Celmira Macedo: A professora que criou um alfabeto inclusivo

Junho 2, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Notícias Magazine de 17 de maio de 2019.

Criou uma nova ferramenta de alfabetização para crianças com necessidades educativas especiais, abriu uma escola de pais, fundou uma associação, reatou contactos entre avós, filhos e netos. O EKUI é uma estratégia pioneira.

Texto de Sara Dias Oliveira

É um baralho de 26 cartas fora do comum. Cada carta representa uma letra do alfabeto que se apresenta de várias formas: escrita à mão, em língua gestual portuguesa, em braille, em símbolos do alfabeto fonético. O projeto EKUI (Equity/Equidade, Knowledge/Conhecimento, Universality/Universalidade, Inclusion/Inclusão) está em várias escolas para que crianças com e sem necessidades educativas especiais aprendam a ler sem barreiras de comunicação. Esta nova metodologia de ensino inclusivo conquistou o Prémio Maria José Nogueira Pinto, entre 125 projetos inovadores apresentados no ano passado, e a distinção de Personalidade do Ano do Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio, que homenageia quem se destaca em áreas relevantes para a economia social.

Tudo começou letra a letra, sílaba a sílaba, palavra a palavra, num grupo de crianças autistas. A natureza inovadora do EKUI de acrescentar e conciliar a componente visual e fonética na aprendizagem teve e tem impacto ao ajudar crianças a ler e a escrever, ensinando simultaneamente fonética, braille, língua gestual e o alfabeto. O EKUI chega a mais de três mil crianças, a mais de 230 escolas. “Sou teimosa, estou atenta, gosto de trabalhar projetos que transformam a sociedade e acredito que é possível mudar o Mundo.”

Celmira Macedo é professora de Educação Especial e, certo dia, tomou uma decisão que mudou a sua vida. “Resolvi estudar e investigar mais para trabalhar mais e melhor com os pais e com os filhos de famílias com necessidades educativas especiais”, recorda. Estava a dar aulas no distrito de Bragança e a tirar o doutoramento na Universidade de Salamanca, em Espanha, sobre competências emocionais das famílias das pessoas com deficiência. O trabalho de campo deu-lhe que pensar. “Tinha dois caminhos: continuava a tese de doutoramento ou ia para o terreno ajudar as pessoas.” Optou pela segunda, ao perceber que havia famílias sem rede, sem suporte.

Criou a Escola de Pais NEE (Necessidades Emotivas Especiais) para trabalhar competências parentais, educação emocional e educação para a diferença, e escreveu um livro sobre o projeto e as estratégias a desenvolver com pais. Criou a Leque – Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Necessidades Especiais em Bragança, conseguiu abrir uma colónia de férias para que os pais deixassem os filhos com necessidades especiais no mês de agosto, criou um centro de reabilitação e atendimento de pessoas com deficiência em Alfândega da Fé, arrancou com um programa para que os mais velhos restabelecessem o contacto com filhos e netos espalhados pelo Mundo através do Facebook e do Skype, para combater o isolamento em aldeias do interior. E o EKUI foi ganhando formas neste percurso. “Se 10% dos alunos repetem o 1.º ciclo é porque as estratégias não se ajustam aos alunos que têm uma forma de aprender diferente”, considera. Entretanto terminou o doutoramento com nota máxima dez anos depois do seu início.

Celmira Macedo tem 47 anos e continua a ensinar, agora na Escola Secundária Inês de Castro, em Vila Nova de Gaia. Sofreu dois AVC, recuperou, voltou ao trabalho. “Tenho de devolver ao Mundo e à vida aquilo que a vida me deu.” “Dar a volta a desafios faz bem à alma”, garante.

 

 

 

 

 

Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do Dia Internacional da Alfabetização

Outubro 5, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Photo by Annie Spratt on Unsplash

 

“Quando aprenderes a ler, serás livre para sempre”, escreveu Frederick Douglass, no século XIX, um escravo negro americano liberto, campeão da causa abolicionista e autor de várias obras. Este apelo à emancipação através da leitura e, de um modo mais geral, do domínio dos conhecimentos fundamentais – ler, escrever e contar – tem um alcance universal.

A alfabetização é o primeiro passo para a liberdade, para a libertação das condicionantes sociais e económicas. É o pré-requisito para o desenvolvimento, individual e coletivo. Reduz a pobreza e as desigualdades, cria riqueza e ajuda a erradicar problemas de nutrição e de saúde pública.

Desde a época de Frederick Douglass, e particularmente nas últimas décadas, foram alcançados progressos consideráveis em todas as regiões do mundo, e milhões de homens e mulheres foram resgatados da ignorância e da dependência através de um amplo movimento de alfabetização e de democratização do acesso à educação. No entanto, a perspetiva de um mundo em que cada indivíduo seja detentor de conhecimentos fundamentais permanece um ideal.

Hoje em dia, em todo o mundo, mais de 360 milhões de crianças e adolescentes não estão matriculados na escola; seis em cada 10 crianças e adolescentes – ou seja, 617 milhões – não adquirem as competências mínimas em literacia e numeracia; 750 milhões de jovens e adultos ainda não sabem ler e escrever – e destes, dois terços são mulheres. Estas lacunas, que são extremamente incapacitantes, levam à exclusão de fato da sociedade e perpetuam a espiral de desigualdades sociais e desigualdades de género.

A tudo isto se soma agora um novo desafio: um mundo em plena mutação, onde o ritmo das inovações tecnológicas está continuamente a acelerar-se. Para poder encontrar um lugar na sociedade, conseguir um emprego e responder aos desafios sociais, económicos e ambientais, as competências tradicionais em literacia e numeracia já não são suficientes; novas competências, inclusive em tecnologias da informação e comunicação, estão a tornar-se cada vez mais necessárias.

É um desafio preparar os jovens e os adultos para empregos que na sua maioria ainda não foram inventados. É por isso indispensável ter acesso a uma aprendizagem durante toda a vida, tirar proveito de caminhos e pontes entre as diferentes modalidades de formação e beneficiar de grandes oportunidades de mobilidade.

Em 2018, este Dia Internacional é subordinado ao tema “Alfabetização e desenvolvimento de competências” e foca-se numa abordagem evolutiva da educação. A UNESCO está ativamente envolvida nesta redefinição de políticas de alfabetização e incentiva práticas educacionais inovadoras. Também apoia as diferentes formas de cooperação entre o setor público e o setor privado, porque somente uma compreensão global da causa da educação pode responder adequadamente às necessidades de um mundo que parece reinventar-se a cada dia.

Neste Dia Internacional, convido todos os atores do mundo da educação, e de outros setores, pois trata-se de uma causa que a todos diz respeito, a mobilizarem-se a fim de que o ideal de uma sociedade mundial inteiramente alfabetizada se converta um pouco mais em realidade.

Audrey Azoulay

 

Referência: Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do Dia Internacional da Alfabetização. (2018). Comissão Nacional da UNESCO. Retrieved 3 September 2018, from https://www.unescoportugal.mne.pt/pt/noticias/mensagem-da-diretora-geral-da-unesco-por-ocasiao-do-dia-internacional-da-alfabetizacao-2

 

Fonte: Blogue da Rede de Bibliotecas Escolares

Premiado baralho de cartas que ensina a ler

Julho 13, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 5 de julho de 2018.

Rafaela Batista

É um baralho composto por 26 cartas e já ensinou mais de 2800 crianças (e também adultos) a ler e escrever em Portugal. Cada carta tem uma letra do alfabeto e combina quatro formas de comunicação: a gráfica, o braille, a língua gestual portuguesa e o alfabeto fonético. Recebe esta quinta-feira um prémio em Responsabilidade Social, no valor de 10 mil euros.

O baralho EKUI (Equidade Knowledge Universalidade Inclusão) é uma metodologia de alfabetização e reabilitação inclusiva, única em Portugal e no mundo. Foi criado em 2015 por Celmira Macedo, professora do ensino especial de Bragança. Pretende desenvolver a linguagem e a comunicação, competências de literacia, a imaginação e a criatividade, as capacidades psicomotoras; o pensamento crítico; atitudes inclusivas e a inteligência social e emocional em pessoas com mais dificuldades.

Segundo dados do EKUI, este método é utilizado em 302 escolas, espalhadas por 36 concelhos do país e mais de 2.800 crianças já foram alfabetizadas com recurso a este projeto. O objetivo principal é mostrar que as crianças com necessidades educativas não precisam de sair da sala de aula, onde estão os seus colegas, e serem ensinadas à parte.

Mas o EKUI não se limita a crianças: é também usado por adultos portadores de deficiência. No total já mais de 37.000 pessoas beneficiaram deste projeto que promove a educação e a comunicação, através de diferentes atividades, como formação de professores, terapeutas e educadores e rastreios nas escolas. Para dar continuidade ao projeto, a Associação Leque pretende desenvolver uma app e tutoriais digitais, com o objetivo de aumentar o impacto social e chegar a um maior número de pessoas.

O projeto é o vencedor da 6.ª Edição do Prémio Maria José Nogueira Pinto em Responsabilidade Social, por ser aquele que mais corresponde ao conceito “socialmente responsável na comunidade em que nos inserimos”, defendido por Maria José Nogueira Pinto, justificou o júri. O prémio contou com um número recorde de candidaturas, num total de 125 projetos inovadores, provenientes de instituições privadas de solidariedade social de vários pontos do país.

O prémio é de 10 mil euros para o Grande Vencedor e mil euros para cada uma das Menções Honrosas. Este ano foram atribuídas quatro:a “Equipa de Recados”, da Associação Juvenil para o Desenvolvimento (AJUDE); “EIS – Empreendedorismo e Inovação Social (CSM)”, da Associação para a Recuperação de Cidadãos Inadaptados da Lousã (ARCIL); “Entre Pares”, da Obra Social das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor; e “Bem – Humanizar Equipa Domiciliária de Cuidados Paliativos”, da Santa Casa da Misericórdia de Arcos de Valdevez.

Instituído em 2012 pela MSD (Merck Sharp and Dohme ), o prémio pretende distinguir o trabalho desenvolvido por pessoas, individuais ou coletivas, que se tenham destacado no contexto da responsabilidade social.

O Júri é presidido por Maria de Belém Roseira e composto por mais seis personalidades: Anacoreta Correia, Clara Carneiro, Isabel Saraiva, Vítor Feytor Pinto, Jaime Nogueira Pinto e Pedro Marques, em representação da MSD.

 

mais informações no link:

https://ekui.pt/

 

Campanha Mundial pela Educação recorda que há 263 milhões de menores sem ir à escola

Abril 30, 2017 às 5:33 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.educare.pt/ de 24 de abril de 2017.

A Campanha Mundial pela Educação, que se realiza ao longo desta semana, recorda que ainda há 263 milhões de crianças e jovens sem acesso à educação, às quais se somam 758 milhões de adultos analfabetos, dois terços dos quais mulheres.

A partir de hoje vão decorrer, em pelo menos 30 cidades espanholas, iniciativas para reivindicar o direito à escolarização em todo o mundo, bem como o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, fixados numa cimeira da ONU.

Em 2015, 196 Estados firmaram os 17 objetivos desse plano de ação mundial que deve ser alcançado em 2030, com o qual se pretende “garantir uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem durante toda a vida para todos”. A Campanha Mundial pela Educação, na qual participam 124 países, mobiliza-se para exigir aos governos que tomem as medidas necessárias para cumpri-lo.

mais informações no link:

http://www.cme-espana.org/

 

49 dicas para ajudar o seu filho a ler e a escrever

Novembro 22, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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