Bolsas Sociais EPIS – Escolas de Futuro 2018 – candidaturas até 20 setembro

Setembro 12, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.epis.pt/noticias/bolsas-sociais-epis-2018-12

Os chumbos devem ser uma oportunidade ou um problema?

Junho 26, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do http://www.educare.pt  de 9 de junho de 2017.

Estudo conclui que o défice de competências na leitura é a principal causa dos chumbos no 2.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico. A maioria dos professores inquiridos refere que as repetências têm vantagens na consolidação das aprendizagens. A desmotivação dos alunos é o maior problema.

 Sara R. Oliveira

O défice de competências na área da leitura é a primeira causa de repetência precoce no 2.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Os alunos, que podem ter 6 ou 7 anos de idade, reprovam no 2.º ano por não lerem bem, por não atingirem os objetivos do programa em relação à leitura e à escrita, quer no domínio técnico de identificação e descodificação dos sinais, quer na compreensão da leitura ou do domínio do vocabulário. É a primeira causa assinalada com 44%, seguida das dificuldades de concentração com 15% e de dificuldades de aprendizagem com 10%. Abaixo dos dois dígitos estão a imaturidade, a falta de pré-requisitos, a falta de estudo ou de interesse e ainda a indisciplina e a falta de acompanhamento familiar. Estes dados e conclusões fazem parte do estudo “Aprender a Ler e a Escrever em Portugal”, projeto coordenado pela ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, juntamente com Isabel Alçada, também ex-ministra da Educação, e ainda Teresa Calçada e João Mata. O estudo resulta de uma parceria entre a EPIS – Empresários pela Inclusão Social e o Fórum das Políticas Públicas.

“O que explica o fenómeno da repetência precoce é, em primeiro lugar, as dificuldades de aprendizagem da leitura, é o facto de algumas crianças não aprenderem a ler nos tempos previstos nos programas de ensino. Em segundo lugar, a naturalização destas dificuldades, ou seja, a convicção partilhada nas escolas do insucesso de que ‘as crianças são diferentes, e sempre haverá crianças que não aprendem ou que aprendem mais lentamente’”. “É o distanciamento e o processo de transformação do problema de ensino e aprendizagem, no interior da escola, num problema de gestão pedagógica de alunos repetentes que cria cortinas de opacidade e impede que o problema seja ‘visto’. Não sendo visto, não é resolvido”, lê-se no estudo.

De 541 escolas consideradas de insucesso escolar, o estudo incidiu numa amostra de 127 e nos dois primeiros níveis de ensino. A grande maioria dos professores, ou seja, 80% dos docentes das turmas visitadas, refere que não é possível eliminar totalmente o insucesso no 1.º Ciclo e 87% afirmam que a repetência tem vantagens – 57% dos coordenadores partilham dessa opinião. A aquisição e consolidação das aprendizagens é a principal vantagem da repetência referida por 71% dos professores e por 60% dos coordenadores. A recuperação de dificuldades é indicada por 12%, a maturidade por 10%, mais tempo para a aprendizagem por 4% e o reforço das aprendizagens por 3%. Nas desvantagens das repetições, são indicados vários fatores como o desinteresse e a desmotivação, a perda do grupo, a autoestima, o desfasamento da faixa etária, o estigma, a perda de conteúdos adquiridos, a perda de tempo. “A repetência é vista como uma oportunidade e não como um problema.” Esta é outra conclusão deste projeto depois do contacto com as escolas.

Um “mal menor”

“Repetir é uma alternativa melhor do que passar sem saber. Para os professores entrevistados a repetência é a alternativa correta, a única alternativa. No seu leque de opções não são encaradas outras alternativas, não são referidas outras soluções”, adianta-se no estudo. Entre as razões referidas para não ser possível eliminar totalmente o insucesso, o contexto familiar surge com 23%, as dificuldades de aprendizagem com 12%, o meio socioeconómico desfavorecido com 9%. A organização do sistema de ensino surge com 5% e as capacidades dos alunos com 3%.

Professores e dirigentes escolares indicam que os contextos familiares dos alunos – famílias que não valorizam nem acompanham a vida escolar dos filhos – e as razões socioeconómicas e culturais são fatores que explicam as dificuldades de aprendizagem da leitura. Quando o método não funciona, os professores pensam no que podem fazer. Diversificar estratégias é a primeira ideia com 27% e alterar os métodos aparece em segundo lugar com 25%. O apoio individualizado é referido por 4% dos docentes e a diferenciação pedagógica por 7%.

“No final, os esforços empreendidos pelos professores não têm impacto significativo. No final do ano, os que recuperaram progridem, os que não recuperaram repetem. Para ser diferente seriam necessárias, na opinião dos professores, outras medidas”, sublinha-se. Nessas medidas para recuperar alunos mais fracos, os professores referem que é importante o acompanhamento familiar e a valorização da escola, o apoio individualizado do professor titular, e ainda a redução de alunos por turma.

“Não sendo tais soluções acessíveis aos professores, a repetência apresenta-se realmente como a única alternativa, passando a ser encarada como um mal menor ou como um ‘não problema’. Os professores consideram que algumas crianças precisam de mais tempo para aprender. Em muitos casos consideram que aos seis anos muitas crianças revelam imaturidade, e que deviam entrar mais tarde na escola. E nesse sentido, a repetência é em si uma boa solução”. Do lado dos dirigentes escolares, 64% realçam que a aquisição e consolidação de competências é a principal vantagem dos chumbos, 24% colocam a desmotivação no topo da lista das desvantagens.

Segregar alunos difíceis

A dimensão das turmas é apontada como uma situação crítica e a redução só é permitida em situações específicas. Muitos alunos na sala, mais dificuldades em cumprir com o que se pretende. E as turmas mistas que as escolas vão constituindo são, segundo se afirma neste projeto, “uma solução de recurso”. Misturam-se alunos repetentes de vários anos de escolaridade. “Trata-se de uma forma de segregação dos alunos mais difíceis, em turmas separadas, cujos princípios pedagógicos de organização não obedecem nem ao critério da idade, nem ao do nível ou grau de ensino. Também não é aplicado o princípio da continuidade pedagógica (39 professores de turmas mistas (em 65) afirmaram não ter sido professores dos seus alunos no ano anterior)”.

Os autores do estudo fazem algumas recomendações. Desde logo, afirmam que é fundamental reconhecer que há um problema no ensino da leitura, que tem uma expressão preocupante nos primeiros anos de escolaridade e que os seus efeitos negativos se prolongam nos percursos escolares e no desempenho dos alunos. A palavra de ordem é prevenir, ou seja, identificar os problemas de aprendizagem, diagnosticar, conhecer para intervir precocemente.

Há várias ferramentas à disposição de quem ensina como a rede de bibliotecas e o Plano Nacional de Leitura, que podem ajudar em dinâmicas de apoio às escolas e aos professores nas atividades relacionadas com a leitura. Por outro lado, sugere-se no estudo que é importante desenvolver instrumentos de diagnóstico e de intervenção precoce com base em experiências e projetos que já existam nas escolas, bem como acompanhar, de forma continuada, os agrupamentos com elevados níveis de insucesso nos primeiros anos de aprendizagem, incentivando a definição de estratégias e de planos de ação para resolver problemas. Debater a questão das repetências em vários setores da sociedade também é importante.

Uma intervenção estratégica por parte das direções dos agrupamentos com escolas de insucesso é considerada fundamental e deve incluir vários aspetos, como defendem os autores do estudo. Os professores devem ter acesso a informações, a metodologias de diagnóstico e de intervenção precoce, e ter condições para a diversificação de estratégias pedagógicas de ensino e de intervenção individualizada. Quem gere as escolas deve estimular o trabalho colaborativo dos professores, criar espaços de reflexão, de debate e de planificação de ações conjuntas para tentar solucionar problemas de aprendizagem. As escolas devem ter dados e informações sobre o insucesso no 1.º Ciclo e identificar quais os recursos necessários para reduzir esse insucesso.

Mais retenções a sul e no interior

O insucesso escolar precoce tem uma expressão particularmente dramática no 2.º ano de escolaridade. “Durante décadas, todos os anos, uma percentagem sempre superior a 10% de alunos, no 2.º ano de escolaridade, com sete anos de idade, iniciava um percurso escolar marcado pela repetência e pelo insucesso, do qual é difícil recuperar”. De 2001 a 2009, registou-se uma descida nas repetências, chegando a baixar para os 6,5%. Mas nos últimos anos, a situação mudou e o número de alunos retidos no 2.º ano aumentou de novo e voltou à casa dos 10%. O que leva a questionar o efeito de algumas medidas, nomeadamente a generalização do pré-escolar, a integração das escolas do 1.º Ciclo nos agrupamentos, a extensão da rede de bibliotecas.

Este projeto da EPIS surge para aprofundar o conhecimento sobre o insucesso escolar nos primeiros anos de escolaridade, matéria em que Portugal se destaca pelos piores motivos. É o país da OCDE com a maior percentagem de alunos que chumbaram pelo menos duas vezes nos primeiros seis anos de escolaridade. Os números indicam que os alunos portugueses que aos 15 anos já reprovaram pelo menos duas vezes são o dobro, em percentagem, dos jovens chilenos que ocupam o segundo lugar desta classificação – 5,4% para Portugal e 2,5% para o Chile. E são quase sete vezes mais, em percentagem, do que a média da OCDE. Portugal é ainda o segundo país com reprovações mais precoces, a seguir à Bélgica. Dezassete por cento dos alunos que participaram no PISA, programa internacional de avaliação, repetiram pelo menos uma vez no 1.º Ciclo do Ensino Básico.

Grande parte dos estudos referem que a repetência e a passagem administrativa não são soluções para melhorar o sucesso escolar, as aprendizagens, os comportamentos e atitudes dos alunos. Por isso, é preciso aprofundar conhecimentos e perceber o impacto dos chumbos no desempenho dos alunos. “No debate público sobre o insucesso escolar, a questão da repetência é uma questão crítica em aberto, a propósito da qual são esgrimidos argumentos opostos. Os que defendem esta prática pedagógica invocam a necessidade de rigor, os críticos da repetência apontam a sua ineficácia na recuperação das aprendizagens, bem como os seus efeitos negativos nos desempenhos escolares futuros”, lê-se no estudo.

Das 3 866 escolas públicas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, 541 têm níveis de repetência superiores à média nacional em todos os anos de escolaridade. São consideradas as escolas do insucesso. Em mais de 900 escolas do 1.º Ciclo não há o fenómeno da repetência e quatro em 10 concelhos, ou seja, 38,5%, não têm escolas com elevado insucesso escolar. Com estas contas, conclui-se então que o insucesso escolar acontece em 61,5% dos concelhos de Portugal continental.

Os dados em análise neste estudo reportam-se ao ano letivo 2013/2014. Apertando mais a amostra, verifica-se que quase dois terços das escolas com elevada retenção e desistência estão em 14,4% do país. E foi possível encontrar três padrões. Mais retenções nos concelhos do sul, menos no norte. Lisboa tem, por exemplo, 39 escolas de insucesso que representam 42% do total das escolas do seu território, enquanto o Porto tem 10 escolas de insucesso que são 20% das que existem na sua área. Mais retenções nos concelhos do interior e de reduzida dimensão, do norte ao sul do país. Mais retenções em alguns concelhos da periferia da cidade de Lisboa, com Loures, Amadora, Almada, Setúbal no topo da lista.

No mapa do país, o insucesso escolar nos primeiros anos de ensino surge em determinados locais. “Não está disseminado por todo o território. Ele é tributário de desigualdades territoriais que as escolas não conseguem contrariar. São escolas expostas e vulneráveis às desigualdades dos contextos territorial e social em que se inserem”, realça o estudo.

 

Reforçar a autoestima para diminuir chumbos

Abril 10, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.educare.pt/ de 29 de março de 2017.

Programa “Mediadores para o Sucesso Escolar”, da EPIS – Associação Empresários pela Inclusão aumenta em 14% a probabilidade de sucesso no 3.º Ciclo. O projeto trabalha competências não cognitivas dos alunos para melhorar resultados.

Sara R. Oliveira

“Mediadores para o Sucesso Escolar” é o programa da EPIS – Associação Empresários pela Inclusão, que estabeleceu como objetivo combater o insucesso escolar sobretudo no 3.º ciclo do Ensino Básico, ou seja, nos 7.º, 8.º e 9.º anos de escolaridade. O trabalho concentra-se no reforço de competências não cognitivas dos alunos para melhorar o desempenho em termos dos resultados escolares. Estas competências incluem a autoestima, a motivação, a dedicação, a organização, bem como o bom relacionamento com os colegas, professores, pais, encarregados de educação e familiares. Competências que, por regra, não são trabalhadas no ambiente escolar mais tradicional. Um estudo pioneiro revela que o programa da EPIS aumenta em 14% a probabilidade de sucesso escolar, quando analisados os anos entre 2014 e 2016. Pedro Martins, professor catedrático e doutorado em Economia, coordenou o estudo.

Na comparação entre dois subgrupos de jovens, verifica-se que os alunos que foram selecionados, de forma aleatória, para o acompanhamento feito pelos mediadores, apresentam um desempenho escolar significativamente superior aos que não tiveram a mesma ajuda. O primeiro grupo exibe uma diferença de 4,8 pontos percentuais na percentagem de aprovações. Esta diferença corresponde a um aumento de mais de 10% na probabilidade de não retenção, efeito que resulta da participação no programa dos mediadores. Excluindo-se os cerca de 200 jovens que, por vários motivos, foram selecionados mas não participaram na mediação, os efeitos tornam-se ainda mais expressivos, chegando a 6,2 pontos percentuais- comparando com o valor anterior de 4,8 percentuais -, ou seja, um aumento de mais de 14% na probabilidade de não retenção no período em análise. Há um aumento de cerca de 80 jovens a não reprovar.

Há estudos internacionais que sublinham a importância das competências não cognitivas trabalhadas pelo programa, tanto a nível da promoção do sucesso escolar junto dos alunos, como também em vários indicadores de qualidade de vida dos adultos, nomeadamente em termos de emprego ou rendimento. Tudo indica que há uma relação entre os níveis baixos dessas competências e os percursos escolares associados a retenções. O trabalho de análise dos perfis dos jovens é desenvolvido no programa da EPIS tendo em conta quatro dimensões: o aluno, o seu encarregado de educação, a escola e o território. Cada dimensão é analisada através de vários indicadores que, por último, são aferidos com vista a incluir ou não cada jovem junto de um grupo de acompanhamento.

O trabalho de mediação é conduzido por um grupo alargado de técnicos em educação, contratados pela EPIS ou pelo Ministério da Educação (ME). É atribuída a cada mediador uma carteira de jovens, que são acompanhados durante um período de pelo menos dois anos letivos. O trabalho de mediação é feito através de sessões individuais ou em pequenos grupos – um mediador para dois ou três jovens. As sessões de mediação têm duração e periodicidade variáveis mas duram, em geral, cerca de 20 minutos e são feitas a cada duas semanas.

Sessões individuais ou coletivas

Em 2010, foi feita uma avaliação do primeiro período de funcionamento do programa, isto é, entre 2006 e 2009. Nessa altura, verificou-se uma redução significativa do insucesso escolar dos alunos participantes em relação a outros grupos de jovens comparáveis mas não participantes. “Estes resultados mereceram ampla divulgação nacional e internacional, em cerca de 30 outros estudos e relatórios”, lembra a EPIS.

O novo estudo apresenta duas inovações em relação ao efetuado há cerca de sete anos: incide sobre um período mais recente, entre 2014 e 2016, e baseado numa metodologia diferente, na avaliação experimental baseada em grupos de comparação aleatórios. Segundo a EPIS, a avaliação do programa resulta da comparação do desempenho escolar entre jovens sinalizados participantes e jovens sinalizados não participantes. Esta metodologia garante que, em termos médios, eventuais diferenças de desempenho entre os dois grupos possam ser atribuídas exclusivamente à participação no programa. A utilização desta nova abordagem permite aumentar a compreensão dos efeitos do programa, bem como a sua visibilidade e o seu potencial de recetividade e implementação em termos internacionais.

A avaliação abrange três distritos: Lisboa, Setúbal e Açores, 15 concelhos, 55 escolas e 1029 turmas em dois anos letivos, 2014-2015 e 2015-2016. Quanto aos alunos participantes, 2311 foram selecionados para participação ativa no programa, enquanto que 648 foram selecionados para grupo de controlo, em ambos os casos na sequência de autorização parental. Em termos médios, os quase 3000 jovens pré-selecionados tinham à data, em setembro de 2014, 14,2 anos e 47% eram raparigas.

400 mil euros de poupança

As turmas tinham, em média, 22,3 alunos, sendo que 13,7% dos alunos estavam a frequentar os novos cursos vocacionais. Sensivelmente, metade dos alunos frequentava o 7.º ano de escolaridade. No primeiro trimestre desse ano letivo, o número médio de notas negativas ascendia a 4,8, num total de 12 disciplinas, sendo que 77% dos alunos tinham tido nota negativa a Matemática, 59% a Português e 50% a Inglês. Ao longo dos dois anos letivos analisados, os jovens foram acompanhados por um total de 57 mediadores, na sua maioria professores do ME. Cada aluno participou, em média, em 12,8 sessões individuais ou coletivas com os mediadores, durante um período total médio de cerca de 12 meses.

O último estudo apresenta resultados mais positivos do que os apurados em 2010. E uma vez que se utilizam recursos humanos do ME, com disponibilidade de horário para colaborar no projeto, a EPIS considera que a relação custo-benefício do programa “torna-se particularmente satisfatória”. Deste modo, os custos prendem-se exclusivamente com a administração do programa enquanto os ganhos traduzem-se na redução das despesas públicas inerentes às retenções, “potencialmente de 400 mil euros, considerando-se um custo de 5000 euros por aluno por ano, para 80 alunos ao longo desses dois anos”. A EPIS pondera alargar estas análises a outros aspetos, nomeadamente ao efeito das características dos mediadores, às diferenças dos efeitos entre regiões, aos potenciais efeitos multiplicadores resultantes das interações entre os alunos e ainda à avaliação do efeito das retenções no sucesso escolar subsequente.

 

 

I Encontro Distrital Absentismo e Abandono Escolar Precoce – Que Respostas?

Abril 6, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Informações:

926 57 56 40 / 265 550 600  cpcjsetubal@gmail.com

Candidatura às Bolsas Sociais EPIS – Escolas de Futuro

Agosto 12, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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epis

As instituições devem manifestar o seu interesse até ao dia 25 de Agosto de 2015 devendo ser efectuadas as candidaturas até dia 20 de Setembro de 2015. Até à data de 31 de Outubro, será comunicada a atribuição das Bolsas EPIS.

mais informações no link:

http://www.epis.pt/noticias/bolsas-sociais-epis-2015-escolas-de-futuro

Número de alunos que apenas quer concluir 12º ano está a aumentar

Dezembro 15, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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notícia do site http://www.jornalacores9.net  de 1 de dezembro de 2014.

Texto: Lusa/Açores 9

O número de alunos que apenas quer concluir o 12.º ano de escolaridade está aumentar, mas a formação universitária continua a ser a meta para a maioria, conclui um inquérito a cerca de dois mil estudantes.

No ano letivo 2013/2014, 54,5 por cento dos 2.192 alunos inquiridos apontavam como meta a formação universitária, percentagem que representa uma quebra de nove pontos percentuais em relação aos 63,5 por cento do ano anterior, revela o barómetro Educação em Portugal 2014, promovido pela associação Empresários pela Inclusão Social (EPIS).

Por outro lado, segundo o estudo, o número de alunos que quer concluir apenas o 12.º ano de escolaridade aumentou para os 39,5 por cento, uma subida de 6,9 pontos percentuais em relação aos 32,6 verificados no ano anterior.

Quer num caso, quer no outro, a tendência evidenciada pelos alunos alarga-se também às famílias, nas quais aumentou a expectativa de apenas ver concluído, pelos filhos, o 12.º ano (de 20,6 para 29,3 por cento), enquanto diminuiu a de um percurso universitário (de 78,3 para 69,5 por cento).

A conclusão do 9.º ano é apontada como opção por 6,0 por cento dos alunos inquiridos, valor que representa um crescimento de 3,9 por cento, quando comparado com o ano anterior.

“A descida das metas escolares evidenciadas no barómetro estará associada a uma perceção errada sobre quem são as principais vítimas do desemprego, quando comparadas as habilitações académicas”, considerou Luís Palha da Silva, presidente da EPIS, em comunicado.

“O desemprego qualificado referente aos licenciados tem sido mais valorizado. No entanto, o desemprego não qualificado é o que afeta maior percentagem de portugueses”, acrescentou.

Por isso, para o responsável da EPIS, as conclusões do barómetro representam “um sério alerta” sobre a relação entre desemprego e a baixa escolaridade.

“Quando alunos e pais optam pelo 12.º ano, em detrimento de um curso superior, estão a aumentar a probabilidade de cair no desemprego. O desemprego não qualificado é uma chaga social para a qual é necessária uma resposta urgente”, considerou.

O inquérito conclui ainda que os alunos querem lideranças mais fortes e escolas mais exigentes em termos de disciplina, sucesso escolar e envolvimento da comunidade.

O inquérito analisou ainda os hábitos de leitura na família, tendo registado uma evolução negativa, com apenas 50,7 por cento dos alunos inquiridos a referir como frequentes os hábitos de leitura em casa.

Os resultados do estudo revelam ainda que se acentuou a permissividade relativamente aos horários de computador e televisão e às saídas com os amigos.

A EPIS tem como objetivo promover a inclusão social em Portugal, através da capacitação das competências não cognitivas de crianças e jovens entre os seis e os 24 anos, em contexto de debilidade socioeconómica.

Criada em 2006, por um grupo de empresários e gestores portugueses, a EPIS assume-se como “o maior parceiro privado do Ministério da Educação, no combate ao insucesso e abandono escolar”.

O barómetro é o principal instrumento de rastreio de alunos em risco e é a partir das suas conclusões que são selecionados os jovens que serão acompanhados em proximidade pelos programas de combate ao insucesso escolar desenvolvidos pela associação.

Desde o início dos programas, a EPIS acompanhou mais de 13 mil alunos.

 

 

Na tua escola há bullying?

Abril 23, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do site Educare de 16 de abril de 2014.

educare

Em termos globais, 62% dos alunos respondem que sim num estudo realizado pela EPIS – Empresários Pela Inclusão Social. Há mais respostas afirmativas do lado das raparigas. O bullying verbal é referido como o mais comum, seguido do físico.

Sara R. Oliveira

A pergunta é direta. Na tua escola há bullying? De setembro a dezembro do ano passado, 1963 alunos do 3.º ciclo do ensino básico, com idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos, de escolas de nove concelhos do país – Amadora, Setúbal, Campo Maior, Évora, Paredes, Matosinhos, Estarreja, Oliveira do Bairro e Madalena na ilha do Pico – responderam a questões elaboradas e colocadas pela EPIS – Empresários Pela Inclusão Social. As respostas demonstram que ainda há trabalho a fazer e que não basta falar do assunto a quem estuda, também é preciso sensibilizar professores, diretores, pais, responsáveis educativos. No fundo, a toda a comunidade. Em termos globais, 62% dos alunos inquiridos admitem que há bullying nas escolas que frequentam. Quando comparados os dados dos alunos em risco com os dos alunos sem risco, conclui-se que os alunos sem risco, 66% da amostra, referem mais vezes que existe bullying do que os alunos com risco (60%). Por género, 67% das raparigas e 57% dos rapazes, uma diferença de 10%, respondem afirmativamente à questão. Cruzando o risco com o género, são as raparigas sem risco que referem mais vezes situações de bullying, ou seja, 69%. O grupo que identifica menos situações são os rapazes com risco (45%). Outra questão sem rodeios. Que tipo de bullying é mais frequente na tua escola? Sessenta e um por cento, dos 1226 alunos que referem existir bullying nas suas escolas, apontam o bullying verbal como o mais comum, seguido do físico (30%). Uma tendência transversal quando a análise é feita por risco e por género. No entanto, neste ponto, as raparigas parecem menos sensíveis ao bullying do que os rapazes. Apenas 27% das raparigas apontam o bullying físico como o mais comum contra 35% dos rapazes. O bullying verbal é apontado como mais comum por 63% das raparigas e 58% dos rapazes. Quando a análise é feita por alunos com ou sem risco, verifica-se que os alunos com risco apontam mais vezes o bullying físico do que os alunos sem risco, isto é, 35% e 24% respetivamente. A tendência inverte-se no bullying verbal. Os alunos sem risco identificam-no mais vezes (66%) do que os alunos com risco (58%). O cruzamento das condições de risco e género permitiu concluir que os rapazes com risco são os que identificam mais vezes o bullying físico como o mais comum na escola e as raparigas sem risco são o grupo que o identifica menos. No que respeita ao bullying verbal, é identificado mais vezes como o tipo mais comum nas raparigas sem risco.

Mais perguntas. Já estiveste envolvido numa situação de bullying? Como? Cinquenta e oito por cento, dos 1226 alunos que referem existir bullying nas escolas que frequentam, revelam já ter estado envolvidos numa situação de bullying: 10% enquanto vítima, 4% enquanto agressor e 44% como espectadores. As raparigas com risco são mais vezes vítimas. O grupo que menos vezes está envolvido enquanto vítima são os rapazes sem risco. Em relação ao envolvimento enquanto agressor, os rapazes com risco são os mais envolvidos (10%) e as raparigas sem risco as menos envolvidas (2%). Os rapazes sem risco são os que referem mais vezes terem assistido a situações de bullying enquanto espectadores (84%).

A EPIS quis também saber se as escolas se envolvem nestes temas e perguntou aos alunos se a escola tem ou teve campanhas ou programas anti-bullying. Cinquenta por cento referem não ter conhecimento de qualquer campanha ou programa anti-bullying na sua escola. Quando comparados os dados dos alunos com ou sem risco, conclui-se que os alunos com risco recordam mais vezes as campanhas do que os alunos sem risco. Quando a análise é feita por géneros, não há diferenças: 50% das raparigas e 50% dos rapazes respondem afirmativamente. Quando se cruzam condições de risco e género, são as raparigas com risco que se recordam mais das campanhas na escola (57%) e as raparigas com risco as que menos se recordam (59%). Quando a pergunta é de que tipo de campanhas se recordam, as ações para alunos são as mais lembradas. Apenas 7% dos alunos se recordam de alguma vez terem tido conhecimento de ações para encarregados de educação e 3% para pessoal não docente. As ações anti-bullying são, de forma geral, mais recordadas pelos alunos sem risco.

Ouvir, denunciar, partilhar

O que fazer quando se assiste ou se é vítima de bullying? Como podem os pais identificar sinais de alarme? Como ajudar o jovem a resolver a situação? Estas e outras perguntas são pertinentes quando o bullying é o assunto. A EPIS elaborou um conjunto de dicas sobre bullying, com base nos resultados de um trabalho teórico e prático desenvolvido nas escolas desde 2007, e consciente do impacto do bullying na vida de crianças e adolescentes. Um documento com conceitos identificados, definidos e explicados, com várias dicas para alunos, pais, professores e diretores. “O bullying é um problema de todos”, sustenta. As dicas chegarão às escolas através do projeto Rede de Mediadores para o Sucesso Escolar e da plataforma Mentores EPIS, que abrangem 154 escolas em 87 municípios.

O que é, na verdade, o bullying? “Termo utilizado para descrever o uso da força, ameaça, coação ou outros atos de intimidação física ou psicológica, exercidos de forma intencional e continuada sobre uma pessoa considerada mais fraca ou vulnerável incapaz de se defender a si própria”. A EPIS explica conceitos. Como o cyberbullying, comportamento de bullying veiculado através da Internet ou de outro tipo de comunicação digital. “Ocorre normalmente pelo envio de mensagens para o telemóvel e publicação de comentários ou imagens nas redes sociais ou blogs, com o objetivo de hostilizar deliberada e repetidamente uma pessoa para a intimidar ou magoar.”

A EPIS lança assim várias dicas para os alunos: mostrar desacordo perante a atitude do agressor, procurar ajuda de adultos, denunciar situações nem que seja anonimamente, manifestar solidariedade com quem sofre. O que fazer quando se é vítima de bullying? Não ficar calado, não ter medo, denunciar. “Se te sentires assustado com uma ameaça ou se perceberes que te vão agredir e não tiveres como te defender, foge! Procura um lugar seguro onde estejam pessoas adultas e conta o que se está a passar. Fugir não é sinal de cobardia. Cobardes são os que agridem e os que são cúmplices.” Contar, denunciar, falar com um adulto, não reagir pagando na mesma moeda. As dicas da EPIS também incluem os pais e encarregados de educação. “Não tire conclusões ou faça suposições antes de saber todos os pormenores. Faça perguntas ao seu filho num ambiente calmo e reconfortante que lhe dê a segurança necessária para dar todas as respostas.” Recolher informações junto de eventuais espectadores, identificar a causa do problema, falar com a escola. Mudanças de comportamento, mudanças de humor, tristeza, choro, irritabilidade, pesadelos, dores de cabeça, arranhões ou contusões, recusa em participar em passeios ou outras atividades da escolas, são sinais que podem indicar vítimas de bullying. No caso dos agressores, os pais devem ter pulso firme, definir regras e limites. “Certifique-se que o seu filho sabe quais as consequências para o seu incumprimento. Aplique-as de uma forma coerente e sempre que as regras não forem cumpridas.” E converse com ele sobre as possíveis consequências do seu comportamento: ser suspenso da escola ou mesmo ter problemas com a justiça.

 

Jovens estão preocupados com sucesso escolar, futuro profissional, aparência e morte

Abril 2, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 26 de março de 2014.

daniel rocha

Lusa

Estudo dos Empresários pela Inclusão Social é apresentado esta quarta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e pretende debater os novos desafios do desenvolvimento e da educação das crianças

A principal preocupação dos jovens portugueses é o sucesso escolar, mas os alunos do 3.º ciclo também andam inquietos com o futuro profissional, a sua aparência e a morte, revela um estudo realizado a dois mil estudantes.

Promovido pela Associação EPIS – Empresários pela Inclusão Social, o estudo incidiu sobre as expectativas, preferências e capacidades de 1963 alunos com idades compreendidas entre os 12 e os 14 anos, que frequentam o 3.º ciclo.

Segundo o inquérito, realizado no final de 2013, a primeira preocupação dos jovens é o seu sucesso na escola (70%): tanto rapazes como raparigas têm esta preocupação, existindo apenas pequenas diferenças entre os que têm bons e os que têm maus resultados (69% e 73%, respectivamente).

Os jovens andam também preocupados com o futuro profissional (58%), a sua aparência (38%), a morte (32%) e com o facto de não terem amigos (19%), revela o inquérito realizado em 18 concelhos.

A mudança de escola e o desemprego (14%, em ambos) também fazem parte das situações que mais desassossegam os alunos portugueses.

Os resultados do estudo “parecem indicar que os jovens se preocupam de uma forma bastante homogénea quanto à sua vida futura, sejam rapazes ou raparigas, sejam melhores ou piores alunos”, adianta Diogo Simões, director-geral da EPIS, para concluir que “os jovens parecem sonhar de modo bastante semelhante a sua realização pessoal, que entendem passar pelo sucesso escolar e pela escolha de uma profissão”.

No entanto, as diferenças entre ser rapaz ou rapariga voltam a ser demonstradas neste estudo da EPIS que revela, por exemplo, que os rapazes preferem o desporto enquanto as raparigas gostam mais de música.

No geral, o desporto (50%) e a música (40%) são as duas áreas preferidas, mas há grandes disparidades percentuais: eles preferem o desporto (68%), a informática (37%) e a música (33%) enquanto elas gostam mais de música (47%), desporto (34%), artes visuais (23%) teatro (20%), saúde (32%) e educação (20%).

No que toca à ocupação dos tempos livres, a maioria dos rapazes volta a escolher o desporto e jogar computador como “hobbies” preferidos, enquanto as meninas preferem ouvir música ou simplesmente estar com os amigos.

Os números do inquérito indicam que três em cada quatro rapazes gostam de fazer desporto e jogar computador e 35% gosta de ouvir música (35%). Já entre as raparigas, metade diz que gosta de ouvir música, havendo um grupo mais pequeno que gosta de estar com amigos (36%) e ligar-se às redes sociais (33%).

Quando se questiona os jovens quanto às suas expectativas de futuro, são os bons alunos que parecem acreditar mais na na sua capacidade de poderem viver e trabalhar em Portugal.

Apesar de se mostrarem preocupados quanto ao seu futuro, um em cada três (37%) ainda não sabe que profissão gostaria de ter. Entre os que já se debruçaram sobre o assunto, destacam-se apenas duas profissões: desportista (9% das respostas) e médico (8%).

O diretor geral da EPIS acredita que é através de uma educação personalizada, com a ajuda da família e da escola, em que cada indivíduo é objecto de atenção especial e diferenciada, que se podem potenciar ao máximo as capacidades de todos os alunos.

O estudo da EPIS será hoje apresentado na 4ª Conferência EPIS — Escolas de Futuro, que vai decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e pretende debater os novos desafios do desenvolvimento e da educação das crianças desde que nascem até aos 10 anos.

Com o tema “Crianças Globais? Potenciar capacidades num mundo global e local”, a conferência conta com a presença de Luísa Barros e Ana Rita Goes, da Universidade de Lisboa, Peter Matthews, da Universidade de Londres, Carlos Fernandes da Silva, da Universidade de Aveiro, Paulo Nossa, da Universidade de Coimbra, e do secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar.

 

Conferência “Atlas da Educação Desempenho e Potencial de Sucesso e Insucesso Escolar por Concelho”

Março 24, 2014 às 3:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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faça a sua inscrição, até 28 de março, no email atlasdaeducacao@epis.pt

Mais de 60% de alunos confirmam casos de bullying nas suas escolas

Março 19, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 19 de Março de 2014.

ricardo brito

Natália Faria

Empresários pela Inclusão ouviram 1963 alunos entre os 12 e os 15 anos. Metade dos alunos que já assistiram a bullying não se lembra de campanhas de prevenção.

A pergunta era clara e directa: há bullying na tua escola? De uma amostra de 1963 alunos de nove concelhos, e com idades entre os 12 e os 15 anos, 1226, ou seja, 62%, responderam que sim. Porém, apenas metade dos alunos que reconheceram haver bullying na escola declarou recordar-se de campanhas de prevenção.

“Isto mostra que as acções desenvolvidas na grande maioria das escolas contra a violência entre alunos não atingem o alvo, os próprios alunos não identificam essas acções como campanhas antibullying”, adiantou ao PÚBLICO Andreia Ferreira, da Associação EPIS — Empresários pela Inclusão Social, uma instituição sem fins lucrativos de combate ao abandono e insucesso escolar que conduziu este inquérito escolas de nove concelhos (Amadora, Setúbal, Campo Maior, Évora, Paredes, Matosinhos, Estarreja, Oliveira do Bairro e Madalena, na ilha do Pico), entre Setembro e Dezembro de 2013.

Quanto aos 62% de alunos que declararam ter conhecimento de episódios de bullying na escola que frequentam, Andreia Ferreira admite que a percentagem poderia ser maior se todos os alunos soubessem identificar o problema. “Ainda há a tendência para os alunos identificarem como normais situações de violência, coisas como empurrar alguém na escola, roubar a mochila ou o lanche, chamar nomes”, defende, para sublinhar a pertinência do pacote de iniciativas que a EPIS está a desenvolver junto das 69 escolas abrangidas pelo programa, num universo de 3729 alunos. O objectivo destas acções — que visam alunos, mas também pais, professores e directores de escola — é informar sobre sinais de alerta e dar dicas de actuação perante os episódios de violência.

À questão sobre que tipo de bullying é mais frequente, as agressões verbais colheram 61% das respostas, seguidas das físicas (30%). Ao contrário dos rapazes, as raparigas mostraram-se mais sensíveis ao bullying verbal do que ao físico, ainda segundo a EPIS.

20% de vítimas
Quando perguntaram aos 1226 alunos que declararam existir bullying se alguma vez tinham estado envolvidos nalgum episódio daquele género, houve 1256 respostas positivas (alguns participaram em mais do que um episódio), sendo que 77% o fizeram na condição de espectadores e 20% enquanto vítimas.

Em matéria de violência escolar, o PCP promete fazer entrar na Assembleia da República uma iniciativa legislativa que recomenda a criação de gabinetes pedagógicos nas escolas. “Não é uma proposta fechada, as escolas poderiam alterar a composição destes gabinetes, mas a ideia era que fossem compostos por um psicólogo, um assistente social, um animador sociocultural e um representante dos professores e dos alunos”, adiantou ao PÚBLICO a deputada Rita Rato.

A filosofia subjacente a este projecto de lei é fazer incidir os esforços na prevenção, mais do que na punição dos alunos prevaricadores. “A abordagem não é apenas sancionatória, mas de prevenção e erradicação da violência, porque não acreditamos em respostas do tipo expulsar o aluno da escola”, enfatizou Rita Rato, demarcando-se de soluções como as previstas no estatuto do aluno que, desde Setembro de 2012, agravou o regime sancionatório para os alunos prevaricadores.

Garantindo que a iniciativa legislativa vai entrar “dentro de muito poucos dias” no Parlamento, a deputada do PCP avisa que esta implicará o reforço dos meios nas escolas. “Sabemos de realidades em que há apenas um psicólogo por cada 4500 alunos, quando os estudos recomendam pelo menos um psicólogo para 750 alunos. Portanto, o que temos hoje nas escolas é claramente insuficiente, aliás, o que temos actualmente não chega sequer para atender aos alunos com necessidades especiais, pelo que o que propomos obrigará ao reforço da contratação de meios humanos, também porque acreditamos que a violência em meio escolar não se resolve com medidas ‘chapa cinco’, iguais para todos.”

A proposta de lei apresentada pelo anterior Governo que previa a autonomização do crime de bullying e a concomitante adopção de uma moldura penal semelhante à dos crimes de violência doméstica, com penas de prisão de um a cinco anos para os maiores de 16 anos, e que podiam chegar aos dez anos de pena no caso de ofensa grave à integridade física ou morte, caducou com a nova legislatura.

A 31 de Março de 2011, a proposta desceu à Comissão de Assuntos Constitucionais, Liberdades e Garantias para discussão na especialidade, mas não chegou a avançar. Na altura, o agora secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, presidia à Associação nacional de Professores e chegou a admitir que os instrumentos de prevenção não eram suficientes. Mais recentemente, no início deste ano, ao mesmo tempo que anunciava uma diminuição para menos de metade dos episódios de violência nas escolas, aquele secretário de Estado adiantava a possibilidade de as escolas com maior número de ocorrências daquele género serem dotadas de equipas multidisciplinares de acompanhamento das situações de violência, insucesso e abandono escolar. Uma solução que, ao contrário da proposta do PCP, não passaria obrigatoriamente pelo incremento de psicólogos ou de agentes de segurança nas escolas, mas pela adesão ao chamado “crédito horário”, ou seja, pela atribuição de horas a esses profissionais para as tarefas de prevenção e combate à violência.

 

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