O AVC na criança. É raro, mas até pode acontecer durante a gravidez

Novembro 12, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Sapo Lifestyle

Texto e foto do Sapo Lifestyle

Após um AVC, as crianças geralmente recuperam melhor e mais rapidamente. Contudo, as sequelas motoras, cognitivas e comportamentais são uma realidade. As explicações são da médica Rita Lopes da Silva, neurologista pediátrica do Hospital de Dona Estefânia.

O AVC é uma doença mais rara na criança do que no adulto. Pode ocorrer na gravidez, nos primeiros dias após o parto ou mais tarde na infância e adolescência. As causas do AVC são diferentes e por vezes múltiplas, destacando-se as doenças cardíacas, hematológicas, infeciosas e metabólicas. Quando ocorre um AVC, metade das crianças tem um fator de risco previamente conhecido, o que torna fundamental a instituição de medidas para a sua prevenção.

O tipo de AVC também varia consoante a idade; nos países ocidentais o AVC isquémico no adulto representa 80-85% e na criança surge em 55% dos casos, sendo os restantes AVC hemorrágicos causados sobretudo pela rotura de malformações vasculares ou doenças hematológicas.

A apresentação clínica mais frequente do AVC isquémico é a hemiparesia aguda (falta de força em metade do corpo). Existe habitualmente um atraso significativo no diagnóstico (por vezes mais de 24h), devido ao não reconhecimento das manifestações iniciais pela família e profissionais de saúde, e estas serem atribuídas a outras doenças mais comuns (enxaqueca, epilepsia e infeções).

A raridade do AVC neste grupo etário dificulta a realização de ensaios clínicos e a elaboração de recomendações clínicas baseadas em níveis de evidência sólidos. Por este motivo, a maior parte das recomendações terapêuticas resulta da extrapolação dos resultados de estudos realizados em adultos e de consensos de grupos de peritos.

Quais as sequelas?

Após um AVC, as crianças geralmente recuperam melhor e mais rapidamente. Contudo, as sequelas motoras, cognitivas e comportamentais são valorizáveis (défice residual em 40-60%) e a mortalidade pode atingir 10-25%, pelo que o AVC está entre as 10 primeiras causas de morte na idade pediátrica.

No serviço de Neurologia Pediátrica do Hospital Dona Estefânia – Centro Hospitalar de Lisboa Central, funciona a consulta de doenças neurovasculares que é única no país para este grupo etário. Na consulta são acompanhadas crianças/adolescentes que já sofreram um AVC, de modo a investigar a sua causa, instituir medidas para evitar a sua recorrência e promover a reabilitação. São também avaliadas crianças/adolescentes que apresentam doenças cardíacas, hematológicas ou genéticas com um risco elevado de AVC.

Como exemplo, destaca-se o Programa de Vigilância e Prevenção da Doença Vascular Cerebral na Anemia de Células Falciformes, em estreita articulação com a Unidade de Hematologia do mesmo Hospital e a Unidade de Neurossonologia do Hospital de São José.

As explicações são da médica Rita Lopes da Silva, Neurologista Pediátrica do Hospital de Dona Estefânia e Membro da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC).

 

Filhos de fumadores têm maior risco de desenvolver doenças pulmonares fatais décadas depois

Setembro 28, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Lifestylesapo

Notícia e imagem do Lifestyle Sapo de 28 de agosto de 2018.

Nuno de Noronha

Crianças que crescem ao lado de adultos fumadores têm maior risco de morrer de uma doença grave de pulmão, mesmo que nunca tenham fumado de forma ativa.

Essa é a nova conclusão de um estudo da Sociedade Americana de Cancro. Já era sabido que crianças cujos pais fumam têm maior risco de desenvolver problemas pulmonares ou vasculares na infância – como asma ou hipertensão. Mas nunca um estudo tinha provado efeitos graves do fumo passivo na vida adulta.

“Este é o primeiro estudo que identifica uma associação entre a exposição da criança ao fumo do tabaco e a morte por doença pulmonar obstrutiva crónica na meia-idade e velhice”, afirma Ryan Diver, um dos autores do estudo, citado pela radiotelevisão britânica BBC.

A investigação analisou a saúde de 70,9 mil pessoas não fumadores, homens e mulheres, acompanhadas durante duas décadas. Um terço morreu antes da conclusão do estudo que foi publicado na revista médica American Journal of Preventive Medicine.

Segundo a investigação, as pessoas que conviveram com um adulto fumador apresentaram mais complicações de saúde ao longo da vida.

A exposição ao tabaco na infância, dez ou mais horas por semana, aumentou o risco de morte na idade adulta por doença pulmonar obstrutiva crónica em 42%, doença cardíaca isquémica em 27% e acidente vascular cerebral (AVC) em 23%, em comparação com aqueles que não conviveram com fumadores na infância.

“Este último estudo dá mais um argumento para retirar o fumo de perto das crianças. A melhor forma de fazer isso é os pais deixarem de fumar”, afirma Hazel Cheeseman, membro do grupo ativista “Action on Smoking and Health”.

“O fumo passivo tem um impacto duradouro, que vai muito além da infância”, acrescenta o médico Nick Hopkinson, conselheiro da Fundação Britânica do Pulmão citado pela BBC.

 

 

Em média morrem por ano 38 crianças norte-americanas esquecidas nos carros

Julho 31, 2014 às 4:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 26 de julho de 2014.

Público arquivo

AFP

Esquecer uma criança adormecida, no interior do carro, ao sol, é o pesadelo de muitos pais. Mas é um facto que acontece com alguma frequência, pelo menos nos EUA. Entre 1998 e 2013 morreram, em média naquele país, 38 crianças de ataque cardíaco, trancadas dentro de automóveis. A maioria era menor de cinco anos.

Só estes ano, 17 crianças morreram nestas circunstâncias, o que levou as autoridades a lançar uma campanha nacional pedindo aos pais e outros familiares a nunca deixar as crianças sozinhas num carro. “Todos os Verões revivemos o mesmo pesadelo”, lamenta o responsável norte-americano dos Transportes, Anthony Foxx, pai de duas crianças, durante o lançamento da campanha “Onde está o bebé? Olhe antes de fechar o carro”.

Um carro fechado é perigoso e para o ilustrar, foi colocado um termómetro no interior de um veículo estacionado nas ruas de Washington. No interior do automóvel estavam 35º, enquanto na rua, com o céu enublado estavam 25º. Além disso, a temperatura do corpo das crianças pode subir cinco vezes mais rápido do que a de um adulto, explica a pediatra Leticia Manning Ryan, do Hospital Johns Hopkins, em Baltimore. “Quando a temperatura interna de uma criança chega aos 40º, os principais órgãos começam a colpapsar, e se a temperatura chegar a 41,7º, a criança pode morrer”, acrescenta.

As autoridades sublinham que 29% das crianças que morreu de ataque cardíaco trancadas num carro entrou no veículo sozinha; mas a maioria dos casos (52%) foram simplesmente esquecidas por adultos. Na maioria das vezes, as crianças são esquecidas porque os seus pais ou outros cuidadores estão stressados e têm lapsos de memória, justifica Anthony Foxx. “Nos registros que temos, muitas vezes é a fadiga que leva a esse tipo de tragédia”, sublinha.

Num inquérito feito online, 11% dos pais norte-americanos, dois terços de homens admitiram ter esquecido, pelo menos uma vez, uma criança num carro – isso representa mais de 1,5 milhões de pais.

Há dois anos, a agência norte-americana para a segurança rodoviária (NHTSA) estudou três sistemas que poderiam detectar a presença de crianças em veículos fechados. Contudo, o seu desempenho não foi satisfatório. Mais de 5800 pessoas já assinaram uma petição online para pedir ao presidente Obama mais financiamento para a investigação sobre este tema. “Infelizmente, ainda não existe tecnologia”, admite o administrador da NHTSA, David Friedman.

Enquanto isso, aos adultos mais distraídos é aconselhado que deixem na parte detrás do carro, ao lado dos filhos, algo para que olhem automaticamente mal cheguem ao seu destino. Por exemplo, o telemóvel, o portátil ou uma mala. Aos transeuntes que vejam uma crianças dentro de um automóvel é aconselhado que avisem as autoridades ou partam uma janela.

mais informações:

http://www.nhtsa.gov/About+NHTSA/Press+Releases/2014/Foxx-urges-parents-public-to-help-prevent-child-heatstroke-deaths

 

 

 

 

Centro de Reabilitação de Alcoitão recebe cada vez mais crianças vítimas de AVC

Maio 20, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 12 de Maio de 2013.

O Centro de Reabilitação de Alcoitão tem tratado  cada vez mais casos de crianças com diagnóstico de AVC, uma situação considerada  muito rara em pediatria, geralmente associada a malformações congénitas,  mas cujas causas não estão totalmente determinadas.

Segundo os dados oficiais do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão,  em 2011 foram observadas quatro crianças com AVC, em 2012 foram tratadas  21 e só este ano já entraram na instituição duas crianças e outras 10 estão  a ser seguidas em ambulatório.

“Não há dados suficientes a nível nacional sobre a incidência do AVC  na criança. Sabemos que há uma incidência de 200 em cada 100 mil adultos  e que haverá um máximo de 14 crianças com AVC por cada 100 mil pessoas”,  disse à agência Lusa Nilton Macedo, enfermeiro no serviço de reabilitação  pediátrica de Alcoitão, pertencente à Santa Casa da Misericórdia.

Apesar de ser um evento bastante raro na idade pediátrica, nos últimos  anos as crianças e jovens observados em Alcoitão têm sido cada vez mais,  embora o enfermeiro não consiga encontrar uma explicação para este aumento.

As próprias causas do AVC pediátrico não são totalmente esclarecidas,  apesar de haver uma forte associação com patologias congénitas (como uma  malformação arteriovenosa), algumas das quais permanecem desconhecidas até  ao acidente vascular cerebral ocorrer.

“Se as causas de raiz associadas ao AVC são patológicas não consigo  explicar a razão do aumento  1/8dos casos em Alcoitão 3/8”, refere Nilton Macedo,  adiantando que este é o único centro de reabilitação em Portugal com internamento  em pediatria, recebendo por isso crianças referenciadas de hospitais de  todo o país e regiões autónomas.

E as malformações que estão na base destes AVC em idade pediátrica podem  ser uma “bomba relógio”, como indica o enfermeiro, já que em mais de 90%  dos casos não são detetadas à nascença: “Numa malformação arteriovenosa  pode haver uma rutura aos 2 anos como aos 80 anos”.

Em comparação com o adulto, genericamente o prognóstico de recuperação  do AVC na criança é melhor, devido sobretudo a uma maior plasticidade do  cérebro infantil, o que facilita a reabilitação.

“A partir do momento em que as crianças são admitidas  1/8em Alcoitão 3/8  fazemos uma avaliação da criança para dimensionar a limitação com que ficou.  Tentamos promover um processo de reabilitação a vários níveis: física, emocional  e psicológica”, indicou o especialista.

Mas as estratégias e respostas têm de ser adaptadas a cada criança e  a cada família, até porque um AVC numa criança com dois anos não tem as  mesmas repercussões do que num jovem de 16, justifica Nilton Macedo.

No caso das crianças, além de recuperar as competências que perderam  com o acidente, é ainda preciso habilitá-las para adquirirem novas competências.

O enfermeiro do Centro de Alcoitão admite que lidar com estas situações  “não é fácil” para os próprios profissionais de saúde, porque “mexe com  medos pessoais”: “Ninguém sai do serviço e desliga um botão quando vai para  casa. Muitas vezes passamos a sofrer um bocadinho com as situações e com  a dor dos pais, que estão cá 24 horas. Mas vamos todos desenvolvendo estratégias  para lidar com a situação e perceber o nosso limite relacional”.

Lusa


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