Como pôr as crianças a comer (mais) fruta e legumes

Julho 24, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Notícias Magazine de 2 de maio de 2020.

É a Organização Mundial da Saúde que o diz: fruta e verduras são parte integrante de uma alimentação saudável e os miúdos não podem – nem devem – ter como escapar a esta regra de bem comer. Pais, se os vossos filhos são um castigo à mesa, façam assim.

Texto de Ana Pago | Fotografia de Shutterstock

A primeira reprimenda chega‑nos da parte da Organização Mundial da Saúde, que diz que as crianças devem comer três porções diárias de fruta e duas de legumes – algo que as nossas, em Portugal, não fazem.

O segundo ralhete é da Associação Portuguesa contra a Obesidade Infantil (APCOI): segundo um estudo divulgado no final de 2017, 65 por cento dos miúdos portugueses entre os 2 e os 10 anos ficam aquém das quantidades necessárias de fruta e legumes recomendadas por dia, com a faixa dos 6/7 anos a atingir os resultados mais preocupantes (68,2 por cento comem abaixo das recomendações).

E como uma má notícia nunca vem só, são as crianças obesas aquelas que menos tocam nos legumes. A ciência explica esta aversão generalizada dos mais novos com o risco que as crianças pré ‑históricas corriam de ingerir, logo que saíam do colo das mães para explorarem por conta própria, alguma planta tóxica que pudesse matá‑las. Claro que não é o caso dos brócolos, nem dos espinafres nem da couve‑flor, razão por que se torna tão urgente tomar medidas. Se é verde e está no prato, então é para comer.

1 – ANTECIPE

Sabendo‑se que até aos 18 meses as crianças estão mais dispostas a provar novos alimentos (incluindo legumes), e que a partir daí a boa vontade diminui (até no que respeita à fruta, geralmente bem aceite), há que aproveitar essa janela de oportunidade para introduzi‑los na alimentação dos mais novos. Quanto mais cedo o fizer, mais propensas elas ficam a gostar dos sabores.

2 – INSISTA

É normal o seu filho dizer que não gosta de curgete se acabou de prová‑la pela primeira vez e não teve tempo de se familiarizar com o sabor. O que não é normal é os pais bani‑ rem a curgete das refeições lá de casa para nunca mais voltar, culparem‑se pela possibilidade de terem traumatizado a criança e desistirem mediatamente de lhe tentar vencer a resistência – natural, como já vimos – a novos sabores, texturas e cores. Por norma, o que faz bem à saúde costuma dar algum trabalho.

3 – EXPERIMENTE

Se couves‑de‑bruxelas são um martírio para a maioria das crianças por serem tão amargas (nem o tamanho diminuto as torna fáceis de engolir), pode sempre começar a educar‑lhes o paladar com cenouras e tomates – mais frescos e adocicados – antes de passar a sabores progressivamente mais intensos. Acima de imediatamente de lhe tentar vencer a resistência – natural, como já vimos – a novos sabores, texturas e cores. Por norma, o que faz bem à saúde costuma dar algum trabalho.

4 – INVENTE

Confirma‑se: brócolos no prato são um pequeno horror inominável, mas e se de repente puderem transformar‑se na copa de uma árvore? Ou no cabelo encaracolado de uma personagem que tenha inventado para tirar os verdes do contexto da refeição? Se a fruta for outro bicho‑de‑sete‑cabeças, aplique o mesmo princípio criativo. Explore diferentes maneiras de servir o mesmo alimento. Quem diz que não se deve brincar com a comida nem imagina a diversão que tem andado a perder.

5 – DÊ O EXEMPLO

Não serve de nada pregar sobre cenouras e olhos bonitos, nem vir com a história de que o Popeye só era forte porque comia espinafres, se depois os seus filhos o virem a empurrar os legumes para a beira do prato com ar de nojo. A melhor educação dá‑se com os pais a servirem de exemplo, e isso tanto vale em termos de bom comportamento como de regras à mesa. Aqui, o lema deve ser sempre «faz o que eu faço e não o que eu digo».

6 – RELAXE

Tem mesmo de respirar e conduzir este processo com tranquilidade, de outro modo nenhuma refeição cai bem a quem quer que seja e a criança associará certos alimentos – de que já de si não gosta lá muito – a castigo, nervos e outros sentimentos negativos do género. Seja sereno, mas firme: na vida tudo se aprende, inclusive a comer. O facto de haver uma rotina familiar saudável à mesa só vai sublimar este prazer.

Obesidade em idade pediátrica: prevenção é a palavra chave

Junho 14, 2020 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de Cláudia Cristóvão publicado no Sapolifestyle de 20 de maio de 2020.

A obesidade é a pandemia do século e para conter o seu avanço é preciso que todos tomemos consciência deste problema e que estejamos preparados para o enfrentar. Estima-se que em 2025, 20% das nossas crianças sofram de obesidade. Um artigo da médica pediatra Cláudia Cristóvão.

Não existe um grupo de risco, mas sim comportamentos de risco. Desta forma, o esforço para combatê-la não pode ser dirigido apenas aos obesos mas a todos aqueles que apresentam comportamentos de risco, que os colocam numa situação de fortes candidatos a ter excesso de peso e obesidade.

Vivemos numa sociedade em que todos somos potenciais portadores de comportamentos de alto risco: sedentarismo, consumo de alimentos industrializados, consumo de “fast-foods”, falta de horário para realizar 5-6 refeições diárias, uso abusivo de refrigerantes, salgadinhos, entre tantos outros. As nossas crianças já não brincam na rua como antigamente e ocupam os seus tempos livres com dispositivos eletrónicos como videojogos, tablets, televisões e telemóveis. Também o poder de compra das famílias contribui para o aumento deste problema.

Potenciais problemas de saúde

Quando falamos em excesso de peso e obesidade referimo-nos a excesso de gordura corporal e, consequentemente, de sérios riscos para a saúde futura das nossas crianças e adolescentes. Falamos das “doenças crónicas do adulto”, nomeadamente hipertensão arterial (HTA), diabetes, dislipidemias (colesterol elevado e gorduras elevadas no sangue), esteatose hepática não – alcoólica (“fígado gordo), entre outras. Estes riscos são tanto maiores quanto mais precoce for a instalação do excesso de gordura corporal.

Emergência de prevenir

É fundamental que a prevenção se inicie nos primeiros 1000 dias, ou seja, desde o período pré-natal (após conceção) até aos 2 anos de idade.

Os primeiros 1.000 dias de vida constituem um período de maior crescimento e maturação do organismo, em que existe maior suscetibilidade ao meio ambiente e, em particular, à nutrição. Os alimentos que ingerimos podem atuar sobre os nossos genes e influenciar a forma como se expressam. É nesta altura que ocorre a programação metabólica que irá influenciar toda a nossa vida futura.

Situações de carência, excesso ou desequilíbrio nutricional na grávida, lactente ou criança funcionam como agressores que induzem respostas adataptivas do organismo (programação metabólica) visando a sobrevivência, respostas essas que a médio/longo prazo poderão ser desadaptativas – resultando em doença ao longo da vida.

Exemplificando: um embrião/feto que na vida intra-uterina se encontra num ambiente em que existe privação de nutrientes/ energia, ou morre ou o seu organismo vai adaptar-se e sobreviver neste ambiente deficitário. O seu organismo vai sofrer uma série de alterações anatómicas, hormonais e fisiológicas que lhe garantem a sobrevivência no momento de restrição energética, na vida intra-uterina. Estas mesmas adaptações, no futuro acarretam um risco acrescido de doença crónica nomeadamente obesidade e doença cardiometabólica.

Sabemos que existe, uma forte estabilidade da obesidade pediátrica, particularmente na dependência de fatores comportamentais (quer individuais quer familiares), uma grande dificuldade em reverter a obesidade, e uma ocorrência cada vez mais precoce das suas comorbilidades, por isso importa prevenir precocemente.

A orientação para a prevenção e promoção de bons hábitos deve ser feita durante a fase pré-natal, primeira infância e nos ambientes em que a criança vai conviver no futuro.

O peso antes e durante a gestação

Uma mulher obesa ou uma mulher que, independentemente do seu peso antes de engravidar, teve um aumento de peso superior ao desejado, tem maior probabilidade de ter um recém-nascido grande para idade gestacional com risco de complicações imediatas (ao nascimento) e futuras nomeadamente obesidade, diabetes, doença cardiovascular e cancro.

Deste modo, é importante o controlo de peso da mulher antes de engravidar e durante a gestação devendo ser orientada para uma alimentação equilibrada e diversificada.

Influência do padrão de crescimento

O padrão de crescimento até aos 2 anos de idade influencia o índice de massa corporal (IMC) na idade adulta, a composição corporal, a função cerebral e cognitiva e o perfil cardiometabólico.

O crescimento linear (comprimento) está associado à estatura e melhor rendimento escolar na idade adulta.

O aumento de peso, por seu lado, está relacionado com maior IMC na idade adulta e a maior percentagem de gordura corporal com maior risco de obesidade, diabetes e pressão arterial elevada. O aumento de peso exagerado após os 2 anos de idade é um fator de risco mais forte para doença crónica do que o ganho nos 2 primeiros anos de vida.

Alertas

  • Os pais devem ser educados para reconhecer os sinais de fome e saciedade, sem forçar e exigir a ingestão total ou excessiva de alimentos. A criança tem a capacidade de autorregular a sua ingestão. Em caso de dúvidas não hesite em falar do tema com o pediatra. As unidades hospitalares têm circuitos e procedimento implementados para a segurança de todos os doentes e profissionais de saúde, pelo que ir a uma consulta de pediatria em tempos de COVID-19, é seguro e não deve ser adiado.
  • Deve promover-se o aleitamento materno nos primeiros 6 meses de vida e a diversificação alimentar deve ser corretamente implementada de acordo com as necessidades nutricionais e desenvolvimento da criança. Salienta-se a importância da boa qualidade do alimento, estimulando o consumo regular de fruta, legumes, verduras e estar atento ao tipo de gordura consumida.
  • Os pais devem levar estilos de vida saudáveis, alimentação saudável, exercício/atividade física. Restringir o uso de tecnologia para menos de 2 horas diárias. Sabemos que as crianças aprendem com o exemplo.
  • As escolas devem proporcionar a oferta de alimentos saudáveis nas cantinas escolares bem como contemplar actividade física mais frequente durante o período em que as crianças/ adolescentes estão na mesma.
  • As instituições competentes para o efeito deveriam oferecer espaços públicos com áreas de lazer e desporto nas zonas residenciais.

Só com esforço conjunto de profissionais de saúde, família, escolas e comunidade poderemos conseguir prevenir esta terrível doença que é a obesidade e que vai marcando de forma silenciosa o nosso organismo e quando dá sinal poderá ser mais difícil de reverter.

Um artigo da médica Cláudia Cristóvão, pediatra no Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas.

Fixe estes 6 itens em defesa do direito de menus mais amigos das crianças

Junho 10, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapolifestyle

Discretamente, num cantinho das ementas, encontramos os tristes menus infantis. Não lhes há de faltar o hambúrguer, a batata frita e o refrigerante. Em defesa de ementas infantis mais ricas, a nutricionista Cláudia Viegas, deixa-nos seis pistas que deveriam ser consideradas na oferta da restauração. Pratos com diversidade alimentar, mas também pais e educadores mais críticos e exigentes. Contas feitas, o gosto educa-se.

  1. Abandonar a ideia de que as crianças são um item à parte nas ementas

Há que saber dizer não à ideia de que, nas ementas, a comida para as crianças deve apresentar-se como um item à parte, diferente do dos adultos. Os mais pequenos, findo o primeiro ano de vida, não só podem, como devem, ter no prato alimentos iguais aos dos adultos, respeitando as porções adequadas para a idade. A nossa gastronomia é riquíssima, com pratos diversos (sopas, arrozes, massas, diferentes confeções, como as jardineiras, os assados, os estufados, as cataplanas) e nutricionalmente ricos, com diversidade de alimentos. Uma diversidade que, quando experimentada, educa o gosto para a grande variedade de sabores.

  1. Hortícolas faltam nos menus infantis

Os hortícolas são parte inalienável da alimentação e muitas vezes ausentes nos menus infantis. A sopa, um dos elementos que contribui para o consumo de hortícolas, só por si não basta. Há que diversificar para atender às recomendações da Organização Mundial da Saúde. Há, como tal, que encontrar nas ementas diversidade nos hortícolas, apresentados em saladas coloridas ou sob a forma de legumes cozinhados, salteados, assados, grelhados, entre outros (de acordo com a tipologia de prato do restaurante).

  1. Pescado sim, mas não apenas douradinhos

Mais pescado, menos carne. Este pode ser o lema a adotar numa ementa equilibrada. O pescado é mais saudável e mais sustentável ambientalmente do que a carne e um elemento importante na Dieta Mediterrânica. As crianças devem de ser estimuladas a consumir pescado, assim como a adquirir competências de identificação e remoção das espinhas, não devendo ficar limitadas a ´douradinhos` e filetes.

  1. Mais criatividade nos acompanhamentos

Presença recorrente nas ementas infantis é a das batatas fritas. O apetite das crianças parece ser sinónimo de acompanhamento acabado de sair de uma fritura e que nada acrescenta à refeição. Isto, quando há uma panóplia de alimentos nutricionalmente interessantes para levar ao prato, para além das batatas fritas. Optando-se, de facto, pelas batatas, porque não apresentá-las assadas com ervas aromáticas? ou cozidas com pele de forma a preservarem mais sabor.  Ou ainda em puré, gratinadas. Acresce que, há vida nos acompanhamentos para além das batatas. As ementas podem oferecer leguminosas diversas, castanhas, arroz ou massa de diferentes formas. Falha a criatividade na apresentação e nos ingredientes.

  1. Fruta deve chegar à mesa mais barata do que o doce

Não menos importante, a sobremesa deve privilegiar as frutas face aos doces. Uma mudança que deveria de ocorrer paralela a uma apresentação mais apetecível e diversa das frutas nas ementas, assim como um preço mais acessível destas face aos doces.

  1. O brinquedo, uma recompensa por uma refeição saudável

Finalmente, uma estratégia para fomentar escolhas mais saudáveis, no caso dos restaurantes que oferecem brinquedos promocionais com o menu infantil, seria a do brinquedo como recompensa face a escolhas mais saudáveis, como a escolha da água, fruta, por oposição aos fritos, snacks e refrigerantes.

Cláudia Viegas é Professora Adjunta na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. Os seus principais interesses de investigação estão relacionados com Saúde Pública, em particular o que se relaciona com a Promoção e Proteção da Saúde em relação à Alimentação, Nutrição e Estilos de Vida.

Cuidados alimentares e atividades para crianças em tempos de COVID-19 – DGS

Abril 29, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Descarregar o documento no link:

https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/cuidados-alimentares-e-atividades-para-criancas-em-tempos-de-covid-19.aspx

Mais pizza e batatas, menos fruta e legumes. Trump quer reverter programa de refeições saudáveis nas escolas

Janeiro 28, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 18 de janeiro de 2020.

O presidente dos Estados Unidos quer reverter o programa de refeições escolares mais saudáveis, que Michelle Obama pôs em prática há oito anos. Em nome do desperdício alimentar, Donald Trump pretende dar às escolas mais flexibilidade nas suas escolhas. Indústrias alimentares agradecem, nutricionistas criticam.

O presidente americano Donald Trump anunciou na sexta-feira a intenção de reverter o programa que promove refeições mais saudáveis nas escolas dos Estados Unidos, iniciado por Michelle Obama. Ao atenuar as regras que obrigaram as escolas a aumentar a quantidade de frutas e legumes dadas aos alunos, o que acontece é que se abre a porta a mais pizzas, hambúrgueres, carne e batatas.

“As escolas dizem-nos que ainda há muito desperdício de alimentos e é necessário haver maior flexibilidade no senso comum para conseguir dar aos alunos refeições nutritivas e apetitosas”, referiu, em comunicado, o secretário da Agricultura Sonny Perdue, baseado na premissa de que os alunos descartam aquilo de que gostam menos e que isso deve ser mudado.

Os nutricionistas e organizações de saúde já contestaram a posição. “O Governo Trump continua a atacar a saúde das crianças sob o pretexto de simplificar os cardápios das escolas”, afirmou, em comunicado, Colin Schwartz, membro do Centro de Ciência de Interesse Público. E acrescentou ainda que esta ideia vai “permitir às crianças escolherem pizza, hambúrgueres, batatas fritas e outros alimentos ricos em calorias e gorduras [saturadas]”, em vez de haver “menus escolares equilibrados todos os dias”.

Citada pelo “The New York Times”, Juliana Cohen, professora de Nutrição na Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, considera que o programa lançado em 2012 por Michelle Obama “melhorou as dietas de milhões de crianças, sobretudo as mais vulneráveis que vivem em famílias com níveis elevados de insegurança alimentar”. O desperdício alimentar, acrescentou, “já era um problema antes de estes padrões alimentares mais saudáveis terem sido postos em prática, portanto revertê-los não irá resolver a questão”.

Também a presidente da Parceria para uma América mais Saudável, Nancy Roman, referiu que “não é apenas o que está no prato”, mas também a forma como a refeição “é preparada”. “As crianças precisam especialmente de ser expostas a frutas e vegetais que não sejam processados”, acrescentou.

14 milhões de crianças obesas nos EUA

Por outro lado, alguns sectores da indústria e do lobby alimentar aplaudiram a sugestão de Trump. Um dos exemplos, refere o “Guardian”, é a indústria da batata, que há já muito tempo que tentavam atenuar os padrões estabelecidos no programa nacional criado durante a administração Obama e que exigia maior consumo de fruta, vegetais e cereais integrais, obrigando à redução de sal, açúcar e gorduras. Michelle Obama foi a responsável por essa campanha por uma alimentação mais regrada e um estilo de vida mais saudável. “Let’s move” foi o nome da iniciativa lançada em 2012 e que visava também promover o exercício físico.

Estas novas medidas deverão abranger cerca de 99 mil escolas e 30 milhões de estudantes, entre os quais 22 milhões vivem em famílias com baixos rendimentos. Também se sabe que uma em cada cinco crianças e adolescentes nos Estados Unidos tem um peso acima do recomendado para a sua idade. São cerca de 14 milhões de crianças obesas e alterar a qualidade das refeições escolares era tida como uma forma eficaz de melhorar a sua alimentação.

Mais informações na notícia do The New York Times:

Trump Targets Michelle Obama’s School Nutrition Guidelines on Her Birthday

Gravidez: o que contribui para o aparecimento da obesidade na criança?

Dezembro 30, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle

Alguns fatores presentes na gravidez estão relacionados com o aparecimento do excesso de peso e da obesidade durante a infância:

  • Obesidade da mãe
  • Ganho de peso excessivo da mãe
  • Fumo do tabaco
  • Diabetes não controlada

Quais são as principais medidas a tomar durante a gravidez para prevenir a obesidade infantil?

Não se sabe ao certo como agem alguns fatores, como o fumo do tabaco, o ganho de peso excessivo da mãe, a obesidade da mãe e a diabetes não controlada durante a gravidez, para aumentar a tendência do bebé para ter excesso de peso na infância.

Mas existe uma série de explicações possíveis para isso. Com base nestes fatores, podemos sugerir algumas medidas que certamente contribuem para uma gravidez mais saudável e que são capazes de contribuir para a prevenção da obesidade no bebé:

  • Engravidar com um peso saudável
  • Ter bons hábitos de alimentação e atividade física durante a gravidez
  • Ter um ganho de peso adequado durante a gravidez
  • Não fumar
  • Diagnosticar e controlar a diabetes

É importante ter em conta que o aparecimento ou não da obesidade na criança não depende somente daquilo que acontece durante a gravidez. Após o nascimento e durante a vida da criança, os seus hábitos alimentares, de atividade física e de sono vão ser determinantes para o aparecimento ou não da obesidade. Ainda neste sentido a gravidez pode contribuir de forma significativa para a prevenção da obesidade na criança. Em primeiro lugar, dentro da barriga da mãe o bebé começa a ter contacto com os paladares da alimentação da mãe. Estudos indicam que a alimentação da mãe durante a gravidez pode influenciar as preferências alimentares do bebé. Assim, ter uma alimentação saudável durante a gravidez pode contribuir para a formação de bons hábitos de alimentação na criança.

Por outro lado, os hábitos alimentares e de atividade física dos próprios pais estão entre as mais fortes influências nos hábitos das crianças. A criança copia tudo aquilo que vê nas pessoas mais importantes que estão a sua volta.

A gravidez pode ser o motivo que falta para que a família siga hábitos mais saudáveis de alimentação, atividade física e descanso. Assim, será muito mais fácil e natural conseguir que a criança tenha também hábitos saudáveis de alimentação, atividade física e sono. Sabia que os hábitos de pequenino vão influenciar os hábitos e a saúde do seu filho para o resto da vida?

Como posso colocar em prática estas medidas de prevenção da obesidade infantil?

Se está a pensar em engravidar, comece por marcar uma consulta de planeamento familiar. Nesta consulta poderá esclarecer as suas dúvidas e vai receber as orientações necessárias para que a gravidez inicie da melhor forma para si e para o bebé.

Se já está grávida e ainda não marcou uma consulta de Saúde Materna, faça-o o quanto antes. Mantenha o acompanhamento durante toda a gravidez pois isso é fundamental para levar uma gravidez saudável e tranquila.

Como também pode verificar nesta secção, o melhor que pode fazer para si e para o seu bebé é procurar ter uma vida cada vez mais saudável, com bons hábitos de alimentação, atividade física e descanso. Para além dos benefícios que terão durante a gravidez, estará a construir um ambiente familiar mais saudável para a chegada do bebé. Se é fumadora, deve procurar ajuda para deixar de fumar, de preferência ainda antes de engravidar.

O pai e outros membros da família podem e devem aderir às mudanças no sentido de uma vida mais saudável. Assim estarão a ajudar a si próprios, à mãe e ao bebé. Será um início de vida promissor para o vosso filho e uma excelente oportunidade para toda família.

Muitas dúvidas vão surgir e o Papa Bem está aqui para ajudá-los neste sentido. Queremos alertá-los acerca da importância de uma “família saudável” para o bom desenvolvimento e para a saúde do vosso bebé e orientá-los para o alcance deste objetivo. Para isso, preparámos uma série de materiais com informações e sugestões para tornar as escolhas saudáveis mais atraentes e fáceis de se colocar em prática.

Para mais informações consulte www.papabem.pt

Hamburguer, bolonhesa ou douradinhos: como alterar os hábitos das crianças nos restaurantes?

Dezembro 17, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de dezembro de 2019.

Como incentivar as crianças a comerem coisas diferentes? “Antes de tudo, dando os adultos, o exemplo”, defendem os nutricionistas ouvidos pelo PÚBLICO.

Diana Vilas Boas

Apesar de nem todos os restaurantes terem menu infantil, os que têm optam, quase sempre, por oferecer carnes picadas em hambúrgueres ou bolonhesas, por batatas fritas ou massa. Também há nuggets ou panados e os legumes raramente estão presentes no prato. Quanto às bebidas, podem ser água, sumos do dia ou refrigerantes. Para sobremesa, há uma bola de gelado, gelatina ou fruta. Estas ofertas são transversais — seja no restaurante do hotel de cinco estrelas, seja no de bairro. Opções essas que, na maior parte das vezes, são “pouco saudáveis”, alertam os nutricionistas.

“As escolhas dos menus infantis pouco saudáveis não se reduzem à quantidade de gordura, sal e açúcar, o grande problema é que não se incentiva à presença de frutas e hortícolas” nos pratos, alerta Pedro Graça, nutricionista, professor e director da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP).

Para Cláudia Viegas, nutricionista e docente na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE), “o ambiente e oferta da restauração apenas reflecte os hábitos alimentares de casa”, pois, de acordo com os dados do último Inquérito Nacional de Alimentação e Actividade Física, os adultos não consomem frutas, hortícolas e legumes suficientes. Este é “um problema social”, alerta.

Então, por que oferecem os restaurantes estes menus? Porque os adultos que acompanham as crianças as deixam consumir esses produtos, e os restaurantes querem manter os seus clientes satisfeitos, responde Pedro Graça.​ Um exemplo concreto é o do restaurante Yours Bistrô, no Porto, que tinha um menu infantil composto por um mini-hambúrguer e por filetes de peixe feitos à mão, com batatas fritas ou arroz. Miguel Matos, gerente do restaurante, lamenta que as crianças prefiram douradinhos congelados, do supermercado, do que os caseiros, mais saudáveis. Por isso, o menu infantil desapareceu do cardápio, “não faz sentido existir e os miúdos só quererem congelados”, justifica.

Cláudia Viegas refere que a “palatabilidade” dos produtos — o que os torna agradáveis ao paladar —, fomenta o seu consumo. O crescimento do “sistema das refeições rápidas e já prontas” incentiva também o uso dos mesmos ingredientes na confecção; e o açúcar, sal e gordura são sabores “que conhecemos bem, e se associam ao sabor agradável e ao prazer”.

Usar as cores dos alimentos

Apesar disso, Pedro Graça defende que os restaurantes, se querem ter menus infantis, devem criá-los com critérios saudáveis e o apoio de nutricionistas. Por exemplo “pratos sazonais, para dar a conhecer os produtos de cada época, usando mais as cores dos alimentos como atracção, invés do açúcar, e incentivar o consumo de água e fruta” defende. Saber o valor nutricional dos produtos só seria interessante “se os pais conseguissem decifrar”.

Como incentivar as crianças a comerem coisas diferentes? “Antes de tudo, dando os adultos, o exemplo”, começa por dizer a professora da ESHTE. Se os alimentos aparecem à mesa, no dia-a-dia, aumenta a probabilidade das crianças adquirirem hábitos alimentares mais saudáveis. Insistir “com persistência, mas sem forçar”, dedicando tempo ao momento da refeição e fazendo dela “uma prioridade”. Por isso, incluir as crianças nas compras do supermercado e na preparação da refeição é uma forma de conhecerem melhor os alimentos que ingerem e, também, de passarem um bom tempo em família.

Mais do que a carne, os hortícolas são importantes, outra forma de incentivo que poderá ser utilizada é um maior conhecimento na confecção dos legumes, pois o mais comum é aprender a confeccionar pratos de carne e de peixe. “Os nomes dos pratos focam-se neste aspecto: ‘carne com…, peixe com…, bacalhau com …’. Socialmente não damos importância aos hortícolas, logo não desenvolvemos as técnicas apropriadas de preparação e confecção”, constata Cláudia Viegas.

Ambiente divertido

Sobre os menus desenhados para as crianças, a nutricionista considera que as doses servidas aos mais pequenos são “enormes”, e variam muito pouco — hambúrgueres, salsichas, nuggets, douradinhos, acompanhados de arroz e de batata frita, sem hortícolas e com inúmeras bebidas açucaradas à disposição, já “nem falando da sobremesa”, sublinha. Portanto, o ideal é que todos comam de forma saudável. À partida, em casa, não há pratos diferentes para adultos e crianças e, no restaurante, os miúdos “querem imitar os pais, logo um prato para pais e outro para os filhos não faz sentido”, considera Pedro Graça.

Além dos menus, os restaurantes procuram atrair as crianças através de espaços de diversão, no interior ou no exterior, com escorregas, jogos tradicionais ou individuais para colorir enquanto estão sentados à mesa. “Acho que quando os restaurantes oferecem muitos brinquedos não é bom sinal, pois estão mais preocupados em atrair as crianças através dos brinquedos do que pela comida que oferecem”, avalia o docente.

Já Cláudia Viegas considera que os espaços de diversão são “interessantes” para as crianças se divertirem enquanto os pais terminam a refeição, devido à sua dificuldade em permanecerem na mesa durante muito tempo. Contudo, esse deve ser gerido pelos adultos de forma a educar o estar à mesa”, conclui. Além do que é oferecido pelo restaurante, é comum ver as crianças agarradas aos tablets e telemóveis, perdendo-se assim o factor social em detrimento das novas tecnologias, lamentam os especialistas.

Consumo excessivo

De acordo com a Direcção-Geral de Saúde (DGS), o consumo máximo de gordura não deve exceder os 30% do valor energético diário, senão as crianças poderão sofrer de doenças cardiovasculares e circulatórias. O consumo excessivo de sal leva a “um risco alimentar evitável que mais contribui para a perda de anos de vida saudável”, revela a DGS. Já o açúcar pode levar ao aparecimento de diabetes.

A preocupação com a saúde alimentar dos portugueses tem sido tema de debate nestes últimos anos, tendo a DGS tomado várias medidas de combate ao problema. Em 2016 cerca de 30,7% das crianças sofriam de excesso de peso, e 11,7% de obesidade. No ano seguinte, foi criado o imposto especial de consumo sobre as bebidas adicionadas de açúcar e outros edulcorantes – incluído no Imposto sobre o Álcool e Bebidas Alcoólicas (IABA). Essa medida levou a indústria a alterar a composição dos produtos. Em 2017, as bebidas com elevado teor de açúcar passaram de 62% para 38% do mercado, diz o site oficial do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

No ano passado, além do imposto foi também feito um acordo com as indústrias para reduzir as quantidades de sal e açúcar nos produtos. Em 2020, a DGS espera “modificar a oferta alimentar em diversos espaços públicos, nomeadamente em todos os níveis de ensino e nas instituições do SNS”, pode-se ler no documento “Alimentação Saudável: Desafios e Estratégias 2018, elaborado pelo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável.

Texto editado por Bárbara Wong

2ª Conferência Estrelas & Ouriços “Como comem hoje as crianças portuguesas”, 26 novembro em Cascais

Novembro 23, 2019 às 6:33 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.conferenciasestrelaseouricos.pt/

Direcção-Geral da Saúde recomenda que creches não dêem bolachas, sumos e doces

Outubro 25, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de outubro de 2019.

DGS lança manual com recomendações sobre alimentação saudável para crianças até aos seis anos. Excesso de peso atinge 32,6% das crianças com idades compreendidas entre 1 e 3 anos em Portugal.

Ana Maia

Os “alimentos processados (por exemplo bolachas, cereais de pequeno-almoço) ou doces (como sumos, xaropes e mel) não deverão fazer parte da oferta alimentar das creches e infantários nem da rotina familiar”, defende a Direcção-Geral da Saúde (DGS). Esta é uma das várias recomendações que pais, educadores e profissionais de saúde podem encontrar no manual Alimentação Saudável dos 0 aos 6 Anos, lançado esta quarta-feira.

Uma das novidades do manual, que marca o Dia Mundial da Alimentação, são as recomendações direccionadas para berçários e creches, algo que até agora não existia. Para os jardins-de-infância e para as escolas existem várias normas que resultam de um trabalho conjunto entre a DGS e a Direcção-Geral da Educação.

O manual, que lembra que o excesso de peso atinge 32,6% das crianças com idades compreendidas entre 1 e 3 anos em Portugal, traz indicações sobre quantidades e a forma como devem ser introduzidos os alimentos. “A partir dos seis meses é hora de começar a diversificar a alimentação. Esta é uma oportunidade única para treinar o paladar e as texturas”, diz Maria João Gregório, directora do Programa Nacional para a Alimentação Saudável, da DGS.

A comida confeccionada para as crianças até um ano não deve ter sal e açúcar adicionados e “os alimentos introduzidos devem ser os da Roda dos Alimentos”. “Neste período deve-se variar a oferta alimentar e há alimentos proibidos: o açúcar e o sal adicionados e também os alimentos processados que têm adição de açúcar e sal”, aponta a responsável.

A partir dos 12 meses, a criança passa a partilhar a mesma alimentação da família. “Os pais têm um papel enquanto modelo e a creche também”, diz Maria João Gregório. Crianças pequenas comem doses pequenas, reforça a directora do programa nacional que destaca que “não se deve forçar” a criança a comer mais quando não quer, nem “não aceitar que repita a dose” para evitar o consumo excessivo. Sumos devem estar fora da ementa — a água é a bebida mais importante —, tal como os doces e os alimentos processados, que “poderão ser a excepção nos dias de festa”, dizem as recomendações.

Não existe uma avaliação à comida oferecida nas creches. Mas as respostas que os profissionais de saúde recebem dos pais quando questionam sobre a alimentação “não são muitas vezes as que gostaríamos de ouvir”, reconhece Maria João Gregório.

“O manual pretende uniformizar um conjunto de orientações e dar ferramentas para que os berçários, creches e jardins-de-infância estejam mais capacitados para poderem ser promotores de uma alimentação saudável”, refere, adiantando que faz parte dos objectivos do programa trabalhar em conjunto com a Segurança Social para avaliar a alimentação dada nestes espaços.

Primeiros mil dias de vida

A par do manual, a DGS apresenta também a primeira Estratégia Nacional para a Alimentação do Lactente e Criança Pequena, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde. Dedicada aos primeiros mil dias de vida — a começar durante a gestação —, a estratégia divide-se em cinco eixos e será coordenada pela antiga ministra da Saúde e pediatra Ana Jorge.

Um dos focos principais é a promoção do aleitamento materno. “Dados da Notícia de Nascimento digital (instrumento de registo do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil) no SNS, ainda não publicados (relativos a um período de 3 meses em 2017), permitem verificar que até à data da alta da maternidade 79,1% dos recém-nascidos tiveram aleitamento materno exclusivo. Destes, 45% mantinham aleitamento materno exclusivo aos seis meses”, diz o documento.

“Sabemos que para promovermos o aleitamento materno durante um maior período de tempo, será necessário implementar um conjunto de medidas para um ambiente mais facilitador”, assume Maria João Gregório. Entre as medidas a promover estão a criação de uma rede nacional de bancos de leite humano — actualmente só a Maternidade Alfredo da Costa tem um — e a criação/revisão de legislação que preveja a existência de espaços próximos dos locais de trabalho onde as mães possam amamentar.

A estratégia pretende também que as áreas da actividade física, estilos de vida saudáveis e nutrição com especial ênfase na prática do aleitamento materno sejam incluídas nos currículos de formação de professores, educadores e outros profissionais. Outro dos eixos passa pela aposta em investigação com o objectivo de se criarem políticas e programas nacionais nesta área.

 

 

Sim às papas, não à repetição do prato: 25 recomendações para bebés e crianças

Outubro 20, 2019 às 7:11 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Público de 16 de outubro de 2109.

A DGS lançou um manual recheado de recomendações. Diz, por exemplo, que não deve forçar a criança a comer mais, mas também que não deve deixar repetir. E que as refeições não devem ter mais de 30 minutos. Ou que as papas “normais” compradas podem ter benefícios em relação às bio e às caseiras.

Patrícia Jesus

Sabia que o primeiro ano é a fase em que mais se cresce durante toda a vida? Daí a importância da alimentação logo nos primeiros meses, mas também porque estas primeiras experiências moldam as preferências e a saúde/doença para a vida.

E depois do primeiro ano? Um novo manual da Direcção-Geral de Saúde (DGS) traz uma série de recomendações para uma alimentação saudável do nascimento aos seis anos, que valem para as famílias e para as creches e infantários. O objectivo é aplicar “a evidência científica mais recente” num documento de fácil leitura, que até tem propostas práticas.

Sabia, por exemplo, que não deve forçar a criança a comer mais quando não quer, mas também que não deve deixar repetir? Que as refeições não devem ter mais de 30 minutos? Ou que as papas “normais” compradas podem ter benefícios em relação às biológicas e às caseiras? Que não deve dar bolachas aos bebés com menos de um ano?

Bebés até um ano

O leite materno, em exclusivo, é o ideal para o bebé nos primeiros seis meses. O bebé deve ser alimentado quando pede.

– A mãe que amamenta deve ter uma alimentação variada e equilibrada e não precisa de excluir qualquer alimento da dieta.

– Quando os bebés não são amamentados, os pais devem optar por fórmulas pelo menos até ao final do primeiro ano, idealmente até aos 2-3 anos. E não deve ser excedido o volume de 180-210 ml por cada refeição.

– A partir dos seis meses de vida é essencial a introdução progressiva de outros alimentos, para treinar o paladar para novos sabores e texturas. Mas nunca sumos ou chá.

O bebé deve alimentar-se sentado, inicialmente à colher (sopas, papas, purés) e depois com colher e quando possível sozinho.

– A “auto-alimentação” (baby lead weaning) só deve adoptada quando exista comprovada segurança (neuromotora e nutricional) e sempre sob controlo do cuidador e vigilância médica.

– Deve ser respeitado o apetite da criança: logo, deixe a criança gerir a quantidade e respeite os sinais de auto-regulação do apetite. Esteja atento aos extremos, quando come sempre de mais ou de menos.

Sal e açúcar são proibidos no primeiro ano, o que exclui alimentos como sumos, sobremesas, bolos, doces e enchidos.

– No primeiro ano nada de alimentos processados, nem doces nem salgados – isto inclui, por exemplo, bolachas.

– Deve ser feita a suplementação com vitamina D pelo menos durante o primeiro de vida.

– Embora seja importante começar com a sopa, as papas são uma importante fonte de hidratos de carbono e, pela sua suplementação, são um importante veículo de vitaminas e minerais (ferro). E as comerciais “normais” até têm benefícios em relação às biológicas que não são enriquecidas e às caseiras, que “não são nutricionalmente seguras”.

– A proteína animal (carne ou peixe) não deve exceder as 30 g/dia, devendo oferecer-se carne quatro vezes e peixe três vezes por semana. O ovo pode ser introduzido a partir dos 8-9 meses de idade, até três vezes por semana, em vez da carne ou do peixe.

– Os alimentos devem ser progressivamente menos moídos, de forma a permitir a mastigação de alimentos moles aos oito meses.

– O iogurte natural pode ser introduzido aos 8-9 meses.

– Num bebé filho de mãe vegetariana, a realizar aleitamento materno, deve ser rigorosamente vigiada a suplementação materna em vitaminas e minerais e também ao bebé.

Depois de um ano

No final do primeiro ano de vida a transição para a alimentação da família deverá estar completa. Os pais são exemplos e esta é uma boa altura para melhorar a alimentação de toda a família.

Não permita repetições, incentive a comer devagar, respeite o horário das refeições e não mantenha a criança à mesa mais de 30 minutos.

Não substitua por outros alimentos aqueles que a criança não gosta e incentive à autonomia na mesa.

– É importante a alimentação ser variada — se houver uma recusa inicial de um alimento não desista e encoraje a experimentar coisas novas.

– Ofereça à criança apenas alimentos incluídos na roda dos alimentos.

O pequeno-almoço é importante, mas dê “cereais de pequeno-almoço” apenas de vez em quando, e não dê bolachas ou “pães doces” e embalados.

– As merendas devem integrar produtos lácteos (leite/iogurte/queijo), hidratos de carbono complexos (pão de cereais variados) e frutos. Bolachas e sumos apenas de vez em quando.

– Mantenha a sopa ao almoço e ao jantar.

– Ofereça água durante o dia e às refeições e deixe os sumos para os dias de festa – o leite não deve ser confundido com uma bebida, já que é um alimento.

– Por fim, a “criança pequena” tem necessidades alimentares “pequenas” e volumes “de adulto” estão totalmente desajustados das necessidades nutricionais desta idade, contribuindo para obesidade. Porções pequenas e variedade da oferta são fundamentais. E tudo completado com actividade física, aproveitando todas as oportunidades para pôr as crianças a mexer.

O manual citado na notícia é seguinte:

Alimentação Saudável dos 0 aos 6 anos : Linhas de Orientação para Profissionais e Educadores

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