Já está disponível para download o InfoCEDI n.º 77 sobre Terapia e actividades assistidas por Animais benefícios para a Criança

Agosto 6, 2018 às 1:00 pm | Publicado em CEDI, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 77. Esta é uma compilação abrangente e atualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre Terapia e actividades assistidas por Animais benefícios para a Criança.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line. Pode aceder a esta publicação AQUI.

Famílias na União Europeia

Maio 28, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Gráfico retirado do Facebook do Parlamento Europeu – Gabinete em Portugal

Os cães e as crianças com perturbação no espetro do Autismo

Março 29, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Cão-terapeuta, o mediador na interacção social de crianças com PEA (Perturbação no Espetro do Autismo).

A relação entre o ser humano e os cães remonta aos tempos da Pré-história, tendo sido o primeiro animal a ser domesticado pelo Homem. Contudo, foi apenas a partir da década de 60 que o uso de animais passou a ser reconhecido e utilizado pelos terapeutas profissionais como forma de intervenção terapêutica.

Os primeiros registos de uso de animais em terapia ocorreram em York, na Inglaterra. Em 1792, foi fundado o Retiro York que utilizou a Terapia com animais como uma resposta face às condições sub-humanas vividas pelos pacientes. Esta incluía ensinar os pacientes a desenvolver o autocontrolo por meio de animais que eram dependentes destes. Os efeitos mais significativos foram verificados através da diminuição das doses de medicação. Só a partir do século XX, a introdução de animais em instituições foi generalizada.

Em Portugal, embora não haja nenhuma entidade reguladora estabelecida, já se realizam intervenções com cães desde os anos 90.

O uso das Terapias Assistidas pelo cão em crianças com PEA tem-se demonstrado benéfica, pois contribui para um aumento significativo dos comportamentos positivos (ex: contacto físico e visual) e uma diminuição de comportamentos negativos (ex: agressividade e isolamento) (Martin & Farnum, 2002). São igualmente comprovadas reduções na tensão arterial, nos níveis de cortisol, stresse, bem como o aumento dos níveis de endorfina (Barker & col., 2005; Viau & col., 2010). Do mesmo modo, têm efeitos muito positivos na redução da dependência à medicação e proporcionam um espaço seguro para a livre auto-expressão.

O Autismo é considerado uma Perturbação Global do Desenvolvimento. Neste sentido, todas as áreas na criança se encontram afectadas, apresentando dificuldades: na comunicação e linguagem, nas interacções sociais e no pensamento simbólico. Do mesmo modo, apresentam actividades/interesses restritivos e bizarros, comportamentos repetitivos e estereotipados, reacções de agressividade e angústia face a situações de mudança, hipo ou híper reacção a estímulos e alterações nas funções intelectuais.

Quanto aos défices na interacção social, as crianças com Perturbação no Espetro do Autismo demonstram muitas dificuldades em manter o contacto ocular durante as interacções, o que dificulta a compreensão e expressão contextualizada das emoções. As pessoas com PEA descrevem o rosto humano como demasiado estimulante, gerador de uma sobrecarga sensorial e de sentimentos de grande ansiedade e desorganização, daí tenderem a evitar o contacto ocular. Do mesmo modo, foi verificado por investigadores Italianos nos anos 90, que as pessoas com PEA apresentam um funcionamento dos “neurónios em espelho” menos activo e como tal apresentam fortes dificuldades em discriminar e perceber diferentes expressões emocionais no outro.

Um dos factores que pode contribuir para que a criança com PEA se sinta menos ansiosa ao interagir com cães, é que eles comunicam sobretudo através da linguagem corporal. Existem estudos que referem que as crianças com PEA apresentam défices relacionados com a intermodalidade e as interacções com humanos exigem o desenvolvimento desta competência. Contudo, com os cães embora por vezes seja necessário interpretar alguns sinais visuais e sonoros associados, estes são menos complexos e como tal torna-se mais fácil a sua compreensão para estas crianças.

Algumas pessoas com PEA que apresentam dificuldades ao nível das competências sociais sentem-se mais confortáveis perto de animais, na medida em que ambos pensam de forma concreta e registam informações do mundo em termos sensoriais, o que poderá favorecer as aproximações espontâneas, a comunicação e o desenvolvimento de relações afectivas. O relacionamento face-a-face é assim evitado e mais distanciado, tornando a interacção menos ameaçadora (Grandin, 2010).

Por outro lado, a presença do cão parece funcionar como um objecto transicional na relação com as pessoas, que se revela muito difícil de gerir para estas crianças. O cão funciona então como um facilitador com características próprias e que reage e responde às acções da criança, permitindo-lhe atravessar as fases de desenvolvimento de uma forma menos stressante e adquirindo novas competências cognitivas.

Os cães apesar de olharem directamente nos olhos das pessoas e de utilizarem esta informação para obterem pistas do ambiente, o olfacto e a audição são sentidos como mais relevantes para eles. Tendo em conta as dificuldades das crianças com PEA em compreender e integrar estímulos sensoriais complexos, é possível que estas características no cão facilitem a aproximação, de modo a que se sintam mais confortáveis e menos ansiosos no contexto de interacção, estimulando o envolvimento em actividades propostas e a expressão das emoções.

Assim, a relação com o cão permite estabelecer uma interacção simples, livre de ansiedade e medos, com a presença de uma rotina, companheirismo, exigindo responsabilidade no cuidar e consequentemente fortalecendo a auto-estima e o auto-controlo.

As Terapias Assistidas pelo cão mostram-se uma abordagem complementar e multifacetada para as crianças com PEA, permitindo não só ajudar quem se tende a isolar no seu próprio mundo, mas que também quem se encontra em desenvolvimento, e passo a passo mostra-se mais disponível para a relação com os outros.

Por último, diria que as Terapias Assistidas por animais constituem-se como uma nova porta de entrada das pessoas com PEA na sociedade, rumo à inclusão e com uma maior qualidade de vida.

 

Drª Telma Santos- Psicóloga Clínica, para Up To Kids®, em 9 de março de 2017

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Monstros da tradição portuguesa em livro infantil

Novembro 19, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.rtp.pt/noticias/ de 31 de outubro de 2016.

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O homem do saco, os olharapos e outros papões nacionais vão estar à vista neste livro escrito por Nuno Matos Valente e ilustrado por Natacha Costa Pereira.

Bestiário Tradicional Português é o título da obra de Nuno Matos Valente e de Natacha Costa Pereira.

ouvir a reportagem da Antena 1 no link:

http://www.rtp.pt/noticias/cultura/papoes-e-monstros-tradicionais-portugueses-retratados-em-livro-para-criancas_a958342

 

mais informações na notícia do Público:

Letras Pequenas… Bestiário Tradicional Português

ou no blog da editora:

https://bestiariotradicionalportugues.wordpress.com/

 

“Pai, eu queria tanto ter um cão!” crónica de Mário Cordeiro

Outubro 6, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Mário Cordeiro publicado no http://ionline.sapo.pt/ de 20 de setembro de 2016.

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Acusar as pessoas que gostam de cães de estarem a menorizar os humanos é não entender nada do que é o mundo, a natureza e a capacidade de, exatamente, prover melhor aos direitos de uns e de outros. Como se uns e outros fossem mutuamente exclusivos, e não complementares…

“Pai, eu queria tanto ter um cão!” – e por mais que se tente explicar que é complicado, que o apartamento não dá, que alguém teria de tratar do animal e outras tantas razões, as crianças mais pequenas não entendem e colocam tudo no mesmo saco: o da cruel recusa dos pais em satisfazerem a sua vontade.

Depois de meia hora de listas de justificações para não adotar ou comprar um cão, mesmo que os pais até gostassem de ter um, a frase que dizem, quando voltam as costas e desistem, é: “Eu queria ter um cão, mas o pai não quer!… É só para me chatear…”

Há muitos animais em nossa casa, desde os ácaros às moscas e formigas, mas no que toca aos chamados animais de companhia, ter um é um hábito para muita gente e, felizmente, há cada vez mais casas onde o canídeo faz parte integrante da família. Ainda bem, repito. Salvaguardando a liberdade de não ter um cão, há que respeitar a mesmíssima liberdade de o ter e, tendo-o (e, no meu caso, passeando-o todos os dias, bem como aqui no i às terças-feiras…), vejo mais críticas das pessoas que acusam quem tem um cão de não saber distinguir os animais irracionais dos humanos do que juízos de valor das pessoas que têm “patudos” relativamente a quem não quer ou não pode ter.

Uma coisa é certa: ao adotar/comprar um cão tem de se pensar muito bem, porque quando se arranja “é para a vida”. Felizmente, hoje, o abandono de animais de companhia, designadamente dos cães, é criminalizado.

Muitos escritores têm-se debruçado e escrito sobre a relação com os seus cães, de Virginia Wolf a Thomas Mann, de Arturo Pérez-Reverte a José Jorge Letria, Manuel Alegre, Raul Brandão ou Ruy de Carvalho. Livros excecionais, de uma enorme sensibilidade e que mostram a transcendência da relação entre um cão e o seu dono.

Muitas vezes vem a acusação velada: porquê “perder” tempo com cães quando há humanos a necessitar de mais legislação protetora (e há! – afirmo-o com toda a convicção), como por exemplo as crianças e os idosos, os desempregados ou os migrantes. Há que fazer por eles, claro. Muito! Todavia, a mensagem muitas vezes veiculada de que “estamos a pôr os cães à frente das pessoas” ou que “quem gosta de animais não gosta assim tanto de pessoas” é errada, falsa, fundamentalista e manipuladora. Além de demagógica. Faz-me lembrar uma empregada dos meus pais, quando eu era pequeno, que dizia que se eu não comesse o arroz todo “morria um pretinho em África”… e eu lá comia o arroz, mesmo estando enfartado, para não me sentir culpado da morte de um outro menino.

Gostar de animais é um primeiro passo para a nossa própria humanização e para um relacionamento melhor – que se quer e se exige, com urgência – do homem com a natureza e com a sua própria condição. Pode gostar-se de animais e de pessoas e uma coisa, repito e insisto, não exclui a outra – sei-o por experiência própria.

Por outro lado, voltando à história com que comecei esta crónica, há pessoas que gostariam de ter animais e não têm condições de vida ou ritmos para tal. Poderão sempre, de qualquer modo, tentar que as crianças tenham um relacionamento estreito, por exemplo, com cães, em quintas pedagógicas, em espaços públicos, com os cuidados que implica a relação de um humano com um cão que não conhece, e por isso, antes de permitir que as crianças façam festinhas a um cão, é sempre conveniente perguntar aos donos se o cão não fica “zangado” ou reage de uma forma que possa assustar a criança ou mesmo ser perigosa para ela.

É bom ter cães em casa, mesmo que cada caso seja um caso, ou cada casa uma casa… – contudo, há vários aspetos a ter em conta na decisão de “ter ou não ter cão”, como sejam as condições de habitação (casas sem jardim, com poucos quartos e de reduzidas dimensões aumentam a dificuldade de definição de espaço entre o cão e os humanos) ou o tempo e as pessoas disponíveis para tratar dele. Os animais, especialmente os cães, sentem a solidão e têm requisitos que têm de ser respeitados, como sair, passear, poder fazer as suas necessidades fisiológicas livremente, correr, saltar… e, no caso dos cachorros, aprender comportamentos “sociais”. Por outro lado, sabe-se que os animais domésticos podem ser agentes e veículos de parasitoses ou proporcionar alergias, além do eventual cheiro a pelo molhado, de poderem sujar a casa antes de estarem treinados, largarem pelo ou outras situações similares – a escolha da raça de cão é essencial e, sinceramente, advogo a adoção de um cão e não a compra, dado que, para lá de se aliviar as associações e canis, são geralmente animais com um percurso de vida complicado e que serão extremamente gratos para com os seus novos donos, para lá de toda a lealdade e fidelidade que um cão demonstra no quotidiano.

Assim, será bom ponderar se o cão se vai dar bem com o ambiente de nossa casa, com as nossas exigências (por exemplo de limpeza) e a personalidade dos vários habitantes, entre os quais as crianças, se está bem de saúde e foi visto recentemente por um veterinário (o que é garantido quando se adota), se temos uma ideia clara e realista do que vai ser necessário em termos de cuidados, desde a higiene à alimentação, passando pelo apoio veterinário, passeios, mimo, brincadeira, etc., o que é muito variável conforme as raças e a personalidade do próprio cão, e também se já elencámos (com uma lista escrita) tudo o que será preciso, desde a higiene aos espaços para o cão, a compra de alimentos, cama, cuidados de saúde (e a despesa acrescida que representa) e outros dados semelhantes. Outro aspeto essencial é ter bem definido o que vai fazer no caso de doença, não apenas do cão, mas das pessoas – ou seja, quem vai tomar conta dele incluindo nos fins de semana e feriados, ou nas férias, para que não se assista ao abandono sistemático de animais nas estradas portuguesas.

Ter um cão é – digo-o como declaração de interesses – uma alegria, uma oportunidade de retomar ritmos humanos, de conhecer novos horizontes, de nos divertirmos com a “psicologia canina”, de ter uma companhia e de entender o que significa a palavra lealdade e as palavras reciprocidade e amizade.

Quando o vosso filho pedir um cão, tenham já pensados estes e outros aspetos, porque a pior coisa que pode haver é desiludir uma criança, por motivos que ela não compreenderá, arranjando um “patudo” com o entusiasmo do momento e, depois, descobrir que é uma maçada, que “só dá trabalho” e descartá-lo na primeira ocasião. A resposta à frase “Ó pai, compre-me um cão!”, seja ela sim ou não, tem, portanto, de ser muito ponderada. Como defensor intransigente dos direitos das pessoas e dos cães, espero sinceramente que, na maioria dos casos, possa ser o sim…

Pediatra, escreve à terça-feira

 

Dez dicas para a chegada do bebé a uma família multi-espécie

Maio 10, 2016 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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O que pode ser feito, a titulo preventivo e não só, para minimizar o stress e levar o animal a aceitar pacificamente as inevitáveis alterações de rotinas.

Cada vez mais as famílias são compostas por elementos de várias espécies. Assim temos, a par dos humanos, os animais que com eles coabitam e aos quais são atribuídos direitos semelhantes aos do resto da família: alimentação de qualidade apropriada ao seu estado físico, raça e idade; cuidados médicos preventivos e curativos; atividades lúdicas com recurso a brinquedos cognitivamente interessantes e educativos; cuidados de higiene adequados, que incluem o pelo, a pele, os ouvidos, as unhas e os dentes; educação adaptada, com recurso a treinadores e escolas de treino.

Em casais jovens, um animal de estimação vem muitas vezes antes da decisão de alargar a família a um bebé humano, ou porque este já existia antes da união, ou porque foi adotado depois. Normalmente todos os afetos do casal são concertados no seu amigo de quatro patas. A partir do momento que acontece a gravidez a atenção foca-se nos cuidados com a grávida, nos preparativos para a chegada do bebé, nas atenções dos familiares que se regozijam com o eminente acontecimento. Em muitas famílias o animal passa de prioridade a algo secundário, em que as rotinas mudam, os cuidados básicos são negligenciados, a interação reduz-se drasticamente, com menos passeios, menos tempo de brincadeira, menos tempo de qualidade com a família. O relacionamento degrada-se, o animal fica confundido e frustrado, muda algumas atitudes, no sentido de tentar reconquistar o a sua anterior posição no seio familiar. Estas mudanças de comportamento contribuem, muitas vezes, para agravar ainda mais o relacionamento, com tutores já impacientes a penalizarem ainda mais o animal, sem compreenderem a verdadeira razão da sua atitude.

E tudo culmina com o nascimento do bebé. A sua chegada a casa vai, sem sombra de duvida, perturbar o ambiente social e os animais que a habitam. Um choro agudo e insistente, odores completamente desconhecidos, alterações drásticas na rotina, entrada e saída frequente de novos humanos, um corrupio de atividade, muitas vezes invasora da paz familiar, são no mínimo stressantes a até assustadoras. Mas algumas coisas podem ser feitas, a titulo preventivo e não só, para minimizar todo este stress e levar o animal a aceitar pacificamente as inevitáveis alterações de rotinas.

Por favor, lembrem-se que nenhum animal deve ser deixado sozinho com um bebé. O relacionamento deve ser sempre supervisionado, não por recear a sua agressividade contra o recém-nascido, mas porque, em busca de afetos ou calor, o animal pode deitar-se sobre a sua cabeça e este não tem capacidade para o evitar. Aliás, nenhuma criança deve ser deixada sozinha com o seu amigo de quatro patas, até ter idade suficiente para se comportar adequadamente com o mesmo. E isto pode só acontecer por volta dos 10/12 anos. Este cuidado protege ambos: a criança e a mascote.

Portanto, aqui deixo algumas dicas que podem facilitar muito a integração do recém-nascido no ambiente familiar multi-espécie.

1 – Antes do bebé nascer, tente implementar horários que sejam compatíveis com as rotinas que irá adotar depois deste chegar a casa. Comece por alterar gradualmente as rotinas de alimentação, higiene e passeios e adapte-as à futura realidade. Provavelmente têm que ser feitas alterações radicais e se o planeamento for feito atempadamente, assim como o começar a por, tais alterações em prática, o seu nível de stresse será com certeza menor e o seu animal aprenderá a adaptar-se à chegada do novo membro da família. Inclua no seu horário 5 a 10 minutos diários para dedicar exclusivamente ao animal. Durante este período brinque com o seu gato ou cão, afague-o, fale com ele, enfim, tudo aquilo que ele gosta, mas sempre de forma tranquila. Tente manter sempre os mesmos horários e faça-o na presença da criança, depois do nascimento. Poderá ser necessário acordar um pouco mais cedo e poderá, também, ser necessário que alguém olhe pelo bebé enquanto isto acontece, para que não tenha que interromper repentinamente a sessão, no caso deste chorar. Muitos cães e gatos ficam bastante incomodados com o choro dos bebés e a atitude do tutor pode condicionar a forma como estes o vão aceitar. Se se mantiver calmo, o animal aprenderá que este ruido, apesar de incomodativo, não trás nada de mal e passará a aceitar tranquilamente, como um ruido familiar. E aprenda a disfrutar do momento como forma de relaxar e descontrair, sem culpas. Afagar o pelo do animal, ouvir o seu ronronar, disfrutar do seu carinho, baixa a pressão arterial, promove o relaxamento muscular, faz subir a autoestima da recente mãe, ainda a braços com adaptações hormonais e físicas. Se houver vários animais na casa, cada um deles deve ter a sua quota parte de atenção, exceto nos momentos de brincadeira, se são animais que disfrutam adequadamente da companhia uns dos outros.

2 – Se seu cão não anda adequadamente à trela, ou seja, se passa todo o tempo a puxar para um lado e para o outro, cada vez que a sua atenção troca de alvo, está, agora mais que nunca, na hora de o treinar a comportar-se como esperado, passeando calmamente, sem esticões súbitos e imprevisíveis. O ideal seria que os passeios no exterior incluíssem toda a família, mesmo a de quatro patas. Quanto mais o cão obtiver emoções positivas na presença do bebé, mais o aceitará de forma natural e sem dramas. Mas poderá ser muito perigoso tentar conduzir um carrinho de bebé com uma mão e com a outra um cão descontrolado e demasiado energético. Nestas condições a recém mamã evitará os passeios conjuntos e o cão ficará em casa, a ver sair a criança e mais a sua amada tutora, ficando para trás a observar ansiosamente a saída dos dois. Um cão treinado é um cão controlado, que pode ser levado para qualquer lado. Todos têm a lucrar com isso. Quantas mais vezes exercitar o cão ou o gato, tanto física como cognitivamente, na presença da criança, mais forte e estável será o relacionamento entre todos.

3 – Antes da chegada do bebé permita ao animal explorar o quarto de dormir, a área de mudança de fraldas, a área dos banhos e todo o mobiliário e objetos adquiridos para satisfazer as necessidades básicas deste novo membro da família. Nunca deverá vedar o acesso do cão ou o gato às áreas reservadas ao bebé. Estas áreas, por serem novas, têm odores desconhecidos e por isso interessantes para serem explorados. Dê ao animal o direito de se familiarizar com todas estas novidades. Permita-lhe sentir o odor de loções, talcos, cremes e líquidos de lavagem. Se não o fizer, terá um animal a tentar insistentemente entrar na área proibida. E esta insistência poderá ser causa de stresse para a família humana, assim como para o animal, uma vez que lhe é proibido um comportamento exploratório completamente natural. No entanto, deixar explorar, não significa permitir que utilize a cama do bebé ou qualquer outra parte da mobília como dormitório ou zona de estar. Permita-lhe explorar mas só isso. Depois da chegada do bebé não poderá permitir que que este hábito se mantenha. Portanto, logicamente, não o permita antes. Se o cão ou gato possuem brinquedos macios ou sonoros, semelhantes aos do bebé, irá , com certeza, confundir os mesmos e considerará que pode brincar com qualquer dele. Se os brinquedos forem regularmente lavados, não haverá nenhum problema de saúde relacionado com este facto. No entanto, quando o bebé crescer, o cão (mais raramente o gato) poderá retirar o brinquedo da mão da criança e esta poderá ficar ferida. Escolha brinquedos visualmente diferentes para ambos, ou, em alternativa crie a regra que o que estiver no chão é do cão e o que estiver elevado é da criança. Esta regra será para ser cumprida pelos dois. Se o cão estiver treinado e tiver aprendido regras básicas de obediência, será mais fácil o “larga” ou o “dá” e a convivência será, sem duvida mais pacífica.

4 – Quando a mãe estiver na maternidade, depois do nascimento, leve para casa algumas peças de roupa do bebé e espalhe-as, por forma a que o seu odor se misture com os odores familiares. Nunca se esqueça que os animais “vivem no mundo olfativo”. Partindo deste pressuposto, é fácil compreender a importância de o habituar gradualmente a um novo aroma. Assim, quando o bebé chegar a casa, já será identificado como algo familiar e haverá menos curiosidade envolvida, facilitando a adaptação de humanos e animais a uma nova, ruidosa e odoríferas realidade. É também importante que o cão ou gato seja mantido em casa durante o tempo em que a mãe e filho estejam na maternidade. Se estiver fora durante este período, sobretudo em canil ou hotel para cães, voltará, sem dúvida, num maior estado de ansiedade e deparar-se-á com um novo ser, que não reconhece mas que relaciona com o momento de medo e stresse pelo qual acabou de passar.

5 – Quando a mãe regressar a casa deve pedir a alguém que segure o bebé, enquanto dedica uns momentos a cumprimentar o animal. Este sentiu a sua falta e estará ansioso por um pouco de atenção. Afastá-lo, enquanto se concentra no bebé, só causará mais ansiedade. E, em busca de atenção, poderá ser demasiado invasivo e inadvertidamente ferir um dos dois, se o bebé estiver no seu colo. Se for um cão que salta para as pessoas, deverá ser colocado noutra sala, até tudo acalmar. Será então a mãe, sem a criança, a entrar a sala, para calmamente o cumprimentar. Quando este sossegar poderá entrar o bebé , ao colo de alguém e mantido fora do alcance do curioso animal. Este poderá ser controlado pela trela e peitoral. Importante é que a apresentação só seja feita quando todos estejam mais calmos e a situação tenha regressado ao normal.

6 – Quando o pandemónio inicial acalmar, deve então começar a apresentação formal do bebé. Deverá ser a mãe a controlar animal , mantendo-o á trela se houver o risco de ser demasiado invasivo ou de fazer algum movimento brusco em direção á criança. Esta estará ao colo de alguém. Permita ao animal explorar e cheirar, mas se mostrar receio nunca o force a aproximar-se. NUNCA coloque o bebé à frente do nariz do cão. Este poderá sentir-se ameaçado e o medo fará com que possa reagir de forma agressiva. NUNCA coloque o seu bebé em risco, como forma de apressar as coisas. Fale gentilmente enquanto o encoraja a aproximar-se, premiando cada progresso. Se a mãe estiver sozinha, deverá prender o cão a uma parte da mobília e sentar-se numa zona controlada, com o bebé ao colo, permitindo-lhe que explore olfativamente o recém nascido, sem perigo. É importante que o animal possa ser controlado com um comando verbal. Se estiver incontrolável, pare a interação, coloque-o noutra sala. Espere que se acalme e tente de novo. NUNCA o afague quando mostrou agressividade em relação ao bebé, no sentido de lhe mostrar que também gosta muito dele. Terá que compreender que se quer fazer parte desta família alargada, estar presente em todas as situações e continuar a ter a atenção de todos, terá que aceitar este recém chegado. NUNCA corrija um comportamento de forma agressiva, pois inevitavelmente a presença da criança será associada a acontecimentos negativos.

7 – Se o animal for sossegado e controlável, não há motivo para não estar presente em todos os momentos da rotina diária do bebé, a partir da altura em que já se tenha habituado á sua presença e reaja de forma natural aos estímulos relacionados com a existência de recém-chegado. O sentir-se incluído irá fortalecer o relacionamento entre ambos e a criança crescerá mais humana, solidária, consciente dos factos simples da vida e socialmente adaptada.

8 – Em nenhuma circunstância deverá ser permitido ao cão ou gato dormir no quarto do bebé. Use um monitor ou um intercomunicador para vigiar o sono da criança, sem ser preciso manter a porta aberta. Não por recear algum tipo de comportamento predatório ou de agressividade gratuita, mas porque, inadvertidamente pode sufocar o bebé, quando se deita junto da cabeça. A culpa associada a uma tragédia deste tipo seria insuportável para os pais e o animal sairia também ele lesado.

9 – Se o animal mostrar agressividade ou medo na presença da criança, recue uns passos e volte a fazer a reintrodução gradual. O comportamento predatório é a maior causa de agressividade dirigida a crianças pequenas, quando se começam a movimentar pela casa. Também uma má experiência com outras crianças poderá fazer com que generalize e passe a recear qualquer criança. Estas são muitas vezes descoordenadas e sempre imaturas, podendo facilmente magoar o animal, durante uma brincadeira, uma tentativa de deslocação pela casa, ou mesmo uma interação não controlada. Animais idosos, muitas vezes com dores articulares, ou aqueles com alguma doença crónica que origine dor, são os que correm maior risco. Nestes casos deverá aconselhar-se com o veterinário assistente, no sentido de procurar ajuda de um comportamentalista que o ajude a resolver o problema.

10 – As crianças devem ser ensinadas desde cedo a respeitar a condição do animal e a interagir gentilmente. É também muitíssimo importante que aprendam, desde cedo, a interpretar a linguagem corporal do cão e do gato, por forma a compreender aquilo que o animal tenta transmitir. Muitos acidentes ocorrem por erros de interpretação. Qualquer animal evita o conflito, utilizando posturas corporais que pretendem transmitir um aviso. Simplesmente as crianças não compreendem a mensagem e invadem os limites do animal. Este, não tendo conseguido impor os tais limites, vê-se obrigado a utilizar a sua ultima arma: a dentada, no caso do cão ou a dentada/arranhadela, no caso do gato. Assim como ensina ao seu filho a língua materna e se preocupa com a sua educação no geral, deveria dar igual atenção aos ensinamentos da linguagem do cão e gato, recorrendo a imagens e desenhos. As escolas deveriam também incluir estes temas nos seus programas, uma vez que é significativo o número de crianças assistidas nas urgências dos hospitais, devido a agressões efetivadas por animais de companhia, sobretudo o cão. Muitos destes incidentes poderia ser evitados se a vitima tivesse interpretado adequadamente os avisos do agressor.

 

Célia Palma para a Visão em 30 de Abril de 2016

Natal com Animais – Férias no Chimico

Dezembro 21, 2011 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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20 a 30 de Dezembro

Pensamos no Natal como uma época fria, mas será assim em todo o planeta?
Com o Inverno a chegar, propomos-te descobrir como é que alguns animais passam o Natal…

Nestas FÉRIAS NO CHIMICO, poderás a aprender de um modo simples e divertido como alguns animais se adaptam às diferenças de temperatura. Enquanto uns lidam muito bem com factores ambientais extremos, outros não conseguem adaptar-se, e por isso migram! Terás ainda a oportunidade de explorar outras estratégias, como a construção de tocas ou o armazenamento de alimento.

Junta-te então a nós e vem passar estas Férias do Natal rodeado de animais!
QUANDO PODES PARTICIPAR?
20, 21, 22, 23, 27, 28, 29, 30 de Dezembro

MAIS INFORMAÇÕES
10H00-13H00 | 5-7anos  (3h de actividade)
14H30-17H30 | 8-12anos (3h de actividade)
Preço – 8,50 € 

CONTACTOS
Museu da Ciência
Laboratorio Chimico
Largo Marquês de Pombal
3000-272 Coimbra
T: 351 239 85 43 50
F: 351 239 85 43 59
geral@museudaciencia.org

DATAS DE ENCERRAMENTO
Segunda-feira; 1 de Janeiro; Domingo
de Páscoa; 1 de Maio; 24 e 25 de Dezembro


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