou forte oposição, logo desde o seu início, da parte da comunidade educativa”, recorda o investigador. “Há uma diferença de percepções sobre o que é aprender matemática”, confirma Leonor Santos. Os matemáticos seguem um caminho e os investigadores ligados à educação outro. Os primeiros defendem o rigor matemático e os segundos não o descartam mas querem que todos a compreendam e tenham acesso a ela, explica.

Os programas que se seguem, no currículo português, visam sobretudo a compreensão. Em 1991, com a reforma Roberto Carneiro é aprovado um programa com o objectivo de ligar a matemática ao mundo real. Em 2007 os programas são reformulados com o mesmo fim, o de reforçar o espírito crítico dos alunos. Paralelamente foi feito um forte investimento na formação contínua dos professores. Sem ser avaliado, na semana passada, foi homologado um novo programa para o ensino básico, o que deixou os autores dos anteriores programas, a Associação de Professores de Matemática e a SPIEM indignados. Por outro lado, a Sociedade Portuguesa de Matemática, de que Nuno Crato foi presidente antes de ser ministro, congratulou-se com a mudança, considerando o novo programa “benéfico”.

Luta política na Matemática?
“Antes de ser ministro, Nuno Crato dizia que primeiro [os alunos] aprendem e depois compreendem. Essa é uma filosofia contrária à dos programas [de 2007], em que o objectivo é que vão aprendendo, vão-se aproximando dos conceitos matemáticos, vão trabalhando para que os compreendam e lhes dêem significado. Portanto, vão-se trabalhando os conceitos, à medida que os alunos crescem. A forma como uma criança aprende não é igual à de um adulto”, justifica Leonor Santos. O novo programa procura que os estudantes “dominem um conjunto de técnicas, memorizem definições, apostando-se em que primeiro aprendam e depois compreendam”, continua.

O programa de 2007 pretendia dotar os estudantes de competências que lhes permitissem, por exemplo abrir um jornal e ler, com espírito crítico, as estatísticas ou as infografias; ou para quando ia ao supermercado conseguir fazer uma estimativa, exemplifica a professora. O novo programa acentua o trabalho matemático. “O que os matemáticos fazem no dia-a-dia é muito diferente da matemática que é precisa para a maioria da sociedade”, acrescenta a responsável da SPIEM.

A Associação de Professores de Matemática diz que o programa aprovado representa “um retrocesso de 40 anos no ensino da disciplina” que terá efeitos negativos na aprendizagem, aponta à Lusa. Agora, é o “back to basics: muita memorização”, resume João Pedro da Ponte.

O Ministério da Educação já veio dizer que não e que a compreensão também é uma preocupação do novo programa. Mais: este é muito semelhante ao anterior, defendeu Carlos Grosso, um dos autores, em declarações à Lusa.  Segundo o professor, as mudanças foram sobretudo a nível de organização: algumas matérias desapareceram (como as estimativas) e outras foram mudadas de anos de escolaridade (as translações e probabilidades passaram do 1.º para o 3.º ciclo).

Há uma luta política na Matemática? João Pedro da Ponte admite que sim. “Há uma luta política pelo controlo do que se passa no ensino da Matemática e essa torna-se numa luta fratricida. São dois grupos que procuram aliados políticos.” E encontraram-nos, os do ensino da Matemática mais ligados à esquerda e os matemáticos à direita, distingue. “As teses de Crato são caras a certos sectores do CDS”, acrescenta.

O novo programa pode ser elitista, com uma Matemática só para alguns, “os que vão para as as engenharias e as ciências” e não para todos, para a escola inclusiva, para esses ficam as noções de “como fazer uns trocos”, lamenta João Pedro da Ponte. “Há uma diferença grande: o anterior currículo apostava na compreensão que passa pelo pressuposto de que todos os alunos vão ser capazes de aprender e vão saber usar a Matemática no dia-a-dia”, acrescenta Leonor Santos.

A memorização e a compreensão são incompatíveis? Não, dizem os dois investigadores. “A memorização não tem mal, o problema é a aprendizagem ser baseada na memorização, esta é essencial, mas é importante o desenvolvimento do pensamento. [Com o novo programa] o espírito crítico é altamente desvalorizado e há uma preocupação excessiva com o rigor matemático”, conclui o investigador.

O PÚBLICO procurou ouvir algum professor ou investigador associado da Sociedade Portuguesa de Matemática sobre este tema mas sem sucesso.

 

Horas de deitar irregulares podem afectar cérebro das crianças

Julho 11, 2013 às 4:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de Julho de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Time for bed: associations with cognitive performance in 7-year-old children: a longitudinal population-based study

PÚBLICO

Estudo comparou aprendizagem de crianças que iam para a cama sempre à mesma hora e daquelas cujos pais não tinham uma rotina. Raparigas são mais afectadas.

As crianças que durante a semana não conseguem manter uma rotina que passe por irem para a cama sempre às mesmas horas poderão ficar com o cérebro afectado, nomeadamente com mais dificuldade em assimilar as novas informações.

As conclusões são de uma equipa de investigadores da University College London e acabam de ser publicadas no Journal of Epidemiology and Community Health. De acordo com os cientistas, quando não há uma rotina do sono, ainda assim, os efeitos negativos são mais sentidos pelas raparigas do que pelos rapazes, explica o diário britânico The Guardian.

O estudo procurou perceber os efeitos de horários de sono irregulares no desenvolvimento cerebral em crianças ainda pequenas. Para isso, os investigadores utilizaram informações do UK Millennium Cohort Study, uma base de dados que contém informações de várias áreas. Os investigadores escolheram uma amostra de adolescentes cujos dados eram acompanhados desde a infância e compararam os dados relativos ao ciclo de sono com os resultados em alguns testes.

O trabalho contou com a participação dos pais. Os que responderam que os seus filhos iam para a cama “sempre” ou “quase sempre” às mesmas horas foram colocados no grupo dos regulares e os que responderam “algumas vezes” ou nunca” foram para os irregulares.

A equipa, liderada por Amanda Sacker, olhou em especial para as informações das crianças quando estavam casa dos três anos de idade e percebeu que tanto os rapazes como as raparigas que tinham irregularidades no sono apresentavam mais tarde dificuldades em áreas como a leitura, a matemática ou exercícios que implicassem abstracção. O problema afectava mais as raparigas, tanto aos três anos como mais tarde, aos cinco e aos sete anos.

Pelo contrário, as crianças cujos pais mantinham uma rotina mais apertada tinham mais facilidade em apreender a informação de situações novas. Além disso, de acordo com o estudo, aparentemente quanto mais tempo perdurar a irregularidade maiores vão ser os efeitos no futuro. Um dado curioso é que a hora a que as crianças se deitam parece não ter influência, desde que seja sempre a mesma, ainda que seja mais tarde.

“Os três anos parecem ser a idade onde se vê um efeito mais claro” da privação de sono, disse Amanda Sacker ao The Guardian, explicando que contrariar o relógio do corpo humano tem implicações directas na aprendizagem. “Se uma criança tiver irregularidades na hora de ir para a cama numa idade prematura, não estará a sintetizar toda a informação à sua volta, e terão o trabalho mais dificultado em fazê-lo quando fores mais velhas”, acrescentou. “Dormir é o preço que pagamos pela plasticidade [do cérebro] no dia anterior e o investimento necessário para permitir aprender com a cabeça fresca no dia seguinte”, escrevem os autores, citados pelo mesmo jornal.

A cientista que tem um BabyLab, um laboratório cheio de pais e bebés

Outubro 23, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de Outubro de 2012.

Por Ana Gerschenfeld

Vimos ao mundo já equipados com uma série de sistemas cognitivos de base. Elizabeth Spelke estuda há quatro décadas esses tijolos de construção da mente humana.

Voz suave e expressão doce, cabelos lisos partidos ao meio e roupa descontraída que fazem lembrar a revolução hippie, Elizabeth Spelke, hoje com 63 anos, é mundialmente conhecida pelos seus trabalhos em psicologia cognitiva. Começou na década de 1970 a tentar perceber como é que as crianças pequenas dão sentido ao mundo que as rodeia – e a procurar identificar os nossos “sistemas cognitivos nucleares” inatos. No seu BabyLab da Universidade Harvard, mais parecido “com a sala de uma casa” do que com um laboratório convencional, a sua equipa acolhe dezenas de pais e filhos para tentar avaliar a compreensão que, aos poucos meses de idade, os bebés humanos têm dos conceitos de número ou de espaço geométrico, do comportamento dos objectos e até das interacções sociais. Após a conferência que deu na semana passada no simpósio internacional de neurociências que decorreu na Fundação Champalimaud, em Lisboa, Elizabeth Spelke conversou com o PÚBLICO.

O que faz no seu BabyLab?
Interessa-me a mente humana e o que nos torna capazes de desenvolver conhecimentos tão ricos e sistemáticos acerca do mundo. A minha maneira de abordar estas questões é voltando aos estádios mais precoces do desenvolvimento. Estudo crianças e pergunto-me como é que elas conseguem dar sentido ao mundo, o que compreendem, como os seus conhecimentos crescem e mudam ao longo da infância antes de começarem a escola. Trabalho sobretudo com crianças a partir dos três, quatro meses de idade.

Como se faz esse trabalho?
Temos equipamentos para observar os bebés, registar as suas acções e apresentar-lhes coisas que controlamos com grande precisão. Mas ao mesmo tempo, os pais e as crianças que nos visitam poderiam pensar que estão na sala da uma casa. Volta e meia, retiramos os elementos de distracção para mostrar uma coisa a uma criança e ver a sua reacção. Mas mesmo assim, o BabyLab não parece um laboratório. Não há batas brancas e não treinamos os bebés. Observamos o seu comportamento, as suas capacidades naturais.

Quantas crianças passam pelo laboratório?
Pode haver entre 10 e 15 crianças no laboratório ao mesmo tempo, em diversas experiências. Numa semana carregada, podemos ter 30 ou mais crianças, que ficam lá 30 a 45 minutos de cada vez e participam em vários estudos.

Que capacidades estuda?
As minhas primeiras pesquisas foram sobre a compreensão dos objectos pelas crianças – a capacidade de ver os objectos, de os seguir ao longo do tempo, de pensar neles quando não estão visíveis e de prever o seu comportamento futuro. Prever, por exemplo, que quando um objecto colide com outro, o movimento de ambos vai mudar. Também fizemos estudos de cognição espacial, ou seja de navegação num dado espaço.

Como é que medem o que as crianças percebem?
No caso da navegação espacial, pedimos aos pais para trazerem um brinquedo e pomo-lo numa caixa. Não é preciso ensinar um bebé de 18 meses que tem de ir buscar o seu brinquedo – e nós aproveitamos esse comportamento espontâneo para tentar perceber como é que o bebé apreendeo sítio onde está. Também introduzimos perturbações espaciais, por exemplo fazendo rodopiar as crianças para as desorientar ou alterando aspectos da sala para avaliar as alterações de comportamento.

Qual é o denominador comum do seu trabalho?
Quase toda a minha investigação tem consistido em tentar isolar as capacidades cognitivas que se desenvolvem cedo e das quais precisamos para, mais tarde, raciocinar correctamente na matemática e nas ciências. A minha visão de conjunto é que existe uma série de sistemas cognitivos “nucleares”, com que nascemos já equipados, e que foram apurados ao longo da evolução para desempenhar tarefas, tais como saber onde estamos ou identificar e categorizar os objectos.
Mas nós, humanos, somos a única espécie que consegue combinar essas capacidades de base de formas inéditas para criar novos sistemas de conhecimento e resolver novos problemas com novos conceitos. A minha hipótese é que essa produtividade provém do que é talvez a única capacidade exclusivamente humana: a de utilizar símbolos externos – e sobretudo a linguagem – para representar a informação. A linguagem não serve só para comunicarmos informação aos outros, serve também para formularmos novos conceitos na nossa própria mente, reunindo informação vinda de sistemas cognitivos à partida distintos. Assim, quando os sistemas cognitivos nucleares que partilhamos com outros animais se combinam, gera-se um conjunto de capacidades que são só nossas. Somos os únicos a fazer matemática, ciência, a desenvolver sistemas inteiros de novos conceitos.O que está a estudar agora?
O que me interessa neste momento é a cognição social: como é que os bebés reagem a pessoas que interagem socialmente umas com outras. E os nossos resultados sugerem que, muito cedo no desenvolvimento, por volta dos quatro meses de vida, já existe uma sensibilidade dos bebés à conformidade – ou seja, ao facto de as pessoas interagirem fazendo gestos semelhantes. Estamos a começar a ver se os bebés usam essa informação para compreender quem gosta de quem, quem está ligado a quem.

 

Os bebés já sabem muito quando nascem

Outubro 17, 2012 às 12:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 5 de Outubro de 2012.

A psicóloga Elizabeth Spelke prova que possuímos capacidades cognitivas inatas quando nascemos.

Muitas formas do conhecimento humano são inatas, nascem connosco, revelam as experiências pioneiras feitas no laboratório de Elizabeth Spelke, investigadora e professora de psicologia na Universidade de Harvard (EUA), que foi esta semana uma das oradoras do Simpósio de Neurociências na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

Nos últimos 20 anos, Spelke mudou profundamente a maneira como a comunidade científica encara a mente dos bebés, que antes era definida como algo que só adquire conhecimento através da experiência, da educação e da socialização.

Para saber os segredos da cognição humana e da organização da mente, a cientista prefere investigar os bebés e não os adultos. “A mente humana é extremamente complicada, em especial a adulta, onde há uma grande variabilidade nas pessoas que vivem em diferentes culturas e circunstâncias”, justifica a psicóloga. “Mas quando olhamos para as crianças, há menos diversidade e vemos de uma forma mais clara as nossas capacidades cognitivas fundamentais.”

Por outro lado, “os segredos da mente humana só serão revelados através de uma visão multidisciplinar que não inclua apenas a investigação que eu faço”, explica. Para isso é necessário responder a questões cruciais sobre a relação entre a inteligência humana e a de outros animais, porque as técnicas mais poderosas para estudar o cérebro humano só podem ser aplicadas em animais.

Propriedades básicas

“Quando comparamos as capacidades cognitivas de um humano

Elizabeth Spelke diz que investigar a mente dos bebés permite ver as nossas capacidades cognitivas fundamentais adulto com as dos animais, há uma enorme diferença, mas se o fizermos com bebés vemos mais as semelhanças, encontramos as propriedades básicas das nossas mentes, que evoluíram em grande medida antes de emergirmos como uma espécie, e que tornam hoje possível a inteligência e a aprendizagem”, salienta Elizabeth Spelke.

Mas afinal o que sabem realmente os bebés nos primeiros meses de vida, que capacidades inatas possuem? “Consideremos, por exemplo, a capacidade para seguir e reconhecer objetos. Os bebés parecem ter sido ‘construídos’ para dividir o mundo percetível que veem em partes relacionadas que estão separadas uma a uma e que se movem como se estivessem ligadas, de uma forma contínua, mesmo quando estão fora de vista.”

Partilham o nosso esquema conceptual, embora não reconheçam quase todos os objetos numa cena. “Os bebés têm alguma sensibilidade para as faces humanas, para os corpos humanos e dos animais, mas não para simples artefactos como mesas, cadeiras, chávenas, etc. Mostram algumas das nossas capacidades, mas não todas”.

Do concreto ao abstrato

A investigadora esclarece que “isto também é verdade quando nos movemos de um domínio concreto de reconhecimento de objetos percetíveis para domínios abstratos, como os números”. Uma boa parte da investigação que Spelke tem feito é precisamente sobre estes conceitos abstratos e concluiu que “bebés com um ou dois dias de vida, acabados de nascer, são sensíveis aos números, mas apenas a números aproximados”. Conseguem distinguir um grupo de quatro objetos de um conjunto de 12, que diferem numa razão de 3 para 1.

“As nossas experiências provam que a base desta discriminação é o número, embora numa representação muito imprecisa.” Nas experiências são mostradas diferentes imagens aos bebés e deduzem-se quais as mais apelativas pelo tempo que dura a sua atenção sobre elas.

Quando as crianças crescem, a representação fica progressivamente mais precisa e por volta dos quatro anos começam a usar este sistema para construir representações simbólicas únicas dos números. Além de objetos e de números, os bebés também têm noções básicas de geometria — tema da intervenção de Elizabeth Spelke no Simpósio de Neurociências — e de cognição social.

Virgílio Azevedo

vazevedo@expresso.impresa.pt

 

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