Aldeias de Crianças SOS procuram mães para criar novas famílias

Maio 17, 2016 às 12:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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As aldeias não têm lista de espera, mas há crianças institucionalizadas vítimas de maus-tratos ou abandono que podem ali crescer em família, partilhando uma casa com uma “mãe SOS”, os irmãos biológicos e os do coração, até se tornarem independentes.

Para atender às necessidades, a associação precisa de seis “mães sociais”, com idades entre os 30 e os 50 anos, o 12.º ano e disponibilidade, para substituir alguns casos de reforma e abrir casas que estão fechadas.

A tarefa de encontrar alguém com a dedicação necessária para abraçar esta missão não é fácil, como conta à agência Lusa Anabela Carreira, que vive há cinco anos na aldeia de Bicesse, em Cascais, um espaço com dez vivendas, rodeadas por pequenos jardins, onde vivem 65 crianças.

“Têm vindo muitas candidatas e já tive muitas em minha casa para ver se gostam e se é isto que querem”, mas acabam por desistir, porque são “muito novas” e percebem que têm de abdicar de muito para se dedicarem às crianças.

Isto “não quer dizer que não tenham namorado (…), mas para fazer uma vida não dá. É mesmo uma missão”, diz Anabela, que esperou que o filho biológico casasse para concretizar o sonho de ser “mãe SOS”.

No verão de 2014, Elsa Ministro, de 35 anos, tomou uma decisão que mudou a sua vida: Deixar a família no Alentejo para ser mãe social.

Tudo começou quando viu uma reportagem sobre as aldeias: “Fiquei entusiasmada, era um projeto diferente. Pensei muito bem e candidatei-me”, conta.

“No primeiro dia que vim à entrevista senti logo que queria ficar”, recorda, com um sorriso rasgado, a mãe mais jovem da aldeia.

Antes de assumir o papel de mãe no passado dia 1 de março, Elsa foi “tia social”, tomando conta dos meninos nas folgas das oito mães que vivem em Bicesse, a primeira aldeia inaugurada em Portugal, em 1967.

Nessa altura conheceu os quatro irmãos, com três, cinco, seis e 11 anos, que viriam a ser os seus filhos: “Foi amor à primeira vista, eles é que me adotaram”, lembra, enquanto mostra orgulhosa as fotografias dos meninos, que se encontravam na escola quando a Lusa visitou a aldeia.

Elsa está convicta que fez a “escolha certa”. “Perdemos certas coisas com a família e com os amigos”, mas “não podemos pensar naquilo que vamos deixar, mas naquilo que vamos ganhar”.

Sobre a reação dos pais e dos amigos, Elsa diz que aceitaram bem e que os meninos já fazem parte da família.

“Passámos a Páscoa no Alentejo e também estou a pensar lá ir no Dia da Mãe”, porque há uma festa na minha terra “e gostava de estar com a minha mãe e com eles”, conta.

A vida nas aldeias SOS, em Bicesse, Vila Nova de Gaia e Guarda, onde vivem 125 crianças, é igual à de qualquer família, mas sem a figura paterna.

No início “não é fácil”, porque estamos a “reeducar jovens” com um “historial complicado”, mas depois de tudo organizado “faz-se muito bem”, afirma Anabela, que começa o dia às 06:00 para preparar o pequeno-almoço para os 10 filhos.

“Tanto arranjo o lanche para os de 18 anos como para os pequeninos, acho que tem que se dar estes miminhos, é a minha maneira de ser”, diz Anabela, já apressada para ir fazer o almoço para um dos filhos que vinha a casa no intervalo da escola.

Confessa que nunca pensou “agarrar-se tanto” à aldeia: “Cheguei a estar seis meses sem ir a casa e nós temos folgas todos os meses”, mas “afeiçoamo-nos de tal maneira às crianças que não as conseguimos deixar”.

Anabela diz, contudo, não recear o dia em que os filhos vão deixar a aldeia, porque voltam sempre para visitar a família e celebrar as datas importantes, como o Natal, a Páscoa e o Dia da Mãe.

“As mães sociais acabam por ser as avós dos meninos e quando precisam de ir a algum lado vêm pôr os meninos à aldeia”, diz, com graça, contando que a aldeia também os ajuda quando têm alguma dificuldade.

Fundadas em 1949 por Hermann Gmeiner para acolher órfãos da II Guerra Mundial e meninos abandonados, as mais de 500 aldeias em todo o mundo acolhem 60.000 crianças, sob o lema “Amor e um lar para cada criança”.

 

Notícia da Lusa, publicada por Notícias ao Minuto em 1 de maio de 2016

Mulheres que amam os filhos dos outros como se fossem seus

Maio 10, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Ter uma casa, uma família e uma mãe. É assim que devia ser a infância de muitas crianças. Mas por circunstâncias da vida isto nem sempre acontece. É em casos destes que entram as Mães SOS que através dos afetos, entrega e amor incondicional conseguem dar uma nova vida a dezenas de crianças. No Dia da Mãe o SAPO Lifestyle celebra estas super-mães sociais e dá a conhecer o projeto Aldeias SOS.

“Ser uma mãe SOS é e não é uma mãe como as outras. É uma mãe como as outras em toda a sua dimensão: que acompanha, que protege, que dá força e que cuida do seu filho. Mas a única diferença é que tem uma pequena compensação monetária por isso”, começa por explicar ao SAPO Lifestyle a mãe Berta. “Mas vivemos efetivamente como uma mãe com os seus filhos dentro de uma casa. Aqueles meninos são os meus.”

Há dois anos e meio na Aldeia SOS de Bicesse, Berta revela que este é um projeto de vida que lhe enche o coração. Viúva e com dois filhos biológicos maiores, afirma que sempre recebeu da sua família apoio incondicional para abraçar o projeto de ser Mãe SOS. “Os meus filhos disseram-me: ‘Nós agora estamos a trabalhar, estamos orientados portanto tu despedes-te e vais fazer aquilo que gostas’”.

Assim juntou-se a Adalcinda, uma das primeiras Mães SOS a ir viver para Bicesse. Já criou e educou mais de 30 filhos. Neste momento tem ao seu cuidado seis crianças: a mais nova tem 7 anos e o mais velho 15. Tal como todas as mães também tem os seus momentos de fraqueza: “Nós fazemos as figuras tristes que qualquer mãe faz. Já vi desculpar as coisas mais parvas”, afirma.

Todas as mães candidatam-se por anúncio e até assumirem a função de Mãe SOS a tempo inteiro, passam por um estágio que pode durar entre 1 e 2 anos. De acordo com Manuel Matias, secretário-geral interino das Aldeias SOS, é necessária uma grande resistência emocional para criar estas crianças e jovens. “São crianças que nos chegam com alguma desconfiança do mundo dos adultos, não compreendendo por vezes o benefício que é ser acolhido por uma senhora que vai ter alguma vinculação e um grau afetivo com eles e os seus irmãos”, refere. “Cabe à mãe abrir perspetivas de que o mundo também tem aspetos muito positivos, que eles têm direito a isso e que a aldeia é um espaço que lhes proporciona uma infância feliz.”

Recorde-se que as Aldeias SOS são vocacionadas para acolher irmãos e irmãs em situações de risco e extremamente vulneráveis. Em Portugal existem três: uma em Bicesse (7 mães), uma na Guarda (3 mães) e outra em Gulpilhares (5 mães.)

Ao longo de 35 anos, Adalcinda diz que já acompanhou histórias de vida muito difíceis e traumáticas, confessando que este papel não é pera doce. O mais importante? Estabelecer laços familiares e afetivos com os filhos que ficam aos seus cuidados. “O que se gere aqui são emoções e afetos. Aliás só se conseguem fazer algumas coisas pelos afetos. E não se inventam afetos: eles existem ou não existem”, admite.

Força interior e coragem são duas características que devem ser inerentes a todas as mães SOS. “Não há varinhas mágicas”, frisa Berta que neste momento tem a seu cargo quatro crianças com idades entre os 11 e 14 anos. “Todas as horas do dia são desafios. Desde que se levantam até que se deitam. Falamos de pessoas, falamos de crianças e não é fácil. É um trabalho que exige uma grande responsabilidade.”

Para além dos desafios diários que enfrentam, as Mães SOS confessam que o maior de todos é aquele que é traçado a longo prazo: ensinar-lhes a ser uma família e quebrar o ciclo. “O meu maior desafio é tornar estes miúdos autónomos, responsáveis e integrados. Não estou a criar ninguém para viver permanente comigo e o que eu quero é que sejam bons homens e mulheres”, sublinha Adalcinda que neste momento já é bisavó.

Apesar de serem designadas Mães SOS e desempenharem este papel efetivamente, Berta e Adalcinda confessam que esta não é uma palavra que escutam com muita regularidade dentro das quatro paredes do seu lar. “Eles sentem a necessidade da pertença. E isso de nos chamarem de mãe só tem a função da pertença, de pertencer e ser de alguém”, explica Adalcinda.

Independentemente da idade, todos continuam a ver na mãe o seu suporte e fonte de apoio. “Sou capaz de ir ao hospital para coser a cabeça de um filho que tem 20 e tal anos e que decidiu que não cose a cabeça sem eu lá estar. Foi uma vergonha, mas eu fui lá agarrar na mão dele”, relembra Adalcinda de forma divertida.”Não é por dar problemas que deixa de ser o meu menino.”

Questionadas sobre quais os momentos que recordam com mais emoção, ambas revelam que são as coisas mais simples do dia a dia que lhes põem um sorriso na cara. “Um dos meus primeiros rapazes era um menino muito limitado. E conseguir que ele fizesse o 6º ano foi uma emoção muito grande. […] São coisas que a maior parte das pessoas não dá importância mas são o motivo de tudo”, frisa Adalcinda que mostra orgulho no seu papel de mãe e educadora.

Apesar de todas as dificuldades, desafios e complexidades que esta função acarreta, Berta e Adalcinda referem que não a trocavam por nada deste mundo. “É uma profissão solitária sem que nós nos sintamos solitárias”, admite Berta. “Mas a verdade é que não há nada que pague o trabalho de uma mãe, seja ela qual for.”

 

Sapo Lifestyle

As Aldeias de Crianças SOS e o Voluntariado

Novembro 30, 2011 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No próximo dia 5 de Dezembro, vai decorrer na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, um Encontro de Voluntariado, promovido pela Associação das Aldeias de Crianças SOS. Mais informações…

Neste que é o Ano Europeu do Voluntariado é objectivo das Aldeias de Crianças SOS debater, promover e celebrar o voluntariado, através da partilha de experiências das Aldeias. Junte-se a nós e aos nossos parceiros e venha ficar a conhecer melhor o nosso conceito de acolhimento familiar.

Inscrições abertas até ao dia 2 de Dezembro, através do e-mail encontro.voluntariado@aldeias-sos.org.

Para mais informações contacte, por favor, 92 418 69 11.

Mais informações Aqui


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