Shield My School : a self-evaluation tool to combat bullying

Maio 5, 2014 às 12:00 pm | Na categoria Recursos educativos | Deixe o seu comentário
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a) What is the Self-Evaluation Tool for schools?

The ‘Shield My School’ self-evaluation tool is a component of the ISPCC Shield Campaign which aims to protect children from bullying.

The tool consists of ten statements, referred to throughout the document as Shield Statements. Each of these shield statements is based on international evidence in relation to the management of bullying. The series of questions that follow each shield statement reflect evidence informed practice that has been shown to have a positive impact on bullying.

The self-evaluation tool asks a group of teachers to consider a set of evidence informed statements and questions about their schools approach to bullying. The questions are designed to act as evidence informed prompts to the school to facilitate a self assessment of where they are in relation to the statement and known evidence based approaches to bullying. The process encourages participants to reflect on their approach to bullying, to identify the aspects where they are strong and the areas they would like to improve upon. The self- evaluation tool includes an action plan for schools to record the outcome of their evaluation, their proposed actions, time-frames and review schedule.

Conferência de lançamento do projeto BeatBullying com a presença de Melanie Tavares do IAC

Maio 5, 2014 às 11:46 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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A Dra. Melanie Tavares, Coordenadora da Mediação Escolar do Instituto de Apoio à Criança irá participar na Conferência de lançamento do projeto BeatBullying dia 6 de Maio de 2014 pelas 16.30 h.

 

beat

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Ciclo de Encontros sobre Violência no Namoro e Bullying

Abril 26, 2014 às 1:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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encontros

 

Na tua escola há bullying?

Abril 23, 2014 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Artigo do site Educare de 16 de abril de 2014.

educare

Em termos globais, 62% dos alunos respondem que sim num estudo realizado pela EPIS – Empresários Pela Inclusão Social. Há mais respostas afirmativas do lado das raparigas. O bullying verbal é referido como o mais comum, seguido do físico.

Sara R. Oliveira

A pergunta é direta. Na tua escola há bullying? De setembro a dezembro do ano passado, 1963 alunos do 3.º ciclo do ensino básico, com idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos, de escolas de nove concelhos do país – Amadora, Setúbal, Campo Maior, Évora, Paredes, Matosinhos, Estarreja, Oliveira do Bairro e Madalena na ilha do Pico – responderam a questões elaboradas e colocadas pela EPIS – Empresários Pela Inclusão Social. As respostas demonstram que ainda há trabalho a fazer e que não basta falar do assunto a quem estuda, também é preciso sensibilizar professores, diretores, pais, responsáveis educativos. No fundo, a toda a comunidade. Em termos globais, 62% dos alunos inquiridos admitem que há bullying nas escolas que frequentam. Quando comparados os dados dos alunos em risco com os dos alunos sem risco, conclui-se que os alunos sem risco, 66% da amostra, referem mais vezes que existe bullying do que os alunos com risco (60%). Por género, 67% das raparigas e 57% dos rapazes, uma diferença de 10%, respondem afirmativamente à questão. Cruzando o risco com o género, são as raparigas sem risco que referem mais vezes situações de bullying, ou seja, 69%. O grupo que identifica menos situações são os rapazes com risco (45%). Outra questão sem rodeios. Que tipo de bullying é mais frequente na tua escola? Sessenta e um por cento, dos 1226 alunos que referem existir bullying nas suas escolas, apontam o bullying verbal como o mais comum, seguido do físico (30%). Uma tendência transversal quando a análise é feita por risco e por género. No entanto, neste ponto, as raparigas parecem menos sensíveis ao bullying do que os rapazes. Apenas 27% das raparigas apontam o bullying físico como o mais comum contra 35% dos rapazes. O bullying verbal é apontado como mais comum por 63% das raparigas e 58% dos rapazes. Quando a análise é feita por alunos com ou sem risco, verifica-se que os alunos com risco apontam mais vezes o bullying físico do que os alunos sem risco, isto é, 35% e 24% respetivamente. A tendência inverte-se no bullying verbal. Os alunos sem risco identificam-no mais vezes (66%) do que os alunos com risco (58%). O cruzamento das condições de risco e género permitiu concluir que os rapazes com risco são os que identificam mais vezes o bullying físico como o mais comum na escola e as raparigas sem risco são o grupo que o identifica menos. No que respeita ao bullying verbal, é identificado mais vezes como o tipo mais comum nas raparigas sem risco.

Mais perguntas. Já estiveste envolvido numa situação de bullying? Como? Cinquenta e oito por cento, dos 1226 alunos que referem existir bullying nas escolas que frequentam, revelam já ter estado envolvidos numa situação de bullying: 10% enquanto vítima, 4% enquanto agressor e 44% como espectadores. As raparigas com risco são mais vezes vítimas. O grupo que menos vezes está envolvido enquanto vítima são os rapazes sem risco. Em relação ao envolvimento enquanto agressor, os rapazes com risco são os mais envolvidos (10%) e as raparigas sem risco as menos envolvidas (2%). Os rapazes sem risco são os que referem mais vezes terem assistido a situações de bullying enquanto espectadores (84%).

A EPIS quis também saber se as escolas se envolvem nestes temas e perguntou aos alunos se a escola tem ou teve campanhas ou programas anti-bullying. Cinquenta por cento referem não ter conhecimento de qualquer campanha ou programa anti-bullying na sua escola. Quando comparados os dados dos alunos com ou sem risco, conclui-se que os alunos com risco recordam mais vezes as campanhas do que os alunos sem risco. Quando a análise é feita por géneros, não há diferenças: 50% das raparigas e 50% dos rapazes respondem afirmativamente. Quando se cruzam condições de risco e género, são as raparigas com risco que se recordam mais das campanhas na escola (57%) e as raparigas com risco as que menos se recordam (59%). Quando a pergunta é de que tipo de campanhas se recordam, as ações para alunos são as mais lembradas. Apenas 7% dos alunos se recordam de alguma vez terem tido conhecimento de ações para encarregados de educação e 3% para pessoal não docente. As ações anti-bullying são, de forma geral, mais recordadas pelos alunos sem risco.

Ouvir, denunciar, partilhar

O que fazer quando se assiste ou se é vítima de bullying? Como podem os pais identificar sinais de alarme? Como ajudar o jovem a resolver a situação? Estas e outras perguntas são pertinentes quando o bullying é o assunto. A EPIS elaborou um conjunto de dicas sobre bullying, com base nos resultados de um trabalho teórico e prático desenvolvido nas escolas desde 2007, e consciente do impacto do bullying na vida de crianças e adolescentes. Um documento com conceitos identificados, definidos e explicados, com várias dicas para alunos, pais, professores e diretores. “O bullying é um problema de todos”, sustenta. As dicas chegarão às escolas através do projeto Rede de Mediadores para o Sucesso Escolar e da plataforma Mentores EPIS, que abrangem 154 escolas em 87 municípios.

O que é, na verdade, o bullying? “Termo utilizado para descrever o uso da força, ameaça, coação ou outros atos de intimidação física ou psicológica, exercidos de forma intencional e continuada sobre uma pessoa considerada mais fraca ou vulnerável incapaz de se defender a si própria”. A EPIS explica conceitos. Como o cyberbullying, comportamento de bullying veiculado através da Internet ou de outro tipo de comunicação digital. “Ocorre normalmente pelo envio de mensagens para o telemóvel e publicação de comentários ou imagens nas redes sociais ou blogs, com o objetivo de hostilizar deliberada e repetidamente uma pessoa para a intimidar ou magoar.”

A EPIS lança assim várias dicas para os alunos: mostrar desacordo perante a atitude do agressor, procurar ajuda de adultos, denunciar situações nem que seja anonimamente, manifestar solidariedade com quem sofre. O que fazer quando se é vítima de bullying? Não ficar calado, não ter medo, denunciar. “Se te sentires assustado com uma ameaça ou se perceberes que te vão agredir e não tiveres como te defender, foge! Procura um lugar seguro onde estejam pessoas adultas e conta o que se está a passar. Fugir não é sinal de cobardia. Cobardes são os que agridem e os que são cúmplices.” Contar, denunciar, falar com um adulto, não reagir pagando na mesma moeda. As dicas da EPIS também incluem os pais e encarregados de educação. “Não tire conclusões ou faça suposições antes de saber todos os pormenores. Faça perguntas ao seu filho num ambiente calmo e reconfortante que lhe dê a segurança necessária para dar todas as respostas.” Recolher informações junto de eventuais espectadores, identificar a causa do problema, falar com a escola. Mudanças de comportamento, mudanças de humor, tristeza, choro, irritabilidade, pesadelos, dores de cabeça, arranhões ou contusões, recusa em participar em passeios ou outras atividades da escolas, são sinais que podem indicar vítimas de bullying. No caso dos agressores, os pais devem ter pulso firme, definir regras e limites. “Certifique-se que o seu filho sabe quais as consequências para o seu incumprimento. Aplique-as de uma forma coerente e sempre que as regras não forem cumpridas.” E converse com ele sobre as possíveis consequências do seu comportamento: ser suspenso da escola ou mesmo ter problemas com a justiça.

 

Workshop Bullying Escolar

Abril 17, 2014 às 2:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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DATAS: 26 de Abril de 2014 HORÁRIO: 14h às 18H Alertar, sensibilizar para a problemática do Bullying Escolar e importância da sua prevenção, bem como conhecer o jogo “A A Brincar e a Rir o Bullying Vamos Prevenir FORMADORA: Cátia Vaz DESTINATÁRIOS: Profissionais da área social, Pais, Professores, Familiares, Auxiliares e população interessada CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO: Inscrições até 20 de Abril – 25€ (IVA incluído) Inscrições a partir de 21 de Abril – 30€ (IVA incluído) Inscrições em grupo (mínimo 3 pessoas) usufruem de 5% desconto. Tem acesso há documentação do Workshop e certificado de participação INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES: academy@quimerabrand.pt

Quimera – Brand Management

Largo dos Bombeiros Voluntários de Ovar 87, 3880-133 Ovar

Jogo Prevenção Bullying – Documentário FEUP 2014

Abril 17, 2014 às 12:00 pm | Na categoria Divulgação, Vídeos | Deixe o seu comentário
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https://www.facebook.com/jogobullying

Boletim do IAC n.º 111

Abril 16, 2014 às 1:00 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Boletim do IAC n.º 111 aqui

Navegar sem perder o pé

Abril 9, 2014 às 8:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Entrevista a Rosário Carmona e Costa e Carlos Nuno Filipe pelo Notícias Magazine no dia 31 de março de 2014.

Por: Ana Pago

A mesma porta que a internet abre para o mundo dá passagem a diversas ameaças, sobretudo para as crianças.

A internet mudou a forma como trabalhamos, estudamos, fazemos compras e nos relacionamos, mas as mesmas portas que se abrem para o mundo dão passagem a ameaças insuspeitas. Sobretudo para os mais novos. Navegar com Segurança é o livro que ajuda pais e jovens utilizadores a conhecer as regras e os limites da rede.

Num artigo recente assinado por pediatras no Huffington Post, estes afirmam que as crianças até aos dois anos não devem ser expostas a telemóveis e tablets

ROSÁRIO CARMONA E COSTA: Os pais dão-nos às crianças para as entreterem, é mais prático do que andar com cubos atrás. E isso está na base daquilo que depois se trabalha com adolescentes com dificuldade em escolherem alternativas. Tenho um em consulta que não me consegue apontar cinco coisas de que goste que não envolvam ecrãs. Os pais usam os tablets para regularem o comportamento dos filhos, até para comerem a sopa. Vão a um restaurante e a criança só come com o iPhone ligado. Em vez de seguir o percurso normal, de fazer agora uma tarefa de que não gosta para ter a recompensa a seguir, ela está a ter a recompensa para fazer uma coisa de que não gosta. E se desde o primeiro ano de vida tem que ter o iPhone para comer, como é que regula o seu comportamento num contexto em que não o tenha? Como espera numa aula de 90 minutos? Não desenvolve estas competências. Os pais distorcem dizendo que eles só fazem com o iPhone. Não. Eles só não aprenderam a fazer de outra maneira.

Com que idade é que uma criança está preparada para fazer um uso benéfico da internet e das redes sociais?

RCC: Depende do seu grau de maturidade e do uso que fizer. Se calhar, até sair do famoso estádio das operações concretas, poderá não ser capaz de dar um sentido ao que está a ver. Uma criança até aos sete ou oito anos não o fará por incapacidade de maturação cognitiva. E a partir daí pode não conseguir fazê-lo por outras razões. A única coisa de que tenho a certeza é que até aos três anos a internet não lhe é necessária para nada. Poderá começar a ser interessante no pré-escolar, para ver os números e as letras, mas não é essencial. Só se torna minimamente significativa no primeiro ciclo.

Ainda assim, fala-se muito em nativos digitais e na geração touch-screen…

CARLOS NUNES FILIPE: É um mito isso de as crianças nascerem com propensão para os tablets. Parecem tê-la porque, do ponto de vista do controlo da motricidade, o gesto de afastar do touch-screen é instintivo, muito mais fácil do que virar a folha de um livro. Por isso aderem mais, não porque nasçam com um ADN diferente do dos nossos avós. E um tablet não é, de todo, o mesmo que um puzzle ou um livro. Não tem textura, nem forma, nem cheiro, não pode ser metido na boca. Quando muito, desenvolve competências bidimensionais visuais, nem táteis são. E isso é uma ínfima parcela do que deve ser o desenvolvimento das competências psicomotoras da criança. Só é útil no fim da linha, após terem metido o cubo na boca ou atirado a jarra das flores ao chão.

A internet afeta a construção social da infância?

RCC: Sim. Não tenho um menino em acompanhamento a quem não tenha de fazer treino de competências sociais em algum momento. Há uma série de capacidades que não desenvolveram, as redes sociais propiciam isto. Antigamente, uma jovem acabava com o namorado e tinha que saber verbalizar o sucedido para lidar com a intensidade das reações e conseguir o apoio dos colegas na escola. Hoje, basta-lhe ir ao mural do Facebook e pôr um emoticon triste para desencadear uma série de resposta sociais. Mas será que a primeira pessoa que comenta o seu post seria a primeira a ir ter com ela no corredor da escola? Provavelmente não. Portanto, temos uma série de miúdos que não precisam de grande esforço para conseguir esta ilusão de apoio social.

Permitir que uma criança aceda à internet sem restrições é o mesmo que deixá-la sozinha numa grande cidade?

CNF: Acaba por ser. No fundo, tenho de conhecer o meu filho: se é cauteloso na vida real, irá reproduzir esse comportamento na rede. Se é temerário, tenho que ter cuidados acrescidos. A internet é apenas mais uma plataforma. Que tem, apesar de tudo, características particulares, uma das quais é a facilidade de acesso, condicionadora de imensas coisas. Um jovem não tem que se deslocar para ver um filme pornográfico: basta-lhe estar no quarto quando os pais pensam que está a estudar. Também não precisa de ir ao casino nem provar ser maior de idade para apostar: acede logo à sala do póquer. Esta entrada discreta e sem restrições equivale a ter em cima da mesa, constantemente, substâncias que causam adição. E o limite para não consumir são os filtros do próprio utilizador: a educação, a formação, os valores transmitidos pelos pais.

Mas isso não transmite aos pais uma sensação de falsa segurança?

RCC: Sim. Tive uma adolescente que me dizia: «Nunca estive tão contente por ficar de castigo como agora.» Às sextas, a mãe mandava-a ir para o quarto, onde tinha o computador, o telemóvel, a televisão, o iPad. E os pais estão tranquilos na sua função de educadores (porque a filha está de castigo e até nem levantou ondas), agarram-se à falsa sensação de que ela está em casa, segura, e não é necessariamente verdade. As características da internet que a tornam tão atrativa – o anonimato, a acessibilidade, o estar em todo o lado sem filtros –, juntamente com as características dos jovens – o ensaiar papéis, a importância do social, a pertença a um grupo, mesmo que para isso tenha que enviar e-mails com fotos da colega no balneário –, resultam num cocktail explosivo. Depois tenho, ou não, a tal educação que me permite perceber que isto são fases normativas do desenvolvimento, mas não a todo o custo.

Quais são as principais ameaças decorrentes da rede?

RCC: O cyberbullying é claramente um perigo. Assim de repente conto três meninos, todos em acompanhamento no CADin por outras razões, que em sessões diferentes trazem algo para contar a esse nível. Também do ponto de vista comportamental o uso excessivo da internet tem-se revelado uma ameaça: pais preocupados porque os filhos não se envolvem na escola, crianças que não estudam para passar mais um nível…

CNF: Foi por recebermos tantos miúdos com comportamentos de uso excessivo da internet que sentimos necessidade de entender o fenómeno. A rede tornou-se veículo para uma série de comportamentos que antes se faziam de outra forma, como o bullying ou o jogo. O que procurámos neste livro foi falar com os especialistas que mais sabem sobre novas tecnologias e pô-los em contacto com quem mais precisa.

O que podem fazer os pais e professores para proteger as crianças e educá-las para o mundo virtual?

RCC: Temos aqui duas questões essenciais: uma tem a ver com o tempo passado online, a outra com a qualidade daquilo que elas fazem online. Quando falo com os pais, costumo dizer-lhes que prefiro que o meu filho esteja uma hora ligado, a ver filmes de gatinhos, do que cinco minutos a ver pornografia. Os pais estão muito centrados no tempo, naquilo que os filhos deixam de fazer por estarem ligados: «Ai, o meu filho passa muito tempo online e não estuda, não põe a mesa…» Minimizam os conteúdos. E os pais precisam de estar confortáveis com esta certeza de saberem aquilo que os filhos fazem online, o que ele visitam na rede, com quem se dão.

CNF: É tão importante como conhecer as suas companhias na vida real.

Esse é precisamente um dos limites da internet, a par dos muitos benefícios…

RCC: Na rede nenhum tem essa noção. Além de que os conteúdos não têm só a ver com aquilo que os mais novos veem, mas muito com o facto de processarem as coisas de maneiras diferentes consoante a fase de desenvolvimento em que se encontram. E depois há ainda uma questão que se prende com fenómenos de grupo: eu posso estar confiante de que o meu filho está só no Facebook, mas não sei se ele vai às mesmas páginas, aos mesmos chats, aos mesmos blogues. E aqui sucede termos crianças convictas de que não aceitam estranhos, não saem com eles, sem se aperceberem de que, indo todos os dias à mesma página ou jogando o mesmo jogo, as pessoas que lá encontram deixam de ser estranhos. Formam-se comunidades com esta sensação de já se conhecerem, de pertença a um grupo.

Que se calhar se envolve em perigos a que não dariam azo noutro contexto…

CNF: Sim. Usamos abusivamente uma linguagem enganadora – como chamar amigo a um contacto – e isso tem que ser esclarecido. Os pais, até agora, vivem ofuscados pelo veículo e muito perdidos porque não o conhecem. Enquanto para eles é óbvia a necessidade de regras e horas para chegar a casa, não lhes é assim tão claro que as haja para a internet. E o que temos vindo a perceber é que a maioria dos problemas não tem nada a ver com o veículo e sim com a utilização que dele se faz. Que também é muito modulada pelos pais: ao navegarem num meio que desconhecem, inibem-se de agir.

Como é que os educadores (e as próprias crianças) podem denunciar situações abusivas?

RCC: Primeiro: quantos pais já leram o manual do Facebook? Os termos e políticas de privacidade estão disponíveis para toda a gente e são de uso muito intuitivo. Qualquer pai que sinta haver ali algum conteúdo impróprio pode denunciá-lo. Nos e-mails, se virem que os filhos estão a ser alvo de mensagens agressivas, podem direcioná-los para o spam ou para a sua conta pessoal. O YouTube também permite denunciar conteúdos. E muitas vezes os pais têm que recorrer à sua própria rede: se denunciarem algo e enviarem e-mails aos amigos para que façam o mesmo, menor é o gap de tempo até ser retirado. O nosso parceiro Internet Segura é um recurso ótimo. Não é difícil, isto. Os pais sentem-se é assoberbados com o que está a acontecer.

Proibir o acesso alguma vez é solução? As crianças entendem essa proibição?

RCC: Pode ser solução para quem não se dedicou antes à prevenção. Os pais preocupam-se em saber onde se liga o computador, mas não há uma conversa do tipo: «É esperado de ti que faças este uso e não o utilizes a partir da meia-noite. Se o fizeres, o castigo é este. Se souber que agrediste alguém, ficas sem ele.» Estou em crer, e por isso temos investido muito nas formações a pais, que se houver esta cultura não precisamos de chegar à interdição. Mas há claramente casos em que tem de se proibir.

CNF: E as crianças não têm que concordar com a proibição. Esse é o mal da nossa era.

 

De novo o bullying

Abril 9, 2014 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Artigo de opinião de Daniel Sampaio no Público de 30 de março de 2014.

O bullying é um dos temas favoritos da comunicação social. Continuam a surgir notícias sobre agressões, comportamentos sexuais violentos, provocações e insultos nas nossas escolas, como se o território escolar fosse um local onde a violência é constante e universal.

Esta leitura apressada de alguns acontecimentos acaba por dar uma visão negativa dos nossos estabelecimentos de ensino; e ignora o esforço dos professores e directores que, todos os dias, lutam para melhorar o clima escolar.

Os dados científicos de que dispomos sobre a violência nas nossas escolas demonstram que os comportamentos violentos graves não são frequentes e que os estudantes, na sua maioria, se sentem bem no território escolar. O que existe é uma indisciplina crescente na sala de aula e situações isoladas de extrema agressividade que devem merecer uma atenção especial.

Em 19 de Março, o PÚBLICO escrevia em título: “Mais de 60% de alunos confirmam casos de bullying nas suas escolas”. A notícia referia-se a um inquérito a 1963 alunos, entre os 12 e os 15 anos, de nove concelhos, a quem foi feita a pergunta “directa”: “Há bullying na tua escola?”

A iniciativa da Associação EPIS (Empresários pela Inclusão Social) é louvável, mas necessita de enquadramento e apoio técnico. O problema começa na pergunta “directa” atrás referida, porque sabemos como muitos estudantes não sabem distinguir bullying de brincadeiras e pequenas provocações que caracterizam o convívio saudável em território escolar.

Sabemos como muitos estudantes não sabem distinguir bullying de brincadeiras e pequenas provocações que caracterizam o convívio saudável em território escolar Bullying é o conjunto de comportamentos de humilhação e provocação, continuado e sistemático, exercido por um estudante (ou grupo de estudantes), sobre um colega (ou grupo de colegas). Bullying não é, assim, uma série de piadas ou provocações dispersas, nem interacções mais agressivas e episódicas sobre vários estudantes. Bullying envolve sempre controlo e poder — mantidos — dos mais fortes em relação aos mais fracos (física e/ou psicologicamente).

Há 50 anos, no Liceu Pedro Nunes, círculos de alunos, gritando “Porrada! Porrada!”, rodeavam dois rapazes em luta feroz, donde não raro brotava sangue. Tudo acabava numa ida ao reitor e, passados uns dias, outros protagonistas ocupavam a cena. No silêncio do pátio, contudo, também havia bullying : contra o estudante tido como homossexual, ou contra o magrinho que fugia dos confrontos.

Na mesma notícia, a deputada Rita Rato “recomenda a criação de gabinetes pedagógicos nas escolas (…) compostos por um psicólogo, um assistente social, um animador sociocultural e um representante dos professores e alunos”. Trata-se de uma intenção louvável, mas pouco realista: não vai haver dinheiro para contratar tanta gente; há risco de burocratizar aquilo que deveria ser uma iniciativa flexível de cada escola ou agrupamento; e, sobretudo, muitas escolas já têm gabinetes de apoio aos alunos, que deveriam ser dinamizados e melhorados, ao contrário do que tem acontecido com o actual Governo.

Precisamos compreender que a luta contra o bullying não passa só por gabinetes e psicólogos: que pode fazer um técnico de saúde mental, sozinho, numa escola caótica? O percurso faz-se lado a lado com os estudantes: já repararam que, para um pequeno grupo de agressores e vítimas, há centenas de jovens que a tudo assistem sem nada fazer? Uma comissão que os envolva numa verdadeira campanha é o caminho.

 

Ciclo de Workshops Cadin – Caligrafia, PHDA, Asperger, Bullying, Consciência Fonológica, Autismo

Abril 4, 2014 às 1:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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http://www.cadin.net/destaque/workshops-20132014/

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