Portugal a Brincar : Relatório do brincar de crianças portuguesas até aos 10 anos – 2018

Maio 30, 2019 às 8:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Descarregar o relatório no link:

https://estrelaseouricos.sapo.pt/backoffice/files/file_20677_1_1556883880.pdf

Reportagem sobre a 1ª Conferência Estrelas & Ouriços : As crianças portuguesas brincam pouco

Maio 30, 2019 às 8:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Notícia e imagem do site Estrelas & Ouriços

O encontro estava marcado para as 9.30h, em Cascais, para debater um tema essencial e transversal ao desenvolvimento – como brincam hoje as crianças portuguesas e em que adultos se tornarão amanhã. O painel de oradores foi de luxo, pelo domínio do tema, pela entrega e pelo sentimento comum da urgência de brincar por uma sociedade mais bem sucedida. As conclusões são preocupantes: as crianças brincam em média (apenas) 2 a 3 horas por dia, a maior parte do tempo na escola, pouco ao ar livre e ainda menos com os pais.

“Esta primeira conferência da Estrelas & Ouriços é uma homenagem a todas as crianças”. Assim abriu o evento – que reuniu pais, professores, profissionais de serviços educativos, psicólogos e especialistas das diferentes áreas ligadas ao universo da família e da criança – na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, pelo diretor-geral executivo da revista, Francisco Camacho. Estava dado o pontapé de saída para um “jogo” cheio de lances fortes e de propostas com potencial vencedor.

Foi o caso de Frederico Manuel Pinho de Almeida – vereador da Câmara Municipal de Cascais com os pelouros da Habitação e Desenvolvimento Social, Promoção de Saúde e Educação – que, depois de se congratular com o facto de a conferência ter aberto o Mês do Brincar em Cascais, partilhou as práticas que a Câmara Municipal de Cascais tem vindo a implementar neste âmbito, nomeadamente o Programa “Crescer a Tempo Inteiro” bem como o alargamento da rede de Ludobibliotecas e Ludotecas (16 e 5 equipamentos respetivamente).

Da prática ao estudo, Rui Mendes, coordenador do “Portugal a Brincar: Relatório do brincar de crianças portuguesas até aos 10 anos – 2018” apresentou este estudo que serviu de ponto de partida para a conferência. O professor da Escola Superior de Educação de Coimbra partilhou o palco com Ana Lourenço, psicóloga do setor de atividade lúdica do Instituto de Apoio à Criança, Madalena Nunes Diogo, diretora geral da Estrelas & Ouriços e Dulce Garcia – a jornalista, autora, editora e mãe brindou o público com uma moderação de debates que oscilou entre provocações saudáveis e interpelações pertinentes para passar a palavra aos oradores.

Brincar: quando, onde, com quem?

Quanto tempo brincam as crianças portuguesas? Onde brincam? Com quem brincam? Como brincam as crianças na Escola? Qual o papel dos brinquedos? Brincar e as tecnologias. Brincadeiras e jogos tradicionais. Estas são as bases do referido estudo – realizado numa parceria entre a Escola Superior de Educação de Coimbra, o Instituto de Apoio à Criança e a Estrelas & Ouriços – que procura não só dar a conhecer quais as tendências relacionadas com o brincar em Portugal, mas também sensibilizar a população para a importância do brincar e da promoção de hábitos de brincar.

Já em 2011 o Parlamento Europeu havia proposto algumas estratégias para que o brincar seja mais valorizado e para que, tanto as crianças como os adultos, possam usufruir ao máximo dos seus benefícios. Assim, esta organização sugere que se promova não só a consciência sobre a importância do brincar, mas que haja também uma mudança de atitudes face a esta atividade. Propõe-se a melhoria nos tempos e espaços que possam promover a brincadeira e a criação de condições para que as crianças arrisquem de forma segura e desenvolvam a sua resiliência.

Com base em inquéritos a cerca de 1.500 pessoas, com 39 anos de média de idades e maioritariamente do sexo feminino (92,6%), o estudo retirou algumas conclusões preocupantes, duas das quais: as crianças brincam pouco – a média é de 2 a 3 horas (25%) por dia – nomeadamente ao ar livre, em contacto com a Natureza, concentrando-se o maior tempo de brincadeira na escola.

Foi neste ponto que Ana Lourenço, do Instituto de Apoio à Criança reforçou a necessidade que sente de voltar ao brincar da infância dos que hoje são pais – o sucesso para uma criança é estar com o outro, brincando. E assim se trabalha a empatia, tão cara à nossa Sociedade.

“A brincadeira não é só necessária como vital”, lembrou Madalena Nunes Diogo, referindo a forma como os parceiros têm acompanhando esta necessidade, indo ao encontro das famílias, com atividades tão diversas que vão da robótica à pintura, e que respeitam disponibilidades físicas, mentais e económicas destas mesmas famílias, a quem a Estrelas & Ouriços há 10 anos serve e facilita a vida, divulgando diferentes tipologias de atividades.

Aquando da reestruturação da revista, em outubro de 2019, a Estrelas & Ouriços teve inclusive a preocupação de dar mais visibilidade à sua secção “Parques e Ar Livre”, depois de auscultar os pareceres, os gostos e as necessidades do público para quem trabalha.

Dos grandes aos pequenos oradores, Beatriz, de 9 anos, João, de 7, e Madalena, de 6, foram unânimes a responder à questão da preferência de brincar ao ar livre. Brincar às escondidas, jogar à bola e brincar com bonecas foram algumas das brincadeiras apontadas pelas crianças presentes na sala.

Famílias, escolas e cidades portuguesas pouco ativas

Carlos Neto foi das primeiras vozes a chamar a atenção dos portugueses para a extrema importância do brincar e para os seus efeitos benéficos no desenvolvimento das crianças. Professor Catedrático na Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa, continua, algumas décadas depois desses primeiros alertas, a ser a figura de referência em Portugal quando se fala de brincar.

Foi da sua boca que ouvimos que tanto as famílias como as escolas e as cidades portuguesas não são ativas, o que contribui diretamente para que as crianças sejam pouco ativas e mais destinadas ao insucesso.

A maioria dos pais, segundo o especialista, não valoriza a parte física do brincar, referindo mesmo que “para os pais, o que entra na escola é só a cabeça e não o corpo todo”. São estes mesmos pais que trabalham demasiadas horas e que não têm tempo para os filhos, embora o desejem – 37 minutos é o tempo diário que lhes sobra; são estes pais que têm medo que as crianças se confrontem com o risco; pais cansados, que dificilmente conseguirão educar crianças saudáveis e felizes, “situação deveras preocupante”.

O que fazer? Apelar ao papel do Estado central e do Estado local para que possa dar maior liberdade aos pais, fomentar uma relação de maior amor entre pais e filhos, fomentar a importância de brincar na rua (nos países nórdicos, independentemente do clima, as crianças brincam 7 a 8 horas lá fora) e evitar “encharcar” as crianças de brinquedos, nomeadamente para colmatar a falta de tempo com presentes.

Em suma, para Carlos Neto, brincar mais significa desenvolver no futuro: maior sentido crítico e uma maior capacidade de resolver problemas, de trabalhar em equipa e de comunicar; melhores competências espirituais e melhores dinâmicas de agir.

É preciso, na opinião do professor e investigador: viver mais devagar, ter tempo para não fazer nada, trabalhar a introspeção, a consciência de si próprio e da Natureza, a dinâmica de superação de forma a que a saúde mental dos adultos possa passar para as crianças a quem deve ser dado todo o tempo e espaço para brincar, “dinâmica biológica” que estamos a encaminhar para uma crise.

Quando a tecnologia se senta à mesa

A abrir a segunda mesa redonda, Rosário Carmona e Costa não perdeu tempo a detetar sintomas e doenças associadas. “Quando os miúdos começam a falhar nas competências humanas, percebemos que podem estar demasiado ligados”, defendeu a psicóloga clínica.

Com alguma tensão (saudável) com a oradora anterior, Jorge Vieira, da Nintendo, afiançou que “antes de falar das novas tecnologias, é preciso falar do nosso papel enquanto pais”. O também pai relembrou a importância que pode ter em matéria de diversão, a família jogar em conjunto.

Onde também se pretende que a família se junte é na cozinha, como sugeriu Ana Leonor Perdigão, responsável pela Unidade de Nutrition, Health and Wellness da Nestlé Portugal. Associar emoções positivas aos alimentos é fundamental, mas também perceber de onde vêm e confecioná-lo. Esta é uma forma de as crianças se familiarizarem com os alimentos ainda antes de lhes chegarem ao prato.

“As crianças que são envolvidas na confeção dos alimentos são mais disponíveis para comer e experimentar coisas diferentes”, defende a nutricionista. Levá-las ao supermercado – onde acontecem “explosões de sabores e aromas” – pode ser também uma hipótese de criar um momento lúdico, ao mesmo tempo que se vai ao encontro da logística lá de casa.

Dicas muito interessantes a reter sem o mínimo objetivo de causar angústia nos pais. Foi Domingos Amaral quem trouxe a palavra para cima da mesa para referir que, hoje em dia, e é algo que observa no exercício do seu cargo de presidente da direção da Escola Avé Maria, os pais vivem cada vez mais angustiados com o que de mal possa acontecer aos seus filhos. Mas o que fazer? «Deixá-los brincar. A vida é risco, não há outra maneira de o fazer!».

Depois de um momento de intervenções do público, Lina Varela – da Direção-Geral da Educação fechou a 1ª Conferência Estrelas & Ouriços afirmando que “deve haver complementaridade entre brincar e aprender”.

E assim soou a despedida da Estrelas & Ouriços: “Brinquem sempre!”.

Obs.: A 1ª Conferência Estrelas & Ouriços contou com o apoio de vários parceiros – Maria do Mar, Nesquik, MEO, Associação Mutualista Montepio, RTP, Antena 1 e Casa das Histórias Paula Rego.

 

II Colóquio Brincar e modos de ser Criança – 25 maio, Coimbra

Abril 4, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

O Instituto de Apoio à Criança (IAC) tem por objetivo principal contribuir para o desenvolvimento integral da Criança, na Defesa e Promoção dos seus Direitos, sendo a criança encarada na sua globalidade como sujeito de direitos na família, na escola, na saúde, na segurança social e justiça.

É convicção do IAC que a promoção do “Direito de Brincar” consagrado no artigo 31º da Convenção sobre os Direitos da Criança, conduz a um crescimento equilibrado e feliz, já que através do Brincar a Criança atribui significados, comunica, compreende os outros, aprende a respeitar regras, inventa, constrói vezes sem fim, numa reconstrução permanente.

Neste sentido, o IAC-FCJ divulga o II Colóquio Brincar e os modos de ser Criança, a decorrer no dia 25 de maio, na Escola Superior de Educação, em Coimbra.

Este evento tem como principal objetivo refletir sobre o BRINCAR como direito das crianças, como expressão do seu modo de ser e estar, e como estratégia cientificamente fundamentada de educação e de integração social. Iremos procurar despertar o interesse de todos os participantes para a importância da atividade lúdica, dando ao mesmo tempo a conhecer investigações e iniciativas já realizadas, na medida em que elas possam ser inspiradoras para novas ações, por ventura da iniciativa dos próprios formandos.

Programa II Colóquio Brincar e modos de ser Criança 2019

Inscrições através do link: https://goo.gl/forms/mBXIo0X5bCkgVnGv1

Os brinquedos que dão a mão às crianças da caravana de migrantes

Janeiro 11, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Hannah Mckay

Notícia do Público de 26 de dezembro de 2018.

Na caravana de milhares de migrantes que rumam aos Estados Unidos da América, Hanna McKay, da agência Reuters, encontrou dois mundos: as preocupações dos adultos e as brincadeiras das crianças. Estas, muitas das vezes, caminham sem saber porquê, nem para onde estão a ir. Limitam-se a seguir os pais que procuram asilo e trabalho do outro lado da fronteira mexicana.

Só neste mês, morreram duas crianças imigrantes sob custódia das autoridades fronteiriças norte-americanas. Jakelin Caal, de sete anos, natural da Guatemala, faleceu a 8 de Dezembro num hospital de El Paso, no Texas. Antes da-meia noite que marcava o início do dia de Natal morria o segundo menino, também guatemalteco, Felipe Gómez Alonzo, de oito anos. Agora, o governo norte-americano ordenou check-ups médicos para todas as crianças ao cuidado das autoridades responsáveis pelas fronteiras.

A maioria dos imigrantes que constituem a caravana começou a juntar-se em Outubro e vem das Honduras. Fogem, com os filhos, da violência dos gangs e do Governo. Os mais pequenos trazem consigo os brinquedos que encontram pelo caminho ou que outras crianças lhes deram: como a máquina fotográfica de brincar que Xiomara, uma menina de quatro anos, apontou para a câmara a sério da jovem fotojornalista da Reuters. A menina encontrou a máquina de plástico no chão de um dos abrigos temporários onde pernoitou, em Tijuana, no México. Já em casa, nas Honduras, “ficou o brinquedo favorito”: um ursinho de peluche.

 

Campanha “Brinquedos que tocam o coração” com o apoio do IAC

Dezembro 5, 2018 às 4:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Mais informações na notícia:
“Brinquedos que tocam o coração” leva milhares de crianças a brincar este Natal

 

 

Brinquedos que tocam o coração: “Queremos promover o direito da criança a brincar” Melanie Tavares do IAC na TVI

Dezembro 5, 2018 às 2:34 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Melanie Tavares, Coordenadora do Departamento de Atividades Lúdicas do Instituto de Apoio à Criança, explicou no Diário da Manhã como os portugueses podem ajudar nesta campanha.

TVI Diário da Manhã de 5 de dezembro de 2018.

Visualizar o vídeo no link:

https://tvi24.iol.pt/videos/sociedade/brinquedos-que-tocam-o-coracao-queremos-promover-o-direito-da-crianca-a-brincar/5c07972f0cf20b592eba84c0

 

 

Brinquedos de plástico podem “esconder” produtos perigosos

Novembro 9, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do Jornal de Notícias

Reciclar é fácil e faz bem ao ambiente, para diminuir o lixo que produzimos. Mas há plástico reciclado, proveniente de equipamentos elétricos e eletrónicos, que contém materiais tóxicos e está a ser usado no fabrico de brinquedos!

O alerta foi feito pela associação ambientalista Zero, depois de um estudo ter analisado 430 artigos em 18 países europeus.

Esta associação portuguesa enviou para análise dois brinquedos (uma guitarra e um tabuleiro de xadrez) e três acessórios de cabelo (pentes e bandolete) e todos continham substâncias químicas perigosas e foi uma guitarra de brincar de Portugal que apresentou o valor mais alto de éteres difenílicos polibromados, que são usados como retardadores de chamas. Estas substâncias são perigosas porque “causam problemas neurológicos e défice de atenção em crianças”.

Do total dos 430 artigos analisados, 109 continham químicos perigosos, por isso, a associação Zero pede à União Europeia que altere a lei que permite que os plásticos reciclados tenham concentrações mais elevadas de substâncias tóxicas do que os plásticos originais. “É urgente que a UE legisle no sentido de proteger os cidadãos e promover uma economia circular não-tóxica”, defende a associação Zero.

Texto: Sandra Alves

Mais informações no comunicado de imprensa da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável

Brinquedos de plástico reciclado contaminados com substâncias tóxicas. Portugal apresenta dos piores resultados ao nível da UE

 

Conferência “A Criança em Portugal, na Idade Média” 9 junho em Estremoz

Junho 6, 2018 às 5:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/196317537668206/

 

Diálogo (s) – Igualdade e Direitos Humanos – durante o mês de abril em Seia com a participação de Ana Lourenço do IAC

Abril 5, 2018 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

A Drª Ana Lourenço do Sector da Actividade Lúdica do Instituto de Apoio à Criança, irá participar no evento “Diálogo (s) – Igualdade e Direitos Humanos” com as seguintes atividades:

Oficina para profissionais “As Famílias e a autonomia das crianças”, no dia 6 de Abril, na Biblioteca Municipal. Oficina com e para pais, ”As Famílias e a autonomia das crianças” na Ludoteca Municipal,  7 de Abril. Oficina com e para pais “Deixem os Brinquedos em Paz, Não são de rapariga nem de rapaz”, 10 de Abril na Casa da Cultura. Oficinas para alunos “Deixem os Brinquedos em Paz, Não são de rapariga nem de rapaz” 10 e 11 de abril nas Escolas dos Agrupamentos do Concelho de Seia.

Brinquedos ruidosos põem em perigo a audição das crianças

Janeiro 15, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do https://www.dn.pt/ de 7 de janeiro de 2018.

Joana Capucho

Organização Mundial da Saúde não recomenda níveis de ruído superiores a 85 decibéis, mas há brinquedos que chegam aos 135. Pais devem estar atentos, dizem especialistas

Guitarras, minibaterias, carros, armas e MP3 são apenas alguns dos brinquedos que podem constituir um perigo para a saúde auditiva das crianças. Se o nível de ruído ultrapassar o recomendado, podem conduzir a uma perda gradual da audição, que terá consequências no desenvolvimento global da criança. Agora que o stock de brinquedos foi renovado no Natal, os especialistas aconselham os pais a avaliar o nível de ruído das prendas oferecidas aos mais novos.

“A Organização Mundial da Saúde indica que o nível máximo de ruído permitido por brinquedo é de 85 decibéis (dB), apesar de a norma europeia relativa às propriedades físicas e mecânicas dos brinquedos (EN-71) que, entre outras coisas, fixa o nível sonoro máximo na conceção de brinquedos seguros, definir como limite o valor máximo em 125 dB para brinquedos com fulminantes”, indica a diretora-geral da GAES – Centros Auditivos em Portugal, Dulce Martins Paiva. Apesar de toda a legislação que existe, a responsável acredita que muitos brinquedos ultrapassam o que está recomendado. Uma opinião partilhada pelo pediatra Hugo Rodrigues: “Acredito que as marcas mais conceituadas têm isso em consideração, mas muitos fabricantes não.”

Com a “mesma minuciosidade” com que, por exemplo, avaliam os brinquedos com peças pequenas – que podem causar asfixia -, Dulce Paiva aconselha os pais a “a avaliarem o nível de ruído emitido pelos brinquedos oferecidos aos filhos neste Natal”, porque há casos em que chega aos 135 dB. De acordo com a especialista, isto é “o equivalente ao barulho produzido por uma banda de rock”. “Imagine o que é estar várias horas, diariamente, exposto a este nível de som. Necessariamente tem de haver consequências”, sublinha.

O desenvolvimento do aparelho auditivo pode, segundo Hugo Rodrigues, ficar afetado. “Está a desenvolver-se para responder a uma determinada frequência e intensidade de sons. Se for sujeito constantemente a intensidades muito altas, são ativados constantemente os recetores e provocamos uma desabituação a valores mais baixos. Por isso é que as crianças ficam a ouvir pior, porque desabituam o ouvido a responder a intensidades sonoras mais baixas”, explica o pediatra.

Para a maioria das crianças, quanto mais ruído fizerem os brinquedos, melhor. Até certo ponto, Dulce Paiva diz que o “estímulo auditivo é benéfico, mas também pode representar um risco”.

“O uso continuado de brinquedos musicais, com níveis sonoros elevados, pode provocar, além de dor no ouvido, uma fadiga no nervo auditivo”. Isto pode conduzir “a uma redução da audição derivada de uma lesão profunda das células do ouvido interno”, tal como a “problemas de sono, irritabilidade, dores de cabeça, alterações gastrointestinais, de visão, entre outros”.

Dificuldades de aprendizagem

Além das implicações diretas na audição, Hugo Rodrigues diz que a capacidade de concentração, abstração e resposta da criança pode ficar afetada, já que “fica habituada a muito barulho e precisa de estímulos cada vez mais intensos para conseguir estar atenta”.

Esta perda auditiva nos primeiros anos de vida acaba, segundo Dulce Paiva, por prejudicar “o desenvolvimento global da criança, tanto a nível emocional como social, mas sobretudo ao nível da linguagem. Ao deixar de estar exposta ao estímulo da linguagem existe um desfasamento do seu desenvolvimento linguístico, com repercussões na aprendizagem”. São os pais e os professores quem normalmente detetam que alguma coisa não está bem. De acordo com um estudo divulgado em novembro pela associação norte-americana Sight and Hearing, 18 dos 22 brinquedos que foram testados tinham níveis superiores a 85 decibéis.

O que diz a Deco

Embora não tenha nenhum estudo específico sobre os brinquedos ruidoso, a Deco já emitiu considerações gerais sobre o tema. “A marcação CE é um símbolo colocado nos brinquedos pelos fabricantes: não é uma garantia de segurança para a criança. Daí exigirmos que sejam criados mecanismos que permitam uma avaliação dos brinquedos por parte de entidades independentes”, recomenda, destacando que “persistem fabricantes ou distribuidores que, com frequência, vendem produtos com falhas, por não seguirem padrões de fabrico exigentes ou não exercerem um controlo responsável”.

mais informações no link:

http://www.sightandhearing.org/Services/NoisyToysList%C2%A9.aspx

 

 

 

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.