Os ecrãs são ou não inofensivos para a saúde dos mais novos?

Fevereiro 20, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , ,

Texto do Público de 21 de janeiro de 2019.

Especialistas dizem que os dispositivos electrónicos podem não ser a causa de doenças como a obesidade e depressão. Alguns pais mostram preocupações em relação ao uso dos aparelhos.

Mariana e Silva Pereira

O tempo que as crianças e jovens passam à frente dos ecrãs pode não ser tão mau como se pensa, mas é preciso ter cuidado. Quem o diz é Russel M. Viner, director do Colégio dos Pediatras britânico (Royal College of Paedriatics and Child Health), e a investigadora Neza Stiglic, num estudo publicado no início do ano pelo BMJ Journals.

A pesquisa – feita a partir da revisão de 13 trabalhos já publicados sobre a relação entre os dispositivos electrónicos e a saúde (peso e doenças respiratórias e cardíacas), saúde mental, exercício físico, dieta alimentar e sono em crianças e jovens dos 0 aos 18 anos – revelou uma ligação “moderada” entre o uso dos ecrãs e as crianças obesas ou com depressão. Também foram encontradas provas “moderadas” na relação entre o “tempo passado com dispositivos móveis” e “um maior gasto de energia, dietas inadequadas e má qualidade de vida”. Por isso, os autores propõem que se façam novos estudos, uma vez que nos últimos anos houve uma evolução enorme na utilização destes dispositivos.

Por cá, Ivone Patrão, psicóloga e investigadora do ISPA – Instituto Universitário, revela que na sua pesquisa encontra uma “clara relação entre a dependência online – nos rapazes dos videojogos e nas raparigas das redes sociais –, e as alterações no humor, no ritmo do sono, nas forma como se relacionam com os pares e com a família; o que depois se traduz em comportamentos de menor atenção, concentração, de maior irrequietude, ou até de prostração, face ao cansaço”.

A pesquisa de Russel M. Viner e a Neza Stiglic não conseguiu determinar se o uso dos aparelhos é a fonte da obesidade e depressão ou se as pessoas que sofrem destes problemas estão mais expostas a passar mais tempo em frente a um ecrã. Ivone Patrão diz que pode tratar-se de uma “comorbidade”. “Por vezes a criança ou o jovem já estavam, por exemplo deprimidos, e o estar online surge como uma estratégia de escape. Noutras situações, um hobbie passa a ocupar o dia-a-dia do jovem, que desiste de outras actividades para estar cada vez mais tempo online e para sentir o prazer que isso lhe dá”, explica.

Para Tito de Morais, autor do blogue Miúdos Seguros na Net, “a utilização excessiva de dispositivos móveis por crianças e jovens não estará na origem de patologias como a obesidade e depressão, mas contribui para [as] agravar”. O especialista acrescenta ainda que o sedentarismo será o factor que mais influencia a reprodução destas doenças.

Pais devem negociar

Dora e Augusto Silva, pais de um menino de nove e uma menina de cinco anos, que frequentam o Agrupamento de Escolas do Parque das Nações, em Lisboa, confessam viver uma “luta diária” para incutir a máxima: primeiro os trabalhos de casa, segundo as actividades de lazer (e em quantidades limitadas). Como é que o fazem? Fixam um tempo para os filhos usarem o tablet, recorrendo a um temporizador do mesmo. Assim as crianças percebem que já o estão a usar há muito tempo, justificam.

Há quem restrinja mais afincadamente a utilização de aparelhos, como é o caso de Inês Rodrigues, mãe de duas meninas de seis e nove anos, da mesma escola, que não usam os dispositivos todos os dias e só tem autorização para o fazer quando “os deveres escolares estiverem cumpridos”. A mãe também proíbe o acesso aos aparelhos fora de casa.

Os pais dizem que os miúdos passam entre meia a uma hora diária frente aos dispositivos electrónicos, mas que no fim-de-semana a média aumenta. “Pode variar de uma a quatro horas, ou mesmo mais”, confessam Dora e Augusto Silva.

Para Ivone Patrão, os pais devem adoptar uma postura preventiva. A introdução das novas tecnologias pode ser feita desde a infância, “mas com uma bandeira bem levantada”, a da “negociação dos conteúdos e do tempo de acesso”. Os pais devem adoptar um modelo de negociação, estipulando regras: “Não é pelo conflito que vai haver mudança de comportamento, mas pelo parar, sentar e negociar o que cada uma das partes pretende e está disposta a ceder”, afirma a autora do livro #GeraçãoCordão, recomendando ajuda especializada para casos extremos.

Também Tito de Morais partilha da mesma perspectiva, acrescentando que os adultos devem propôr “alternativas em termos de actividades, criando tempos de utilização [dos ecrãs] adequados”. É o que já faz Inês Rodrigues, que procura actividades fora de casa para realizar com as filhas, já Dora e Augusto Silva incentivam os mais novos à prática do desporto ou de um instrumento.

Ainda assim, o casal reconhece pontos positivos aos aparelhos electrónicos, nomeadamente o auxílio ao estudo. Inês Rodrigues também orienta as filhas para a visualização de conteúdos “de alguma forma educativos” com o objectivo de evitar a pesquisa de assuntos “vazios”.

Texto editado por Bárbara Wong

 

 

 

Maioria é demasiado doce. Afinal, que iogurte se deve dar às crianças?

Janeiro 23, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , ,

Notícia do Diário de Notícias de 19 de setembro de 2018.

Graça Henriques

Um novo estudo britânico revela que a grande maioria dos iogurtes disponíveis no mercado tem açúcar a mais, sobretudo na categoria infantil. Até os orgânicos são demasiado doces. Mas há alternativas saudáveis.

o ingerir dois iogurtes aromatizados, uma criança está a ultrapassar a quantidade diária de açúcar recomendada (25g). A “ameaça doce” que este alimento pode representar para a saúde já era falada, mas agora há um novo estudo que inclui toda a panóplia de iogurtes que tantas vezes nos dificulta a escolha nas prateleiras do supermercado: com sabores, com pedaços de fruta, os destinados especificamente às crianças, os de soja, as sobremesas lácteas e os queijinhos.

Apenas 9% obteve a classificação de baixo teor de açúcar, quase nenhum deles na categoria infantil. Uma questão “preocupante”, alertam os investigadores, dado o aumento da obesidade infantil e a prevalência de cáries entre as crianças. Em Portugal, 28,5% das crianças entre os 2 e os 10 anos têm excesso de peso, entre as quais 12,7% são obesas, de acordo com os resultados do mais recente estudo da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil que analisou uma amostra de 17 698 crianças, em idade escolar, no ano letivo 2016-2017.

O novo alerta sobre o excesso de açúcar vem de um estudo britânico desenvolvido por investigadores da Universidades de Surrey e Leeds – conhecido esta quarta-feira – que avaliaram cerca de 900 iogurtes disponíveis em cinco grandes cadeias de supermercados online do Reino Unido, que representam 75% do mercado. O estudo revela que, com exceção dos iogurtes naturais/gregos, o teor médio de açúcar dos produtos em todas as categorias estava bem acima do limiar recomendado.

Iorgurtes naturais são saudáveis

Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, e Alexandra Bento, bastonária dos nutricionistas, fazem questão de sublinhar que, apesar de se tratar de um estudo britânico, em Portugal a realidade não será muito diferente. Tanto mais que as empresas lácteas estão no mercado global e os valores nutricionais dos alimentos são iguais ou muito semelhantes. Os estudos desenvolvidos em Portugal, nomeadamente o Inquérito Alimentar Nacional, apontam no mesmo sentido.

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável começa por explicar que até os iogurtes naturais têm presente na sua constituição nutricional 5/6g de açúcar por 100g. Mas, sublinha, nem tudo é mau e trata-se de um alimento bastante saudável e completo porque é rico em vários nutrientes – proteínas, gorduras, cálcio, fósforo, diversas vitaminas, potássio, zinco, iodo, entre outros. Uma espécie de multivitamínico que pode colmatar défices nutricionais por um baixo preço, afirma.

Esta variada composição nutricional que um iogurte tem na sua matriz faz com que o açúcar tenha um efeito menos negativo do que o de um refrigerante. “No caso dos iogurtes, a entrada do açúcar no sangue é mais lenta, faz-se a conta-gotas, ao contrário do que acontece quando se bebe um refrigerante, que é injeção de açúcar direto nas veias”, diz Pedro Graça. Um refrigerante tem em média 10g de açúcar por 100g, o que faz com que uma garrafa some 33 gramas, o triplo do açúcar presente num iogurte aromatizado (que já ultrapassa os valores recomendados – 5g para 100g).

Quando se fala de um iogurte aromatizado a conversa é outra, já que este pode apresentar 13 a 15 g de açúcar por 100g, mais do dobro de um iogurte natural. “Não faz sentido que um alimento tão bom, saudável, tenha necessidade de ter açúcar aditivado, há formas de se adoçar o alimento, como a canela e a fruta”, refere Pedro Graça.

Sobremesas lácteas são “bombas” calóricas

O estudo britânico revela que as sobremesas lácteas contém mais açúcar – uma média de 16,4g/100g, uma quantidade que representa mais de 45% do consumo de energia. Estes foram seguidos de produtos nas categorias infantil, com sabor, frutas e até os orgânicos (que recebem esta classificação porque são feitos com produtos naturais e não significa que não tenham açúcar).

No caso das sobremesa, Pedro Graça diz que os pais que dão este tipo de alimentos aos filhos devem assumi-los como um bolo feito com leite e que em caso algum substituem uma peça de fruta à refeição.

Alexandra Bento, bastonária dos nutricionistas, afirma, por seu lado, que este estudo vem reforçar a necessidade da reformulação de produtos alimentares com elevado teor de açúcar, com especial enfoque para os destinados às crianças. “Vem também destacar a necessidade de se aumentar a literacia alimentar da população para saberem fazerem melhores escolhas alimentares, porque saber compreender os rótulos é essencial.” E alerta que, considerando as recomendações da Organização Mundial da Saúde para ingestão de açúcar, em alguns casos dos produtos analisados neste estudo revelou que por 100g já disponibiliza a quantidade máxima de açúcar (25g) que uma criança deve ingerir num dia.

De facto, os investigadores sublinham que “embora o iogurte possa ser menos preocupante do que os refrigerantes e sumos de frutas, as principais fontes de açúcares livres nas dietas de crianças e adultos, o que é preocupante é que o iogurte, considerado um ‘alimento saudável’, pode ser uma fonte não reconhecida de açúcares livres adicionados na dieta”.

Por tudo isto concluem: “Nem todos os iogurtes são tão saudáveis quanto os consumidores os percebem e a redução de açúcares livres é justificada.”

O estudo citado na notícia é o seguinte:

An evaluation of the nutrient contents of yogurts: a comprehensive survey of yogurt products in the major UK supermarkets

 

Peso das crianças imita o das mães

Dezembro 17, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , ,

Notícia do site MAGG de 27 de novembro de 2018.

por Catarina da Eira Ballestero

Estudo norueguês afirma também que a obesidade da mãe pode até influenciar o nível de educação das crianças.

De acordo com um estudo norueguês divulgado este mês de novembro, o peso das crianças varia conforme o das mães, existindo uma espécie de “efeito espelho” com o ganho ou perda de quilos destas. A investigação da Universidade de Ciências e Tecnologia de Trondheim (Noruega), que analisou os níveis de atividade de 4,400 crianças e dos seus pais durante 11 anos, descobriu esta ligação.

Citada pelo jornal “The Telegraph”, Marit Næss, uma estudante de doutoramento ligada ao estudo, explica que “o peso dos pais tem um grande impacto na saúde e estilo de vida de uma criança, os comportamentos que conduzem à obesidade são facilmente transmitidos pelos pais”.

Marit Næss acrescenta que as mães que reduzem o seu nível de atividade física durante o período de crescimento dos filhos, acabam por ver estes terem um índice de massa gorda (IMG) elevado na adolescência. No entanto, não existe relação entre o peso dos filhos e o dos pais. Esta disparidade é justificada pelos investigadores devido a serem principalmente as mulheres as responsáveis pelo planeamento de atividades e pela alimentação da família.

Mas a ligação existe apenas quando falamos de ligeiros ganhos ou perdas de peso — caso exista uma mudança drástica no peso da mãe, o filho não imita este comportamento, dado que uma grande alteração está normalmente ligada a uma doença ou a uma dieta alimentar muito específica, que acaba por não envolver os restantes elementos da família.

De acordo com a investigação norueguesa, o peso das mães também tem um impacto na educação das crianças, sendo que os filhos de mães não obesas e com hábitos mais saudáveis, acabam por continuar os estudos durante mais tempo.

“De uma forma geral, famílias com uma educação superior têm índices de massa gorda mais baixos do que famílias com menos estudos”, salienta Kirsti Kvaloy, uma das especialistas da investigação, que acrescenta que uma redução de peso por parte das mães “influencia positivamente os IMG’s das crianças nas famílias com mais estudos”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Implications of parental lifestyle changes and education level on adolescent offspring weight: a population based cohort study – The HUNT Study, Norway

 

 

Uso de ecrãs afeta a qualidade do sono dos adolescentes

Fevereiro 4, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

Notícia da SIC Notícias de 3 de fevereiro de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Sleep and use of electronic devices in adolescence: results from a large population-based study

© Andrew Kelly  Reuters

Quanto mais tempo um adolescente passa em frente a um tablet, smartphone ou outro dispositivo electrónico, pior é a qualidade do seu sono. Esta é a conclusão de um estudo realizado em Bergen, na Noruega. A pesquisa, que abrangeu cerca de 10 mil jovens com idades entre os 16 e os 19, sugere que mais de duas horas passadas com monitores após o horário escolar estão directamente associadas à má qualidade do sono.

Quase todos os adolescentes noruegueses questionados dizem usar aparelhos electrónicos mesmo antes de dormir e muitos admitem que esse hábito contribui para que durmam menos. Muitos afirmaram que frequentemente dormem menos de cinco horas por noite.

As raparigas passam, em média, entre cinco a seis horas a ver televisão, usar computadores, smartphones ou outros dispositivos electrónicos. Quanto aos rapazes, o tempo é ligeiramente superior, cerca de seis horas e meia por dia. Os jogos de computador são mais populares entre os rapazes, enquanto as raparigas preferem os chats.

O estudo dirigido pela investigadora Mari Hysing da Uni Research Health  dá conta da influência negativa nos adolescentes do uso excessivo de ecrãs, mesmo ao longo do dia. O uso de monitores durante quatro horas ou mais pode aumentar em 49% o risco de um adolescente ter dificuldade em adormecer. Além disso, estes jovens têm tendência para dormir menos de cinco horas por noite.

Estar em frente a um ecrã brilhante pouco antes de ir dormir agrava as perturbações do sono porque esta ação envia ao cérebro uma mensagem errada, alterando o relógio biológico e mantendo o indivíduo mais alerta.

Mari Hysing sublinha que a as conclusões da sua investigação têm reflexo na população em geral, uma vez que muitas pessoas usam frequentemente estes aparelhos.

“Sabemos que dormir o número de horas necessárias é essencial para a saúde física e mental. Fazer log off pode ser uma das medidas importantes para garantir uma boa noite de sono”, sugere a investigadora.

Em declarações ao site da cadeia britânica BBC, Russell Foster, especialista em Neurociência da Universidade de Oxford, afirma: “Este é um estudo relevante porque demonstra que o uso de aparelhos electrónicos antes de ir para a cama contribui para a redução do número de horas de sono”. Foster realça ainda que é bom que os adolescentes estejam conscientes desta realidade.

 

 


Entries e comentários feeds.