A escola mudou pouco, os adolescentes mudaram muito

Março 18, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia do Público de 15 de março de 2016.

Marco Duarte

ANDREIA SANCHES

Reacções ao estudo da OMS sobre a adolescência, divulgado nesta terça-feira. Joaquim Azevedo, investigador da Universidade Católica, avisa que “a indisciplina cresce, cresce, cresce” cada vez mais.

No seu trabalho, Joaquim Azevedo, investigador da Universidade Católica, doutorado em Ciências da Educação, acompanha escolas diariamente. Visita-as, fala com alunos e professores. E regista o seguinte: “A indisciplina cresce, cresce, cresce” cada vez mais. E, com este clima na escola, “se os adolescentes se sentissem lá muito bem, isso é que era estranho”.

Este é o primeiro comentário que faz a uma das conclusões do grande estudo internacional sobre a adolescência, divulgado nesta terça-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Um estudo que mostra que os adolescentes portugueses são dos que se sentem mais apoiados pela família, têm consumos de álcool ligeiramente abaixo da média observada noutros pontos do globo e, mais dos que os outros, quando têm relações sexuais usam preservativo. Boas notícias, portanto. Mas — e esta é a primeira má notícia — a escola em Portugal é pouco amada.

Dados: cerca de um quarto dos adolescentes de 15 anos dos 42 países e regiões participantes no estudo da OMS gostam “bastante” da escola. A Arménia tem o melhor resultado, a Bélgica francófona o pior. Portugal surge na 33.ª posição: só 11% dos rapazes e 14% das raparigas de 15 anos dizem que gostam muito da escola.

O problema não são os colegas — que são, na verdade, o que os portugueses mais gostam na escola. O problema são mesmo as aulas, consideradas aborrecidas, e “a matéria”, que é descrita como excessiva, explicou Margarida Gaspar de Matos, a investigadora que em Portugal coordena este estudo da OMS desde que, em 1998, o país começou a participar.

A indisciplina, prossegue Joaquim Azevedo, é, então, uma das culpadas. E tem crescido por muitas razões, diz. Uma delas é que “a escola não cativa”. Os professores queixam-se de que “os alunos chegam desmotivados”, o que “também é esquisito”, porque a motivação também se ganha na escola. Mas o facto é que “a escola mudou pouco e os adolescentes mudaram muito”.  E se se tenta ensinar “nativos digitais” de uma forma semelhante àquela que “existia há 50 anos”, como acontece, dificilmente os “nativos digitais” gostarão muito das aulas.

Segundo a OMS, os adolescentes portugueses são também dos que maior pressão relatam ter com a vida escolar: o país está na lista dos 10 onde, aos 15 anos, a “pressão com os trabalhos escolares” é maior, acompanhado da Finlândia e da Espanha, entre outros.

Os portugueses são, igualmente, dos que menos se têm em conta como alunos. É assim desde cedo: aos 11 anos, aparecem quase no fim da tabela, com a 38.ª pior auto-avaliação do seu desempenho escolar. Aos 15 é pior. Só 35% das raparigas e 50% dos rapazes consideram que têm bom desempenho escolar, quando a média dos 42 países é 60%.

A secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, tutelada pelo Ministério da Educação, reconhece o problema e faz saber: “Torna-se prioritário encontrar novas formas de motivar os alunos para o infinito mundo de aprendizagens que a escola lhes pode dar: o desporto escolar e a promoção de hábitos de vida saudáveis são temas a que daremos total prioridade e que, esperamos, contribuirão para combater a insatisfação dos nossos jovens face à escola. Queremos ainda dar um novo fôlego à educação para a cidadania e à valorização da educação não formal, também enquanto ferramentas de educação para a diferença, fazendo frente aos níveis elevados de bullying a que tantos adolescentes estão sujeitos, conforme releva mais uma vez este estudo.”

“Currículo pouco amigável”

José Morgado, professor do departamento de Psicologia e Educação do ISPA-Instituto Universitário, também analisou os dados. E diz que esta conjugação — não temos uma relação forte com a escola, sentimo-nos pressionados por ela e achamos que não somos grande coisa como alunos — não existe por acaso. “É a tempestade perfeita.” E, em parte, tem a ver com o facto de “o sistema se ter orientado, de uma forma absolutamente excessiva para os resultados” — ou seja, para os exames e para as notas que neles se conseguem.

O professor de Psicologia aponta ainda o dedo ao “currículo pouco amigável” que se adoptou em Portugal. “Um currículo muito extenso, muito colado ao manual escolar.” Lembra que só entre o 1.º e o 9.º ano, o Governo definiu “mais de 900 metas” curriculares, enquantro “outros países andam a trabalhar para diminuir a extensão” dos currículos e torná-los “mais integrados”.

Mas para se sentirem bem na escola, continua Joaquim Azevedo, que integra o Serviço de Apoio à Melhoria das Escolas (uma estrutura da Católica) os adolescentes não precisam que ela seja fácil. “Uma escolha acolhedora é uma escola disponível para orientar” os jovens, “muito exigente em termos de ensino” e com bons professores, sublinha.

Outros países investiram muito “na melhoria das competências dos professores”, lembra, defendendo que, desde logo, 16 valores (numa escala que vai até 20) devia ser a média mínima exigida em Portugal a quem quer tirar um curso para ser professor.

Bullying é problema

Beatriz Pereira, investigadora do Centro de Investigação em Estudos da Criança, do Instituto de Educação, na Universidade do Minho, diz que coisas tão simples como dar oportunidade aos adolescentes de escolherem mais actividades escolares — teatro, desporto, canto, por exemplo, — e de as desenvolverem “ajudaria a reforçar os laços com a escola, a vestirem a camisola”. Dentro da sala, contudo, o que faz mesmo a diferença, concede, é o professor e, por isso, também acha que se deve apostar mais e mais na formação dos docentes.

Health Behaviour in School-aged Children, divulgado nesta terça-feira, é um estudo feito de quatro em quatro anos pela OMS. Baseia-se nas respostas de mais de 220 mil adolescentes europeus e do Norte da América (6000 portugueses). A recolha foi feita em escolas com 6.º, 8.º e 10.º anos, em 2014. O objectivo é avaliar hábitos, consumos, comportamentos, com impacto na saúde física e mental dos jovens. E a escola, diz-se, tem um enorme impacto.

O estudo não inclui perguntas que permitam aferir se a indisciplina, de que fala Joaquim Azevedo, aumentou ou não. Mas há dados sobre bullying por exemplo. Aos 11 anos,  entre 11% (raparigas) e 17% (rapazes) disseram que foram alvo de bullying na escola, “duas ou três vezes por mês nos últimos dois meses”. O país tem a 16.ª taxa mais alta de alunos de 11 anos que se dizem vítimas de bullying.

Aos 15 anos (entre 9 e 12% dizem-se vítimas) estamos comparativamente pior — em 12.º lugar em 42 países.

José Morgado diz que estudos nacionais até têm apontado para percentagens mais altas. Seja como for, uma coisa é certa: “O bullying continua a ser um problema, e é tão importante trabalhar com as vítimas como com os agressores, como com os assistentes — os alunos que assistem e que podem ter um papel mais activo”, nomeadamente na denúncia do problema nas escolas.

 

 

 

 

Anúncios

Os adolescentes portugueses têm um problema com a escola. E tem piorado

Março 16, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , ,

Artigo do Público de 15 de março de 2016.

1037250

Andreia Sanches

Grande estudo da OMS sobre a adolescência. Portugal é dos países onde há menos jovens a dizer que gostam muito da escola. E os seus níveis de satisfação com a vida já conheceram melhores dias. Mas em muitos aspectos são mais saudáveis.

Os adolescentes portugueses sentem-se mais apoiados pela família. Queixam-se menos de dores de cabeça, de estômago, de dificuldades em dormir. São dos que mais tomam o pequeno-almoço todos os dias, o que, é sabido, é bastante saudável. Têm consumos de álcool ligeiramente abaixo da média observada noutros países. E fumar vai sendo menos frequente. O novo grande estudo internacional sobre a adolescência, da Organização Mundial de Saúde (OMS), faria respirar de alívio milhares de pais em Portugal se ficássemos por aqui. Mas não é o caso. Primeira má notícia: os adolescentes portugueses são dos que gostam menos da escola, em 42 países e regiões analisados. E piorou bastante nos últimos anos.

“Quando em Portugal perguntamos do que é que gostam na escola, as aulas aparecem em último lugar. Pior que as aulas, só mesmo a comida da cantina. E isto tem sido recorrente, somos sempre dos piores no gosto pela escola e na percepção de sucesso escolar. Não há nenhuma razão demográfica ou geográfica que eu conheça que explique tal, e o atraso provocado pelo obscurantismo de antes do 25 Abril (sendo uma incontestável verdade) já devia, por esta altura, estar ultrapassado.” Quem o diz é Margarida Gaspar de Matos, a investigadora que em Portugal coordena este estudo da OMS desde que, em 1998, o país começou a participar.

Chama-se Health Behaviour in School-aged Children, é feito de quatro em quatro anos. Os resultados da edição de 2014/2015 são apresentados nesta terça-feira de manhã, em Bruxelas. Baseiam-se nas respostas de mais de 220 mil adolescentes europeus e do Norte da América.

A recolha foi feita em escolas com 6.º, 8.º e 10.º anos. O objectivo é avaliar hábitos, consumos, comportamentos, com impacto na saúde física e mental, em diferentes fases de crescimento: aos 11, aos 13 e aos 15 anos.

Em Portugal participaram 6000 adolescentes — em Dezembro de 2014 o PÚBLICO divulgou as primeiras conclusões do inquérito nacional, aplicado nesse ano, que mostravam um número crescente de jovens a queixar-se de sintomas que revelavam mal-estar psicológico, tristeza, stress, insatisfação. Agora, com este relatório internacional, esses dados são vistos à luz do que se passa noutros pontos do globo.

A escola vai mal

Gostas muito da escola? Cerca de um quarto dos adolescentes de 15 anos dos 42 países e regiões participantes dizem que sim. A Arménia tem o melhor resultado, a Bélgica francófona o pior, Portugal surge com a 33.ª pior posição: só 11% dos rapazes e 14% das raparigas dizem que gostam bastante da escola.

Os adolescentes portugueses são também dos que maior pressão sentem com a vida escolar e dos que menos se têm em conta como alunos. É assim desde cedo: aos 11 anos, aparecem quase no fim da tabela, com a 38.ª pior auto-avaliação do seu desempenho escolar. Aos 15 é pior. Só 35% das raparigas e 50% dos rapazes consideram que têm bom desempenho escolar, quando a média dos 42 países é 60%.

553043

Os macedónios, os albaneses, os búlgaros, os israelitas e os ingleses são os que mais acham que na escola até se saem bem; os portugueses e os húngaros estão no extremo oposto.

“Isto é um forte alerta aos responsáveis pela educação neste país”, diz Margarida Matos, em resposta ao PÚBLICO. “É preciso avaliar a situação, identificar determinantes, estudar casos de sucesso noutros países, aprender com o que funciona bem. A minha percepção, neste e noutros casos, é que temos uma tendência nacional para nos esmerarmos na legislação, mas esta raras vezes é antecedida de uma avaliação dos pontos fortes e fracos das situações e ainda mais raras vezes é seguida por um estudo das consequências e dos riscos. Do ponto de vista da populações (e neste caso das famílias) parece que os governantes andam a saltar de medida em medida ‘apenas’ para fazer diferente, sem grande racional por trás.”

Nem sempre estivemos tão mal: em 1997/1998, ano de estreia dos portugueses no estudo da OMS, o país era o 2.º no gosto pela escola, em 28 participantes. Melhor do que a Noruega, Israel ou os Estados Unidos, por exemplo. Mais de um terço dos jovens portugueses de 15 anos diziam então que gostavam muito da escola.

Em 2001/02 descíamos para 8.º no ranking. Quatro anos depois já aparecíamos em 22.º. E se em 2009/10 se registou uma ligeira melhoria (o país ficou 21.º), em 2014/15 estamos pior do que nunca, com o tal 33.º lugar.

O problema não são os colegas — que são, na verdade, o que os portugueses mais gostam na escola, seguindo-se os “intervalos” entre aulas. O problema são mesmo as aulas, consideradas aborrecidas, e “a matéria”, que é descrita como excessiva, prossegue a investigadora da Faculdade de Motricidade Humana, da Universidade de Lisboa.

As diferenças de género são evidentes: as raparigas têm quase sempre pior percepção da sua competência escolar. Aos 15 anos gostam menos da escola do que eles. E são também elas que mais se mostram mais stressadas com os trabalhos para casa. De resto, em Portugal, como no resto do mundo, as meninas estão a suscitar preocupações crescentes aos peritos da OMS. “São mais propensas a relatar saúde irregular, múltiplas queixas, menor satisfação com a vida”, lê-se nas conclusões do relatório internacional.

E a vida em geral?

“A experiência que se tem com a escola pode ser crucial no desenvolvimento da auto-estima e de comportamentos saudáveis. Os adolescentes que sentem que a escola os apoia estão mais propensos a ter comportamentos positivos e a serem mais saudáveis”, prosseguem os peritos da OMS, “têm níveis de satisfação com a vida mais elevados, menos queixas relacionadas de saúde e apresentam menor prevalência de consumo de tabaco”. Em suma: as escolas têm um papel essencial no bem-estar.

Em Portugal, contudo, como já se viu, a escola não parece ser grande fonte de felicidade. E os temas “satisfação com a vida” e “bem-estar” foram mesmo dos mais surpreendentes no inquérito português quando ele foi divulgado no fim de 2014. Quase um em cada três adolescentes disse que se sentia deprimido mais do que uma vez por semana. Eram 13% em 2010. E um em cada cinco alunos do 8.º e 10.º anos magoara-se a si próprio nos 12 meses anteriores ao inquérito, sobretudo cortando-se nos braços, nas pernas, na barriga.

As perguntas relacionadas com auto-lesões não foram incluídas no estudo internacional agora tornado público, uma vez que nem todos os países as colocaram nos inquéritos. Não eram obrigatórias. Mas atente-se, por exemplo, à pergunta sobre “satisfação com a vida”: os adolescentes portugueses estão comparativamente em pior posição, aos 13 e 15 anos, do que os de outros países. Números: em Portugal, 74% das raparigas e 83% dos rapazes de 15 anos deram uma nota de 6 ou mais à sua felicidade (numa escala de 0 a 10); a média do HBSC é de 79% e 87%, respectivamente, o que significa que sobretudo as raparigas portuguesas estão aquém da média. Globalmente, o país aparece neste indicador em 36.º lugar, em 42. Há quatro anos, estávamos melhor, em 28.º.

Os luxemburgueses, os galeses, os ingleses, os polacos e os macedónios são os menos satisfeitos de todos, aos 15 anos de idade. E é na Arménia, na Moldávia, na Albânia, na Holanda e na Suíça que se encontram as maiores percentagens de satisfação com a vida.

“O que aconteceu em Portugal foi que os jovens com elevada satisfação melhoraram, os com muito baixa satisfação continuaram assim, mas os que tinham uma satisfação mediana desceram”, explica Margarida Gaspar de Matos. A recessão económica, diz, “além de ter feito descer a satisfação com a vida, foi fonte de iniquidade, uma vez que não afectou os mais satisfeitos, havendo uma associação da satisfação com a vida com a condição económica — quanto melhor condição económica mais satisfação com a vida”.

Sexo com preservativo

Boa notícia é o facto de quando se fala dos chamados “sintomas múltiplos” — dores de estômago, de cabeça, dificuldades em dormir — o país aparecer muitíssimo melhor do que outros, com percentagens bem abaixo de média de jovens a declarar tais sofrimentos. “Ainda temos um bom Sistema Nacional de Saúde, certo? A precariedade afecta primeiro a satisfação e o bem-estar e só depois a saúde física”, continua a investigadora.

E como se saem os portugueses em matéria de consumos? Há “bons resultados, comparados com as médias HBSC”, prossegue. Comece-se pelo tabaco: 10% das raparigas e 12% dos rapazes de 15 anos fumam pelo menos uma vez por semana, a média dos países do HBSC é 11% e 12%. No que diz respeito ao uso de cannabis passa-se o mesmo (entre 10 e 13% já usaram, a média é 13% e 17%, o país onde há mais gente a consumir é a França, entre 14 e 16%).

553048

 

No que diz respeito ao uso de preservativo, apesar diminuição registada em Portugal, desde 2010, “estamos, ainda assim, nos sete primeiros lugares”, nota Margarida Matos: 75% das raparigas de 15 anos e 73% dos rapazes da mesma idade que já tiveram relação sexuais disseram que usaram preservativo na última relação. Suíça, Grécia e Ucrânia têm as taxas de utilização mais altas; Polónia, Malta e Suécia os piores.

A propósito, mais um dado: aos 15 anos, 13% das raparigas e 26% dos rapazes portugueses disseram já ter ido relações sexuais, contra uma média internacional de 17% e 24%, respectivamente.

As más notícias regressam quando se chega ao capítulo do peso/obesidade. Em Portugal, há mais adolescentes com excesso de peso ou até mesmo obesos do que a média. No grupo dos miúdos de 15 anos, o país está no 12.º lugar (entre 16% e 21%, respectivamente raparigas ou rapazes, apresentam peso a mais ou obesidade, o que significa um ligeiro aumento em relação há quatro anos).

Pesados e parados

As meninas portuguesas de 13 anos são mesmo das que têm mais excesso de peso nos 42 países analisados: 24% têm peso a mais ou estão já obesas, sendo que uma prevalência igual é observada no Canadá e maior só em Malta.

Portugal tem ainda um ponto a seu desfavor: aos 11, 13 ou 15 anos os adolescentes portugueses são dos que menos exercício físico fazem diariamente — o indicador é “60 minutos por dia de actividade física moderada a vigorosa”, que é o recomendado, como lembra a OMS.

“Temos agora uma regulação cuidada sobre a alimentação nas escolas”, nota Margarida Matos. “Mas por qualquer motivo os alunos continuam a queixar-se que comem mal.” Ou seja, “tanto na área da alimentação na escola como na área da prática da actividade física, o que quer que ande a ser feito não está a dar resultado”. Serão necessárias novas abordagens.

Alguma intervenção centrada na “educação para a diferença, para a tolerância e para a expressão convivial de pontos de vista diferentes” é também sugerida pela investigadora, para atacar a questão do bullying.

Aos 11 anos, por exemplo, entre 11% (raparigas) e 17% (rapazes) disseram que foram alvo de bullying na escola, “duas ou três vezes por mês nos últimos dois meses”. A média é 13%. O país tem, assim, a 16.ª taxa mais alta de alunos de 11 anos que se dizem vítimas de bullying.

O cenário piora quando se avalia a percentagem de adolescentes que foram vítimas “pelo menos uma vez nos últimos dois meses” — ou seja, quando se procura aferir um bullying menos frequente, 34% dos alunos de 15 anos dizem ter sido vítimas. Bem acima da média HBSC de 23%.

A coordenadora do HBSC sublinha que “diminuíram muito as situações de vitimização desde 2002” e que “agora estamos ‘apenas’ um pouco acima da média”. Subsiste, contudo, “algo de chamemos-lhe ‘cultural’” — relações interpessoais algo “belicosas” entre pares, mesmo quando se diz que se gosta dos colegas: é “o empurrão”, é o “não deixar falar”, é o “chamar parvo”, é o “insulto ocasional”.

Margarida Matos remata: “Talvez esteja na hora de incluir, nos programas das escolas, um aspecto convivialidade positiva entre pares, nomeadamente nas questões entre idades, entre géneros e entre culturas.”

EntrevistaEm Portugal, a falta de autonomia dos adolescentes “é algo assustadora”

553054

mais gráficos no link:

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/os-adolescentes-portugueses-tem-um-problema-com-a-escola-e-tem-piorado-1726154

 

 

 

Adolescentes europeus estão a fumar e a beber menos. E a iniciar-se sexualmente mais tarde

Março 15, 2016 às 9:42 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

Notícia do Observador de 15 de março de 2016.

Consultar o relatório citado na notícia em baixo:

Growing up unequal: gender and socioeconomic differences in young people’s health and well-being. Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) study: international report from the 2013/2014 survey

Hugo Amaral

Os adolescentes europeus estão a fumar e a beber menos e a começar mais tarde a sua vida sexual, mas o uso do preservativo está a diminuir, conclui um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Realizado entre 2013 e 2014 junto de 220 mil adolescentes de 11, 13 e 15 anos em 42 países da Europa e América do Norte, o inquérito “Health Behaviour in School-aged Children” (HBSC) conclui que os comportamentos de risco estão a diminuir nos adolescentes.

Relativamente ao último estudo do género, realizado em 2009/10, a proporção de jovens de 15 anos que fumaram o seu primeiro cigarro antes dos 13 anos desceu de 24 para 17 por cento, enquanto a percentagem de adolescentes que dizem fumar pelo menos uma vez por semana diminuiu de 18 para 12 por cento.

Também no consumo de álcool, o relatório detetou “declínios consideráveis” face ao último relatório, com a percentagem de jovens de 15 anos que dizem consumir álcool semanalmente a cair de 21 para 13 por cento e a proporção de adolescentes que diz ter ficado bêbedo pelo menos duas vezes a cair de 32 para 22 por cento.

“Este relatório tem uma série de muito boas notícias. A redução do álcool e do tabaco significa que as políticas que os países têm estado a implementar estão a tocar nos riscos do tabaco e do álcool nos jovens. Mas os países precisam de se manter vigilantes com as raparigas, mais do que com os rapazes”, disse à Lusa Gauden Galea, diretor da divisão de doenças não comunicáveis e promoção da Saúde do escritório da OMS para a Europa.

Com efeito, segundo o relatório, os rapazes têm maiores probabilidades de fumarem e de beberem, mas a diferença tende a esbater-se nos últimos anos.

“Temo que, embora haja um declínio em ambos, que o declínio nas raparigas não seja tão grande como nos rapazes”, disse Galea.

No que diz respeito ao comportamento sexual, questão que só foi colocada aos jovens de 15 anos, o relatório conclui que a percentagem de adolescentes que diz já ter tido relações sexuais baixou de 29 para 24 por cento no caso dos rapazes e de 23 para 17 por cento no caso das raparigas.

No entanto, diminuiu a percentagem de jovens que usam preservativo, de 78 para 65 por cento.

“É uma área que estamos a tentar abordar com os países na Europa e (…) pediremos aos 53 estados membros que considerem formas de melhorar o acesso aos contracetivos, mesmo entre adolescentes”, disse Gauden Galea, numa entrevista telefónica à Lusa.

Para o responsável, “é importante que os jovens tenham um entendimento dos riscos, tanto em termos do impacto da gravidez nas suas vidas futuras (…) como num aumento do VIH e de outras doenças sexualmente transmitidas”.

Galea defendeu que “é preciso fazer mais” e explicou que a abordagem passa por “educação sexual positiva e proativa”, mas também por permitir que os jovens tenham acesso aos “instrumentos que lhes permitam proteger-se e às competências para exigi-lo aos seus companheiros”.

Os investigadores detetaram ainda uma pequena redução na proporção de adolescentes que dizem ter-se envolvido em lutas pelo menos três vezes nos últimos 12 meses. As lutas são mais frequentes nos rapazes e diminuem com a idade.

O bullying é outra questão analisada no relatório da OMS e, embora não haja grandes mudanças na probabilidade de se sofrer de bullying na adolescência, há uma ligeira redução na percentagem de jovens que admite ter feito bulliyng sobre outros aos 13 e 15 anos.

O relatório HBSC é realizado de quatro em quatro anos desde há 33 anos e tem influenciado as políticas e a legislação em vários países europeus, diz a OMS.

Texto de Agência Lusa.

 

 

Empowering young people, eliminating bullying – ENABLE resource pack for students, teachers, parents and campaigners

Março 12, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

enable

descarregar o booklet no link:

http://enable.eun.org/implementing_enable

ENABLE aims to combat bullying and contribute to the well-being of children through a holistic approach that tackles bullying, not only in school but also in outside contexts that impact on well-being, engages students, parents/carers and key actors in schools, and builds on an empirical understanding of the causes and effects of bullying and effective counter-measures.

The objective is to empower and inform young people, using proven holistic approaches and innovative resources, to monitor and refl ect on their own behaviour and deepen their understanding of its impact on others. It addresses victims, bystanders and perpetrators who are often victims themselves of bullying.

Key Outputs:

  • A systematic review of anti-bullying methodologies, published on structured data sheets
  • An accessible book on bullying and anti-bullying methodologies
  • SEL lesson plans and modules, easily integrated into school curricula
  • Peer training resources and courses for students, parents/carers and other key infl uencers
  • Adaptable courses and peer training for teachers, school staff, young people
  • Training sessions for parents/carers
  • Training material and training for helplines and school psychologists
  • Innovative on- and offl ine applications for youth to refl ect on and counter bullying

 

 

Apresentação de “Miguel Sarapintas” em Felgueiras, na próxima sexta feira, dia 11

Março 7, 2016 às 3:51 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

12800405_578260102337798_8308507155719731837_n

 

Sou o autor convidado para a Semana da Leitura do Agrupamento de Escolas D. Manuel de Faria e Sousa – 15 e 16 deste mês e 20 de abril.

Sou o autor deste ano convidado para a Semana da Leitura do Agrupamento de Escolas D. Manuel de Faria e Sousa, de Felgueiras. Visitarei todas as escolas do Agrupamento nos próximos dias 15 e 16 e no dia 20 de abril, para falar do livro “Miguel Sarapintas e o pinto de três patas” aos 578 alunos.
O Agrupamento está igualmente a organizar uma apresentação pública da obra para a próxima sexta feira, dia 11, pelas 21h00, no polivalente da EB 1 de Felgueiras (Escola de Moutelas), na Rua dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras. O evento é destinado a toda a comunidade escolar, pais, instituições e à comunidade em geral. A apresentação crítica literária estará a cargo de Rolando Costa, professor e adjunto do diretor do Agrupamento, e a abordagem sobre a violência escolar será orientada por Adriana Sampaio, psicóloga da instituição. A sessão cultural será animada por alunos dos estabelecimentos de ensino do Agrupamento.
A escolha do local da apresentação é duplamente simbólica para mim: foi nesta escola onde conclui, no ano letivo de 1973/74, a então “escola primária” e, onde, passados muitos anos (em 2010), testei o texto do livro antes da sua publicação, numa turma do então 2.º ano do 1.º Ciclo.

José Carlos Pereira

Cartão Vermelho ao Bullying

Fevereiro 23, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

tu

O Bullying é um problema que está cada vez mais presente no desporto.

Partindo do pressuposto que todas as crianças e jovens têm direito a praticar desporto, independentemente do seu nível, e de fazê-lo em condições de segurança e livres de bullying, o IPDJ. I.P., através do Plano Nacional de Ética no Desporto – PNED, e a Faculdade de Motricidade Humana, lançam esta brochura informativa.

Chama-se “Cartão Vermelho ao Bullying”, e destina-se a crianças e jovens, em particular. Trata-se de uma ferramenta educativa e preventiva contra o bullying

Faça aqui o download da brochura

 

Estamos Tão Pequeninos – Vídeo das Histórias do Lucas

Fevereiro 18, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

2ªf. a 6ªf, às 8h00 e às 17h00, a série televisiva Histórias do Lucas a emitir pela RTP 2, inserida no programa Zig Zag.

Esta série de animação é fruto de uma parceria entre o Instituto de Apoio à Criança, a Fundação Lapa do Lobo, a GO TO e a RTP 2.

Facebook. Mãe, pai… precisamos de falar

Fevereiro 6, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , ,

Reportagem do Observador de 21 de janeiro de 2016.

tbys_infografia_final

Hugo Tavares da Silva

Mil jovens portugueses falaram sobre privacidade no Facebook num estudo feito em Portugal. O Observador foi a reboque e ouviu conselhos de 5 adolescentes para os pais. Está na hora de os ouvir.

Nenhuma conversa que tem como ponto de partida um seco “temos de falar” é fácil. Em inglês, o famoso “we need to talk” é bem mais sedutor, mas isto será em bom português. O objetivo? Evitar climas de guerra fria à mesa de jantar, rostos corados ou episódios embaraçosos. Ou seja, é uma espécie de “não me esperes na porta da escola, fica ao fundo da rua” da era digital. Este é um manual de boas maneiras, sobre e para os utilizadores das redes sociais, nomeadamente o Facebook. Estratégia para os pais? Bom, é engolir em seco, pegar num bloco de notas e fazer scroll down

Publicar fotografias dos filhos em pequenos é coisa para haver chatice. Se houver bónus — poses esquisitas, sem roupa, com óculos ou aparelho –, então boa sorte. Comentários de papás babados, a dizer coisas como “ahh, sais mesmo à tua mãe”, publicar artigos que deveriam ser do interesse do filho, ancorados por um “olha, é bom para ti”, também é provável que resulte numa ligeira azia.

A rede social de Mark Zuckerberg tem qualquer coisa como 1500 milhões de utilizadores espalhados pelo mundo. Em outubro de 2015, quase cinco milhões de portugueses tinham conta no Facebook. É, por isso, todo um mundo novo nas ligações entre pais e filhos. Nem tudo é embaraço ou estorvo, pois há também espaço para conselhos, recomendações, hábitos e privacidades. E também, porque não, provas de confiança de parte a parte.

Uma coisa de cada vez. Comecemos pela razão que fez o Observador desencantar cinco jovens para falar sobre a sua experiência nas redes sociais. O Facebook e a MiudosSegurosNa.Net, uma plataforma que visa garantir a segurança de crianças e adolescentes na internet, apresentaram esta quinta-feira uma campanha (“Pensa antes de Partilhar”) sobre os hábitos e desafios que os jovens enfrentam diariamente nessas águas que parecem sem limite — o objetivo passa também por servir de bússola, para orientar pais, filhos e educadores, sobre como melhorar a sua proteção e segurança.

Para tal, foram entrevistados mil jovens com idades entre os 14 e 18 anos. Os autores do estudo destacam o facto de 80% dos inquiridos terem já recorrido às ferramentas de privacidade para bloquear alguém; já 94% censura e acha incorreto que se publiquem fotografias negativas ou embaraçosas. Para casos mais problemáticos, onde o jovem se sente incomodado ou visado, 75% deles admitiu que pediria ajuda. Um dos jovens ouvidos pelo Observador (nomes fictícios) foi vítima de bullying no Facebook e a mãe foi chave nesse processo.

De acordo com o estudo publicado esta quinta-feira, a internet é o meio de comunicação mais natural e recorrente entre os jovens. A quantidade de plataformas, aplicações, redes sociais, ajuda a explicar o fenómeno: as adolescentes inquiridas têm, em média, 3.6 contas em redes sociais, contra 2.9 dos rapazes. Oitenta e cinco por cento usa o telemóvel para o toma lá dá cá, mas também recorrem a computador e tablets. Conclusão: em média, os jovens entre os 14 e 18 anos usam 2.5 dispositivos.

Quanto a privacidade, 80% dos inquiridos admite que já bloqueou alguém, tendência que se confirmou nas conversas entre o Observador e os cinco adolescentes. Apenas metade dos mil entrevistados partilharia a sua password com alguém, sendo que os pais ganhariam no campeonato da confiança (54%), seguidos pelo melhor amigo/a (34%) e pelo namorado/a (34%). Sessenta e um por cento das meninas já pediu que fossem apagadas fotografias ou conteúdos em que estejam inseridas, contra 41% dos rapazes, quem sabe menos preocupados com a imagem.

Em casos de abordagens menos simpáticas, casos realmente incómodos, o que fariam estes jovens? Setenta e cinco por cento deles pediria ajuda. No topo da lista voltam a surgir os pais (54%), seguidos por amigos (26%) e autoridades (24%). Uma coisa é certa para estes garotos: não é correto publicar fotografias más ou embaraçosas (considera 94% dos inquiridos), assim como não é de bom tom publicar sem pedir autorização a quem aparece (69%), mesmo que as fotografias sejam de alto gabarito.

Maria, 17 anos: “Faz-me um bocado confusão aquilo de meterem fotografias de quando somos bebés”

O tom e a articulação das palavras não fazem adivinhar a idade no bilhete de identidade. Do outro lado da linha está Maria, uma rapariga que começou a usar o Facebook aos 11 anos. “Na altura só nos podíamos inscrever com 13 anos, por isso lembro-me de ter metido outra data de nascimento”, recorda. Maria ganha à média do estudo, pois tem contas nas redes sociais Facebook, Instagram, Snapchat e Twitter.

Maria tem os pais no Facebook, que usam apenas um perfil, o da mãe. “No início houve apenas uma conversa sobre não meter fotos vergonhosas ou muitas publicações no meu mural”, conta. “E não meter também comentários nas fotografias como ‘ahh, sais à tua mãe’, ‘é bonita’, aquelas coisas de mães e pais… até dos avós! É quase a família toda com Facebook!”

Há pais que usam também esta ferramenta para deixar recados, o que faz adivinhar algum desconforto alheio. “Quando eu era mais nova, às vezes, a minha mãe deixava [no meu mural] artigos sobre limpar a casa e dizia ‘devias começar a fazer também assim’. Agora já não faz tanto. Publica na mesma, mas não desse género”, conta.

E situações que façam comichão, há? “Faz-me um bocado confusão aquilo de fazerem comentários, de irem comentar fotos de amigos, fazerem publicações mais estranhas ou meterem fotografias de quando somos bebés. Aquelas coisas esquisitas…”, revela, com um fair play e boa disposição assinaláveis. “Adicionar amigos não há problema, desde que não publiquem coisas nos Facebooks deles ou haja conversas e coisas estranhas.” As linhas vermelhas, não há volta a dar, posicionam-se junto às coisas estranhas e esquisitas.

Vamos a conselhos, mães e pais? “Não façam comentários. Não andem a cuscar e quando chega a hora de jantar digam ‘então aquilo que publicaste no Facebook e tal…’, não vale a pena. E não façam comentários nos Facebooks dos amigos”.

Francisca, 15 anos: “Não há conselhos que possa dar, eles usam o Facebook muito mais do que eu”

Esta jovem nem é fã de Facebook, já desativou a conta e voltou a criar outra, porque a dinâmica escolar assim o exigiu. Francisca prefere Twitter, Instagram, Snapchat e Tumblr. “Quando criei a minha primeira conta no Facebook, a minha mãe não concordava muito com isso, porque na altura ela não sabia como funcionava. O meu pai não se importava”, conta. Um vírus levou-a a apagar a conta: “Enviava mensagens automáticas como se fosse eu para muita gente, com o link do vírus. Foi aí que me passei e desativei a conta.” Agora, diz, vai lá apenas para dar um olho às modas: “A cusquice fala mais alto. E, como agora se veem muitos vídeos de experiências sociais, é mais interessante.”

Quanto a publicações e definições de privacidade, admite que já teve o seu momento ‘whaaat?’. “As fotos na minha outra conta não são nada de embaraçoso, mas são daquelas coisas que dão vontade de rir e pensar ‘o que raios tinha eu na cabeça?!’. Sempre fui uma pessoa muito fechada relativamente ao Facebook, portanto tenho a sorte de não ter muita coisa para me arrepender”, admite. Francisca disse ainda ao Observador que não permite ser identificada em publicações que todo o público da rede social tenha acesso, embora admita que deixa “amigos de amigos” verem essas publicações. Ou seja, um universo que ela desconhecerá, naturalmente.

Os pais não a envergonham, nadica de nada, quiçá a lógica seja ao contrário. “Não há conselhos que possa dar, eles usam o Facebook muito mais do que eu, e têm uma ideia maior de como as coisas funcionam por aqueles lados”, diz. E garante: “Era capaz de dar a minha password aos meus pais, confio plenamente neles, mas tenho a certeza que eles não lhe dariam uso algum.”

Miguel, 18 anos: “Parem de usar reticências em tudo o que dizem!”

Com contas no Instagram, Snapchat, Pinterest, este rapaz de 18 anos já usa o Facebook desde 2012. Miguel tem as ideias bem definidas quanto ao que os pais não devem fazer, e os pontapés na gramática será o que mais lhe custa.  “Tenho a minha mãe no Facebook, o meu pai não tem conta nessa rede social. Somos bastantes próximos por isso não houve problema qualquer.” A password da conta partilhá-la-ia com os pais ou com o melhor amigo.

Miguel nunca publicou fotografias embaraçosas, mas já foi objeto e alvo do mesmo. “Foi no gozo, até era bastante engraçado”, admite. “Nunca tive problemas a não ser conversas pessoais desagradáveis no Facebook Messenger. Quando tenho comentários desagradáveis, procuro perceber a razão para tal e remediar, se o caso for muito grave, aí peço ajuda.” E recorda um episódio menos simpático: “Bloqueei uma rapariga que é prima do meu melhor amigo. Ela mandava-me 20 mensagens por dia e era bastante incómodo”.

É que este rapaz prefere o Facebook para acompanhar a vida de algumas pessoas e “ver coisas engraçadas como vines“. “Tenho cuidado com quem aceito como amigo, aceito apenas quem conheço. Defino as minhas publicações apenas para os meus amigos verem. Não tenho problemas em ser marcado nas publicações deles. Se forem ofensivas, aí sim, há problemas.”

Se os pais ainda têm unhas para roer ao terceiro adolescente desta lengalenga, chegou a parte do outro lado da moeda. “Os meus pais não me envergonham, quando muito sou eu que os envergonho!” Bom, isto correu bem. E haverá algum dark side, ao estilo “Guerra das Estrelas”?

“Os pais não têm cuidado algum com a escrita, têm um português mau, não têm cuidado com a pontuação”, arranca. “Conselhos? Corrijam o vosso português, usem a pontuação como deve ser. Não comentem as fotos dos vossos filhos, pode ser embaraçoso para eles. Não sejam viciados nesta rede social. Não partilhem tudo e mais alguma coisa porque a certa altura fica demasiado amontoado. Parem de usar reticências em tudo o que dizem!” Okay

Marta, 17 anos: “Veem-se muitos casos de bullying no Facebook, muitos mesmo”

Tinha 12 anos e o processo foi simples: “Disse à minha mãe que queria uma conta, e ela ajudou-me a criar a conta. Ela disse-me para ter cuidado com quem falava, já tinha havido essa conversa”, conta. Marta tem contas no Facebook, Instagram, Twitter, Tumblr e Snapchat.

Esta adolescente tem os dois pais no Facebook, mas apenas um deles lhe dá dores de cabeça. “O meu pai não faz nada, não mete gostos, não manda mensagens, não faz nada. A minha mãe mete coisas que não sou apaixonada no meu perfil, como publicações de maquilhagem… e eu digo ‘eu não quero saber disso!!’”, diz, com os decibéis mais alterados, talvez para a mãe ouvir.

Os risos e o tom mais leve desapareceram quando referiu o caso de bullying de que foi vítima nesta rede social. “Foi no nono ano. O grupo [no Facebook] era da minha turma, servia para discutir trabalhos. Depois uma rapariga falou mal de mim, atacou-me verbalmente, com asneiras”, lembra. “Disse-lhe que não devia fazer isso, os outros viram e não fizeram nada. A minha mãe acabaria por descobrir, por me ver triste, foi comigo à professora, que falou depois com a rapariga.”

Agora o caso já não a afeta muito, mas diz que essas histórias são recorrentes. “Agora tenho mais cuidado com grupos. Quando vejo alguém a sofrer o mesmo, tento defender. Sei que é mau estar naquela posição. Veem-se muitos casos desses, muitos mesmo. Normalmente é o elo mais fraco, ou porque fala menos, ou porque é quem está mais de parte”, esclarece.

As cautelas de Marta estendem-se às fotografias. “Tenho cuidado em não mostrar certas partes do corpo, em não falar com pessoas que não conheço, tenho de conhecer ao vivo primeiro.” A adolescente admite ainda que já alterou as definições de privacidade, para que apenas amigos possam ver o que publica.

E conselhos para os pais, que se encontram meio enrolados neste tsunami tecnológico? “Não coloquem fotografias de quando os filhos são mais novos. Seja porque fomos mais gordinhos, ou tínhamos aparelho, ou havia algo que não nos sentíamos bem. Os pais podiam perguntar. Já me aconteceu, sim. Tinha ar de criança, usava óculos… não foi muito agradável”, alerta.

Há mais? Ora essa: “Não cusquem os vossos filhos. O meu pai já me perguntou uma vez sobre uma foto com um rapaz: ‘entããããão quem é o rapazinho?…’. Fiquei sem saber o que dizer, porque nem tenho boa ligação com ele. Com a minha mãe diria que ‘é o António ali da esquina’ ou assim, sem problema. Fiquei um bocado nervosa.”

Ato III: “Não se apeguem muito ao Facebook, vivam as coisas, com as pessoas. Vejo isso um bocadinho: os pais chegam a casa, fazem jantar, vão ao computador ver as notificações, jogar o Candy Crush. Podiam passar esse tempo com os filhos, a falar como correu o dia na escola.” Mas isso não é o que acontece normalmente ao contrário? “Sim, também. Acontece muito…”

Ana, 17 anos: “A melhor forma de usarem as redes sociais é confiarem nos filhos”

Com contas no Twitter, Tumblr e Pinterest, Ana usa o Facebook desde o sétimo ano, pois “toda a gente estava a criar”. Esta adolescente também conta com os pais na lista de amigos, algo que é pacífico. “Simplesmente adicionei-os, sinto que não tenho nada a esconder e que não há necessidade para tal coisa”, garante.

E o que fazem eles? “Geralmente mandam-me publicações de animais para ver, mas por mensagens. O resto das publicações ou dão gosto ou ignoram, também não me preocupo com isso e até brinco a dizer ‘aaah, achas bem não meteres like nas fotos das paisagens que tiro?’” Curiosamente, a única coisa que desassossega Ana não é os pais navegarem no mesmo oceano 2.0 que ela, mas sim o facto de eles verem os vídeos do Facebook “muito alto na sala”.

Ana usa pouco o Facebook. “Partilho vídeos que gosto ou ponho fotos que tiro, já que gosto de fotografia. Não costumo falar com muita gente. Quanto a privacidade, tenho aquilo definido só para amigos, e apenas sou marcada em publicações se aprovar.” Apesar de usar pouco a rede social, há sempre aqueles momentos que oferecem pele de galinha: “Quando vejo o que publiquei há uns anos, há coisas que apago porque são bastante embaraçosas.” Ana também opta por denunciar posts que não gosta.

E bullying? “Creio que sim, há muita gente que sofre bullying em qualquer rede social. Quer seja através de comentários de fotos, posts ou por mensagem. Há sempre alguém que gosta de gozar e criar confusão”, admite. E garante: “Nunca bloqueei ninguém, mas já eliminei amizades, pois não gosto de ter no meu feed pessoas com preconceitos, racistas, homofóbicos, ou que sejam apenas estúpidos.”

Para os pais, aqui segue a sabedoria do alto dos seus 17 anos: “Acho que a melhor forma de usarem as redes sociais é confiarem nos filhos e, se virem algo estranho, falar com eles, mas sem pressionar. Também não devem comentar fotos com comentários como ‘estás tão linda filha, beijinhos’, quase em formato de carta. Toda a gente acha isso estranho, especialmente quando vem de familiares. Os pais devem também mostrar aos filhos quando publicam fotos deles, para não ser uma surpresa desagradável.”

visualizar um vídeo inserido na reportagem no link:

http://observador.pt/especiais/facebook-mae-pai-precisamos-falar/

 

 

 

 

III Conferência “Bullying em Contexto Escolar” 29 de janeiro em Setúbal

Janeiro 20, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

unnamedmais informações:

http://www.lati.pt/eventos.php?id=134

Tertúlia Bullying e Ciberbullying : Razões, efeitos, intervenção! 12 de janeiro na ESE Lisboa

Janeiro 11, 2016 às 3:49 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

tertuliamais informações:

http://inquietacoespedagogicasii.blogspot.pt/2016/01/tertulia-12-de-janeiro-2016-bullying-e.html

https://www.facebook.com/InquietacoesPedagogicas/?fref=ts

« Página anteriorPágina seguinte »


Entries e comentários feeds.