Que futuro para as crianças da Síria? Diretor-geral da UNICEF fala em “infância roubada”

Março 19, 2015 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Anthony Lake publicado no Expresso de 12 de março de 2015.

FOTO ZEIN AL-RIFAI AFP Getty Images

Leia o artigo de opinião do diretor-executivo da UNICEF a propósito da entrada no quinto ano do conflito na Síria, que afeta cerca de 14 milhões de crianças naquele país e nas regiões vizinhas. “Não podemos desistir destes jovens”, apela Anthony Lake.

Anthony Lake

Este mês, o conflito na Síria entra no seu quinto ano brutal.

É um marco chocante – assinalar quatro anos de escalada de violência e sofrimento sem resolução à vista. Dezenas de milhares de civis perderam a vida.

Milhões de pessoas fugiram. Casas, hospitais, escolas, todos foram alvo de ataques diretos. Comunidades inteiras foram privadas do acesso a assistência humanitária, alimentos e água. A violência alastrou além-fronteiras como uma infeção invasiva.

Agora, imaginem este horror através dos olhos das crianças que estão a vivê-lo. As suas casas foram bombardeadas ou abandonadas. Perderam quem mais amavam e os seus amigos. A sua escolaridade foi interrompida, ou nunca iniciada. Foi-lhes roubada a sua infância.

Naquela que se tornou a pior crise humanitária de que há memória recente, a UNICEF estima que cerca de 14 milhões de crianças estão agora afetadas na Síria e países vizinhos.

Para as mais novas dessas crianças, esta é a única realidade que conhecem. A sua experiência do mundo tem as cores do conflito e das privações.

E para os adolescentes que estão a entrar no seu período de formação, a violência e o sofrimento por que passaram não só deixaram cicatrizes como estão a moldar o seu futuro.

Enquanto os jovens das mesmas idades noutros países estão a começar a fazer as escolhas que irão afetar o resto da sua vida, estas crianças estão a tentar sobreviver. São tantas as que têm sido confrontadas com a crueldade extrema. Ou pressionadas a trabalhar para sustentar as suas famílias. Ou forçadas a casar enquanto ainda são crianças. Ou recrutadas por grupos armados.

UNICEF

Que escolhas irão estas crianças fazer? Que escolhas têm?

Continuarão a acreditar num futuro melhor? Ou irão simplesmente desistir, em desespero – resignadas com as oportunidades limitadas de um futuro instável?

Pior ainda, irão elas próprias recorrer à violência – que acaba por lhes parecer normal?

Há um ano, os líderes humanitários advertiram para o risco de estarmos a perder uma geração inteira de jovens para a violência e o desespero – e com ela, a oportunidade de um futuro melhor para a Síria e a região. Esse risco não diminuiu.

Com a crise a entrar no quinto ano consecutivo, esta geração de jovens continua em perigo de se perder num ciclo de violência – de replicar na geração seguinte o que sofreu.

A comunidade internacional respondeu a esta sombria possibilidade, tentando chegar a estas crianças com assistência humanitária, proteção, educação, e apoio. Mas não tem sido suficiente.

Não podemos desistir destes jovens – e precisamos de multiplicar o número daqueles a quem chegamos antes que desistam de si próprios e do seu futuro.

Ainda temos tempo – e ainda há esperança. Apesar dos danos que já sofreram, das injustiças que suportaram, e da aparente incapacidade dos adultos para porem fim a este horrível conflito, estas crianças ainda têm coragem e determinação para construir uma vida melhor.

Crianças como Alaa, de 16 anos, que fugiu há dois anos de Homs, a cidade síria onde morava. Com a escolaridade interrompida, teve a oportunidade de encontrar um programa de formação oficinal – e hoje está à frente de cursos de formação para outras crianças.

Crianças como Christina, de dez anos, do outro lado da fronteira, no norte do Iraque. Está a viver num abrigo para famílias deslocadas, onde ajuda crianças mais novas a estudarem enquanto se esforça por prosseguir os seus próprios estudos.

Vendo a determinação destas crianças, como podemos nós estar menos determinados a ajudá-las? Sabendo que elas não perderam a esperança, como podemos nós perdê-la?

Se o fizermos, então as consequências far-se-ão sentir nas próximas gerações … por todos nós.

Porque esta crise terrível não se limitou a afetar milhões de crianças. Quando chegarem à idade adulta, estas crianças e as escolhas que fizerem irão refletir-se no futuro de milhões de pessoas – nos seus países e na sua região. Será um futuro de esperança e reconciliação – ou um futuro de violência e desespero?

Este último não é um futuro que elas mereçam. E não é certamente um futuro que nós queiramos ver.

 

 

 

Amamentar permitiria salvar meio milhão de crianças por ano

Agosto 6, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Açoriano Oriental de 4 de agosto de 2014.

O documento da Unicef citado na notícia é o seguinte:

A letter from UNICEF Executive Director Anthony Lake on the occasion of World Breastfeeding Week 2014

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Mais um marco vergonhoso: um milhão de crianças refugiadas da Síria

Setembro 2, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de António Guterres e Anthony Lake publicado no Público de 25 de Agosto de 2013.

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