Bullying persistente pode levar ao suicídio, escreve pai de uma vítima em livro

Maio 31, 2011 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de Maio de 2011.

Por Lusa

As crianças persistentemente maltratadas e com depressões durante um período de tempo significativo poderão experienciar pensamentos suicidas, alerta um livro sobre bullying escrito pelo pai de uma criança vítima deste tipo de violência.

“Proteja o seu filho do Bullying” é editado pela Porto Editora, em parceria com a Confederação de Associações de Pais (Confap), e escrito por Allan L. Beane, pai de uma criança vítima de bullying, o que contribuiria para o stress pós-traumático de que sofreu.

Este jovem acabaria por se refugiar no consumo de substâncias tóxicas, levando-o à morte.

“Compreendo a dor que sentem as crianças que são maltratadas e o sofrimento por que passam os seus pais. Quero acabar com a dor”, escreve Allan L. Beane no livro que é apresentado hoje em Lisboa pela presidente da Pro Dignitate – Fundação para os Direitos Humanos, Maria de Jesus Barroso, que assina o prefácio.

O autor refere que, “quando uma criança é vítima de bullying, poderá ter medo de ir à escola. Poderá ficar doente no domingo à noite e enjoado na segunda-feira de manhã, só de pensar em ir para a escola e enfrentar os bullies [agressores]”.

“Cada dia é um campo de minas social, podendo ocorrer vários acontecimentos desconhecidos e potencialmente perigosos, até que o dia chegue ao fim”, lê-se na obra de 240 páginas.

Allan L. Beane dirige-se aos pais: “O medo, a ansiedade e o stress poderão levar o seu filho a fingir que está doente, a fugir da escola ou a faltar às aulas”.

Para o escritor, “qualquer conversa sobre suicídio deve ser levada a sério e merece atenção imediata”.

Segundo Allan L. Beane, “o bullying também pode levar uma criança a aderir a um gangue, uma seita, um grupo intolerante ou a um grupo de toxicodependentes”.

Sublinha ainda que “o bullying é igualmente uma explicação recorrente para a maioria dos tiroteios nas escolas. Após anos de maus-tratos, algumas vítimas de bullying percorrem um caminho bastante triste e perigoso que as faz passar da dor à vingança”.

Entre os vários “sinais de alerta” que revelam que o jovem pode ser vítima, destacados pelo autor, encontra-se “uma súbita falta de interesse pelas actividades académicas, as suas notas baixarem, darem preferência à companhia de adultos, terem pesadelos e dificuldade em dormir, manifestarem raiva e irritabilidade, apresentarem lesões físicas inexplicáveis, faltarem às aulas, darem sinais de depressão ou de ansiedade”.


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