Baby Led Weaning: O método que acaba com “miúdos esquisitinhos” com comida

Abril 16, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 3 de fevereiro de 2017.

Rita Ferro JORNALISTA

Se o seu filho tem mais de 6 meses está na altura de guardar as trituradoras, varinhas mágicas e robots de cozinha que põem tudo em puré, sem grumos e sem bocados. Há um novo método que está a conquistar as mães portuguesas. Apesar da sujidade, quem pratica defende que há muitas vantagens, entre elas, miúdos “pouco esquisitinhos” com comida. Andamos à procura de fotos de experiências [e de grandes bagunças]. Tem disso aí por casa? Envie fotos do seu filho em estado #blw com uma pequenina legenda, nome e idade para eureporter@sic.pt

O Baby Led Weaning [ou BLW para os amigos] é um método cada vez mais conhecido e adotado pelas mães portuguesas para introduzirem sólidos a partir dos 6 meses. Na sua essência mais pura, o BLW consiste no desmame conduzido pelo bebé. Ou seja, a partir do meio ano de idade o bebé vai, lentamente e ao seu ritmo, trocando a amamentação exclusiva por alimentos, inteiros.

O regresso ao trabalho antes desta altura, que acontece para tantas mães, pode comprometer a amamentação em exclusivo e leva à introdução de biberão, ou outras soluções. Entao aí, o BLW, já não serve completamente a sua função mas ainda conquista noutras. Com esta técnica, o bebé vai também ganhar gosto pela comida, descobrir texturas e sabores, trabalhar a motricidade fina e movimentos e ganhar autonomia.

Há regras para este método? Há algumas, sim. Deve ser feito juntamente com a família à mesa de refeição para que os mais crescidos sirvam de exemplo e “estarem de olho” no bebé, os alimentos devem ser cozinhados e cortados de forma especial conforme as idades, é preciso ter paciência e, o mais difícil de tudo, tempo.

Sentámo-nos à mesa com três mães bloggers adeptas do BLW e pusémos mãos à obra.

Joana Paixão Brás é co-autora do blog A mãe é que sabe e é onde costuma mostrar a filha mais nova, Luísa, a aventurar-se no Baby Led Weaning. A primeira questão que lhe fizemos [para sossegar quem nos está a ler] foi: E não tem medo que ela se engasgue?

Não muito. Do que li, este é, caso eles já mostrem estar preparados, um período óptimo para aprenderem a mastigar e, como têm uma coisa chamada gag reflex (que traduzido para reflexo de engasgo ou engasgamento parece mais assustador do que é, porque eles não se chegam a engasgar), que é uma espécie de ânsia de vómito, em que eles, sentindo que a comida não está ainda suficientemente pequena para engolir, voltam a trazê-la para a frente da boca para a mastigarem melhor.

E não foi só para passar da amamentação para os alimentos que Joana escolheu este método. A filha mais velha abriu portas a um caminho de descobertas para a caçula da família.

“Já tinha em casa uma filha pisca para comer e esquisitinha e quis tentar uma coisa diferente com a segunda. A Luísa não era amante de sopas, tentei três ou quatro vezes. Cuspia, protestava e não quis “fazer aviõezinhos” e obriga-lá a comer. Percebi que através do BLW, ela adorava comer, experimentar, provar e fazia as caras e os sons mais engraçados.”

Como está em casa, Joana tem conseguido este método praticamente no seu todo. Une a amamentação ao BLW e faz dele um ritual para bons momentos em família.

“O principal alimento continua a ser o leite materno. Estando em casa, acredito que tenha esta tarefa facilitada relativamente à grande maioria dos pais. Faço coisas simples, de forno e a vapor, não perco muito tempo com as refeições! Perdemos, sim, mais tempo à mesa. Mas não considero “perder”, considero ganhar. É óptimo comer com eles, com calma.”

Vera, do blog As viagens dos Vs, que também adotou a técnica com a Laura, a filha mais nova, é rápida a enumerar vantagens.

Do ponto de vista do bebé, são várias. Para mim, a principal é mesmo a autonomia no momento da refeição, pois é o bebé quem decide o que comer e qual a quantidade; facilita o desenvolvimento motor e também o processo de mastigação do bebé. Da perspectiva da mãe, ajuda-nos a ganhar mais confiança no nosso bebé e nas suas capacidades e, muito importante, a aprender a respeitar as suas vontades. Não somos nós que estamos a levar a colher à boca e, assim, deixamo-nos de guiar pelos “ml” de quantidade que supostamente um bebé deve comer em cada refeição.

Nas rotinas da família e já com outro filho, seria mais fácil para todos se a Laura partilhasse da nossa comida e a verdade é que ela começou desde logo a fazer parte dos nossos momentos das refeições e para o Vicente isso foi muito bom, ver que a irmã comia as mesma coisas que ele.

Eu sou completamente fã!

Beatriz do blog Better With my mom diz que, no início, é normal ter-se medo do engasgo, mas depois a confiança vence quando as mães se apercebem de que os bebés estão preparados [enquanto todas as regras do Baby Led Weaning estiverem asseguradas] para resolver o assunto e o medo vai desaparecendo.

Quanto mais ele treina a mastigação com alimentos sólidos mais rapidamente vai aprender a desengasgar-se. O Salvador já o faz. Quando tem um pedaço que não consegue engolir deita-o fora. Ter sempre um biberão com àgua e saber o que fazer caso isso aconteça traz-nos mais segurança.

Vermos as crianças como capazes de desenvolver determinadas actividades que nós achamos dificeis ou “perigosas”. Eles são curiosos por natureza e devemos deixá-los explorar. O nosso pediatra apoia muito esta ideia e estamos muito contentes com o resultado.

Dizem as mães que o Baby Led Weaning é um caso de paixão. Até porque uma vez que os bebés lhe tomam o gosto, já é difícil alimentarem-se de outra maneira.

Espreite a galeria que preparámos com fotos de bebés adeptos do Baby Led Weaning.

Envie fotos do seu filho em estado #blw com uma pequenina legenda, nome e idade para eureporter@sic.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Comida natural (e deliciosa) para bebés e crianças

Abril 2, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Shutterstock

Texto do https://www.noticiasmagazine.pt/ de 14 de março de 2018.

Usar apenas alimentos naturais ainda intimida a maioria dos progenitores. Porém, além de serem muito fáceis de confecionar, são também estas refeições saudáveis as melhores que podemos dar aos nossos filhos.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Os pais que nunca provaram um boião de comida pronta, deviam. Toda a comida parece apetitosa ao lermos os rótulos: vitela com legumes, jardineira de vitela, frango com arroz, cenouras com peru, banana e maçã, multifrutas com cereais.

Até que um dia a criança estrebucha, nós insistimos, levamos uma colher à boca – «mas afinal qual é o drama?» – e descobrimos que além de saber praticamente tudo ao mesmo, não nos é permitido controlar os ingredientes utilizados nem os sabores que servimos aos nossos filhos.

«Os alimentos naturais oferecem um leque de micronutrientes de que bebés e crianças necessitam para crescerem em todo o seu potencial», explica Michele Olivier, bloggerde comida e autora de Alimentação Natural Para Bebés (ed. Casa das Letras).

Ela mesma ficou impressionada quando se estreou a fazer as papas da filha mais velha, Ellie, aromatizadas com especiarias e ervas aromáticas, e constatou como é simples, saudável e bem mais barato do que comprar embalado.

«Já para não falar de que ser esquisito com a comida não é genético ou inevitável», diz. Apenas uma questão de lhes moldar o gosto na infância.

Veja quatro receitas de alimentação natural para os seus filhos aqui.

INÍCIO

Não existe um momento exato que diga aos pais que o bebé está pronto para diversificar a alimentação, mas por norma sucede entre os quatro e os seis meses, e as primeiras experiências irão definir a sua relação com a comida e até os hábitos alimentares em adulto. Posto isto, não stresse se ele cuspir o puré de feijão-verde pela terceira vez: as crianças podem ter de provar um alimento até 20 vezes antes de se acostumarem.

PURÉS

A ideia é aproveitar os mais simples para educar desde logo o paladar: puré de maçã com cravinho, de cenoura com cominhos, de batata-doce com maçã, pimento vermelho e coentros. Não se prenda à idade em que o bebé pode comer o quê: vá apresentando novos sabores, teste reações (inclusive alérgicas) e aumente aos poucos as quantidades e misturas oferecidas. Pode ainda introduzir alimentos aos pedaços em qualquer etapa.

NUTRIÇÃO

Crianças pequenas gostam de comida deliciosa, tal como os pais: maçãs com uma pitada de canela, abacate com um toque de hortelã picada. E ainda bem que assim é, já que as especiarias e ervas aromáticas, além de refinarem o sabor, têm propriedades medicinais validadas pela ciência: o gengibre facilita a digestão, a hortelã traz alívio às congestões nasais, a canela aumenta o poder cerebral e o cravinho reforça o sistema imunitário. Aposte ainda na baunilha, cebolinho, manjericão, coentros, tomilho e outras.

O MELHOR

Na hora de escolher alimentos, pense em sazonalidade, frescura e cor. Legumes e fruta congelados de imediato são ideais para consumir fora de época. Bebidas vegetais não equivalem ao leite animal mas, a usá-las, opte por leite de amêndoa ou de coco enlatado. Também os cereais integrais – aveia, quinoa, cevada, millet, arroz integral – são energéticos, saciantes e fáceis de integrar na alimentação, seja aos pedaços, misturados num puré ou triturados em papa.

EXPLORAR

Por ser doce, fruta é ótima para deixar a criança aventurar-se nos sabores (de preferência biológica e madura), começando pela maçã, pera, manga, banana, abacate, pêssegos e mirtilos. Legumes igualmente bons para avançar são a batata-doce, cenoura, ervilhas, espargos, abóbora-manteiga, curgete ou pimento vermelho. Citrinos, ovos, mel e oleaginosas devem ser evitados até a criança ter 1 ano.

MENTE ABERTA

Diante da teoria de que se pode saltar a etapa dos purés e começar logo com alimentos cortados aos pedaços, o melhor é experimentar diferentes abordagens e ver a que melhor se adequa à criança (cada qual com as suas características). Quer ela seja uma fervorosa adepta dos purés ou os troque de boa vontade por uma cenoura crua, o importante é sempre disponibilizar-lhe petiscos coloridos, nutritivos, saudáveis. E, claro, adaptá-los para saborear em família.

Obesidade infantil. “Para ter sucesso vamos ter de taxar”

Março 1, 2018 às 6:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 28 de fevereiro de 2018.

Rita Costa

“Esta história dos refrigerantes e de aumentar as taxas nos produtos açucarados teve impacto”, afirma Margarida Lobo Antunes, que lamenta as dificuldades no combate à obesidade infantil e o facto de ser necessário aplicar taxas.

A pediatra refere que o combate à obesidade infantil é uma área com uma taxa de sucesso muito reduzida e afirma que é muito difícil sensibilizar as pessoas.

“Vamos tem que tomar medidas muito concretas nas escolas, na alimentação nas escolas” defende Margarida Lobo Antunes, que considera que, “para ter um sucesso, provavelmente, vamos de ter de taxar”.

A pediatra dá o exemplo de Inglaterra como um país com projetos interessantes para combater a obesidade. “Tinha um sistema de autocarro a pé, os pais iam todos a pé e levavam as pessoas às compras para mostrar o que é que podem comprar”, conta Margarida Lobo Antunes que lamenta: “há muitas medidas que têm um impacto a curto prazo, mas a longo prazo as pessoas não mudam. As únicas coisas que têm mostrado eficácia, são de facto taxas”.

Ouvir as declarações de Margarida Lobo Antunes no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/saude/interior/obesidade-infantil-para-ter-sucesso-vamos-ter-de-taxar-9147105.html

Como a ciência explica a aversão das crianças a legumes e verduras

Fevereiro 1, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.bbc.com/portuguese/ de 10 de janeiro de 2017.

Na Pré-história, os filhotes dos primeiros hominídeos corriam sérios perigo ao começarem a andar sozinhos e ganharem mais autonomia – tornarem-se presa de animais maiores ou comer alguma coisa desconhecida que pudesse matá-los. Em geral, as plantas tóxicas e desconhecidas tinham uma característica principal em comum: eram verdes e um tanto amargas.

De acordo com cientistas, a aversão aos vegetais que muitas crianças demonstram, especialmente a partir de 1 ano e meio de idade, pode ser ainda um resquício da “regra evolutiva” que visava protegê-los: é verde e desconhecido? Melhor não comer.

“De certo modo, é como se os vegetais não quisessem ser comidos”, disse à BBC a psicóloga Jacqueline Blisset, professora da Universidade de Aston, na Inglaterra, e especialista em comportamento alimentar de crianças nos primeiros anos de vida.

“Eles costumam ter gosto relativamente amargo que, durante a nossa evolução, associamos a toxinas. E também estamos predispostos a comer coisas que têm mais gordura ou açúcar porque são uma boa fonte de calorias, e os vegetais não são.”

Por outro lado, diz Blisset, a resistência a provar novos alimentos, especialmente legumes e verduras, acaba funcionando, nos dias de hoje, mais como um desserviço do que como uma salvaguarda.

“Especialmente no Ocidente, o principal problema atual da dieta é a insuficiência de vegetais e o excesso de açúcar e gordura. Mas o fato de comermos menos vegetais não é algo que nos impede de reproduzir, por exemplo. Então não há pressão evolutiva para que isso mude com as gerações”, afirmou à BBC Brasil.

De um modo geral, crianças até os 18 meses se mostram mais dispostas a provar alimentos novos, desde que oferecidos por um adulto em que elas confiam, segundo a especialista.

A partir desta idade, no entanto, essa disposição diminui, e algumas se tornam mais resistentes a consumir verduras, legumes e, às vezes, frutas.

“Vemos muita rejeição aos verdes. Verde é uma cor que pode indicar a presença de toxinas e geralmente têm o gosto mais amargo. Já as cores amarela, laranja e vermelha tendem a indicar níveis mais altos de açúcar e de gosto doce. Por isso, costumam ser mais bem aceitas”, explica.

Intensidade

As crianças também têm uma experiência de gosto mais intensa do que os adultos, segundo diversos estudos. Por isso, ao provar algumas verduras pela primeira vez, as percebem como mais amargas.

Adultos tendem a ter menos sensibilidade para os diferentes gostos. Por isso, é comum que verduras, legumes ou frutas odiados na infância passem a ser apreciados mais adiante.

Mas como os cientistas conseguem medir exatamente o gosto que verduras e legumes têm para cada um?

“Não conseguimos ter uma medida direta de gosto, só inferir coisas a partir do comportamento das crianças, que mostram mudanças nas preferências. Também fazemos alguns tipos de teste que mostram que elas precisam de menos sal numa solução com água, por exemplo, para perceber a diferença de gosto entre essa solução e a água pura”, explica Blisset.

“Mas é difícil determinar o quanto disso é da evolução humana e o quanto são fatores ambientais e até mesmo genéticos”, afirma.

Isso quer dizer que não só o perigo pré-histórico, mas também a influência da sociedade atual – o comportamento de pais e dos colegas em relação à alimentação, por exemplo – podem tornar as crianças mais ou menos resistentes em relação ao que comem durante os primeiros anos de vida.

Um estudo feito por pesquisadores da University College London (UCL), do Reino Unido, em 2016 concluiu que a genética é responsável por até 50% da disposição da criança (ou falta dela) em experimentar novos sabores, texturas e cores.

A pesquisa foi feita usando dados do maior estudo feito com gêmeos no mundo – são 1.921 famílias que têm bebês gêmeos de 1 ano e meio de idade.

Mesmo assim, a fase é vista como uma etapa normal da evolução do paladar da criança, e, de acordo com Jacqueline Blisset, costuma passar por volta dos sete anos. Por isso, pais não devem entrar em pânico com a possibilidade de seus filhos não consumirem leguminosas.

“Há muitos fabricantes de alimentos envolvidos na seleção desses alimentos para torná-los menos amargos e fazer com que as crianças os aceitem melhor. Mas quando você remove esses gostos, muitas vezes remove também nutrientes que são muito bons para nós”, alerta a especialista.

O que fazer?

Persistência – e uma boa dose de calma – são as chaves para conduzir as crianças pela fase de rejeição a alimentos novos e vencer sua resistência a legumes e verduras.

“Mesmo as crianças que têm predisposição genética a acharem algumas verduras e legumes mais amargos podem aprender a comê-los se forem expostas e na medida em que ficam mais velhas”, diz a psicóloga.

“Os pais costumam desistir muito cedo de dar alguns desses alimentos às crianças porque elas não gostam deles. Você pode começar com os legumes mais doces no começo, como cenoura e tomate, para expandir a dieta delas, e deixar os verdes para quando elas estiverem um pouco maiores e seus gostos mudarem.”

Também vale ser criativo ao expor a criança às verduras, como retirar esses alimentos do contexto da refeição e deixar que o garoto ou garota comece simplesmente brincando com eles.

“Se a criança for muito resistente, é bom deixá-la tocar, cheirar e até inventar desenhos com a verdura ou legume. Além disso, é importante que elas vejam os pais consumindo esse alimento, é claro.”

Outra estratégia que funciona nos casos mais dramáticos, segundo Blisset, é oferecer pequenas recompensas, como adesivos, quando a criança experimentar algo novo. Mas atenção: a prática não deve ser frequente demais e a recompensa não deve ser doce ou sobremesa.

“As crianças aprendem rápido as regras que criamos sobre comer. Há alguns estudos que mostram o entendimento que as crianças têm de ganhar uma sobremesa se comerem os vegetais. Eles entendem que a comida que precisam comer primeiro sempre terá um gosto ruim, mas que a outra é boa. Então é preciso tomar cuidado”, afirma.

“O mais importante, no fim das contas, é diminuir a pressão. Não se preocupe demais com isso, não transforme a hora do almoço em um campo de batalha, não pressione demais seu filho a experimentar.”

*Colaborou Camilla Costa, da BBC Brasil em São Paulo.

 

 

 

Quais são os alimentos “proibidos” para as mães que amamentam?

Dezembro 20, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Hugo Rodrigues publicado na http://visao.sapo.pt/ de 9 de dezembro de 2017.

Uma das maiores preocupações relativamente à alimentação das mães que amamentam sempre foi o cuidado de não ingerir alimentos potencialmente mais alergénicos, com medo de que eles pudessem passar através do leite para o bebé e induzir neste algum tipo de reação.

Esta é uma questão extremamente frequente e para a qual surgem várias respostas. No entanto, a evidência científica é cada vez maior nesta área e actualmente existem recomendações claras das principais sociedades científicas internacionais.

Uma das grandes vantagens do leite materno é ser um alimento “dinâmico”. Do ponto de vista nutricional, vai-se adaptando às diferentes fases de crescimento do bebé, permitindo que este seja sempre alimentado da maneira mais adequada em todas as etapas por que vai passando.

No entanto, a sua variação não é apenas nos nutrientes. Ele varia do ponto de vista imunológico, alterando a sua composição em termos de anticorpos e outras moléculas de defesa, mas também em termos de sabor. É consensual que a alimentação da mãe influencia a composição do leite materno e que vai fazer com que este adquira cheiros e sabores diferentes. Este é, claramente, um aspecto muito importante…

Por um lado, os sabores diferentes do leite vão permitir ao bebé conhecer também uma grande variedade de sabores, estimulando assim o desenvolvimento do sentido do paladar. E este aspecto é de tal forma significativo que está actualmente provado que é um facilitador da forma como os bebés aceitam a alimentação ao longo da sua vida futura. Assim, é um bom conselho dizer que “quantos mais sabores a mãe comer, mais sabores o filho come também e aprende a conhecer”.

Por outro lado, temos a questão das alergias. Uma das maiores preocupações relativamente à alimentação das mães que amamentam sempre foi o cuidado de não ingerir alimentos potencialmente mais alergénicos, com medo de que eles pudessem passar através do leite para o bebé e induzir neste algum tipo de reação. No entanto, o que os estudos vieram e têm vindo a demonstrar é exactamente o contrário. O leite materno tem um conjunto de partículas que diminuem a probabilidade do bebé fazer reacções alérgicas, pelo que parece ser benéfico contactar com esses alimentos através deste “veículo”. O risco de desenvolver alergias é menor do que quando se faziam restrições alimentares às mães, pelo que não faz sentido privá-las de nenhum alimento.

Por fim, a questão das cólicas. Ainda é bastante frequente ouvir-se dizer que as mães que amamentam não devem comer alimentos que lhes provoquem cólicas, porque vão ter o mesmo efeito nos bebés (os feijões e os legumes verdes são os exemplos mais recorrentes). Apesar desta ser uma crença popular, com muitos anos de evolução, não faz sentido nenhum do ponto de vista teórico. E não é difícil perceber porquê… O componente desses alimentos que provoca cólicas são as fibras que, por definição, são um nutriente que os seres humanos não conseguem absorver. Como não são absorvidas acumulam-se nos intestinos e levam à produção de gases e ao desconforto que muitas vezes provocam. No entanto, se permanecem no intestino, é completamente impossível que passem para o leite, pelo que não têm nenhum efeito nos bebés. Este é um mito que se tem perpetuado sem nenhum tipo de fundamento e que importa desconstruir.

Assim, a conclusão é simples e a resposta à questão inicial é muito fácil de dar. Não existem alimentos proibidos para as mães que amamentam! Elas podem e devem comer de tudo, tentando fazer uma alimentação o mais saudável possível. A única excepção são as bebidas alcoólicas, que devem ser restringidas e as bebidas com cafeína que, se possível, devem ser reduzidas ou abolidas também. Tirando isso, podem comer tudo. Alimentos como morangos, laranjas, feijões, frutos secos ou marisco podem e devem ser consumidos enquanto se amamenta.

Claro que, apesar de improvável, é sensato ir vigiando para ver se surge alguma reação no bebé, que pode ser de dois tipos: borbulhinhas no corpo (e não apenas na cara) ou algum tipo de desconforto. Se surgir e houver a suspeita de estar associada a algum alimento consumido pela mãe, o melhor conselho é mesmo parar esse alimento durante uns dias. Quando o bebé voltar a ficar “normal”, a mãe deve voltar a comer o que tinha comido para avaliar se surge a mesma reação. Se isso acontecer, o alimento não deve ser consumido novamente, mas em caso contrário a mãe pode voltar a ter liberdade na alimentação. E habitualmente é mesmo isso que acontece…

Hugo Rodrigues é pediatra no hospital de Viana do Castelo e docente na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto e na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. Pai (muito) orgulhoso de 2 filhos, é também autor do blogue “Pediatria para Todos” e do livro “Pediatra para todos”

 

 

 

 

O seu filho faz “birras” à refeição?

Dezembro 18, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Pais & Filhos

Texto da http://www.paisefilhos.pt/ de 3 de novembro de 2017.

Escrito por Paula Beirão Valente

o segundo ano de vida do bebé a velocidade de crescimento é menor, mas a atividade física aumenta. Esse é o período ideal para aceitar novos alimentos e novos sabores, que serão mais difíceis de introduzir mais tarde. Por norma, a partir dos três anos, a “janela de oportunidade” fecha com a redução do apetite, causando, com frequência, preocupação aos pais.

É a altura em que apresentam o que costumamos chamar de neofobia, isto é, relutância em consumir alimentos que não conheçam. Nesta altura, desenvolvem “cortes alimentares”, recusando alimentos que antes aceitavam ou pedindo um alimento particular em cada refeição. Esta situação tende a ser temporária e os pais acabarão por controlar, não apenas a alimentação da criança, como também eventuais comportamentos impróprios. É importante saber que nem a abordagem de controlo rígido, nem a abordagem passiva têm sucesso.

Os pais e os cuidadores da criança deverão preparar um leque variado de alimentos, evitar os que forem recusados ou confecioná-los de modo diferente para terem outro sabor ou apresentação, em último caso poderão, ainda, ser substituídos por outros do mesmo grupo da roda dos alimentos.

Aconselho a inclusão da criança na preparação da refeição, fazendo com que ela sinta que foi a responsável pela escolha dos alimentos e elogiando o prato durante o seu consumo. Desse modo, baixamos a probabilidade de rejeição da refeição. Uma vez que são necessárias várias tentativas para que o paladar da criança se adapte aos “novos” alimentos, poderá persuadir o seu filho a provar o alimento, mesmo que não o ingira na sua totalidade. Com o tempo, a aceitação tende a aumentar. Por outro lado, se os filhos recusarem, por teimosia, a ingestão da mesma, deverão continuar sentados à mesa até ao fim da refeição. Acrescento, também, que não deverão ser compensados mais tarde com alimentos que gostem ou que peçam. Só assim pensarão duas vezes antes de repetirem o comportamento.

A falta de disponibilidade e de conhecimentos é um fator determinante na qualidade daquilo que os filhos comem e o papel da família na educação alimentar é inquestionável.

E se pesa pouco?

Em situações de baixo peso, as refeições intercalares tornam-se essenciais para suprir as necessidades energéticas da criança. Deste modo, aconselho um reforço destas com alimentos que sejam naturalmente aceites, tais como: pão (com fiambre de aves, queijo fresco, atum, ovo, bife de aves inteiro ou picado com alguns legumes e molhos com azeite como por exemplo, molho “pesto” ou molho de iogurte; cereais (ricos em fibra e com redução de açúcar), iogurtes, leite e fruta. Poderá misturá-los, tornando-os mais apelativos, como os batidos de fruta, de forma a tornar estas refeições menos monótonas e de ingestão mais rápida. Importa, que estes sejam cuidadosamente preparados para serem, simultaneamente, variados e ricos em nutrientes. Para estas crianças aconselha-se iniciar as refeições principais com o prato principal, deixando a sopa para o final, garantido a ingestão dos alimentos mais energéticos em primeiro lugar. Os alimentos com temperaturas extremas e odor forte tendem a ser também excluídos. Como tal, pratos como a sopa, indispensáveis nesta idade, deverão ser servidos mornos. Estudos revelaram também que o consumo de alimentos é diminuído quando a criança está cansada. Neste caso, um pequeno descanso prévio à refeição poderá ser eficaz.

 

Quando os directores das escolas têm de fazer de polícia das cantinas

Dezembro 11, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 26 de novembro de 2017.

De peixe não gostam. A carne é pouca. O arroz está cru. A fruta é sempre a mesma. Almoçar em cantinas escolares não é sempre igual. E não é fácil. Alunos queixam-se nas redes sociais. Directores de escolas têm de vigiar refeitórios. Deve a gestão ser privada ou feita pelo Estado?

Joana Gorjão Henriques

O espaço é rodeado de portas em vidro, há mesas corridas, suficientes para alunos de várias turmas comerem. Mas hoje a cantina da Escola Secundária de Fonseca Benevides, em Lisboa (Alcântara) está praticamente vazia. Apenas alguns alunos sentados a almoçar e muitos trouxeram as marmitas de casa, almoçam pizza ou massa com frango.

Quando há quatro anos João Santos assumiu o cargo de director da Escola Secundária de Fonseca Benevides fez da alimentação um dos seus grandes pilares. “Eles têm de poder comer no refeitório. Há miúdos que a única refeição do dia que têm é esta”, explica, porque cerca de 60% dos seus alunos estão no escalão de Acção Social mais baixo.

Começamos a circular entre as mesas, de nariz e olhos postos nos pratos dos jovens. Na maioria dos pratos dos que escolheram o menu escolar há batatas cozidas, com batatas cozidas. E com batatas cozidas.

Poucos têm salada ou legumes (brócolos e couve-flor). Nada de peixe. Hoje é arinca às postas (bem secas, provámos) no forno. João Santos já sabia que a fotografia iria ser esta. De dois em dois dias há peixe no menu. Aí os alunos ou não comem ou então protestam.

Com o prato à frente, o director da escola conta que todos os dias almoça no refeitório. “Aprendemos uma quantidade enorme de novos peixes”, ironiza, para dizer que há muita variedade introduzida por causa do baixo preço. Dá nota positiva à sopa de alho francês (com mais batata do que qualquer outro legume), à salada (de couve roxa, cenoura e pepino) e menos pontuação aos legumes. Chumba o peixe.

Desde Setembro que todas as escolas geridas pelo Ministério da Educação (ME) têm uma ementa pré-definida para o ano lectivo inteiro. Elaborada pela Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), com supervisão de nutricionistas, define combinações de ingredientes. No dia anterior, terça-feira, o menu era frango assado com arroz de cenoura.

João Santos foi um dos que mais falou numa reunião da DGEstE, em Lisboa, com directores de escola, organizada esta segunda-feira. “As coisas acabam por correr bem aqui. Mas o principal problema é que é preciso fazer de polícia todos os dias”, queixa-se. “O produto que vem é de má qualidade, tentam não respeitar as quantidades. É suposto servir-se vitela e servem chambão, a parte pior”, queixa-se.

Foi isso que relatou na reunião com a DGEstE, uma das várias iniciativas ministeriais enquadradas no plano de monitorização e fiscalização da qualidade e quantidade das refeições nas escolas públicas. Fez parte de um pacote de encontros que começaram na semana passada no Alentejo e vão correr o país, liderados pela Directora-Geral dos Estabelecimentos Escolares com directores de escolas públicas e representantes das empresas que fornecem as refeições escolares.

ASAE com 20 processos-crime em três anos

O  tema das cantinas tem estado nas notícias desde o início do ano lectivo, depois de uma série de queixas de alunos, que publicaram fotografias nas redes sociais a reclamar de lagartas a andar no prato, frango cru, e de direcções de escolas terem sido acusadas de mover processos disciplinares contra eles por causa disso – o ME diz que há “apenas registo de dois processos disciplinares”, que não incluem o caso da lagarta, e que “não tiveram a ver com fotografias tiradas a refeições em exclusivo mas com acumulação de infrações por parte dos alunos”.

Nesse encontro estiveram representantes das empresas que fornecem as refeições. A maioria das cantinas do ministério é explorada por duas empresas, a Uniself e a ICA. Depois de um concurso público deste ano, a Uniself ficou com metade dos 1148 refeitórios do ME, além de gerir mais 230 cantinas escolares de responsabilidade autárquica. É esta empresa que tem estado no foco das críticas: de 70 queixas recebidas pelo ME de Setembro até 20 de Outubro, 56 são das suas cantinas.

Mas em entrevista por email ao PÚBLICO, Mateus da Silva Alves, presidente do conselho de administração da empresa, responde: “Nestes três meses [lectivos] foram registadas 163 reclamações para uma média mensal de 3,5 milhões de refeições distribuídas. Estamos a analisar as reclamações e a proceder, se for caso disso, às consequentes correcções, porque trabalhamos diariamente para que este número diminua.” (ver resposta aqui)

Na reunião, aos directores das escolas foi dito que estivessem em cima da avaliação e que mantivessem “um sistema de reporte rigoroso e activo”. É o que João Santos faz diariamente. À cantina fornecida pela Uniself acontece chegarem hambúrgueres de 60 gramas quando o estipulado é de 80 gramas, por exemplo. Ou usarem-se flocos de batata na sopa. “Acontece se não se estiver a vigiar. Um director de escola não tem que andar a policiar a comida, eu não tinha nada que estar a fazer isto”, acrescenta. Desde Setembro apresentou nove queixas.

Mas os incidentes com a comida das escolas estão longe de ser recentes. Desde 1 de Janeiro de 2015 e até agora a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) instaurou 20 processos-crime em cantinas escolares (por géneros alimentícios corruptos e avariados, por fraude sobre mercadorias e por corrupção de substâncias alimentares) e suspendeu a actividade em 13 estabelecimentos. De uma fiscalização a 800 escolas, resultaram 228 processos de contraordenação na área da restauração.

De resto, a Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais tem aconselhado a apresentação de queixa. O presidente Isidoro Roque diz: “Queremos a responsabilização de quem tem que ser responsável: as empresas e quem fiscaliza a refeição”.

Gestão própria com mais sabor

De volta à Fonseca Benevides: uma vez por semana chega a comida, com carne e peixe congelados. Um dia antes, os alunos compram as senhas de almoço por preço que varia de acordo com o escalão de Acção Social e da região do país – entre zero e 1,46 euros pelo menu de sopa, pão, prato com salada e uma peça de fruta.

Peixe é algo que Evandro Cidário, aluno do 11º ano, nunca come. O resto “é razoável”, diz, sentado ao lado de outro colega de 16 anos que não gosta daquela comida.

Um dos temas que se tem debatido é se as escolas deveriam seguir o modelo de gestão directa dos seus refeitórios, com alguns partidos da Esquerda a defenderem-no (ver texto). João Santos acredita que isso seria “mais fácil” até porque a escola não tem a pressão do lucro.

Da sua experiência, Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), acha que as escolas que têm a gestão das suas cantinas oferecem “um melhor serviço”. “Na minha cantina [de gestão directa, do agrupamento de Escolas de Cinfães] conseguimos fazer refeições dentro do recomendado e saborosas. Só usamos peixe fresco, fruta de qualidade, fazemos refeições próximas do que se come em casa. Já as empresas fazem refeições para cumprir as quantidades: nós  damos resposta a outros factores como a visão, o cheiro e o gosto.”

Manuel Pereira acha que há vantagens em ter cantinas geridas pelas escolas, até porque a grande maioria tem cozinhas montadas.

O tema não é consensual entre os directores de escola. Com dois mil alunos na escola sede, e fila de alunos à espera do frango com arroz de cenoura – um dos pratos que tem mais saída –, o director do agrupamento de escolas de Carcavelos Adelino Calado discorda da hipótese de gerir as “suas” cantinas. Defende que isso lhes traria muito mais trabalho por causa da burocracia exigida.

Servem uma média de entre 300 a 400 refeições diárias, pode subir até às 600 quando é carne. “Esta cozinha é melhor que a dos hotéis”, afirma na terça-feira, enquanto mostra de fora os equipamentos.

Pouca quantidade, reclamam

No recreio, os alunos brincam. Na cantina há burburinho. Não tem havido muitas queixas. “Houve algumas, mas eram ridículas”, refere o director. “Estava insonso, estava salgado, era muita comida….”. Adelino Calado explica que muito depende do cozinheiro. “Quando é bom não há reclamações. Pode haver queixas em relação à quantidade. Dizemos para servirem pouco mas se o aluno quiser repetir, repete.”

Numa ronda pelas mesas da cantina é de facto esta uma das queixas mais frequentes: a quantidade. Olhando o prato com arroz (que provámos e estava cru) o pequeno pedaço de frango parece pouco para satisfazer o apetite de um adolescente.

“Às vezes a comida vem fria”, “há peixe a mais”, “a sopa devia ser passada”, “a comida de casa é melhor para a minha saúde”, “não há variedade, é sempre maçã e pêra, e eu trago morangos, melão…”. Júlia, Catarina e Matilde, do 5º ano, enumeram as razões pelas quais trazem de casa a marmita.

Também reclamam da fila demorar tanto a ser servida que as fez atrasar para as aulas. De facto, outra das queixas que têm chegado ao Ministério é justamente a falta de pessoal no serviço de refeitório, da responsabilidade da empresa.

É isso que nota Álvaro Miguel, cozinheiro da Escola do 1º Ciclo dos Lombos, com 130 alunos – esta gerida pela autarquia de Cascais, que tem contrato com a mesma empresa. Da sua cozinha, paredes meias com a sala de refeições onde as crianças se sentam em mesas adequadas à sua altura, confecciona mais de 1100 refeições por dia, que serão distribuídas para outras escolas. Mas tem a apoiá-lo apenas três pessoas.

“Houve mudança na ementa”, comenta Maria do Rosário Antunes, adjunta da direcção do agrupamento de Carcavelos para o primeiro ciclo e pré-escolar, e que é uma das responsáveis pela avaliação. “Eram filetes de pescada, mas estão aqui rolos”. O grande problema, enumera, são atrasos no transporte das refeições, ou faltas de alimentos como carne ou peixe.

Pedro Guedes Pinto, da Associação de Pais deste agrupamento, diz que as queixas sobre as cantinas nunca foram tantas. “O que me parece é que este tipo de contrato [por concurso e com tantos refeitórios] coloca um problema: se o fornecedor não cumpre é muito difícil substituir.”

Se a gestão própria é mais eficaz será um debate a continuar. De Cinfães, o presidente da ANDE  lembra: “A sensação que temos é que as nossas cantinas estão mais próximas da realidade dos alunos. Não posso dar uma refeição igual numa aldeia da que dou nas cidades. É preciso personalizar em função do ambiente social em que a escola está inscrita.”

 

 

 

 

PUDIM | O Rebento – Companhia Cepa Torta – Teatro infanto-juvenil na Malaposta – 10 dezembro

Dezembro 8, 2017 às 6:07 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.malaposta.pt/2017/12_dezembro/teatro_pudim.html

https://www.facebook.com/events/140404666719647/

 

“As crianças não nascem com gostos esquisitos”

Setembro 29, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do http://www.dn.pt/ a Rui Lima no dia 19 de setembro de 2017.

Paulo Alexandrino / Global Imagens

Joana Capucho

Se uma criança for habituada desde muito cedo a comer fruta e hortícolas, não vai rejeitar esses alimentos. É esta a convicção de Rui Lima, técnico superior da Direção-Geral da Educação. O nutricionista, responsável pelas regras que definem o que se come nas cantinas das escolas públicas, alerta os pais para a necessidade de habituarem as crianças apenas aos sabores naturais.

Como é que são os lanches da maioria das crianças em Portugal?

De uma maneira geral, os lanches não são muito saudáveis. As refeições e os lanches dados às crianças refletem uma falta de tempo para mimos, que é compensada com miminhos com muitos açúcares e gorduras. Na maior parte das vezes, opta-se pelo mais fácil, que são produtos pré-embalados e com alto teor de açúcar e gordura.

Há alimentos que devem ser proibidos nas lancheiras?

É difícil dizer que há alimentos proibidos, mas alguns têm riscos. É perigoso quando se cai no exagero de produtos ricos em açúcar e gordura. O melhor é optar pela nova roda da alimentação mediterrânica, que é exemplo do que é bom, uma vez que quase só inclui alimentos de produção local. Os alimentos não processados são sempre melhores. É melhor preparar uma sandes de pão com queijo, fiambre ou ovo cozido enriquecido com hortícolas – alface, tomate, raspas de cenoura ou de couve roxa – do que ir a um supermercado e comprar um produto pré-embalado e um refrigerante com alto teor de açúcar.

Mas há crianças que se recusam a comer certos alimentos…

As crianças não nascem com gostos esquisitos, refletem aquilo que os pais lhes deram nas primeiras fases do crescimento. Uma criança que esteja habituada a comer hortícolas desde pequena não vai deixar de comer de repente. O problema é que, muitas vezes, logo nos primeiros anos de vida, os pais habituam as crianças a sabores que não são naturais. Há estudos feitos em Portugal que mostram um número excessivo de crianças que ao fim do primeiro ano de vida já provaram refrigerantes.

Os pais têm dificuldades em escolher os melhores alimentos?

Muitas vezes, os pais têm pouca informação sobre as características dos alimentos que encontram no mercado. Não há o hábito de ler os rótulos e compreender o que está lá. Uma das cadeias mais conhecidas de supermercados tinha umas bolachas com pepitas de chocolate com coco, que os pais até podiam pensar que tinham muito açúcar e gordura, mas tinham um valor de sal verdadeiramente assustador. Quase 10 gramas de sal por cada 100 gramas de bolacha. Até os pais com alguma literacia alimentar e cuidado acabam por cair em rasteiras da indústria alimentar. É preciso ter alguns cuidados e habituar as crianças aos sabores. É importante envolver as crianças e os adolescentes na preparação dos próprios alimentos.

E o que é um lanche saudável?

Deve incluir sempre um laticínio, como o leite – de preferência branco, sem chocolate – e os iogurtes, aqueles que têm menor teor de açúcar. No limite, qualquer iogurte é melhor do que um refrigerante. Deve ter sempre fruta e uma fonte de hidratos de carbono saudável, de preferência pão com queijo ou fiambre. Devem evitar-se as bolachas e os cereais, que têm muito açúcar. De vez em quando, podemos incluir frutos secos.

 

 

Quanto leite deve beber o meu filho?

Julho 31, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto da http://www.paisefilhos.pt/ de 16 de julho de 2017.

Escrito por Hugo Rodrigues, pediatra

O leite é um bom alimento, extremamente completo e deve fazer parte da dieta dos bebés e crianças. No entanto, o seu consumo deve ser regrado, tal como acontece para a maioria dos alimentos.

O leite é um alimento muito completo e deve fazer parte da alimentação de todos os bebés e, eventualmente, das crianças também. Existem diferentes tipos de leite, desde o materno até aos leites de outras espécies animais, tais como a vaca ou cabra, por exemplo, pelo que importa sempre gerir a sua qualidade e a quantidade que as crianças consomem.
É extremamente frequente os pais terem dúvidas sobre a quantidade de leite que os seus filhos devem beber e, por esse motivo, importa clarificar alguns conceitos.

O primeiro, particularmente importante nos primeiros meses de vida, tem a ver com a evolução do peso do bebé. Se um bebé que bebe apenas leite está a engordar o que deve, significa que também está a comer o que precisa e este é sem dúvida o melhor indicador de que dispomos. Este aspeto é ainda mais importante quando falamos de bebés que estão a ser alimentados exclusivamente ao peito, com leite materno, pois não é possível (nem necessário) medir objetivamente a quantidade de leite que ingerem. Se, por outro lado, o bebé estiver a beber leite adaptado (ou leite materno em biberão), já se torna possível fazer uma estimativa da quantidade de leite que se deve dar. Esse cálculo é meramente um indicador e não precisa de ser cumprido de forma muito rigorosa, mas é importante conhecê-lo. Assim, a quantidade diária de leite que um bebé deve beber nos primeiros meses de vida pode ser calculada multiplicando o peso (em kg) por 150. Esse é o valor diário e depois só tem que se dividir pelo número médio de refeições que faz por dia para ficar com uma estimativa de qual a dose a dar em cada mamada. Vejamos o exemplo de um bebé de 6 kg que faz cerca de sete refeições por 24 horas. A dose diária de leite é de 6×150=900ml, o que dá um total de 900/7=130ml por refeição.

A partir dos seis meses, esse valor é mais difícil de calcular e estima-se que a necessidade diária seja de cerca de 400-700ml de leite ou derivados até aos 12 meses e 300-400ml a partir dessa idade. É importante sempre esclarecer que os produtos lácteos (iogurte, papa, queijo) funcionam como um substituto do leite e entram também nestes cálculos.

 

 

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