Calendário dos Afetos

Maio 18, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

As crianças têm direito a não dar beijinhos

Março 31, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Shutterstock

Texto do https://www.noticiasmagazine.pt/ de 13 de março de 2018.

Texto de Sofia Teixeira | Ilustração Shutterstock

Quem tem filhos pequenos conhece o filme: frequentemente familiares, amigos e conhecidos querem beijinhos dos miúdos quando os encontram e, também frequentemente, os miúdos recusam. Faz sentido insistir comos pequenos para darem beijos ou deve ser a criança a escolher como cumprimentar?

Carolina Pimentel, 33 anos e três filhos, tem em casa um autêntico «expositor» do que são as diferenças de personalidade, socialização e atitude perante manifestações de afeto. Rodrigo, de 7 anos, escondia a cabeça no meio das pernas dos pais quando era mais novo, continua tímido e envergonhado e não dá beijos nem abraços a ninguém.

Sebastião tem 5, ainda ninguém lhe pediu nada e já ele se está a esticar para dar beijos e abraços (cumprimenta e despede-se de toda a gente, mesmo que seja ao entrar e sair de um elevador, cheio de desconhecidos, no centro comercial). Mafalda, de 2 anos, faz jus à fama de esta idade ser temperamental e tem dias: ora está expansiva e beijoqueira, ora relutante em aproximar-se de alguém.

Carolina tem feito sempre questão de lhes explicar que dar beijos é opcional, ser bem educado é obrigatório. «Respeitamos os momentos e a personalidade de cada um. Sabem que “olá”, “boa tarde”, “adeus” têm sempre de dizer, que devem responder quando falam com eles, mas os beijinhos e abraços dão quando querem e a quem querem, sem obrigações.»

As crianças, como os adultos, têm diferentes níveis de tolerância ao contacto físico por parte de pessoas que não lhes são próximas. «O que para algumas crianças é prática comum, para outras pode ser muito incomodativo ou mesmo causar-lhes repulsa», explica a psicóloga Carla Pacheco, defendendo que os limites de cada um devem ser respeitados.

Parece óbvio e do mais elementar bom senso, mas há pais que continuam a sentir-se incomodados perante a recusa dos filhos no que toca a cumprimentos físicos e há adultos que interpretam essa recusa das crianças como falta de educação.

Já a psicóloga clínica Cláudia Leal admite que, para os padrões da nossa sociedade, o cumprimento de beijinho faz parte da socialização, mas é importante que os pais consigam perceber que educação, regras e limites não devem chocar de frente com o respeito pelos afetos dos filhos, ainda que, por vezes, eles façam escolhas que vão contra o que é socialmente esperado.

Por essa razão, não tem dúvidas: «Os pais devem incutir-lhes a liberdade de poderem escolher a maneira como saúdam as pessoas, conhecidas ou desconhecidas. Com um passou-bem, um “boa-tarde” ou simplesmente com um sorriso e um aceno continuam a ser educados e simpáticos para com os outros, sem necessidade do beijo ou do abraço.»

Para Carolina, as recusas – quase sistemáticas de Rodrigo e esporádicas de Mafalda – são geridas com naturalidade e sem drama. Perante o pedido de alguém e a recusa deles, estando por perto, dirige-se aos miúdos dizendo: «Não precisas de dar beijinho, mas tens de dizer olá.»

«Nunca tive reações negativas entre o círculo de amigos ou conhecidos.» Mas admite que é mais difícil com pessoas mais velhas, como os avós e as tias, que não veem com tanta frequência. «Às vezes para os avós paternos é difícil aceitar. Mas explico-lhes que obrigar os meus filhos a dar beijinhos era o mesmo que obrigarem-me a mim a beijar alguém: não faz sentido.»

Cláudia Leal defende que a sensibilização para os afetos é muito importante para o desenvolvimento saudável de uma criança, mas não pode valer tudo. «Seja com os avós, tios, amigos ou até conhecidos, devemos sempre incentivar a retribuição de um gesto carinhoso, de uma palavra doce. Podemos e devemos promover o carinho, mas não podemos esquecer que o sentir não se impõe. Ao forçar, cria-se um falso conceito de afeto», defende.

De acordo com a psicóloga, muitas vezes, as crianças aceitam cumprimentar alguém dessa forma, mesmo quando não gostam, com medo de serem castigadas. «Que liberdade de sentir lhes damos assim?», questiona.

Carla Pacheco concorda: é importante sensibilizá-las para os estados emocionais dos outros e para o efeito das suas ações nelas, mas isto deve ser feito «sem culpabilização, chantagem ou com vista a convencer a criança, mas apenas com o intuito de fomentar a empatia e lhe permitir ser ela própria a desenvolver estratégias de retribuir o carinho e a atenção, nos seus próprios termos.»

Há quem vá mais longe e entenda que as imposições são perniciosas: ensina-lhes que devem submeter-se a contacto físico não desejado, só porque esse é o desejo dos outros. A coach parental norte-americana Jennifer Lehr criou celeuma no seu blogue quando, há dois anos, defendeu que este comportamento dos pais leva a criança a percecionar como sendo normal o uso do corpo para satisfazer os desejos alheios.

E – apesar de ter sido acusada por muitos de ser extremista – defendeu que isso era meio caminho andado para a criança tolerar uma relação abusiva, tanto na infância como na adolescência.

Carla Pacheco confirma que é essencial respeitar o espaço pessoal da criança, promovendo a noção de respeito por si própria e pelos seus afetos. «Ao forçarmos uma troca de afeto que não é sentida, estamos a transmitir-lhe a ideia de que a sua vontade, no que respeita ao seu espaço pessoal e aos seus afetos, poderá não ser tão válida como a de terceiros.»

A psicóloga defende que é importante não cairmos em extremismos – «Não vamos traumatizar a criança por a forçar a dar um beijinho à tia que veio de longe» –, mas que é importante refletirmos sobre qual é a mensagem implícita neste comportamento e quais são, afinal, as nossas verdadeiras motivações para isso.

«Enquanto pais, podemos sentir-nos melindrados, por receio de ver a nossa competência parental posta em causa pelos outros. Mas importa ter em mente que a criança é um indivíduo de direito próprio e que não existe para ir ao encontro das necessidades ou expetativas de terceiros.»

BEIJINHOS DAS VISITAS TODAS AO RECÉM-NASCIDO? É MELHOR NÃO.

Apesar de poder haver um batalhão de gente a querer ver, pegar e dar beijos ao bebé nos primeiros dias – seja na maternidade, seja já em casa, é prudente que, sem extremismos, haja alguma salvaguarda. O bebé esteve nove meses num ambiente perfeitamente estéril, protegido do exterior. Quando nasce tem alguma imunidade devido aos anticorpos da mãe, mas o sistema imunitário ainda é muito frágil e impreparado para lidar com os milhões de microrganismos do ambiente.

Herpes, mononucleose ou um simples vírus da gripe, que em crianças mais velhas ou em adultos não costumam ter um impacto muito grande na saúde, podem, num recém-nascido, provocar complicações. Por isso, sobretudo no primeiro mês de vida, as visitas devem ter o cuidado de não pegar no bebé se estiverem doentes e de lavar as mãos antes de lhe dar colo. Os beijos devem ser limitados às pessoas mais próximas da família e devem ser dados preferencialmente na testa ou cabeça, não na cara ou nas mãos.

 

Antes do sucesso escolar, há que trabalhar as emoções

Fevereiro 20, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia do https://www.publico.pt/  de 2 de fevereiro de 2018.

Jornadas Internacionais do Pensamento Emocional decorrem em Lisboa nesta sexta-feira.

Bárbara Wong

O dia não corre melhor se, antes de sairmos de casa, alguém nos disser umas palavras simpáticas? “A predisposição que tivermos para os outros vai ser diferente porque o amor é contagiante”, defende Maria Caldeira, directora do Agrupamento de Escolas do Alto do Lumiar, em Lisboa. Trabalhar o pensamento emocional é a proposta desta professora para conquistar os alunos, oriundos de meios desfavorecidos, para que, no futuro, possam estar mais predispostos para estudar. Nesta sexta-feira realizam-se as primeiras jornadas internacionais do Pensamento Emocional, no ISCTE-IUL, em Lisboa.

Já existem vários projectos, a nível nacional e internacional, onde se procura trabalhar as emoções dos alunos, aponta a directora deste agrupamento que fica num Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP) e que é uma das experiências em curso no país. “Tenho o privilégio, a honra e a graça de trabalhar com um grupo de pares e de parceiros extraordinários”, orgulha-se Maria Caldeira, enumerando os professores, a mediadora escolar, os técnicos da Junta de Freguesia do Lumiar, as universidades, associações e organizações que estão a colaborar com o agrupamento.

Dulce Martins, investigadora do ISCTE, faz parte da equipa que acompanha 19 agrupamentos TEIP e recorda que a ideia de trabalhar sobre as emoções surgiu quando um dia houve um grave problema de indisciplina numa das escolas do Alto do Lumiar. Maria Caldeira defendeu na altura que “o pensamento emocional pode ser um promotor de disciplina”, recorda a investigadora.

E foi assim que começou. Por exemplo, numa escola do 1.º ciclo do agrupamento há aulas de ioga três vezes por semana, um projecto com a colaboração da autarquia e da Universidade de Aveiro que está a monitorizar os resultados. Noutra, também do 1.º ciclo, os alunos de Psicologia da Universidade de Lisboa trabalham com as crianças as suas competências emocionais – “há um défice grande de afectos”, justifica a directora. Na Escola Básica das Galinheiras, o campeão de kickboxing Miguel Reis dá aulas aos alunos do 1.º ciclo. “O atleta é filho de mãe cigana e pai negro, o que mostra que a relação entre as duas culturas é possível, que se pode viver em paz”, explica aínda a directora. Se um aluno se portar mal, o mestre fala com ele; não participar numa prova pode ser o castigo. Os meninos “estão a trabalhar as emoções de uma forma física”, continua Maria Caldeira.

O agrupamento — que tem resultados académicos abaixo da média nacional, em todos os ciclos — tem ainda trabalhado com os professores e com a associação de pais. O fim último é melhorar o desempenho escolar dos alunos? “Quando conseguimos trabalhar estas competências, quando os alunos estão disponíveis para ouvir, claro que contribui para melhorar os resultados”, responde Maria Caldeira.

“É preciso estimular o pensamento emocional para promover competências emocionais que são essenciais para o sucesso escolar. Os estudos dizem que os alunos mais competentes a nível emocional têm maior sucesso académico”, acrescenta Dulce Martins. E é isso que se pretende com estes e outros projectos que o agrupamento está a levar a cabo. “Em primeira e em última análise queremos que estes alunos tenham sucesso académico, mas também queremos muito que sejam felizes e encontrem um equilíbrio interno”, conclui a directora.

As inscrições para as jornadas esgotaram — o que “é muito revelador da necessidade que as pessoas sentem em trabalhar os afectos”, avalia Maria Caldeira —, mas os painéis podem ser acompanhados a partir do site do encontro.

 

 

Família e a escola – Espaço de relação e de afetos

Maio 17, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: ,

texto do site http://uptokids.pt/ de 8 de maio de 2017.

Família e a escola – Espaço de relação e de afetos

Não basta a uma criança ter uma inteligência suficiente e uma saúde satisfatória para que se possa desenvolver e adaptar.

Necessita também de uma sensibilidade desenvolvida e de capacidades relacionais que lhe permitam servir-se das suas capacidades físicas e intelectuais.

Um grande número de desadaptações sociais e escolares e de perturbações no comportamento têm origem em dificuldades afetivas. Começamos a compreender que, ao lado da idade cronológica e da idade mental, há uma idade afetiva que é a função do grau de maturação da sensibilidade e que essa maturação é intimamente solidária da maturação da líbido, ou seja, da vida relacional sexualizada, feminina ou masculina.

Se existe um meio onde a sensibilidade relacional desempenha um papel essencial, é a família e a escola. Os laços afetivos que se estabelecem entre pais e filhos são simultaneamente os mais profundos e os mais duradouros. O amor e o ódio, a ternura e a agressividade podem desenvolver-se nesse meio, excluírem-se ou coexistirem, com uma força muitas vezes insuspeitada.

Relações Humanas

Nenhuma relação humana compromete o indivíduo de uma maneira tão total e tão profunda. A relação conjugal dos pais confronta o homem e a mulher na sua mais íntima sensibilidade, ao mesmo tempo, corporal e psíquica. Põe à prova o seu grau de maturidade viril ou feminina. A paternidade e a maternidade põem em jogo os mais poderosos sentimentos. São eles que mais comprometem o indivíduo na afirmação de si mesmo.

A criança imatura, mergulhada no meio familiar e formada por ele, constrói-se interiormente em função das reações afetivas dos pais. Fraca e maleável, a criança é frequentemente tratada como uma “coisa” pelo adulto. Com o pretexto de que não passa ainda de uma criança é sobrecarregada com juízos e apreciações, fala-se dela sem reserva na sua presença como se ainda não existisse como ser humano, quando devíamos tratá-la com o mesmo respeito que se pode ter pela personalidade de um adulto.

A escola, constitui o lugar da primeira aprendizagem relacional no plano social. Conhece-se bem a importância educativa das relações afetivas alunos-professores e dos alunos entre si.

Mas o que não se sabe tão bem é que essas influências afetivas recíprocas não se desenrolam unicamente num plano consciente; elas atuam em profundidade, de um modo inconsciente e sem que os indivíduos o saibam. Essa influência, manifesta-se por vezes num sentido inverso ao do comportamento consciente.

Certa mãe escrupulosa e aparentemente bem intencionada dissimula uma agressividade não menos real que o seu aparente desejo de ajudar a criança.

Determinado pai aparentemente autoritário disfarça a ansiedade e a dúvida de si mesmo.

Determinada criança agressiva e com espírito de oposição busca  inconscientemente auxílio e carinho.

Determinado professor obedece a receios ou a agressividades que alimentam tensões e conflitos, angústia ou indisciplina entre os alunos.

Sensibilidade consciente e inconsciente

Entre o que a criança representa no inconsciente do adulto e o que este pode experimentar conscientemente, há muitas vezes uma considerável diferença. A criança no inconsciente é muitas vezes um símbolo revestido de agressividade, de angústia, de líbido ou de culpabilidade, sem que o educador tenha consciência disso. Destes dois modos de expressão –consciente e inconsciente – da sensibilidade, o mais atuante nem sempre é a sensibilidade consciente. A sensibilidade consciente de si mesma, dominada e elaborada pelo psiquismo do indivíduo, é menos exigente do que a sensibilidade inconsciente.

Esta última, devido à sua natureza profunda e inacessível ao domínio do indivíduo, continua compulsional e tirânica.  Pode ser recalcada, mas não dominada. Mantêm a sua intensidade e o seu poder animal. O inconsciente só conhece a lei da satisfação imediata. E essa violência instintual do inconsciente mantém-se enquanto não tiver sofrido, por intermédio da relação com o outro e pela mediação da palavra, o freio da realidade exterior. O poder absoluto enlouquece, dizia Platão.

O mesmo é dizer que o poder absoluto dos educadores não deve estar subordinado às exigências dos seus desejos inconscientes.

Por Paula Norte, psicóloga, para Up To Kids®

 

 

Seminário “Sexualidade e afetos na Infância e adolescência” – 8 setembro na Azambuja

Agosto 30, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

13606434_991248140972868_7858218270628019561_n

Inscrições até 5 de setembro

mais informações:

http://www.cm-azambuja.pt/informacoes/noticias/item/2127-seminario-em-azambuja-debate-sexualidade-e-afetos-na-infancia-e-adolescencia


Entries e comentários feeds.