Crescendo entre ecrãs: competências digitais de crianças de três a oito anos

Abril 22, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo publicado na Revista do Centro de Estudos de  Comunicação e Sociedade (CECS) Universidade do Minho

As crianças portuguesas de três-oito anos estão a crescer em lares apetre­chados com dispositivos móveis, individualizados, de pequeno porte e ecrãs tácteis, com aplicações diversificadas. Apesar desta ecologia digital, o pri­meiro inquérito nacional sobre como as crianças estão a crescer entre ecrãs (N= 656), realizado para a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), em 2016, contraria pressuposições de um boom tecnológico. Apenas 38% dos pais reportam que as crianças usam a internet e prevalece uma mediação centrada no controlo e na restrição. Este texto apresenta e discu­te resultados desse inquérito e do estudo qualitativo em 20 famílias cujas crianças acedem a meios digitais, centrando-se nas competências digitais. Estas incluem competências tradicionais (ler, escrever e contar), e outras re­lacionadas com acesso e uso das tecnologias digitais (Sefton-Green, Marsh, Erstad & Flewitt, 2016)

Castro, T. S.; Ponte, C.; Jorge, A. & Batista, S. (2017). Crescendo entre ecrãs: competências digitais de crianças de três a oito anos. In S. Pereira & M. Pinto (Eds.), Literacia, Media e Cidadania – Livro de Atas do 4.º Congresso (pp. 144-157). Braga: CECS.

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http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/cecs_ebooks/article/view/2671/2579

“Um bebé que mama não tem que ser pesado todas as semanas”

Outubro 2, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 28 de setembro de 2017.

A presidente da Comissão Nacional Iniciativa Amiga dos Bebés e ex-ministra da Saúde, Ana Jorge, diz que há médicos que ainda consideram a amamentação um “fundamentalismo”.

Não tem que ser uma imposição, mas tem que ser uma decisão esclarecida, a de amamentar ou não uma criança. Quem o diz é a ex-ministra da Saúde, Ana Jorge, agora à frente da Comissão Nacional Iniciativa Amiga dos Bebés — a mesma que forma profissionais de saúde em aleitamento materno. Em entrevista ao Observador, Ana Jorge defende que as duas horas previstas na lei para aleitamento e acompanhamento de um bebé no seu primeiro ano de vida deviam estender-se até aos dois anos da criança. A pediatra fala, ainda, na importância da alimentação nos dois primeiros anos de vida do bebé e da necessidade de o fazer de forma concertada, em casa e nas creches. Este é, aliás, um dos temas a explorar na Conferência Internacional de Aleitamento Materno 2017, que esta sexta-feira vai ter lugar na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa (Pólo Artur Ravara, Parque das Nações). Tanto tempo depois de se conhecerem as vantagens da amamentação, ainda assim, diz Ana Jorge, há uma grande comunidade médica que considera o aleitamento materno um “fundamentalismo”.

Qual a importância do leite materno nos primeiros anos de vida de uma criança e para a mãe?

O leite materno é o alimento essencial mais bem preparado para a alimentação do bebé, tem todas as propriedades e necessidades nutritivas até aos seis meses de idade, daí a defesa da amamentação exclusiva. Depois, deve ser consumido com outros alimentos até aos dois anos. O leite da mãe transmite defesas, protegendo o bebé contra infeções e contra algumas doenças nos primeiros meses de vida. Também protege do ponto de vista das intolerâncias alimentares, reduz as gastroenterites e as infeções respiratórias. A relação entre mãe e filho é reforçada e a recuperação do pós-parto é mais fácil para a mãe. Há estudos que mostram que há uma menor incidência do cancro da mama e de outras patologias para mulheres que amamentaram.

Há bebés que a partir dos cinco meses começam a mamar com maior frequência. Significa que é necessário introduzir outros alimentos antes dos seis meses?

Se o leite da mãe não for suficiente sim. O horário da mamada é livre e não é só a frequência da mamada que é o indicador de que necessita de outros alimentos. Se isso acontecer, a mãe deve falar com alguém para ensinar a compreender as necessidades do bebé.

Como é que os hospitais podem promover o aleitamento materno?

Sabe-se que nos primeiros dias do nascimento há uma grande sensibilidade da mãe, e haver condições dentro do hospital para a apoiar é um grande contributo para o sucesso da amamentação. É fundamental haver alguém por perto a ensinar a mãe a por o bebé no peito. Porque quando a mãe sente dor, é porque a pega está mal feita. Um bom início de amamentação significa maior sucesso. Também é importante esta profissionalização nos cursos de preparação para o parto e nos centros de saúde, que devem trabalhar em estreita ligação com os hospitais.

O que são “Hospitais Amigos dos Bebés”? Como são controlados?

Em 1991 foi assinado um manifesto internacional e os países foram aderindo. Em Portugal a primeira comissão começou em 1993 e o objetivo era que os hospitais tivessem práticas que promovessem o aleitamento materno. A nossa Comissão é composta por um grupo de profissionais que tem promovido a formação em aleitamento materno nos hospitais. Existem 15 hospitais, num total de 33 ou 34 (locais onde nascem bebés) certificados. A certificação dura três anos, findos os quais é feita uma reavaliação através de questionários feitos a profissionais e a mães, na intervenção em consultas e em salas de parto. Analisa-se tudo. Isto porque os profissionais de saúde estão sempre a rodar e ao fim deste tempo os hospitais podem ficar sem profissionais formados em aleitamento materno. Avalia-se se o bebé é colocado ao peito na primeira meia hora após o nascimento, se existe uma determinada percentagem de funcionários com a formação e o que dizem os profissionais às mães. O profissional tem que ter tempo para explicar como estimular o leite, como é que mãe e bebé acabam por estabelecer um ritmo nas mamadas, que um bebé amamentado a peito não aumenta de peso como com um biberão, que o bebé não tem que ser pesado todas as semanas, se está a crescer bem. Se não temos uma balancite! Um bebé mama conforme a sua necessidade e autoregula-se. E a cada mamada, mama quantidades diferentes. E tem que se ensinar à mãe qual o comportamento do bebé quando não está satisfeito.

Por outro lado, não considera que se está a criar a ditadura do aleitamento materno? Uma mulher não pode simplesmente optar por não amamentar?

Não tem que haver uma ditadura do aleitamento materno. A opção é livre e esclarecida da mulher. A mulher tem direito à sua opção se não quiser dar de mamar. É obrigação dos profissionais de saúde dar-lhe informação das vantagens do aleitamento materno para que tenham uma decisão consciente e sem dúvidas. Porque às vezes as mães têm medo. Há mulheres que não podem amamentar de todo por razões clínicas. Há mulheres que não têm leite. É raro, mas há. Há mulheres que conseguem dar mama três, quatro anos, outras menos tempo. A grande maioria tem leite suficiente para os bebés. Somos mamíferos e a produção do leite faz parte. Em Portugal, por exemplo, uma mulher portadora de HIV não tem indicação para fazer aleitamento materno, se estiver em África tem, porque ainda assim o risco é inferior, porque não há leite nem água potável.

Há leite fraco?

É um mito. O leite muitas vezes tem uma boa composição, a mãe pode é produzir pouco leite e daí a necessidade de vigilância, de ver como o bebé se comporta. Há sinais: como bebés inquietos ou a dormir demasiado, não evoluir no peso. Tudo tem que ser avaliado.

Há mães que deixam de amamentar porque estão cansadas e porque consideram que os bebés que bebem leite artificial dormem melhor durante a noite e não acordam tantas vezes. Verdade ou mito?

Quando as mães decidem ter um bebé, a vida muda. Sou mãe para ter que assumir que um bebé tem o seu ritmo e nos primeiros tempos têm necessidade de mamar. Mais para a frente, temos que ver se o bebé acorda porque tem necessidade de mamar ou necessidade de estar com a mãe. Hoje a vida é agitada, muitas mulheres não têm a vida facilitada. E, apesar de Portugal ser dos países com melhores leis de parentalidade do mundo, nem sempre é facilitado pelos empregadores. As mulheres que têm um trabalho precário não têm direito a uma série de licenças. Vamos ter, a curto prazo, em Portugal uma empresa que dá pausas durante o trabalho para poder tirar leite e dá espaço para guardá-lo. Isso é fundamental pelo menos até ao primeiro ano de vida. Manter as refeições de leite com o leite da mãe. Mas é preciso que os empregadores permitam que a mulher tire esse leite. Estamos a tentar despertar esta discussão pública.

Qual a diferença entre um bebé amamentado só até aos seis meses ou até aos dois anos?

Uma criança que mama tem melhores condições de saúde quando adulto. Há um grupo brasileiro que seguiu uma população ao longo de trinta anos e que percebeu essa diferença. Aquilo que defendemos é o que a Organização Mundial de Saúde defende: exclusivo até aos seis meses, não precisa de água, comida, nada… Mas, a partir dos seis meses, devem introduzir-se outros alimentos. A necessidade de leite a partir da introdução de outros alimentos vai reduzindo, se reduzir o número de mamadas reduz a produção e o desmame é mais natural. Quanto mais tempo o bebé beber leite materno, melhor. Obviamente que há um limite. Depois dos dois anos, fica à vontade das mães, mas não é essencial. As defesas estão constituídas e do ponto de vista do desenvolvimento global não é essencial, não é significativo.

A comunidade médica está recetiva a passar declarações de amamentação depois de um ano de idade e promove essa prática?

A comunidade médica não está aberta! Há uma corrente que acha que dar de mamar pode ser muito fundamentalista. Até um ano, a lei diz que as mulheres têm direito a uma redução de duas horas no dia de trabalho, não só para dar de mamar, mas também para estar mais tempo com o bebé. Há estudos científicos que indicam o quanto este acompanhamento é importante do ponto de vista cerebral. Aquilo que seria importante era que as mulheres tivessem estas duas horas para mamar e estar com os filhos, do meu ponto de vista pessoal, até aos dois anos. Mas tem que ser honesto. As mães têm que estar com os filhos.

A alimentação nos dois primeiros anos da criança não devia passar por uma estratégia concertada entre as famílias e as creches?

Portugal tem bons indicadores no aleitamento materno, na alimentação, mas somos penalizados nos relatórios internacionais por não haver uma política concertada. Queríamos discutir isso amanhã [na conferência], devia haver uma orientação nacional sobre as regras da alimentação nos dois primeiros anos de vida.

 

 

Seminário: As crianças e a internet : Acessos, usos, riscos e danos

Março 9, 2012 às 4:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrições até o dia 13 de Março de 2012.

Mais informações Aqui 

Jovens portugueses têm mais portáteis

Fevereiro 16, 2011 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 4 de Fevereiro de 2011.

por CÉU NEVES

Dois em cada três jovens portugueses acedem à Internet no quarto e através de um portátil pessoal. São situações em que o País mais se destaca na comparação com as médias europeias e que revelam uma maior preocupação face aos riscos da Web. Estas são as conclusões de um estudo europeu, que sublinha que a “democratização” das novas tecnologias não implicou um aumento de competências nem diminuiu as desigualdades sociais.

As crianças e os jovens em Portugal que dizem aceder à Internet através de um computador pessoal são três vezes mais do que a média europeia. Portugal é o país dos 25 onde há mais crianças e jovens com portáteis próprios. É o efeito dos programas Magalhães e e.escolas, que permitiram o acesso generalizado dos alunos a estes equipamentos.

Mas, sublinha a coordenadora nacional do estudo, Cristina Ponte, “a inclusão não se faz, apenas, pelo acesso às novas tecnologias”. E explica: “O importante é saber o que é que se faz com os computadores, e as crianças e os jovens portugueses revelam poucas competências na sua utilização. Não usam a Internet de forma criativa e com segurança.”

O projecto EU Kids Online 2, cujos resultados para Portugal são hoje apresentados na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, em Lisboa, passa pela avaliação da exposição dos mais novos aos riscos da Internet, como vítimas e agressores, nomeadamente da pornografia, mensagens de cariz sexual (sexting), bullying e contactos com as pessoas que conheceram online.

Os portugueses revelam ter uma das menores taxa de incidência destes riscos, 7%, quando a média europeia é de 12%. “Não podemos descansar com estes resultados. As crianças portuguesas entram mais tarde na utilização da Internet (dez anos, quando a média da UE é nove anos) e fazem-no menos frequentemente”, justifica Ana Jorge, uma das autoras do estudo.

Foram realizados questionários a 25 mil crianças (9-16 anos) e a 25 mil adultos de 25 países, mil em cada país. Em Portugal foram sobretudo as mães que responderam aos inquéritos. E estas revelam ter uma mentalidade muito sexista sobre a forma como os filhos usam a Internet. Além de um grande desconhecimento (43% respondem “não sei”), “os pais sobreavaliam o contacto com as imagens pornográficas quando se trata de um filho rapaz e subavaliam no caso de ser uma filha”.


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