Proibido fumar nos parques infantis. As crianças vêem, as crianças fazem

Dezembro 6, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do site saúde online

No dia 1 de janeiro de 2018, entrou em vigor em Portugal a Lei n.º 63/2017 (que procede à segunda alteração à Lei n.º 37/2007, de 14 de agosto), que aprova, entre outros aspetos, o alargamento da proibição de fumar a locais ao ar livre destinados a menores. Atualmente a lei refere no artigo 4.º, alínea f), que é proibido fumar:

“(…) nos locais destinados a menores de 18 anos, nomeadamente infantários, creches e outros estabelecimentos de assistência infantil, lares de infância e juventude, centros de ocupação de tempos livres, colónias e campos de férias, parques infantis, e demais estabelecimentos similares.”

Com o objetivo de descrever o consumo de tabaco nos parques infantis, e de alguma forma dar um contributo para a avaliação do cumprimento da lei, foi realizado em abril e maio de 2018 um estudo observacional em dezoito parques infantis da cidade de Braga, utilizando uma ficha de observação desenvolvida pelo grupo de investigação liderado por Maria José Lopéz, da Agência de Salud Pública de Barcelona, Espanha.

As observações foram realizadas em condições meteorológicas semelhantes. Em cada parque infantil foram registados os seguintes dados: a presença de sinalética (cartazes/dísticos) a informar/apelar ao não consumo de tabaco; o número total de adultos e crianças presentes; o número de pessoas que fumavam, dentro e fora do parque; o número de pessoas que fumavam cigarro eletrónico, dentro e fora do parque; o cheiro a fumo; a presença de cinzeiros; e o número de beatas no chão, dentro e fora do parque.

Verificou-se que:

  • Em nenhum parque se registou a presença de sinalética (cartazes/dísticos) a informar/apelar ao não consumo de tabaco. A lei obriga à sua colocação.
  • Uma média de 10 pessoas estavam presentes nos parques referidos na amostra.
  • Uma média de 5 crianças estavam presentes nos parques referidas na amostra.
  • Em 1 dos 18 parques havia adultos a fumar dentro do parque. A média de pessoas a fumar nos parques foi de 2.
  • Em nenhum dos 18 parques havia adultos a fumar fora do parque.
  • Em nenhum parque se observou pessoas a fumar cigarro eletrónico.
  • Em nenhum dos 18 parques havia cheiro a fumo.
  • Em 9 dos 18 locais observados havia cinzeiro.
  • Verifica-se que 17 dos 18 parques tinham, no interior, pontas de cigarro no chão (uma média de 8 pontas de cigarros com um intervalo de 0 a >20). Em 2 parques havia mais de 20 pontas de cigarros no chão.
  • Treze dos 18 parques tinham, no exterior, pontas de cigarro no chão (uma média de 10 pontas de cigarros com um intervalo de 0 a >20). Em 9 parques havia mais de 20 pontas de cigarros no exterior do parque.

Este foi o primeiro estudo realizado em Portugal a investigar o comportamento de fumar em parques infantis. Na maioria dos parques não foram observados adultos a fumar durante o período de observação. No entanto, verificou-se uma grande quantidade de beatas no chão, o que indica que este comportamento, embora possa não ser frequente, existe.

O comportamento tabágico dos pares e dos conviventes (pais e irmãos) modela as atitudes e as crenças normativas das crianças em relação ao tabagismo e é um fator preditor muito importante do comportamento tabágico dos jovens (Precioso, Macedo & Rebelo, 2007). O consumo de tabaco pelos pais em casa é um fator de risco para o consumo de tabaco dos filhos (Brown, Palmersheim & Glysch, 2008), apelando ao facto de que o que as crianças vêem, as crianças fazem, alertando para a importância de evitar fumar na sua presença.

De forma a promover a sensibilização e cumprimento da legislação que proíbe o consumo de tabaco em parques infantis (Lei n.º 63/2017, de 3 de agosto), é obrigatório que sejam colocados avisos/dísticos que informem de que é proibido fumar naqueles espaços públicos. É fundamental que as autoridades policiais, como a Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Guarda Nacional Republicana (GNR), enquanto entidades responsáveis pelo cumprimento da lei, façam o seu papel e que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), que tutela a fiscalização das normas de segurança e legislação em vigor nos parques infantis (como a colocação de dísticos alusivos à proibição de fumar e informação das respetivas coimas), também intervenha. Devem em primeiro lugar exercer uma ação pedagógica e depois punitiva. Lembramos que as coimas por incumprimento, ou seja, por fumar num parque infantil, ou noutro local proibido, variam entre 50€ e 750€.

José Precioso

Professor Auxiliar do Instituto de Educação da Universidade do Minho

Mais de metade das vítimas de violência no namoro tem mais de 25 anos

Fevereiro 13, 2015 às 1:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do Público de 13 de fevereiro de 2015.

Público

 

Mariana Oliveira

O ano passado 484 pessoas que se queixavam de agressões dos namorados ou dos ex-namorados realizaram exames periciais no Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses.

Mais de metade (51%) das vítimas de violência no namoro que o ano passado realizaram exames periciais no Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) têm mais de 25 anos. Ao todo foram 484 os casos analisados no instituto em 2014, sendo mais de três quartos dos queixosos do sexo feminino. Os números foram divulgados esta quinta-feira numa conferência realizada na Universidade de Coimbra, intitulada E se a escola do namoro formasse profissionais em violência.

Isoladamente a faixa etária dos 18-25 é a que apresenta um maior número de queixosos, com 41% (198) das 484 vítimas que afirmaram terem sido agredidos por namorados ou ex-namorados. Mas a faixa que mais preocupa o vice-presidente do INMLCF, João Pinheiro, é a dos 14 aos 17 com 35 casos, que representam 7,2% do total. “Há miúdos de 14 anos a queixarem-se de terem sido vítimas de agressões dos namorados ou ex-namorados”, sublinha o médico, num tom de indignação. E alerta: “Estes comportamentos são preditores de violência doméstica mais tarde”.

Para João Pinheiro, que realizou a apresentação com o colega César Santos, o perfil das vítimas mostra que o namoro é um fenómeno que abarca todas as idades, destacando, por exemplo, os 16 casos que visam ofendidos com mais de 50 anos. “Infelizmente os números também mostram que todas as idades são boas para bater”, lamenta o vice-presidente daquele instituto.

Na contabilidade feita pelo INMLCF apenas foram seleccionadas as vítimas sujeitas a exames médico-legais que afirmaram expressamente que o agressor tinha sido o namorado ou o ex-namorado, excluindo-se da amostra todos os casos de violência conjugal (dentro do casamento ou de uniões de facto) e todos os outros em que não há informação sobre o agressor.

O vice-presidente do INMLCF acredita que os 484 casos que chegaram até ao instituto são apenas uma “ponta do iceberg”, pois implicam a denúncia da situação. “Isto são apenas os que chegaram até nós”, realça, reconhecendo que, devido a um problema nos sistemas informáticos do instituto, não foi possível contabilizar os dados de algumas regiões do país. “É o caso do distrito de Vila Real, onde fica o extinto gabinete médico-legal de Chaves, e dos concelhos de Sintra ou de Cascais”, especifica.

Mesmo assim, estes números representam um avanço significativo no conhecimento da violência no namoro, já que é a primeira vez que o INMLCF os contabiliza. Daí que não é possível fazer comparações com anos anteriores. A análise foi particularmente trabalhosa, explica João Pinheiro, porque obrigou a uma avaliação quase caso a caso dos 25.427 casos de violência (doméstica e de outros tipos) que levaram à realização de exames periciais no instituto em 2014. A conclusão é que deste universo quase 2% dizem respeito a violência no namoro. Nestes casos, 88% dos queixosos são mulheres e 12% homens. Cinquenta e quatro por cento eram ex-namorados e 46% aconteceram dentro da relação de namoro.

Os murros (174) são a forma de agressão mais frequentemente reportada, seguida pelas bofetadas (144)) e pelos apertões (115). Os pontapés foram referidos por 111 ofendidos e 75 dizem ter sido vítimas de quedas. Trinta e seis vítimas dizem ter sido esganadas, um número que preocupa João Oliveira, que salienta que os apertos de pescoço são muito perigosos porque afectam uma zona sensível que, mesmo sem muita força do agressor, podem causar a morte.

Madalena Duarte, investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e outra das participantes na conferência, alerta que estes números só mostram extremos. “Provavelmente devido a uma questão cultural os estudantes universitários mostram uma enorme falta de consciência de que estão a ser vítimas de actos abusivos”, salienta, com base num estudo que realizou em finais de 2013 junto de estudantes da Universidade de Coimbra. “Os jovens associam muito a violência domésticas à geração dos seus pais e dos seus avós e acham que isso não acontece na sua geração. Muito menos numa população instruída como a que frequenta o ensino superior”, constata.

A investigadora nota ainda que quando são confrontados com casos próximos de amigos ou colegas os universitários têm uma grande dificuldade em se intrometer e desconhecem por completo que podem ser eles a fazer a denúncia, já que estamos perante um crime público. “Ainda perdura a ideia de que se deve respeitar a intimidade da vida do casal”, lamenta, sublinhando que este grupo aceita facilmente factores desculpabilizantes como o stress da época de exames ou o excesso de álcool.

 

 

Afinal, quantas horas devemos dormir por noite?

Fevereiro 11, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

texto da Visão de 8 de fevereiro de 2015.

Mais informações no link:

http://sleepfoundation.org/how-sleep-works/how-much-sleep-do-we-really-need

Especialistas recomendam oito horas de sono por noite, mas na realidade, depende da sua idade.

Um novo estudo lançado pela Fundação Nacional de Sono dos Estados Unidos revelou quanto tempo devemos dormir por noite. Especialistas recordaram que uma noite bem dormida é essencial para a saúde e que não cumprir esse período de descanso poderá conduzir a diversas complicações de saúde.

Horas de sono ideais conforme as idades:

De 0 a 3 meses

O tempo ideal de sono são 14 a 17 horas por dia, apesar de alguns bebés só precisarem de 11 e outros mais de 19. A razão por detrás desta elevada quantidade de horas prende-se no facto de que dormir liberta hormonas de crescimento cruciais para o desenvolvimento físico.

De 4 a 11 meses

Após 4 meses de vida, os bebés começam finalmente a estabelecer um padrão social de sono mais constante, dormindo menos sestas e por vezes dormindo a noite toda. Por isso mesmo, o período de sono ideal são 15 horas, apesar de também aguentarem apenas 10. A razão de precisarem ainda de tanto sono? O seu sistema imunitário está a começar a desenvolver-se e dormir ajuda bastante no crescimento das defesas.

De 1 a 2 anos

Idealmente, 12 a 15 horas. Qualquer período abaixo de 10 horas poderá tornar a criança hiperativa. Alguns estudos chegam mesmo a confirmar que algumas crianças que sofrem de Distúrbio de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) poderão só precisar de mais umas horas de sono.

De 3 a 5 anos

Crianças desta idade necessitam de 10 a 13 horas por noite, e nunca menos de 8 horas. Se dormirem menos que isso, poderão desenvolver problemas comportamentais. Um estudo realizado pelo Escola da Universidade de Londres confirmou que crianças que não dormem a quantidade de horas recomendadas poderão ter dificuldades emocionais e problemas com os colegas na escola.

Dos 6 aos 13 anos

Um psicólogo que testou 80 crianças de 10 anos concluiu que as dormem mais tempo, são mais espertas. Ao fim de três noites com padrões de sono distintos, o psicólogo testou a sua capacidade de aprender e os que dormiram menos ficaram dois anos ‘atrasados’ nos testes mentais realizados. O tempo ideal? 9 a 11 horas por noite, podendo descer até 7 e, em alguns casos, ultrapassar as 12.

Dos 14 aos 17 anos

Afinal, a disposição e preguiça dos adolescentes em geral tem uma explicação. Com a chegada da puberdade, o corpo começa a passar por muitas mudanças e nestas idades, é importante descansar as horas necessárias para o corpo libertar a quantidade essencial de hormonas, senão a falta de sono irá refletir-se no humor. E são precisas, pelo menos, 8 a 10 horas por noite. No entanto, com o desenvolvimento das tecnologias, os adolescentes estão a prejudicar os seus padrões de sono com uma frequência cada vez maior, pois a luz emitida pelos dispositivos tecnológicos utilizados dificulta a libertação de melatonina pelo cérebro, a hormona que promove o sono.

Dos 18 aos 25 anos

O ideal são 7 a 9 horas por noite, apesar de 6 horas, por vezes, serem suficientes. Nesta altura da vida, o maior impacto da falta de horas de sono reflete-se nos homens, já tendo sido confirmado que se não dormirem o suficiente, a sua contagem de esperma poderá reduzir para um terço.

Dos 26 aos 64 anos

Apesar de, nesta altura da vida, já normalmente existirem famílias e carreiras que dificultam as horas de sono, é igualmente importante dormir entre 7 e 9 horas, podendo sempre descer para as 6. Se esta rotina não for cumprida, poderá surgir um leque variado de problemas de saúde, entre os quais ataques cardíacos, obesidade, diabetes, ansiedade, depressão, problemas cardíacos e cancro.

Mais de 65 anos

Apesar de ainda não se saber a razão, a maioria das pessoas idosas tem uma maior dificuldade de dormir à noite. Seja a que hora for, é necessário dormir entre 7 a 8 horas por noite para excluir a possibilidade de desenvolvimento de doenças como a demência, mas alguns idosos dormem apenas 5 horas, enquanto outros precisam de 9.

 

 

Depressão materna e seus impactos na infância e adolescência

Janeiro 19, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

texto do site  http://www.radardaprimeirainfancia.org.br  de 5 de janeiro de 2014.

A depressão materna é muito comum e pode ter um impacto negativo na relação entre a mãe e sua criança. Mas pouco se sabe sobre como ela afeta o comportamento dessa criança quando entra na adolescência. O estudo a seguir, publicado pela revista científica Pediatrics, examinou a relação entre 2.910 pares de mães e adolescentes no Canadá.

Os autores descobriram que quando a criança é exposta a episódios de depressão materna na infância, aumentam os riscos de desenvolver comportamentos delinquentes na adolescência, como o consumo de cigarros, álcool e drogas. Os pesquisadores concluem que identificas e tratar a depressão materna precocemente pode auxiliar na qualidade do relacionamento mãe-filho e reduzir o comportamento delinquente.

ACESSE O CONTEÚDO COMPLETO

 

Bullying na infância e na adolescência tem efeitos na vida adulta

Setembro 4, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , ,

Notícia do site crescer.sapo.pt de 19 de Agosto de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Impact of Bullying in Childhood on Adult Health, Wealth, Crime, and Social Outcomes

Novo estudo mostra que adultos expostos ao «bullying» durante a infância têm maior probabilidade de desenvolver distúrbios psicológicos.

Há muito que se reconheceu que o bullying numa idade jovem representa um problema para as escolas, para os pais e para os formuladores de políticas públicas. Embora as crianças passem mais tempo com os seus pares do que os pais, há relativamente poucos estudos publicados sobre a compreensão do impacto dessas interações na vida para além da escola.

Os resultados de um novo estudo, publicado na revista Psychological Science, da Associação para a Ciência Psicológica, destaca a medida em que o risco de problemas relacionados com a saúde, a pobreza e as relações sociais é agravado pela exposição ao bullying. O estudo leva em consideração muitos fatores que vão além de resultados relacionados com a saúde.

Dieter Wolke, da Universidade de Warwick, no Reino Unido, e William E. Copeland, do Centro Médico da Universidade de Duke, nos Estados Unidos da América, olharam para além do estudo das vítimas e investigaram o impacto sobre todos os afetados: as vítimas, os próprios agressores e aqueles que se enquadram em ambas as categorias, as chamadas «vítimas-bullies».

«Não podemos continuar a ignorar o bullying como sendo uma parte inofensiva, quase inevitável, do crescimento», diz Dieter Wolke. «Precisamos de mudar esta mentalidade e reconhecer o bullying como um problema sério tanto para o indivíduo como para o país, já que os efeitos são duradouros e significativos.»

As « vítimas-bullies» apresentam um maior risco de problemas de saúde na idade adulta, com uma probabilidade seis vezes mais elevada de serem diagnosticados com uma doença grave, de serem fumadores regulares ou de desenvolverem um distúrbio psicológico quando comparadas com adultos que nunca se viram envolvidos em episódios de bullying.

Os resultados mostram que as «vítimas-bullies» são talvez o grupo mais vulnerável de todos. Este grupo pode virar-se para o bullying depois de ser intimidado, uma vez que pode não ter a regulação emocional ou o apoio necessário para lidar com o bullying.

«No caso das “vítimas-bullies”, o estudo mostra como o bullying pode alastrar-se quando não é tratado», acrescenta o investigador. «Algumas intervenções já estão disponíveis nas escolas, mas são necessárias novas ferramentas para ajudar os profissionais de saúde a identificar, monitorizar e lidar com os maus efeitos do bullying. O desafio que enfrentamos agora é aplicarmos tempo e recursos a tais intervenções para tentar colocar um fim ao assédio moral.»

Maria João Pratt

 

 


Entries e comentários feeds.