5 truques para facilitar a chegada do seu bebé

Junho 9, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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“A vida não começa com o nascimento do bebé, apenas continua” e, por conseguinte, o bebé dentro do útero materno já desenvolveu costumes e hábitos próprios. Quando chegado o momento em que se deparam com uma nova realidade, muitos desses hábitos continuarão a fazer parte do dia-a-dia do seu bebé, tornando a sua vida no exterior muito mais confortável.

Com estes 5 truques conseguiremos que os bebés se sintam mais familiarizados e à vontade com o seu envolvimento, encarando esta mudança com tranquilidade:

  1. Alguns especialistas recomendam que não utilize luvas para as mãos do seu bebé. A explicação é simples: durante a gestação o bebé esteve em contínuo contacto com elas, ajudando-o a situar-se e na auto-exploração. Após o nascimento os bebés continuam a reproduzir este comportamento e, com luvas, sentir-se-ão estranhos ao ter algo nas suas mãos que os impede de sentir o que existe no mundo que os rodeia.
  2. Uma das posições preferidas de alguns bebés é colocar-se encostado à parte superior da sua cama, com a cabeça em contacto com a mesma. Tal acontece pois os bebés, no final da gestação, adquirem uma posição cefálica e pressionam constantemente, com a sua cabeça, a pélvis da mamã. Deste modo, após o nascimento, procuram a parte superior do berço de modo a sentirem-se mais seguros.
  3. O olfato é um dos sentidos que se desenvolve no decorrer da gestação. É graças a este sentido que o bebé, acabado de nascer, consegue encontrar o peito da mãe, guiando-se pelo olfato. Assim, o período da amamentação é um momento que tranquiliza o bebé, permitindo-lhe cheirar a mamã e fazendo-o sentir que não está sozinho.
  4. Pensemos que o bebé, enquanto está dentro a barriga da mãe, viaja sempre acompanhado. Deste modo é normal que após o nascimento, quando se encontrem sozinhos no berço, com cheiros, sons e luzes diferentes dos que conhece, se assustem e chorem. Um som familiar pode ajudar o bebé a acalmar-se: uma música que tenha colocado para ele ouvir durante a gestação ou um batimento do coração, som este que é bastante familiar por ser parecido ao que ouvia dentro da barriga da mamã.
  5. É certo que, no interior do ventre materno, o bebé é capaz de abrir os olhos e inclusive de poder distinguir algumas mudanças de luminosidade, quando esta é mais intensa. Contudo, durante a maior parte da sua vida intrauterina, encontra-se totalmente na escuridão. No momento do seu nascimento a luz intensa incomoda e assusta o bebé. Deste modo, um ambiente com uma luz ténue e suave tranquilizará e irá relaxar o seu bebé.

Certamente que com estes conselhos o seu bebé sentir-se-á mais cómodo e familiarizado com o seu envolvimento. Contudo, sempre que o seu bebé chorar, não hesite em pegá-lo ao colo e colocá-lo junto ao peito, falando com ele num tom meigo e suave, pois este muitas vezes precisa de se sentir protegido, não gostando de estar sozinho.

 

Up To Kids, em 4 de maio de 2016

Dez dicas para a chegada do bebé a uma família multi-espécie

Maio 10, 2016 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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O que pode ser feito, a titulo preventivo e não só, para minimizar o stress e levar o animal a aceitar pacificamente as inevitáveis alterações de rotinas.

Cada vez mais as famílias são compostas por elementos de várias espécies. Assim temos, a par dos humanos, os animais que com eles coabitam e aos quais são atribuídos direitos semelhantes aos do resto da família: alimentação de qualidade apropriada ao seu estado físico, raça e idade; cuidados médicos preventivos e curativos; atividades lúdicas com recurso a brinquedos cognitivamente interessantes e educativos; cuidados de higiene adequados, que incluem o pelo, a pele, os ouvidos, as unhas e os dentes; educação adaptada, com recurso a treinadores e escolas de treino.

Em casais jovens, um animal de estimação vem muitas vezes antes da decisão de alargar a família a um bebé humano, ou porque este já existia antes da união, ou porque foi adotado depois. Normalmente todos os afetos do casal são concertados no seu amigo de quatro patas. A partir do momento que acontece a gravidez a atenção foca-se nos cuidados com a grávida, nos preparativos para a chegada do bebé, nas atenções dos familiares que se regozijam com o eminente acontecimento. Em muitas famílias o animal passa de prioridade a algo secundário, em que as rotinas mudam, os cuidados básicos são negligenciados, a interação reduz-se drasticamente, com menos passeios, menos tempo de brincadeira, menos tempo de qualidade com a família. O relacionamento degrada-se, o animal fica confundido e frustrado, muda algumas atitudes, no sentido de tentar reconquistar o a sua anterior posição no seio familiar. Estas mudanças de comportamento contribuem, muitas vezes, para agravar ainda mais o relacionamento, com tutores já impacientes a penalizarem ainda mais o animal, sem compreenderem a verdadeira razão da sua atitude.

E tudo culmina com o nascimento do bebé. A sua chegada a casa vai, sem sombra de duvida, perturbar o ambiente social e os animais que a habitam. Um choro agudo e insistente, odores completamente desconhecidos, alterações drásticas na rotina, entrada e saída frequente de novos humanos, um corrupio de atividade, muitas vezes invasora da paz familiar, são no mínimo stressantes a até assustadoras. Mas algumas coisas podem ser feitas, a titulo preventivo e não só, para minimizar todo este stress e levar o animal a aceitar pacificamente as inevitáveis alterações de rotinas.

Por favor, lembrem-se que nenhum animal deve ser deixado sozinho com um bebé. O relacionamento deve ser sempre supervisionado, não por recear a sua agressividade contra o recém-nascido, mas porque, em busca de afetos ou calor, o animal pode deitar-se sobre a sua cabeça e este não tem capacidade para o evitar. Aliás, nenhuma criança deve ser deixada sozinha com o seu amigo de quatro patas, até ter idade suficiente para se comportar adequadamente com o mesmo. E isto pode só acontecer por volta dos 10/12 anos. Este cuidado protege ambos: a criança e a mascote.

Portanto, aqui deixo algumas dicas que podem facilitar muito a integração do recém-nascido no ambiente familiar multi-espécie.

1 – Antes do bebé nascer, tente implementar horários que sejam compatíveis com as rotinas que irá adotar depois deste chegar a casa. Comece por alterar gradualmente as rotinas de alimentação, higiene e passeios e adapte-as à futura realidade. Provavelmente têm que ser feitas alterações radicais e se o planeamento for feito atempadamente, assim como o começar a por, tais alterações em prática, o seu nível de stresse será com certeza menor e o seu animal aprenderá a adaptar-se à chegada do novo membro da família. Inclua no seu horário 5 a 10 minutos diários para dedicar exclusivamente ao animal. Durante este período brinque com o seu gato ou cão, afague-o, fale com ele, enfim, tudo aquilo que ele gosta, mas sempre de forma tranquila. Tente manter sempre os mesmos horários e faça-o na presença da criança, depois do nascimento. Poderá ser necessário acordar um pouco mais cedo e poderá, também, ser necessário que alguém olhe pelo bebé enquanto isto acontece, para que não tenha que interromper repentinamente a sessão, no caso deste chorar. Muitos cães e gatos ficam bastante incomodados com o choro dos bebés e a atitude do tutor pode condicionar a forma como estes o vão aceitar. Se se mantiver calmo, o animal aprenderá que este ruido, apesar de incomodativo, não trás nada de mal e passará a aceitar tranquilamente, como um ruido familiar. E aprenda a disfrutar do momento como forma de relaxar e descontrair, sem culpas. Afagar o pelo do animal, ouvir o seu ronronar, disfrutar do seu carinho, baixa a pressão arterial, promove o relaxamento muscular, faz subir a autoestima da recente mãe, ainda a braços com adaptações hormonais e físicas. Se houver vários animais na casa, cada um deles deve ter a sua quota parte de atenção, exceto nos momentos de brincadeira, se são animais que disfrutam adequadamente da companhia uns dos outros.

2 – Se seu cão não anda adequadamente à trela, ou seja, se passa todo o tempo a puxar para um lado e para o outro, cada vez que a sua atenção troca de alvo, está, agora mais que nunca, na hora de o treinar a comportar-se como esperado, passeando calmamente, sem esticões súbitos e imprevisíveis. O ideal seria que os passeios no exterior incluíssem toda a família, mesmo a de quatro patas. Quanto mais o cão obtiver emoções positivas na presença do bebé, mais o aceitará de forma natural e sem dramas. Mas poderá ser muito perigoso tentar conduzir um carrinho de bebé com uma mão e com a outra um cão descontrolado e demasiado energético. Nestas condições a recém mamã evitará os passeios conjuntos e o cão ficará em casa, a ver sair a criança e mais a sua amada tutora, ficando para trás a observar ansiosamente a saída dos dois. Um cão treinado é um cão controlado, que pode ser levado para qualquer lado. Todos têm a lucrar com isso. Quantas mais vezes exercitar o cão ou o gato, tanto física como cognitivamente, na presença da criança, mais forte e estável será o relacionamento entre todos.

3 – Antes da chegada do bebé permita ao animal explorar o quarto de dormir, a área de mudança de fraldas, a área dos banhos e todo o mobiliário e objetos adquiridos para satisfazer as necessidades básicas deste novo membro da família. Nunca deverá vedar o acesso do cão ou o gato às áreas reservadas ao bebé. Estas áreas, por serem novas, têm odores desconhecidos e por isso interessantes para serem explorados. Dê ao animal o direito de se familiarizar com todas estas novidades. Permita-lhe sentir o odor de loções, talcos, cremes e líquidos de lavagem. Se não o fizer, terá um animal a tentar insistentemente entrar na área proibida. E esta insistência poderá ser causa de stresse para a família humana, assim como para o animal, uma vez que lhe é proibido um comportamento exploratório completamente natural. No entanto, deixar explorar, não significa permitir que utilize a cama do bebé ou qualquer outra parte da mobília como dormitório ou zona de estar. Permita-lhe explorar mas só isso. Depois da chegada do bebé não poderá permitir que que este hábito se mantenha. Portanto, logicamente, não o permita antes. Se o cão ou gato possuem brinquedos macios ou sonoros, semelhantes aos do bebé, irá , com certeza, confundir os mesmos e considerará que pode brincar com qualquer dele. Se os brinquedos forem regularmente lavados, não haverá nenhum problema de saúde relacionado com este facto. No entanto, quando o bebé crescer, o cão (mais raramente o gato) poderá retirar o brinquedo da mão da criança e esta poderá ficar ferida. Escolha brinquedos visualmente diferentes para ambos, ou, em alternativa crie a regra que o que estiver no chão é do cão e o que estiver elevado é da criança. Esta regra será para ser cumprida pelos dois. Se o cão estiver treinado e tiver aprendido regras básicas de obediência, será mais fácil o “larga” ou o “dá” e a convivência será, sem duvida mais pacífica.

4 – Quando a mãe estiver na maternidade, depois do nascimento, leve para casa algumas peças de roupa do bebé e espalhe-as, por forma a que o seu odor se misture com os odores familiares. Nunca se esqueça que os animais “vivem no mundo olfativo”. Partindo deste pressuposto, é fácil compreender a importância de o habituar gradualmente a um novo aroma. Assim, quando o bebé chegar a casa, já será identificado como algo familiar e haverá menos curiosidade envolvida, facilitando a adaptação de humanos e animais a uma nova, ruidosa e odoríferas realidade. É também importante que o cão ou gato seja mantido em casa durante o tempo em que a mãe e filho estejam na maternidade. Se estiver fora durante este período, sobretudo em canil ou hotel para cães, voltará, sem dúvida, num maior estado de ansiedade e deparar-se-á com um novo ser, que não reconhece mas que relaciona com o momento de medo e stresse pelo qual acabou de passar.

5 – Quando a mãe regressar a casa deve pedir a alguém que segure o bebé, enquanto dedica uns momentos a cumprimentar o animal. Este sentiu a sua falta e estará ansioso por um pouco de atenção. Afastá-lo, enquanto se concentra no bebé, só causará mais ansiedade. E, em busca de atenção, poderá ser demasiado invasivo e inadvertidamente ferir um dos dois, se o bebé estiver no seu colo. Se for um cão que salta para as pessoas, deverá ser colocado noutra sala, até tudo acalmar. Será então a mãe, sem a criança, a entrar a sala, para calmamente o cumprimentar. Quando este sossegar poderá entrar o bebé , ao colo de alguém e mantido fora do alcance do curioso animal. Este poderá ser controlado pela trela e peitoral. Importante é que a apresentação só seja feita quando todos estejam mais calmos e a situação tenha regressado ao normal.

6 – Quando o pandemónio inicial acalmar, deve então começar a apresentação formal do bebé. Deverá ser a mãe a controlar animal , mantendo-o á trela se houver o risco de ser demasiado invasivo ou de fazer algum movimento brusco em direção á criança. Esta estará ao colo de alguém. Permita ao animal explorar e cheirar, mas se mostrar receio nunca o force a aproximar-se. NUNCA coloque o bebé à frente do nariz do cão. Este poderá sentir-se ameaçado e o medo fará com que possa reagir de forma agressiva. NUNCA coloque o seu bebé em risco, como forma de apressar as coisas. Fale gentilmente enquanto o encoraja a aproximar-se, premiando cada progresso. Se a mãe estiver sozinha, deverá prender o cão a uma parte da mobília e sentar-se numa zona controlada, com o bebé ao colo, permitindo-lhe que explore olfativamente o recém nascido, sem perigo. É importante que o animal possa ser controlado com um comando verbal. Se estiver incontrolável, pare a interação, coloque-o noutra sala. Espere que se acalme e tente de novo. NUNCA o afague quando mostrou agressividade em relação ao bebé, no sentido de lhe mostrar que também gosta muito dele. Terá que compreender que se quer fazer parte desta família alargada, estar presente em todas as situações e continuar a ter a atenção de todos, terá que aceitar este recém chegado. NUNCA corrija um comportamento de forma agressiva, pois inevitavelmente a presença da criança será associada a acontecimentos negativos.

7 – Se o animal for sossegado e controlável, não há motivo para não estar presente em todos os momentos da rotina diária do bebé, a partir da altura em que já se tenha habituado á sua presença e reaja de forma natural aos estímulos relacionados com a existência de recém-chegado. O sentir-se incluído irá fortalecer o relacionamento entre ambos e a criança crescerá mais humana, solidária, consciente dos factos simples da vida e socialmente adaptada.

8 – Em nenhuma circunstância deverá ser permitido ao cão ou gato dormir no quarto do bebé. Use um monitor ou um intercomunicador para vigiar o sono da criança, sem ser preciso manter a porta aberta. Não por recear algum tipo de comportamento predatório ou de agressividade gratuita, mas porque, inadvertidamente pode sufocar o bebé, quando se deita junto da cabeça. A culpa associada a uma tragédia deste tipo seria insuportável para os pais e o animal sairia também ele lesado.

9 – Se o animal mostrar agressividade ou medo na presença da criança, recue uns passos e volte a fazer a reintrodução gradual. O comportamento predatório é a maior causa de agressividade dirigida a crianças pequenas, quando se começam a movimentar pela casa. Também uma má experiência com outras crianças poderá fazer com que generalize e passe a recear qualquer criança. Estas são muitas vezes descoordenadas e sempre imaturas, podendo facilmente magoar o animal, durante uma brincadeira, uma tentativa de deslocação pela casa, ou mesmo uma interação não controlada. Animais idosos, muitas vezes com dores articulares, ou aqueles com alguma doença crónica que origine dor, são os que correm maior risco. Nestes casos deverá aconselhar-se com o veterinário assistente, no sentido de procurar ajuda de um comportamentalista que o ajude a resolver o problema.

10 – As crianças devem ser ensinadas desde cedo a respeitar a condição do animal e a interagir gentilmente. É também muitíssimo importante que aprendam, desde cedo, a interpretar a linguagem corporal do cão e do gato, por forma a compreender aquilo que o animal tenta transmitir. Muitos acidentes ocorrem por erros de interpretação. Qualquer animal evita o conflito, utilizando posturas corporais que pretendem transmitir um aviso. Simplesmente as crianças não compreendem a mensagem e invadem os limites do animal. Este, não tendo conseguido impor os tais limites, vê-se obrigado a utilizar a sua ultima arma: a dentada, no caso do cão ou a dentada/arranhadela, no caso do gato. Assim como ensina ao seu filho a língua materna e se preocupa com a sua educação no geral, deveria dar igual atenção aos ensinamentos da linguagem do cão e gato, recorrendo a imagens e desenhos. As escolas deveriam também incluir estes temas nos seus programas, uma vez que é significativo o número de crianças assistidas nas urgências dos hospitais, devido a agressões efetivadas por animais de companhia, sobretudo o cão. Muitos destes incidentes poderia ser evitados se a vitima tivesse interpretado adequadamente os avisos do agressor.

 

Célia Palma para a Visão em 30 de Abril de 2016

Do que se lembra um bebé?

Setembro 15, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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O desenvolvimento do cérebro começa antes do nascimento. É afectado pelo estado emocional e físico da mãe, desde a sua nutrição, nível de stress, consumo de drogas e até o ar que ela respira. Durante os primeiros quatro anos de vida, a estrutura física do cérebro reflecte a forma como a criança foi criada pela família. Um scan ao cérebro pode mostrar se uma criança foi tratada com carinho ou rejeitada e negligenciada. Lynn Johnson é o autor do projecto Baby Brains, um ensaio fotográgico que regista vários momentos na vida de bebés e crianças, tanto “passageiros como inesquecíveis”.

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Veja mais fotos AQUI.

VII Conferência “Cuidar de Nós, Cuidar o Nosso Bebé”

Outubro 29, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/cuidardenoscuidaronossobebe/timeline

Médicos reduzem vírus da sida em bebé para níveis que permitem falar em “cura funcional”

Março 4, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 4 de Março de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Functional HIV Cure after Very Early ART of an Infected Infant

Romana Borja-Santos e com Lusa

Criança infectada à nascença por VIH foi tratada com medicamentos mais agressivos e ficou com níveis do vírus quase indetectáveis.

Um grupo de médicos norte-americanos apresentou aquele que consideram ser o primeiro caso de “cura funcional” de um bebé infectado com o vírus da sida pela mãe.

A criança tinha sido infectada à nascença pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH), transmitido pela mãe seropositiva, que desconhecia estar infectada durante a gravidez. Para os virologistas, não se trata da erradicação do vírus, mas sim do seu enfraquecimento, de tal maneira que o sistema imunitário da criança pôde controlá-lo sem medicamentos antirretrovirais.

A apresentação do caso foi feita no domingo na 20.ª Conferência Anual de Retrovírus e Infecções Oportunistas, em Atlanta, Estados Unidos, adianta a AFP. O bebé, natural do Estado rural do Mississippi, começou a ser tratado com antirretrovirais cerca de 30 horas após o seu nascimento, um método pouco habitual e que poderá ter sido a chave da mudança.

A terapêutica usada, mais agressiva e precoce, poderá explicar a cura funcional da criança, ao bloquear a formação de reservatórios virais difíceis de tratar, de acordo com os médicos. As células contaminadas “dormentes” relançam a infecção na maior parte das pessoas seropositivas, em algumas semanas após a suspensão dos antirretrovirais.

Deborah Persaud, médica e professora associada no Centro Infantil Johns Hopkins, que liderou a investigação, assegura que a criança, agora com dois anos e meio, esteve quase um ano sem medicação, período durante o qual não apresentou sinais do vírus activo. Segundo a especialista, principal autora do relatório clínico, a carga viral no sangue do bebé começou a baixar assim que começou a ser tratado.

Persaud e outros médicos garantem que a criança esteve realmente infectada com o VIH, ao responder positivo à presença do vírus no sangue em cinco testes, efectuados no primeiro mês de vida. O bebé foi tratado com antirretrovirais até ter um ano e meio, idade a partir da qual os médicos perderam o seu rasto, durante dez meses. Ao longo deste período, a criança não recebeu qualquer terapêutica. Os médicos fizeram, posteriormente, uma série de testes sanguíneos, sem detectar a presença do VIH no sangue do bebé.

Uma vida sem medicamentos
Também a médica Hannah Gay, que acompanhou a criança, adiantou ao Guardian que apesar dos níveis indetectáveis nas análises existem alguns vestígios do vírus no organismo da criança, mas que lhe permitirão ter uma vida normal e sem medicamentos já que não tem capacidade de se multiplicar.

De acordo com os virologistas, a supressão da carga viral do VIH, sem tratamento, é extremamente rara, sendo observada em menos de 0,5% dos casos de adultos infectados, cujo sistema imunitário impede a replicação do vírus e o torna clinicamente indetectável.

Novos estudos estão a ser equacionados para aferir se tratamentos precoces e agressivos, como os da criança do Mississippi, funcionam noutros bebés infectados.Os tratamentos antirretrovirais na mãe permitem evitar a transmissão do vírus ao feto em 98% dos casos, segundo os especialistas.

Contudo, o anúncio feito na conferência internacional já gerou algumas reacções entre os mais cépticos, que acreditam que a criança nunca esteve realmente infectada e que os testes apenas deram positivo logo após o parto por a mãe ter o vírus. O caso também se torna bastante particular já que os médicos nunca parariam intencionalmente a medicação se a mãe não tivesse deixado de comparecer nas consultas, escreve o Los Angeles Times.

A investigação foi financiada pelo Instituto Nacional de Saúde norte-americano (National Institutes of Health) e a Fundação Americana para a Investigação da Sida (American Foundation for AIDS Research).

Este bebé torna-se na segunda pessoa em todo o mundo em que é referida uma “cura funcional”. O primeiro caso aconteceu em 2007 mas só foi oficializado em Dezembro de 2010, quando a comunidade médica confirmou que um norte-americano, na altura com 42 anos, residente em Berlim e infectado pelo VIH, tinha desenvolvido uma leucemia aguda. A quimioterapia falhou e seguiu-se um transplante de medula óssea. Após a intervenção, as análises revelaram que o vírus responsável pela sida tinha desaparecido do seu corpo e os médicos deram-no como curado.

Portugal com transmissão residual
Em Portugal, os casos de transmissão de VIH mãe/filho já são quase residuais. Entre 1999 e 2010 nasceram 2656 crianças em risco de infecção, sendo que em 70 casos houve transmissão da mãe para o bebé, segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).

Neste momento, por ano nascem mais de 250 crianças de mães infectadas pelo vírus da sida. Em 2010, último ano com os dados totais disponíveis, nasceram 264 crianças de mães com VIH, com a taxa de transmissão nos 1,9%, o que significa que houve cinco positivos para o vírus. Ainda assim, estes são números muito diferentes dos de 1999, quando nasceram 97 crianças, seis delas infectadas, o que corresponde a uma taxa de 6,2% – a mais elevada até hoje.

A redução das taxas anuais de transmissão mãe-filho do VIH para níveis próximos do 1% até 2016 é precisamente um dos principais objectivos do Programa Nacional para a Infecção VIH/Sida em Portugal.

Na fórmula mágica do leite materno há 700 espécies de bactérias

Janeiro 23, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 17 de Janeiro de 2013.

O artigo citado na notícia é o seguinte:

The human milk microbiome changes over lactation and is shaped by maternal weight and mode of delivery

Nicolau Ferreira

Estudo em mães espanholas mostra que bactérias no leite são diferentes se as mulheres têm peso a mais ou fazem uma cesariana programada. Esta flora pode ser importante para o sistema imunitário do bebé.

São centenas de milhões de anos de evolução que estão concentrados no primeiro alimento de qualquer mamífero. Agora, sabe-se que a complexidade do leite materno envolve mais um factor. Quando um bebé humano bebe pela primeira vez o colostro, o leite que a mãe produz logo a seguir ao parto, está a levar à boca mais de 700 espécies diferentes de bactérias que vão definir para sempre a flora do seu tubo digestivo, revela um estudo publicado recentemente na revista American Journal of Clinical Nutrition.

O leite é um alimento que está adaptado às espécies. Nos cangurus, onde o desenvolvimento fora da placenta começa mais cedo, a composição do leite vai-se transformando à medida que a cria, na bolsa da mãe, cresce e desenvolve ora o cérebro, ora as unhas e o pêlo. E quando duas mamas são usadas por cangurus com idades diferentes, o leite de cada uma é adequado a cada um deles.

Nos países em desenvolvimento, nos primeiros seis meses de vida de um bebé, a amamentação aumenta seis vezes a hipótese de sobrevivência e evita a diarreia e infecções pulmonares. “O leite materno dá os nutrientes, as vitaminas e os minerais necessários a uma criança nos primeiros seis meses e ainda anticorpos da mãe que ajudam a combater doenças”, lê-se no site da UNICEF.

Só há pouco tempo se descobriu que há bactérias no leite materno, mas as suas características continuam a surpreender. Uma equipa espanhola analisou agora, em três momentos distintos, as bactérias do leite que 18 mulheres produziram depois de terem filhos: à nascença, um mês e seis meses depois. As técnicas moleculares permitiram identificar as bactérias presentes em maior e em menor quantidade.

A equipa descobriu que o colostro tem mais de 700 espécies diferentes e é dominado por bactérias ácido-lácticas do género da Weisella e da Leuconostoce por outras como os StaphylococcusStreptococcus e Lactococcus. Ao fim de um mês e seis meses, o que passa a dominar são géneros típicos da cavidade oral: VeillonellaLeptotrichia e Provetella.

Mas que função terão? “Talvez as bactérias do leite materno sejam estimuladores imunitários para reconhecer bactérias específicas e para lutarem contra outras”, responderam ao PÚBLICO, por email, Alex Mira e María Carmen Collado, dois dos autores do artigo que pertencem, respectivamente, ao Instituto de Agroquímica e Tecnologia do Alimento, do Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha, e ao Centro Superior de Investigação em Saúde Pública, em Valência. “Se isto for verdade, o sistema imunitário materno pode regular as bactérias a que o bebé é exposto de uma forma atempada e a falta desta modulação pode ter consequências importantes no desenvolvimento da flora microbiana da criança e na maturação do seu sistema imunitário.”

Via interna de transmissão

Quando os investigadores compararam as bactérias do leite em mulheres com um peso normal e obesas notaram uma diferença importante na composição. As bactérias do leite das mulheres obesas eram menos diversas. Esta mudança pode ser um “mecanismo adicional que explica o maior risco de obesidade dos filhos de mães obesas”, lê-se no artigo.

Outra surpresa foi a composição bacteriana do leite das mães que fizeram uma cesariana programada, em relação a mães que tiveram um parto natural ou que, durante o parto, foram obrigadas a fazer uma cesariana. As bactérias no leite eram diferentes e menos diversas. “Isto poderá ter consequências nas alergias, na asma e noutras doenças influenciadas por uma resposta imunitária deficiente”, dizem os dois autores.

Ainda ninguém sabe ao certo como é que as bactérias aparecem no leite. A equipa analisou a composição bacteriana da pele das mães e dos bebés, do sistema digestivo das mães, da flora vaginal, mas a composição do leite é única. Supõe-se que seja por uma via interna, controlada pelo sistema imunitário, que bactérias específicas do tubo digestivo chegam ao leite. Esta transmissão pode ser influenciada pelo stress fisiológico e pela descarga hormonal do parto, já que nas cesarianas não programadas a composição bacteriana do leite da mãe é semelhante à do leite de mulheres que tiveram parto natural.

Estudo sugere que trabalhar após oito meses de gravidez afecta saúde do bebé

Agosto 13, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 28 de Julho de 2012.

Pode consultar o resumo do estudo mencionado na notícia:

Intrafamily Resource Allocations: A Dynamic Structural Model of Birth Weight

Por PÚBLICO

Um estudo de três economistas da Universidade de Essex, em Inglaterra, sugere que trabalhar no último mês de gravidez afecta o desenvolvimento do bebé de forma semelhante ao tabaco, levando a que este nasça com menos peso.

Os responsáveis pelo estudo, noticia o jornal britânico The Guardian, analisaram dados de 31 mil mulheres. Esta informação foi retirada de três estudos, dois do Reino Unido e um dos EUA. Os dados das mulheres do Reino Unido foram recolhidos entre 1991 e 2001 e os das mulheres nos Estados Unidos dizem respeito a nascimentos entre o início da década de 1970 e 1995.

As mulheres que pararam de trabalhar entre os seis e os oito meses de gravidez tiveram bebés, em média, 230 gramas mais pesados do que as que trabalharam para lá do oitavo mês. Este efeito no peso é semelhante ao das mulheres que fumam quando estão grávidas.

Os investigadores observaram ainda que nas mulheres com menos de 24 anos o facto de trabalharem não teve efeito no peso das crianças.

Marco Francesconi, um dos académicos que assina o estudo, lembrou ao Guardian que o baixo peso no nascimento está correlacionado com um menor sucesso escolar, mortalidade mais elevada e salários mais baixos.

O Recém-Nascido Avaliação Neurocomportamental e Partilha com a Família (NBAS-NBO) 6ª edição

Junho 11, 2011 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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3ª Semana do Bébé – Brincar desde o Colinho

Junho 6, 2011 às 6:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações Aqui

Glutão, o polémico bebé que mama chega hoje a Portugal

Maio 26, 2011 às 3:15 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 25 de Maio de 2011.

Por Ana Rita Duarte

Chama-se bebé Glutão e à primeira vista nada o distingue de outras bonecas do género disponíveis no mercado que choram a pedir alimento. Só que em vez de vir com um biberão, é vendida com uma blusa que a criança pode vestir para simular os seus seios e, desta forma, fingir a amamentação.

Do Reino Unido e dos EUA têm chovido críticas a esta criação da empresa espanhola Berjuán, acusada de promover a sexualidade precoce das crianças mas que se tornou um êxito nos países onde foi lançada. A partir de hoje estará à venda em Portugal.

César Bernabéu, director de vendas da Berjuán, diz que a empresa não entende a “polémica criada à volta de algo que é totalmente natural” e adianta que “antinatural é dar o biberão a um bebé”. Adelino Santos, responsável pela Berjuán em Portugal, vai mais longe e defende mesmo que o brinquedo é “bastante educativo”, considerando “descabida” a ideia de que promove a sexualidade precoce das crianças que brincam com ele.

A boneca, do género Nenuco, mama, chora para mudar de seio e, no final, arrota. Funciona através de sensores instalados nos seios artificiais, que simulam o movimento de sucção quando lhes são encostados os lábios de plástico do bebé. É hoje um dos brinquedos mais procurados nos EUA, onde Bill O”Reilly, o apresentador da cadeia televisiva Fox e líder de audiências no cabo, a acusou de ser um estímulo à pedofilia. Custa cerca de 40 euros e só em Espanha vendeu mais de 30 mil unidades desde o seu lançamento, em 2009.

Para Mário Cordeiro, professor de pediatria e saúde pública, não há dúvidas de que a amamentação deve ser vista como algo natural, mas nunca como algo “forçado” – e esse, na sua opinião, parece ser o caso. Cordeiro não acredita que a boneca “traga benefícios” às crianças e explica que “a banalização de coisas importantes pode mesmo estragá-las”.

“Uma coisa é ver outra pessoa e aprender com o que se vê, outra é praticá-lo, numa idade desadequada. Cada coisa de sua vez e o percurso do desenvolvimento da sexualidade, que começa à nascença, faz-se por etapas, sem forçar nenhuma e admitindo o ritmo próprio de cada uma”, explica. Tudo resumido, o conceito do bebé Glutão parece-lhe “um bocado bizarro e até pateta”.

Carlos Amaral Dias, médico psiquiatra e psicanalista, tem uma opinião diferente. A começar pela ideia de que o boneco promove alterações na sexualidade e até a gravidez na adolescência, como defendeu O”Reilly, o que é “um disparate que carece de investigação”. O médico admite que o boneco “pode, eventualmente, estimular um certo tipo de sexualidade infantil”, mas desvaloriza a situação, considerando-a normal.

Sobre a mini-blusa que é vendida com a boneca, e onde duas pequenas flores em tecido simulam os dois seios, Amaral Dias diz que as crianças têm “consciência da imagem corporal”. Já Mário Cordeiro considera “ridícula” a ideia da blusa e, em tom de brincadeira, relembra o filme Uns Compadres do Pior, “em que o Robert de Niro tinha uma blusa com uma maminha feita à semelhança da da filha, onde punha leite, para dar de mamar ao neto quando ficava com ele”.

Os pais, contudo, parecem estar a reagir bem ao novo brinquedo e o volume de vendas, diz César Bernabéu, prova que a maioria vê com normalidade a possibilidade de as crianças simularem a amamentação. O director de vendas da Berjuán garante que todos os anos a empresa continuará a lançar no mercado novos assessórios para ajudar a dar de mamar ao bebé Glutão.

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