Obesidade em idade pediátrica: prevenção é a palavra chave

Junho 14, 2020 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de Cláudia Cristóvão publicado no Sapolifestyle de 20 de maio de 2020.

A obesidade é a pandemia do século e para conter o seu avanço é preciso que todos tomemos consciência deste problema e que estejamos preparados para o enfrentar. Estima-se que em 2025, 20% das nossas crianças sofram de obesidade. Um artigo da médica pediatra Cláudia Cristóvão.

Não existe um grupo de risco, mas sim comportamentos de risco. Desta forma, o esforço para combatê-la não pode ser dirigido apenas aos obesos mas a todos aqueles que apresentam comportamentos de risco, que os colocam numa situação de fortes candidatos a ter excesso de peso e obesidade.

Vivemos numa sociedade em que todos somos potenciais portadores de comportamentos de alto risco: sedentarismo, consumo de alimentos industrializados, consumo de “fast-foods”, falta de horário para realizar 5-6 refeições diárias, uso abusivo de refrigerantes, salgadinhos, entre tantos outros. As nossas crianças já não brincam na rua como antigamente e ocupam os seus tempos livres com dispositivos eletrónicos como videojogos, tablets, televisões e telemóveis. Também o poder de compra das famílias contribui para o aumento deste problema.

Potenciais problemas de saúde

Quando falamos em excesso de peso e obesidade referimo-nos a excesso de gordura corporal e, consequentemente, de sérios riscos para a saúde futura das nossas crianças e adolescentes. Falamos das “doenças crónicas do adulto”, nomeadamente hipertensão arterial (HTA), diabetes, dislipidemias (colesterol elevado e gorduras elevadas no sangue), esteatose hepática não – alcoólica (“fígado gordo), entre outras. Estes riscos são tanto maiores quanto mais precoce for a instalação do excesso de gordura corporal.

Emergência de prevenir

É fundamental que a prevenção se inicie nos primeiros 1000 dias, ou seja, desde o período pré-natal (após conceção) até aos 2 anos de idade.

Os primeiros 1.000 dias de vida constituem um período de maior crescimento e maturação do organismo, em que existe maior suscetibilidade ao meio ambiente e, em particular, à nutrição. Os alimentos que ingerimos podem atuar sobre os nossos genes e influenciar a forma como se expressam. É nesta altura que ocorre a programação metabólica que irá influenciar toda a nossa vida futura.

Situações de carência, excesso ou desequilíbrio nutricional na grávida, lactente ou criança funcionam como agressores que induzem respostas adataptivas do organismo (programação metabólica) visando a sobrevivência, respostas essas que a médio/longo prazo poderão ser desadaptativas – resultando em doença ao longo da vida.

Exemplificando: um embrião/feto que na vida intra-uterina se encontra num ambiente em que existe privação de nutrientes/ energia, ou morre ou o seu organismo vai adaptar-se e sobreviver neste ambiente deficitário. O seu organismo vai sofrer uma série de alterações anatómicas, hormonais e fisiológicas que lhe garantem a sobrevivência no momento de restrição energética, na vida intra-uterina. Estas mesmas adaptações, no futuro acarretam um risco acrescido de doença crónica nomeadamente obesidade e doença cardiometabólica.

Sabemos que existe, uma forte estabilidade da obesidade pediátrica, particularmente na dependência de fatores comportamentais (quer individuais quer familiares), uma grande dificuldade em reverter a obesidade, e uma ocorrência cada vez mais precoce das suas comorbilidades, por isso importa prevenir precocemente.

A orientação para a prevenção e promoção de bons hábitos deve ser feita durante a fase pré-natal, primeira infância e nos ambientes em que a criança vai conviver no futuro.

O peso antes e durante a gestação

Uma mulher obesa ou uma mulher que, independentemente do seu peso antes de engravidar, teve um aumento de peso superior ao desejado, tem maior probabilidade de ter um recém-nascido grande para idade gestacional com risco de complicações imediatas (ao nascimento) e futuras nomeadamente obesidade, diabetes, doença cardiovascular e cancro.

Deste modo, é importante o controlo de peso da mulher antes de engravidar e durante a gestação devendo ser orientada para uma alimentação equilibrada e diversificada.

Influência do padrão de crescimento

O padrão de crescimento até aos 2 anos de idade influencia o índice de massa corporal (IMC) na idade adulta, a composição corporal, a função cerebral e cognitiva e o perfil cardiometabólico.

O crescimento linear (comprimento) está associado à estatura e melhor rendimento escolar na idade adulta.

O aumento de peso, por seu lado, está relacionado com maior IMC na idade adulta e a maior percentagem de gordura corporal com maior risco de obesidade, diabetes e pressão arterial elevada. O aumento de peso exagerado após os 2 anos de idade é um fator de risco mais forte para doença crónica do que o ganho nos 2 primeiros anos de vida.

Alertas

  • Os pais devem ser educados para reconhecer os sinais de fome e saciedade, sem forçar e exigir a ingestão total ou excessiva de alimentos. A criança tem a capacidade de autorregular a sua ingestão. Em caso de dúvidas não hesite em falar do tema com o pediatra. As unidades hospitalares têm circuitos e procedimento implementados para a segurança de todos os doentes e profissionais de saúde, pelo que ir a uma consulta de pediatria em tempos de COVID-19, é seguro e não deve ser adiado.
  • Deve promover-se o aleitamento materno nos primeiros 6 meses de vida e a diversificação alimentar deve ser corretamente implementada de acordo com as necessidades nutricionais e desenvolvimento da criança. Salienta-se a importância da boa qualidade do alimento, estimulando o consumo regular de fruta, legumes, verduras e estar atento ao tipo de gordura consumida.
  • Os pais devem levar estilos de vida saudáveis, alimentação saudável, exercício/atividade física. Restringir o uso de tecnologia para menos de 2 horas diárias. Sabemos que as crianças aprendem com o exemplo.
  • As escolas devem proporcionar a oferta de alimentos saudáveis nas cantinas escolares bem como contemplar actividade física mais frequente durante o período em que as crianças/ adolescentes estão na mesma.
  • As instituições competentes para o efeito deveriam oferecer espaços públicos com áreas de lazer e desporto nas zonas residenciais.

Só com esforço conjunto de profissionais de saúde, família, escolas e comunidade poderemos conseguir prevenir esta terrível doença que é a obesidade e que vai marcando de forma silenciosa o nosso organismo e quando dá sinal poderá ser mais difícil de reverter.

Um artigo da médica Cláudia Cristóvão, pediatra no Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas.

Cuidados alimentares e atividades para crianças em tempos de COVID-19 – DGS

Abril 29, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Descarregar o documento no link:

https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/cuidados-alimentares-e-atividades-para-criancas-em-tempos-de-covid-19.aspx

Refeições em família. Têm sempre de ser um pesadelo?

Fevereiro 27, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapolifestyle de 15 de janeiro de 2020.

Ana Rita Lopes (Nutricionista)

Ter filhos implica fazer refeições só para eles? Será que as crianças têm sempre de odiar a hora de jantar? Ana Rita Lopes, responsável pela Unidade de Nutrição do Hospital Lusíadas Lisboa, esclarece estas e outras dúvidas.

Como é que se pode aumentar o interesse das crianças pelos alimentos?

As crianças podem ser introduzidas no mundo da alimentação desde muito pequenas e é importante que estejam familiarizadas com os diferentes alimentos, para que não rejeitem a sua ingestão.

As crianças podem participar na preparação de tarefas simples e sempre sob vigilância de um adulto, como lavar os legumes, ajudar a temperar a refeição… A criança terá muito mais gosto em consumir uma refeição que foi feita por ela. É importante deixá-las participar neste processo.

De que forma é que se podem confecionar refeições em família sem cozinhar em exclusivo para as crianças?

Os pais são um grande exemplo para o filhos. Não adianta promovermos o consumo de determinados alimentos junto das crianças se elas nunca viram os progenitores a ingerir esses alimentos. Por este motivo, torna-se importante a confeção e a partilha de refeições em família. Tal é conseguido através de refeições simples, apelativas, nutricionalmente ricas e que envolvam a participação de todos os membros da família.

As refeições em família são mais benéficas?

Fazer refeições em família estimula o planeamento de refeições saudáveis, uma vez que permite a partilha de gostos e emoções. Estudos recentes demonstraram que as refeições em família, mesmo que aconteçam só uma ou duas vezes por semana, aumentam o consumo de frutas e vegetais pelas crianças. Deste modo, é importante o envolvimento e o contributo de todos, assim como o seu reconhecimento para que de forma harmoniosa se confecione refeições saudáveis. Para além de benefícios para a saúde, são uma boa oportunidade para conversar em família e proporcionar um ambiente ideal para fortalecimento dos valores familiares.

Porque é que o pequeno-almoço é tão importante?

O pequeno-almoço é a primeira refeição do dia e quebra o jejum depois do período de sono. Durante o sono os nossos níveis energéticos baixam e são apenas utilizados para a manutenção das funções vitais, pelo que é de extrema importância nunca omitir esta refeição de modo a repor estes níveis e consequentemente melhorar o rendimento cognitivo e reduzir o apetite para o almoço, contribuindo para uma distribuição alimentar e calórica mais saudável e equilibrada ao longo do dia.

Como deve ser esse pequeno-almoço?

O pequeno-almoço não tem que ser necessariamente muito elaborado para repor os níveis energéticos. Poderá ser preparado de forma simples, porém não devem faltar determinados grupos alimentares como a fruta fresca da época, o pão escuro ou flocos de cereais pouco açucarados, o leite ou iogurte, sem esquecer a água ao iniciar o dia. São exemplos de pequenos-almoços rápidos:

– 1 iogurte + 1 pão integral (tipo bola) + creme vegetal + 1 peça fruta

– 1 taça com aveia + 1 iogurte + fruta aos pedaços + 1 colher de sementes

Quais são os principais erros das famílias portuguesas na alimentação?

Sair de casa sem tomar o pequeno-almoço; haver uma presença constante de sumos e refrigerantes durante as refeições; o recurso frequente a refeições pré-confecionadas; o baixo consumo de legumes e leguminosas nas refeições principais, por exemplo.

10 mandamentos básicos para uma alimentação saudável em família

  1. Planear refeições saudáveis em família
  2. Fazer uma alimentação variada, equilibrada e completa
  3. Fazer 5 a 6 refeições por dia
  4. Tomar o pequeno-almoço
  5. Comer devagar e mastigar bem os alimentos
  6. Não estar mais de 3 horas sem comer
  7. Ingerir água ao longo do dia
  8. Preferir os grelhados, cozidos, assados, estufados em substituição dos fritos
  9. Excluir os doces e produtos açucarados da rotina diária (só em ocasiões festivas)
  10. Privilegiar o azeite em detrimento de outras gorduras

Os conselhos são da nutricionista Ana Rita Lopes, do Hospital Lusíadas Lisboa

Hamburguer, bolonhesa ou douradinhos: como alterar os hábitos das crianças nos restaurantes?

Dezembro 17, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de dezembro de 2019.

Como incentivar as crianças a comerem coisas diferentes? “Antes de tudo, dando os adultos, o exemplo”, defendem os nutricionistas ouvidos pelo PÚBLICO.

Diana Vilas Boas

Apesar de nem todos os restaurantes terem menu infantil, os que têm optam, quase sempre, por oferecer carnes picadas em hambúrgueres ou bolonhesas, por batatas fritas ou massa. Também há nuggets ou panados e os legumes raramente estão presentes no prato. Quanto às bebidas, podem ser água, sumos do dia ou refrigerantes. Para sobremesa, há uma bola de gelado, gelatina ou fruta. Estas ofertas são transversais — seja no restaurante do hotel de cinco estrelas, seja no de bairro. Opções essas que, na maior parte das vezes, são “pouco saudáveis”, alertam os nutricionistas.

“As escolhas dos menus infantis pouco saudáveis não se reduzem à quantidade de gordura, sal e açúcar, o grande problema é que não se incentiva à presença de frutas e hortícolas” nos pratos, alerta Pedro Graça, nutricionista, professor e director da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP).

Para Cláudia Viegas, nutricionista e docente na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE), “o ambiente e oferta da restauração apenas reflecte os hábitos alimentares de casa”, pois, de acordo com os dados do último Inquérito Nacional de Alimentação e Actividade Física, os adultos não consomem frutas, hortícolas e legumes suficientes. Este é “um problema social”, alerta.

Então, por que oferecem os restaurantes estes menus? Porque os adultos que acompanham as crianças as deixam consumir esses produtos, e os restaurantes querem manter os seus clientes satisfeitos, responde Pedro Graça.​ Um exemplo concreto é o do restaurante Yours Bistrô, no Porto, que tinha um menu infantil composto por um mini-hambúrguer e por filetes de peixe feitos à mão, com batatas fritas ou arroz. Miguel Matos, gerente do restaurante, lamenta que as crianças prefiram douradinhos congelados, do supermercado, do que os caseiros, mais saudáveis. Por isso, o menu infantil desapareceu do cardápio, “não faz sentido existir e os miúdos só quererem congelados”, justifica.

Cláudia Viegas refere que a “palatabilidade” dos produtos — o que os torna agradáveis ao paladar —, fomenta o seu consumo. O crescimento do “sistema das refeições rápidas e já prontas” incentiva também o uso dos mesmos ingredientes na confecção; e o açúcar, sal e gordura são sabores “que conhecemos bem, e se associam ao sabor agradável e ao prazer”.

Usar as cores dos alimentos

Apesar disso, Pedro Graça defende que os restaurantes, se querem ter menus infantis, devem criá-los com critérios saudáveis e o apoio de nutricionistas. Por exemplo “pratos sazonais, para dar a conhecer os produtos de cada época, usando mais as cores dos alimentos como atracção, invés do açúcar, e incentivar o consumo de água e fruta” defende. Saber o valor nutricional dos produtos só seria interessante “se os pais conseguissem decifrar”.

Como incentivar as crianças a comerem coisas diferentes? “Antes de tudo, dando os adultos, o exemplo”, começa por dizer a professora da ESHTE. Se os alimentos aparecem à mesa, no dia-a-dia, aumenta a probabilidade das crianças adquirirem hábitos alimentares mais saudáveis. Insistir “com persistência, mas sem forçar”, dedicando tempo ao momento da refeição e fazendo dela “uma prioridade”. Por isso, incluir as crianças nas compras do supermercado e na preparação da refeição é uma forma de conhecerem melhor os alimentos que ingerem e, também, de passarem um bom tempo em família.

Mais do que a carne, os hortícolas são importantes, outra forma de incentivo que poderá ser utilizada é um maior conhecimento na confecção dos legumes, pois o mais comum é aprender a confeccionar pratos de carne e de peixe. “Os nomes dos pratos focam-se neste aspecto: ‘carne com…, peixe com…, bacalhau com …’. Socialmente não damos importância aos hortícolas, logo não desenvolvemos as técnicas apropriadas de preparação e confecção”, constata Cláudia Viegas.

Ambiente divertido

Sobre os menus desenhados para as crianças, a nutricionista considera que as doses servidas aos mais pequenos são “enormes”, e variam muito pouco — hambúrgueres, salsichas, nuggets, douradinhos, acompanhados de arroz e de batata frita, sem hortícolas e com inúmeras bebidas açucaradas à disposição, já “nem falando da sobremesa”, sublinha. Portanto, o ideal é que todos comam de forma saudável. À partida, em casa, não há pratos diferentes para adultos e crianças e, no restaurante, os miúdos “querem imitar os pais, logo um prato para pais e outro para os filhos não faz sentido”, considera Pedro Graça.

Além dos menus, os restaurantes procuram atrair as crianças através de espaços de diversão, no interior ou no exterior, com escorregas, jogos tradicionais ou individuais para colorir enquanto estão sentados à mesa. “Acho que quando os restaurantes oferecem muitos brinquedos não é bom sinal, pois estão mais preocupados em atrair as crianças através dos brinquedos do que pela comida que oferecem”, avalia o docente.

Já Cláudia Viegas considera que os espaços de diversão são “interessantes” para as crianças se divertirem enquanto os pais terminam a refeição, devido à sua dificuldade em permanecerem na mesa durante muito tempo. Contudo, esse deve ser gerido pelos adultos de forma a educar o estar à mesa”, conclui. Além do que é oferecido pelo restaurante, é comum ver as crianças agarradas aos tablets e telemóveis, perdendo-se assim o factor social em detrimento das novas tecnologias, lamentam os especialistas.

Consumo excessivo

De acordo com a Direcção-Geral de Saúde (DGS), o consumo máximo de gordura não deve exceder os 30% do valor energético diário, senão as crianças poderão sofrer de doenças cardiovasculares e circulatórias. O consumo excessivo de sal leva a “um risco alimentar evitável que mais contribui para a perda de anos de vida saudável”, revela a DGS. Já o açúcar pode levar ao aparecimento de diabetes.

A preocupação com a saúde alimentar dos portugueses tem sido tema de debate nestes últimos anos, tendo a DGS tomado várias medidas de combate ao problema. Em 2016 cerca de 30,7% das crianças sofriam de excesso de peso, e 11,7% de obesidade. No ano seguinte, foi criado o imposto especial de consumo sobre as bebidas adicionadas de açúcar e outros edulcorantes – incluído no Imposto sobre o Álcool e Bebidas Alcoólicas (IABA). Essa medida levou a indústria a alterar a composição dos produtos. Em 2017, as bebidas com elevado teor de açúcar passaram de 62% para 38% do mercado, diz o site oficial do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

No ano passado, além do imposto foi também feito um acordo com as indústrias para reduzir as quantidades de sal e açúcar nos produtos. Em 2020, a DGS espera “modificar a oferta alimentar em diversos espaços públicos, nomeadamente em todos os níveis de ensino e nas instituições do SNS”, pode-se ler no documento “Alimentação Saudável: Desafios e Estratégias 2018, elaborado pelo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável.

Texto editado por Bárbara Wong

Sim às papas, não à repetição do prato: 25 recomendações para bebés e crianças

Outubro 20, 2019 às 7:11 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Público de 16 de outubro de 2109.

A DGS lançou um manual recheado de recomendações. Diz, por exemplo, que não deve forçar a criança a comer mais, mas também que não deve deixar repetir. E que as refeições não devem ter mais de 30 minutos. Ou que as papas “normais” compradas podem ter benefícios em relação às bio e às caseiras.

Patrícia Jesus

Sabia que o primeiro ano é a fase em que mais se cresce durante toda a vida? Daí a importância da alimentação logo nos primeiros meses, mas também porque estas primeiras experiências moldam as preferências e a saúde/doença para a vida.

E depois do primeiro ano? Um novo manual da Direcção-Geral de Saúde (DGS) traz uma série de recomendações para uma alimentação saudável do nascimento aos seis anos, que valem para as famílias e para as creches e infantários. O objectivo é aplicar “a evidência científica mais recente” num documento de fácil leitura, que até tem propostas práticas.

Sabia, por exemplo, que não deve forçar a criança a comer mais quando não quer, mas também que não deve deixar repetir? Que as refeições não devem ter mais de 30 minutos? Ou que as papas “normais” compradas podem ter benefícios em relação às biológicas e às caseiras? Que não deve dar bolachas aos bebés com menos de um ano?

Bebés até um ano

O leite materno, em exclusivo, é o ideal para o bebé nos primeiros seis meses. O bebé deve ser alimentado quando pede.

– A mãe que amamenta deve ter uma alimentação variada e equilibrada e não precisa de excluir qualquer alimento da dieta.

– Quando os bebés não são amamentados, os pais devem optar por fórmulas pelo menos até ao final do primeiro ano, idealmente até aos 2-3 anos. E não deve ser excedido o volume de 180-210 ml por cada refeição.

– A partir dos seis meses de vida é essencial a introdução progressiva de outros alimentos, para treinar o paladar para novos sabores e texturas. Mas nunca sumos ou chá.

O bebé deve alimentar-se sentado, inicialmente à colher (sopas, papas, purés) e depois com colher e quando possível sozinho.

– A “auto-alimentação” (baby lead weaning) só deve adoptada quando exista comprovada segurança (neuromotora e nutricional) e sempre sob controlo do cuidador e vigilância médica.

– Deve ser respeitado o apetite da criança: logo, deixe a criança gerir a quantidade e respeite os sinais de auto-regulação do apetite. Esteja atento aos extremos, quando come sempre de mais ou de menos.

Sal e açúcar são proibidos no primeiro ano, o que exclui alimentos como sumos, sobremesas, bolos, doces e enchidos.

– No primeiro ano nada de alimentos processados, nem doces nem salgados – isto inclui, por exemplo, bolachas.

– Deve ser feita a suplementação com vitamina D pelo menos durante o primeiro de vida.

– Embora seja importante começar com a sopa, as papas são uma importante fonte de hidratos de carbono e, pela sua suplementação, são um importante veículo de vitaminas e minerais (ferro). E as comerciais “normais” até têm benefícios em relação às biológicas que não são enriquecidas e às caseiras, que “não são nutricionalmente seguras”.

– A proteína animal (carne ou peixe) não deve exceder as 30 g/dia, devendo oferecer-se carne quatro vezes e peixe três vezes por semana. O ovo pode ser introduzido a partir dos 8-9 meses de idade, até três vezes por semana, em vez da carne ou do peixe.

– Os alimentos devem ser progressivamente menos moídos, de forma a permitir a mastigação de alimentos moles aos oito meses.

– O iogurte natural pode ser introduzido aos 8-9 meses.

– Num bebé filho de mãe vegetariana, a realizar aleitamento materno, deve ser rigorosamente vigiada a suplementação materna em vitaminas e minerais e também ao bebé.

Depois de um ano

No final do primeiro ano de vida a transição para a alimentação da família deverá estar completa. Os pais são exemplos e esta é uma boa altura para melhorar a alimentação de toda a família.

Não permita repetições, incentive a comer devagar, respeite o horário das refeições e não mantenha a criança à mesa mais de 30 minutos.

Não substitua por outros alimentos aqueles que a criança não gosta e incentive à autonomia na mesa.

– É importante a alimentação ser variada — se houver uma recusa inicial de um alimento não desista e encoraje a experimentar coisas novas.

– Ofereça à criança apenas alimentos incluídos na roda dos alimentos.

O pequeno-almoço é importante, mas dê “cereais de pequeno-almoço” apenas de vez em quando, e não dê bolachas ou “pães doces” e embalados.

– As merendas devem integrar produtos lácteos (leite/iogurte/queijo), hidratos de carbono complexos (pão de cereais variados) e frutos. Bolachas e sumos apenas de vez em quando.

– Mantenha a sopa ao almoço e ao jantar.

– Ofereça água durante o dia e às refeições e deixe os sumos para os dias de festa – o leite não deve ser confundido com uma bebida, já que é um alimento.

– Por fim, a “criança pequena” tem necessidades alimentares “pequenas” e volumes “de adulto” estão totalmente desajustados das necessidades nutricionais desta idade, contribuindo para obesidade. Porções pequenas e variedade da oferta são fundamentais. E tudo completado com actividade física, aproveitando todas as oportunidades para pôr as crianças a mexer.

O manual citado na notícia é seguinte:

Alimentação Saudável dos 0 aos 6 anos : Linhas de Orientação para Profissionais e Educadores

Alimentação e crianças: atenção ao que coloca dentro de casa

Agosto 19, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Sapo Lifestyle de 11 de julho de 2019.

Nenhum alimento deve ser totalmente proibido, a não ser por recomendação médica. Saiba porquê neste artigo.

Entre outros alimentos saudáveis, tenha sempre em casa:

  • Fruta fresca;
  • Vegetais;
  • Pão e tostas integrais;
  • Iogurtes não açucarados, leite e queijos meio-gordos ou magros.

Evite ter em casa:

  • Fritos de pacote (snacks) e pipocas;
  • Bolachas recheadas;
  • Cereais açucarados, barras de cereais e iogurtes com muito açúcar;
  • Bolos;
  • Pães de massa doce, com recheios doces e croissants;
  • Rebuçados e gomas;
  • Chocolate, gelados e doces em geral;
  • Refrigerantes, sumos, leites aromatizados e outras bebidas açucaradas.

Estes géneros alimentícios, com excesso de açúcares, gordura e sal, não devem ser proibidos, mas devem ser consumidos apenas ocasionalmente, em dias de festa, e em pequena quantidade. É muito mais fácil dizer simplesmente “não há”, do que “não pode”.

Muitos pais acabam por ter estes produtos em casa para consumo próprio. Lembre-se que o seu exemplo vale mais do que aquilo que diz.

Atenção às refeições pré-confecionadas, refrigeradas ou congeladas. Estas preparações costumam ter mais sal e gorduras do que as refeições preparadas em casa com ingredientes naturais. Utilize-as apenas como último recurso e compare os rótulos das embalagens para escolher as melhores alternativas.

Sumos e bebidas açucaradas

O consumo de sumos e bebidas açucaradas pode diminuir o apetite da criança para a próxima refeição. Além disso, estas bebidas têm muitas calorias e açúcares e contribuem para o excesso de peso. O melhor é não tê-las em casa. Guarde-as para dias de festa e em pequenas quantidades, de preferência diluídas com metade da quantidade de água.

A água deve ser a bebida de eleição para satisfazer a sede. Procure servir a água e todos os líquidos num copo de transição até que o seu filho esteja pronto a usar um copo normal. Evite os biberões. Se a sua criança ainda não deixou o biberão, deve deixar até aos 2 anos de idade.

Nada deve ser totalmente proibido

Nenhum alimento deve ser totalmente proibido, a não ser por recomendação médica.

Se a criança vê outras pessoas a comerem alimentos que lhe são proibidos, vai ter muito mais curiosidade e desejo de os comer e é muito provável que exagere na primeira oportunidade que tiver para o fazer.

Se não quer que o seu filho coma regularmente determinados alimentos, não os tenha em casa e dê o exemplo. Em ocasiões especiais, em que outras pessoas estejam a consumi-los, deixe que coma uma quantidade razoável para a idade.

O seu exemplo vale mais do que aquilo que diz

Os pais exercem as influências mais fortes e duradouras nos comportamentos dos filhos.

É através dos seus exemplos que o seu filho vai começar a formar a sua própria noção do que é certo ou errado também em termos de alimentação. Outras influências virão. Mas aquilo o que vê em casa será sempre determinante.

Para mais informações consulte www.papabem.pt

Alimentação e crianças: não descure do pequeno-almoço

Agosto 12, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do site Sapo Lifestyle de 12 de julho de 2019.

Se, pontualmente, o seu filho não quiser comer o pequeno-almoço, não se preocupe. Cuide apenas para que isso não se transforme num hábito.

O pequeno-almoço é uma refeição muito importante. Vários estudos demonstram que as crianças que não comem ao pequeno-almoço têm mais problemas de concentração durante as primeiras horas do dia.

Muitas famílias se queixam da dificuldade em organizar as suas rotinas para que todos façam um pequeno-almoço saudável e tranquilo.

Aqui vão algumas sugestões

À noite, antes de deitar, deixe:

– as roupas para o dia seguinte separadas

– Se ainda assim não resultar, pode ser necessário acordar mais cedo.

Por vezes, as crianças não têm apetite logo que acordam. Se assim for, ofereça o pequeno-almoço depois de fazerem as outras tarefas.

Alguns especialistas sugerem que se ofereça um copo de sumo de laranja antes do pequeno-almoço para abrir o apetite da criança. Mas esta prática deve servir apenas por um período, até que a criança se habitue a comer o pequeno-almoço, e não deve passar a ser um hábito.

Se, pontualmente, o seu filho não quiser comer o pequeno-almoço, não se preocupe. Cuide apenas para que isso não se transforme num hábito e para que faça um lanche ao meio da manhã.

Para mais informações consulte www.papabem.pt

Bebé de 19 meses pesava menos de 5kg devido à dieta vegan dos pais

Maio 25, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do MAGG de 9 de maio de 2019.

por Catarina da Eira Ballestero

O caso passou-se na Austrália. A bebé não tinha dentes, não se conseguia pôr em pé e tinha o aspeto de uma criança de 3 meses.

Em Sydney, na Austrália, um casal está a ser julgado em tribunal depois de se terem declarados culpados de não cuidarem da saúde da sua filha mais nova, uma criança de 3 anos. O caso remonta à época em que a menina tinha apenas 19 meses, e deu entrada num hospital australiano depois de ter convulsões. A razão? A bebé seguia uma dieta vegan imposta pelos pais, e estava severamente mal nutrida.

A mãe e o pai da criança, de 32 e 35 anos, respetivamente, não incluíam na alimentação da bebé os nutrientes básicos para o desenvolvimento de uma criança, o que fez com que a menina não tivesse dentes, nem se conseguisse manter de pé. Para além disso, não existiam quaisquer registos médicos a seguir ao seu nascimento, e nem os vizinhos da família sabiam da sua existência — estavam habituados a ver os irmãos mais velhos da menina a brincar no quintal, mas nunca viram a filha mais nova do casal.

Depois de ter tido uma convulsão que a levou ao hospital, a bebé ficou internada durante cerca de um mês, em março de 2018, com a mãe sempre ao seu lado. Questionada pelos médicos, a mãe descreveu a rotina alimentar da menina: ao pequeno-almoço, comia papas de aveia com leite de arroz e meia banana, e uma torrada com geleia ou manteiga de amendoim ao almoço; ao jantar, comia tofu, arroz ou batatas. A australiana acrescentou ainda que a filha mamava uma vez por dia, e que fazia snacks de fruta ou mais papas de aveia.

Esta dieta resultou numa severa deficiência de nutrientes no organismo da criança, como falta de cálcio, vitamina A, ferro, zinco, entre outros.

O testemunho escrito de uma guardiã legal, que tomou conta da menina após a sua saída do hospital, revelou os danos que esta alimentação causou na criança: “Nos primeiros 19 meses da sua vida, a menina não recebeu os cuidados básicos necessários ao seu desenvolvimento. Estava indefesa e incapaz de se proteger dos pais”, escreve o “Daily Mail”, citando o depoimento.

Quando a guardiã legal conheceu a menina, esta pesava menos de 5 quilos e parecia um bebé de 3 meses. Não tinha dentes, não se conseguia sentar ou rolar no chão, nem sequer usar as mãos para pegar ou interagir com brinquedos.

Agora, aos 3 anos de idade, a menina desenvolveu um apetite saudável mas, devido à sua pequena estatura, é considerada obesa. Tudo porque não se desenvolveu como devia, na altura que devia. Pesa cerca de 11 quilos, mas já consegue gatinhar e manter-se em pé sozinha.

Depois de ter ficado à guarda do estado após a saída do hospital, juntamente com os seus dois irmãos mais velhos, as três crianças vivem agora com um familiar.

Os pais declararam-se culpados de não terem prestado os cuidados de saúde devidos à filha e aguardam uma sentença.

 

Erros alimentares das crianças são responsabilidade dos pais

Abril 3, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 18 de março de 2019.

Rita Costa

Ou porque compensam com doces, ou porque não dão o melhor exemplo, os pais acabam por cometer erros na alimentação dos filhos. O alerta é da nutricionista Helena Canário.

“Dar a uma criança com menos de 12 meses refrigerantes como um ice tea, que é uma bebida que os pais consideramque não faz mal, mas que tem imenso açúcar” é um erro crasso, defende a nutricionista Helena Canário.

“TSF Pais e Filhos”, um programa de Rita Costa, com sonorização de Miguel Silva

A nutricionista acredita que “a maioria dos erros acaba por ser a compensação que se dá porque não se está todos os dias, ou porque os meninos estão no infantário e os pais não estão presentes na hora da refeição”.

“Provavelmente, no momento em que estão juntos, os pais não querem ser os maus da fita”, afirma Helena Canário, que reconhece que dizer sim é mais fácil. “Por isso, muitas vezes os pais vão prevaricando e oferecem às crianças alimentos que não são os mais saudáveis.”

Outras vezes, o problema deriva do exemplo e por desconhecimento, ou não, os pais cometem erros alimentares: “Os hábitos da criança refletem os hábitos da família.” “A maioria das crianças tem alguma relutância em consumir fruta e vegetais, mas isto porque, se calhar, os seus pais não os consomem em quantidade”, sublinha Helena Canário.

Ouvir as declarações de Ana canário no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/saude/interior/erros-alimentares-das-criancas-sao-responsabilidade-dos-pais-10688465.html?fbclid=IwAR1uBJ2WG0fhr2-G-fWCfIfPPEfIeY5FMm60IfdSdZtfRsDroe5PG7L4sfM

Proibida a publicidade a doces e refrigerantes perto das escolas e nos programas infantis

Abril 1, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do site Viver Saudável de 15 de março de 2019.

Lei limita publicidade a refrigerantes, batatas fritas e outros produtos nas escolas e suas imediações, bem como nos intervalos de programas e filmes ou apps para menores de 16 anos. Depois de três anos de impasse, foram publicadas as restrições à publicidade de produtos alimentares destinados a crianças e jovens.

A Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas da Assembleia da República aprovou para votação final global, para esta sexta-feira, o texto baseado nas propostas do PS, PEV e PAN, que define as limitações à publicidade para menores de 16 anos, de produtos compostos por valores elevados de açúcar, sal e gorduras saturadas.

O documento que altera o Código da Publicidade define agora que os anúncios de produtos que contenham elevado valor energético, teor de sal, açúcar, ácidos gordos saturados e transformados passam a ser proibidos dentro dum raio circundante de 100 metros dos estabelecimentos de ensino do pré-escolar, básico e secundário, bem como em parques infantis.

Além disso, é banida a publicidade dos programas infantis (de rádio ou televisão) ou outros cuja audiência de menores de 16 anos correspondam a uma percentagem mínima de 25%, assim como dos intervalos e nos 30 minutos antes e depois do programa. Este tipo de anúncios fica, ainda, também excluída das salas de cinema em filmes para menores de 16 anos e de páginas na internet e redes sociais destinadas a crianças. Na promoção destes produtos, as marcas deixam também de poder usar mascotes ou personagens ligadas ao mundo infantil.

A DGS, que há vários anos marcou este tema como prioritário, vai definir os valores a partir dos quais se considera que um alimento tem elevado teor de sal, açúcar ou gordura. «Vamos dar início ao processo, mas a Organização Mundial de Saúde já definiu o perfil nutricional dos alimentos para medidas que regulam o marketing alimentar dirigido a crianças», adianta Maria João Gregório, diretora do PNPAS.

Em causa estarão produtos alimentares como bolachas, cereais de pequeno-almoço, gomas e refrigerantes. Segundo Maria João Gregório, há alguns alimentos que não poderão ter qualquer publicidade nos contextos descritos, enquanto para outros será definido um perfil nutricional. «A evidência científica mostra que há uma associação entre a publicidade e as decisões e o consumo alimentar por parte das crianças, por isso é que esta é uma área tão importante para a promoção de hábitos saudáveis neste grupo da população», alerta a nutricionista, destacando que, regra geral, «os alimentos alvo de publicidade têm um perfil nutricional menos adequado».

A evidência científica mostra que há uma associação entre a publicidade e o consumo destes alimentos por parte das crianças,

Para Alexandra Bento, esta é uma «medida protecionista», uma legislação baseada no «princípio de cautela». «Se há alimentos que pelas suas características e momentos de consumo podem ser prejudiciais na vida presente ou futura das crianças, esta é uma medida legislativa que tem interesse», defende. Em geral, a Ordem defende a autorregulação, «mas quando há um superior interesse – que neste caso é a saúde das crianças – as medidas legislativas devem aparecer».

«Desde 2006 que Os Verdes têm vindo a apresentar iniciativas para que esta matéria fosse legislada», disse à fonte Heloísa Apolónia, deputada do partido ecologista, manifestando «satisfação» com o final do processo. «Não vai resolver o problema da obesidade infantil, mas pode ser um contributo para que os jovens não sejam aliciados constantemente de forma agressiva a consumir alimentos ricos em sal, gorduras e outros nutrientes, que não são benéficos quando consumidos em excesso». No decorrer da discussão, o setor privado sugestionou que fosse criado um código de conduta nesta matéria. «Preferia autorregulação e não uma regulação estabelecida por lei. Mas não foi esse o nosso entendimento e o dos outros partidos», adianta Heloísa Apolónia.

Contactada pela fonte, Cristina Rodrigues, da Comissão Política Nacional do PAN, recorda que a opinião do partido era no sentido que «estas restrições fossem aplicadas a menores de 18 anos, mas só assim foi possível o consenso». Na sua opinião, a indústria continua a exercer pressão sobre os decisores, mas alerta que «este é um passo importante» para a adoção de medidas mais preventivas e para que se promova «uma maior literacia alimentar».

No que diz respeito à idade, o consenso foi reunido em torno da proposta do PS, que previa proteção acrescida aos menores de 16 anos, enquanto o PSD sugeria os 12 anos e o CDS-PP os 14. O deputado do PS Pedro Delgado Alves destaca ao “Diário de Notícias” o facto de a lei definir considerações sobre a publicidade destes alimentos, já que é referido que quem publicita estes produtos devem abster-se de «encorajar consumos excessivos», «criar um sentido de urgência ou necessidade do produto», entre outras restrições. Quem não cumprir será punido com multas que vão dos 1.750 aos 45 000 euros.

Para a constituição do documento foram ouvidas diversas entidades, nomeadamente os representantes do setor privado, a Associação Portuguesa contra a Obesidade Infantil e a DGS.

Projeto de Lei 120/XIII

Procede à 14ª alteração ao Código da Publicidade, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 330/90, de 23 de outubro, estabelecendo restrições à publicidade dirigida a menores de determinados produtos alimentares e bebidas

https://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=40033

Projeto de Lei 123/XIII

Regula a publicidade a produtos alimentares, dirigida a crianças e jovens, alterando o Código da Publicidade

https://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=40035

 

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