Saúde sinalizou perto de 65 mil crianças em risco de maus tratos em dez anos

Abril 29, 2019 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 22 de abril de 2019.

A negligência e os maus tratos psicológicos são os dois tipos de maus tratos mais comuns desde que a rede, agora com 269 núcleos espalhados por todo o país, foi criada em 2008.

Ana Maia

Em dez anos, perto de 65 mil crianças e jovens em risco ou vítimas de maus tratos foram sinalizados e acompanhados na rede de Núcleos de Apoio a Crianças e Jovens em Risco (NACJR) que existem nos centros de saúde e nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Segundo os últimos dados, 2016 foi o ano com mais sinalizações: 9034 casos. Em 2017 houve uma redução – foram 8670 – valor em linha com o número registado em 2015.

A negligência e os maus tratos psicológicos são os dois tipos de maus tratos mais comuns desde que a rede, agora com 269 núcleos espalhados por todo o país, foi criada em 2008. Também têm sido identificadas situações de maus tratos físicos e abusos sexuais, mas em menor percentagem. Até Dezembro de 2017, os núcleos sinalizaram e acompanharam 64.876 crianças e jovens. Esta rede articula com outras entidades como escolas ou comissões de protecção de menores e tribunais.

“À semelhança do acontecido em todos os anos anteriores estudados, a ‘negligência’ constitui o mau trato prevalecente, correspondendo a cerca de dois terços do total de registos”, diz o último relatório da Comissão de Acompanhamento da Acção de Saúde para Crianças e Jovens em Risco, da Direcção-Geral da Saúde, que apresenta dados de 2016 e 2017. Em 2016 as negligências corresponderam a 67% das sinalizações e no ano seguinte a 62%.

“A negligência é um mundo enorme de situações e que vão desde as carências de higiene ao seguimento de uma doença crónica diagnosticada que não está a ser feita da forma correcta e a criança falta às consultas”, explica Vasco Prazeres, coordenador da comissão de acompanhamento. Podem também ser “sinais de uma alimentação descuidada ou falta de rotinas estabelecidas: sem horas para ir para a cama, come quando calha, percebe-se que não há grande ligação com as pessoas”.

Já o mau trato psicológico foi o segundo tipo de sinalização mais identificada ao longo destes dez anos. Em 2016 representou 21% dos casos e em 2017 foram 27%. A tendência nos últimos anos, refere o relatório, tem sido a redução dos casos de negligência e o aumento dos maus tratos psicológicos.

Para o responsável, a questão pode estar relacionada com vários factores como o trabalho desenvolvido no terreno pelos núcleos. “Quando as pessoas se tornam mais atentas a estes pequenos sinais, é possível corrigir ou procurar que sejam corrigidas algumas das situações que podem consubstanciar negligência. Isso, por si só, pode justificar uma diminuição das situações que são sinalizadas”, diz Vasco Prazeres.

Outro factor é a definição de cada um dos tipos de maus tratos que tem mudado ao longo do tempo, permitindo que situações que antes não eram identificadas agora não passem despercebidas. Vasco Prazeres dá um exemplo para o qual nem sempre se olha: “O grau de exigência brutal em termos de rendimento escolar.” São “as comparações que se fazem entre irmãos para outras situações, se calhar mais graves, que é: ‘Tu és burro, não és capaz de ter boa notas’.

Os maus tratos, sejam que de tipo forem, são transversais a todas as classes sociais. “É a realidade que nos mostra que assim é. Eventualmente somos capazes de identificar, à partida, mais vulnerabilidades e mais factores de risco que possam propiciar violência em determinados contextos sociais do que noutros”, admite Vasco Prazeres.

Foco na prevenção

Luísa Horta e Costa, coordenadora do núcleo do Centro de Saúde de Lisboa Ocidental e Oeiras, não tem dúvidas que “a sociedade em geral está mais desperta” para os maus tratos em crianças e jovens. “Não passa pela cabeça de nenhuma instituição que não existisse um núcleo. Fazem parte da vida diária das instituições do SNS”, diz a enfermeira, que é também interlocutora regional de Lisboa e Vale do Tejo com a comissão coordenadora.

Além do olhar atento dos profissionais nos centros de saúde, também as famílias lhes batem à porta a pedir ajuda quando sentem que há um risco iminente que precisa de ser resolvido. É esta maturidade conseguida ao longo de dez anos que tem permitido, por um lado, sinalizar mais casos e, por outro, intervir precocemente de forma a minimizar os riscos, evitando que alguns tenham de ser sinalizados.

Nas reuniões quinzenais de avaliação, cada gestor apresenta os seus casos a debate. A equipa é constituída por um enfermeiro, um médico, um psicólogo e um assistente social. O seguimento não se esgota numa intervenção e sempre com o foco na prevenção dos riscos.

“Temos tentado estabelecer que os núcleos tenham um olhar mais atento à primeira infância. Têm crescido as sinalizações durante a gravidez. Por exemplo, uma mãe que vem fazer o curso de preparação do parto e parentalidade e o enfermeiro percebe que não está bem ou o casal não está bem. Intervimos logo com uma primeira consulta de psicologia”, explica, acrescentando que muitas das sinalizações do núcleo são de crianças até aos dois anos. “O que fazemos é tentar parar tudo aqui”, reforça Luísa.

É essa ideia que Vasco Prazeres deixa quando fala sobre os desafios futuros. “O desafio futuro é cada vez mais que todas as equipas de saúde tenham na sua bagagem como profissionais a incorporação dos maus tratos como um problema de saúde a rastrear de forma sistemática. Sabemos que a exposição a maus tratos em idades precoces compromete em muito o desenvolvimento integral das pessoas. E que isso tem um efeito ao longo da vida. A intervenção tem o papel importante de poder travar a replicação do modelo de violência ao longo de gerações”, salienta o coordenador.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Ação de Saúde para Crianças e Jovens em Risco: Relatório 2016/2017 – dezembro de 2018

Aplicação mort@lidades.infantil

Janeiro 9, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança, Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Notícia do Portal da Saúde de de 21 de Dezembro de 2012.

mortalidades

Observatórios Regionais de Saúde iniciam trabalho colaborativo com utilização da aplicação mort@lidades.infantil.

O grupo de trabalho operativo dos Observatórios Regionais de Saúde (ORS) dos departamentos de saúde pública das Administrações Regionais de Saúde(ARS)  – Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve – disponibilizou a aplicação informática mort@lidades.infantil.

Como resultado do primeiro trabalho conjunto efetuado pelo grupo de trabalho operativo dos ORS foi construída e devidamente adaptada para cada uma das ARS a aplicação mort@lidades.infantil, que permite a análise da natalidade, mortalidade infantil e suas componentes, num âmbito regional e local (agrupamentos de centros de saúde e unidades locais de saúde).

A ferramenta, baseada na web, pode ser acedida através do site de cada uma das ARS.

Este trabalho colaborativo, numa área tão crucial como a da observação de saúde da população, dará um importante contributo para a melhoria da eficácia, eficiência e efetividade de todos os processos de tomada de decisão em saúde, quer a nível regional, quer a nível local.

A iniciativa pressupõe a articulação com as entidades nacionais mais relevantes nas áreas da observação da saúde e das estatísticas da saúde, designadamente a Direção-Geral da Saúde, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, a Administração Central do Sistema de Saúde, o Instituto Nacional de Estatística e o Conselho Superior de Estatística.

Mais informações nos links em baixo:

http://www.arscentro.min-saude.pt/SaudePublica/PlaneamentoSaude/Paginas/MortalidadeInfantil.aspx

http://portal.arsnorte.min-saude.pt/portal/page/portal/ARSNorte/Sa%C3%BAde%20P%C3%BAblica/Planeamento%20em%20Sa%C3%BAde/mort%40lidades

http://www.arsalentejo.min-saude.pt/saudepublica/Mortalidades/Paginas/Mortalidades.aspx

http://www.arsalgarve.min-saude.pt/site/index.php?option=com_content&task=view&id=1844&Itemid=1&lang=pt

 

Mortalidadade infantil aumentou para níveis de há dez anos em nove regiões

Janeiro 9, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do i de 7 de Janeiro de 2013.

Por Marta F. Reis,

Direcção-geral da Saúde está a avaliar últimos indicadores. Nova plataforma nacional permite monitorização inédita

A queda dramática na mortalidade infantil é um dos indicadores de maior orgulho da Saúde em Portugal, mas novos dados sugerem que, em algumas zonas do país, a situação pode estar a inverter–se: em 2011, a mortalidade de crianças no primeiro ano de vida recuou para indicadores de há dez anos em nove regiões.

Os dados tornados públicos pelas Administrações Regionais de Saúde através da nova ferramenta “mort@lidades.infantil” revelam que o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) da Amadora mantém, desde 2010, o pior indicador. Em 2011, a mortalidade infantil rondou, neste concelho, os 8,4 óbitos por cada 1000 nados-vivos, mais um que em 2010. Esta taxa tinha sido superada pela última vez em 2002, com um pico de 10,8 óbitos.

Seguem-se a Unidade Local de Saúde da Guarda (7,6) e o ACES Odivelas (7,3). Na Guarda, o número não era tão elevado desde 1999 e em 2010 teve uma taxa de 4,6. Em Odivelas, e uma vez que a plataforma só contém dados a partir de 1996, trata-se mesmo de um recorde. No ano anterior a taxa rondou os 2,3 óbitos por cada mil nados-vivos.

A nova plataforma, que resultou de uma iniciativa da ARS Norte em 2011 e foi adoptada pelos departamentos de Saúde Pública de todas as regiões ao longo do ano passado, apresenta este e outros indicadores relacionados com natalidade e mortalidade infantil por Agrupamento de Centros de Saúde. Assim, não é possível uma análise por concelho, dado que em algumas regiões o mesmo agrupamento abrange residentes de diferentes locais. É o caso do ACES Baixo Mondego III, um dos que perdeu autonomia no ano passado, mas que em 2011 abrangia Mira, Cantanhede, Mealhada e Mortágua. Em 2011, a mortalidade infantil bateu também aqui o recorde, com 6,7 óbitos por 1000 nados-vivos (o dobro de 2010).

Embora o agravamento da taxa nacional registada em 2011 – um aumento de 2,5 para 3,1 noticiado em Novembro a partir de dados do INE– preserve a posição do país entre os melhores da UE, os piores indicadores a nível regional não têm comparação. Consultando os dados da OCDE para este indicador, e ainda que a comparação não possa ser directa, verifica-se que nenhum país europeu apresenta hoje taxas de mortalidade da ordem das reportadas na Amadora ou Odivelas. O país da UE com a taxa mais elevada era em 2010 a Eslováquia: 5,7 óbitos por 1000 nados-vivos.

Quando foi conhecido o agravamento inédito da taxa de mortalidade infantil nacional entre 2010 e 2011, a Direcção–geral da Saúde anunciou uma análise individual de cada caso, para apurar explicações. Em declarações ao “Público”, Francisco George explicou que a tendência de aumento parecia incidir nas chamadas mortes neonatais – até aos 28 dias de vida – o que poderá estar relacionado com o risco acrescido das técnicas de procriação medicamente assistida, mais comum nas gravidezes tardias, mas também situações de prematuridade.

Em sintonia com a análise preliminar da DGS, os dados das administrações regionais de saúde revelam que o agravamento incide de facto nos óbitos neonatais. Em 2011 registaram-se mais 58 mortes de recém-nascidos até aos 28 dias a nível nacional, num total de 215. A partir desta idade e até um ano de vida verificou-se o número mais baixo de sempre, 70 casos (menos nove que em 2010). Historicamente os óbitos neonatais são mais oscilantes: em 2009 foram 228 e em 2007 desceram abaixo das duas centenas, com 198 casos.

Contactado pelo i, Francisco George adiantou que as conclusões da avaliação da DGS sobre esta matéria deverão ficar disponíveis esta semana. Se um ano não pode definir uma tendência de aumento ou diminuição, facto é que dos 67 agrupamentos de saúde com dados disponíveis 44 (65%) viram o indicador de mortalidade infantil piorar entre 2010 e 2011.

 

 


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