Bicicleta e comida saudável fazem das crianças holandesas as menos obesas entre os países ricos

Agosto 13, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Menina anda de bicicleta entre os demais ciclistas de Amsterdã sem a supervisão dos pais (Foto: Mariana Timóteo da Costa/GloboNews)

Notícia e imagem do G1 Globo de 6 de julho de 2018.

Por Mariana Timóteo da Costa, GloboNews, Amsterdã, Haia e Roterdã

Só 7% das crianças holandesas de 11, 13 e 15 anos estão acima do peso; G1 publica série de reportagens sobre como a Holanda foi parar no topo dos países com as crianças mais felizes do mundo.

O percentual de crianças obesas na Holanda é o menor entre os países pesquisados pelo Unicef. Se nos EUA cerca de 30% das crianças de 11, 13 e 15 anos estão acima do peso, na Holanda o índice é 7%. Na França, outro país reconhecido pela alimentação saudável, o índice é 10%.

Apesar de o granulado de chocolate fazer parte de um lanche típico levado para as escolas, as crianças desde cedo fazem muito exercício porque andam para todo o canto de bicicleta. Além disso, iniciativas de prefeituras como a de Amsterdã vem reduzindo o consumo de açúcar e frituras nas escolas.

“Aos 6 anos já pedalava sozinha para a escola, aqui no bairro é tão tranquilo que nem precisamos de capacete, andamos sempre na ciclovia”, conta Ina Hutchison, hoje com 11, chegando de uma tarde no parque e no supermercado. “Vou sozinha, estaciono minha bike e faço as compras que minha mãe pediu.”

Desde quarta-feira (4), o G1 publica uma série de nove reportagens que investigam os fatores educacionais, econômicos e sociais por trás do sucesso holandês.

Mais bicicletas que pessoas

A Holanda tem 17 milhões de pessoas e 25 milhões de bicicletas. Ou seja, 1,3 bicicleta per capita. Na hora do rush em cidades grandes como Amsterdã, Roterdã e Haia, é comum ver mais bicicletas do que carros passando.

São mais de 35 mil quilômetros de ciclovias. Um holandês anda em média mil quilômetros por ano de bicicleta. E muitos desde cedo, como Ina Hutchison.

“A cultura da bicleta começa mesmo antes de as crianças aprenderem a andar, ou mesmo aprender a se movimentar com as pernas. Eu mesma só carrego ele aqui no bakfiet e ele adora”, diz a enóloga Agnes Demen, mãe de Jacob, de 1 ano.”

O bakfiet é uma estrutura de madeira que é colocada na bicicleta e usada para transportar crianças e compras de supermercado.

“É claro que o fato de as cidades serem planas e não termos problemas com segurança ajuda. Mas acho que é mais uma questão cultural mesmo. Aí a criança cresce e quer logo se deslocar de bicicleta”, acredita.

Agnes Demen transporta o filho Jacob na bakfiet, uma bicicleta adaptada para carregar crianças pequenas (Foto: Mariana Timóteo da Costa/GloboNews)

O granulado de chocolate levado de lanche, uma tradição holandesa, assim, não vira um vilão da alimentação.

Além do fato de as crianças fazerem muito exercício, prefeituras como a de Amsterdã iniciaram programas para estimular a alimentação saudável nas escolas. A Prefeitura parou de patrocinar eventos apoiados por marcas de fast-food e deu incentivo fiscais para escolas que, em suas lanchonetes, parassem de oferecer lanches processados ou com alto teor de açúcar.

O resultado foi uma redução de 12% do número de crianças obesas na cidade entre 2012 e 2015 – o que ocorreu especialmente no bairro de imigrantes.

“Aí foi um efeito cascata. Muitas escolas passaram a estimular apenas o consumo de água. Os pais começaram a mandar em vez de bolos para as festas de aniversário, frutas”, conta Leotien Peeters, da Fundação Bernard Van Leer, com sede na Holanda, dedicada à primeira infância, que advoca por mais saúde e bem-estar para crianças pequenas em vários países, incluindo no seu de origem.

Influência da nutrição na saúde

Uma das maiores cientistas da Holanda, Tessa Roseboom é professora de desenvolvimento infantil e saúde da Universidade de Amsterdã. Ela elogia as iniciativas da cidade ao perceber a influência da nutrição na saúde das crianças.

Autora de um estudo que provou que as doenças são influenciadas pela alimentação quando a criança ainda está no útero da mãe, ela diz que iniciativas como a de Amsterdã revertem tendências desses jovens terem doenças crônicas no futuro.

“Além disso permitirá que as crianças desenvolvam todo o seu potencial. A cidade de Amsterdã está se dando conta da importância de investir nesses primeiros anos da vida da criança”, afirma.

Outras cidades holandesas também programam atividades para promover vida saudável entre as crianças. Em Roterdã, é comum eventos como o que o G1 acompanhou, promovido pelas escolas públicas do bairro: uma caminhada de 5 km com a participação de cerca de 700 crianças e 400 pais.

“Adoro vir nessas caminhadas, faz nos sentirmos parte da comunidade e ainda fazem bem para a saúde”, diz a joalheira Diana Spierings, acompanhada do filho Jules e de um amigo.”

A empresária Nanja Totorla passeia animada com o filho Gianlucca, de 8. Logo, o menino dispara no meio da multidão.

“Já já ele volta, as crianças aqui são muito livres”, brinca.

 

 

“Não estamos a ensinar às crianças o suficiente sobre comida e exercício físico”

Fevereiro 12, 2018 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Entrevista da http://visao.sapo.pt/visaomais/ a Joe Wicks no dia 25 de janeiro de 2018.

Sónia Calheiros

Com dois livros publicados em Portugal, Joe Wicks é o personal trainer do momento, com dois milhões de seguidores no Instagram. Entrevista com o britânico The Body Coach, cujo plano de emagrecimento de 90 dias é comprado todos os dias por 500 pessoas.

O jornal britânico The Times chamou-o “Jamie Oliver do mundo do fitness” e não está longe da verdade. Há dois anos que Joe Wicks anda a dar conselhos práticos de receitas rápidas e saudáveis, juntando sempre os exercícios adequados para um estilo de vida mais mexido. E se Jamie Oliver tem o mérito de ter iniciado um movimento de refeições escolares saudáveis no Reino Unido, Joe Wicks, 31 anos, quer fazer algo semelhante mas com o exercício físico. Só no Reino Unido, o antigo professor de Educação Física, já vendeu mais de 2,5 milhões de exemplares dos seus livros, dois deles editados em Portugal, Elegante em 15 Minutos e, mais recentemente, Cozinha Fitness,com uma centena de receitas que incluem guloseimas ou hambúrgueres. Graças às suas dicas, partilhadas nas redes sociais e no canal do Youtube, e ao plano de emagrecimento, a venda de brócolos terá aumentado 25 por cento no Reino Unido.

Como é que um miúdo problemático passou a infância em Epsom, a uma hora de Londres?

Não acho que tenha sido problemático, diria mais que não sabia de que é que gostava e como havia de ocupar a minha mente. Em criança adorava estar com os meus irmãos, mas à medida que cheguei à adolescência dediquei-me ao exercício físico e encontrei a minha verdadeira paixão e em que é que queria pôr toda a minha energia.

A sua mãe não sabia cozinhar e servia muita junk food. Como eram as rotinas das refeições lá em casa?

Na verdade, não tínhamos rotinas definidas. A minha mãe era a primeira a admitir que não era a melhor na cozinha, por isso foi sempre engraçado ver o que era servido na hora das refeições. Sou muito chegado à minha mãe e à medida que fui crescendo e aprendendo a cozinhar, ela também passou a preparar refeições muito saborosas.

Foi uma sorte não ter sido um jovem obeso, não acha?

Sempre corri muito e na escola adorava Educação Física, enquanto em casa brincava com os meus irmãos. Tinha muita energia!

Que memórias gastronómicas guarda da sua avó Kath?

A minha avó é uma lenda. Na infância, costumava fazer um guisado incrível para mim e prometi-lhe que iria incluir a receita num dos meus livros, ela nem queria acreditar. É uma receita muito saborosa e é bom pensar que outras pessoas provam o sabor delicioso da sua receita.

 

As receitas dos seus livros devem ser deliciosas e têm um aspeto maravilhoso. Com quem aprendeu a cozinhar?

Sou um autodidata. Nunca me quis afirmar como um cozinheiro profissional, sou mais de refeições práticas, rápidas e saudáveis que ajudem as pessoas a ficarem magras. Obviamente, tenho sempre presente a questão nutricional de cada receita, mas também do que vai ficar bem no prato e levar os outros a quererem cozinhar.

Concorda que a educação alimentar tem de ser incutida desde a infância?

Acho que não estamos a ensinar o suficiente às crianças sobre comida e exercício e de como devemos alimentar o nosso corpo. Houve, realmente, mudanças desde a minha infância, mas ainda há muitas crianças a crescerem sem entenderem como se trata do seu corpo.

O jornal The Times apelidou-o de “Jamie Oliver do mundo do fitness”. Não podia ter tido melhor publicidade, não acha?

Para mim, o Jamie é um verdadeiro herói e tive a sorte de o conhecer melhor nos últimos anos. O seu movimento de refeições escolares saudáveis no Reino Unido foi inspirador e quero fazer algo semelhante com o exercício físico nas escolas. É vital que as crianças se mexam e gostem de educação física para serem mais produtivas na escola, tenham mais concentração e desenvolvam uma paixão pelo hábito de praticar exercício regularmente.

Já disse que sempre quis mudar a vida das pessoas. Algum dia imaginou que as suas dicas chegariam a milhões de pessoas em todo o mundo?

Não, e continuo a lembrar-me do tempo em que era apenas eu na minha cozinha a publicar pequenos vídeos para meia dúzia de pessoas. É uma loucura, mas estou muito agradecido por isso.

Porque é que a palavra “dieta” o irrita tanto?

Simplesmente porque acho que as dietas não funcionam. As metas de curta duração, que, normalmente, obrigam a privações, já todos sabemos que não resultam a longo prazo. Ficar magro e tonificado é uma opção de um estilo de vida, é uma questão de fazer boas escolhas alimentares e praticar exercício quatro a cinco vezes por semana para depois dar-se ao luxo de fazer algumas asneiras.

Os hidratos de carbono são o novo inimigo?

De todo, as pessoas não devem ter medo dos hidratos de carbono. O nosso corpo precisa deles para repor os níveis depois do exercício, por isso aconselho sempre uma refeição rica em hidratos no pós-treino em todos os meus livros.

Porque é que hábitos como comer em casa são tão importantes para ter uma alimentação saudável?

É uma questão de mentalidade. Se comermos em casa a probabilidade de fazer escolhas mais saudáveis é maior do que se formos a um restaurante. Digo a toda a gente para preparar as refeições como se fosse um chefe, o que inclui um plano de refeições semanal – se se fizer isso terão menos tentações de picar snacks.

Mas beber água, dormir bem e praticar exercícios de alta intensidade também são fundamentais?

É muito importante para nos sentirmos bem no nosso corpo. Costumo dizer que quatro a cinco treinos de alta intensidade (HIIT) por semana é um bom caminho para se emagrecer e todos temos 20 minutos por dia para nos exercitarmos.

Ao lembrar-se da sua juventude, compreende que nem todas as pessoas podem comprar carne e peixe todos os dias.

Não é necessariamente caro fazer refeições saudáveis, porque, na verdade, as frutas e os legumes custam muito menos do que a comida de plástico e os take-aways. Planear as refeições com antecedência permite também poupar no orçamento.

Qual é o seu plano para salvar as pessoas da indústria das dietas, com tantos batidos a substituírem as refeições?

Estou determinado a continuar a espalhar a minha mensagem em todo o mundo, com conteúdos gratuitos nas redes sociais, entre exercícios, receitas e dicas. A minha missão é emagrecer o mundo.

https://www.instagram.com/p/BeNYhwXnGji/?utm_source=ig_embed&utm_campaign=embed_ufi_test

 

Lançamento da 2ª Edição do Projeto Selo Saudável | Apresentação do Livro de receitas “Natal Saudável com Zero Desperdicio” 18 dezembro em Lisboa

Dezembro 18, 2017 às 9:00 am | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://nutrimento.pt/noticias/apresentacao-do-livro-natal-saudavel-com-zero-desperdicio-e-lancamento-da-2-a-edicao-do-projeto-selo-saudavel/

PUDIM | O Rebento – Companhia Cepa Torta – Teatro infanto-juvenil na Malaposta – 10 dezembro

Dezembro 8, 2017 às 6:07 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.malaposta.pt/2017/12_dezembro/teatro_pudim.html

https://www.facebook.com/events/140404666719647/

 

Ainda há escolas a vender alimentos pouco saudáveis

Outubro 25, 2017 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 25 de outubro de 2017.

Joana Capucho

Cachorros, bolachas de chocolate e refrigerantes continuam à venda cinco anos depois de a orientação do governo o proibir

Pedro vive na zona da Grande Lisboa, onde a filha frequenta uma escola pública do 2º ciclo. Recentemente, foi surpreendido com fotografias do bar da escola, que cedeu ao DN, nas quais é visível a oferta de alimentos pouco saudáveis: mini-pizzas, cachorros, waffles com xarope de chocolate, folhados. Uma situação que o deixou descontente e que também foi relatada ao DN por outros pais. Queixam-se da venda destes e de outros produtos como croissants com chocolate, bolachas de chocolate com recheio e bebidas açucaradas, alimentos que já não deviam ser vendidos nos estabelecimentos de ensino.

Cinco anos após a publicação das orientações para os bufetes escolares pela Direção-Geral da Educação (DGE), há escolas que continuam a vender alimentos prejudiciais à saúde, tanto nos bares como nas máquinas de venda automática. Existe uma lista de alimentos a disponibilizar, a limitar e a não disponibilizar, mas não é cumprida em todos os estabelecimentos de ensino. “Em teoria, isto não deveria acontecer. Não estão a ser cumpridas as orientações. De vez em quando, recebemos algumas queixas dos pais relacionadas com o que se vende nos bares e nas máquinas e com o que serve nas cantinas. São situações pontuais, mas isso não significa que o problema seja grande ou pequeno, porque nem todos os pais têm conhecimento do que se passa nas escolas”, diz ao DN Pedro Graça, Diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde.

Na opinião de Pedro Graça, “há um problema relacionado com a falta de fiscalização/verificação do cumprimentos das normas”, mas também “há alguma demissão por parte dos pais, que não vão às escolas onde os filhos andam”. As próprias escolas e autarquias “deviam munir-se de técnicos especialistas capazes de aferir a qualidade dos produtos que são vendidos, verificar se as normas são cumpridas e promover alterações”. Quanto às máquinas de vending, “é uma questão de fiscalização, porque se forem cumpridas as regras, não são nefastas”.

Contactado pelo DN, o Ministério da Educação remete para o Ofício Circular n.º 7/DGE/2012 Bufetes escolares – Orientações e diz que “a Inspeção Geral da Educação e Ciência zela pelo cumprimento” dessa recomendações. Apesar de serem “orientações”, o gabinete de Tiago Brandão Rodrigues diz que não são facultativas e têm que ser cumpridas por todos os diretores de agrupamentos.

Já os diretores dos agrupamentos, reconhecem que estas máquinas são uma fonte de rendimento, mas dizem desconhecer situações de incumprimento. “Existem regras muito claras sobre o que se pode ou não vender nos estabelecimentos de ensino. Há escolas, como aquelas onde há ensino noturno e recorrente, onde podem existir alguns desses produtos nas máquinas para os alunos da noite. Admito que possam existir casos desses, mas não tenho conhecimento de nenhum”, afirma ao DN Manuel Pereira, diretor da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), destacando que “cada escola decide o que vende, tendo em conta as recomendações”.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), diz que sabe que há escolas onde existem máquinas – não é o caso da sua – mas também não conhece instituições que não cumpram as orientações da DGE. Nem tão pouco bufetes. “Não podem ser vendidos alimentos proibidos. Isso não pode acontecer. E não tenho conhecimento de diretores que autorizem aquilo que as diretrizes não aconselham e até proíbem”, refere, acrescentando que “a responsabilidade é das direções, não só das máquinas, mas também do que se consome nos bares das escolas”.

Tal como acontece nos outros locais onde existem máquinas de vending, estas são uma fonte de receitas para as escolas, que recebem uma percentagem das vendas. Além disso, sublinha Filinto Lima, muitas vezes “atenuam o constrangimento da escassez de funcionários” nas instituições de ensino. “Não vejo mal nenhum que existam máquinas nas escolas, desde que só tenham os alimentos que são permitidos pela DGE. Há uma grande preocupação das escolas em relação ao que é servido aos alunos. Se estão a ser vendidos produtos que não são permitidos, a situação tem que ser corrigida”.

Pais devem estar atentos

Manuel Pereira diz que, caso os pais detetem que as escolas estão a vender produtos com elevados teores de açúcares ou de gorduras, devem falar com os diretores dos agrupamentos. Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais também desconhece situações de incumprimento, mas destaca que “não são os pais que estão permanentemente dentro das escolas”. “A primeira responsabilidade é dos adultos que lá estão. Os pais têm que estar atentos, mas há famílias que acham natural dar à criança um Bollycao para o pequeno almoço”, denuncia. Por isso, propõe, “é necessário capacitar os pais, para que percebam os prós e contras, para que estejam informados”. Um trabalho, frisa, que devem ser feito pelas escolas e pelas associações de pais.

Cabe às escolas, afirma Jorge Ascenção, “dar o exemplo” no que diz respeito à alimentação saudável. “Não pode vender produtos nocivos à saúde. E deve também fazer o acompanhamento para que a criança se possa auto-proteger. Se a educação e o acompanhamento forem bons, evitamos que vão comprar produtos pouco saudáveis a 100 metros da escola”, sublinha.

Além do trabalho que tem que ser feito nos estabelecimento de ensino e em casa, Filinto Lima considera que é “necessário atuar junto das empresas que ficam próximas da escola” e onde as crianças e adolescentes encontram todos os produtos que esta não deve disponibilizar aos alunos. “A escola cumpre, mas há alguém a 10 metros que vende tudo o que está proibida de vender”, critica. Uma situação que, segundo Pedro Graça, é difícil de resolver “do ponto de vista legal”, mas que “pode ser pensada”. Até lá, sugere, “os pais podem, em conjunto com os diretores, tomar decisões para que os filhos não saiam da escola para comer”, enquanto esta deve “perceber o que leva a criança a sair, tentando oferecer-lhe alternativas atrativas”.

 

 

 

Estudo revela que 6 em cada 10 crianças portuguesas não ingerem fruta e legumes

Outubro 8, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.dnoticias.pt/ de 25 de setembro de 2017.

A Madeira ocupa o terceiro lugar com 69,8% de crianças nesta situação

Sandra Ascensão Silva

Um estudo da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) revela que 65% das crianças em Portugal, entre os 2 e os 10 anos, não cumpre a recomendação internacional da Organização Mundial de Saúde (OMS) para uma ingestão mínima de três porções de fruta e duas porções de legumes diárias. Esta é uma das principais conclusões do mais recente estudo divulgado pela (APCOI) que aponta o grupo etário dos 6 aos 7 anos o que registou um maior consumo de fruta e de legumes inferior às recomendações com uma percentagem de 68,2%. +

O estudo também observou as diferenças regionais relativamente à ingestão de fruta e legumes, tendo observado que a Região dos Açores apresentou a maior percentagem de crianças com consumo inferior às recomendações com 84,7%, seguindo-se a Região do Algarve com 78,2%, a Região da Madeira com 69,8%, a Região de Lisboa e Vale do Tejo com 66,8%, as Regiões do Norte e do Alentejo ambas com 63,4% e por fim a Região Centro com 62,5%.

Os investigadores concluíram que 85,8% dos alunos almoça diariamente no refeitório da escola e que mais de metade desses alunos (54,5%) que refere não incluir legumes no prato também não chega a atingir a recomendação da OMS para a ingestão de pelo menos 2 porções de legumes por dia.

Por outro lado, os dados demonstram também que as crianças obesas são as que menos legumes ingerem, com uma prevalência de 38,3% de consumo inferior às recomendações.

Mudanças nos hábitos dos alunos participantes no projecto ‘Heróis da Fruta’

A equipa de investigadores da APCOI, analisou os efeitos da implementação da 6ª edição do projecto ‘Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável’ nas alterações de hábitos alimentares dos alunos participantes.

Comparando os dados iniciais, com os recolhidos após as 12 semanas de participação no projecto ‘Heróis da Fruta’ observou-se que globalmente 41,9% das crianças aumentou o seu consumo diário de fruta.

Para além disso, observou-se que 43,3% das crianças terminaram a sua participação no projecto com um consumo de fruta de acordo com as recomendações, correspondendo a uma subida de 12,2% comparativamente com os hábitos de consumo que mantinham no momento inicial do projecto.

Todas as regiões verificaram um aumento da prevalência de crianças a reportarem consumir três ou mais porções de fruta após a implementação do projecto, tendo sido a Região do Algarve a registar a maior subida com uma percentagem de aumento de 17,3%. Seguindo-se a Madeira com um aumento de 15,4%, o Norte com 15%, Lisboa e Vale do Tejo com 12,4%, o Centro com 10,6%, os Açores com 10% e finalmente o Alentejo com 8,3%.

Metodologia do Estudo

Esta investigação da APCOI foi realizada junto dos alunos participantes na 6ª edição do projecto ‘Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável’ no ano lectivo 2016-2017. A recolha de dados, através da aplicação de um questionário antes e depois das 12 semanas de intervenção do projecto, foi reportada à APCOI pelos professores e decorreu entre os dias 16 de outubro de 2016 e 20 de janeiro de 2017. A amostra global deste estudo é composta por 17.698 crianças com idades compreendidas entre os 2 e os 10 anos de 388 estabelecimentos de ensino pertencentes a 139 concelhos dos 18 distritos continentais e das duas regiões autónomas: Açores e Madeira.

Inscrições abertas para a 7ª edição do projecto «Heróis da Fruta»

Depois do sucesso obtido no último ano lectivo, já estão a decorrer as inscrições para a 7ª edição do projecto «Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável» que pretende continuar a melhorar os hábitos alimentares das crianças nas escolas.

“Comer legumes para aumentar os super poderes” é o tema do ano da 7ª edição do projecto, refere Mário Silva, presidente e fundador da APCOI e acrescenta que “tendo em conta as impressionantes estatísticas de sucesso obtidas nos anos lectivos anteriores em relação ao aumento do consumo de fruta nas crianças participantes, será muito interessante estender estes resultados positivos aos legumes e conseguir pôr as crianças portuguesas a comer mais saladas e vegetais no prato, ao almoço e ao jantar, todos os dias”.

A adesão à 7ª edição do projecto «Heróis da Fruta» é gratuita e está disponível para jardins de infância, escolas de 1º ciclo do ensino básico, bibliotecas escolares e ATL’s, públicos ou privados, sendo apenas necessária uma inscrição através do endereço http://www.heroisdafruta.com/ou do telefone 210 961 868 até ao dia 13 de Outubro de 2017.

 

 

“Assalto às Lancheiras” musical infantil – 7 outubro Lisboa, 19 fevereiro 2018 Porto

Setembro 22, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://plano6.pt/novosite/detalhe.asp?n=43

 

A Escola promovendo hábitos alimentares saudáveis

Setembro 10, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Livros, Recursos educativos | Deixe um comentário
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descarregar o manual no link:

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/horta.pdf

“A lancheira escolar deve refletir os bons hábitos alimentares em casa”

Setembro 7, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.sapo.pt/

Que alimentos devemos incluir na lancheira escolar dos nossos filhos? Definitivamente, um “não” aos produtos processados e um “sim” sorridente às frutas frescas e secas, pães integrais, lacticínios não açucarados. Cláudia Viegas, nutricionista e docente, traça o roteiro para um regresso às aulas mais saudável.

Cláudia, dado irmos nesta conversa abordar os lanches escolares, julgo que seria interessantes percebermos a importância desta refeição no desenvolvimento da criança.

Um princípio base da nossa alimentação é o de comermos a intervalos regulares. O nosso organismo tem a capacidade de nos disponibilizar energia nos períodos em que estamos sem comer. Se esses intervalos se tornarem demasiado longos, vamos buscar essa energia a processos menos benéficos e que, inclusivamente, dão mais trabalho ao nosso organismo. Não é isso que se pretende. Nestas situações, muitas vezes, o nosso organismo acaba por fazer um esforço muito maior para manter os níveis de glicose. Esta é um açúcar e é o nosso combustível mais eficiente. No caso de uma criança manter os níveis de glicose no sangue é muito importante. Daí decorre que não devem passar mais de três horas de intervalo entre cada refeição. Mas, atenção, devemos fornecer essa glicose com alimentos de boa qualidade.  Ou seja não queremos ir buscar glicose ao açúcar, gomas, sumos, bolos, mas sim à fruta, cereais de boa qualidade, menos refinados, leguminosas.

A lancheira que a criança leva para a escola não é mais do que uma extensão dos hábitos que tem em casa. O que devemos ter em conta quando falamos de alimentação infantil?

Essa é uma questão  muito importante. O que vai na lancheira deve, de facto, ser uma extensão do que a criança come em casa. A alimentação infantil equilibrada tem regras básicas. Devemos preferir os alimentos no seu estado mais natural e pouco processados. Tudo o que está numa embalagem, processado, salvo raras exceções, não deve estar numa lancheira infantil. No que respeita aos leites, os não açucarados. Já o iogurte, não deixando de ser um produto processado, é uma boa opção. Um sumo não o é. É claro que terão de ser iogurtes com menos açúcar. Não sou apologista de iogurtes com adoçantes ou light. No que respeita ao consumo de adoçantes, está demonstrado não ser aconselhado no caso das crianças. Isto porque é mais fácil ultrapassarem as doses máximas admissíveis. Um alimento que tem adoçante não deixa de nos conferir a apetência para o sabor doce. Ou seja, ao consumir alimentos doces, sem açúcar, mas com adoçante, treino o meu gosto para coisas doces e vou continuar a procurá-las e a consumi-las. Há estudos que demonstram que o consumo de alimentos com adoçantes, contribui para o excesso de peso e não a perda, através do mecanismo que referi atrás.

No caso do pão, devemos privilegiar aquele que se compra na padaria, não pães com chocolate, por exemplo. Ainda no que respeita a este alimento, convém distinguir diferentes tipos de pão. Deverão conter farinhas menos refinadas, de centeio ou integrais. Há que evitar o pão branco. E, claro, afastar os bolinhos e bolachas.

As sempre presentes bolachas…

Existe uma tendência grande para se considerar que as bolachas são alimentos inócuos. Mas não o são. Têm açúcar, gordura de má qualidade. Umas bolachas podem ter entre 15 a 25 gramas de gordura por cada 100 gramas. Dou como termo de comparação um iogurte gordo. Tem 3 gramas de gordura por cada 100 gramas de produto. Além disso quando comemos um iogurte ingerimos 125 g ou 150 g do alimento [capacidade média das embalagens]. Quando comemos bolachas, um pacote tem normalmente 200 g.

Também amiúde referidos quando falamos na alimentação infantil são os cereais embalados. Há que afastá-los?

Os cereais, na maioria dos casos, contém muito açúcar e um índice glicémico elevado. Todavia, não sendo a regra na alimentação da criança, podemos inclui-los na lancheira para acompanhar, por exemplo, com iogurtes. Uma excelente alternativa aos cereais açucarados é, por exemplo, a aveia.

Que estratégias podemos implementar para inverter um cenário de uma criança já viciada no açúcar, no sal, nas gorduras?

Há um aspeto que é fundamental, o exemplo. As crianças copiam o que observam à sua volta. Se quero que a criança passe a comer pão, ao invés de bolachas, enquanto educadora tenho de dar esse exemplo. As crianças são também extremamente recetivas às explicações. Explicar porque deve optar pelo pão em vez da bolacha, ou do iogurte em vez das bebidas açucaradas. Se houver maior resistência, então vamos optar por fazer uma redução gradual do açúcar e dos alimentos processados. Se a criança estiver habituada a comer um bolo todos os dias ao lanche, faz-se uma transição gradual.

No fundo estamos a falar de questões que têm não só um impacto na saúde a curto prazo, mas também a longo prazo, certo?

É importante que os adultos compreendam o impacto que a alimentação tem na saúde da criança. Tendemos a não nos preocuparmos ou a valorizarmos esta questão porque não tem efeitos imediatos. O impacto da alimentação sente-se no longo prazo, mas é real. Uma criança obesa vai ter maior probabilidade de ser um adulto obeso, com todas as consequências que conhecemos. Enquanto criança obesa pode sofrer de problemas de autoestima, de ossos, respiratórios, cardiovasculares que lhe vão diminuir a qualidade e a esperança de vida. Acresce as crianças que não têm bons hábitos alimentares, mas não são, ainda, obesas. E então valorizamos ainda menos, porque não há nada visível. E esse é o principal problema, não é porque não vemos que os efeitos no nosso corpo não se estão a fazer sentir. Apesar de não vermos, temos de ter consciência, que os maus hábitos têm consequências reais para a saúde.

Que alimentos são indispensáveis numa lancheira escolar?

Se pensarmos em termos de nutrientes, a lancheira escolar deve incluir uma fonte de hidratos de carbono, como o pão ou algo similar ao pão. Deve ter uma fonte de cálcio ou lacticínio, que pode ser o queijo no pão, embora este não seja um substituto regular para o iogurte ou leite que devem estar incluídos. Finalmente, uma peça de fruta, uma fonte de vitaminas, minerais, com uma boa dose de vitamina C.

Variar a lancheira pode ser uma dor de cabeça para os pais. Como podemos estabelecer um esquema semanal para a lancheira?

Essa questão da rotina pode ser encarada desta forma: provavelmente a criança não se chateia de levar as mesmas bolachas diariamente para a escola. Ora, porque se há de aborrecer com o pão? Há muitos tipos de pão e muita variedade no que nele podemos incluir. Por exemplo uma compota. A quantidade que usamos não se vai traduzir em muito açúcar. Temos o fiambre, o queijo, a manteiga. Podemos ser criativos e incluir a alface e o tomate, ou orégãos e azeite. Podemos levar a criatividade mais longe. Em vez de pão, fazemos um húmus, um triturado de grão, com alguns condimentos, como limão, azeite, alho. Acrescentamos uns palitos de cenoura para embeber no húmus. Até podemos levar uma tigelinha com grão-de-bico que quase se come como pipocas. Podemos, ainda, ir variando os sabores dos iogurtes, das frutas.

Se quisermos ir mais longe, podemos fazer biscoitos caseiros, com as crianças ao fim de semana. Levar as crianças para a cozinha é uma excelente forma de treinarmos as suas competências culinárias. Muitas famílias alimentam-se mal porque não sabem cozinhar. Não conhecem os alimentos. Isto tem de ser treinado e ensinado ao longo da vida. Além disso é uma excelente forma de passarmos tempo com os nossos filhos.

consultar as imagens com informações no link:

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“Dá mais trabalho ensinar um miúdo a comer do que dar-lhe um tablet”

Abril 3, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt/ de 20 de março de 2017.

Romana Borja-Santos

Filipa Sommerfeldt Fernandes garante que há truques simples para conseguir que as crianças apreciem a comida “sem fazer um circo”.

Chega a hora da refeição e começam os problemas e o choro. Colheres que entram à força na boca das crianças ou apenas com a ajuda de um repertório infinito de músicas, coreografias ou vídeos num tablet. O cenário parece-lhe familiar? “Comer deve ser um momento natural. Não é preciso fazer disso uma festa nem um cavalo de batalha”, diz Filipa Sommerfeldt Fernandes que é especialista em ritmos de sono. Nos últimos tempos, dedicou-se, contudo, a outro tema: como acabar com as guerras à mesa e incentivar as crianças a terem uma alimentação mais saudável e variada.

Nas várias consultas com os pais, a criadora da página “Sleepy Time — Especialista do Sono” foi-se apercebendo de que as birras à mesa — mais tarde ou mais cedo — são também um problema comum e começou a estudar o assunto para conseguir dar respostas com mais fundamento, sem ser apenas baseada na experiência com os dois filhos, de quatro anos e de um ano.

As suas ideias acabam de ser publicadas no livro Comer sem Birras (editora Manuscrito). Filipa Sommerfeldt Fernandes, de 35 anos, salvaguarda que não é médica nem nutricionista e, por isso, o manual não pretende dar sugestões de menus, mas sim explicar como tornar os momentos à mesa “num momento sem ansiedade”.

Há estratégias para várias idades, “desde a introdução da alimentação complementar, aos seis meses, até aos oito anos”.

“Normalmente as grandes questões de ficarem esquisitos dão-se a partir do ano e meio a dois anos, em que rejeitam mais as novidades”, explica ao PÚBLICO a autora, lembrando que, “no primeiro ano de vida, os bebés quase quadruplicam de peso e depois a necessidade calórica também abranda”.

O primeiro conselho passa por “descomplicar”. Filipa Sommerfeldt Fernandes, cuja formação de base é em comunicação, tendo após o nascimento do primeiro filho feito formações na área do sono e alimentação, considera que, por vezes, o problema está do lado da expectativa dos pais, que acreditam que “as crianças precisam de comer quantidades enormes e de deixar o prato vazio”.

Quanto tempo à mesa?

“É preciso avaliar o dia todo. Há miúdos que petiscam o dia inteiro bolachas, fruta, queijo e na hora da refeição não comem. Mas olhando para as 24 horas até comeram uma boa quantidade”, prossegue. Para quem está a começar a introdução da alimentação, recomenda que evitem a tentação de “fazer grandes circos” e que estabeleçam rotinas, apresentando desde cedo vários alimentos que toda a família come. Da mesma forma, alerta que também o tempo que se exige que uma criança fique sentada à mesa deve ser ajustado à idade. “Há pais que acham que as crianças devem aguentar mais de uma hora sentadas.”

O ideal, defende a autora, é que o momento da refeição seja vivido em família e de forma natural: não é preciso festejar porque a criança comeu tudo, mas também não vale a pena forçar nos dias em que não quer. “Mas se não quer comer então devemos esperar pela próxima refeição, para os miúdos perceberem que se não comerem naquele momento também não vão comer bolachinhas entretanto.”

Lembra, contudo, que os casos sistemáticos de rejeição a novas texturas devem ser conversados com os médicos de família, pediatras ou terapeutas da fala, para excluir alguns casos de doenças que podem reflectir-se numa “hipersensibilidade oral” da criança.

Quanto aos principais erros dos pais, considera que dão até demasiado tarde purés de legumes e de frutas às crianças, que acabam por não ter contacto com outras formas e texturas dos alimentos. “É normal que em algumas fases os miúdos sejam esquisitos em experimentar coisas novas, mas isso não significa que os pais devem deixar de apresentar novos alimentos. Quanto mais familiar um alimento for, mais facilmente será aceite pela criança.”

Depois, considera que há problemas transversais à sociedade e que acabam por ter repercussões em casa. “Somos pais com menos tempo e temos demasiadas solicitações externas. Acabamos por ter menos paciência e queremos apressar as crianças, porque queremos que comam bem e durmam cedo. Apressamos demasiado os nossos filhos e não lhes damos tempo. Dá muito mais trabalho ensinar um miúdo a comer do que dar-lhe um tablet para a mão para garantir que ele abre a boca”.

Explorar com as mãos

Entre algumas das sugestões, Filipa recomenda que desde cedo as crianças possam explorar alimentos com as próprias mãos. “Devemos colocá-los num prato e ter talheres por perto, porque eles aprendem por mímica. A hora da refeição é o único momento em que as crianças sentem que podem controlar e fechar a boca. Se os deixarmos também participar na escolha do que comem isso torna o momento mais natural.”

É também importante que os alimentos sejam oferecidos como se fossem iguais, sem haver a tentação dos pais dizerem que uma bolacha é melhor ou mais saborosa do que brócolos “ou que se comerem tudo têm direito a sobremesa”.

Para quem já vai tarde e está em fase de plenas birras, o passo número um sugerido passa por aquilo a que Filipa chama de “limpar o ar”. Ou seja, num período de aproximadamente uma semana não pressionar para comer e oferecer apenas o que as crianças gostam. Progressivamente, a ideia é oferecer o que elas gostam mas com formas de preparação diferentes e, então, começar a juntar aos poucos ingredientes novos ou menos amados.

O ideal, defende a especialista, é não dar demasiada atenção à reacção da criança nem estar sempre a perguntar se gostou ou não de algo. “O paladar educa-se. Antes, os miúdos comiam o que os crescidos comiam, que era o que havia em casa e tornava as coisas mais fáceis e naturais”, insiste, apesar de lembrar que é importante nas refeições em família ter cuidado com o sal e açúcar para os mais novos.

As oito principais dicas:

  • Comece por “limpar o ar” e retirar pressão do momento da refeição. Isto significa que não se deve enervar ou mostrar que se enerva com a forma como corre a refeição;
  • Dê um período de tréguas, em que oferece apenas o que a criança mais gosta de comer, variando na apresentação e texturas;
  • Continue a oferecer o que a criança gosta, mas misturando pouco a pouco alimentos novos e aqueles que sabe que antes rejeitava. Uma vez mais, não pressione e evite disfarçar os alimentos.
  • Dê o exemplo. Se comer pizzas, doces e refrigerantes ao pé dos seus filhos dificilmente eles vão querer peixe cozido com legumes;
  • Inclua as crianças na escolha e confecção das refeições;
  • Estabeleça rotinas e horários, assegurando-se de que a criança não está demasiado cansada quando come;
  • Não force a comer tudo o que está no prato nem pergunte a toda a hora se gostou;
  • Não use a comida como moeda de troca.

O que diz a Sociedade Portuguesa de Pediatria?

A pediatra Henedina Antunes, da Comissão de Nutrição e da Sociedade Portuguesa de Pediatria e da Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica, não conhece o livro de Filipa Fernandes. Mas não tem dúvidas: as crianças devem explorar os alimentos com as mãos desde cedo. “Os pais têm a oportunidade de tocar nos alimentos quando os preparam. Já as crianças, quando comem, é natural que queiram ter contacto com a textura e não só com o sabor”, explica ao PÚBLICO esta especialista.

A também responsável do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga alerta, contudo, que “devem sempre ser oferecidas todas as gamas de alimentos”.

“Uma criança precisa de ter pelo menos 12 vezes contacto com um sabor para se habituar”, diz, “e o maior risco de obesidade surge nas crianças a quem só é apresentado o que gostam”.

 

 

 

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