Escolas devem limitar acesso a alimentos menos saudáveis – Conselho Nacional Saúde

Dezembro 20, 2018 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo de 5 de dezembro de 2018.

As escolas devem limitar o acesso a alimentos menos saudáveis, recomenda um relatório do Conselho Nacional de Saúde, que aponta deficiências no controlo dos alimentos dentro dos estabelecimentos de ensino.

“As escolas parecem não conseguir monitorizar eficazmente a oferta de alimentos que é feita nos seus bufetes e cantinas”, considera o relatório do Conselho Nacional de Saúde, a que a agência Lusa teve acesso.

Assim, o Conselho recomenda que “o combate à obesidade infantil seja intensificado através de mais medidas de limitação do acesso e publicidade a produtos alimentares não saudáveis, nomadamente dentro dos estabelecimentos de ensino”.

No relatório “Gerações Mais Saudáveis”, que hoje vai ser apresentado, o Conselho Nacional de Saúde sublinha que “a maioria das escolas não cumpre a proporção” estabelecida entre géneros alimentícios a promover e géneros a limitar, que devia ser de três para um.

Citando um estudo realizado em 156 escolas públicas e em cinco privadas a nível nacional, o Conselho indica que só 1,3% respeitam aquela proporcionalidade.

Também as máquinas de venda automática nas escolas “continuam a conter alimentos” que deviam ser limitados e “muitas não são bloqueadas à hora de almoço”.

O documento, que hoje vai ser divulgado publicamente, refere ainda que “o Estado não desenvolveu nenhuma ação concertada que pudesse frenar a oferta de alimentos ricos em açúcar e gorduras saturadas”, apontando a “ausência de políticas reguladoras de publicidade a produtos alimentares nos meios de comunicação”.

Não está também regulada a localização de estabelecimentos de restauração que promovem produtos pouco saudáveis, acrescenta o Conselho Nacional de Saúde, órgão consultivo do Governo que integra cerca de 30 entidades, entre elas várias ordens profissionais.

Os conselheiros do Governo lembram que “a prevalência da obesidade infantil permanece elevada em Portugal” e que as crianças e os jovens são alvo constante de estratégias de marketing e publicidade de alimentos.

É ainda recordado que o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável previa que, até final deste ano, fosse publicada legislação para regular o marketing e a publicidade de alimentos dirigidos a crianças.

O Conselho Nacional de Saúde recorda alguns projetos positivos de promoção da alimentação saudável, como o regime de fruta escolar, que distribui fruta gratuita pelo menos duas vezes por semana a alunos do 1.º ciclo.

Contudo, o relatório assinala que há uma “tendência decrescente” no número de autarquias que tem aderido ao regime da fruta escolar ao longo dos anos.

Na área das fórmulas infantis para lactentes, o Conselho frisa que “Portugal não dispõe de legislação suficiente para conter e eliminar a promoção inapropriada de substitutos do leite materno”, sendo que a publicidade a estes produtos “não está regulada”.

ARP // PMC

Lusa/Fim

 

Aceder ao estudo:

Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal

 

 

As refeições nas cantinas escolares estão a melhorar

Março 20, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 26 de fevereiro de 2018.

A qualidade e quantidade das refeições servidas nas cantinas escolares melhoraram após a publicação, em meados de Dezembro passado, de um despacho do Ministério da Educação (ME) determinando um maior controlo sobre as refeições servidas aos estudantes.

É esta, pelo menos, a opinião das 89 estruturas representativas de encarregados de educação que responderam a um inquérito online promovido pela Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais (Ferlap), cujos resultados foram divulgados nesta segunda-feira. Nesta região existem mais de 300 associações de pais.

A Ferlap esteve na origem das denúncias registadas, no início do ano lectivo, a propósito da má qualidade e escassez da comida que estava a ser servida nas cantinas. Fotografias então divulgadas mostravam mesmo rissóis por fritar nos pratos dos alunos. Na sequência destas denúncias, o ME decidiu criar “um plano integrado da qualidade e quantidade das refeições servidas nos estabelecimentos públicos de ensino”, onde são elencados todos os procedimentos que devem ser adoptados na confecção da comida e que tipo de ementas devem ser servidas.

O ministério também determinou, no mesmo despacho publicado a 13 de Dezembro, a criação de equipas de fiscalização nas delegações regionais da Direcção-Geral de Estabelecimentos Escolares, que têm como missão monitorizar a aplicação aquele plano através de deslocações regulares às escolas e realizar um registo dos incumprimentos verificados.

Em declarações à Lusa, o presidente da Ferlap, Isidoro Roque, disse não ter conhecimento de qualquer acção inspectiva nas escolas da zona de Lisboa e Santarém, mas no terreno parece que algo já mudou.

No seu inquérito às associações de pais, a Ferlap pediu que estas assinalassem qual a situação, no que respeita à qualidade das refeições, antes e depois da publicação do despacho, devendo para o efeito escolher uma opção numa escala que variava entre 1 (muito má) e 10 (muito boa). Analisando os dados discriminados, cedidos pela Ferlap ao PÚBLICO, constata-se que houve uma descida de 5,1% para 1,1% em relação à opção 1 e que o valor em relação à apreciação mais positiva se manteve nos 3,1%.

Alargando o leque de modo a assinalar as percentagens recolhidas entre os valores 7 e 10 da tabela (qualidade boa ou muito boa) verifica-se que houve uma subida de 33,7%, antes do despacho, para 39% depois deste diploma. Se o mesmo exercício for aplicado ao outro extremo da tabela, juntando os valores obtidos pelos valores 1 e 2 (muito má e má), constata-se uma descida de 10,6% para 2,2%.

Já no que respeita à quantidade das refeições a evolução pela positiva é mais acentuada. Numa escala de 1 (muito pouco) a 5 (excessivo) verifica-se que o valor mais negativo recolheu 5,3% das apreciações quando a questão era avaliar a quantidade antes do diploma, mas que não foi seleccionado por nenhuma das associações de pais na apreciação pós-diploma.

Mas há ainda 8,4% das associações de pais que consideram que a comida continua a ser insuficiente. No que respeita à apreciação que as refeições estão bem servidas passou-se de 27,4% para 35,8%.

O inquérito permitiu ainda detectar seis escolas onde as associações de pais foram impedidas de visitar as cantinas. “Isto é completamente ilegal”, alertou o presidente da Ferlap, Isidoro Roque.

 

 

Obesidade infantil. “Para ter sucesso vamos ter de taxar”

Março 1, 2018 às 6:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 28 de fevereiro de 2018.

Rita Costa

“Esta história dos refrigerantes e de aumentar as taxas nos produtos açucarados teve impacto”, afirma Margarida Lobo Antunes, que lamenta as dificuldades no combate à obesidade infantil e o facto de ser necessário aplicar taxas.

A pediatra refere que o combate à obesidade infantil é uma área com uma taxa de sucesso muito reduzida e afirma que é muito difícil sensibilizar as pessoas.

“Vamos tem que tomar medidas muito concretas nas escolas, na alimentação nas escolas” defende Margarida Lobo Antunes, que considera que, “para ter um sucesso, provavelmente, vamos de ter de taxar”.

A pediatra dá o exemplo de Inglaterra como um país com projetos interessantes para combater a obesidade. “Tinha um sistema de autocarro a pé, os pais iam todos a pé e levavam as pessoas às compras para mostrar o que é que podem comprar”, conta Margarida Lobo Antunes que lamenta: “há muitas medidas que têm um impacto a curto prazo, mas a longo prazo as pessoas não mudam. As únicas coisas que têm mostrado eficácia, são de facto taxas”.

Ouvir as declarações de Margarida Lobo Antunes no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/saude/interior/obesidade-infantil-para-ter-sucesso-vamos-ter-de-taxar-9147105.html

Quando os directores das escolas têm de fazer de polícia das cantinas

Dezembro 11, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 26 de novembro de 2017.

De peixe não gostam. A carne é pouca. O arroz está cru. A fruta é sempre a mesma. Almoçar em cantinas escolares não é sempre igual. E não é fácil. Alunos queixam-se nas redes sociais. Directores de escolas têm de vigiar refeitórios. Deve a gestão ser privada ou feita pelo Estado?

Joana Gorjão Henriques

O espaço é rodeado de portas em vidro, há mesas corridas, suficientes para alunos de várias turmas comerem. Mas hoje a cantina da Escola Secundária de Fonseca Benevides, em Lisboa (Alcântara) está praticamente vazia. Apenas alguns alunos sentados a almoçar e muitos trouxeram as marmitas de casa, almoçam pizza ou massa com frango.

Quando há quatro anos João Santos assumiu o cargo de director da Escola Secundária de Fonseca Benevides fez da alimentação um dos seus grandes pilares. “Eles têm de poder comer no refeitório. Há miúdos que a única refeição do dia que têm é esta”, explica, porque cerca de 60% dos seus alunos estão no escalão de Acção Social mais baixo.

Começamos a circular entre as mesas, de nariz e olhos postos nos pratos dos jovens. Na maioria dos pratos dos que escolheram o menu escolar há batatas cozidas, com batatas cozidas. E com batatas cozidas.

Poucos têm salada ou legumes (brócolos e couve-flor). Nada de peixe. Hoje é arinca às postas (bem secas, provámos) no forno. João Santos já sabia que a fotografia iria ser esta. De dois em dois dias há peixe no menu. Aí os alunos ou não comem ou então protestam.

Com o prato à frente, o director da escola conta que todos os dias almoça no refeitório. “Aprendemos uma quantidade enorme de novos peixes”, ironiza, para dizer que há muita variedade introduzida por causa do baixo preço. Dá nota positiva à sopa de alho francês (com mais batata do que qualquer outro legume), à salada (de couve roxa, cenoura e pepino) e menos pontuação aos legumes. Chumba o peixe.

Desde Setembro que todas as escolas geridas pelo Ministério da Educação (ME) têm uma ementa pré-definida para o ano lectivo inteiro. Elaborada pela Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), com supervisão de nutricionistas, define combinações de ingredientes. No dia anterior, terça-feira, o menu era frango assado com arroz de cenoura.

João Santos foi um dos que mais falou numa reunião da DGEstE, em Lisboa, com directores de escola, organizada esta segunda-feira. “As coisas acabam por correr bem aqui. Mas o principal problema é que é preciso fazer de polícia todos os dias”, queixa-se. “O produto que vem é de má qualidade, tentam não respeitar as quantidades. É suposto servir-se vitela e servem chambão, a parte pior”, queixa-se.

Foi isso que relatou na reunião com a DGEstE, uma das várias iniciativas ministeriais enquadradas no plano de monitorização e fiscalização da qualidade e quantidade das refeições nas escolas públicas. Fez parte de um pacote de encontros que começaram na semana passada no Alentejo e vão correr o país, liderados pela Directora-Geral dos Estabelecimentos Escolares com directores de escolas públicas e representantes das empresas que fornecem as refeições escolares.

ASAE com 20 processos-crime em três anos

O  tema das cantinas tem estado nas notícias desde o início do ano lectivo, depois de uma série de queixas de alunos, que publicaram fotografias nas redes sociais a reclamar de lagartas a andar no prato, frango cru, e de direcções de escolas terem sido acusadas de mover processos disciplinares contra eles por causa disso – o ME diz que há “apenas registo de dois processos disciplinares”, que não incluem o caso da lagarta, e que “não tiveram a ver com fotografias tiradas a refeições em exclusivo mas com acumulação de infrações por parte dos alunos”.

Nesse encontro estiveram representantes das empresas que fornecem as refeições. A maioria das cantinas do ministério é explorada por duas empresas, a Uniself e a ICA. Depois de um concurso público deste ano, a Uniself ficou com metade dos 1148 refeitórios do ME, além de gerir mais 230 cantinas escolares de responsabilidade autárquica. É esta empresa que tem estado no foco das críticas: de 70 queixas recebidas pelo ME de Setembro até 20 de Outubro, 56 são das suas cantinas.

Mas em entrevista por email ao PÚBLICO, Mateus da Silva Alves, presidente do conselho de administração da empresa, responde: “Nestes três meses [lectivos] foram registadas 163 reclamações para uma média mensal de 3,5 milhões de refeições distribuídas. Estamos a analisar as reclamações e a proceder, se for caso disso, às consequentes correcções, porque trabalhamos diariamente para que este número diminua.” (ver resposta aqui)

Na reunião, aos directores das escolas foi dito que estivessem em cima da avaliação e que mantivessem “um sistema de reporte rigoroso e activo”. É o que João Santos faz diariamente. À cantina fornecida pela Uniself acontece chegarem hambúrgueres de 60 gramas quando o estipulado é de 80 gramas, por exemplo. Ou usarem-se flocos de batata na sopa. “Acontece se não se estiver a vigiar. Um director de escola não tem que andar a policiar a comida, eu não tinha nada que estar a fazer isto”, acrescenta. Desde Setembro apresentou nove queixas.

Mas os incidentes com a comida das escolas estão longe de ser recentes. Desde 1 de Janeiro de 2015 e até agora a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) instaurou 20 processos-crime em cantinas escolares (por géneros alimentícios corruptos e avariados, por fraude sobre mercadorias e por corrupção de substâncias alimentares) e suspendeu a actividade em 13 estabelecimentos. De uma fiscalização a 800 escolas, resultaram 228 processos de contraordenação na área da restauração.

De resto, a Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais tem aconselhado a apresentação de queixa. O presidente Isidoro Roque diz: “Queremos a responsabilização de quem tem que ser responsável: as empresas e quem fiscaliza a refeição”.

Gestão própria com mais sabor

De volta à Fonseca Benevides: uma vez por semana chega a comida, com carne e peixe congelados. Um dia antes, os alunos compram as senhas de almoço por preço que varia de acordo com o escalão de Acção Social e da região do país – entre zero e 1,46 euros pelo menu de sopa, pão, prato com salada e uma peça de fruta.

Peixe é algo que Evandro Cidário, aluno do 11º ano, nunca come. O resto “é razoável”, diz, sentado ao lado de outro colega de 16 anos que não gosta daquela comida.

Um dos temas que se tem debatido é se as escolas deveriam seguir o modelo de gestão directa dos seus refeitórios, com alguns partidos da Esquerda a defenderem-no (ver texto). João Santos acredita que isso seria “mais fácil” até porque a escola não tem a pressão do lucro.

Da sua experiência, Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), acha que as escolas que têm a gestão das suas cantinas oferecem “um melhor serviço”. “Na minha cantina [de gestão directa, do agrupamento de Escolas de Cinfães] conseguimos fazer refeições dentro do recomendado e saborosas. Só usamos peixe fresco, fruta de qualidade, fazemos refeições próximas do que se come em casa. Já as empresas fazem refeições para cumprir as quantidades: nós  damos resposta a outros factores como a visão, o cheiro e o gosto.”

Manuel Pereira acha que há vantagens em ter cantinas geridas pelas escolas, até porque a grande maioria tem cozinhas montadas.

O tema não é consensual entre os directores de escola. Com dois mil alunos na escola sede, e fila de alunos à espera do frango com arroz de cenoura – um dos pratos que tem mais saída –, o director do agrupamento de escolas de Carcavelos Adelino Calado discorda da hipótese de gerir as “suas” cantinas. Defende que isso lhes traria muito mais trabalho por causa da burocracia exigida.

Servem uma média de entre 300 a 400 refeições diárias, pode subir até às 600 quando é carne. “Esta cozinha é melhor que a dos hotéis”, afirma na terça-feira, enquanto mostra de fora os equipamentos.

Pouca quantidade, reclamam

No recreio, os alunos brincam. Na cantina há burburinho. Não tem havido muitas queixas. “Houve algumas, mas eram ridículas”, refere o director. “Estava insonso, estava salgado, era muita comida….”. Adelino Calado explica que muito depende do cozinheiro. “Quando é bom não há reclamações. Pode haver queixas em relação à quantidade. Dizemos para servirem pouco mas se o aluno quiser repetir, repete.”

Numa ronda pelas mesas da cantina é de facto esta uma das queixas mais frequentes: a quantidade. Olhando o prato com arroz (que provámos e estava cru) o pequeno pedaço de frango parece pouco para satisfazer o apetite de um adolescente.

“Às vezes a comida vem fria”, “há peixe a mais”, “a sopa devia ser passada”, “a comida de casa é melhor para a minha saúde”, “não há variedade, é sempre maçã e pêra, e eu trago morangos, melão…”. Júlia, Catarina e Matilde, do 5º ano, enumeram as razões pelas quais trazem de casa a marmita.

Também reclamam da fila demorar tanto a ser servida que as fez atrasar para as aulas. De facto, outra das queixas que têm chegado ao Ministério é justamente a falta de pessoal no serviço de refeitório, da responsabilidade da empresa.

É isso que nota Álvaro Miguel, cozinheiro da Escola do 1º Ciclo dos Lombos, com 130 alunos – esta gerida pela autarquia de Cascais, que tem contrato com a mesma empresa. Da sua cozinha, paredes meias com a sala de refeições onde as crianças se sentam em mesas adequadas à sua altura, confecciona mais de 1100 refeições por dia, que serão distribuídas para outras escolas. Mas tem a apoiá-lo apenas três pessoas.

“Houve mudança na ementa”, comenta Maria do Rosário Antunes, adjunta da direcção do agrupamento de Carcavelos para o primeiro ciclo e pré-escolar, e que é uma das responsáveis pela avaliação. “Eram filetes de pescada, mas estão aqui rolos”. O grande problema, enumera, são atrasos no transporte das refeições, ou faltas de alimentos como carne ou peixe.

Pedro Guedes Pinto, da Associação de Pais deste agrupamento, diz que as queixas sobre as cantinas nunca foram tantas. “O que me parece é que este tipo de contrato [por concurso e com tantos refeitórios] coloca um problema: se o fornecedor não cumpre é muito difícil substituir.”

Se a gestão própria é mais eficaz será um debate a continuar. De Cinfães, o presidente da ANDE  lembra: “A sensação que temos é que as nossas cantinas estão mais próximas da realidade dos alunos. Não posso dar uma refeição igual numa aldeia da que dou nas cidades. É preciso personalizar em função do ambiente social em que a escola está inscrita.”

 

 

 

 

“Quem está a assegurar o equilíbrio nutricional dos pratos vegetarianos nas escolas?”

Dezembro 4, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 21 de novembro de 2017.

Devia haver mais nutricionistas nos centros de saúde, nas escolas, nos lares, mas ainda falta vontade política, diz a bastonária Alexandra Bento, no dia em que começa o Congresso da Ordem dos Nutricionistas.

Alexandra Prado Coelho

Há medidas positivas, mas falta articulação. Esta é uma das críticas que Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, faz ao Governo. A obrigatoriedade de introduzir nas ementas das cantinas escolares uma opção vegetariana, que neste ano lectivo entrou em vigor, é um bom exemplo. “Como é possível a Assembleia da República legislar uma medida que tem importância e o Governo não estar preparado para a operacionalizar?”, interroga-se. “Quem é que está a assegurar o cumprimento do equilíbrio nutricional desses pratos? Há que perguntar. Porque não são nutricionistas.”

A relevância do trabalho dos nutricionistas é uma questão que percorre o programa de todo o Congresso da Ordem dos Nutricionistas, que decorre entre esta terça-feira e amanhã, em Lisboa, e que se orgulha de ser “o primeiro no mundo sem patrocínios”. O que Alexandra Bento lamenta é que haja um número insuficiente de profissionais onde defende que deveriam estar: nas escolas, nos lares de idosos, nos centros de saúde. “Quem é que se responsabiliza pelo equilíbrio nutricional dos meninos que escolhem a dieta vegetariana? Ou pela adequação da alimentação para uma criança que tem a doença celíaca ou a doença de Crohn ou que é diabética?”

Reconhece que “temos um princípio excelente, que é o de as escolas fornecerem alimentação às crianças”, mas considera que é importante actualizar algumas medidas. “A criação do [Programa do] Leite Escolar foi importantíssima, mas, neste momento, devíamos pensar na obrigatoriedade de ser leite sem qualquer tipo de adição. Não é concebível que num momento em que se fala de um consumo excessivo de açúcar estejamos a fornecer leite achocolatado às crianças.”

Mas, ainda mais importante do que isso, é a educação alimentar dos mais jovens, que, na opinião da bastonária, também não está a ser feita de forma adequada. “O que se ensina sobre a roda dos alimentos é muito pouco”, afirma. “Tem de haver novas abordagens na passagem da informação. As crianças são sensíveis às causas ambientais porque essa informação foi bem passada. [No caso da alimentação], é preciso envolver outros actores, como os chefs, mas é preciso que estes também tenham um verdadeiro conhecimento do que é a alimentação saudável. Isso é difícil sem envolver os nutricionistas.”

A Ordem tem tentado fazer chegar esta mensagem ao ministro da Educação, mas não tem sido fácil, diz. “Reunimo-nos com o secretário de Estado para manifestar a nossa preocupação. Já tentei ser recebida pelo ministro e até ao momento não fui, o que parece indicar que o ministério não encara esta questão como premente. Provavelmente, a única hipótese é enviarmos uma proposta por escrito ao ministro, o que me parece desajustado.”

Falhas nos centros de saúde

Voltamos à questão da “falta de articulação”. O que Alexandra Bento constata é que “no papel temos uma estratégia desenhada”, mas “falta uma verdadeira vontade política para a pôr em prática”. E se o Ministério da Saúde parece sensível aos argumentos dos nutricionistas, as medidas não passam depois pelo crivo do Ministério das Finanças.

A Ordem defende a importância da presença de nutricionistas nos centros de saúde como parte de uma política de prevenção de doenças ligadas à alimentação. “Os cuidados de saúde primários não estão desenhados para trabalhar a causa da alimentação e da nutrição”, diz. Há poucos nutricionistas. A proposta que a Ordem apresentou ao Ministério da Saúde passava pela presença de “pelo menos um nutricionista por cada um dos 55 agrupamentos de centros de saúde”, garantindo uma distribuição pelo território nacional mais equilibrada do que a que existe actualmente. Propunham ainda a entrada, logo em 2016, de 55 nutricionistas “com um programa nacional de acção” — a ideia “foi bem acolhida” pelo Ministério da Saúde, mas até agora não foi concretizada.

Alexandra Bento lembra que estamos num momento-chave. “Com os dados do 2.º Inquérito Alimentar Nacional e de Actividade Física [apresentados em Março] passámos a conhecer o panorama do país com precisão. O inquérito diz-nos que temos insegurança alimentar, ou seja, nem toda a população tem um acesso adequado a alimentos. A insegurança situa-se no nosso país em cerca de 10% e a insegurança alimentar grave, que é a dificuldade de acesso a alimentos, está nos 2%. Isto é grave num país que se diz desenvolvido.”

O retrato do panorama nacional mostra ainda que “estamos a viver pior nos últimos anos das nossas vidas, com um rosário de doenças crónicas não transmissíveis relacionadas com a forma como nos alimentamos” — este é, aliás, um dos temas centrais do congresso. E são doenças que pesam no Sistema Nacional de Saúde. “A diabetes custa 10% a 12% do Orçamento do Estado para a Saúde, este é um dado que está no Observatório para a Diabetes”, sublinha a bastonária. “Nos últimos anos, o aumento dos gastos com a diabetes é brutal.” A conclusão? “Sabemos do que estamos a morrer e quanto custam as doenças de que estamos a morrer. E sabemos que prevenir é a melhor aposta.”

A bastonária compara a actual situação com a que se viveu nos anos 1970 e 80 depois da realização do 1.º Inquérito Alimentar Nacional. “Nessa altura fez-se a primeira e única campanha alimentar nacional, muito centrada nas escolas, com os professores. Nunca mais houve uma grande campanha de educação.”

Em Portugal, prossegue, há uma grande aposta na higiene alimentar, porque se trata de regras europeias. Mas o país “ainda não tem uma verdadeira política alimentar e nutricional”. E conclui: “O excesso de peso e a obesidade das nossas crianças vai trazer-nos problemas de saúde no futuro. Como é que conseguimos conviver com isso tendo estrutura para resolver o problema?”

Já depois da conversa com o PÚBLICO, a bastonária elogiou em declarações à Lusa a proposta do Governo no Orçamento do Estado para 2018 que visa criar uma taxa sobre produtos, como biscoitos e batatas fritas, que apresentem elevado teor de sal. Perante a possibilidade de um chumbo, Alexandra Bento diz que lamenta. “A verba arrecadada” poderia ser aplicada em “medidas de promoção de hábitos alimentares saudáveis”.

 

 

 

 

Alunos que tiram fotografias a comida nas escolas estão a ser punidos ou repreendidos pelos diretores

Novembro 10, 2017 às 1:26 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Esta foi uma das fotografias que Teresa (nome fictício), de 11 anos, tirou a uma refeição que lhe foi servida numa escola da Amadora

Notícia do http://observador.pt/ de 9 de novembro de 2017.

Marlene Carriço

Depois das fotografias a exporem problemas nas cantinas escolares, há relatos de diretores que estão a punir alunos com dias de suspensão ou a repreendê-los. Pais queixam-se.

Depois das fotografias a exibir pratos com pouca comida, coxas de frango mal cozinhadas, rissóis congelados, e, mais recentemente, lagartas a passear no meio do prato, agora chegam notícias de diretores que estão a repreender ou a punir alunos que andam a fotografar e a divulgar as imagens das refeições servidas nos refeitórios.

O Jornal de Notícias relata, esta quinta-feira, o caso de duas adolescentes (de 18 e de 16 anos) de uma escola em Gaia que foram suspensas por cinco e dois dias, respetivamente, após terem divulgado uma imagem de um tabuleiro onde se via apenas um pão e uma tigela de sopa, servido a 2 de novembro, dia em que houve greve dos trabalhadores das cantinas. As encarregadas de educação dizem não ter sido chamadas à escola e ponderam avançar com queixa junto da Direção Regional de Educação do Norte.

A decisão foi confirmada pela direção da escola ao JN, que invocou o Estatuto do Aluno, de 2012. No artigo décimo desse decreto ficou definido que os alunos ficam proibidos de “captar sons ou imagens” em atividades letivas e não letivas sem autorização prévia dos professores, dos diretores ou de qualquer membro da comunidade escolar cuja imagem possa ficar registada. O novo estatuto consagra ainda a proibição da difusão “na escola ou fora dela, nomeadamente, via Internet ou através de outros meios de comunicação, sons ou imagens captados nos momentos letivos e não letivos, sem autorização do diretor”.

Contactada pelo Observador, a direção do Agrupamento de Escolas António Sérgio recusou-se a prestar declarações sobre o assunto. E o Ministério da Educação ainda não respondeu.

Isidoro Lopes, da Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais (Ferlap), condena a atuação: “Esses diretores têm de ser castigados exemplarmente”, começou por dizer ao Observador, para logo acrescentar que tem conhecimento de outras “tentativas de intimidação aos alunos para não usarem telefones nem divulgarem imagens sob risco de terem processos”.

Um desses exemplos é o de Teresa, nome fictício. A aluna de 11 anos tirou duas fotografias à comida que lhe foi servida no passado dia 3 de outubro — uma à tigela da sopa servida a metade e outra a um prato com uma amostra de filete de peixe e muita batata cozida (na imagem principal do artigo). “Há muito que se queixava e eu desvalorizava, achava que ela estava a exagerar, que estava a ser esquisita. E a certa altura disse-lhe para tirar fotografia”, conta a mãe, Isabel, também nome fictício, ao Observador.

As queixas na escola da má confeção da comida “são antigas”, continua a mãe, dando exemplos de batatas cruas e “carnes picadas em que só há molho de tomate” e a “contínua desvalorização por parte da direção”. Desta vez atuou de forma diferente. “Quando vi aquilo fiquei chocada com a pouca quantidade de comida e, depois de vários e-mails sem resposta, divulguei no meu facebook, sem dizer o nome da escola.”

Depois dessa publicação, que terá sido vista por alguém da direção, a filha foi chamada pela diretora ao conselho diretivo, onde estava também a professora responsável pelo 2.º e 3.º ciclo. Ter-lhe-á sido perguntado se ela sabia que era proibido tirar fotografias na escola. “A minha filha disse que sabia. E ela perguntou porque é que ela tinha tirado fotografia aos pratos da comida. Ela disse que tinha sido eu a pedir e a senhora diretora disse-lhe: ‘Sabes que isto pode dar direito a processo disciplinar com direito a suspensão? Quero que escrevas a relatar o que se passava com a comida e a dizer que tiraste as fotografias’”. O episódio é relatado por Isabel que lembra como a filha lhe ligou assustada. Depois disso tentou entrar em contacto com a direção, que só a recebeu uns dias depois. Nessa reunião a diretora negou ter ameaçado a criança, mas Isabel tem outra perspetiva do sucedido. “Ela nem 12 anos tem. É uma menor e eu sou a responsável por ela. Deviam ter-me chamado a mim.”

Isabel já apresentou queixa junto da Direção Geral de Estabelecimentos Escolares, junto do Ministério da Educação, da Câmara Municipal da Amadora, do Provedor de Justiça e até da ASAE. Só estes últimos lhe responderam. “A ASAE disse que ia proceder em conformidade e o Provedor disse que ia aparecer de surpresa na escola.”

De acordo com o Ministério da Educação, “foram reportadas aos serviços da Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares, nos meses de setembro e outubro, 40 queixas (16 em setembro e 24 em outubro) referentes à qualidade e quantidade das refeições servidas nas escolas”. Além dessas, chegaram ainda queixas relacionadas com outros aspetos, como pessoal, totalizando 70 queixas.

Diretores criticam divulgação de fotografias

Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, não se quis alongar muito sobre a situação concreta da escola de Gaia onde as duas alunas foram suspensas, por não conhecer todos os contornos, mas defendeu que “os regulamentos e o Estatuto são para serem cumpridos” e que “se as alunas não cumpriram com uma regra que existe, há que haver rigor”.

Embora se mostre crítico das situações que têm sido denunciadas aqui e ali, um pouco por todo o país, Manuel Pereira frisa que “tem de se evitar mostrar essas imagens porque é preciso evitar situações de alarme social”. “Pode acontecer qualquer coisa em qualquer sítio a qualquer hora e não se pode permitir que se tome a parte pelo todo”. O que “faz sentido”, acrescenta, é que “as crianças falem com os pais e os pais com as escolas”.

Também Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas, defende outro tipo de abordagem perante os problemas que vão sendo sentidos nas cantinas. “Não me parece que a melhor maneira de resolver um problema seja criar um enorme problema, sob pena de estarmos a confundir a árvore com a floresta inteira”, sublinha.

E quanto à situação em concreto da sua escola vizinha, em Gaia, Filinto Lima não se quis alongar, sublinhando que “terá sido uma situação excecional, em dia de greve dos funcionários e em que a escola tentou acudir ao problema”. E lembra que o Estatuto proíbe a captação e divulgação de imagens nas escolas, sendo que seria bom “saber até que ponto esta regra pode ser violada”.

Quanto a processos disciplinares, o dirigente da ANDAEP refere que sempre que “há um processo disciplinar tem de se ouvir as partes envolvidas e normalmente na presença dos pais”.

mais fotos da notícia no link:

http://observador.pt/2017/11/09/alunos-que-tiram-fotografias-a-comida-nas-escolas-estao-a-ser-punidos-ou-repreendidos-pelos-diretores/

Estatuto do Aluno e Ética Escolar

Ainda há escolas a vender alimentos pouco saudáveis

Outubro 25, 2017 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 25 de outubro de 2017.

Joana Capucho

Cachorros, bolachas de chocolate e refrigerantes continuam à venda cinco anos depois de a orientação do governo o proibir

Pedro vive na zona da Grande Lisboa, onde a filha frequenta uma escola pública do 2º ciclo. Recentemente, foi surpreendido com fotografias do bar da escola, que cedeu ao DN, nas quais é visível a oferta de alimentos pouco saudáveis: mini-pizzas, cachorros, waffles com xarope de chocolate, folhados. Uma situação que o deixou descontente e que também foi relatada ao DN por outros pais. Queixam-se da venda destes e de outros produtos como croissants com chocolate, bolachas de chocolate com recheio e bebidas açucaradas, alimentos que já não deviam ser vendidos nos estabelecimentos de ensino.

Cinco anos após a publicação das orientações para os bufetes escolares pela Direção-Geral da Educação (DGE), há escolas que continuam a vender alimentos prejudiciais à saúde, tanto nos bares como nas máquinas de venda automática. Existe uma lista de alimentos a disponibilizar, a limitar e a não disponibilizar, mas não é cumprida em todos os estabelecimentos de ensino. “Em teoria, isto não deveria acontecer. Não estão a ser cumpridas as orientações. De vez em quando, recebemos algumas queixas dos pais relacionadas com o que se vende nos bares e nas máquinas e com o que serve nas cantinas. São situações pontuais, mas isso não significa que o problema seja grande ou pequeno, porque nem todos os pais têm conhecimento do que se passa nas escolas”, diz ao DN Pedro Graça, Diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde.

Na opinião de Pedro Graça, “há um problema relacionado com a falta de fiscalização/verificação do cumprimentos das normas”, mas também “há alguma demissão por parte dos pais, que não vão às escolas onde os filhos andam”. As próprias escolas e autarquias “deviam munir-se de técnicos especialistas capazes de aferir a qualidade dos produtos que são vendidos, verificar se as normas são cumpridas e promover alterações”. Quanto às máquinas de vending, “é uma questão de fiscalização, porque se forem cumpridas as regras, não são nefastas”.

Contactado pelo DN, o Ministério da Educação remete para o Ofício Circular n.º 7/DGE/2012 Bufetes escolares – Orientações e diz que “a Inspeção Geral da Educação e Ciência zela pelo cumprimento” dessa recomendações. Apesar de serem “orientações”, o gabinete de Tiago Brandão Rodrigues diz que não são facultativas e têm que ser cumpridas por todos os diretores de agrupamentos.

Já os diretores dos agrupamentos, reconhecem que estas máquinas são uma fonte de rendimento, mas dizem desconhecer situações de incumprimento. “Existem regras muito claras sobre o que se pode ou não vender nos estabelecimentos de ensino. Há escolas, como aquelas onde há ensino noturno e recorrente, onde podem existir alguns desses produtos nas máquinas para os alunos da noite. Admito que possam existir casos desses, mas não tenho conhecimento de nenhum”, afirma ao DN Manuel Pereira, diretor da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), destacando que “cada escola decide o que vende, tendo em conta as recomendações”.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), diz que sabe que há escolas onde existem máquinas – não é o caso da sua – mas também não conhece instituições que não cumpram as orientações da DGE. Nem tão pouco bufetes. “Não podem ser vendidos alimentos proibidos. Isso não pode acontecer. E não tenho conhecimento de diretores que autorizem aquilo que as diretrizes não aconselham e até proíbem”, refere, acrescentando que “a responsabilidade é das direções, não só das máquinas, mas também do que se consome nos bares das escolas”.

Tal como acontece nos outros locais onde existem máquinas de vending, estas são uma fonte de receitas para as escolas, que recebem uma percentagem das vendas. Além disso, sublinha Filinto Lima, muitas vezes “atenuam o constrangimento da escassez de funcionários” nas instituições de ensino. “Não vejo mal nenhum que existam máquinas nas escolas, desde que só tenham os alimentos que são permitidos pela DGE. Há uma grande preocupação das escolas em relação ao que é servido aos alunos. Se estão a ser vendidos produtos que não são permitidos, a situação tem que ser corrigida”.

Pais devem estar atentos

Manuel Pereira diz que, caso os pais detetem que as escolas estão a vender produtos com elevados teores de açúcares ou de gorduras, devem falar com os diretores dos agrupamentos. Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais também desconhece situações de incumprimento, mas destaca que “não são os pais que estão permanentemente dentro das escolas”. “A primeira responsabilidade é dos adultos que lá estão. Os pais têm que estar atentos, mas há famílias que acham natural dar à criança um Bollycao para o pequeno almoço”, denuncia. Por isso, propõe, “é necessário capacitar os pais, para que percebam os prós e contras, para que estejam informados”. Um trabalho, frisa, que devem ser feito pelas escolas e pelas associações de pais.

Cabe às escolas, afirma Jorge Ascenção, “dar o exemplo” no que diz respeito à alimentação saudável. “Não pode vender produtos nocivos à saúde. E deve também fazer o acompanhamento para que a criança se possa auto-proteger. Se a educação e o acompanhamento forem bons, evitamos que vão comprar produtos pouco saudáveis a 100 metros da escola”, sublinha.

Além do trabalho que tem que ser feito nos estabelecimento de ensino e em casa, Filinto Lima considera que é “necessário atuar junto das empresas que ficam próximas da escola” e onde as crianças e adolescentes encontram todos os produtos que esta não deve disponibilizar aos alunos. “A escola cumpre, mas há alguém a 10 metros que vende tudo o que está proibida de vender”, critica. Uma situação que, segundo Pedro Graça, é difícil de resolver “do ponto de vista legal”, mas que “pode ser pensada”. Até lá, sugere, “os pais podem, em conjunto com os diretores, tomar decisões para que os filhos não saiam da escola para comer”, enquanto esta deve “perceber o que leva a criança a sair, tentando oferecer-lhe alternativas atrativas”.

 

 

 

Alunos vão ter de dizer no início do ano se querem alimentação vegetariana

Junho 12, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 31 de maio de 2017.

A medida tornou-se obrigatória por iniciativa do partido PAN e abrange todas as cantinas públicas e refeitórios do Estado.

PÚBLICO e Lusa

Os alunos que pretendam refeições vegetarianas devem informar a escola no início do ano lectivo, disse à Lusa fonte do Ministério da Educação, na véspera de entrar em vigor a legislação que impõe esta oferta nas cantinas públicas.

De acordo com a mesma fonte, o procedimento contratual de prestação de serviço com as empresas que fornecem os refeitórios escolares, para o próximo ano lectivo, já incluirá a disponibilização de refeições vegetarianas a quem as solicitar no início do ano. “Teremos de aguardar o arranque do ano lectivo para perceber a procura que estas refeições terão entre os alunos”, acrescentou a fonte.

A medida tornou-se obrigatória por iniciativa do partido PAN e abrange todas as cantinas públicas e refeitórios do Estado. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou em Março o diploma do Parlamento que obriga a esta mudança.

Para o presidente da Associação Nacional dos Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, trata-se de uma boa medida: “Tudo o que é saudável, a escola deve apoiar”. Acredita, porém, que a procura deve ser “muito residual”, pelo menos no início, uma vez que não é comum haver pedidos para alimentação vegetariana nas escolas. “No agrupamento que dirijo [Vila Nova de Gaia], com mais de 2000 alunos, nunca tive nenhum pedido”, exemplificou.

As escolas, especialmente as que servem refeições confeccionadas no local, estão neste momento a preparar-se para servir os alunos que escolherem esta opção. “Estou a dar formação à minha cozinheira, temos seis meses para nos adaptar”, referiu, acrescentando que, nos casos em que as refeições são concessionadas a empresas, a opção vegetariana tem de constar nos cadernos de encargos.

Nutricionistas com reservas

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas tem, contudo, reservas em relação à aplicação da obrigatoriedade desta opção nas ementas das cantinas e refeitórios públicos, por não estar expresso que são estes profissionais a orientar a sua elaboração. “Reconheço os benefícios da medida, mas não posso esconder uma nota de preocupação em relação à forma como a medida vai ser aplicada”, disse Alexandra Bento.

“Os únicos técnicos responsáveis e com capacidade de garantir o equilíbrio nutricional são os nutricionistas, mas isso não ficou expresso na lei, apesar de termos chamado a atenção para este facto quando fomos ouvidos na Assembleia da República aquando da preparação da legislação”, disse, defendendo também que “obter uma opção vegetariana equilibrada não é fácil”.

O Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) elaborou um conjunto de orientações técnicas para a produção e implementação de refeições vegetarianas, nomeadamente um manual com linhas orientadoras para a adopção de um padrão alimentar vegetariano, tendo por base o melhor conhecimento científico disponível e utilizando produtos vegetais de origem nacional, sazonais e enquadrados na tradição culinária portuguesa.

Foi igualmente elaborado, e está disponível no site da Direcção-Geral da Saúde (DGS), um manual para quem trabalha no sector da educação escolar e à população em geral, além de receitas vegetarianas que podem ser consultadas no blogue do PNPAS. A bastonária considera esta iniciativa positiva e classifica-a de “instrumentos importantes”, mas acha que não é com a produção destes documentos que se garante a responsabilização de quem não assegura o equilíbrio nutricional de uma dieta vegetariana. Já o director do PNPAS, Pedro Graça, sublinha que esta iniciativa é uma ajuda na implementação da medida nas cantinas.

Na base deste diploma estiveram iniciativas legislativas do PAN, do Bloco de Esquerda e do Partido Ecologista “Os Verdes”. Segundo o deputado do PAN, André Silva, muitas crianças e jovens eram discriminados nas escolas pelos colegas por comerem comida diferente que levavam de casa.

O projecto de lei a defender a inclusão de um menu vegetariano nas cantinas e refeitórios das escolas, universidades, prisões e hospitais públicos foi apresentado há um ano pelo PAN, tendo sido seguido por propostas do Bloco de Esquerda (BE) e do Partido Ecologista os Verdes (PEV). O diploma foi publicado em Diário da República em Abril para entrar em vigor em Junho.

 

 

 

 

Sopa e peixe? Crianças consomem, adolescentes nem tanto

Outubro 10, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 22 de setembro de 2016.

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Um relatório do projeto “Almoço Virtual” mostra que mais de metade dos alunos dos seis aos 14 anos leva sopa nos tabuleiros, mas que a percentagem desce quando vão ficando mais velhos.

Novo relatório do projeto “Almoço Virtual” mostra que, à medida que envelhecem, as escolhas alimentares dos estudantes mudam e passam a consumir menos peixe e menos sopa.

O projeto “Almoço Virtual”, com a parceria da Direção-Geral da Saúde, monitorizou as escolhas alimentares em mais de 14.g00 crianças e adolescentes que frequentam escolas da Grande Lisboa durante o ano letivo 2015-2016. A análise mostra que maior parte dos estudantes analisados dava preferência a produtos excessivamente calóricos.

O estudo mostra que em mais de metade (57,5%) dos alunos entre os seis e os 14 anos levavam sopa nos tabuleiros. Na faixa etária seguinte, entre os 15 e os 18 anos, apenas 44% dos alunos escolhia levar sopa. No peixe, a frequência era maior nos alunos mais novos (23% escolheram peixe) do que nos mais velhos (21%).

Nos tabuleiros dos alunos mais velhos existe, por norma, mais carne e refrigerantes do que nos dos mais novos.

Na constituição da sua refeição, os adolescentes escolhem menos vezes sopa, peixe, água, legumes e fruta e mais vezes carne, cola e doces do que as crianças e do que os adultos, o que contribui para o facto de os adolescentes apresentarem um excesso calórico (67%) superior ao das crianças (62,6%).

João Martins, um dos responsáveis por este estudo, afirmou ao JN – na sua edição impressa – que os resultados “podem querer dizer que os mais novos ainda agem sob influência do que aprendem”.

O projeto “Almoço Virtual” promove a “informação e o espírito crítico das crianças e adolescentes” e pretende que estes façam escolhas alimentares saudáveis.

Depois do estudo, maior parte dos inquiridos revelaram querer mudar os hábitos alimentares, como se pode ver pelo gráfico abaixo.

A iniciativa do Almoço Virtual desenrola-se através da simulação de um self-service, disposto num autocarro, em que os inquiridos são convidados a escolher réplicas de silicone de alimentos comuns. O autocarro do Almoço Virtual vai rumar, durante o ano letivo 2016/2017, pelo Porto, Coimbra, Évora e Beja.

 

Nesta escola de Lisboa, só se serve comida saudável

Outubro 11, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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artigo do Observador de 24 de setembro de 2015.

Sean Gallup Getty Images

Marlene Carriço

A Câmara de Lisboa desafiou o chef Nuno Queiroz Ribeiro a cozinhar comida saudável numa escola. O Observador falou com o mestre da cozinha, percebeu o que por lá se come e sacou dicas para os pais.

Pescada fresca, em cama de molho de tomate com coentros frescos e puré de couve flor e batata. Isto depois de um creme de aipo, de entrada, e antes de um kiwi, de sobremesa. Parece refeição de restaurante, mas estamos mesmo numa escola pública. Na nova Escola Básica do Convento do Desagravo, em Lisboa, as quase 400 crianças do jardim de infância e do primeiro ciclo têm um chef a cozinhar para elas e as refeições são todas saudáveis. Ontem,  quarta-feira, foi dia de peixe.

“Temos três meses de receitas já preparados, o que significa que só ao fim desse tempo as crianças voltam a comer o mesmo prato. Durante a semana há dois pratos de carne, dois de peixe e um vegetariano. E há zero fritos nas ementas. Não temos óleo encomendado para o ano inteiro. A fritadeira que já cá estava quando chegámos continua nova e assim continuará”, resumiu ao Observador o chef Nuno Queiroz Ribeiro, que decidiu abraçar este projeto pioneiro proposto pela Câmara Municipal de Lisboa.

almoço

Muito crítico da forma como os portugueses se alimentam e das técnicas de cozinha antiquadas que são utilizadas, Nuno Queiroz Ribeiro defende a reinvenção da comida portuguesa e abomina os fritos e o açúcar, que considera ser a maior epidemia do mundo.

“Um terço das crianças em Portugal tem excesso de peso, das quais 13,9% são obesas. O que eu pergunto aos pais é se é assim que gostam dos vossos filhos? Dar tudo o que eles querem não é uma forma de amar. Para além dos problemas de saúde que resultam daí, a concentração deles não existe porque estão sempre a pensar no que vão comer e por isso o aproveitamento escolar baixa”, avisa o cozinheiro

E revolucionando aquela que é a prática nas escolas públicas, nesta nova escola da capital, há muitos alimentos proibidos. “Não há iogurtes de aromas pois por cada 125g de iogurte de aromas, cerca de metade é açúcar, tal como o leite achocolatado, e só comem um doce de 15 em 15 dias”, avisa o chef. E quais são as alternativas? “Todos os dias comem fruta ou batidos e só temos iogurtes naturais aos quais podemos juntar compotas caseiras de pêra ou maçã.”

Assim, ao pequeno almoço, as crianças comem um pão integral ou de centeio com queijo magro ou fiambre de frango ou perú, sem manteiga. Acompanham com um batido, uma peça de fruta ou um iogurte natural com ou sem compota. Ao lanche, a mesma coisa.

A esperança do chef Nuno Queiroz Ribeiro, formado na mais antiga escola de cozinha do mundo (Cordon Blue, em Londres), é que este projeto pioneiro seja assumido pelo Governo e se avance com um “projeto escolar” de alimentação saudável a nível nacional, do género do que foi desenvolvido no Reino Unido, com a ajuda do chef Jamie Oliver.

Mas não chega. É preciso que haja o “envolvimento da comunidade, dos pais”. Nesta escola foi dito aos pais para não enviarem os lanches que habitualmente enviavam, carregados de açúcar.

Truques para pôr as crianças a comer bem

Tudo muito bem. Mas por esta altura estará a questionar-se sobre a forma como vai pôr o seu filho a comer essas comidas mais saudáveis e tirar-lhe os refrigerantes e os doces que ele tanto gosta e tanto come.

“Não se bate de frente com nenhuma criança. Vai-se à volta”, começou por dizer o chef Nuno Queiroz Ribeiro. Pode explicar melhor?

Quer introduzir o espinafre na alimentação da criança? Pode começar por fazer béchamel verde e assim ela vai-se habituando ao sabor. Depois poderá passar para um hambúrguer onde mistura a carne picada com espinafres partidos em pedaços pequenos. E por aí em diante.” Para introduzir peixe na alimentação pode-se fazer, por exemplo, almôndegas ou hambúrgueres de peixe.

Há também várias maneiras de pôr a criança a comer fruta, se ela rejeitar comê-la inteira e com casca (de preferência): fazer batidos ou compotas caseiras. Como? Para o batido pode escolher fruta da época, uma ou duas bolachas maria e leite de arroz. Para a compota pode cozer maçãs ou pêras e triturar tudo até ficar com a textura de uma compota ou papa. Sem qualquer adição de açúcar. Deixe de comprar os boiões de fruta já preparados.

E como se faz para retirar certos alimentos da dieta diária das crianças, como os doces, os fritos e os refrigerantes? “Vai-se tirando.”

Outra das estratégias que pode utilizar para que tudo corra bem na hora da refeição é “envolver a criança no processo” da confeção. “Ela vai ter gosto em comer aquilo que esteve a ajudar a fazer”, explica Nuno Queiroz Ribeiro, acrescentando que outra dica é “brincar ao máximo com a comida, fazer com que a refeição seja uma coisa divertida”. E isso pode ser alcançado, brincando com a comida no prato, criando formas e figuras e introduzindo cores (purés de cenoura, ou bróculos, por exemplo, ligados com um pouco de natas de soja).

Como cozinhar bem sem ser um “chef”?

A verdade é que se “reinventar” pode ser fácil para os chefs, para o comum cozinheiro das horas livres pode tornar-se um bicho de sete cabeças. Falta de jeito, de conhecimento e de tempo tornam a tarefa de cozinhar, muitas vezes, aborrecida, stressante ou mesmo impraticável. Resultado? As refeições repetem-se a cada dia e, normalmente, são muito calóricas e desequilibradas.

Mas a verdade é que para fazer refeições mais saudáveis não precisa de ser um mestre da culinária, embora requeira tempo. O chef Nuno Queiroz Ribeiro sugere, logo para começar, que se evitem os fritos, os refrigerantes, as bolachas, os bolos, as natas e outros molhos de compra, comidas já pré-cozinhadas, as batatas fritas e outros aperitivos. Se tem crianças pequenas, risque também da lista do supermercado, por exemplo, aquelas refeições já preparadas que se vendem em boiões, sejam eles de fruta ou carne ou peixe e vegetais.

E como tornar uma refeição calórica numa outra mais saudável? Nuno Queiroz Ribeiro exemplifica com os croquetes: “Em vez de os fritar mergulhados em óleo como é habitual, pincele-os com um bocadinho de gordura, neste caso azeite, e coloque no forno a 250.º, durante 12 minutos”. E o mesmo se aplica a rissóis, chamuças e outros do género.

Outra dica passa por cozinhar logo à segunda-feira ou ao domingo, massa e arroz para a semana inteira. Sem temperos. Depois ao longo da semana “podemos saltear com molho pesto, de tomate, leite de coco, espinafres, nozes ou outros frutos secos”, por exemplo. E assim se vai conseguindo ter sempre pratos variados, saudáveis e em menos tempo.

Ter sopa em casa é também fundamental e ajuda a criar refeições mais equilibradas. De resto, pense sempre que o ideal é criar um equilíbrio entre pratos de carne e de peixe.

Não faltam sítios onde pode encontrar receitas saudáveis e algumas até a pensar nos mais pequenos aí de casa. A Direção-Geral da Saúde, no site da Plataforma Contra a Obesidade, dá várias dicas de receitas que permitem preparar refeições equilibradas. Deixamos-lhe aqui uma a pensar nos miúdos…mas que muitos graúdos vão querer provar.

salmão

Hambúrguer de salmão

Ingredientes:

4 filetes de salmão; 4 pães para hambúrguer; 1\2 cebola; 1 raminho de salsa picada; 1 gema de ovo muito fresca; 1\2 limão; 4 folhas de alface; 12 tomates cereja; 1 iogurte natural; sal q.b; 2 colheres (sopa) de azeite

Modo de preparação

Corte o salmão em pedaços, já descongelado e coloque-os na picadora. Pique-os ligeiramente, sem ficar em pasta. Depois, retire-os para uma tigela, junte a salsa picada, a gema, a cebola picada muito fina e o sumo de limão. Tempere com uma pitada de sal e misture bem. Molde 4 hambúrgueres, leve ao lume uma frigideira com o azeite e deixe aquecer. Junte os hambúrgueres e deixe cozinhar até ficarem douradinhos de ambos os lados. Lave a alface e seque-a. Lave os tomates e corte-os em rodelas. Corte o pão ao meio e ponha, em cima de cada metade de pão, a alface e o tomate. Regue com um pouco de iogurte e coloque em cima o hambúrguer de salmão. Pode juntar um pouco mais de iogurte e cobrir com a outra metade do pão.

Sugestão: O hambúrguer pode também ser servido no prato, acompanhado com massa e brócolos salteados.

 

 

 

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