Confirma-se a suspeita: antibióticos destroem defesas das crianças

Fevereiro 26, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tsf.pt/ de 8 de fevereiro de 2017.

pedro-granadeiro

Um estudo sugere que o uso de antibióticos na infância pode danificar o sistema imunitário.

O uso abusivo de antibióticos na infância pode estragar permanentemente o sistema imunitário devido aos efeitos que tem nas bactérias que existem naturalmente nos intestinos, defendem os autores de um estudo publicado esta quarta-feira.

“Está na altura de questionar práticas estabelecidas há décadas, quando ainda não sabíamos tanto”, afirmou o neonatologista Hitesh Deshmukh, autor do estudo publicado na revista Science Transnational Medicine, em que se estudou os efeitos do uso de antibióticos em ratos jovens.

Os cientistas do hospital pediátrico de Cincinnati, nos Estados Unidos, concluíram que os antibióticos que servem para proteger das infeções prejudicam o desenvolvimento das bactérias comensais (úteis ao organismo), que vivem no intestino, tornando os ratinhos mais vulneráveis a pneumonias e, a longo prazo, causam danos no sistema imunitário.

Em quase todos os nascimentos por cesariana nos Estados Unidos são dados antibióticos às mães antes do parto para prevenir as mortais infeções por estreptococos, e 30 por cento dos recém-nascidos também recebem antibióticos preventivamente, sem que haja qualquer infeção confirmada.

“Para prevenir uma infeção numa criança, estamos a expor 200 aos efeitos indesejados dos antibióticos”, afirmou Deshmukh, que defende “uma abordagem mais equilibrada”.

Uma vez no corpo, os antibióticos combatem todas as bactérias, mesmo as comensais, que existem no sistema digestivo, e que contribuem para a formação do sistema imunitário.

Em reação à presença destas bactérias, o corpo produz células imunitárias que vão agir especificamente sobre os pulmões. Quando se afeta a população de bactérias comensais, as defesas dos pulmões sofrem.

Se se usassem antibióticos de forma mais limitada, as crianças teriam tempo de repor as suas bactérias comensais, mas mesmo assim demoraria meses, mesmo durante o período em que bebés desenvolvem o seu sistema imunitário.

Mas os cientistas salientam que há maneiras de restabelecer o equilíbrio e as defesas dos pulmões.

O uso excessivo de antibióticos poderá explicar por que razão algumas pessoas têm asma e outras doenças respiratórias apesar de não terem qualquer risco genético, argumentam.

 

 

Antibióticos podem deixar de conseguir tratar infeções urinárias nas crianças

Março 22, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 16 de março de 2016.

Getty images

Vera Novais

As crianças são o grupo etário que mais antibióticos toma. Se desenvolverem bactérias resistentes, em especial a Escherichia coli, os antibióticos podem deixar de tratar as infeções urinárias.

Os antibióticos podem deixar de ser eficazes no tratamento de infeções urinárias em crianças. Este é o grupo etário a quem é dado mais antibióticos, potenciando o aparecimento de bactérias resistentes e tornando ineficazes os tratamentos. A resistência aos antibióticos pode manter-se mesmo ao fim de seis meses depois da toma dos medicamentos, revela um estudo agora publicado na revista científica British Medical Journal.

“Os nossos resultados sugerem que a prevalência de bactérias Escherichia coli resistentes aos antibióticos é elevada e esta resistência é particularmente alta no grupo com menos de cinco anos”, disse Ceire Costelloe, coordenadora do estudo e investigadora no Imperial College London. “Isto sugere que a prescrição dos antibióticos mais comuns para as infeções urinárias possa deixar de ser aconselhável como opção de primeira linha.”

De cada vez que tomamos um antibiótico, destinado a matar as bactérias do organismo, matamos não só as bactérias que nos provocam a doença, mas também as chamadas “bactérias boas” que são essenciais para o funcionamento do nosso organismo e que nos ajudam a controlar as “bactérias más”. Mas, por vezes, acontece que o antibiótico não mata todas as bactérias que nos deixam doentes. As que sobrevivem são resistentes ao antibiótico e multiplicam-se. Se usarmos o mesmo antibiótico logo após isso, as bactérias podem voltar a resistir e o medicamento deixar de tratar a doença.

Os antibióticos são importantes para o tratamento de infeções com bactérias, mas não têm qualquer função no tratamento de infeções com vírus ou com outros patogéneos. Logo, os antibióticos não tem qualquer efeito no tratamento de gripes, nem de qualquer “virose”. Pelo contrário, os antibióticos são aconselhados no tratamento de infeções urinárias com Escherichia coli pelo perigo de outras complicações. Mas se as bactérias se tiverem tornado resistentes ao antibiótico, o tratamento não tem qualquer efeito.

As pessoas cujas bactérias se tornam resistentes aos antibióticos são potenciais focos de disseminação deste tipo de bactérias. As crianças são normalmente um veículo de transmissão de vírus e bactérias entre si e para os adultos, se tiverem bactérias resistentes aos antibióticos, o caso torna-se mais grave. Também por este motivo, a Organização Mundial de Saúde assume que a resistência antimicrobiana é um dos mais preocupantes problemas de saúde pública.

“O nosso estudo sugere que os decisores políticos e os profissionais de saúde precisam de avaliar com cuidado que tipo de antibiótico prescrevem aos doentes”, disse Ceire Costelloe. “Apesar dos antibióticos serem essenciais no tratamento de infeções em crianças – e devem ser tomados se forem prescritos -, as recomendações europeias e norte-americanas dizem que se a resistência a um determinado antibiótico for superior a 20%, este medicamento deve deixar de ser usado como tratamento de primeira linha.”

Para evitar o desenvolvimento de resistência aos antibióticos:

  • usar antibióticos exclusivamente para tratar infeções bacterianas;
  • cumprir a medicação até ao fim;
  • tomar antibióticos apenas sob prescrição médica;
  • não tomar antibióticos antigos, nem partilhar esses medicamentos;
  • não manter um tratamento com antibióticos durante um longo período de tempo;
  • não tomar o antibiótico mais forte quando um mais fraco seria suficiente e não tomar um antibiótico mais fraco quando era necessário atacar a infeção de uma forma mais agressiva e eficaz;
  • não usar um antibiótico generalista em vez de utilizar um antibiótico mais específico para a bactéria em causa.

Proponha uma correção, sugira uma pista: vnovais@observador.pt

 

 

 

 

Novo estudo associa uso precoce de antibióticos à obesidade

Setembro 25, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 23 de Agosto de 2012.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Antibiotics in early life alter the murine colonic microbiome and adiposity

O uso precoce de antibiótico pode alterar a flora intestinal e desencadear um aumento da obesidade em todo o mundo, segundo um estudo norte-americano publicado na revista “Nature”, que confirma as conclusões divulgadas esta semana no International Journal of Obesity”.

Estes trabalhos demonstraram que uma transformação no ecossistema do tubo digestivo pode levar a defeitos no metabolismo e causar problemas como a doença inflamatória do intestino.

Há mais de meio século que já se sabe que o uso de doses baixas de antibióticos promovem em 15% o peso dos animais de quinta, como os bovinos.

Foi este efeito que fez especialistas de várias universidades norte-americanas a estudar o que acontece quando são administradas doses baixas de antiobióticos precocemente.

Para isso, administraram doses de antibiótico a ratos de laboratório durante sete semanas e observaram o que ocorreu com o seu peso.

Os investigadoras concluíram que os roedores que tomaram os antibióticos tiveram um aumento de 10 a 15% da sua gordura, apresentaram um crescimento da sua densidade óssea e apresentaram uma alteração das hormonas relacionadas com o metabolismo.

“Observámos que ao usar os antibióticos se altera a forma como se metabolizam certos nutrientes”, explicou Ilseung Cho, professor de medicina da Universidade de Nova Iorque e um dos autores do estudo divulgado na revista “Nature”.

Para outro dos autores, Martin Blazer, este trabalho vem mostrar a importância do microbioma humano (o conjunto das bactérias e vírus) nos primeiros anos de vida para patologias como a obesidade.

“O aumento da obesidade em todo o mundo coincide com o uso generalizado de antibióticos. É possível que uma exposição precoce a antibióticos condicione as crianças a serem obesas mais tarde”, referiu, citado pelo jornal espanhol El Mundo.

Um outro estudo, já divulgado esta semana na revista internacional “International Journal of Obesity”, aponta para a mesma ligação.

Depois de analisados dados de 11500 bebés nascidos no Reino Unido desde o nascimento até aos 23 meses, foi concluído que o uso de antibióticos antes dos cinco meses parece implicar um aumento de peso posteriormente.

Antibióticos dados a bebés podem explicar obesidade

Setembro 17, 2012 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 21 de Agosto de 2012.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Infant antibiotic exposures and early-life body mass

A administração de antibióticos a bebés com menos de seis meses poderá contribuir mais tarde para a obesidade dessas crianças, revela um estudo publicado, esta terça-feira, pelo “International Journal of Obesity”.

“Geralmente pensamos que a obesidade é um problema que se deve em grande parte a uma dieta alimentar pouco saudável e à falta de exercício, mas cada vez mais estudos sugerem que é mais complicado”, explicou um dos coautores do estudo, Leonardo Trasande, da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova Iorque, citado pela agência noticiosa AFP.

De acordo com o investigador, “os micróbios nos nossos intestinos poderão desempenhar um papel importante na forma como absorvemos as calorias”.

“A exposição aos antibióticos, sobretudo em idade jovem, poderão matar algumas bactérias que influenciam a forma como assimilamos os alimentos no nosso corpo e que nos permitem ficar magros”, disse.

Os investigadores analisaram a utilização de antibióticos por 11532 crianças nascidas em Avon, no Reino Unido, entre 1991 e 1992, tendo concluído que os bebés que estiveram expostos a antibióticos nos primeiros cinco meses de vida pesavam mais para o seu tamanho do que as outras crianças.

A diferença de peso foi reduzida entre os 10 e os 20 meses, mas acentuou-se novamente aos três anos e dois meses, e as crianças que tinham sido tratadas com antibióticos no início da sua vida tinham mais 22% de possibilidade de terem excesso de peso.

Já os bebés tratados com antibióticos a partir do seu quinto mês não apresentavam diferenças de peso notáveis em relação às outras crianças.

“Os agricultores já sabem que os antibióticos são úteis para produzir vacas maiores para vender”, salientou Jan Blustein, outra investigadora da Universidade de Nova Iorque.

A investigadora admitiu ser necessária a “realização de mais trabalhos para confirmar as descobertas, mas que este estudo sugere que os antibióticos contribuem para o aumento do peso dos humanos, particularmente das crianças”.


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