Comunicado do CNJ sobre a Violência Escolar

Junho 24, 2015 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Nas últimas semanas, vários órgãos de comunicação social divulgaram diversos casos de violência em contexto escolar, levantando o véu sobre uma realidade que infelizmente continua a estar presente no sistema educativo nacional. No seguimento da apresentação, no dia 20 de maio, na Assembleia da República, das primeiras conclusões do Grupo de Trabalho sobre Indisciplina Escolar criado no ano passado pela Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, o CNJ, enquanto plataforma de organizações nacionais de juventude, não pode deixar de dar o seu contributo para a discussão e resolução de um problema que continua a afligir muitos jovens em todo o país.

Segundo um estudo realizado, em 2012, pela Associação EPIS – Empresários pela Inclusão Social, 62% dos alunos declararam ter conhecimento de episódios de violência escolar (mais comummente conhecida por bullying) na sua escola, sendo que 77% declararam ter sido espetadores e 20% vítimas. O mesmo estudo aponta ainda para o facto de muitos atos de violência serem considerados “normais” pelos alunos, podendo estas estatísticas não revelar por completo a verdadeira dimensão deste fenómeno. O CNJ reitera a necessidade de um combate mais eficaz a este fenómeno, muitas vezes escondido, que afeta a qualidade de vida e o desenvolvimento pessoal e emocional de muitos jovens portugueses, com consequências potencialmente devastadoras no futuro destes indivíduos. O combate a este problema tem necessariamente de passar por:

– Reforçar os meios das escolas, tanto a nível financeiro como a nível da formação dos docentes, para a prevenção e gestão de situações de conflito;

– Aumentar o investimento ao apoio à vítima de bullying, através de um aumento de psicólogos e de assistentes sociais presentes nas escolas mas sem descurar o acompanhamento e a reabilitação dos bullies;

– Uma maior regularidade das campanhas de prevenção e sensibilização para o problema da violência escolar junto dos alunos.

O combate à violência escolar não pode somente restringir-se ao espaço escolar, estando provado que este fenómeno é, em muitos casos, uma manifestação de um mal-estar vivido fora da escola (instabilidade familiar, contextos socioeconómicos frágeis, historiais de violência, incapacidade dos pais estarem presentes na educação dos filhos, etc.). Por esta razão, o CNJ realça:

– A necessidade do envolvimento mais direto da comunidade local na vida escolar;

– A necessidade de promoção de políticas de conciliação de vida profissional e familiar de modo a proporcionar aos pais mais tempo para se envolverem na vida e na educação dos seus filhos;

– O papel importante que as associações de juventude e estudantis, enquanto espaços de educação entre pares, podem ter no desenvolvimento de soluções para o problema da violência na escola, podendo contribuir para a criação de espaços de diálogo seguros e abertos a todos em torno deste tema.

O combate à violência escolar é um combate que requer convicção e uma intensa colaboração entre todas as partes envolvidas – o governo, as escolas, os docentes, os alunos, a comunidade local – para descobrirem as melhores soluções para este problema que afeta muitos jovens no nosso país. O CNJ está convicto de que as associações de juventude podem também dar um valioso contributo na procura destas soluções devendo ser mais envolvidas nos processos de decisão em torno desta questão. Assim, juntos poderemos contribuir para a criação de escolas mais seguras e que promovam a tolerância, o respeito e o diálogo como alicerces principais da nossa vida em sociedade.

 descarregar o comunicado no site do CNJ no link:

http://www.cnj.pt/site/index.php/home-2/item/591-comunicado-da-dire%C3%A7%C3%A3o-do-cnj-sobre-a-viol%C3%AAncia-escolar.html

 

Violência entre os pais foi situação de perigo que atingiu mais crianças

Junho 7, 2015 às 5:15 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 4 de junho de 2015.

Sinalizações por bullying aumentaram quase 50% no ano passado. Os comportamentos graves anti-sociais ou de indisciplina também sobem desde 2012. Relatório da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco é publicado nesta quinta-feira.

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Mais crianças em 2014 expostas à violência doméstica do que no ano passado. E novas situações de perigo sinalizadas por bullying ou comportamentos graves anti-sociais ou de indisciplina. No universo das 308 Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) em todo o país, e olhando apenas os processos instaurados em 2014, também as situações de perigo quando está em causa o direito à educação estão agora mais presentes – isso acontece nas crianças entre os 10 e os 14 anos. As conclusões constam do relatório da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR) que será divulgado esta quinta-feira no encontro anual das CPCJ que este ano se realiza em Ovar.

A negligência – que atinge sobretudo as crianças mais pequenas – tem estado 2 em fase descendente há alguns anos e assim continua. Mas em contrapartida é sobre as crianças mais pequenas que o impacto da exposição a comportamentos que a prejudicam, como a violência doméstica, é maior. “Aquela violência a que a criança assiste ou pressente, e que a afecta” – nas palavras de Armando Leandro, juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça que preside à CNPCJR desde 2005.

A tendência acentua-se desde que em 2012, pela primeira vez, o conjunto de sinalizações de crianças e jovens por exposição a comportamentos que comprometem o seu bem-estar e o seu desenvolvimento – dominado em mais de 90% dos casos por esse cenário de violência entre os pais – passou a ser o mais representado no total de processos instaurados. Agora, e pela primeira vez, esses casos passaram também a ser preponderantes no volume processual global, que engloba os processos abertos, transitados do ano anterior e aqueles que tiveram de ser reabertos.

O conjunto de processos nas várias fases também aumentou, mantendo a tendência dos últimos anos. Em 2014, totalizou 73.019. E era de 71.567 no ano anterior.

Olhando apenas uma parte desse total – os processos abertos em 2014 (30.356) – o aumento é praticamente imperceptível relativamente a 2013 (30.344). A diferença é de apenas 12. Armando Leandro descreve por isso uma situação, em traços gerais, semelhante, à de 2013, embora com a particularidade de o bullying e de os comportamentos graves de indisciplina estarem a assumir valores novos.

Neste último ano, os processos abertos por bullying passaram a barreira dos 300 (foram 339) quando antes estiveram sempre abaixo dos 250 (233 em 2013 e 225 em 2012). Já o salto maior nas sinalizações por comportamento grave anti-social ou de indisciplina vem de 2013. A problemática, que atingia 864 crianças ou jovens em 2012, passou a afectar 1253 em 2013. No ano passado, novo aumento, embora mais ligeiro: para 1291 processos instaurados. Assim, bullying e indisciplina grave aumentaram 50%. O primeiro em 2013. O segundo em 2014.

“São aumentos com um significado, que será preciso compreender. São problemáticas a que cada vez mais temos de atender”, afirma Armando Leandro. E acrescenta: estes números podem resultar de um aumento objectivo das situações ou serem simplesmente reflexo da sua maior visibilidade, com mais denúncias de casos.

“Não podemos tirar conclusões lineares e precipitadas”, adverte o presidente da CNPCJR sobre estas tendências mas também a respeito do maior número de procedimentos de urgência accionados pelas comissões locais em 2014 quando esse número atingiu os 234. Foi de 215 em 2013 e de 217 em 2012. “Pode reflectir um agravamento das situações”, admite. Mas pode também haver muitas outras explicações. “Há razões que exigem aprofundamento, para podermos conhecer as razões.”

Calculados estão apenas os casos em que foi accionado o procedimento de urgência sem o consentimento dos pais, para afastamento imediato da criança de uma situação de perigo iminente e grave para a vida ou integridade física da criança. Casos em que a criança não pode aguardar. Este procedimento (que pode ser aplicado pela PSP ou pelas comissões de protecção) tem que ser confirmado pelo juiz no prazo de 48 horas. Mas a estes números, ainda devem ser acrescentadas as situações em que o procedimento de urgência foi accionado com o consentimento parental, sendo aplicada uma medida provisória.

“Outra realidade que nos cumpre aprofundar”, salienta Armando Leandro, é a relativa ao aumento consistente, nos últimos anos, do número de processos reabertos. Significa isso que a primeira avaliação não foi a mais acertada? A situação que se julgava resolvida justifica afinal uma medida de protecção junto da criança? “Só uma observação objectiva dos processos pode dar-nos uma ideia mais clara das razões”, insiste. As situações por vezes prolongam-se e passam por várias fases. O não consentimento dos pais ou a oposição do jovem a um acordo com a comissão podem obrigar ao arquivamento do processo e a uma reabertura mais tarde. “Cada caso é um caso”, diz. E a prevenção, que tem sido intensificada, na comunidade, será a melhor forma de proteger os direitos da criança, realça o magistrado.

“Falha” houve no caso recente da menina de Loures, admite Armando Leandro. A criança de dois anos estava sinalizada na CPCJ e foi morta em casa. O padrasto está indiciado pelo homicídio. “O inquérito aberto irá prosseguir e tirar as suas conclusões. Mas é evidente que foi uma falha. Uma falha que é preciso superar, através do acompanhamento, da avaliação, da formação dos técnicos e da supervisão por parte da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco”, reconhece o responsável. E conclui: “Temos de melhorar o sistema mas o sistema tem o funcionamento adequado no pensamento e na acção. Não podemos comprometer o sistema por causa das falhas. Mas também não podemos conformar-nos com elas.”

Alguns números

53 

A diferença é ligeira, mas nos processos instaurados, os rapazes estão mais presentes do que as raparigas em todas as idades – como aliás em anos anteriores. Em 100 processos, 53 dizem respeito a rapazes e 47 a raparigas.

2024

Os distritos de Lisboa e Porto as zonas de maiores perigos. Amadora continua a liderar com 2024 processos. Entre as cinco maiores CPCJ mantêm-se também Sintra Ocidental, Sintra Oriental, Loures e Lisboa Norte. Vila Nova de Gaia e Matosinhos continuam entre as 10 maiores, assim como Ponta Delgada.

37.889

Em 2014, após avaliação da CPCJ, 37.889 situações de perigo justificaram a aplicação de uma medida de promoção e protecção da criança ou do jovem. Seis medidas de promoção e protecção estão previstas na lei: o apoio junto dos pais, o apoio junto de outro familiar, a confiança a pessoa com ligação à criança (madrinha, padrinho, madrasta), o apoio para autonomia de vida (para jovens com mais de 15 anos ou mães adolescentes), e o acolhimento familiar ou em instituição.

36.893

No ano passado, foram efectivamente aplicadas 36.893 medidas de promoção e protecção – mais 2437 do que no ano anterior, levando a Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco a qualificar de “muito significativo” o trabalho das comissões locais.

33.156

Para quase 90% das medidas aplicadas em 2014, abrangendo 33.156 crianças, a opção foi uma solução em meio natural de vida: a criança permaneceu junto dos pais ou foi viver com outro familiar (com apoio) ou junto de pessoa próxima da criança, como padrinhos, madrasta ou padrasto.

3737

A solução encontrada para 3737 crianças (10% das medidas aplicadas) foi o acolhimento em instituição ou numa família, representando esta última opção uma percentagem mínima (0,3%) do total. Do total de 3613 crianças e jovens acolhidos em instituições, 599 são crianças com menos de cinco anos.

8829

Mantendo-se a tendência instalada desde o alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, os jovens entre os 15 e os 18 são aqueles que têm o maior número de processos abertos em 2014 (8829) e representam cerca de 30% do total. As crianças até aos cinco anos são o segundo maior grupo com processos instaurados. Nessas circunstâncias, são 7378.

3919

No conjunto das crianças até aos cinco anos, os bebés até aos dois anos representam mais de metade. Ou seja: a situação de 3919 bebés até aos dois anos (13% do total) motivou a abertura de um processo no ano passado.

 

 

 

Casos de bullying nas escolas “muito superiores aos oficiais”

Junho 5, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 22 de maio de 2015.

O número de estudantes envolvidos em casos de ‘bullying’, em Portugal, é “muito superior” ao das estatísticas oficiais e pode ser superior a 240 mil, defendeu esta sexta-feira a investigadora Susana Carvalhosa.

A responsável, do Centro de Investigação e Intervenção Social do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, falava hoje num seminário sobre “Estratégias e medidas de prevenção de bullying e do cyberbullying”, que decorreu em Lisboa.

“Os estudos indicam que um em cada cinco estudantes está envolvido diretamente em alguma situação de ‘bullying'”, os números dos serviços especializados são muito mais baixos e as estatísticas oficiais ainda mais, disse a investigadora.

E acrescentou: Dados de 2014, sobre a segurança na escola, indicam que os casos de ‘bullying’ foram 1.446; se fizermos a conta a todos os alunos das escolas poderíamos dizer que temos 241.000 alunos (20 por cento do total) envolvidos nessas situações.

“Se for um em cada cinco há muitas crianças a precisar da nossa ajuda”, advertiu a investigadora e professora do Departamento de Psicologia Social e das Organizações, do ISCTE.

O ‘bullying’ (situação de agressão, ameaça ou opressão praticada contra alguém), salientou a responsável, não acontece apenas em contexto escolar, mas também familiar, no trabalho, no bairro e até no país, porque “há países vítimas e países agressores”.

Perante mais de uma centena de participantes, Susana Carvalhosa explicou que, para que haja ‘bullying’, é preciso que haja uma intenção de provocar dano, que a ação se repita e que haja um desequilíbrio entre o agressor e a vítima. No mundo virtual, acrescentou, se alguém coloca, por exemplo, numa rede social, um vídeo humilhante, ainda que não coloque mais nenhum, é considerado ‘cyberbullying’, porque cada acesso ao vídeo reforça o comportamento agressor.

Baseando-se em investigações feitas pelo ISCTE, a responsável disse que a promoção da empatia leva a comportamentos de entreajuda, que os agressores têm por norma dificuldade em desenvolver empatia e que as vítimas “têm situações elevadas de ‘stress'”.

Começando por lembrar que o ‘bullying’ não é um fenómeno recente, embora se fale muito mais nele nos últimos anos, a investigadora disse que se fez na Faculdade um estudo com jovens adultos (25 a 35 anos), a quem se perguntou se passaram por situações de ‘bullying’. “O estudo aponta para que os que disseram que foram vítimas têm hoje menos autoestima”.

“Se não atuarmos, podemos estar a criar indivíduos que em adultos sofrem de insegurança”, salientou.

Para ajudar a prevenir o ‘bullying’, o ISCTE e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa estão a desenvolver um jogo para crianças chamado “StopBully”, que está ainda em construção e que estará disponível para telemóvel, computador e ‘tablet’.

Cátia Raminhos, da Faculdade de Ciências, e Maria de Jesus Candeias, do ISCTE, explicaram que a aplicação promove a empatia e destina-se a jovens, entre os 10 e os 12 anos, porque “os dados dizem que o pico de casos situa-se até aos 13 anos”.

 

 

Depressão na idade adulta pode estar relacionada com bullying

Junho 4, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site http://lifestyle.sapo.pt  de 3 de junho de 2015.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Peer victimisation during adolescence and its impact on depression in early adulthood: prospective cohort study in the United Kingdom

Investigadores publicaram dados na revista BMJ segundo os quais os adolescentes vítimas de práticas de agressão ou intimidação reiterada pelos pares tendem muitas vezes a sofrer mais tarde.

Os peritos analisaram as conclusões de um grande projeto em Bristol, Inglaterra, que se debruçou sobre a saúde de 14.500 residentes desde os primeiros anos da década de 90.

Numa fase do projeto, cerca de 4.000 participantes preencheram um questionário aos 13 anos e foram rastreados novamente cinco anos mais tarde para sintomas de depressão.

Em 683 pessoas que reportaram ter sofrido “bullying” pelo menos uma vez por semana aos 13 anos, cerca de 15 por cento estavam deprimidas aos 18 anos.

Isto foi quase o triplo da taxa para os adolescentes que não se incluíram neste parâmetro.

 

“Os miúdos aprendem que a pessoa mais agressiva é quem tem mais poder”

Maio 31, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Público a Sheri Bauman no dia 24 de maio de 2015.

Nuno Ferreira Santos

Catarina Gomes

“Houve uma necessidade evolutiva de uma hierarquia e de agressão. Já não precisamos destes comportamentos para sobreviver mas eles persistem”, diz a especialista norte americana em bullying, Sheri Bauman.

Sheri Bauman, psicóloga norte americana especialista em bullying, esteve em Portugal como oradora do Seminário “Estratégias e medidas de prevenção do bullying e do cyberbullying”, no ISCTE-IUL, em Lisboa. Trabalhou em escolas públicas durante 30 anos, é professora na Universidade do Arizona e tem várias investigações sobre as respostas dos professores ao bullying. Lamenta que ainda hoje haja docentes que recebem denúncias de alunos com respostas como “não sejas queixinhas”.

Existe uma história do bullying?

Pode-se dizer que existe bullying desde que há seres humanos na Terra. Mas a primeira investigação é da década de 1970, na Noruega, foi levada a cabo por Dan Olweus [professor de psicologia], que se interessou pelo problema depois de ter havido três suicídios de crianças numa escola, que se descobriu que estavam ligados, estavam a ser vítimas de bullying. Foi um caso que galvanizou o pais. Quando se começou a investigar a questão em termos científicos constatou-se que havia muitos mitos e mal-entendidos sobre esta questão que não faziam qualquer sentido.

Por exemplo?

Aceitava-se o bullying como algo normal, dizia-se coisas como: ‘toda a gente passa por isso e ultrapassa’, ‘faz parte do processo normal de crescimento’, ‘eu passei por isso fiquei mais forte’, ‘só os rapazes é que são bullies’. Não se fazia nada para o impedir porque não era visto como uma coisa importante, Se toda a gente passa por isso porquê preocuparmo-nos?

Descobriu-se então que havia motivo de preocupação…

As investigações mostraram que está associado com a depressão, com o isolamento dos pares, com ansiedade. Constatou-se que os agressores têm mais probabilidade de virem a desenvolver comportamentos de delinquência juvenil, de virem a ser presos em adultos.

É possível traçar um perfil da vítima de bullying?

Crianças mais pequenas, mais fracas, mais tímidas, deprimidas e ansiosas, que não têm boas competências sociais, que podem não ter as vantagens de outras crianças, por exemplo, se toda a gente anda com uns sapatos de marca e a criança não tem dinheiro para os comprar… É a criança isolada sem amigos, sozinha.

As investigações dizem que há grupos específicos que tendem a ser alvos preferenciais…

As crianças com algum tipo de deficiência, que andam na educação especial, que têm direito a senhas de almoço na escolas, que são vistas como sinal de pobreza, migrantes tendem a ser alvo de bullying com mais frequência do que outras crianças.

É o ser diferente?

O que é determinante é ser a minoria. Mas tudo depende do contexto. Conduzi um estudo numa escola onde a maioria da minha amostra eram miúdos brancos de origem anglosaxónica e havia uma minoria de hispânicos e estes, neste caso, tendiam a ser mais vitimas de bullying. E encontrei o contrário, numa pesquisa que fiz numa escola junto à fronteira com o México, onde a maioria dos alunos eram mexicanos, eram os brancos que tendiam a ser mais vítimizados. Existe uma necessidade para a conformidade e quem ameaça isso, no sentido de que ‘somos todos iguais’, tende a ser mais vitimizado.

É a lei da sobrevivência, como no início dos tempos.

É a lei dos mais fortes. Se pensarmos nos primeiros seres humanos a existência de uma hierarquia era importante. Se há um grupo de famílias que vive na nossa caverna e chega um agressor de outro grupo de famílias, ou um tigre para nos atacar, não temos tempo para decidir ‘como é que nos podemos organizar?’. Não, precisamos de saber que ‘x’ é o topo e nós fazemos todos o que ele disser. Houve uma necessidade evolutiva de ter uma hierarquia. A necessidade de agressão, de hierarquia foi muito importante para os grupos sociais. Mesmo que hoje já não seja tão importante persiste, torna-se um traço das interacções sociais. Todos os nossos governos são hierárquicos. Já não precisamos destes comportamentos para sobreviver mas eles persistem.

Como se continuássemos a ser primários?

Os miúdos são óptimos a observar quem é o mais poderoso. Quando vêem que a pessoa mais agressiva tem mais poder, vantagens, melhores empregos, assimilam ‘este é um comportamento útil, vou imitá-lo’. Temos todos estes programas e intenções para ajudar os miúdos a melhorarem os seus comportamentos e queremos educar os nossos filhos a tratarem-se uns aos outros de forma bondosa, mas, nos Estados Unidos, os políticos, as celebridades são o oposto do que queremos ensinar os nossos filhos a ser. É uma contradição, é confuso. O que eles vêem à sua volta é exactamente o oposto do que lhes queremos ensinar.

Nas suas investigações constata que muitos miúdos vitimizados não contam aos adultos. Porquê?

Eles sentem que ainda correm o risco de serem vistos como queixinhas. Contar a alguém é visto como um acto de cobardia. Alguns acreditam que os professores não são úteis. Que contar pode piorar ainda mais as coisas e eles não querem correr esse risco.

O que é que os adultos podem fazer, neste caso os professores, para melhorar a situação quando as crianças a decidem denunciar?

Uma das formas de agir que as investigações provaram que os miúdos valorizam é quando o adulto diz que vai agir, e depois faz o follow up, dois dias depois, uma semana depois. A seguir, o comportamento que se comprovou ser mais útil é simplesmente ouvi-los, mostrar preocupação, é eles entenderem que são levados a sério.

Em vez de desvalorizar…

Se um miúdo tem uma pequena borbulha e diz que lhe chamam “cara de pizza”, como me aconteceu a mim quando era pequena, responder ‘isso é uma palermice’ não ajuda. Tem de se tentar perceber até que ponto a criança se sente humilhada e com medo. É importante perguntar-lhe até que ponto isso a perturba e não pressupor que a situação só é grave quando a criança está a ser agredida violentamente. A seguir, o que mais ajuda é aconselhar. O professor pode não intervir publicamente na aula, pode dizer apenas ‘talvez se tentares isto’ e depois falamos outra vez para ver como correu. Muitas campanhas antibullying nas escolas incluem apresentações na aulas, trazer um orador para falar sobre o assunto, a investigação diz que este tipo de iniciativas não tem grandes efeitos.

Há comportamentos dos adultos que tornam as coisas piores?

Há coisas completamente contraproducentes. Não ajuda dizer-lhes ‘estás a ser queixinhas’ e isso acontece, por mais que nos surpreenda. Eu sou testemunha-perita num julgamento que está a decorrer em que um miúdo de 11 anos se suicidou, e uma das professora a quem ele se queixou disse-lhe ‘pára de te queixar a toda a hora’. Não se trata de queixar, é reportar, denunciar. Era um miúdo com fenda palatina que mesmo depois da cirurgia ficou com uma voz assobiada. Tinha havido queixas de bullying à directora, registo de trocas de emails dos pais com professores e nada se fez.

Há adultos que ignoram?

Muitos estudos dizem que 8% a 10% das denuncias feitas aos professores são ignoradas. E ignorar a denúncia e pensar que ‘faz parte do processo de crescimento’ é das coisas piores que se pode fazer nestes casos. Os currículos dos cursos de professores raramente contemplam as questões do bullying em profundidade. Passa-se algum conhecimento de background, diz-se por exemplo que há formas sociais, verbais ou físicas de bullying, mas não se dá ferramentas para lidar com o problema.

 

 

 

Grande Entrevista da RTP a Daniel Sampaio sobre jovens e a violência

Maio 30, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Entrevista da RTP a Daniel Sampaio no dia 21 de maio de 2015. Ver a entrevista no link: http://www.rtp.pt/play/p1718/e195702/grande-entrevista

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Sexting e bullying alimentam depressão nos adolescentes

Maio 28, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 19 de maio de 2015.

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A depressão na adolescência não pára de aumentar e os psiquiatras apontam o dedo às mensagens de teor sexual e ao bullying.

De acordo com dados do Priory Group – a maior Organização, em Inglaterra, de hospitais e clínicas de saúde mental – o “sexting”, partilhar fotografias explícitas de si mesmo, e o “bullying”, repetidos atos de violência física e psicológica sobre o mesmo indivíduo, estão a alimentar uma onda de transtornos de ansiedade e depressão grave nas gerações mais novas.  O problema é ainda mais grave quando se trata de humilhar “meninas” que “são vítimas de constantes comentários cruéis sobre a sua aparência e peso”, cita o Daily Mail.

Em 2014 um total de 262 jovens, de ambos os sexos e com idades compreendidas entre os 12 e 17 anos de idade, foram admitidos num dos centros Priory, comparativamente com os 178 em 2010. Mas estes números são apenas uma estimativa, pois existem centenas de outros adolescentes em lista de espera.

Outro dado preocupante do gabinete de estatítistas britânico revela que um quinto dos adolescentes e jovens adultos sofreram, só  ano passado, algum grau de depressão e ansiedade – uma percentagem maior do que noutras gerações passadas.

A questão do anonimato 

Os psiquiatras culpam sobretudo o “sexting”, um ato que os jovens vêem “como uma forma de namorar”  e a “chance de serem notados pelo sexo oposto”. Mas as fotografias enviadas ou partilhadas podem provocar comentários extremamente desagradáveis. Além disso, nestes casos é habitual “partilhar as fotografias com outros sem que a pessoa que as enviou saiba”.

O bullying online, nas redes sociais, também é algo que preocupa os especialistas.

O anonimato encobre as maiores crueldades e, por exemplo, sabe-se que em 2012-2013 o site Ask.fm foi diretamente responsabilizado pela morte de quatro adolescentes na Inglaterra e Irlanda. O caso de Hannah Smith é um deles: aos 14 anos, a jovem enforcou-se depois ter sido durante meses provocada por utilizadores anónimos, com questões relacionadas com o peso.

Os psiquiatras não traçam um cenário otimista: O sexting “juntamente com o bullying online, vai fazer disparar o número de pessoas que sofre com questões de confiança, vergonha e auto-aversão” e, consequentemente aumentarão os casos de “auto-mutilação”, avança o doutor Natasha Bijlani, psiquiatra no Hospital Priory Roehampton, ao Daily Mail.

“É necessário educar os jovens sobre os riscos de enviar imagens comprometedoras, de comunicar com desconhecidos online e lidar com o bullying”, acrescentou. Até porque mais de metade dos adultos com graves problemas mentais, foram diagnosticados pela primeira vez quando crianças.

 

 

 

 

 

Diz Não à Violência!! – Sessões sobre Bullying

Maio 26, 2015 às 9:07 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/clubeinterculturaleuropeu/timeline

Bullying leva pais a tirar vítima da escola

Maio 22, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 21 de maio de 2015.

Ana Dias Cordeiro e Graça Barbosa Ribeiro

Os pais acusam a escola de não ter tomado medidas para proteger criança de dez anos. O presumível agressor, apurou o PÚBLICO, foi sinalizado pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens do Seixal por “comportamentos graves com risco para terceiros”.

Uma menina de dez anos de idade a frequentar o 5.º ano de escolaridade deixou de ir às aulas a 4 de Maio, por decisão dos pais, que acusam a direcção do agrupamento de Escolas de Vale de Milhaços, em Corroios, de “não ter tomado qualquer medida para proteger” a filha de “agressões físicas e psicológicas” praticadas ao longo de meses por um colega. Ao que o PÚBLICO apurou, trata-se de um rapaz três anos mais velho, sinalizado na Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) do Seixal por “comportamentos graves com risco para terceiros”.

De acordo com Teresa Braz, mãe de F., a criança que alegadamente foi vítima de agressões, desde o início do ano lectivo que se registaram problemas entre o aluno mais velho e outros colegas, que deram origem a queixas pontuais de encarregados de educação. Até que, em Janeiro, “a maior parte dos pais das crianças da turma” subscreveu uma carta em que alertava formalmente a direcção da escola para as agressões reiteradas e apelava para que fossem tomadas medidas para evitar que a situação se mantivesse. No mesmo mês, Teresa Braz apresentou queixa na PSP e pediu o envio do processo para o Tribunal do Seixal (onde viria a ser ouvida, em Abril).

Segundo diz, apesar dos apelos “a escola não salvaguardou a segurança da filha e dos restantes alunos e as agressões continuaram”. “O D. deu-lhe bofetadas, pontapés, torceu-lhe um braço, empurrou-a, fazendo-a cair numa estrutura de cimento circular de onde tiveram de ser os colegas a tirá-la…”, enumera.

Conta que foi apenas depois de várias tentativas para resolver o problema – falando pessoalmente com o director de turma, com vários professores, com uma adjunta da direcção e com o próprio rapaz (a quem disse ter pedido que parasse de agredir a filha) – e após a décima agressão física e novas ameaças a F., a 29 de Abril que ela e o marido decidiram tirar a menina da escola.

Foram à CPCJ sinalizar que a criança iria deixar de frequentar as aulas, mas que continuaria a estudar e a deslocar-se ao estabelecimento de ensino para fazer os testes de avaliação, pelo que não se tratava de uma situação de abandono da escolaridade de obrigatória, mas de uma medida de protecção. Na mesma altura apresentaram nova queixa PSP e enviaram cartas para o Ministério da Educação e Ciência, para a directora do agrupamento, para o director de turma e para todos os professores, dando conta da decisão tomada. Terão informado ainda a direcção de que não arranjariam “um atestado médico falso para justificar as faltas, que irão explicar, oficialmente, como resultando da necessidade de protecção”.

Depois disso, Teresa Braz e o marido ainda chegaram a reunir-se, no dia 15 de Maio, com a directora do agrupamento, que, segundo contam, tentou convencê-los a levar a filha à escola, algo que recusaram, “por falta de garantias de que a situação se modificaria”. Afirmam que na altura já  tinham conhecimento informal de que o rapaz teria deixado de frequentar a escola, por iniciativa própria, depois da publicação de uma notícia sobre as agressões publicada no diário Correio da Manhã, a 7 de Maio. Algo que não lhes oferecia qualquer segurança, dizem, na medida em que “ele poderia regressar a qualquer momento”.

“Tenho conhecimento de que aquele menino de 13 anos tem problemas, está a ser acompanhado por uma pedopsiquiatra e causa problemas desde que entrou no 1.º ano. Acho muito bem que o protejam e lhe dêem oportunidades, como disse a directora, mas não podem deixar de proteger igualmente as restantes crianças”, afirma.

Ao que o PÚBLICO apurou, a criança de 13 anos esteve sinalizada na Comissão de Protecção de Crianças e Jovens do Seixal por “comportamentos graves com risco para terceiros”. O processo que corria foi, no entanto, arquivado por “incumprimento reiterado” por parte da família – do jovem ou dos pais – e remetido ao Tribunal do Seixal em 26 de Junho de 2014. Não foi possível obter informações sobre o processo junto do tribunal, por ser este um processo judicial relativo a um menor.

“O processo de promoção e protecção foi remetido a tribunal por incumprimento reiterado do acordo de promoção, sendo que neste momento a CPCJ desconhece a situação actual do processo”, disse ao PÚBLICO a presidente da CPCJ Carla Silva que informou, por outro lado, que a CPCJ do Seixal não tem situações sinalizadas por bullying.

Segundo Teresa Braz, o MEC remeteu o caso para a Direcção de Serviços da Região de Lisboa e Vale do Tejo, que nesta quinta-feira a notificou de que estava a acompanhar o processo e que havia sido dado um prazo de dez dias à directora do agrupamento de escolas para se pronunciar sobre o assunto.

O PÚBLICO tentou falar com a directora do agrupamento, Ana Sofia Dias, e com a adjunta da direcção que terá acompanhado o caso, Glória Martins, mas estas fizeram saber que não estavam disponíveis para prestar declarações.

A Inspecção Geral da Educação e Ciência tem em curso um processo de averiguações.

 

 

 

Vídeo da participação de Cláudia Manata do Outeiro do IAC na reportagem do Telejornal da RTP1 sobre Bullying

Maio 22, 2015 às 2:24 pm | Publicado em CEDI, O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Vídeo da participação da Dra. Cláudia Manata do Outeiro do IAC-CEDI (Centro de Estudos, Documentação e Informação sobre a Criança), no Telejornal da RTP1 no dia 21 de maio de 2015. Visualizar a entrevista no link  http://www.rtp.pt/play/p1743/telejornal  minuto 26,10 a 28,49.

outeiro

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