Escolas preparam alunos para um “mundo que já não existe”

Junho 21, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 4 de junho de 2019.

Deixa de importar aquilo que sabemos e passa a importar o que “fazemos com a informação que temos”. O conhecimento está “à distância de um telemóvel” e a escola tem de adaptar-se à nova realidade.

O futuro das crianças que se iniciam agora na escola é uma incógnita mas, mesmo assim, continuam a ser ensinadas através de “um programa curricular pensado há muitos anos”, criticou Rod Allen, mentor e co-autor de uma profunda reforma curricular no Canadá, que esta terça-feira esteve no Encontro Nacional de Autonomia e Flexibilidade Curricular, a decorrer na Figueira da Foz.

A mudança no Canadá surgiu quando se aperceberam que estavam “a preparar os alunos para um mundo que já não existia”, recordou o ex-vice-ministro adjunto da província canadiana da Colúmbia Britânica.

“Hoje, se queremos saber alguma coisa temos os telemóveis que sabem muito mais do que nós”, ironizou, explicando que do outro lado do Atlântico decidiram mudar o enfoque: “Já não é importante o que sabemos, mas sim o que fazemos com o que sabemos”.

Deixou de fazer sentido a ideia de que a escola servia para debitar informação que era memorizada até ao dia do exame e rapidamente esquecida para decorar outra matéria. O foco transferiu-se do “saber” para o “perceber”.

“Não estamos formatados para aprender em fábricas”, defendeu Rod Allen, explicando que quando um professor ensina apontando para a média da sala de aula acaba por “perder metade da turma”.

A diversidade de estudantes obriga a um ensino que permita aos alunos “explorar paixões e vontades” numa escola onde a relação entre professores e estudantes mudou, afirmou.

“Temos professores excelentes que fazem magia na sala de aula”, disse o especialista, explicando que na sua província já não há hierarquia entre docentes e alunos: “São todos iguais, são todos aprendizes, só que uns são mais velhos do que outros”.

Para o sucesso do novo programa, envolveram os alunos e deixaram que participassem na sua própria aprendizagem, à semelhança do que aconteceu este ano em Portugal.

A escola passou a preocupar-se em ensinar a trabalhar em equipa, dar ferramentas para que os alunos tivessem capacidade de resistência ou conseguirem resolver um problema, exemplificou Rod Allen.

A aparência da escola também mudou. Houve quem tirasse as secretárias das salas de aula, quem permitisse aos alunos aprender em todos os espaços da escola ou optasse por sair para fora dos muros do recinto escolar para aprender.

“Pode parecer o caos, mas é desafiante”, explicou, acrescentando que também os manuais escolares deixaram de ser a peça chave da sala de aula.

A ideia é “alterar as escolas para que deixem de ser fábricas, mas sim sítios de aprendizagem”, lembrou o especialista que acredita que “todos os alunos podem aprender” e “ninguém é deixado para trás”.

Esta ideia também foi defendida pela secretária de estado adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, que hoje apontou o programa de autonomia e flexibilidade curricular como uma das medidas do Governo que veio permitir uma “escola mais inclusiva”, mas também “mais exigente”.

O programa de flexibilidade garante que a “escola não deixa ninguém para trás”, acrescentou Alexandra Leitão, sublinhando a confiança nas escolas e a “capacidade e motivação dos professores” que tornaram realidade o primeiro ano de aplicação do programa de autonomia e flexibilidade curricular em todas as escolas.

Quando o novo programa curricular foi posto em prática no Canadá “houve muita gente preocupada”, mas “os resultados dos alunos melhoraram”, garantiu Rod Allen.

Por cá, também há quem se mostre receoso em relação às aprendizagens, mas o grupo de alunos que hoje esteve na conferência na Figueira da Foz garante que aprende mais agora e diz preferir esta “nova escola”, com mais liberdade, mas também mais responsabilidade.

 

Portugal não reduziu excesso de peso e obesidade entre adolescentes

Março 24, 2015 às 2:09 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 24 de março de 2015.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Trends in young people’s health and social determinants

Nuno Ferreira Santos

Andreia Sanches

Estudo internacional passa em revista dados de 2002, 2006 e 2010 e traça tendências. Investigadora do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo diz que a meta de travar epidemia da obesidade foi alcançada. Agora falta reduzir a prevalência.

Os adolescentes estão em geral “mais saudáveis” do que há uma década, conclui o estudo Tendências na saúde dos jovens e determinantes sociais publicado nesta terça-feira no The European Journal of Public Health, com base em dados recolhidos em vários países da Europa e América do Norte. Mas há um aspecto que causa preocupação: o número dos que sofrem de excesso de peso e obesidade não está a diminuir. Portugal faz parte do grupo dos que há anos se destacam pela negativa.

Em 2002, 19% dos rapazes adolescentes portugueses apresentavam excesso de peso ou obesidade. Em 2010, eram 21,34%. Em 25 países analisados, ao longo de oito anos, Portugal esteve sempre no grupo dos seis onde o problema mais se faz sentir entre os jovens. Nas raparigas, as taxas oscilaram entre os 13,54% e os 15,87% (respectivamente em 2002 e 2010). Mais, só nos Estados Unidos.

O trabalho publicado no The European Journal of Public Health passa em revista os dados obtidos no âmbito do Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) — um grande levantamento dos comportamentos e estilos de vida dos adolescentes que é publicado de quatro em quatro anos em colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS). O último inquérito HBSC foi feito em 2014 em 43 países e abrangeu em Portugal 6026 jovens com uma média de idades de 14 anos. Os dados nacionais já antecipados, em Dezembro, mostraram que o peso dos adolescentes portugueses com excesso de peso ou obesidade se mantinha idêntico ao que havia sido registado no inquérito de quatro anos antes (15,2% com excesso de peso, 3% obesos). Mas estes dados de 2014 não estão ainda reflectidos na análise publicada nesta terça feira.

O trabalho hoje publicado é constituído por um conjunto de 21 artigos de investigadores de vários países que analisaram os inquéritos do HBSC de 2002, 2006 e 2010. O projecto foi coordenado pela Universidade de St. Andrews, na Escócia, em colaboração com a OMS. O objectivo é aproveitar o manancial de informação que foi sendo apurada nos diferentes inquéritos quadrianuais e traçar tendências.

Um dos artigos aborda a prevalência do excesso de peso e da obesidade em 25 países europeus, mais Canadá e Estados Unidos. Sem surpresas, os Estados Unidos ocupam sistematicamente o topo da tabela. A Ucrânia é o país onde o problema tem tido menor dimensão ao longo do período em análise. Em 13 países, o excesso de peso e a obesidade ganharam terreno entre os rapazes, de forma que os peritos consideram significativa. O mesmo aconteceu entre as raparigas, em 12 países. É no leste europeu — caso da Croácia, da República Checa, da Estónia, ou da Rússia, por exemplo — que a situação mais se tem agravado.

Em Portugal, os dados apontam para uma estabilização, segundo os peritos. Mas por que razão o problema se mantém praticamente inalterado? Contactada pelo PÚBLICO Ana Rito, investigadora do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e coordenadora do programa MUN-SI (Programa de Promoção de Saúde Infantil em Municípios), diz que não se trata de uma derrota: “Portugal travou o carácter epidemiológico da obesidade, tal como foi estabelecido na conferência europeia de Istambul, na Carta Europeia de Luta contra a Obesidade [em 2006]. Não houve aumento. Agora, as taxas mantêm-se elevadas.”

Apesar de não conhecer a análise agora publicada, Ana Rito diz que a tendência traçada vai no mesmo sentido da observada para crianças mais pequenas — através do COSI (sistema de Vigilância Nutricional Infantil), que avalia crianças entre os seis e os nove anos. “É preciso perceber os factores de risco e prevenir, para que não haja mais crianças e adolescentes com esta doença, e tratar as que têm esta doença.” E isso passa “por um estilo de vida saudável”.

As crianças e jovens portugueses até apresentam alguns aspectos a seu favor, como um consumo maior do que noutros países de hortofrutículas, explica a investigadora. “Mas quando se comparam os níveis de actividade física com os que se observam, por exemplo, no Norte da Europa não há comparação possível” e Portugal sai a perder. Os hábitos das raparigas e dos rapazes portugueses são bem mais sedentários.

Não se trata apenas de actividades formais de exercício: “Por exemplo, os pais portugueses não sentem que o caminho de casa para a escola seja seguro, por isso os meninos não vão a pé”, diz, citando dados recolhidos no âmbito do COSI.

As famílias também se queixam de falta de tempo, o que prejudicará as refeições que preparam para as crianças. “Há uma enorme necessidade de acompanhar as famílias”, diz, o que é, de resto, um dos objectivos do MUN-SI. “O excesso de peso e a obesidade continuam a ser um sério problema de saúde pública”, remata.

Impacto da crise

Os 21 artigos que constam da mais recente edição do European Journal of Public Health passam em revista vários outros aspectos relacionados com a saúde dos adolescentes avaliados pelo HBSC — desde o consumo de substâncias, como álcool, drogas e tabaco, à “satisfação com a vida” reportada pelos jovens.

Concluem os peritos que os adolescentes ficaram, em geral, nos últimos anos, “mais felizes e saudáveis” o que até “é surpreendente tendo em conta que muitos países enfrentaram graves crises económicas na última década”.

A tendência global é para um aumento do consumo de fruta e vegetais, para um aumento da actividade física, para um aumento do usos de preservativos, exemplifica-se, num comunicado síntese da Universidade de St. Andrews. Tudo isto se deverá às políticas de saúde pública levadas a cabo em vários países e também à mudança dos valores — até das modas, admite-se.

Infelizmente, os dados já conhecidos para Portugal relativos a 2014, do HBSC, e ainda não reflectidos nesta análise, mostram que em alguns aspectos os jovens até podem estar mais saudáveis mas já não “mais felizes”, diz Margarida Gaspar de Matos, coordenadora em Portugal do HBSC.

Em declarações por email, a investigadora da Faculdade de Motricidade Humana, da Universidade de Lisboa, diz que o trabalho sobre as tendências ao nível da saúde dos adolescentes agora divulgado é “muito importante” (a própria é co-autora de vários dos artigos) mas, “em alguns países, como Portugal, foi comprometido pela recessão”, ficou, de algum modo, ultrapassado. “Pelo menos na percepção de felicidade e bem-estar e da saúde mental as coisas pioraram pela primeira vez desde 2002”, em Portugal.

Recorde-se algumas das conclusões divulgadas em Dezembro: quase 30% dos adolescentes portugueses disseram  que se sentiam deprimidos mais do que uma vez por semana. Eram 13% em 2010. Perto de um em cada quatro disse sentir medo frequentemente. Três vezes mais do que quatro anos antes. E um em cada cinco alunos do 8.º e 10.º anos magoou-se a si próprio nos 12 meses anteriores ao inquérito, de propósito, sobretudo cortando-se nos braços, nas pernas, na barriga… Um aumento de quase cinco pontos percentuais. Ter dores de cabeça mais do que uma vez por semana é algo que faz parte da vida de 36% dos adolescentes quando, em 2010, era relatado por apenas 13,5%.

 

 

Missing Kids Stamps

Junho 5, 2013 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do site The Inspiration Room de 25 de Maio de 2013.

Mais texto e imagens Aqui

The Missing Children’s Network (Enfant-Retour Québec) is using  customisable postage stamps to raise awareness and drive action on
behalf of the children who go missing in Canada each year. An interactive site, MissingKidsStamps.ca, provides profiles of missing children and provides an interface with Canada Post’s customisable postage stamp order service. While on the site, visitors can learn more about some of the children being featured.Visitors to the site can download an insert to be used as an e-signature, allowing visitors to add Missing Kids Stamps to their e-mails and other e-correspondence.

canada kids tommy

 

Child well-being in rich countries : a comparative overview Innocenti Report Card 11 Unicef

Abril 11, 2013 às 10:00 am | Publicado em Divulgação, Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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State of children in rich countries

Report Card 11: Child well-being in rich countries, from UNICEF’s Office of Research, examines the state of children across the ‘rich’ world. As debates continue to generate strongly opposed views on the pros and cons of austerity measures and social spending cuts, Report Card 11 charts the achievements of 29 of the world’s advanced economies in ensuring the well-being of their children during the first decade of this century.

This international comparison, says the report, proves that child poverty in these countries is not inevitable, but policy susceptible – and that some countries are doing much better than others at protecting their most vulnerable children.

Canadá chora Amanda, 15 anos, que não resistiu a três anos de ciberbullying

Outubro 19, 2012 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 18 de Outubro de 2012.

Vídeo Amanda Todd’s Story: Struggling, Bullying, Suicide, Self Harm 

Por Romana Borja-Santos

“Ainda estou aqui não estou?” A pergunta foi feita por Amanda Todd há menos de um mês e a resposta agora é não. Uma fotografia roubada aos 12 anos a esta adolescente canadiana tirou-lhe a vida aos 15. Amanda foi vítima de ciberbullying durante três anos por ter mostrado o peito a um desconhecido na Internet. Fez um vídeo a pedir ajuda que foi publicado há um mês no Youtube. A solidariedade acabou por chegar já apenas como homenagem: antes disso, ela suicidou-se.

Amanda foi encontrada enforcada no seu quarto no dia 10 de Outubro. Mudou de casa, de cidade, de escola, de amigos. Repetidas vezes. A história está a desencadear grandes movimentos de apoio no Canadá e debates sobre ciberbullying no Parlamento do país e nas redes sociais.

Foi um dos tópicos mais comentados nos últimos dias na rede social Twitter e foram criadas páginas de apoio no Facebook, uma das quais conta com quase 600 mil aderentes.

O caso de Amanda é contado na primeira pessoa, no vídeo que divulgou no Youtube a 9 de Setembro.

O vídeo tem agora mais de quatro milhões de visualizações. Nele, Amanda não diz uma única palavra. Fica apenas diante da câmara e durante mais de oito minutos vai passando um conjunto de papéis escritos à mão com os quais conta os incidentes que mudaram a sua vida e onde diz que precisa de alguém que quebre a solidão.

Na mensagem de apresentação do vídeo Amanda diz que está a “lutar para continuar neste mundo” e que não faz a gravação para ter atenção mas para ser uma inspiração e prova de que pode ser forte. Conta também que se magoou propositadamente, pois prefere magoar-se a si do que a qualquer outra pessoa.

O bullying traduz-se por actos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos com o objectivo de intimidar ou agredir outra pessoa ou um grupo incapaz de se defender. Neste caso, Amanda Todd tinha apenas 12 anos quando começou a falar com um desconhecido na Internet, pensando tratar-se de um rapaz da mesma idade. Este pediu-lhe que mostrasse o peito e Amanda deixou-se levar. Do lado de lá, o desconhecido aproveitou e captou uma imagem que depois utilizou para destruir a vida da jovem canadiana.

“Nunca poderei recuperar esta fotografia”

As primeiras ameaças chegaram cerca de um ano depois do episódio, com o homem anónimo a dizer-lhe que ou voltava a despir-se ou a fotografia iria chegar a toda a família e amigos. Amanda não cedeu. Mas a ameaça concretizou-se e a fotografia foi publicada na Internet. Eram 4h quando a polícia bateu à porta da casa da jovem para falar com os pais. A partir daí foi recebida na escola com insultos. “Perdi todos os meus amigos e o respeito de todas as pessoas”, lê-se num dos papéis de Amanda, que conta que passou a sofrer de ansiedade, depressão e ataques de pânico, que mesmo com tratamento persistiam. E acrescenta: “Nunca poderei recuperar esta fotografia. Esta aí para sempre”.

Amanda mudou de escola, de cidade. E novamente de escola e de cidade. Mas o agressor conseguia sempre descobrir as novas informações e criava perfis falsos no Facebook com a fotografia de Amanda nua, tornava-se amigo de pessoas da nova escola nesta rede social e divulgava a temida fotografia ainda antes de a jovem ter as primeiras aulas. A rapariga não aguentou e começou a procurar solução junto de drogas e de álcool. Mutilava-se cortando os braços e fechava-se em casa. “Só queria morrer” e “sentia-me uma anedota, ninguém no mundo merece isto”, diz no vídeo.

Da violência psicológica… à física

Numa altura conheceu um rapaz e recuperou algum ânimo. Envolveu-se sexualmente com ele, para depois descobrir que este tinha namorada. E o bullying passou para a porta da escola, onde a esperaram 50 amigos do casal que a acusaram de roubar o namorado das outras e que a agrediram fisicamente. Chegou a casa e bebeu lixívia para se tentar matar: “Matou-me por dentro e acreditava que ia morrer. Mas chegou a ambulância, levaram-me para o hospital e fizeram-me uma lavagem ao estômago”. O episódio ainda foi motivo de chacota, com colegas nas redes sociais a aconselharem marcas mais fortes de lixívia.O caso de Amanda e o debate do tema chegou mesmo ao Parlamento canadiano estando em cima da mesa a possibilidade de criminalizar este tipo de comportamento através da Internet – que já foi incluído no Estatuto do Aluno em Portugal. Foi criado um fundo em nome da adolescente e o dinheiro será utilizado para combater este crime. Uma investigação policial também permitiu deter 21 pessoas, adianta o El Mundo e o grupo de hackers Anonymous divulgou a identidade do alegado agressor: um homem de 32 anos que frequentava fóruns destinados a adolescentes mas que a polícia já ilibou de qualquer suspeita.

A mãe de Amanda, Carol Todd, numa entrevista ao jornal Vancouver Sun, reconheceu que a filha sempre foi uma criança que precisou de atenção, mas garantiu que foi apenas após o episódio que começou a ter problemas psicológicos. Quanto ao futuro, a também professora diz esperar que o vídeo e a história da adolescente sirvam para ajudar os outros: “Eu perdi uma filha, mas quem sabe a sua história sirva para salvar outras 1000”.

Amanda deixou um vídeo à mãe, que esta ainda não teve coragem de ver. Nele espera encontrar mais alguma explicação, mas quer sobretudo que pais, professores e amigos fiquem mais atentos ao que se passa e intervenham para evitar estes desfechos.

Menos casos em Portugal

Tito de Morais, responsável pelo projecto MiudosSegurosNa.Net, num comentário ao PÚBLICO sobre o caso de Amanda, salienta a ironia de o Canadá ser dos países onde o tema é mais trabalhado e um dos países onde nasceu o conceito.

Este especialista no aconselhamento sobre o tema ressalva, contudo, que “este tipo de desfechos devem ser enquadrados e que quando há suicídio normalmente o ciberbullying é mais um elemento que se vai juntar a outros tantos”. Recorda que a adolescente tinha um contexto familiar complicado e que a idade de transição em que se encontrava é das mais difíceis de gerir.

Ainda assim, para Tito de Morais o caso de Amanda é um “exemplo extremo” das consequências deste tipo de violência. Sobre a situação de Portugal, refere que casos tão limite não são comuns e que o bullying sexual tem menos expressão que outras formas de pressão. Além disso, é mais comum este tipo de violência ser feita entre pares e não entre um adulto (como se suspeita) e uma criança.

Tito de Morais insiste que legislar é importante, mas que por si só nada resolve. “É preciso educar e sensibilizar e ter uma abordagem holística do problema que passe pela prevenção”. Por isso, deixa alguns conselhos aos pais como antecipar os problemas e falar com os filhos mal têm os primeiros contactos com a Internet. “Reportar a intimidade em formatos digitais é o primeiro passo para perdermos o controlo sobre eles”, alerta.

Também Luís Fernandes, autor juntamente com Sónia Seixas do livro Plano Bullying – Como apagar o bullying da escola (Editora Plátano), que está prestes a ser lançado, destaca que o tipo de bullying de que Amanda foi alvo “é o mais perigoso de todos porque é espalhado pelas novas tecnologias de forma camuflada” e não corresponde à tipologia habitual, já que não terá acontecido entre pares.O psicólogo educacional defende “uma intervenção global” perante este problema, mas alerta que o mais comum é a vítima sofrer em silêncio, sem pais e professores se aperceberem. Perante a exposição de que Amanda foi alvo, Luís Fernandes considera que os professores e os pais deveriam ter trabalhado mais em conjunto as mudanças de escola, para prevenir a progressão do problema.

“Os sinais como a automutilação não foram entendidos pela comunidade e por isso não se evitou o desfecho. O problema do ciberbullying é a rapidez com que as coisas evoluem e a rapidez com que algo divulgado é visto”, acrescenta, dizendo, contudo, que muitas vezes até o próprio agressor não tem consciência da dimensão do que está a criar.

Pensamentos suicidas são comuns

O tema do bullying é cada vez mais referido e em 2011 um pai de uma vítima escreveu mesmo um livro sobre o assunto, no qual alerta que as crianças persistentemente maltratadas e com depressões durante um período de tempo significativo poderão experimentar pensamentos suicidas. “Proteja o seu filho do Bullying” foi editado pela Porto Editora, em parceria com a Confederação de Associações de Pais (Confap), e escrito por Allan L. Beane, pai de uma criança vítima de bullying, o que contribuiria para o stress pós-traumático de que sofreu. Este jovem acabaria por se refugiar no consumo de substâncias tóxicas, levando-o à morte.

O autor refere que, “quando uma criança é vítima de bullying, poderá ter medo de ir à escola. Poderá ficar doente no domingo à noite e enjoado na segunda-feira de manhã, só de pensar em ir para a escola e enfrentar os bullies [agressores]”. “Cada dia é um campo de minas social, podendo ocorrer vários acontecimentos desconhecidos e potencialmente perigosos, até que o dia chegue ao fim”, lê-se na obra de 240 páginas. Para o escritor, “qualquer conversa sobre suicídio deve ser levada a sério e merece atenção imediata”.

Em Portugal foi criado quase há dois anos o Portal do Bullying, que só no primeiro ano de actividade recebeu um total de 43.125 visitas, tendo a equipa de psicólogos que trabalha nesta plataforma dado 700 respostas. O portal possibilita a troca de e-mails, conversação online em tempo real e a troca de impressões e experiências num espaço de fórum. Do lado dos adolescentes o objectivo é obter esclarecimentos sobre a problemática e que diligências tomar. Já os pais querem saber mais sobre o bullying e como ajudar os filhos.

Apesar de tudo, de acordo com dados de 2010, Portugal é um dos países com menor incidência de riscos online para crianças e jovens, abaixo da média europeia (12%), diz o inquérito “Riscos e Segurança na Internet”, feito a mais de 23 mil crianças e jovens europeus entre os 9 a 16 anos e realizado pela equipa do projecto EU Kids Online.

Pais desconhecem episódios

Apenas 7% das crianças e jovens portugueses declararam que se depararam com riscos como pornografia, bullying, mensagens de cariz sexual, contacto com desconhecidos, encontros offline com contactos online, conteúdo potencialmente nocivo gerado por utilizadores e abuso de dados pessoais.

A maioria das crianças não declarou ter tido qualquer experiência perturbadora online e sente-se confortável em actividades na Internet que alguns adultos consideram arriscadas. Porém, os pais normalmente não estão conscientes de que os filhos passaram por essas situações de risco. Por exemplo, mais de metade dos pais cujas crianças já foram vítimas de bullying online não se apercebeu de que isto tinha acontecido.Em Abril deste ano, foi apresentado o inquérito “Cyberbulliyng – um diagnóstico da situação em Portugal” que abrangeu, numa primeira fase, 339 alunos dos 6.º, 8.º e 11.º anos de escolas das regiões de Lisboa e Coimbra. Segundo os primeiros dados, 15,7% dos inquiridos dizem já ter sido vítimas de ciberbullying e 9,4% admitiram ter sido agressores, usando tecnologias de informação e comunicação para agredir os colegas.

Os meios mais utilizados foram a mensagem instantânea, o SMS (através de telemóvel e Internet) e as redes sociais (com destaque para o Hi5 e Facebook). O projecto envolveu as universidades de Coimbra (UC) e Lisboa, contou com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia e abrangeu também “uma pequena amostra” de 261 alunos das faculdades de Psicologia das duas instituições.

 

 

 

OCDE: relatório Education at a Glance 2012

Outubro 1, 2012 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Sumário em Português

Country Notes : Portugal

Nas escolas de assimilação do Canadá as crianças nativas viviam num inferno

Março 6, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 26 de Fevereiro de 2012.

O relatório mencionado na notícia é o seguinte:

The Truth and Reconciliation Commission of Canada: Interim Report

 


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