Maioria é demasiado doce. Afinal, que iogurte se deve dar às crianças?

Janeiro 23, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 19 de setembro de 2018.

Graça Henriques

Um novo estudo britânico revela que a grande maioria dos iogurtes disponíveis no mercado tem açúcar a mais, sobretudo na categoria infantil. Até os orgânicos são demasiado doces. Mas há alternativas saudáveis.

o ingerir dois iogurtes aromatizados, uma criança está a ultrapassar a quantidade diária de açúcar recomendada (25g). A “ameaça doce” que este alimento pode representar para a saúde já era falada, mas agora há um novo estudo que inclui toda a panóplia de iogurtes que tantas vezes nos dificulta a escolha nas prateleiras do supermercado: com sabores, com pedaços de fruta, os destinados especificamente às crianças, os de soja, as sobremesas lácteas e os queijinhos.

Apenas 9% obteve a classificação de baixo teor de açúcar, quase nenhum deles na categoria infantil. Uma questão “preocupante”, alertam os investigadores, dado o aumento da obesidade infantil e a prevalência de cáries entre as crianças. Em Portugal, 28,5% das crianças entre os 2 e os 10 anos têm excesso de peso, entre as quais 12,7% são obesas, de acordo com os resultados do mais recente estudo da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil que analisou uma amostra de 17 698 crianças, em idade escolar, no ano letivo 2016-2017.

O novo alerta sobre o excesso de açúcar vem de um estudo britânico desenvolvido por investigadores da Universidades de Surrey e Leeds – conhecido esta quarta-feira – que avaliaram cerca de 900 iogurtes disponíveis em cinco grandes cadeias de supermercados online do Reino Unido, que representam 75% do mercado. O estudo revela que, com exceção dos iogurtes naturais/gregos, o teor médio de açúcar dos produtos em todas as categorias estava bem acima do limiar recomendado.

Iorgurtes naturais são saudáveis

Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, e Alexandra Bento, bastonária dos nutricionistas, fazem questão de sublinhar que, apesar de se tratar de um estudo britânico, em Portugal a realidade não será muito diferente. Tanto mais que as empresas lácteas estão no mercado global e os valores nutricionais dos alimentos são iguais ou muito semelhantes. Os estudos desenvolvidos em Portugal, nomeadamente o Inquérito Alimentar Nacional, apontam no mesmo sentido.

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável começa por explicar que até os iogurtes naturais têm presente na sua constituição nutricional 5/6g de açúcar por 100g. Mas, sublinha, nem tudo é mau e trata-se de um alimento bastante saudável e completo porque é rico em vários nutrientes – proteínas, gorduras, cálcio, fósforo, diversas vitaminas, potássio, zinco, iodo, entre outros. Uma espécie de multivitamínico que pode colmatar défices nutricionais por um baixo preço, afirma.

Esta variada composição nutricional que um iogurte tem na sua matriz faz com que o açúcar tenha um efeito menos negativo do que o de um refrigerante. “No caso dos iogurtes, a entrada do açúcar no sangue é mais lenta, faz-se a conta-gotas, ao contrário do que acontece quando se bebe um refrigerante, que é injeção de açúcar direto nas veias”, diz Pedro Graça. Um refrigerante tem em média 10g de açúcar por 100g, o que faz com que uma garrafa some 33 gramas, o triplo do açúcar presente num iogurte aromatizado (que já ultrapassa os valores recomendados – 5g para 100g).

Quando se fala de um iogurte aromatizado a conversa é outra, já que este pode apresentar 13 a 15 g de açúcar por 100g, mais do dobro de um iogurte natural. “Não faz sentido que um alimento tão bom, saudável, tenha necessidade de ter açúcar aditivado, há formas de se adoçar o alimento, como a canela e a fruta”, refere Pedro Graça.

Sobremesas lácteas são “bombas” calóricas

O estudo britânico revela que as sobremesas lácteas contém mais açúcar – uma média de 16,4g/100g, uma quantidade que representa mais de 45% do consumo de energia. Estes foram seguidos de produtos nas categorias infantil, com sabor, frutas e até os orgânicos (que recebem esta classificação porque são feitos com produtos naturais e não significa que não tenham açúcar).

No caso das sobremesa, Pedro Graça diz que os pais que dão este tipo de alimentos aos filhos devem assumi-los como um bolo feito com leite e que em caso algum substituem uma peça de fruta à refeição.

Alexandra Bento, bastonária dos nutricionistas, afirma, por seu lado, que este estudo vem reforçar a necessidade da reformulação de produtos alimentares com elevado teor de açúcar, com especial enfoque para os destinados às crianças. “Vem também destacar a necessidade de se aumentar a literacia alimentar da população para saberem fazerem melhores escolhas alimentares, porque saber compreender os rótulos é essencial.” E alerta que, considerando as recomendações da Organização Mundial da Saúde para ingestão de açúcar, em alguns casos dos produtos analisados neste estudo revelou que por 100g já disponibiliza a quantidade máxima de açúcar (25g) que uma criança deve ingerir num dia.

De facto, os investigadores sublinham que “embora o iogurte possa ser menos preocupante do que os refrigerantes e sumos de frutas, as principais fontes de açúcares livres nas dietas de crianças e adultos, o que é preocupante é que o iogurte, considerado um ‘alimento saudável’, pode ser uma fonte não reconhecida de açúcares livres adicionados na dieta”.

Por tudo isto concluem: “Nem todos os iogurtes são tão saudáveis quanto os consumidores os percebem e a redução de açúcares livres é justificada.”

O estudo citado na notícia é o seguinte:

An evaluation of the nutrient contents of yogurts: a comprehensive survey of yogurt products in the major UK supermarkets

 

Vote no Projeto SOS – Criança: “Um aluno bem nutrido é um aluno bem-sucedido”

Janeiro 11, 2019 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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“SOS – Criança: Um aluno bem nutrido é um aluno bem-sucedido” | Instituto de Apoio à Criança – SOS – Criança (My Auchan Avenida da República)

O projeto procura, em articulação com a loja Auchan da Avenida da República, incentivar as crianças de três escolas básicas situadas nos bairros da Picheleira, Lóios e Santo António, a terem uma alimentação saudável e a conhecerem os efeitos da mesma no seu desempenho escolar. As escolas referenciadas integram uma população económica e socialmente desfavorecida, nomeadamente população emigrante, alguns refugiados e de etnia cigana. Procura-se realizar as aprendizagens recorrendo a atividades como a construção de uma horta, a criação de um livro de receitas, a interpretação dos rótulos dos alimentos e a confeção de refeições saudáveis, entre outras. Na construção da horta biológica, as crianças irão relacionar a matéria de estudo do meio, com os nutrientes das plantas que irão semear e ajudar a florescer. Procurar-se-á incentivar as crianças a transmitirem os conhecimentos adquiridos evitando o recurso a alimentos pré-cozinhados, a fast-food, às chamadas calorias vazias, entre outros. Por outro lado, ir-se-á dinamizar momentos de conv´vio familiar, através da alimentação. Por fim, realizar-se-á uma sessão de esclarecimento sobre o Direito da Criança à Saúde, com base na nutrição e uma sessão para os Pais e Encarregados de Educação sobre comportamentos aliados a distúrbios alimentares. Constatação de que as crianças adotam um estilo de vida mais sedentário (deslocam-se em meio de transporte para a escola e para casa; nos intervalos jogam no telemóvel e ocupam os tempos livres com video-jogos). Por sua vez, o tipo de hábitos alimentares das crianças e dos jovens a nível mundial tem vindo a sofrer transformações, como por exemplo: consumo de refrigerantes; fritos; salgados e gorduras saturadas acabando com a dieta mediterrânea. Tal produz impacto na saúde dos jovens (excesso de peso/obesidade; diabetes tipo 2; apneia do sono; distúrbios alimentares) e na sua longevidade. Estudos indicam que, nos últimos anos, tem-se vindo a verificar que as crianças vivem mais doentes e morrem mais cedo que as gerações anteriores. No final do projeto as crianças conhecerão a importância de uma alimentação saudável e o modo como a mesma interfere nos seus resultados escolares: Um aluno bem nutrido é um aluno bem sucedido. As crianças serão mais autónomas para: saber fazer escolhas de alimentos saudáveis; consultar um rótulo e identificar a sua relação com uma alimentação saudável; cultivar e fazer florescer alguns alimentos saudáveis; reconhecer os seus Direitos e entre eles o Direito à Educação e a uma Alimentação Saudável.

Votar no projeto no link:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSe4NWidkMKeLM-A2STsqNzHYXhrAvfUtcwaXGFOqESNIVTbjw/viewform

Crianças que comem este alimento correm um maior risco de beber e de fumar no futuro

Outubro 22, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Patrick Fore on Unsplash

Notícia do i de 10 de outubro de 2018.

Estudo faz revelação

De acordo com um estudo recentemente feito, foi feito um inquérito a mais de 100 mil crianças, com idades compreendidas entre os 11, 13 e 15 anos, acerca do que bebiam e sobre os comportamentos de risco que levavam a cabo, asim como lutar, fumar e fazer ‘bullying’.

Com base nas respostas dadas, foi possível apurar que aquelas que consumiam mais açúcar, apresentavam uma maior probabilidade de se comportarem mal, 78%.

Segundo indicam os cientistas responsáveis pelo estudo, bebidas adocicadas, como os refrigerantes, criam maior propensão a esse tal mau comportamento.

O estudo foi conduzido em 26 países, por investigadores italianos e israelitas, e de acordo com os mesmos, “como os refrigerantes frequentemente contêm aditivos, incluindo cafeína, é possível que o açúcar em combinação com alguns desses aditivos torne esses sumos um fator mais poderoso ou um indicador mais consistente”.

O consumo elevado de açúcar foi associado com brigas em 23 dos 26 países.

Notícia com mais informação

Too much sugar makes children more violent and more likely to get drunk or smoke – with energy drinks the worst offenders

Estudo citado na notícia

Adolescents’ multiple and individual risk behaviors: Examining the link with excessive sugar consumption across 26 industrialized countries

 

O seu filho está viciado em jogos e televisão?

Outubro 18, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Texto do site Sapo Lifestyle

As crianças regem-se pelo prazer, não lidam bem com a frustração e inspiram-se no comportamento dos pais. Você pode e deve ajudá-las. Saiba como!

Sim, confirmamos. As crianças também podem estar viciadas em fontes de prazer que vão descobrindo à medida que crescem. Mais, o facto de se estarem a desenvolver e o exemplo dado pelos pais contribuem de forma decisiva para o problema. «Os vícios são comportamentos repetitivos que podemos considerar compulsões. Por um lado, o ser humano é, por natureza, muito repetitivo, por outro, guiamo-nos por duas leis, a da promoção do prazer e a do evitamento do desprazer», explica Alcina Rosa, psicóloga.

O que podemos, então, fazer para evitar este comportamento? «Usar o autocontrolo, o nosso comportamento consciente», responde a especialista que alerta para um fator determinante no caso dos mais pequenos. «Na infância, este regulador ainda não está muito desenvolvido. As crianças regem-se pelo que gostam ou não e cabe aos pais ajudá-las a desenvolver essa capacidade», refere ainda a especialista. Vamos a isso!

Televisão e videojogos

O seu filho evita sair de casa, tem um rendimento escolar fraco, dificuldades na socialização, isola-se, revela falta de interesse por outras atividades. Estes são sinais de alarme. A televisão e as consolas são frequentemente usadas pelos progenitores como amas porque, enquanto a criança está a jogar ou em frente ao televisor, está quieta. «Também o próprio comportamento dos pais, que passam horas a ver TV, se torna um exemplo», alerta Alcina Rosa.

Instituir a regra «primeiro, o trabalho, depois, o lazer» e fixar uma hora para deitar são duas prioridades que os pais devem ter. «Se a criança quiser passar todo o seu tempo de lazer em frente à TV, os pais têm de competir com outras atividades, como jogos sociais, leitura de livros, conversas. Pode custar um bocadinho descolá-lo da televisão mas, se a atividade que propomos lhe agradar, depressa se esquece da TV e se envolve», afirma Alcina Rosa.

Internet e redes sociais

A criança demonstra falta de atenção, cansaço, isola-se, tem comportamentos pouco sociáveis e uma fraca rede de amizades. Os próprios pais podem estar a passar muito tempo ao computador e nas redes sociais, comportamento que pode ser apreendido pelos mais pequenos. Este também pode constituir um problema. O que é que se deve fazer nestes casos? «Restringir totalmente o acesso não é uma solução, pois fazem parte da sua realidade», sublinha Alcina Rosa.

«Mas evitar que o computador esteja no quarto é um bom princípio», alerta a especialista. Dessa forma, é mais fácil controlar o tempo de utilização e o uso que faz dele. «Deve saber que programas utilizam e se são adequados à idade», refere Mafalda Navarro, psicóloga clínica. «A mais-valia será saber do que falam, que programas utilizam e se estão a despender o tempo apropriado à idade». Atividades em família que promovam o contacto social são fundamentais.

Telemóvel

Também aqui existem sinais de alarme, nomeadamente «perder a noção do tempo, negligenciar tarefas básicas, ansiedade e sintomas de abstinência, necessidade crescente de melhor equipamento, isolamento e baixo rendimentos», descreve Mafalda Navarro. «É contraproducente insistirmos com a criança para que desligue o telemóvel se os pais têm os seus sempre ligados», refere ainda. «Quantas vezes vemos pais darem um telemóvel à criança para ficarem sossegadas?», reforça Alcina Rosa.

Alterar esta situação exige algum acompanhamento. «Proibir não funciona. O essencial é ensinar, desde cedo, a controlar-se, a corrigir comportamentos de forma consciente ou, mal os pais virem costas, fará aquilo que não é suposto», alerta Alcina Rosa. «Quanto mais tarde receberem um telemóvel, melhor», aconselha ainda.

Veja na página seguinte: Quando as crianças são viciadas em doces e em fast food

Doces e fast food

«Este tipo de alimentação constante causa uma dependência igual a substâncias como o álcool ou drogas», alerta Mafalda Navarro, psicóloga. Um dos principais erros a evitar é «usar doces ou uma ida a uma cadeia de fast food como prémio por algo que os mais novos fizeram bem. Dessa forma, a criança associa algo que lhe é prejudicial a um comportamento correto», diz Alcina Rosa.

«A melhor maneira de evitar que coma esse tipo de alimentos é não tê-los no seu campo de visão. Não ter em prateleiras acessíveis e, principalmente, o próprio adulto não consumir à sua frente», aconselha Mafalda Navarro, acrescentando que «também é importante que os pais expliquem aos filhos que são alimentos nocivos que devem ser consumidos esporadicamente e que se não os dão todos os dias é porque estão a cuidar deles e a zelar pela sua saúde».

Texto: Paula Barroso com Alcina Rosa (psicóloga clínica) e Mafalda Navarro (psicóloga clínica)

 

 

Higiene oral dos miúdos. “Há muitos pais que dão Panrico aos filhos e não sabem o quão mal isso faz aos seus dentes”

Julho 12, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Blaise vonlanthen unsplash

Texto do site MAGG de 5 de julho de 2018.

Os bebés também devem lavar a boca, a quantidade de pasta deve ser adequada e a alimentação é muito importante. Uma higienista oral explica.

Lavar os dentes a um bebé ou criança pode ser um verdadeiro pesadelo para os pais. É um hábito que nem sempre é fácil de incutir, mas que é essencial para a saúde oral dos miúdos. Mesmo antes de terem dentes.

“As pessoas quando pensam em dentes, pensam em problemas e tratamentos e esquecem-se da prevenção. Essa sim é a mais importante”, explica à MAGG Rita Branco, higienista oral e delegada de propaganda médica nos Laboratórios Pierre Fabre. “Prevenir é a solução para que não haja a necessidade de ter algo para tratar.  E é isto que os pediatras precisam transmitir aos pais.”

E são também os pediatras que têm o papel de informar os pais sobre quais os hábitos de higiene oral adequados a cada bebé ou criança.

Os primeiros dentes aparecem habitualmente depois dos primeiros seis meses de vida do bebé, mas a higienização da boca deve ser feita desde sempre. “A partir do momento em que há fatores externos à boca, é conveniente higienizar as gengivas, pois estas estão constantemente em contacto com o leite, leite com papa ou sopas”, explica.

Quando o bebé é ainda muito pequeno, e não tem dentes, a limpeza deve ser feita apenas com uma compressa húmida, sem recorrer a uma escova, de cada vez que o bebé come. Isto pode durar até no máximo aos dois anos, segundo Rita Branco, apesar de haver várias escovas de dentes no mercado adequadas a bebés a partir dos seis meses.

Além desta, há outras dicas que a higienista oral considera importantes para que seja feita uma correta higiene oral nos bebés e crianças.

  • A escovagem deve ser feita pelo menos duas vezes por dia, de manhã e à noite. Idealmente deveria ser feita de cada vez que a criança come, mas como nem sempre é possível, principalmente se a criança estiver na escola, essas duas vezes devem ser garantidas;
  • A pasta de dentes só deve ser introduzida quando já existem dentes, e com a quantidade de flúor adequada a cada idade. A quantidade de dentífrico usada também é muito importante. Não deve ultrapassar o tamanho da unha do dedo mindinho do bebé/criança, pois só dessa forma se controla melhor para que não haja ingestão do dentífrico;
  • A escova tem que ter um tamanho adequado ao tamanho da boca e dos dentes, ou seja, no momento da compra da escova, deve ter atenção à Indicação da idade e à “cabeça” da escova;
  • A escova de dentes deve ser trocada a cada três meses, por causa da acumulação de placa bacteriana e pela deterioração dos pelos da escova;
  • Ir ao dentista pelo menos duas vezes por ano, para criar um hábito na criança e evitar que se crie o mito de que só se vai ao dentista para tratar um problema e que “o dentista dói”;
  • Lavar os dentes em família. Se tornar este momento divertido e mostrar que também o faz, será mais fácil incutir a vontade e hábito na criança;
  • Não deixar as crianças escovarem os dentes sozinhas, pelo menos até aos seis ou sete anos de idade, pois dificilmente os dentes ficarão bem limpos. Deve haver sempre uma supervisão dos pais.

“Há muitos pais que dão Panrico aos filhos e não sabem o quão mal isso faz aos seus dentes”

A estas dicas há que juntar outro elemento importante: a alimentação. É do senso comum que o açúcar faz mal aos dentes, no entanto, muitas vezes não sabemos a quantidade de açúcar que determinados alimentos têm e damos constantemente às crianças.

“Os refrigerantes são obviamente maus para os dentes, mas não são os únicos. Há muitos pais que dão Panrico aos filhos e não sabem o quão mal isso faz aos seus dentes. E até os alimentos considerados mais saudáveis e que estão tanto na moda como os cereais, as granolas, não se devem dar sem que seja feita uma escovagem logo a seguir. São pegajosos e colam-se aos dentes”, explica a higienista oral.

Outra situação comum ligada ainda ao açúcar, e à importância de lavar os dentes pelo menos de manhã e à noite, é quando os pais têm que dar um xarope aos filhos, que é habitualmente altamente açucarado. Regra geral fazem-no antes de se deitarem ou a meio da noite, e depois não lhes lavam os dentes.

“A criança dorme com a boca fechada, há menos produção de saliva e as bactérias estão mais ativas. O açúcar fica a trabalhar nos dentes a noite toda, o que é bastante prejudicial. Quando isto acontece, é ainda mais importante lavar os dentes logo de manhã.”

A sociedade atual em que vivemos tem em parte alguma culpa da falta de higiene oral das crianças, pois segundo Rita Branco, os pais não têm tempo, nem paciência para estar atentos e dedicarem uma parte do seu dia a isto.

 

 

 

 

 

O açúcar é “tão viciante como a cocaína”, alertam especialistas

Setembro 8, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.noticiasaominuto.com/ de 25 de agosto de 2017.

Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicines sugere que o açúcar pode ser tão viciante como a cocaína, o que significa que pode provocar ânsias, vontade de comer sem parar e sintomas semelhantes aos que surgem a um toxicodependente em abstinência – como depressão e distúrbios comportamentais. 

Os especialistas estão preocupados com o consumo excessivo de açúcar, especialmente nas crianças, uma vez que o consumo médio é cerca de três vezes superior ao recomendado – a dose diária recomendada é de 90 gramas para um adulto com uma dieta diária de duas mil calorias. Este consumo excessivo pode levar a obesidade, cáries, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Para o seu estudo os investigadores do Saint Luke’s Mid-America Heart Institute analisaram investigações sobre o açúcar e a dependência.

Concluíram que o açúcar refinado e as drogas opiáceas espoletavam uma resposta semelhante do sistema de recompensa do cérebro, ambos levando o cérebro a libertar dopamina e outros químicos de indução de prazer. O problema é que quando o corpo se habitua a esta resposta, quer mais e mais, levando à dependência.

Mais informações na notícia do The Guardian:

Is sugar really as addictive as cocaine? Scientists row over effect on body and brain

 

 

 

O que as crianças comem aos quatro anos determina a gordura aos sete

Julho 1, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.noticiasmagazine.pt/de 7 de junho de 2017.

Um estudo desenvolvido no Porto concluiu que crianças que comem alimentos calóricos e com muito açúcar aos quatro anos têm tendência a desenvolver maior gordura corporal aos sete, situação que se verifica mais nas raparigas.

Estes resultados podem ser explicados pelas «diferenças hormonais e de composição corporal, que se manifestam antes do início da puberdade», como é o caso de «uma maior massa gorda relativa nas raparigas», disse à Lusa a investigadora Catarina Durão, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), entidade responsável pelo estudo.

De acordo com a especialista, estas diferenças podem ainda estar relacionados com um ressalto adipocitário (período na infância em que se reinicia o aumento do índice de massa corporal), que acontece mais precocemente nas raparigas.

A investigação, que envolveu 3.473 crianças da ‘coorte’ Geração 21 – projeto de investigação que acompanha cerca de 8.600 crianças da cidade do Porto, desde o nascimento – mostra que 44% das raparigas e 45% dos rapazes avaliados aos quatro anos, já praticam um «padrão alimentar excessivo».

Esse padrão inclui, segundo a investigadora, alimentos demasiado calóricos e com pouco interesse do ponto de vista nutricional, como bolos, doces, refrigerantes, néctares, charcutaria, pizas, hambúrgueres, croquetes, rissóis e batatas fritas.

Catarina Durão indica ainda que as crianças que têm esses hábitos alimentares aos quatro anos tendem a mantê-lo aos sete, aumentando, devido a isso, a proporção da ingestão de alimentos demasiado calóricos também nesta idade (49% das raparigas e 53% dos rapazes).

«Tendo em conta que a idade pré-escolar é um período particularmente relevante para o estabelecimento de preferências e de hábitos alimentares, esta fase da vida é uma oportunidade de excelência para intervir, já que a criança e a sua família podem estar mais abertas à mudança», referiu.

Para a investigadora, as intervenções devem incidir sobre «alimentos com elevada densidade energética e sobre bebidas açucaradas», uma vez que «o consumo destes produtos está associado entre si».

Crianças «que consomem mais ‘fast food’, também bebem mais bebidas açucaradas, comem mais bolos, doces, guloseimas e ‘snacks’ salgados», explicou.

Na sua opinião, embora o consumo de alimentos densamente energéticos seja reconhecido como fator de risco para a obesidade infantil, são relativamente escassos os estudos que avaliem padrões alimentares identificados estatisticamente em crianças na idade pré-escolar e a sua relação com subsequente adiposidade.

«Observar esta associação tem relevância, pois consolida a evidência científica que permite servir de base a políticas públicas de promoção de uma alimentação saudável, dando ênfase à importância de intervir o mais precocemente possível», concluiu.

Neste estudo participaram ainda os investigadores Milton Severo, Andreia Oliveira, Pedro Moreira, António Guerra, Henrique Barros e Carla Lopes, membros do Grupo de Investigação em Epidemiologia da Nutrição e da Obesidade da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do ISPUP.

Designado «Association between dietary patterns and adiposity from 4 to 7 years of age», o estudo foi publicado recentemente na revista Public Health Nutrition.

Estudo mencionado na notícia:

Association between dietary patterns and adiposity from 4 to 7 years of age

 

 

 

 

Escolas ignoram regras de 2012 e vendem alimentos prejudiciais à saúde

Outubro 3, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 6 de setembro de 2016.

Leonardo Negrão/Global Imagens

Leonardo Negrão/Global Imagens

Joana Capucho

Há escolas que insistem em vender doces embalados e bebidas açucaradas nas máquinas automáticas

O bar da escola ainda não abriu. Restam algumas garrafas de água na montra. Ao lado, na máquina de venda automática, há águas, embalagens pequenas de Oreo, Chips Ahoy e Cacao Wafer, pacotes de Compal, Fresky, Capri Sonne e B!. Foi este o cenário encontrado ontem pelo DN numa escola dos 2.º e 3.º ciclos de Aveiro. “Devem vir trazer mais coisas antes de as aulas começarem. Costuma ter sandes, gelatinas, chocolates, bolachas de água e sal e digestivas, salame, bolo de bolacha”, conta Maria, aluna do 8.º ano.

Quatro anos depois de a Direção-Geral da Educação (DGE) ter publicado regras muito específicas para a alimentação nas escolas, ainda há instituições de ensino que disponibilizam bebidas açucaradas, que podem ser equiparadas a refrigerantes (categoria que inclui iced tea, bebidas aromatizadas e com gás) e outros alimentos pouco saudáveis nas máquinas de venda automática. E continuam a chegar queixas à Direção-Geral da Saúde. Os diretores reconhecem que as máquinas são uma fonte

de rendimento para as escolas e garantem que estas estão a renegociar com as empresas que as abastecem para que vendam alimentos mais saudáveis. No ano passado, um estudo feito pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, que avaliou quase 20 escolas do concelho, concluiu que 80% das escolas ainda estavam a oferecer produtos que não deviam estar disponíveis e apenas metade daquelas ofereciam fruta.

“Ainda se veem alimentos e bebidas que não devem ser comercializados em algumas escolas públicas portuguesas, mas é cada vez menos usual”, admitiu ao DN Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP). O também diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos, em Vila Nova de Gaia, diz que, no seu caso, a escola decidiu eliminar as máquinas de venda automática, mas há diretores que optam por renegociar os contratos com as empresas.

“As máquinas estavam preparadas para determinado tipo de produtos. As escolas que as querem manter têm de falar com as empresas para mudar os produtos que existiam, nomeadamente os refrigerantes”, adianta Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes Escolares, destacando que as máquinas de venda automática são “uma fonte de rendimento” para as escolas, que recebem uma percentagem das vendas.

À Direção-Geral da Saúde (DGS) ainda chegam algumas queixas. Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, diz ao DN que, “pontualmente”, há pais que informam a DGS de que determinada escola não está a cumprir as regras (ver entrevista). De acordo com as orientações para os bares escolares e máquinas de venda automática emitidas em 2012, há alimentos a privilegiar, a limitar e a não disponibilizar. Entre aqueles que não podem ser vendidos estão os refrigerantes (lista que inclui iced tea, bebidas com gás ou à base de cola, água aromatizada), chocolates em embalagens superiores a 50 gramas, pastéis, bolachas e biscoitos com cobertura e/ou recheados, guloseimas, entre outros.

Jorge Ascensão, presidente da Confederação Geral das Associações de Pais, acredita que o problema “está mais ou menos controlado”, existindo apenas “situações pontuais”. Sempre que as associações de pais se apercebem de irregularidades, a escola é contactada.

Embora muitas escolas já tenham eliminado os referidos produtos, há casos em que os alunos conseguem comprá-los a poucos metros da instituição. “Do outro lado da rua há cafés a vender esses alimentos, que os alunos levam para a escola”, denuncia Filinto Lima. Para o presidente da ANDAEP, as escolas devem “sensibilizar os alunos e as famílias, que também dão às crianças em casa aquilo que as escolas estão proibidas de vender”.

Bufetes Escolares – Orientações

Crianças pequenas podem comer açúcar?

Setembro 15, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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texto do site http://g1.globo.com/ de 5 de setembro de 2016.

globo

por Dra. Ana Escobar

A American Heart Association ou Associação Americana do Coração lançou recentemente uma recomendação  contraindicando fortemente o consumo de açúcar para crianças com menos de 2 anos de idade. Para as crianças de 2 a 18 anos, o consumo total de açúcar deve se limitar a 25g por dia, o que significa 6 colheres de chá ou 5 pacotinhos.

Até 1 ano de idade, tudo certo. Depois disso, nada de bolo, nada de brigadeiro ou de docinhos nos  aniversários dos irmãos ou amigos mais velhos. Nada de sorvete, chocolate, suspiro e tantos mais até que o pequeno complete 2 anos de vida.

Dúvidas importantes: será que os pais brasileiros conseguiriam seguir esta recomendação? Será que esta rígida restrição de consumo se aplica apenas aos americanos, que enfrentam um grave problema de obesidade? E os açúcares “embutidos” nos alimentos? Como ficam? Vamos refletir sobre isso.

Em 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) sugeriu o consumo  máximo de 50g por dia de açúcar e afirmou que o consumo de 25g por dia poderia, sim, trazer maiores benefícios à saúde de todos, sem particularizar a faixa etária.

Importante saber que o açúcar que consumimos pode estar basicamente em dois locais: na mesa, que é o açúcar visível, que enxergamos e que usamos para adoçar o leite, os sucos ou o café, por exemplo e o que está “escondido” ou embutido em alimentos industrializados como sucos de frutas, ketchup, sopas, pães, macarrão, fórmulas de leite em pó, bolachas ou refrigerantes, para citar alguns exemplos.

Saliente-se que o açúcar natural das frutas, legumes, verduras ou do leite fresco ficam fora desta conta. O consumo destes alimentos, ao contrário, é bastante incentivado.

Segundo a OMS os brasileiros consomem 50% a mais de açúcar do que deveriam, ou seja, 75g por dia, em média, o que equivale a 18 colheres de chá ou 15 pacotinhos. Muito próximo das crianças e adolescentes  americanos que consomem uma média de 79g por dia de açúcar, ou seja, mais ou menos 19 colheres de chá. Lembrando que a recomendação é diminuir para no máximo 6 colheres de chá por dia, ou seja, 5 pacotinhos.

A obesidade infantil é também um problema sério no Brasil. Segundo a ABESO ( Associação Brasileira para o estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), quase 40% das crianças de 5 a 9 anos na região sudeste estão com sobrepeso. A obesidade sabidamente está relacionada a outros problemas de saúde como hipertensão e diabetes, por exemplo.

O gosto pelo paladar mais “doce” se faz principalmente na infância. Por esta razão é importante acostumar os pequenos a consumir alimentos com baixo teor de açúcar. Vale também para  adolescentes e adultos. Quanto menos açúcar, melhor. Tente, por exemplo, começar a tomar o cafezinho sem açúcar. Faça assim também com outros alimentos, como chás, sucos, leite e tantos outros. Com o tempo, o paladar se acostuma.

O equilíbrio é a conduta de ouro neste e em tantos outros casos. Sem exageros, nem para um lado e nem para o outro. Pode ser difícil privar uma criança maior de 1 ano de um brigadeiro em uma festinha. Não a prive. São estas exceções que tornam a infância e a vida um pouco mais gostosa e doce; desde que a exceção não se torne a regra, claro!

O consumo com consciência e ponderação, embasado no conhecimento científico, é sempre o mais indicado em todas as idades.

visualizar o vídeo no link:

http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/post/criancas-pequenas-podem-comer-acucar.html

O açúcar é o maior veneno que damos às crianças

Janeiro 21, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da Visão a Júlia Galhardo no dia 3 de abril de 2015.

visão

Veja aqui a Grande Reportagem Interativa da SIC, com a participação da pediatra Júlia Galhardo, responsável pela consulta de obesidade no Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa, e que usa palavras fortes para se referir ao abuso do açúcar em idades precoces: “maus tratos”

A GRANDE REPORTAGEM INTERATIVA DA SIC: Somos o que comemos 

Quando as crianças não têm excesso de peso  é mais difícil que as famílias percebam os perigos do açúcar em excesso?

Sim. Os pais não devem ficar descansados quando o seu filho, que come muitos doces, é magro. Muitos desses meninos, que são longilíneos, têm alterações dos lípidos no sangue, têm problemas de aterosclerose. Não são gordos, mas têm alterações metabólicas. Nem tudo o que é mau se vê. Nem tudo o que é mau dói. A hipertensão não dói, a diabetes não dói. Não doem, mas matam. E, mesmo quando existe excesso de peso, os pais não dão a devida importância. Acham que a criança vai esticar quando crescer, como se fosse plasticina, e que o problema vai desaparecer. Só começam a perceber que há, de facto, um problema quando as análises dão para o torto. Quando o colesterol ou os glícidos ou o ácido úrico vêm aumentados, quando as análises revelam inflamação…

E as crianças que segue na consulta de obesidade têm, frequentemente, problemas nas análises?

Mais de 90 por cento das vezes. O que eu até agradeço, inicialmente. Porque é a única forma que tenho de mostrar aos pais que alguma coisa não está bem. Eu ajudei a começar esta consulta em 2006. Estamos em 2015 e vejo crianças mais obesas, com maiores problemas nas análises e em idades mais precoces. Ontem vi uma criança que tinha 10 meses e pesava 21 quilos. Tenho adolescentes com diabetes tipo 2, com hipertensão, com colesterol elevado. Patologias que, quando eu andava na faculdade, eram ditas de adulto, na pediatria não se falava! Surgiam aos 40 anos, agravavam aos 60 e tinham consequências mesmo palpáveis aos 80. Esses problemas são cada vez mais precoces e cada vez têm consequências mais graves. Quanto mais precocemente surgem, mais graves se tornam.

Como é que se explicam mudanças tão significativas no espaço de uma geração?   

Traduz toda uma modificação ambiental, porque a genética não muda numa geração. Se tiver dois gémeos, iguaizinhos, monozigóticos – em que o genoma é precisamente o mesmo – e  os sujeitar a ambientes diferentes, eles vão desenvolver problemas diferentes. Fazer menos e comer mais, foi isto que mudou no ambiente que nos rodeia. E comer mais erradamente. Come-se mais do pacote da prateleira. Produtos em que, além daquilo que parece que lá está, estão inúmeras coisas que os pais não identificam.

Por exemplo?

Os açúcares. Os pais só identificam a palavra “açúcar”. Se eu lhe chamar glícidos, dextrose, maltose, frutose, xarope de milho… Tudo isso é de evitar, mas os pais não identificam isso como açúcar. E a quantidade de açúcar que as crianças ingerem, diariamente, é assustadora. Tudo o que é processado e vem num pacote tem açúcar. Basta olhar para o rótulo. Se eu não conseguir ensinar mais nada na minha consulta, consigo ensinar, pelo menos, que é importante olhar para o rótulo. E que o ideal é escolher produtos sem rótulo, sem lista de ingredientes: aqueles que vieram da terra ou do mar ou do rio.  É a melhor forma de evitar o açúcar.

Costuma envolver os avós, a família alargada, nas consultas?

Os avós têm um papel fundamental! Os avós são do tempo em que não havia esta parafernália do pacote. O doce era o mimo do dia de festa. Mas transformam este mimo num bolo ou num chocolate todos os dias. Porque… “coitadinho do menino”. Eu peço aos avós, por favor, que transformem estas coisas em mimos de abraços, de afetos. Que vão com eles ao parque brincar, ver o pôr do sol, fazer castelos de areia. Que os ensinem a cozinhar coisas saudáveis. A fazer pão, salada de frutas. Eu aprendi a fazer pão com a minha avó e ainda hoje me lembro. Peço aos avós que nos ajudem a modificar esta carga. E que percebam que, hoje em dia, o maior inimigo dos seus netos é o açúcar. A comida não é castigo nem prémio.

Começa a ser frequente ouvir especialistas dizer que, um dia, olharemos para o açúcar como olhamos hoje para o tabaco. Concorda?

Eu acho que ainda é pior. O açúcar, em termos neurológicos, e de neurotransmissores, e de prazer, e da precocidade com que é introduzido, tem consequências mais nefastas do que o tabaco. A frutose, a dextrose, todos os açúcares criam dependência. Entramos no domínio dos recetores cerebrais, no domínio do prazer, da compensação, do conforto. Se eu me habituar a consumir açúcar e a ter prazer pelo açúcar, há modificações epigenéticas – genes que são acionados e que fazem com que eu passe a ter mais tendência para o açúcar. Ou para o sal. E a mesma dose não surte o mesmo efeito a longo prazo. Portanto vou aumentando o açúcar.

Qual é o limite máximo, se é possível responder a isto, que uma criança deve consumir de açúcar por dia?

O mínimo possível. Não tenho número para lhe dar. E quanto mais tarde, melhor. É óbvio que precisamos de açúcar, nomeadamente de glicose, porque é esse o nosso combustível. É a nossa lenha celular. Mas não é disso que estamos a falar quando dizemos a palavra açúcar.

Os açúcares de que precisamos estão presentes nos alimentos.

Claro. Nos cereais, no leite e derivados, nas frutas.

Como é que explica, às crianças e aos pais, os efeitos do açúcar na saúde?

Aos mais pequeninos costumo dizer que o açúcar é um bocadinho venenoso. Aos pais explico que o açúcar adicionado causa os mesmos problemas metabólicos que o álcool. Lembro que o álcool vem, precisamente, do açúcar. Do açúcar dos tubérculos, do açúcar das frutas. E que a consequência é exatamente a mesma: o chamado “fígado gordo”. A curto prazo traduz-se em alterações nas análises. Mais tarde traduz-se em tudo aquilo que contribui para o síndrome metabólico: diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alteração do colesterol no sangue, aumento do ácido úrico. E, a longo prazo, tudo isto se traduz em alterações cardiovasculares. Enfarte precoce do miocárdio, acidente vascular cerebral… São doenças que os pais associam aos pais deles.

E não aos seus filhos.

E não aos seus filhos. Mas, se assim continuarem, vão presenciá-las nos filhos. Estarão vivos, ainda, para as presenciar nos filhos. Porque um adolescente que é diabético tipo 2, 20 anos depois vai ter problemas desta diabetes. E, se for uma menina, é exponencial, porque vai gerar um bebé neste ambiente intrauterino. Em que a própria carga genética — que não é alterada, porque genes são genes — vai ser ativada ou inibida de acordo com o ambiente que lhe estamos a dar in utero. É assustador.

Estudos recentes, como o EPACI Portugal 2012 ou o Geração 21, mostram que as crianças portuguesas começam a consumir doces muito cedo, a partir dos 12 meses. Aos 4 anos mais de metade bebe refrigerantes açucarados diariamente e 65% come doces todos os dias. É por falta de informação?

Alguns pais ficarão chocados, mas há uma expressão para o abuso do açúcar em idades tão precoces: maus tratos. Os meninos já não sabem o que é água. Os meninos, ao almoço e ao jantar, bebem refrigerantes. Não acredito que seja falta de informação. Toda a gente sabe que bolachas com chocolate, leite achocolatado, gomas, bolos, estas coisas, fazem mal. É a ambiência, é o corre-corre. É porque é mais fácil ir no carro a comer bolachas e sumo, a caminho da escola. Para alguém que já se deita muito tarde, porque tem tarefas sobreponíveis, pode ser difícil acordar meia hora mais cedo para preparar um bom pequeno-almoço.

Como é um bom pequeno-almoço?

Deve ter três componentes: fruta, um componente do grupo dos cereais e leite ou derivados. Quando a criança tem mais de 3 anos, estamos a falar de produtos meio gordos. Os cereais podem ser, por exemplo, papas de aveia, pão fresco ou torradas. Pão da padaria, não é pão de forma. Porque o pão de forma tem, além de imensos aditivos, açúcar. O pequeno-almoço deve ser variado, ao longo da semana, e deve garantir 20 a 25% da quantidade diária de calorias. Nem um por cento das pessoas faz isto. E o stress é o centro de toda esta nossa conversa. É o centro de todas estas alterações que nós estamos a sofrer. Porque os pais não têm tempo, porque chegam a casa e estão estoirados. Não há tempo para ser criança, não há tempo para ser pai. Para estar à mesa meia hora a contar o dia de cada um. As nossas crianças não dormem o que deviam. A sociedade moderna está a adoecer os seus cidadãos.

Os médicos têm suficiente formação sobre nutrição?

Não. Só se a procurarem. Se não a procurarem, não têm. Falo-lhe do meu curso, que foi há uma década, e falo-lhe de agora. Apesar de haver alguma modificação, não é suficiente. A nutrição é vista como secundária. Não é fármaco, não é vista como tratamento. Mas é. Por exemplo, após uma cirurgia, se não houver uma nutrição adequada, o organismo não consegue organizar o colagénio e tudo o que favorece o processo de cicatrização, para sarar. Na oncologia, por exemplo, há muito cuidado em várias terapias, mas muito pouco cuidado na parte da nutrição. A alimentação está na base da saúde e da doença.

É favorável a taxas sobre os produtos mais açucarados, como acontece em países como França, Hungria ou Finlândia?

Para não criar tanta polémica: e se deixássemos de taxar aqueles que são frescos, por exemplo? Peixe. Fruta, nomeadamente a portuguesa. Os legumes, os hortícolas. O nosso leite dos açores. Com tudo isto, é possível fazer refeições saudáveis para os meninos. Mas, se vir o IVA dos seus talões de supermercado, poderá constatar que há coisas que não deveriam ser taxadas ao nível que são.

Por exemplo?

Alguns refrigerantes são taxados a seis por cento. Mas a eletricidade e o gás, por exemplo, estão à taxa mais alta. Consegue cozinhar sem eletricidade e sem gás? Não é um produto de luxo. Às vezes sentimo-nos a puxar carroças sozinhos. E nós contra a indústria não temos muita força. Eu gostaria de perceber porque é que é permitido oferecer brinquedos com alimentos que são considerados nefastos. Pior: brinquedos colecionáveis. O problema é que cada governo preocupa-se a quatro anos. E os ministérios trabalham cada um por si.

O Ministério da Educação reduziu, em 2012, a carga horária de Educação Física no terceiro ciclo e no ensino secundário. E a nota de Educação Física deixou de contar para a média de acesso ao ensino superior.

Pior do que reduzir as aulas de educação física, é vê-las como supérfluas. Eu vou-lhe confessar: eu era péssima. Era um desastre. E também era obesa. Portanto, estou à vontade para falar disto. E digo isto aos meus doentes, porque acho que os estimula. Tenho saudades de crianças que esfolavam os joelhos em cima do que já estava esfolado. Não vejo isto hoje em dia. Não é que goste de ver meninos magoados. Mas significa que estão quietos. Quando muito, têm tendinites nos polegares, que vai ser a doença ortopédica do futuro. E miopia.

Estive três anos num hospital no Reino Unido, onde via adolescentes, sem patologias de base, com obesidade simples, deitados numa cama, que nem banho conseguiam tomar. Nós sabemos isto. Não há falta de informação, há inércia. Eu não queria que o meu país fosse para aí, não queria que a geração que vem a seguir a mim fosse para aí.

E está a ver o país ir para aí?

Estou. E não há prevenção, não há comportas. Estou a tentar montar um projeto para chegar aos pais e às crianças nos jardins de infância e nas escolas. Sinalizar para os centros de saúde, através da saúde escolar, crianças que estão a começar a ter peso a mais. A este hospital só deveria chegar a obesidade que tem uma causa endócrina, genética, ou que, não a tendo, já tem consequências. Mas há centros de saúde que nem nutricionistas têm. Isto, a longo prazo, paga-se com juros. Basta fazer contas. Basta ver a carga que são as consultas de obesidade, que eu já não sei o que hei de fazer a tanta consulta que me pedem. Uma consulta hospitalar de nível 3, como esta, tem um custo. Pais que faltam ao trabalho para vir com os meninos tem um custo. Fora as consequências que vêm por aí. A obesidade é a epidemia do século XXI. Mas como, ao contrário das infeções, o impacto não é imediato — é a 10, 20, 30 anos — ninguém olha para ela como tal. Só quando se transformar na epidemia de doença, e não na epidemia de caminho para a doença, é que vamos tentar travar. Mas já não vamos travar nada, porque já tivemos o acidente completo. E aí vamos gastar o dobro. E já nem estou a falar só de saúde e de vida. De anos de saúde e de vida que se poderiam poupar. Falo da questão monetária, porque parece que é aquilo que as pessoas entendem melhor atualmente.

 

 

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