Menores confessam ter-se encontrado com estranhos do Facebook

Outubro 23, 2014 às 10:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 22 de outubro de 2014.

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DINA MARGATO

Ana Leite Costa foi ao terreno tentar perceber como se relacionam os adolescentes com as redes sociais e descobriu que 18,6% dos inquiridos – média de 12,4 anos – já se encontraram presencialmente com desconhecidos.

A questão era esta: “Alguma vez te encontraste com alguém que só conhecias das redes sociais?”. O Facebook é a rede social mais utilizada (78,9%), e o contacto surgiu do nada ou de amigo de amigo, subindo à medida que aumenta a idade: 5,1% para 10 anos e 40,9% para maiores de 16.

Apesar de se poder estar a falar de encontros com pares, “este é um dado um pouco preocupante pela componente de risco que pode acarretar”, refere Ana Leite Costa, autora da tese de mestrado “Redes sociais na Internet: o que fazem as crianças e jovens e o que pensam os encarregados de educação” focada nos estudantes do 2.° e 3.º ciclos do Agrupamento de Escolas de Monte da Ola, Viana do Castelo.

A professora de Matemática não esperava um valor tão alto para o encontro com estranhos. “Com tanta ferramenta que existe para acompanhar os filhos nas redes sociais, parece que os pais sabem pouco do que eles ali fazem. Mas também reconheço que lhes falta tempo para estar ao lado dos filhos quando estão ao computador”.

O valor dos 18,6% corresponde a cerca de 88 adolescentes dos 471 analisados. Um número que pode pecar por defeito. Extrapolando para a realidade nacional, poderia aumentar, considera a professora que fez esta pesquisa para a Universidade do Minho. “Em meios urbanos, os miúdos têm mais acesso à Internet e têm smartphones”. Segundo o estudo, 6,6% dos encarregados de educação reconhecem ter havido encontro dos filhos com alguém contactado previamente através das redes sociais. 82,4% estão convencidos de que isso nunca aconteceu e 11% não sabem. Outra conclusão em destaque é que 55,1% dos adolescentes criaram conta antes ou aos 10 anos. O Facebook estabelece a idade mínima de 13 anos.

Do que fui percebendo, “estes miúdos vão sobretudo atrás de amigos; julgo que haverá muita ingenuidade. Qualquer adulto consegue passar por criança e pode ludibriar um adolescente”.

Por saber está a metodologia: como combinam? “Importará caracterizar as condições em que ocorreram, com que tipo de pessoas, com que motivações e consequências”.

Por sexo, é maior o número de rapazes a encontrar-se com desconhecidos (22,3%) contra 14,5% de raparigas. Em alguns pontos-chave, como a exposição de dados pessoais, as raparigas revelam ser mais cuidadosas.

Cerca de 20% confessam que os pais não concordariam com tudo o que fazem na rede social. Outra conclusão que preocupa a professora é que um quarto dos jovens retira tempo ao estudo para espreitar o Facebook.

 

 


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