A arquitetura escolar e os modelos pedagógicas alternativos

Março 4, 2016 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Texto do http://uptokids.pt de 16 de fevereiro de 2016.

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A aprendizagem acontece em múltiplos espaços. De facto, as primeiras lições de vida ocorrem nas nossas casas, ao lado das nossas mães, em família; não em salas de aula. A educação também é definida pelo contexto onde ocorre. Aprende-se espontaneamente numa praça, no parque, em casa, etc., o que não quer dizer que muitas vezes não seja necessário um espaço desenhado especialmente para o aprendizado; estes propiciam experiências educativas.

A arquitetura escolar e os modelos pedagógicas alternativos

Não se trata de uma novidade: há mais de um século, pessoas como Maria Montessori, Rudolf Steiner e Loris Malaguzzi questionaram não só a forma de educar, como também o espaço onde se educa.

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É no século XX com o movimento Moderno que se transforma a maneira de ver o espaço escolar. Começa-se a pensar nas formas como o espaço favorece o crescimento, o desenvolvimento e a aprendizagem da criança. É então que se desenvolvem ideias como as de um ambiente que tenha maior contacto com o exterior (com o ar e o sol), maior transparência espacial, maior interação entre os ambientes de dentro e de fora. Começam assim as novas conquistas na arquitetura escolar, em termos sociais e espaciais.

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Maria Montessori, Rudolft Steiner e Loris Malaguzzi incluem nos seus estudos pedagógicos, de uma forma mais concreta, os aspectos relevantes da envolvente.

Maria Montessori propõe no seu método conhecer plenamente as crianças e respeitar o seu desenvolvimento, para que desta forma a educação acompanhe o processo natural da vida. Ao pensar no espaço neste sentido, sugere um ambiente preparado para a criança no qual deve haver elementos proporcionados à sua escala, que permitam dirigir a criança ao conhecimento. Os objetos não devem ser muitos, e sim a quantidade justa e necessária para a aprendizagem. Os elementos e suas formas devem ser simples; o espaço, fácil de manter limpo, sem elementos que se interponham ao fluir do ambiente; de tal forma, várias atividades devem poder ser realizadas simultaneamente.

O arquiteto Herman Hertzberger é um dos que, através do projeto “Escuela Apollo”, interpreta estas ideias do espaço nas teorias de Montessori. As salas de aula têm uns cubos amovíveis que são parte do piso mas ao mesmo tempo são parte do mobiliário da sala. Por sua vez, dá grande importância ao espaço comum onde crianças de todas as idades possam  encontrar-se para desenvolver atividades em conjunto e aprender umas com as outras.

Por outro lado temos Rudolf Steiner, pedagogo e arquiteto, fundador da pedagogia Waldorf, que propõe outra visão da educação baseada na procura da essência do ser humano através da criatividade, da arte, do movimento e do respeito pelos ciclos da vida. Em termos de especialidade, propõe a arquitetura baseada no seu estudo antroposófico. Isto é, a arquitetura orgânica relacionada com a natureza, na qual se utilizam materiais reciclados e acessíveis em cada contexto. Também se refere à possibilidade de adaptar a arquitetura às condições climáticas do ambiente sem utilizar elementos artificiais.

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Um aspecto importante na “particularidade” da pedagogia de Steiner prende-se à não utilização de linhas retas, o que se relaciona com a união da educação e o espiritual. O resultado é um ambiente desenhado segundo a escala dos estudantes, fabricado com materiais rudimentares e evitando tanto as novas tecnologias como as formas monótonas. Nestas escolas se dá muita relevância aos espaços ao ar livre, já que permitem o agrupamento e debate. Neste sentido, os espaços para a agricultura e práticas artísticas e desportivas adquirem um papel de destaque dentro do desenho arquitetónico desta pedagogia.

Finalmente temos a Loris Malaguzzi, quem desenvolveu a pedagogia de Reggio Emilia, fundada basicamente na ideia de que as crianças têm capacidades, potenciais, e interesse em construir a sua própria aprendizagem. Que se interessam naturalmente pelas interações sociais e em relacionar-se com tudo o que o ambiente lhes oferece. A proposta em termos de especialidade aponta que as escolas possuam zonas contíguas, oficinas de arte ou atelies com grande quantidade de materiais e recursos para todas as crianças: uma aula de música; uma área para o desenvolvimento motor, expressivo e criativo do corpo; espaços verdes para a utilização da envolvente (cidade, campo, montanha, etc.) como elemento didático. Dentro da sala de aula, as paredes costumam ser brancas, o que transfere à criança paz em seus processos de aprendizado. Por sua vez, estão previstas para a realização de exposições curtas ou permanentes das crianças e familiares.

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Estes pensadores permitiram abrir um novo caminho ao desenho do espaço escolar. Hoje em dia podemos encontrar uma grande variedade de projetos arquitetónicos desta índole, baseados em muitas das teorias pedagógicas inovadoras que buscam construir escolas que transformem o espaço onde ocorre o milagre da educação. Por exemplo, na Suécia, as escolas “Vittra”: simplesmente, escolas sem aulas, com ambientes que facilitam e permitem a aprendizagem plena na sua forma natural.

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Outro exemplo são as escolas do arquiteto Giancarlo Mazzanti na Colômbia, que refletem uma arquitetura pensada e realizada para as crianças.

O mundo continua em mudança… A forma de comunicarmos, de aprendermos, de nos movermos evoluem… A educação não fica atrás. Responde a este movimento contínuo de transformações. A arquitetura tem de acompanhar; gerar espaços propícios para a educação, espaços capazes de transmitir emoções, capazes de gerar sentimentos de pertença de forma a facilitar e possibilitar uma aprendizagem mais simples e mais natural para as crianças.

Por Sabine Beyer, para Reevo, publicado no Archdaily Brasil

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O artigo original do site http://www.archdaily.com.br/br é o seguinte:

Uma Introdução à Arquitetura nas Pedagogias Alternativas

 

 

 


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