Agressões psicológicas são os atos de violência mais frequentes no namoro

Fevereiro 14, 2020 às 3:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 14 de fevereiro de 2020.

Mais de metade dos estudantes universitários dizem já ter sido sujeitos a pelo menos um ato de violência no namoro.

Um estudo nacional sobre violência no namoro em contexto universitário revelou que as agressões psicológicas são as mais frequentes, seguidas de atos de violência social, física e sexual.

Os dados recolhidos entre abril de 2017 e janeiro de 2020 contaram com 3.256 participantes e deram a conhecer não só a percentagem de situações de violência como questões relacionadas com crenças sobre as relações sociais de género.

As respostas aos inquiridos deram, por exemplo, a indicação de que 3,6% das mulheres e 15,4% dos homens concordam que o ciúme é uma prova de amor enquanto 2,3% das mulheres e 3,1% dos homens discordam que homens e mulheres devem ter direitos e deveres iguais.

Do total de participantes do estudo que visa caracterizar este flagelo social a partir da ótica dos estudantes universitários, 53,9% relataram que já tinham sido sujeitos a pelo menos um ato de violência no namoro e 35% já o praticaram.

Embora a violência no namoro seja sofrida e praticada por ambos os sexos, são os homens quem mais pratica a violência.

Relativamente ao tipo de violência é destacada a psicológica como a mais prevalente nas relações de namoro, seguida da violência social, da violência física e, por fim, da violência sexual.

Do total de inquiridos, 23,4% das mulheres e 19,6% dos homens já foram criticados, insultados, difamados e acusados sem razão e 20,7% das mulheres e 11,1% dos homens já foram controlados na forma de vestir, no penteado ou na imagem, nos locais frequentados, nas amizades ou companhias.

O estudo revela ainda que 16,4% das mulheres e 9,4% dos homens já foram ameaçados verbalmente ou através de comportamentos que causem medo, como por exemplo gritos, partir objetos ou rasgar a roupa.

Ainda segundo os dados recolhidos, 14,1% das mulheres e 9,7% dos homens já foram impedidos de contactar com a família, amigos e ou vizinhos e 13,9% das mulheres e 10,3% dos homens já foram impedidos de trabalhar, estudar ou de sair sozinhos.

Outro aspeto revelado pelo estudo é de que 10% das mulheres e 7,9% dos homens já foram magoados fisicamente, empurrados, pontapeados ou esbofeteados e 9,5% das mulheres e 5,2% dos homens já foram obrigados a ter comportamentos sexuais não desejados.

Do total de inquiridos, 6,9% das mulheres e 5,5% dos homens já sofreram ameaças de morte, atentados contra a vida ou ferimentos que obrigaram a receber tratamento médico.

Quem praticou e quem sofreu violência no namoro apresenta crenças sobre as relações sociais de género mais conservadoras do que quem não praticou nem sofreu violência.

Os homens são aqueles que apresentam crenças mais conservadoras sobre as relações sociais de género.

O trabalho revela que 12,2% das mulheres e 27,4% dos homens concordam que algumas situações de violência doméstica são provocadas pelas mulheres e 5,9% das mulheres e 11,8% dos homens concordam que as mulheres que se mantêm em relações amorosas violentas são masoquistas.

O Estudo Nacional da Violência no Namoro em Contexto Universitário: Crenças e Práticas é uma iniciativa da Associação Plano i no âmbito do Programa UNi+, financiada pela Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade (1ª e 2ª edições) e pelo Fundo Social Europeu no âmbito do Programa Operacional Inclusão Social e Emprego (POISE) do Portugal 2020 (3ª edição).

Mais informações no link:

Estudo Nacional – Violência no Namoro

 

Vai nascer um Observatório Nacional do Bullying e um Plano B para o eliminar

Fevereiro 7, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 30 janeiro de 2020.

Por Catarina Maldonado Vasconcelos com Paula Dias

Além do Plano B, a Associação Plano i vai criar o Observatório Nacional do Bullying. Os dados serão recolhidos através de um questionário que estará disponível a partir desta quinta-feira no site da associação.

O bullying é um problema de saúde pública, transversal a várias faixas etárias, mesmo depois da infância. Para prevenir os casos de violência e de forma a promover a saúde mental, a Associação Plano i e a Direção-Geral da Saúde lançam agora um programa designado Plano B.

A iniciativa envolve três municípios (Porto, Matosinhos e Figueira da Foz) e nove agrupamentos de escolas, o que perfaz 40 turmas. O foco são estudantes dos 2.º e 3.º ciclos, e a psicóloga e coordenadora do plano Ana Luísa Abreu, esclarece: “Se olharmos para o relatório anual de 2017, das vítimas de bullying que estão em atendimento – são 107, neste caso – 48,6% são crianças e jovens, e, desses, 15,9% são do 2.ºciclo e 13,1% do 3.º ciclo.”

“Quase 60% dos autores deste crime são colegas da escola”, acrescenta a coordenadora do programa.

Além do Plano B, a Associação Plano i vai ainda fazer nascer o Observatório Nacional do Bullying. Os dados serão recolhidos através de um questionário que estará disponível a partir desta quinta-feira no site da associação.

“Pode ser preenchido por vítimas, por ex-vítimas, por testemunhas ou simplesmente por pessoas que tomaram conhecimento, como, por exemplo, uma psicóloga, um pai ou uma mãe”, refere Ana Luísa Abreu, que acredita que a recolha “vem tentar caracterizar em que momento, em que ano de escolaridade e em que ano civil [ocorrem os atos], também para compreender a prevalência de ano para ano” de forma a “caracterizar o fenómeno para depois haver uma intervenção à altura daquilo que é a realidade”.

O observatório promete dados anuais sobre os casos de bullying em Portugal, que se registam em vários contextos dentro e para lá da escola.

ouvir a reportagem da TSF no link:

https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/vai-nascer-um-observatorio-nacional-do-bullying-e-um-plano-b-para-o-eliminar-11765634.html?fbclid=IwAR0eopfYFtJxel3iDdgzHa4EZ_XXbnxe8tsBo49sQO-J4X95TZFbHBDnURI

Violência no namoro atinge 56% dos jovens

Fevereiro 14, 2018 às 3:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Na maioria (92%) das denúncias, as vítimas são do sexo feminino
Foto: Arquivo/Global Imagens

Notícia do https://www.jn.pt/ de 14 de fevereiro de 2018.

Ana Gaspar

Dois estudos revelam realidade preocupante, que exige uma intervenção cada vez mais precoce. Aumento de denúncias pode não significar crescimento do fenómeno.

Mais de metade dos jovens com um relacionamento amoroso (passado ou atual) já tinham sido alvo de pelo menos um ato de violência no namoro, quando responderam ao inquérito levado a cabo pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), cujos resultados são divulgados esta quarta-feira, a propósito do Dia dos Namorados.

De um universo de 3163 jovens (com a média de idades de 15 anos), 1773 (56%) foram vítimas de violência, sendo que 18% foram casos de violência psicológica, 16% de perseguições, 12% de violência através das redes sociais, 11% de situações de controlo, 7% de violência sexual e 6% de agressão física por parte de um(a) companheiro(a), lê-se nos dados a que o JN teve acesso.

A violência no namoro é um problema sério, quer entre os mais novos quer na idade adulta, e hoje, no Dia dos Namorados, são apresentados dois estudos. Além da investigação da UMAR, são também revelados os dados do Observatório da Violência no Namoro, que recebeu 128 denúncias em menos de um ano.

Mais de 500 participações à GNR

Desde 2013 que o Código Penal, no artigo 152.º – relativo ao crime de violência doméstica – tem uma alínea respeitante às relações de namoro. Facto que torna mais fácil a sua penalização, uma vez que a violência doméstica é um crime público e, por isso, não precisa de ser denunciado pela vítima.

No ano passado, a GNR recebeu 560 participações (menos 116 do que em 2016) e destas 238 foram relativas a maus-tratos físicos ou psíquicos entre namorados e 322 entre ex-namorados. Os números facultados ao JN, que não discriminam as idades das vítimas, mostram ainda que 2016 foi o ano com maior número de participações desde 2014 (ano em que se registaram 568) e que, dos quatro anos apreciados, 2017 foi aquele em que se verificou o menor o número de denúncias.

Na violência psicológica, os insultos foram os atos mais relatados pelos inquiridos da UMAR, seguindo-se o ato de humilhar as vítimas (15%) e as ameaças (11%), revelou Ana Teresa Dias, uma das autoras do estudo.

Os dados reforçam “a necessidade e urgência de uma intervenção com os/as jovens, o mais precoce e continuadamente possível, no sentido de prevenir a violência sob todas as formas”, lê-se nas recomendações do documento. Mas não significa que a violência tenha aumentado. “Pode significar que há mais jovens que se identificam como tendo sofrido comportamentos de violência.”

Represálias travam denúncias

Numa faixa etária superior (a média é 24 anos), o Observatório da Violência no Namoro recebeu, desde abril de 2017 (quando foi criado) até este mês, 128 denúncias de atos violentos (34 já em 2018), sendo a violência psicológica a mais predominante (116 relatos, o que corresponde a 90,6% do total).

Sofia Neves, uma das responsáveis do projeto lançado pela Associação Plano i, em parceria com o Instituto Universitário da Maia/Maiêutica, apontou como “dado mais preocupante” o número muito reduzido destas vítimas que apresentaram queixa às autoridades. Foram apenas 15 (11,7%). O motivo, explicou a investigadora, prende-se com as ameaças de represálias feitas pelos agressores, quer contra as vítimas quer contra as pessoas que lhes são próximas.

 

 

 


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