Horas de deitar irregulares podem afectar cérebro das crianças

Julho 11, 2013 às 4:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de Julho de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Time for bed: associations with cognitive performance in 7-year-old children: a longitudinal population-based study

PÚBLICO

Estudo comparou aprendizagem de crianças que iam para a cama sempre à mesma hora e daquelas cujos pais não tinham uma rotina. Raparigas são mais afectadas.

As crianças que durante a semana não conseguem manter uma rotina que passe por irem para a cama sempre às mesmas horas poderão ficar com o cérebro afectado, nomeadamente com mais dificuldade em assimilar as novas informações.

As conclusões são de uma equipa de investigadores da University College London e acabam de ser publicadas no Journal of Epidemiology and Community Health. De acordo com os cientistas, quando não há uma rotina do sono, ainda assim, os efeitos negativos são mais sentidos pelas raparigas do que pelos rapazes, explica o diário britânico The Guardian.

O estudo procurou perceber os efeitos de horários de sono irregulares no desenvolvimento cerebral em crianças ainda pequenas. Para isso, os investigadores utilizaram informações do UK Millennium Cohort Study, uma base de dados que contém informações de várias áreas. Os investigadores escolheram uma amostra de adolescentes cujos dados eram acompanhados desde a infância e compararam os dados relativos ao ciclo de sono com os resultados em alguns testes.

O trabalho contou com a participação dos pais. Os que responderam que os seus filhos iam para a cama “sempre” ou “quase sempre” às mesmas horas foram colocados no grupo dos regulares e os que responderam “algumas vezes” ou nunca” foram para os irregulares.

A equipa, liderada por Amanda Sacker, olhou em especial para as informações das crianças quando estavam casa dos três anos de idade e percebeu que tanto os rapazes como as raparigas que tinham irregularidades no sono apresentavam mais tarde dificuldades em áreas como a leitura, a matemática ou exercícios que implicassem abstracção. O problema afectava mais as raparigas, tanto aos três anos como mais tarde, aos cinco e aos sete anos.

Pelo contrário, as crianças cujos pais mantinham uma rotina mais apertada tinham mais facilidade em apreender a informação de situações novas. Além disso, de acordo com o estudo, aparentemente quanto mais tempo perdurar a irregularidade maiores vão ser os efeitos no futuro. Um dado curioso é que a hora a que as crianças se deitam parece não ter influência, desde que seja sempre a mesma, ainda que seja mais tarde.

“Os três anos parecem ser a idade onde se vê um efeito mais claro” da privação de sono, disse Amanda Sacker ao The Guardian, explicando que contrariar o relógio do corpo humano tem implicações directas na aprendizagem. “Se uma criança tiver irregularidades na hora de ir para a cama numa idade prematura, não estará a sintetizar toda a informação à sua volta, e terão o trabalho mais dificultado em fazê-lo quando fores mais velhas”, acrescentou. “Dormir é o preço que pagamos pela plasticidade [do cérebro] no dia anterior e o investimento necessário para permitir aprender com a cabeça fresca no dia seguinte”, escrevem os autores, citados pelo mesmo jornal.

Amamentação aumenta hipótese de ascender socialmente

Julho 10, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 25 de Junho de 2013.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Breast feeding and intergenerational social mobility: what are the mechanisms?

por Lusa, texto publicado por Paula Mourato

A amamentação aumenta em 24 por cento a hipótese de ascender socialmente e reduz em até 20 por cento a possibilidade de descender, indica um estudo da University College London divulgado hoje.

“O nosso estudo junta-se a evidências sobre os benefícios da amamentação, mostrando que pode haver benefícios sociais ao longo da vida”, disse a equipa de cientistas britânica, que publicou os resultados do estudo na revista Archives of Disease in Childhood.

Os investigadores analisaram dados de mais de 30.000 pessoas nascidas no Reino Unido, 17.419 em 1958 e 16.771 em 1970, comparando a sua classe social quando tinham 10 ou 11 anos e 33 ou 34 e se tinham ou não sido amamentados.

A classe social foi classificada numa escala de quatro pontos, variando entre não-qualificado ou semi-qualificado e profissional ou administrativo/diretivo, segundo a agência France Presse.

No grupo de 1958, 68 por cento das pessoas tinham sido amamentadas, em comparação com apenas 36 por cento no grupo de 1970, indica o estudo, cujos autores dizem ser o maior até agora a investigar a relação entre a amamentação e a mobilidade social.

Os investigadores recolheram informação através de um acompanhamento regular, com um intervalo de poucos anos, e tiveram em conta outros fatores potenciais como o desenvolvimento do cérebro e os níveis de stress emocional.

“Intelecto e stress são responsáveis por cerca de um terço (36 por cento) do impacto do aleitamento materno: a amamentação melhora o desenvolvimento do cérebro, o que aumenta a inteligência, que por sua vez aumenta a mobilidade social ascendente. As crianças amamentadas também mostram menos sinais de stress”, indica um comunicado.

Os autores do estudo referem que o leite materno contém os designados ácidos gordos polinsaturados de cadeia longa (LCPUFA), que são essenciais ao desenvolvimento do cérebro. No entanto, estudos anteriores indicaram que aqueles ácidos só por si não melhorarão o crescimento cognitivo.

A equipa considerou ser impossível dizer o que é mais benéfico para a criança: se os nutrientes no leite materno, se o contacto físico e a ligação entre a mãe que amamenta e o seu filho, se a combinação dos dois.

 

 


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