Meros “observadores”? Reconhecer a violência sexual desde a escola

Maio 31, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 22 de maio de 2017.

Uma adolescente ouve um comentário obsceno de um colega por causa da mini-saia. O director de turma diz-lhe que deve ter percebido mal, ou que o colega não percebeu que ficou chateada. E talvez devesse vestir-se de forma mais discreta. Situações semelhantes a esta acontecem no quotidiano das escolas portuguesas. Alunos, professores e funcionários têm dificuldade em lidar com casos de assédio sexual em contexto escolar — e a culpa recai muitas vezes sobre as próprias vítimas.

“É preciso que a direcção da escola não coloque em igualdade de circunstância o comportamento da vítima e o do agressor”, alerta Maria José Magalhães, docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto e presidente UMAR — União de Mulheres Alternativa e Resposta. “Se alguém vai fazer queixinhas, então… Será que está a dizer a verdade? Suspeita-se das vítimas e das pessoas que vão apresentar a situação que viram. É uma cultura que temos que mudar.”

Maria José Magalhães lidera o Bystanders: desenvolver respostas ao assédio sexual, um projecto europeu que procura caminhos para aumentar a consciência e trabalhar as possíveis respostas a estes casos nas escolas. O Bystanders (“observadores”, em tradução livre) foca-se no assédio sexual — a atenção sexual indesejada, física ou verbal, online ou offline — em contexto escolar. “Quando um jovem vê uma colega a ser vítima de assédio, tem primeiro que saber identificar que é assédio, saber que é violência. Depois, se é uma situação em que pode intervir, [fazê-lo] tendo em conta a segurança da vítima e a sua própria segurança”, descreve Maria José Magalhães.

Os jovens têm dificuldade em identificar este tipo de violência? “Sim e não”, refere Tatiana Mendes, técnica da UMAR no projecto Art’hemis+, que actua em cerca de 25 escolas de Braga, Porto, Coimbra e Lisboa. “Apesar de reconhecerem as situações de assédio sexual, as raparigas, que vivem isto de forma rotineira e desde cedo, também as naturalizam”, explica ao PÚBLICO.

O problema, lamenta, é que “não há um reconhecimento social desta violência”. “Compreende-se que as mulheres não denunciem, porque isso implica por vezes consequências muito piores para elas do que se mantiverem a situação em segredo”, prossegue.

O projecto Art’hemis trabalha há mais de dois anos com comunidades escolares, do jardim de infância ao ensino secundário, para prevenir a violência de género. “O processo de socialização vai acontecendo desde cedo, com modelos diferentes associados a homens e mulheres, por exemplo, de agressividade e submissão. Daí ser importante actuarmos o mais precocemente possível.”

 

 

 

Cyberbullying: ameaças fazem-se cada vez mais pela Internet

Novembro 20, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da TVI 24 de 19 de novembro de 2014.

A tese de doutoramento citada na notícia pode ser consultada no link:

Bullying nas escolas: prevenção e intervenção

«É uma nova forma de violência que amplia as consequências do bullying tradicional», como revela uma investigação da Universidade de Aveiro

Por: Redação / CF

Um trabalho de investigação da universidade de Aveiro (UA), divulgado esta quarta-feira, conclui que crescem as ameaças através da Internet entre colegas de escola, para evitarem sanções disciplinares, num fenómeno em expansão, o chamado cyberbullying. «Este é um problema que diz respeito a toda a sociedade e não apenas às escolas», aponta José Ilídio Sá, autor da tese de doutoramento «Bullying nas Escolas: Prevenção e Intervenção», realizada no Departamento de Educação da UA, que durante um ano letivo estudou o comportamento de alunos de uma escola secundária de Espinho. «O ‘cyberbullying’ traduz inquestionavelmente uma forma mais complexa de ‘bullying’. Em muitos casos, surge como a continuação do ‘bullying’ presencial, mas noutras situações desponta como o «espaço predileto do agressor», explica o investigador. O anonimato ou a falsa identidade do ofensor, a enorme quantidade de observadores presentes, a velocidade “viral” de propagação das ofensas, agressões e humilhações, são fatores que levam os agressores a fazer essa escolha. Para a executar, dispõem hoje de variados meios ao seu dispor, como smartphones com câmara fotográficas e de vídeo, tablets, numerosos postos com computadores disponíveis e facilidade de acesso à Internet. «É uma nova forma de violência que amplia as consequências do ‘bullying’ tradicional. A difusão de ameaças, difamações e violência psicológica através da Internet é um meio cada vez mais utilizado pelos jovens para ofender terceiros», retrata. Segundo dados da investigação realizada numa escola secundária com o 3.º ciclo do Ensino Básico, que envolveu o estudo de duas turmas ‒ uma do 7.º e outra do 10.º ano, 31% dos alunos admitiu conhecer um colega que já foi “gozado ou ameaçado na Internet” e 13% dos estudantes do 10º ano já foram ameaçados, pelo menos numa ocasião, no ciberespaço, sendo essa percentagem mais significativa (19%) no caso dos jovens dos Cursos Profissionais. Outro «dado preocupante», apontado pelo estudo de José Ilídio Sá, diz respeito ao número significativo de jovens que admite desconhecer a identidade do seu agressor e que revelou não ter reportado a agressão de que foi alvo. A pesquisa permitiu apurar, na ótica dos agredidos, que perto de 45% dos jovens vítimas de agressão admitiu não ter reportado o sucedido a uma terceira pessoa tendo, por isso, «sofrido em silêncio de modo presumivelmente continuado e prolongado». Os que optaram pela denúncia fizeram-no a um colega (42,6%) ou a um familiar (29,7% dos casos, sendo que 23,8% aos respetivos pais e 5,9% aos irmãos). «Note-se que apenas uma percentagem muito residual de jovens (13%) mencionou ter participado essa agressão a um adulto da escola», diz. No caso concreto do ‘bullying’ eletrónico, «a fronteira entre o espaço escolar e o exterior torna-se quase impossível de delimitar» e por isso, «a responsabilização do agressor, quer seja na vertente disciplinar ou na criminal, torna-se assim muito difícil de comprovar». As famílias podem ter uma intervenção decisiva neste tipo de casos, «uma vez que um número significativo de situações de ciberagressão tem como palco o espaço do domicílio», para a vítima ou para o agressor. «O papel das famílias assume particular relevância, designadamente no que diz respeito à vigilância e à monitorização dos padrões de uso e de consumo da Internet por parte dos jovens, e à definição de regras por parte dos pais», afirma. Aconselham-se por isso os pais a estarem atentos e a definirem os tempos de utilização e dos conteúdos e a localização dos equipamentos, procurando inverter a «cultura do quarto» característica nessas faixas etárias, como apresenta a Lusa em síntese.

Stop Bullying – Be an UpStander – Vídeo

Junho 27, 2012 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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O vídeo da SafeMoods incentiva os alunos a não serem assistentes passivos das situações de bullying (Bystander) mas que se envolvam e impeçam que aconteçam as situações de bullying nas escolas (Upstander).


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