Seminário – Bullying uma realidade a (re) conhecer

Junho 2, 2014 às 10:20 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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moncique2

 

As inscrições devem ser efetuadas até ao próximo dia 3 de junho através dos seguintes contatos: 282910281, apeacm@gmail.com

ou cpcjmonchique@gmail.com

mais informações:

https://www.facebook.com/events/695186143882192/

programa

4º Fórum da Criança

Maio 29, 2014 às 11:16 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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Inscrições gratuitas até o dia do evento

CPCJ de Reguengos de Monsaraz

Antiga Estação da CP – Avenida Dr. Joaquim Rojão

7200-396 REGUENGOS DE MONSARAZ

Telefone: 266 501 325 /  966 829 883 Fax: 266 501 326

Correio electrónico: cpcj.reguengosmonsaraz@gmail.com

Programa:

http://aermonsaraz.com/index.php/97-informacao-institucional/noticias-do-agrupamento/201-4-forum-da-criança

Palestra “Como Educar um Criminoso”

Maio 28, 2014 às 2:15 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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criminoso

Entrada gratuita mas sujeita a inscrição

mais informações

http://now-events.net/pt/page/432482

Sessão de Esclarecimento sobre Bullying com Leonor Santos do IAC

Maio 26, 2014 às 12:05 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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Sessão de esclarecimento sobre bullying com a Dra. Leonor Santos Coordenadora do Sector da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança e do Sector da Actividade Lúdica do Instituto de Apoio à Criança na Junta de Freguesia de Alcântara. Entrada livre.

 

bullying

Conferência Adolescência e Transição para a Vida Adulta

Maio 21, 2014 às 6:00 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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adoles

mais informações aqui

Bullying among kids tied to suicidal thoughts, suicide attempts

Maio 15, 2014 às 8:00 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Notícia da Reuters de 10 de março de 2014.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Relationship Between Peer Victimization, Cyberbullying, and Suicide in Children and Adolescents A Meta-analysis

By Andrew M. Seaman

NEW YORK Mon Mar 10, 2014 4:08pm EDT

(Reuters Health) – School children who are bullied are more than twice as likely to think about killing themselves and to make suicide attempts as their peers who aren’t bullied, according to a new analysis.

Researchers also found that cyberbullying, such as harassment over the Internet, was more closely linked to suicidal thoughts than in-person bullying.

“We found that suicidal thoughts and attempted suicides are significantly related to bullying, a highly prevalent behavior among adolescents,” Mitch van Geel told Reuters Health in an email.

Van Geel is the study’s lead author from the Institute of Education and Child Studies at Leiden University in the Netherlands.

He said it’s estimated that between 15 and 20 percent of children and teens are involved in bullying as the perpetrator, victim or both.

“Thus efforts should continue to reduce bullying among children and adolescents, and to help those adolescents and children involved in bullying,” he wrote.

While previous studies have found links between bullying and suicidal thoughts and attempted suicides, less is known about whether the association differs between boys and girls. Also, fewer studies have examined the role of cyberbullying.

For the new analysis, published in JAMA Pediatrics, the researchers searched databases for previous studies published on bullying.

They found 34 studies that examined bullying and suicidal thoughts among 284,375 participants between nine and 21 years old. They also found nine studies that examined the relationship between bullying and suicide attempts among 70,102 participants of the same age.

Overall, participants who were bullied were more than twice as likely to think about killing themselves. They were also about two and a half times more likely to attempt killing themselves.

In one study included in the analysis, for instance, researchers found that about 3 percent of students from New York State who were not bullied thought about or attempted suicide. That compared to 11 percent of students who were frequently bullied.

The extra risk of suicidal thoughts and suicide attempts tied to bullying was similar among participants of different age groups and among boys and girls.

Suicidal thoughts were more strongly linked to cyberbullying than to traditional bullying, but the researchers caution that this finding is based on data from only a handful of studies.

“At this point, this is speculative and more research is definitely needed on cyberbullying,” van Geel wrote.

It could be, however, that cyberbullying victims feel belittled in front of a wider audience and may relive the attacks because they are stored on the Internet, he added.

“I think it fits with a literature that’s been around for some time that suggests the kids who are worse off are the kids who can’t escape from bullying,” William Copeland told Reuters Health.

Copeland, who was not involved with the new study, has researched bullying at the Duke University School of Medicine in Durham, North Carolina.

He cautioned that the studies included in the analysis can’t prove bullying caused suicidal thoughts or suicide attempts. It could be, for example, that kids who attempt or think about suicide are more likely to be bullied.

Copeland said there are an increasing number of school-based programs aimed at preventing bullying.

“I don’t think we know quite as much about targeting kids who have been bullied and preventing those suicidality behaviors,” he added.

Copeland said parents can ask their kids about how things are going and whether anyone is giving them problems at school or online to help the children open up about bullying.

“Some people have the assumption that bullying is a part of growing up, that bullying is relatively harmless, or even that it may build character,” van Geel wrote.

“There are now meta-analyses that demonstrate that bullying is related to depression, psychosomatic problems and even suicide attempts, and thus we should conclude that bullying is definitely not harmless,” he added.

SOURCE: bit.ly/17hF0sY JAMA Pediatrics, online March 10, 2014.

10 fatos profundamente deprimentes sobre bullying

Maio 14, 2014 às 12:00 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Artigo do site hypeScience de 3 de maio de 2014.

Você já se sentiu intimidado na escola? Nos Estados Unidos, as chances são de que quase todos os adultos tenham experimentado isso em algum momento da vida: cerca de 80% de todas as crianças norte-americanas contam terem sido assediadas por seus pares. Já no caso do Brasil, os números não são tão alarmantes, mas ainda são dignos de atenção.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE) 2012, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 7,2% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental afirmaram que sempre ou quase sempre se sentiram humilhados por provocações dentro da escola, e 20,8% praticaram algum tipo de bullying contra os colegas nos 30 dias anteriores a pesquisa. A grande diferença entre os números aponta que este tipo de ação é normalmente realizada em grupo, geralmente contra uma única pessoa.

Porém, o bullying moderno vai muito além de ficar chateado na escola:

10. Ele destrói suas futuras perspectivas de emprego

A velha visão da escola padrão diz que o bullying é uma “parte natural do crescimento”, algo que deixamos para trás quando nós chegamos à vida adulta e ao mundo do trabalho. Contudo, uma pesquisa sugere que não só isto é falso, mas também que sofrer bullying pode garantir que a vítima nunca sequer comece a trabalhar.

Em 2013, um grupo de pesquisadores decidiu conferir o que alguns jovens adultos que tinham sido incluídos em um estudo de bullying uma década e meia atrás estavam fazendo da vida. Em seus vinte e poucos anos, o grupo cresceu e aparentemente mudou. Entretanto, quando os médicos responsáveis pelo estudo foram um pouco mais fundo, encontraram alguns resultados chocantes. Aqueles que tinham sido vítimas de bullying no Ensino Médio eram quase duas vezes menos propensos a manter um emprego do que aqueles que não foram intimidados.

Sem nenhuma surpresa, isso teve um efeito dominó sobre as finanças das vítimas. Os indivíduos que tinham sofrido bullying eram muito mais propensos a viver em situação de pobreza e fazer más decisões financeiras. A cereja desse bolo deprimente é que eles também tendem a sofrer de problemas de saúde, levando a dívidas crescentes.

9. Danifica a sua saúde mental

Quantos de vocês ainda lembram dos piores momentos de sua infância? Aquele vez em que você molhou as calças quando estava velho demais ou quando foi completamente humilhado por um professor arrogante? Agora imagine ter esse sentimento em relação a toda a sua infância. Seria destruidor, certo?

Se levarmos em conta pesquisas recentes, a resposta é um sonoro “sim”. Como outra etapa do estudo que citamos anteriormente, os pesquisadores observaram os efeitos em saúde mental a longo prazo do bullying na infância. Adultos que foram intimidados na escola sofreram níveis incapacitantes de ansiedade e agorafobia, além de serem propensos a graves ataques de pânico. Enquanto isso, aqueles que responderam ao bullying tornando-se bullies também eram propensos a depressões terríveis e sentimentos de pânico. Em suma, a crueldade que tinha acontecido até 15 anos antes ainda estava causando estragos na vida das suas vítimas.

A cada 4 minutos, há uma cena com bullying social nos programas infantis

8. Pode colocar você em problemas com a lei

 Não é nenhum segredo que o bullying às vezes foge tanto ao controle que as autoridades são chamadas para lidar com o caso. Contudo, embora possamos esperar que os valentões passem por encontros negativos com a lei, surpreendentemente, suas vítimas muitas vezes experimentam a mesma coisa.

De acordo com vários estudos, ser intimidado a longo prazo quando criança aumenta suas chances de ser preso. Um estudo estimou que quase um quarto de todas as crianças que sofrem bullying vão acabar em uma cela em algum momento.

O problema é que a infância tardia e início da adolescência são os momentos em que estamos destinados a aprender habilidades sociais e como ser parte da sociedade. Se gastarmos todo esse tempo apanhando e ouvindo ofensas, se juntar à sociedade já não parece uma conquista desejável. Crianças que são maltratadas a longo prazo se fecham. Elas se desconectam do mundo à sua volta e se tornam tristes, irritadas e amargas. Toda essa a raiva e amargura tendem a sair quando chegam à idade adulta, resultando em brigas, pequenos crimes e até mesmo algum tempo na prisão.

7. Afeta toda a economia

Não são apenas aqueles que foram vítimas deste tipo de intimidação que têm de viver com as consequências dela. De acordo com pesquisas recentes, o bullying afeta a todos nós, quer estejamos envolvidos ou não. Nos EUA, a violência juvenil custa à economia US$ 158 bilhões dólares a cada ano.

Este valor foi encontrado pela Plan International, uma instituição de caridade dedicada aos direitos das crianças. Eles calcularam o dinheiro público desperdiçado por crianças assustadas não indo à escola e ganhos futuros perdidos para aqueles que abandonam os estudos para escapar de seus agressores. A instituição ainda ressalta que esta é apenas uma estimativa: o número real é provavelmente muito maior. Isso significa que os Estados Unidos perdem quase o dobro do orçamento da educação federal, anualmente, para o bullying.

6. Aumenta a violência sexual

A maioria de nós consideraria o bullying na infância e a violência sexual na adolescência coisas completamente diferentes. Contudo, um estudo conjunto entre o Centro de Controle de Doenças e a Universidade de Illinois (ambos dos EUA) diz o contrário. De acordo com a pesquisa, há uma diversas evidências de uma relação entre violência sexual e bullying.

No estudo, foram considerados “violência sexual” atos como puxar roupas tentando expor alguma parte do corpo, assim como apalpar ou segurar genitais. Felizmente, apenas uma pequena minoria das crianças parecia sair do bullying para avançar para qualquer uma dessas coisas. Mas os pesquisadores também observaram que os problemas pioram à medida que as crianças ficam mais velhas, culminando em coisas bem mais sérias. Os valentões às vezes “transplantam” seus impulsos sexuais em suas vítimas, enquanto alguns meninos (desta vez, que foram vítimas do bullying) ficam tão assustados com a ideia de serem gays que assediam sexualmente meninas para provar sua heterossexualidade.

Como garantir que seu filho não faça bullying

5. Nos torna suscetíveis ao suicídio

Estudos afirmam que adolescentes que sofrem com gozações são cerca de 2,5 vezes mais propensos a tentar se matar. Entretanto, o que é menos conhecido é que este risco permanece com você ao longo da vida. Em 2007, um estudo britânico descobriu que adultos que tinham sido vítimas de bullying na escola eram duas vezes mais propensos a tentar o suicídio na vida adulta.

O estudo incluiu mais de 7 mil pessoas, indo desde jovens adultos até idosos. A pesquisa foi especificamente controlada para outros fatores, como abuso sexual na infância, pais violentos e adolescentes que fugiram de casa. No entanto, os autores concluíram que o bullying por si só poderia causar um aumento significativo no risco de suicídio enquanto adultos.

Em essência, o bullying fica com você. E o que parece ser um pouco de diversão inofensiva na escola poderia, na realidade, ser uma sentença de morte a longo prazo.

4. Prejudica todos os envolvidos

Até agora, focamos principalmente na bagagem à qual as vítimas ficam presas ao longo da vida, porém os próprios bullies também podem sofrer.

Em quase todos os índices importantes, os valentões se saem tão mal quanto ou ainda pior do que suas vítimas. Eles são mais propensos a se envolver em comportamentos de risco, ter resultados financeiros negativos e sofrer com problemas sociais quando adultos. O único ponto em que eles vão melhor do que as suas vítimas é na saúde e, mesmo assim, o resultado é pior do que aqueles que nunca se envolveram com bullying.

Então, o que está acontecendo? Este é apenas um sintoma do clássico caso do valentão sofredor, no qual uma criança desconta sua dor interior violentando outras? Talvez. Mas estudos têm mostrado que muitas crianças normais, sem problemas sérios, também se tornam bullies. Inacreditavelmente, pode ser que o simples ato de praticar o bullying mexe com o autor da violência, tanto quanto com a vítima.

3. Nós não podemos resolvê-lo

Nesse momento, você deve estar se sentindo um pouco deprimido. No entanto, pelo menos há um raio de luz no final do túnel. É só colocar dinheiro suficiente em campanhas anti-bullying e tudo vai ser resolvido, certo? Bem, desculpe desapontá-lo ainda mais, mas a Universidade de Arlington (EUA) diz o contrário.

Em um estudo publicado no “Journal of Criminology”, os pesquisadores examinaram mais de 7 mil crianças em 195 escolas diferentes, com e sem programas anti-bullying. As escolas com procedimentos de prevenção ao bullying apresentavam maiores taxas de bullying do que aquelas sem. De acordo com os autores do estudo, coisas como “semana anti-bullying” não apenas despertam as crianças para o conceito de implicar com os outros, mas também involuntariamente lhes dão informações sobre como se esquivar do castigo depois.

Porém, nem toda a esperança está perdida. Os pesquisadores sugerem que programas mais sofisticados poderiam ajudar a identificar a dinâmica valentão-vítima e criar políticas de prevenção sob medida. Contudo, a não ser que um monte de pessoas estejam dispostas a dar muito dinheiro para estes projetos, eles provavelmente nunca sairão do papel.

5 lições de vida para quem sofreu bullying

2. Crianças recompensam os seus agressores

Se nós, adultos, somos impotentes para ajudar as crianças vítimas de bullying, é tentador pensar que talvez os nossos próprios filhos possam fazer a diferença. Só espere sentado: um estudo recente da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA) revelou que, quanto mais praticam bullying, mais populares as crianças do ensino fundamental ficam.

Isso cria um problema enorme para os ativistas. Se as crianças associam ser um valentão a ser o mais legal da sala e resistir ao bullying com apanhar e perder seu lanche, então elas sempre vão ficar do lado dos valentões. Na verdade, apenas 2% das crianças universalmente adoradas em qualquer série e 2% de crianças universalmente desprezadas parecem imunes à necessidade de intimidar, de acordo com o estudo. Para todos os outros, agir como um idiota total é uma fórmula garantida de escada social.

1. É da natureza humana

Toda sociedade na história da humanidade teve valentões, de uma forma ou de outra. Se você quer colocar a culpa em algo, não precisa ir além da evolução.

O bullying existe em todo o reino animal e, em primatas, tem uma função muito específica. Os chimpanzés ou macacos que não conseguem obedecer a uma dinâmica de grupo podem colocar em perigo todos à sua volta – ou pelo menos tornar o grupo menos eficaz em sobreviver. Então, um pouco de bullying pode manter os primatas rebeldes na linha.

Os seres humanos não precisam mais da estrita conformidade e total cooperação para sobreviver, mas a nossa vontade de zoar os outros permanece. A coisa toda é nada mais do que um retrocesso, um apêndice séptico envenenando todo o corpo da humanidade. E nós estamos presos a ele. [Listverse, Veja, IBGE]

Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar. 2012

www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/pense/2012/pense_2012.pdf

 

 

VI Jornadas da CPCJ de Sines – Violência entre Jovens com a presença de Melanie tavares do IAC

Maio 12, 2014 às 6:00 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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sines

A Dra. Melanie Tavares, Coordenadora da Mediação Escolar do Instituto de Apoio à Criança irá participar nas Jornadas no painel  “(D)o outro lado da violência”, pelas 11.20h.

No dia 28 de maio de 2014 (quarta-feira), no auditório do Centro de Artes de Sines, entre as 09h e as 17h, realizar-se-ão as VI Jornadas da CPCJ de Sines, subordinadas ao tema Violência entre jovens. Nestas VI Jornadas, dirigidas à população em geral, pretendemos que vários oradores abordem o referido tema sob diferentes perspetivas e contribuam para a sua discussão e compreensão. A participação neste evento far-se-á através de inscrição, que pode ser endereçada por email  cpcjs@mun-sines.pt por fax (269636123), por carta (CPCJ de Sines, Edifício da Câmara Municipal de Sines, Largo Ramos da Costa, 7520-159 Sines), ou presencialmente, nas instalações da CPCJ.

Deste modo, remetemos em anexo folheto de divulgação deste evento. Antecipadamente grata pela atenção, Com os melhores cumprimentos Maria Adélia Varela e Silva Presidente da CPCJ de Sines

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Folheto VI Jornadas CPCJ Sines.pdf

 

inscrições e programa aqui

 

Eric Debarbieux fala sobre o combate ao bullying

Maio 9, 2014 às 2:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Entrevista da Nova Escola a Eric Debarbieux

nova escola

Especialista francês defende que duas condições são essenciais para que as escolas lidem com problemas como o bullying: a estabilidade do corpo docente e a construção de um bom clima

Lúcia Müzell (novaescola@fvc.org.br), de Paris

A violência nas escolas só pode ser enfrentada se tratada em profundidade, com formação docente específica, incentivo à solidariedade e aumento da proximidade entre professores e alunos. Essa é a avaliação do especialista francês Eric Debarbieux, autor do primeiro plano nacional de combate ao bullying nas escolas da França. Câmeras de vídeo? Detectores de metais? “São inúteis”, de acordo com o autor de obras como Violência na Escola: Um Desafio Mundial e Os Dez Mandamentos Contra a Violência na Escola. Há sete anos Debarbieux dirige o Observatório Internacional da Violência nas Escolas, em Bordeaux, cargo que ocupou após realizar uma ampla pesquisa no Brasil, onde foi diretor de Pesquisa e Avaliação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A experiência, realizada com 11,5 mil estudantes, lhe permitiu traçar um perfil do problema nas escolas brasileiras.

Que tipo de atos se enquadram no termo violência escolar?
Eric Debarbieux
Fatos mais marcantes, como o massacre do Realengo (episódio em que um ex-aluno entrou armado em uma escola municipal do Rio de Janeiro em abril de 2011 e matou a tiros 12 estudantes), mas principalmente as violências cotidianas que têm como característica a repetição. No mundo inteiro, um grande número de alunos sofre com ações desse tipo diariamente. E elas podem ser banais, como receber um apelido maldoso ou sofrer pequenos empurrões. As pesquisas apontam que, embora sejam atos relativamente simples, envolvendo alunos ou professores, o fato de eles se repetirem à exaustão é grave. A violência explícita, com agressões físicas ou mortes, é muito excepcional e infelizmente difícil de neutralizar porque constitui crimes como outros quaisquer.

É possível determinar as causas desse problema?
Debarbieux
Elas são múltiplas e determinadas pela soma de certo número de fatores de risco presentes no cotidiano dos envolvidos. Um deles é o pessoal, ligado ao temperamento de cada um, mas também influenciado pelas relações familiares e pelo meio social. Outro elemento importante é o ambiente da escola. Por exemplo, a estabilidade da equipe docente e a clareza das regras escolares são aspectos determinantes para que se alcance a proteção almejada. Na França, identificamos que as escolas mais problemáticas são aquelas que têm o corpo docente mais instável. Sem um grupo perene e que conviva de forma sadia, é difícil fazer algo contra a violência escolar. É uma questão de solidariedade e de exposição ao risco: você fica menos exposto quando integra um grupo que seja solidário.

O professor, de modo geral, é um profissional preparado para lidar com a violência na escola?
Debarbieux
Esse é um dos pontos essenciais a debater. Na maioria dos países, faltam docentes capacitados para enfrentar essa situação difícil. Fico impressionado com o fato de que os professores passem a vida trabalhando como líderes, tendo que manter o controle da classe, sem receber nenhuma formação específica para isso. É inacreditável, inclusive, porque as violências escolares surgem quase sempre dentro dos grupos de estudantes.

O tipo de violência escolar mais popular no mundo hoje é o bullying?
Debarbieux
Certamente. De acordo com nossas estimativas, a média mundial de alunos atingidos pelo problema fica entre 7 e 15%. Os graus de violência são diferentes. Segundo um grande estudo que fiz no Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), na França, cerca de 11% dos estudantes sofrem bullying, e 5% deles de uma forma severa.

A solução está na gestão da escola?
Debarbieux
Sim. O modo como uma escola é gerenciada e a atenção que os adultos dão ao bullying têm um grande impacto sobre os efeitos dessa violência. Sabe-se que há uma ligação muito forte entre a qualidade do clima e das relações pessoais na escola e a ocorrência de casos desse tipo.

Existem países em que o bullying não se manifesta na escola?
Debarbieux
Não. Entretanto os casos nos países do norte da Europa diminuíram em mais da metade em relação à média europeia desde que os governos assumiram um papel-chave para lutar contra isso, há mais de 20 anos. O Reino Unido também seguiu a mesma linha de adoção de políticas de prevenção. Mesmo assim, não podemos nos dar o direito de parar de evoluir. O fato de tratarmos violências menores não significa que estejamos lidando com uma coisa pequena e sem importância. As pesquisas mostram que, em termos de atos mais graves, como os que envolvem matanças nos Estados Unidos, 75% dos alunos que foram à escola armados e mataram colegas eram vítimas de bullying.

Como recuperar os envolvidos com o bullying?
Debarbieux
É preciso mostrar ao jovem agressor as consequências do que faz. Frequentemente, trata-se de um garoto inofensivo, que quer se afirmar e, ao se colocar nesse papel, sente-se mais forte que os demais. Por isso também é importante desenvolver a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro, a conscientização de que esse tipo de situação é prejudicial para todos – e isso não se faz apenas com eventuais lições de moral. A pessoa violenta sempre pensa que a culpa é da vítima. E a simples punição para que isso não se repita não é uma solução, inclusive porque muitas vezes piora o problema e pode até gerar atos de vingança.

Medidas de segurança e repressão ajudam nesse processo?
Debarbieux
Há uma série de providências espetaculares contra o bullying: instalação de câmeras de segurança, reforço do policiamento e implantação de medidas repressivas. Mas nenhuma ação pontual funciona de verdade. O fenômeno precisa ser tratado no longuíssimo prazo e a solução-milagre não existe. Há muitas experiências positivas sobre a justiça restaurativa e punições construtivas. Ao mesmo tempo que precisamos cuidar da vítima e reconstruir a sua identidade, devemos reparar o agressor: não apenas por caridade, mas por necessidade.

E quanto ao cyberbullying, que na maioria das vezes tem um agressor oculto?
Debarbieux
No cyberbullying, a violência começa no horário das aulas e continua durante o restante do dia e a noite inteira. O aluno recebe uma metralhada de mensagens no celular, em seu e-mail ou nas redes sociais, como o Facebook. É muito difícil quebrar a lógica de que insultar o colega na internet é engraçado. E não há outra solução a não ser intensificar a colaboração existente entre a escola e a família.

A violência física nas escolas é caso de polícia ou assunto para ser resolvido internamente?
Debarbieux
Depende de como se considera a polícia. Se os policiais são simplesmente brutamontes que estão atrás de bandidos, esqueça. É preciso lembrar que a maioria das violências é pequena e não motiva uma intervenção externa. Apenas com repressão, não diminuiremos as taxas de violência, já que o objetivo não é punir culpados, mas evitar que haja vítimas. Por outro lado, se consideramos a polícia uma aliada no trabalho educacional, pode ser extremamente interessante. Quando estive no Brasil, acompanhei a ação extraordinária das brigadas escolares em Brasília. Havia jovens policiais mulheres que mostravam de forma clara o que era a lei.

Qual sua visão sobre o quadro da violência escolar no Brasil?
Debarbieux
A pesquisa da Unesco que fizemos aí foi muito interessante. Ela mostrou que há violência e problemas. Entretanto, se comparamos esses resultados com os de outros países, eles foram bastante favoráveis. Nós pesquisamos alunos de 10 a 16 anos em escolas públicas de todo o país. A forma como eles veem os professores é muito positiva. Não romantizo de forma alguma essa situação. Mas é preciso reconhecer que os professores são muito mais próximos dos alunos do que em outros locais onde talvez eles sejam mais bem formados, mas não conseguem estabelecer essa relação. Em zonas onde a violência faz parte do cotidiano, como na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, as escolas se mantinham, dentro do possível, protegidas. Há fatores paternalistas, como o fato de o filho do principal traficante estudar ali. Mas, em geral, no Brasil, a escola é um capital social. Ela faz parte da comunidade e, por isso, consegue se proteger parcialmente do que há de ruim nela. Em São Paulo, por exemplo, há escolas com grades e policiais na entrada, mas elas permanecem de portas abertas para a comunidade participar de atividades.

Após o caso de Realengo, muito se falou sobre o motivo que levou o agressor a escolher uma escola para atacar. Que aprendizados podemos extrair desse episódio?
Debarbieux
Isso é uma prova de que é preciso tratar as pequenas violências do cotidiano para evitar as mais graves. Massacres escolares como esse não acontecem todos os dias. No mundo, deve ter havido talvez uns 30 desde 1960. Não é por isso que vamos colocar detectores de metais, policiais e câmeras em toda escola. Em primeiro lugar, custa absurdamente caro. E, em segundo, já sabemos que seria inútil. Na França, uma reflexão emergiu no ano passado no âmbito político porque, em um estabelecimento considerado um dos mais seguros do país, um aluno morreu esfaqueado por outro. O ministro da Educação então notou que a polícia na porta e as imagens de vídeos não serviram para nada. Percebeu-se que só um trabalho complexo e no longo prazo teria efeitos. Foi a primeira vez que convenci um governo a preparar pessoas para formar os professores a fim de que eles pudessem enfrentar a violência nas escolas. Isso já é um começo.

 

 

 

IV Seminário “As Faces da Violência”

Maio 7, 2014 às 3:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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faces

texto da CNPCJR

A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Gouveia, vai realizar no dia 14 de maio o seu IV Seminário, intitulado “As Faces da Violência”. Esta iniciativa irá decorrer no Centro Cultural de Vila Nova de Tazem, entre as 09:00 e as 17:30.

Este seminário tem por intuito debater e refletir as várias violências a que estão sujeitas as crianças e jovens, de forma a desenvolver estratégias eficazes de prevenção e/ou intervenção. Neste sentido serão abordados por especialistas temas como a violência doméstica; bullying; violência no namoro, entre outros.

No mesmo dia, ao final da tarde, pelas 18:30 no auditório da Biblioteca Vergílio Ferreira, irá decorrer uma Palestra subordinada ao tema “Famílias Felizes”, conduzido pela conhecida educadora parental e family coach, Cristina Fonseca.

Ficha de inscrição – IV Seminário – As faces da violência

Inscrições através:

Email: cpcj@cm-gouveia.pt

Entregues no Gabinete de Apoio ao Munícipe até dia 12 maio.

Para mais informações:

Email: cpcj@cm-gouveia.pt

Contactos: 924 187 985/ 962 026 849

 

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