Veja como é fácil um estranho falar com o seu filho através de um brinquedo com bluetooth ou wi-fi

Dezembro 1, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 14 de novembro de 2017.

Estão, inevitavelmente, entre os preferidos, mas os brinquedos interativos com ligações bluetooth ou wi-fi são vulneráveis a nível de segurança, tornando possível que estranhos falem diretamente com as crianças, alerta uma organização britânica

O aviso da associação britânica de defesa do consumidor Which?, a pouco mais de um mês do Natal, ameaça estragar os planos a pais, crianças e fabricantes de brinquedos conectáveis: robôs e outros produtos que se ligam aos telemóveis através da internet ou de bluetooth têm “vulnerabilidades preocupantes” que podem permitir a estranhos falar com as crianças.

“Veja como é fácil para praticamente qualquer pessoa aceder aos brinquedos conectáveis do seu filho”, propõe a Which?, que disponibiliza um vídeo com um exemplo alarmante.

“Os brinquedos conectáveis são cada vez mais populares, mas, como mostra a nossa investigação, qualquer pessoa que pense comprar um deve ter cuidado”, avisa Alex Neill, um dos diretores da empresa.

Ao longo de 12 meses, a Which?, em colaboração com outras organizações de defesa dos consumidores e especialistas em segurança, analisou os brinquedos com ligação bluetooth ou wi-fi mais procurados nas grandes lojas britânicas e concluiu que “é demasiado fácil” alguém usá-los para falar com as crianças.

No vídeo, vê-se que bastou a um homem estabelecer a ligação bluetooth com o robô de brincar para o fazer “falar” e incentivar o menino a abrir a porta de casa. Não precisou de qualquer password ou código para o fazer.

O limite desta forma de ligação é normalmente de cerca de 10 metros, mas já é possível aumentar esse alcance de forma a poder, por exemplo, a partir de um carro, fazer uma pesquisa por brinquedos não seguros.

A Hasbro, que fabrica os Furby, um dos produtos testados, respondeu, em comunicado, que tanto o brinquedo como a respetiva aplicação foram concebidos de forma a permitir que a brincadeira decorra em segurança. Já a Vivid Imagination, que produz o robô I-Que, diz que vai investigar as alegações da Which?, mas sublinha que nunca recebeu qualquer relato que aponte para uma utilização maliciosa da conectividade dos seus brinquedos.

 

Estudo relaciona atrasos na linguagem a brinquedos eletrónicos

Abril 5, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

 

Os impactos do contato com a tecnologia na primeira infância são diversos e variam de criança para criança e, principalmente, de contexto para contexto. A recomendação da Sociedade Brasileira é que nenhum contato seja permitido até os dois anos, principalmente durante as refeições ou antes de dormir.

Um novo estudo, realizado pela pesquisa Anna V. Sosa e publicado em 2016 no periódico JAMA Pediatrics, associa a relação direta entre a hiperexposição aos brinquedos eletrônicos, como tablets, jogos de celular e computadores, a atrasos de aprendizado e linguagem.

A partir da observação das formas de brincar da criança e dos níveis de interação com os pais, a pesquisa investiga como a relação entre esses dois elementos influenciam a aquisição de linguagem da criança. O estudo aponta que o ambiente de linguagem em que a criança está inserida na Primeira Infância pode influenciar a aquisição da sua fala, além de afetar a leitura e o futuro sucesso acadêmico.

A pesquisa foi realizada em 2016, com 26 famílias e bebês de 10 a 18 meses. Os pesquisadores concluem que a interação com brinquedos eletrônicos esteve associada a redução na qualidade e quantidade de linguagem recebida pela criança, quando comparados com livros e brinquedos tradicionais. Por esse motivo, o estudo conclui que não recomendável incentivar o contato com jogos eletrônicos no momento em que a criança está desenvolvendo a linguagem.

O texto ressalta também a importância do incentivo à leitura nesta fase do desenvolvimento da criança. “Os pais devem ser encorajados a ler para seus filhos e engajá-los em atividades que proporcionem interações reais entre pais e filhos”. A pesquisa chama a atenção ainda para o bombardeio excessivo de publicidade dirigida não só às crianças mas também aos pais, que podem ser facilmente iludidos por brinquedos autointitulados educativos que prometem incrementar o desenvolvimento”.

Confira um resumo dos principais resultados alcançados:

  • Para promover o desenvolvimento da linguagem, os pais podem investir tempo para ler para os filhos e brincar junto, olho no olho.
  • Brincar com livros ou brinquedos tradicionais é melhor do que brincar com eletrônicos, no sentido de promover um nível qualitativo de comunicação entre pais e filhos.
  • Quando estão brincado com brinquedos eletrônicos, as crianças vocalizam menos, quando comparado ao modo que elas verbalizam e interagem quando estão em contato com brinquedos tradicionais.

Intitulado “Association of the Type of Toy Used During Play With the Quantity and Quality of Parent-Infant Communication” (Em uma tradução livre, “Associação entre o tipo de brinquedo utilizado durante a brincadeira com a quantidade e qualidade da comunicação entre pais e filhos”), o estudo está disponível online e em inglês, para quem quiser se aprofundar na discussão, clique aqui para ler.

 

Catraquinha, de 13 de fevereiro de 2017

Bonecos eletrónicos com microfones emissores expõem crianças ao mundo

Dezembro 14, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Reportagem da http://www.rtp.pt/noticias/  de 6 de dezembro de 2016.

My Friend Cayla, I-Que e Hello Barbie são os brinquedos testados pelo Conselho de Consumidores Noruegueses que apresentam falhas de segurança

My Friend Cayla, I-Que e Hello Barbie são os brinquedos testados pelo Conselho de Consumidores Noruegueses que apresentam falhas de segurança

Imagine que a boneca ou o robô que comprou para os seus filhos está a transmitir, via áudio, tudo o que se passa lá em casa. E se pensa que é esse o maior perigo desengane-se, porque os brinquedos My friend Cayla Hello Barbie e I-Que estão ligados à Internet. O que significa que qualquer pessoa pode entrar no sistema eletrónico dos bonecos e falar com as crianças, como se de um amigo se tratasse.

Nuno Patrício – RTP

O assunto despertou a atenção do Conselho de Consumidores Norueguês, que analisou as características técnicas de brinquedos ligados à internet, bem como os termos e condições das suas aplicações.

Os resultados provam infrações graves aos direitos das crianças, nomeadamente no que respeita à privacidade dos dados pessoais.

Os bonecos falam através de um sistema de áudio incorporado e ouvem tudo o que se passa à sua volta.

Tudo funciona através dos sistemas Wi-fi ou Bluetooth dos bonecos, que, ligados à Internet ou a um telemóvel de nova geração, se tornam uma espécie de aparelho emissor-recetor vocal, devido a um microfone incorporado no seu interior.

O perigo advém de não sabermos quem poderá controlar as ligações. Ou seja, se houver um hacker ou outro tipo de pessoas mal-intencionadas que tenham acesso ao sistema, podem controlar o que o boneco diz, ludibriar a mente e influenciar a atuação das crianças.

As crianças, ao interagirem com os brinquedos, poderão partilhar informações pessoais.

Daí o Conselho de Consumidores Norueguês – ao qual se associa a Deco – Associação para a Defesa do Consumidor – avisar que os brinquedos My Friend Cayla, I-Que e Hello Barbie falham na proteção, privacidade e direitos dos consumidores mais jovens.

Os brinquedos My Friends Cayla e I-Que são fabricados pela Genesis Toys, com sede em Hong Kong, que se apresenta como a empresa número um do mundo na construção de brinquedos eletrónicos.

A questão é tão delicada que o Conselho de Consumidores Norueguês mandou fazer um vídeo de demonstração dos perigos deste tipo de brinquedos.

Diogo Santos Nunes, jurista da Deco, afirma mesmo que “qualquer pessoa munida de um smartphone, um telemóvel com acesso à internet ou Bluetooth, pode aceder aos próprios brinquedos, que estão a interagir com as crianças”.

O jurista da Defesa do Consumidor refere ainda que as empresas que comercializam este tipo de brinquedos eletrónicos podem utilizar para vários propósitos a informação e a conversa que a criança tem com o equipamento. Por exemplo, para efeitos de marketing. Pode ainda transmiti-los a terceiros, sem que exista qualquer tipo de proibição.

Estes brinquedos, que funcionam através de ligação à internet, possuem microfones incorporados e tecnologias de reconhecimento de fala, permitindo-lhes “conversar” com as crianças que os manipulam.

Partindo do estudo do ForbrukerRadet – Conselho de Consumidores Norueguês – as organizações europeias e norte-americanas de consumidores, alertam para este tipo de produto e manifestam agora as suas preocupações às autoridades competentes.

Venda em Portugal e proteção de dados

Embora este tipo de brinquedos não esteja ainda a ser vendido em Portugal, há sempre a possibilidade de ser adquirido através da venda online, pelos canais comerciais.

Esta facilidade de acesso traz um problema associado, visto a Comissão Nacional de Proteção de Dados, em Portugal, não ter jurisdição sobre este tipo de produtos e não poder atuar em conformidade.

Um problema que o jurista da Deco Diogo Santos Nunes diz ser grave, aproveitando estas empresas o vazio legal dos vários países para onde podem exportar, sem terem de se restringir às leis nacionais.

Em Portugal os brinquedos My friend Cayla e I-Que não se encontram à venda em lojas físicas, mas estão acessíveis aos consumidores através de plataformas online como a Amazon ou Ebay, facto que levou a Deco a alertar a ASAE.

A boneca Hello Barbie ainda não está, por agora, acessível ao mercado europeu.

Bonecos podem recolher preferências

O estudo do Conselho de Consumidores Norueguês demonstra que estes brinquedos eletrónicos com ligação à Internet podem ser veículos publicitários disfarçados.

O jurista da Deco ouvido pelo site da RTP refere que, por exemplo, a boneca, quando estabelece diálogo com a criança, manifesta alguns gostos, através de frases pré-programadas, e dá exemplos, como os filmes da Disney.

“É um marketing completamente escondido e aquilo que se verificou e consta no estudo e nos testes que foram realizados é que a boneca, quando estabelece um diálogo com a criança, vai no fundo manifestando alguns gostos através de frases que foram programadas e estão pré-formatadas na própria boneca, que vai induzindo a criança para gostos, por exemplo para filmes da Disney. Isso é claramente indicador de que existe um acordo comercial entre o fabricante da boneca e a Disney”.

Avaliar antes de comprar

Diogo Santos Nunes é perentório no aconselhamento sobre estes produtos. “De acordo com o estudo que foi feito a estes três bonecos, aquilo que a Deco aconselha é não comprar estes três brinquedos, porque de facto pode colocar em causa a própria segurança da criança. Não só a segurança física mas também a segurança da vida privada. Identificados estes três brinquedos e depois de ter sido realizada esta análise, o melhor é não comprar”, refere o jurista.

Produtos potencialmente perigosos na Internet

Tudo ou quase tudo se pode adquirir através da Internet e os brinquedos testados e considerados perigosos pelas estruturas de proteção dos consumidores também lá estão. Comprar algo, hoje em dia, é tão simples como entrar num site de venda eletrónica e realizar a transação. A RTP foi à procura destes brinquedos e verificou que estão à venda em sites como Argos, Ebay, Tesco e Amazon, com preços atrativos. Mas a última escolha é sempre do consumidor. E antes de comprar o melhor é conhecer o produto a fundo.

ver o vídeo da reportagem no link:

http://www.rtp.pt/noticias/mundo/bonecos-eletronicos-com-microfones-emissores-expoem-criancas-ao-mundo_es967396

 


Entries e comentários feeds.