Refeições em família. Têm sempre de ser um pesadelo?

Fevereiro 27, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapolifestyle de 15 de janeiro de 2020.

Ana Rita Lopes (Nutricionista)

Ter filhos implica fazer refeições só para eles? Será que as crianças têm sempre de odiar a hora de jantar? Ana Rita Lopes, responsável pela Unidade de Nutrição do Hospital Lusíadas Lisboa, esclarece estas e outras dúvidas.

Como é que se pode aumentar o interesse das crianças pelos alimentos?

As crianças podem ser introduzidas no mundo da alimentação desde muito pequenas e é importante que estejam familiarizadas com os diferentes alimentos, para que não rejeitem a sua ingestão.

As crianças podem participar na preparação de tarefas simples e sempre sob vigilância de um adulto, como lavar os legumes, ajudar a temperar a refeição… A criança terá muito mais gosto em consumir uma refeição que foi feita por ela. É importante deixá-las participar neste processo.

De que forma é que se podem confecionar refeições em família sem cozinhar em exclusivo para as crianças?

Os pais são um grande exemplo para o filhos. Não adianta promovermos o consumo de determinados alimentos junto das crianças se elas nunca viram os progenitores a ingerir esses alimentos. Por este motivo, torna-se importante a confeção e a partilha de refeições em família. Tal é conseguido através de refeições simples, apelativas, nutricionalmente ricas e que envolvam a participação de todos os membros da família.

As refeições em família são mais benéficas?

Fazer refeições em família estimula o planeamento de refeições saudáveis, uma vez que permite a partilha de gostos e emoções. Estudos recentes demonstraram que as refeições em família, mesmo que aconteçam só uma ou duas vezes por semana, aumentam o consumo de frutas e vegetais pelas crianças. Deste modo, é importante o envolvimento e o contributo de todos, assim como o seu reconhecimento para que de forma harmoniosa se confecione refeições saudáveis. Para além de benefícios para a saúde, são uma boa oportunidade para conversar em família e proporcionar um ambiente ideal para fortalecimento dos valores familiares.

Porque é que o pequeno-almoço é tão importante?

O pequeno-almoço é a primeira refeição do dia e quebra o jejum depois do período de sono. Durante o sono os nossos níveis energéticos baixam e são apenas utilizados para a manutenção das funções vitais, pelo que é de extrema importância nunca omitir esta refeição de modo a repor estes níveis e consequentemente melhorar o rendimento cognitivo e reduzir o apetite para o almoço, contribuindo para uma distribuição alimentar e calórica mais saudável e equilibrada ao longo do dia.

Como deve ser esse pequeno-almoço?

O pequeno-almoço não tem que ser necessariamente muito elaborado para repor os níveis energéticos. Poderá ser preparado de forma simples, porém não devem faltar determinados grupos alimentares como a fruta fresca da época, o pão escuro ou flocos de cereais pouco açucarados, o leite ou iogurte, sem esquecer a água ao iniciar o dia. São exemplos de pequenos-almoços rápidos:

– 1 iogurte + 1 pão integral (tipo bola) + creme vegetal + 1 peça fruta

– 1 taça com aveia + 1 iogurte + fruta aos pedaços + 1 colher de sementes

Quais são os principais erros das famílias portuguesas na alimentação?

Sair de casa sem tomar o pequeno-almoço; haver uma presença constante de sumos e refrigerantes durante as refeições; o recurso frequente a refeições pré-confecionadas; o baixo consumo de legumes e leguminosas nas refeições principais, por exemplo.

10 mandamentos básicos para uma alimentação saudável em família

  1. Planear refeições saudáveis em família
  2. Fazer uma alimentação variada, equilibrada e completa
  3. Fazer 5 a 6 refeições por dia
  4. Tomar o pequeno-almoço
  5. Comer devagar e mastigar bem os alimentos
  6. Não estar mais de 3 horas sem comer
  7. Ingerir água ao longo do dia
  8. Preferir os grelhados, cozidos, assados, estufados em substituição dos fritos
  9. Excluir os doces e produtos açucarados da rotina diária (só em ocasiões festivas)
  10. Privilegiar o azeite em detrimento de outras gorduras

Os conselhos são da nutricionista Ana Rita Lopes, do Hospital Lusíadas Lisboa

Hamburguer, bolonhesa ou douradinhos: como alterar os hábitos das crianças nos restaurantes?

Dezembro 17, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de dezembro de 2019.

Como incentivar as crianças a comerem coisas diferentes? “Antes de tudo, dando os adultos, o exemplo”, defendem os nutricionistas ouvidos pelo PÚBLICO.

Diana Vilas Boas

Apesar de nem todos os restaurantes terem menu infantil, os que têm optam, quase sempre, por oferecer carnes picadas em hambúrgueres ou bolonhesas, por batatas fritas ou massa. Também há nuggets ou panados e os legumes raramente estão presentes no prato. Quanto às bebidas, podem ser água, sumos do dia ou refrigerantes. Para sobremesa, há uma bola de gelado, gelatina ou fruta. Estas ofertas são transversais — seja no restaurante do hotel de cinco estrelas, seja no de bairro. Opções essas que, na maior parte das vezes, são “pouco saudáveis”, alertam os nutricionistas.

“As escolhas dos menus infantis pouco saudáveis não se reduzem à quantidade de gordura, sal e açúcar, o grande problema é que não se incentiva à presença de frutas e hortícolas” nos pratos, alerta Pedro Graça, nutricionista, professor e director da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP).

Para Cláudia Viegas, nutricionista e docente na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE), “o ambiente e oferta da restauração apenas reflecte os hábitos alimentares de casa”, pois, de acordo com os dados do último Inquérito Nacional de Alimentação e Actividade Física, os adultos não consomem frutas, hortícolas e legumes suficientes. Este é “um problema social”, alerta.

Então, por que oferecem os restaurantes estes menus? Porque os adultos que acompanham as crianças as deixam consumir esses produtos, e os restaurantes querem manter os seus clientes satisfeitos, responde Pedro Graça.​ Um exemplo concreto é o do restaurante Yours Bistrô, no Porto, que tinha um menu infantil composto por um mini-hambúrguer e por filetes de peixe feitos à mão, com batatas fritas ou arroz. Miguel Matos, gerente do restaurante, lamenta que as crianças prefiram douradinhos congelados, do supermercado, do que os caseiros, mais saudáveis. Por isso, o menu infantil desapareceu do cardápio, “não faz sentido existir e os miúdos só quererem congelados”, justifica.

Cláudia Viegas refere que a “palatabilidade” dos produtos — o que os torna agradáveis ao paladar —, fomenta o seu consumo. O crescimento do “sistema das refeições rápidas e já prontas” incentiva também o uso dos mesmos ingredientes na confecção; e o açúcar, sal e gordura são sabores “que conhecemos bem, e se associam ao sabor agradável e ao prazer”.

Usar as cores dos alimentos

Apesar disso, Pedro Graça defende que os restaurantes, se querem ter menus infantis, devem criá-los com critérios saudáveis e o apoio de nutricionistas. Por exemplo “pratos sazonais, para dar a conhecer os produtos de cada época, usando mais as cores dos alimentos como atracção, invés do açúcar, e incentivar o consumo de água e fruta” defende. Saber o valor nutricional dos produtos só seria interessante “se os pais conseguissem decifrar”.

Como incentivar as crianças a comerem coisas diferentes? “Antes de tudo, dando os adultos, o exemplo”, começa por dizer a professora da ESHTE. Se os alimentos aparecem à mesa, no dia-a-dia, aumenta a probabilidade das crianças adquirirem hábitos alimentares mais saudáveis. Insistir “com persistência, mas sem forçar”, dedicando tempo ao momento da refeição e fazendo dela “uma prioridade”. Por isso, incluir as crianças nas compras do supermercado e na preparação da refeição é uma forma de conhecerem melhor os alimentos que ingerem e, também, de passarem um bom tempo em família.

Mais do que a carne, os hortícolas são importantes, outra forma de incentivo que poderá ser utilizada é um maior conhecimento na confecção dos legumes, pois o mais comum é aprender a confeccionar pratos de carne e de peixe. “Os nomes dos pratos focam-se neste aspecto: ‘carne com…, peixe com…, bacalhau com …’. Socialmente não damos importância aos hortícolas, logo não desenvolvemos as técnicas apropriadas de preparação e confecção”, constata Cláudia Viegas.

Ambiente divertido

Sobre os menus desenhados para as crianças, a nutricionista considera que as doses servidas aos mais pequenos são “enormes”, e variam muito pouco — hambúrgueres, salsichas, nuggets, douradinhos, acompanhados de arroz e de batata frita, sem hortícolas e com inúmeras bebidas açucaradas à disposição, já “nem falando da sobremesa”, sublinha. Portanto, o ideal é que todos comam de forma saudável. À partida, em casa, não há pratos diferentes para adultos e crianças e, no restaurante, os miúdos “querem imitar os pais, logo um prato para pais e outro para os filhos não faz sentido”, considera Pedro Graça.

Além dos menus, os restaurantes procuram atrair as crianças através de espaços de diversão, no interior ou no exterior, com escorregas, jogos tradicionais ou individuais para colorir enquanto estão sentados à mesa. “Acho que quando os restaurantes oferecem muitos brinquedos não é bom sinal, pois estão mais preocupados em atrair as crianças através dos brinquedos do que pela comida que oferecem”, avalia o docente.

Já Cláudia Viegas considera que os espaços de diversão são “interessantes” para as crianças se divertirem enquanto os pais terminam a refeição, devido à sua dificuldade em permanecerem na mesa durante muito tempo. Contudo, esse deve ser gerido pelos adultos de forma a educar o estar à mesa”, conclui. Além do que é oferecido pelo restaurante, é comum ver as crianças agarradas aos tablets e telemóveis, perdendo-se assim o factor social em detrimento das novas tecnologias, lamentam os especialistas.

Consumo excessivo

De acordo com a Direcção-Geral de Saúde (DGS), o consumo máximo de gordura não deve exceder os 30% do valor energético diário, senão as crianças poderão sofrer de doenças cardiovasculares e circulatórias. O consumo excessivo de sal leva a “um risco alimentar evitável que mais contribui para a perda de anos de vida saudável”, revela a DGS. Já o açúcar pode levar ao aparecimento de diabetes.

A preocupação com a saúde alimentar dos portugueses tem sido tema de debate nestes últimos anos, tendo a DGS tomado várias medidas de combate ao problema. Em 2016 cerca de 30,7% das crianças sofriam de excesso de peso, e 11,7% de obesidade. No ano seguinte, foi criado o imposto especial de consumo sobre as bebidas adicionadas de açúcar e outros edulcorantes – incluído no Imposto sobre o Álcool e Bebidas Alcoólicas (IABA). Essa medida levou a indústria a alterar a composição dos produtos. Em 2017, as bebidas com elevado teor de açúcar passaram de 62% para 38% do mercado, diz o site oficial do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

No ano passado, além do imposto foi também feito um acordo com as indústrias para reduzir as quantidades de sal e açúcar nos produtos. Em 2020, a DGS espera “modificar a oferta alimentar em diversos espaços públicos, nomeadamente em todos os níveis de ensino e nas instituições do SNS”, pode-se ler no documento “Alimentação Saudável: Desafios e Estratégias 2018, elaborado pelo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável.

Texto editado por Bárbara Wong

Sim às papas, não à repetição do prato: 25 recomendações para bebés e crianças

Outubro 20, 2019 às 7:11 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Público de 16 de outubro de 2109.

A DGS lançou um manual recheado de recomendações. Diz, por exemplo, que não deve forçar a criança a comer mais, mas também que não deve deixar repetir. E que as refeições não devem ter mais de 30 minutos. Ou que as papas “normais” compradas podem ter benefícios em relação às bio e às caseiras.

Patrícia Jesus

Sabia que o primeiro ano é a fase em que mais se cresce durante toda a vida? Daí a importância da alimentação logo nos primeiros meses, mas também porque estas primeiras experiências moldam as preferências e a saúde/doença para a vida.

E depois do primeiro ano? Um novo manual da Direcção-Geral de Saúde (DGS) traz uma série de recomendações para uma alimentação saudável do nascimento aos seis anos, que valem para as famílias e para as creches e infantários. O objectivo é aplicar “a evidência científica mais recente” num documento de fácil leitura, que até tem propostas práticas.

Sabia, por exemplo, que não deve forçar a criança a comer mais quando não quer, mas também que não deve deixar repetir? Que as refeições não devem ter mais de 30 minutos? Ou que as papas “normais” compradas podem ter benefícios em relação às biológicas e às caseiras? Que não deve dar bolachas aos bebés com menos de um ano?

Bebés até um ano

O leite materno, em exclusivo, é o ideal para o bebé nos primeiros seis meses. O bebé deve ser alimentado quando pede.

– A mãe que amamenta deve ter uma alimentação variada e equilibrada e não precisa de excluir qualquer alimento da dieta.

– Quando os bebés não são amamentados, os pais devem optar por fórmulas pelo menos até ao final do primeiro ano, idealmente até aos 2-3 anos. E não deve ser excedido o volume de 180-210 ml por cada refeição.

– A partir dos seis meses de vida é essencial a introdução progressiva de outros alimentos, para treinar o paladar para novos sabores e texturas. Mas nunca sumos ou chá.

O bebé deve alimentar-se sentado, inicialmente à colher (sopas, papas, purés) e depois com colher e quando possível sozinho.

– A “auto-alimentação” (baby lead weaning) só deve adoptada quando exista comprovada segurança (neuromotora e nutricional) e sempre sob controlo do cuidador e vigilância médica.

– Deve ser respeitado o apetite da criança: logo, deixe a criança gerir a quantidade e respeite os sinais de auto-regulação do apetite. Esteja atento aos extremos, quando come sempre de mais ou de menos.

Sal e açúcar são proibidos no primeiro ano, o que exclui alimentos como sumos, sobremesas, bolos, doces e enchidos.

– No primeiro ano nada de alimentos processados, nem doces nem salgados – isto inclui, por exemplo, bolachas.

– Deve ser feita a suplementação com vitamina D pelo menos durante o primeiro de vida.

– Embora seja importante começar com a sopa, as papas são uma importante fonte de hidratos de carbono e, pela sua suplementação, são um importante veículo de vitaminas e minerais (ferro). E as comerciais “normais” até têm benefícios em relação às biológicas que não são enriquecidas e às caseiras, que “não são nutricionalmente seguras”.

– A proteína animal (carne ou peixe) não deve exceder as 30 g/dia, devendo oferecer-se carne quatro vezes e peixe três vezes por semana. O ovo pode ser introduzido a partir dos 8-9 meses de idade, até três vezes por semana, em vez da carne ou do peixe.

– Os alimentos devem ser progressivamente menos moídos, de forma a permitir a mastigação de alimentos moles aos oito meses.

– O iogurte natural pode ser introduzido aos 8-9 meses.

– Num bebé filho de mãe vegetariana, a realizar aleitamento materno, deve ser rigorosamente vigiada a suplementação materna em vitaminas e minerais e também ao bebé.

Depois de um ano

No final do primeiro ano de vida a transição para a alimentação da família deverá estar completa. Os pais são exemplos e esta é uma boa altura para melhorar a alimentação de toda a família.

Não permita repetições, incentive a comer devagar, respeite o horário das refeições e não mantenha a criança à mesa mais de 30 minutos.

Não substitua por outros alimentos aqueles que a criança não gosta e incentive à autonomia na mesa.

– É importante a alimentação ser variada — se houver uma recusa inicial de um alimento não desista e encoraje a experimentar coisas novas.

– Ofereça à criança apenas alimentos incluídos na roda dos alimentos.

O pequeno-almoço é importante, mas dê “cereais de pequeno-almoço” apenas de vez em quando, e não dê bolachas ou “pães doces” e embalados.

– As merendas devem integrar produtos lácteos (leite/iogurte/queijo), hidratos de carbono complexos (pão de cereais variados) e frutos. Bolachas e sumos apenas de vez em quando.

– Mantenha a sopa ao almoço e ao jantar.

– Ofereça água durante o dia e às refeições e deixe os sumos para os dias de festa – o leite não deve ser confundido com uma bebida, já que é um alimento.

– Por fim, a “criança pequena” tem necessidades alimentares “pequenas” e volumes “de adulto” estão totalmente desajustados das necessidades nutricionais desta idade, contribuindo para obesidade. Porções pequenas e variedade da oferta são fundamentais. E tudo completado com actividade física, aproveitando todas as oportunidades para pôr as crianças a mexer.

O manual citado na notícia é seguinte:

Alimentação Saudável dos 0 aos 6 anos : Linhas de Orientação para Profissionais e Educadores

Alimentação e crianças: atenção ao que coloca dentro de casa

Agosto 19, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Sapo Lifestyle de 11 de julho de 2019.

Nenhum alimento deve ser totalmente proibido, a não ser por recomendação médica. Saiba porquê neste artigo.

Entre outros alimentos saudáveis, tenha sempre em casa:

  • Fruta fresca;
  • Vegetais;
  • Pão e tostas integrais;
  • Iogurtes não açucarados, leite e queijos meio-gordos ou magros.

Evite ter em casa:

  • Fritos de pacote (snacks) e pipocas;
  • Bolachas recheadas;
  • Cereais açucarados, barras de cereais e iogurtes com muito açúcar;
  • Bolos;
  • Pães de massa doce, com recheios doces e croissants;
  • Rebuçados e gomas;
  • Chocolate, gelados e doces em geral;
  • Refrigerantes, sumos, leites aromatizados e outras bebidas açucaradas.

Estes géneros alimentícios, com excesso de açúcares, gordura e sal, não devem ser proibidos, mas devem ser consumidos apenas ocasionalmente, em dias de festa, e em pequena quantidade. É muito mais fácil dizer simplesmente “não há”, do que “não pode”.

Muitos pais acabam por ter estes produtos em casa para consumo próprio. Lembre-se que o seu exemplo vale mais do que aquilo que diz.

Atenção às refeições pré-confecionadas, refrigeradas ou congeladas. Estas preparações costumam ter mais sal e gorduras do que as refeições preparadas em casa com ingredientes naturais. Utilize-as apenas como último recurso e compare os rótulos das embalagens para escolher as melhores alternativas.

Sumos e bebidas açucaradas

O consumo de sumos e bebidas açucaradas pode diminuir o apetite da criança para a próxima refeição. Além disso, estas bebidas têm muitas calorias e açúcares e contribuem para o excesso de peso. O melhor é não tê-las em casa. Guarde-as para dias de festa e em pequenas quantidades, de preferência diluídas com metade da quantidade de água.

A água deve ser a bebida de eleição para satisfazer a sede. Procure servir a água e todos os líquidos num copo de transição até que o seu filho esteja pronto a usar um copo normal. Evite os biberões. Se a sua criança ainda não deixou o biberão, deve deixar até aos 2 anos de idade.

Nada deve ser totalmente proibido

Nenhum alimento deve ser totalmente proibido, a não ser por recomendação médica.

Se a criança vê outras pessoas a comerem alimentos que lhe são proibidos, vai ter muito mais curiosidade e desejo de os comer e é muito provável que exagere na primeira oportunidade que tiver para o fazer.

Se não quer que o seu filho coma regularmente determinados alimentos, não os tenha em casa e dê o exemplo. Em ocasiões especiais, em que outras pessoas estejam a consumi-los, deixe que coma uma quantidade razoável para a idade.

O seu exemplo vale mais do que aquilo que diz

Os pais exercem as influências mais fortes e duradouras nos comportamentos dos filhos.

É através dos seus exemplos que o seu filho vai começar a formar a sua própria noção do que é certo ou errado também em termos de alimentação. Outras influências virão. Mas aquilo o que vê em casa será sempre determinante.

Para mais informações consulte www.papabem.pt

Alimentação e crianças: não descure do pequeno-almoço

Agosto 12, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do site Sapo Lifestyle de 12 de julho de 2019.

Se, pontualmente, o seu filho não quiser comer o pequeno-almoço, não se preocupe. Cuide apenas para que isso não se transforme num hábito.

O pequeno-almoço é uma refeição muito importante. Vários estudos demonstram que as crianças que não comem ao pequeno-almoço têm mais problemas de concentração durante as primeiras horas do dia.

Muitas famílias se queixam da dificuldade em organizar as suas rotinas para que todos façam um pequeno-almoço saudável e tranquilo.

Aqui vão algumas sugestões

À noite, antes de deitar, deixe:

– as roupas para o dia seguinte separadas

– Se ainda assim não resultar, pode ser necessário acordar mais cedo.

Por vezes, as crianças não têm apetite logo que acordam. Se assim for, ofereça o pequeno-almoço depois de fazerem as outras tarefas.

Alguns especialistas sugerem que se ofereça um copo de sumo de laranja antes do pequeno-almoço para abrir o apetite da criança. Mas esta prática deve servir apenas por um período, até que a criança se habitue a comer o pequeno-almoço, e não deve passar a ser um hábito.

Se, pontualmente, o seu filho não quiser comer o pequeno-almoço, não se preocupe. Cuide apenas para que isso não se transforme num hábito e para que faça um lanche ao meio da manhã.

Para mais informações consulte www.papabem.pt

Bebé de 19 meses pesava menos de 5kg devido à dieta vegan dos pais

Maio 25, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do MAGG de 9 de maio de 2019.

por Catarina da Eira Ballestero

O caso passou-se na Austrália. A bebé não tinha dentes, não se conseguia pôr em pé e tinha o aspeto de uma criança de 3 meses.

Em Sydney, na Austrália, um casal está a ser julgado em tribunal depois de se terem declarados culpados de não cuidarem da saúde da sua filha mais nova, uma criança de 3 anos. O caso remonta à época em que a menina tinha apenas 19 meses, e deu entrada num hospital australiano depois de ter convulsões. A razão? A bebé seguia uma dieta vegan imposta pelos pais, e estava severamente mal nutrida.

A mãe e o pai da criança, de 32 e 35 anos, respetivamente, não incluíam na alimentação da bebé os nutrientes básicos para o desenvolvimento de uma criança, o que fez com que a menina não tivesse dentes, nem se conseguisse manter de pé. Para além disso, não existiam quaisquer registos médicos a seguir ao seu nascimento, e nem os vizinhos da família sabiam da sua existência — estavam habituados a ver os irmãos mais velhos da menina a brincar no quintal, mas nunca viram a filha mais nova do casal.

Depois de ter tido uma convulsão que a levou ao hospital, a bebé ficou internada durante cerca de um mês, em março de 2018, com a mãe sempre ao seu lado. Questionada pelos médicos, a mãe descreveu a rotina alimentar da menina: ao pequeno-almoço, comia papas de aveia com leite de arroz e meia banana, e uma torrada com geleia ou manteiga de amendoim ao almoço; ao jantar, comia tofu, arroz ou batatas. A australiana acrescentou ainda que a filha mamava uma vez por dia, e que fazia snacks de fruta ou mais papas de aveia.

Esta dieta resultou numa severa deficiência de nutrientes no organismo da criança, como falta de cálcio, vitamina A, ferro, zinco, entre outros.

O testemunho escrito de uma guardiã legal, que tomou conta da menina após a sua saída do hospital, revelou os danos que esta alimentação causou na criança: “Nos primeiros 19 meses da sua vida, a menina não recebeu os cuidados básicos necessários ao seu desenvolvimento. Estava indefesa e incapaz de se proteger dos pais”, escreve o “Daily Mail”, citando o depoimento.

Quando a guardiã legal conheceu a menina, esta pesava menos de 5 quilos e parecia um bebé de 3 meses. Não tinha dentes, não se conseguia sentar ou rolar no chão, nem sequer usar as mãos para pegar ou interagir com brinquedos.

Agora, aos 3 anos de idade, a menina desenvolveu um apetite saudável mas, devido à sua pequena estatura, é considerada obesa. Tudo porque não se desenvolveu como devia, na altura que devia. Pesa cerca de 11 quilos, mas já consegue gatinhar e manter-se em pé sozinha.

Depois de ter ficado à guarda do estado após a saída do hospital, juntamente com os seus dois irmãos mais velhos, as três crianças vivem agora com um familiar.

Os pais declararam-se culpados de não terem prestado os cuidados de saúde devidos à filha e aguardam uma sentença.

 

Erros alimentares das crianças são responsabilidade dos pais

Abril 3, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 18 de março de 2019.

Rita Costa

Ou porque compensam com doces, ou porque não dão o melhor exemplo, os pais acabam por cometer erros na alimentação dos filhos. O alerta é da nutricionista Helena Canário.

“Dar a uma criança com menos de 12 meses refrigerantes como um ice tea, que é uma bebida que os pais consideramque não faz mal, mas que tem imenso açúcar” é um erro crasso, defende a nutricionista Helena Canário.

“TSF Pais e Filhos”, um programa de Rita Costa, com sonorização de Miguel Silva

A nutricionista acredita que “a maioria dos erros acaba por ser a compensação que se dá porque não se está todos os dias, ou porque os meninos estão no infantário e os pais não estão presentes na hora da refeição”.

“Provavelmente, no momento em que estão juntos, os pais não querem ser os maus da fita”, afirma Helena Canário, que reconhece que dizer sim é mais fácil. “Por isso, muitas vezes os pais vão prevaricando e oferecem às crianças alimentos que não são os mais saudáveis.”

Outras vezes, o problema deriva do exemplo e por desconhecimento, ou não, os pais cometem erros alimentares: “Os hábitos da criança refletem os hábitos da família.” “A maioria das crianças tem alguma relutância em consumir fruta e vegetais, mas isto porque, se calhar, os seus pais não os consomem em quantidade”, sublinha Helena Canário.

Ouvir as declarações de Ana canário no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/saude/interior/erros-alimentares-das-criancas-sao-responsabilidade-dos-pais-10688465.html?fbclid=IwAR1uBJ2WG0fhr2-G-fWCfIfPPEfIeY5FMm60IfdSdZtfRsDroe5PG7L4sfM

Proibida a publicidade a doces e refrigerantes perto das escolas e nos programas infantis

Abril 1, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do site Viver Saudável de 15 de março de 2019.

Lei limita publicidade a refrigerantes, batatas fritas e outros produtos nas escolas e suas imediações, bem como nos intervalos de programas e filmes ou apps para menores de 16 anos. Depois de três anos de impasse, foram publicadas as restrições à publicidade de produtos alimentares destinados a crianças e jovens.

A Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas da Assembleia da República aprovou para votação final global, para esta sexta-feira, o texto baseado nas propostas do PS, PEV e PAN, que define as limitações à publicidade para menores de 16 anos, de produtos compostos por valores elevados de açúcar, sal e gorduras saturadas.

O documento que altera o Código da Publicidade define agora que os anúncios de produtos que contenham elevado valor energético, teor de sal, açúcar, ácidos gordos saturados e transformados passam a ser proibidos dentro dum raio circundante de 100 metros dos estabelecimentos de ensino do pré-escolar, básico e secundário, bem como em parques infantis.

Além disso, é banida a publicidade dos programas infantis (de rádio ou televisão) ou outros cuja audiência de menores de 16 anos correspondam a uma percentagem mínima de 25%, assim como dos intervalos e nos 30 minutos antes e depois do programa. Este tipo de anúncios fica, ainda, também excluída das salas de cinema em filmes para menores de 16 anos e de páginas na internet e redes sociais destinadas a crianças. Na promoção destes produtos, as marcas deixam também de poder usar mascotes ou personagens ligadas ao mundo infantil.

A DGS, que há vários anos marcou este tema como prioritário, vai definir os valores a partir dos quais se considera que um alimento tem elevado teor de sal, açúcar ou gordura. «Vamos dar início ao processo, mas a Organização Mundial de Saúde já definiu o perfil nutricional dos alimentos para medidas que regulam o marketing alimentar dirigido a crianças», adianta Maria João Gregório, diretora do PNPAS.

Em causa estarão produtos alimentares como bolachas, cereais de pequeno-almoço, gomas e refrigerantes. Segundo Maria João Gregório, há alguns alimentos que não poderão ter qualquer publicidade nos contextos descritos, enquanto para outros será definido um perfil nutricional. «A evidência científica mostra que há uma associação entre a publicidade e as decisões e o consumo alimentar por parte das crianças, por isso é que esta é uma área tão importante para a promoção de hábitos saudáveis neste grupo da população», alerta a nutricionista, destacando que, regra geral, «os alimentos alvo de publicidade têm um perfil nutricional menos adequado».

A evidência científica mostra que há uma associação entre a publicidade e o consumo destes alimentos por parte das crianças,

Para Alexandra Bento, esta é uma «medida protecionista», uma legislação baseada no «princípio de cautela». «Se há alimentos que pelas suas características e momentos de consumo podem ser prejudiciais na vida presente ou futura das crianças, esta é uma medida legislativa que tem interesse», defende. Em geral, a Ordem defende a autorregulação, «mas quando há um superior interesse – que neste caso é a saúde das crianças – as medidas legislativas devem aparecer».

«Desde 2006 que Os Verdes têm vindo a apresentar iniciativas para que esta matéria fosse legislada», disse à fonte Heloísa Apolónia, deputada do partido ecologista, manifestando «satisfação» com o final do processo. «Não vai resolver o problema da obesidade infantil, mas pode ser um contributo para que os jovens não sejam aliciados constantemente de forma agressiva a consumir alimentos ricos em sal, gorduras e outros nutrientes, que não são benéficos quando consumidos em excesso». No decorrer da discussão, o setor privado sugestionou que fosse criado um código de conduta nesta matéria. «Preferia autorregulação e não uma regulação estabelecida por lei. Mas não foi esse o nosso entendimento e o dos outros partidos», adianta Heloísa Apolónia.

Contactada pela fonte, Cristina Rodrigues, da Comissão Política Nacional do PAN, recorda que a opinião do partido era no sentido que «estas restrições fossem aplicadas a menores de 18 anos, mas só assim foi possível o consenso». Na sua opinião, a indústria continua a exercer pressão sobre os decisores, mas alerta que «este é um passo importante» para a adoção de medidas mais preventivas e para que se promova «uma maior literacia alimentar».

No que diz respeito à idade, o consenso foi reunido em torno da proposta do PS, que previa proteção acrescida aos menores de 16 anos, enquanto o PSD sugeria os 12 anos e o CDS-PP os 14. O deputado do PS Pedro Delgado Alves destaca ao “Diário de Notícias” o facto de a lei definir considerações sobre a publicidade destes alimentos, já que é referido que quem publicita estes produtos devem abster-se de «encorajar consumos excessivos», «criar um sentido de urgência ou necessidade do produto», entre outras restrições. Quem não cumprir será punido com multas que vão dos 1.750 aos 45 000 euros.

Para a constituição do documento foram ouvidas diversas entidades, nomeadamente os representantes do setor privado, a Associação Portuguesa contra a Obesidade Infantil e a DGS.

Projeto de Lei 120/XIII

Procede à 14ª alteração ao Código da Publicidade, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 330/90, de 23 de outubro, estabelecendo restrições à publicidade dirigida a menores de determinados produtos alimentares e bebidas

https://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=40033

Projeto de Lei 123/XIII

Regula a publicidade a produtos alimentares, dirigida a crianças e jovens, alterando o Código da Publicidade

https://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=40035

 

As crianças podem mesmo beber leite?

Março 27, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Expresso de 10 de março de 2019.

Joana Nunes Mateus

Controvérsia. São tantas as informações contraditórias sobre os malefícios e benefícios do leite que os pais já não sabem se devem dar laticínios aos filhos.

Quem nunca se perguntou se os iogurtes, o leite ou o queijo não desaparecem demasiado depressa do frigorífico quando os filhos chegam a casa esfomeados depois das aulas? E quantos pais não estarão perdidos perante o fogo cruzado de opiniões contraditórias sobre os benefícios e os malefícios do leite? Afinal, devemos ou não incentivar as crianças e os jovens a consumir laticínios?

Para esclarecer todas estas questões, o Expresso começou por bater à porta da Comissão de Nutrição da Sociedade Portuguesa de Pediatria. Esta defende que “o leite é um excelente alimento, não sendo aceitáveis campanhas contra a sua utilização tendo por base argumentos não fundamentados cientificamente”.

Em causa está um alimento completo, rico em proteínas de alto valor biológico, hidratos de carbono, lípidos, vitaminas e minerais, particularmente cálcio, “sendo por isso de grande importância nutricional ao longo de todo o ciclo de vida e muito particularmente ao longo dos períodos de aceleração de crescimento a partir da idade pré-escolar, com destaque para o período da adolescência, fase da vida em que aumentam as necessidades em todos os nutrientes”.

Leitinho à noite é que não

Por parte da Ordem dos Médicos Dentistas, o presidente da mesa do conselho geral e professor universitário, Paulo Ribeiro de Melo, acrescenta que não é só o leite materno a ter várias propriedades antibacterianas. “Sem dúvida que o leite de vaca protege e não faz mal à saúde oral. O efeito protetor do leite para evitar o aparecimento de cárie dentária é muito importante nas crianças e nos jovens, principalmente para os dentes de ‘leite’ e para os dentes permanentes que nascem até aos 12-14 anos”.

“Falamos de osteoporose após os 50, mas, em boa verdade, a massa óssea constrói-se até aos 18 a 20 anos. A adolescência é um período muito importante uma vez que se regista um incremento de 60% do seu valor. O que não for feito até essa idade… nunca mais será!”, alerta Carla Rêgo, coordenadora do Estudo do Padrão Alimentar e de Crescimento Infantil e presidente do Grupo Nacional de Estudo e Investigação em Obesidade Pediátrica.

Esta pediatra explica que as crianças podem consumir até 400 a 500 mililitros de produtos lácteos por dia e os adolescentes 500 a 600 mililitros. Mas atenção: o leite é um alimento e não deve ser usado como uma bebida. Deve ser fracionado em snacks duas a três vezes por dia. Por exemplo, um copo de 125 mililitros de leite, um iogurte ou uma fatia de queijo de cada vez.

“Não se consegue ir buscar cálcio e vitamina D a mais nenhum outro alimento na concentração que existe no leite e derivados. É por isso que a sua eliminação da dieta poderá comprometer irreversivelmente a massa óssea. Os vegetais têm cálcio, mas para obter a concentração de um iogurte, teriam de se ingerir 600 gramas de brócolos já que o cálcio dos vegetais é menos biodisponível do que o do leite”, explica a pediatra.
Daí que esta professora das Faculdades de Medicina da Universidade do Porto e da Universidade Católica Portuguesa considere não haver qualquer problema quando o leite tem algum cacau ou cevada para convencer a criança a ingeri-lo: “Modere-se a quantidade de leite oferecido e regrem-se os outros hábitos!”. É o caso dos sumos, refrigerantes, doces, sobremesas…

Tal como os outros alimentos, os laticínios devem é ser consumidos com conta, peso e medida. “A ingestão de volumes demasiado elevados de leite (superiores a 500 mililitros/dia) ou a persistência do biberão da noite (o leitinho à ida para a cama), a partir dos 12 meses, são dois fatores associados ao maior risco de obesidade em idade pediátrica”. Aliás, “é devido a este efeito anabólico do leite que os atletas de competição o usam como refeição ‘pós-treino’, sendo uma excelente fonte de proteína de alto valor biológico”.

Alternativas vegetais

E quanto às crescentes bebidas de arroz, aveia, soja, etc.? A pediatra Carla Rêgo diz não haver qualquer problema para uma criança se ela gostar, ocasionalmente, de beber bebidas vegetais. Mas esclarece: não se trata de leites, mas de “sumos” vegetais. Neste contexto, há três regras a cumprir no seu consumo pelos mais novos. “Primeiro, nunca se deve usar bebidas vegetais abaixo dos três anos de idade. Segundo, não se deve assumir que elas substituem o leite. Terceiro, não se deve esquecer que têm elevado teor de açúcar e baixo valor energético e proteico, podendo comprometer o crescimento”.

A Comissão de Nutrição da Sociedade Portuguesa de Pediatria acrescenta que a dieta deve ser equilibrada e variada, respeitando a roda dos alimentos que inclui o leite e derivados: “Estes não devem ser substituídos na alimentação por bebidas vegetais, em geral desequilibradas e nutricionalmente mais pobres, nem por sumos habitualmente muito ricos em açúcares”.

Carla Rêgo deixa ainda um alerta aos jovens vegetarianos, sobretudo vegans: “A alimentação deve ser variada, incluindo alimentos de todos os grupos. A exclusão de alimentos de um grupo, como por exemplo o dos laticínios, pode implicar um compromisso nutricional para a vida, sobretudo em fase de crescimento e desenvolvimento, que nem sempre é compensado pelos suplementos de vitaminas e minerais”.

 

 

 

 

 

O pesadelo das birras alimentares

Fevereiro 12, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Sapo Lifestyle

O processo de alimentação deve ser encarado como um processo dinâmico e interativo entre pais e/ou cuidadores e criança. Os profissionais da PIN deixam algumas dicas para pais.

A alimentação é fundamental para a sobrevivência, crescimento e desenvolvimento das crianças. Por este motivo, desde cedo os pais preocupam-se com o tipo e quantidade de alimentos que as crianças ingerem diariamente.

Todos os comportamentos integrados no processo de alimentação (e.g., preferências alimentares, uso dos utensílios adequados, quantidade de alimentos) são essencialmente aprendidos. Esta aprendizagem é visível logo nos primeiros dias de vida da criança. É na interação com a mãe que o bebé aprende a distinguir os primeiros sinais de fome, descobre os alimentos, as diferentes texturas e sabores e, consequentemente, desenvolve as suas preferências alimentares.

Estas primeiras interações com os alimentos são muitas vezes fonte de ansiedade para pais e cuidadores. Nem sempre é fácil perceber os sinais que a criança transmite! Consequentemente, os momentos das refeições acabam por parecer autênticos campos de batalha, onde os pais tentam de todas as formas alimentar os seus filhos e os filhos tentam, da melhor forma que conseguem, mostrar aos pais o que estão a sentir nesse momento. Daqui surge o que comumente é conhecido como a “birra alimentar”.

Comecemos por desconstruir este termo, uma “birra” consiste numa explosão de fúria ou frustração por parte da criança que normalmente se traduz em períodos de choro, gritos e/ou agressividade. As “birras” são estratégias usadas pelas crianças para expressarem e gerirem as suas emoções. Neste sentido, quando temos uma “birra” é porque algo se passa no mundo desta criança, e esta é a forma encontrada para demonstrar essa inquietude.

Uma “birra alimentar” é uma manifestação comportamental que ocorre concretamente durante os períodos de alimentação. Mais uma vez, a criança está a tentar dizer-nos que algo não está bem durante estes momentos. Podem traduzir medo em experimentar novos alimentos (neofobia), dificuldade em lidar com a textura e/ou sabor dos alimentos, alterações sensoriais, orgânicas, entre outras. As causas destas birras particulares são diversas e, normalmente confundem pais e cuidadores. Com frequência os pais relatam que as refeições são longas e conflituosas, as crianças recusam comer ou não ingerem alimentos muito específicos ou cozinhados de uma determinada forma.

Por outro lado, são igualmente de considerar outros fatores, nomeadamente as expectativas dos pais e cuidadores quanto ao processo de alimentação e as práticas adotadas pelos mesmos. A aprendizagem do processo de alimentação exige tempo e paciência que, num mundo tão exigente, acaba por se tornar uma tarefa árdua para quem alimenta.

O processo de alimentação deve ser encarado como um processo dinâmico e interativo entre pais e/ou cuidadores e criança. Muitas vezes implica ter um espaço adequado para alimentar, livre de estímulos exteriores (e.g., tv, telemóveis, computadores, brinquedos), onde a criança possa tocar na comida, sujar-se a si própria e, muitas vezes, até aos próprios pais!

Para além disso, os pais devem estar disponíveis e atentos ao longo do processo. A atenção total dos pais é importante na resolução das birras alimentares. Os pais focam-se nos comportamentos e reações das crianças, percebem as suas preferências e os sinais de fome e saciedade. As refeições em que os pais se mostram focados na tarefa demoram menos tempo e levam à ingestão alimentar considerada adequada à criança.

A intervenção na área do comportamento alimentar é efetuada por uma equipa multidisciplinar que pretende ajudar pais e cuidadores a perceberem e lidarem com as “birras alimentares” e outros comportamentos alimentares mais graves, despistar possíveis causas orgânicas e, auxiliar na adoção de estilos de vida saudáveis.

Da nossa experiência junto de pais e respetivas crianças, deixamos algumas dicas:

– analise os sinais que a criança transmite durante o processo de alimentação: respeite sempre os sinais de fome e saciedade que a criança transmite;

– ofereça um novo alimento pelo menos 8 vezes: deve sempre incentivar a provar, se após cada exposição a criança recusar o alimento, então é porque não gosta por algum motivo;

– não force a criança a comer;

– estabeleça um horário para cada refeição e procure segui-lo;

– as refeições devem ser feitas num ambiente agradável e interativo;

– as crianças são os nossos maiores fãs, se quer que ela coma um determinado alimento, mostre que também o come e aprecia!

Texto: Joana Fernandes e Andreia Leitão

 

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