Nuvem Vitória conta histórias à noite a crianças hospitalizadas

Janeiro 3, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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João Santos

Notícia do Jornal de Notícias de 15 de dezembro de 2018.

Associação está presente em quatro hospitais e tem cerca de 300 voluntários. Verba atribuída pelo Lidl no âmbito da campanha solidária de Natal vai permitir alargar a ação a outras unidades.

O sorriso das crianças internadas na pediatria do Hospital de São João, no Porto, aquando da visita dos voluntários da Nuvem Vitória para lhes lerem histórias na hora de deitar, deixa adivinhar o quanto aquele momento é mágico. Num piscar de olhos, os mais novos esquecem os tratamentos e deixam-se encantar pelos contos.

Parece simples, mas a ideia de fazer algo diferente a nível de voluntariado esteve anos numa gaveta até ver a “luz da noite”, em 2016, pelas mãos da ex-jornalista Fernanda Freitas e do advogado Pedro Dias Marques. “Pensámos num projeto inovador, que envolvesse voluntariado e leitura, as nossas duas âncoras. Contar histórias só se fosse à noite, pois eu não tinha tempo de dia”, conta a presidente da associação, explicando o significado do nome: “Porque terminamos com a frase “Vitória, vitória, acabou-se a história”. Claro que há a mensagem subliminar da vitória sobre a doença. Quanto à nuvem, queríamos uma imagem fofinha, que não aparecesse à noite, mas quando aparece faz magia. Uma nuvem à noite não se vê, a não ser que seja Vitória”.

O projeto-piloto começou na pediatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, estendendo-se, depois, ao “Joãozinho”, no Porto, e ao Hospital de Vila Franca de Xira e Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão. Atualmente, a Nuvem Vitória está presente nas noites de segunda a sexta-feira e conta com a ajuda de cerca de 300 voluntários, que trabalham em sistema rotativo, uma duas ou todas as semanas do mês, dependendo da disponibilidade.

O apoio que a associação receberá através da campanha solidária do Lidl, que decorre até ao próximo dia 30, permitir-lhe-á alargar a ação. “No próximo ano teremos mais seis núcleos, um deles em Braga, mas até 2020 queremos estar em 14 hospitais. Gostávamos de ter um núcleo em cada capital de distrito”, avança Fernanda Freitas, salientando ser “a gestão ultra-profissional da Nuvem” que abre as portas das administrações hospitalares.

Percurso até ser voluntário

Não se pense, contudo, que é fácil ser “Nuvem”. Há lista de espera e muitos passos a seguir até se chegar às crianças. “O primeiro é ter mais de 21 anos, fornecer o registo criminal para se confirmar que pode trabalhar com menores e dizer a disponibilidade. Segue-se a formação de um fim de semana, na qual recebe o regulamento, o contrato e o número de apólice de seguro e aprende os direitos e deveres”, enumera a presidente, frisando: “Ter jeito para contar histórias é o que menos importa”.

“O que interessa é ter compromisso, responsabilidade e bom senso. Porque o saber contar histórias vem com tempo. Pega-se num livro e lê-se mais torto ou direito, com enganos… os miúdos não ligam a isso. Eles querem é aquele bocadinho de atenção”, anota Fernanda Freiras, completando: “Se depois desta experiência traumática, as crianças chegarem a casa e só se lembrarem da Nuvem e das histórias que lhes lemos, já cumprimos a missão”.

Apesar de vários estudos comprovarem os benefícios da leitura, não só na saúde física dos mais novos, como na mental, a presidente anota que o objetivo da associação não é “evangelizar os pais que não têm esse hábito”.

“A nossa função é, naquele momento, serenar as crianças que estão internadas. Os pais percebem a importância do nosso trabalho e há crianças que lhes pedem para continuarem a ler quando vão para casa. Não fazemos a parte moral de tentar incutir a leitura, em especial naquelas situações em que sabemos que eles não leem. É uma situação melindrosa e podemos estar a ferir suscetibilidades e não é isso que se pretende”, esclarece Margarida Soares, jurista e coordenadora do núcleo do Porto da Nuvem, continuando: “Mas há crianças que dizem que quando forem para casa querem que os pais continuem a fazer igual”.

Plataforma “Quero Dormir”

E numa altura em que os dados em Portugal apontam para uma diminuição acentuada das horas que os portugueses dormem, sejam crianças ou adultos, este projeto acabou por espoletar a criação da plataforma do sono, denominada “Quero Dormir”.

“Este site que está a ser construído por nós, em parceria com a Associação Portuguesa do Sono e a Ordem dos Psicologos Portugueses, vai ser um depositório de notícias e informações credíveis. Terá, ainda, um mapa para geo-referenciar especialistas do Sono ou serviços onde haja a especialidade do Sono”, revela Fernanda Freitas, deixando um alerta: “A médica da Associação Portuguesa de Psicólogos que trabalha connosco diz-nos que há tantas coisas que acontecem na adolescência que podia ter sido resolvidas com umas boas noites de sono na infância. Há estudos sobre a ligação do bulling ou da violência com a falta de sono”.

Hospital elogia voluntariado

No Hospital de São João, o trabalho desenvolvido não só pela Nuvem Vitória, mas também por outras entidades é “muito importante”, segundo declarações de Ana Príncipe, assessora do presidente do Conselho de Administração do Hospital S. João e técnica de saúde, mas obriga a uma análise rigorosa dos projetos.

“Uma das razão pelas quais a Nuvem tem de ter um escrutínio muito apertado é porque estamos numa hora mais desprotegida, quer para os funcionários, quer para os meninos, quer para os familiares. Por isso, o voluntariado a esta hora tem de ter características muito especiais para ser um fator de felicidade e o bem-estar dos nossos doentes”, explica a assessora, salientando: “A noite é muito complicada de gerir pelos pais, são muitas horas “mortas””.

Ana Príncipe anota que os profissionais de saúde, enfermeiros e médicos de serviço, “olham para os voluntários como uma nuvem passageira, suave, que passa sem ser notada”. “A Nuvem Vitória sabe passar despercebida ao funcionamento normal de um hospital desta dimensão e isso é muito importante. Além disso, o símbolo da Nuvem e a cor branca despertam sentimentos bons associados ao saudável e à felicidade que isso traz”, complementa a técnica de saúde.

Contos ajudam a acalmar

Quando Alexandrina Pinto, mãe de uma paciente, Ana, de 12 anos, viu os voluntários pediu-lhes que fossem contar uma história à filha, que aquando da visita já estava a dormir.

“Pedi à Nuvem Vitória para lhe ler uma história, pois acho que mesmo que esteja a dormir, o subconsciente da Anocas fica alerta”, diz esta mãe, visivelmente mais confortada após a leitura do conto. “Só conheci esta associação neste último internamento, mas acho fundamental o trabalho deles, pois ajuda a descer a energia, a acalmar as crianças e a prepará-las para o sonho. Da outra vez a minha filha estava acordada e adorou a história”, acrescenta Alexandrina Pinto, revelando que a leitura é um hábito antigo em casa.

“Desde a gravidez li sempre muita poesia e histórias em voz alta e desde que a Ana nasceu leio-lhe à noite. Se não estou eu a adormecê-la, peço a quem está que também lhe leia. E, criei um hábito com o meu pai de ler histórias sem livro para ela descobrir mais coisas sobre a família, porque acho que é importante. Sempre que é o meu pai a adormecê-la, ela escolhe uma pessoa da família e ele conta-lhe uma história”, finaliza esta mãe.

Oito mil histórias para adormecer e mais uma contada a crianças nos hospitais

Dezembro 24, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 3 de dezembro de 2018.

Miguel Morgado

O sono e as leituras de cabeceira juntaram à mesa duas psicólogas, uma blogger, uma empresa de distribuição (Lidl Portugal) e uma associação, a Nuvem Vitória. Associação conta histórias para adormecer a crianças que estão em hospitais ou instituições. Até 2020, quer triplicar o número de 300 voluntários e adormecer 50 mil crianças.

A temática do sono e a importância de contar de histórias de embalar às crianças. O mote juntou à mesa duas psicólogas, Teresa Rebelo Pinto e Clementina Pires de Almeida, uma blogger, Rita Ferro Alvim e uma associação (Nuvem Vitória), representada na pessoa de quem a criou e preside, Fernanda Freitas, ex-jornalista.

Como pano de fundo, juntando as quatro vozes num encontro marcado num café (Amélia), em Campo de Ourique, Lisboa, uma empresa de distribuição (Lidl Portugal) lançou uma campanha de Natal (que decorre até 30 de dezembro) integrada na estratégia de Responsabilidade Social para apoiar a Nuvem Vitória, associação criada em 2016 que através dos seus 300 voluntários espalhados nos hospitais de Santa Maria, em Lisboa, de São João, no Porto, e de Vila Franca de Xira, e no Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão lê histórias para adormecer a crianças que estão nessas hospitais e instituições.

“A maior parte das pessoas desvaloriza o sono. É uma perda de tempo, pensam”, alertou Teresa Rebelo Pinto, psicóloga, especialista em sono. “Focamo-nos muito na alimentação e no desporto e secundarizamos a importância do sono”, acrescentou Rita Ferro Alvim, blogger.

“Quando nascemos não temos o ritmo do sono interiorizado. O sono aprende-se e reaprende-se. E temos que ajudar as crianças a aprender”, referiu a psicóloga, Teresa Rebelo Pinto. Porquê? “Quando dormimos pouco, o sistema imunitário fica mais fraco, temos mais dificuldades cognitivas e relacionais”, descreveu.

No caso das crianças, que ficam “mais excitadas e agitadas”, socorre-se de estudos que associam a “redução/privação do sono e o insucesso escolar”, registando-se ainda “níveis mais elevados de agressividade”, perturbações e riscos de “obesidade (quatro vez mais provável)” ou “ansiedade e diabetes” alertou. “As doenças do sono, não só insónias, têm que ser tratadas por um especialista; não é o vizinho, nem é o tempo que ajuda a passar”, rematou Teresa Rebelo Pinto.

Para Clementina Pires de Almeida, psicóloga clínica, especialista em bebés, ao contar histórias para adormecer “estamos a contribuir para o desenvolvimento cerebral” sendo que essa leitura de cabeceira terá “uma repercussão a nível de velocidade de processamento e domínio a linguagem” das crianças, sublinhou.

Ao nível do sono, as histórias, incluídas na rotina para adormecer, são “momentos de conexão e em que podemos ajudá-los a acalmar”. Em contexto hospitalar, essa rotina, tem um impacto mensurável. “Pode ser usada como uma ferramenta terapêutica não invasiva com resultados fantásticos na recuperação da criança”, sustentou, como seja o “alívio da dor, da ansiedade e a diminuição do stress”, exemplificou.

Nuvem Vitória quer adormecer 50 mil crianças

Fernanda Freitas, ex-jornalista da RTP e presidente da Associação Nuvem Vitória, sempre gostou de “dormir” e “contar histórias” relatadas “ao nível de voluntariado no hospital”, assumiu.

“Criar uma resposta a um problema que não tinha resposta”, esteve na base da criação deste voluntariado em hospitais. “Contar histórias à partida onde as crianças gostam de as ouvir e onde os voluntários têm (mais) tempo, não interferindo com o horário de trabalho”, acrescentou. O projeto-piloto, esse, nasceu em Santa Maria, apoiado num “estudo de ambiente de pediatria”.

Hoje, a Nuvem Vitória contabiliza “8 mil histórias e 6 mil horas de voluntariado”. E aponta a um compromisso futuro de até 2020 “abrir em 10 unidades e IPSS”, ter “900 voluntários” e chegar à leitura para “50 mil crianças hospitalizadas ou institucionalizadas”, assumiu Fernanda Freitas, presidente da associação cuja missão é a de contar histórias para adormecer a crianças hospitalizadas.

http://nuvemvitoria.pt/

 

Marcelo Rebelo de Sousa conta histórias a crianças internadas no Hospital Santa Maria

Março 27, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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O Presidente da República esteve no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, a contar histórias a crianças e jovens internados no serviço de Pediatria, a convite da Associação Nuvem Vitória. A associação partilhou um vídeo na sua página de Facebook, em que se vê Marcelo Rebelo de Sousa sentado numa cama do hospital, junto a uma criança, a contar uma história. A publicação refere ainda que o Chefe de Estado “contou duas horas de histórias às crianças internadas”.

De acordo com informação divulgada no site da Presidência, que também partilhou um vídeo e várias fotografias, a visita de Marcelo Rebelo de Sousa deu-se a propósito do Dia Mundial do Sono, que se comemora no dia 17 de março. O Presidente foi recebido por Fernanda Freitas e Pedro Dias Marques, presidente e vice-presidente da associação, por Carlos das Neves Martins, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte, e por Maria do Céu Machado, diretora do Serviço de Pediatria do Hospital de Santa Maria.

Durante a visita, Marcelo Rebelo de Sousa recebeu os voluntários da associação e esteve presente durante “um briefing sobre cuidados e procedimentos a ter com as crianças”.

Criada em 2016, a Associação Nuvem Vitória tem como objetivo “contribuir para melhorar o sono das crianças, nomeadamente em hospitais ou outras instituições que, temporariamente, as retirem dos seus ambientes familiares”, lê-se na página de Facebook. Além de desenvolver materiais e ferramentas para um ambiente favorável a uma boa noite de sono, a associação pretende estimular “o envolvimento dos progenitores e restantes familiares e cuidadores na área da leitura e da narração oral”.

 

Rita Porto para o Observador, em 16 de março de 2017

Veja os vídeos AQUI.


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