Um em cada seis jovens acha normal forçar relações sexuais

Fevereiro 12, 2016 às 4:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de fevereiro de 2016.

mais informações no Estudo da UMAR:

http://www.umarfeminismos.org/images/stories/noticias/Estudo_V.Namoro2016_UMAR.pdf

paulo pimenta

A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) está preocupada com o facto de 22% dos jovens aceitarem as manifestações de vários tipos de violência registadas em relações de intimidade. As activistas da UMAR inquiriram 2500 jovens, com idades entre os 12 e os 18 anos, e os resultados que obtiveram demonstram quadros comportamentais e ideias que consideram inquietantes.

O estudo apresentado pela UMAR nesta sexta-feira, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, distingue três tipos de violência: psicológica; física; e sexual. No que à violência sexual diz respeito, 32,5% dos rapazes (em oposição a 14,5% das raparigas) acham normal que se force as relações sexuais – uma média de 16%, considerando todos os inquiridos.

O quadro da violência sexual não inclui apenas as relações sexuais forçadas, nele cabendo também uma série de comportamentos sexuais definidos como violentos que 23% dos inquiridos consideraram legítimos. Ainda que quase um quarto dos jovens portugueses aceitem a “normalidade” deste tipo de agressão, só 4,5% assumem terem sido vítima desses comportamentos.

A violência psicológica é encarada como aceitável por quase um quarto dos jovens portugueses, e 8,5% consideram já ter sido vítima dela.

Já a violência física é menos tolerada pelos jovens, sendo ainda considerada legítima por 9% dos inquiridos e com 5% destes a assumirem terem sido alvo de agressões.

O estudo da UMAR enquadra-se num programa de prevenção da violência, e não se resumiu à realização de inquéritos e desenvolvimento do estudo apresentado. As activistas levaram a cabo acções de sensibilização para a necessidade de prevenir a violência junto dos jovens e foi durante essas acções que detectaram “quão enraizadas estão as ideias de poder e controlo”, frisou Ana Guerreiro ao PÚBLICO. “É difícil analisar estes números, e mais ainda ter os jovens à frente e constatar estes comportamentos”.

As agressões entre namorados, e também entre ex-namorados, só foram incluídas no âmbito do crime de violência doméstica, previsto no Código Penal, em Fevereiro de 2013. A Polícia de Segurança Pública recebeu em 2015 mais queixas por violência no namoro do que por violência entre cônjuges, mas 77% dos inquéritos abertos pelo Ministério Público por este tipo de crime são arquivados, na maioria das vezes por falta de provas. O relatório anual do Ministério da Administração Interna descreve o destino dos poucos casos que conseguem chegar às salas dos tribunais: “De um total de 2954 sentenças transitadas em julgado entre 2012 e 2014, cerca de 58% resultaram em condenação e cerca de 42% em absolvição. Na maioria das condenações (96%) a pena de prisão foi suspensa”.

Para Maria José Magalhães, presidente da UMAR, tudo isto é produto de uma cultura que “está na base do femicídio, da violência doméstica, da falta de respeito pelos direitos humanos em geral”. Na última década, morreram 398 mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal.

 

 

 


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