A brincar? No caminho para o sucesso não há lugares sentados

Julho 12, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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UP to Kids

Texto e imagem do site Up to Kids

By Ana Fonseca

“E ele fica apenas a brincar?”

“Mas o que é que ele faz entre a escola e a hora do jantar? Não achas que tem demasiado tempo livre?”

“Mas Ana, tem de entender que temos de lhe ocupar estas horas vagas. Se não ele não consegue aprender a utilizar o tempo de uma forma útil”

“Mas está a sugerir o quê, que o deixemos apenas a brincar?”

Sim, de facto estou a sugerir que as crianças devem ficar um tempo bastante alargado “apenas” a brincar. De preferência em espaços abertos. De preferência em espaços naturais. De preferência com outras crianças que não sejam necessariamente colegas. De preferência sem a interferência dos adultos.

No caminho para o sucesso não há lugares sentados

Numa sociedade cada vez mais acelerada e mais competitiva, é normal que sintamos que todos os nossos segundos acordados sejam no sentido de produzir alguma coisa. Quantas vezes chegamos a cortar nas horas de sono e de descanso para mais uma horinha no escritório?  Ou mais uns minutos para acabar aquele relatório. Parece que o sentar, só por sentar já não existe sem alguma culpa por não estarmos a ser “produtivos” para o nosso caminho de “sucesso”.

Neste caminho, resolvemos também levar as nossas crianças.

Muitas crianças têm um horário tão ou mais preenchido que os adultos. Começam as aulas muito cedo. Têm um dia repleto de aprendizagens, de absorção de conhecimento que muitas vezes continua para as AEC e outras atividades de enriquecimento curricular. Depois os ATL, centros de explicações e afins. E quantas vezes seguem para desportos, músicas, atividades de expressão, entre outras

A oferta é tanta, que muitas vezes o próprio fim-de-semana é sacrificado, perdendo-se tempo em família em prol das tais atividades.

“Ah, ele está nos escuteiros, porque tem de desenvolver as capacidades sociais”

“Está no xadrez para desenvolver o raciocínio”

“Está na música e no violino para desenvolver a motricidade fina e o ritmo. Também ouvi dizer que era muito importante para a leitura”

“Não quisemos abdicar da vela, para melhorar a concentração e a motricidade global”

Estas, entre tantas outras justificações para a sobrecarga horária das nossas crianças. Estas e a minha preferida do:

“Antes isto, do que ficar apenas a brincar”.

Actividades extra-curriculares ou tempo para ficar a brincar?

A verdade é que existe hoje em dia uma oferta extremamente abrangente de atividades infantis e uma quantidade de informação que chega a sobrecarregar os pais na hora da tomada de decisões. As atividades extracurriculares, em certa medida, são de extrema importância para o desenvolvimento de diversas capacidades. Mas o brincar livre, ao ar livre e em ambientes naturais de preferência sem a interferência permanente de um adulto é também muito importante. Há que haver um equilibrio, como em tudo na vida.

Tanto nas atividades extracurriculares, como em grande parte do dia da criança, está sempre um adulto presente. Salvo raras excepções, nós adultos temos a tendência de orientar a criança para o que consideramos ser mais importante para o seu desenvolvimento. Para resolvermos as dificuldades imediatas do seu quotidiano. Para interferir nos pequenos conflitos entre crianças que possam aparecer. Ao fazermos isto estamos a tirar à criança a sua capacidade de decisão, de autonomia e de desenvolvimento então das suas capacidades sociais.

Que competências se desenvolvem a brincar?

O brincar não é “apenas brincar”. É o palco de diversas de aquisições de extrema importância no desenvolvimento psicomotor, académico e sócio-emocional. Ao colocarmos a criança ao ar livre, e sobretudo em ambientes naturais, a criança tem a hipótese de ter uma estimulação multisensorial. Isto vai permitir-lhe fazer uma generalização do mundo que a rodeia.

Mais do que isso, vai perceber a existência das flores, árvores, solos e vários animais que a rodeiam. Esta descoberta é essencial para a construção da sua curiosidade, espírito crítico e noção ecológica.

Por outro lado, sendo uma brincadeira livre, poderá subir às árvores, correr, saltar e realizar outras ações motoras. Estas ajudarão no desenvolvimento do equilíbrio, noção de corpo, estruturação espacial, avaliação de risco, resolução de problemas, entre outros. Estes factores serão necessários mais tarde para as aquisições académicas.

Sociabilizar desde criança

Se a esta brincadeira livre se associar o estar com outras crianças, a criança tem a oportunidade de inventar jogos e brincadeiras de grupo, fomentando a criatividade, o raciocínio na construção de regras, o trabalho em equipa, o ceder e perceber o lado do outro.

Se existirem conflitos, como é tão comum na infância, ao estarem livres as crianças terão a oportunidade de, sozinhas, encontrar o melhor caminho para resolver a situação. Todas estas aquisições são essenciais para o desenvolvimento da empatia, uma capacidade tão falada hoje em dia.

Desta forma, estando num parque, num recreio, num jardim, as crianças desenvolvem ao seu tempo, no seu ritmo e em conjunto, grande parte das competências que atribuímos a necessárias de serem desenvolvidas de forma estruturada e fechada.

Brincar é a preparação para a aprendizagem

Vários estudos já nos mostraram que o brincar e as várias fases do brincar são na realidade a preparação para aprendizagens mais permanentes e necessárias em outros períodos de vida, pelo que tirar mérito ao brincar é no fundo desvalorizar a infância e a sua importância.

Como dissemos, realmente existe um grande interesse em atividades extracurriculares. Claro que a presença adulta é sempre necessária na vigilância das nossas crianças. Mas tudo isso não tira mérito ao jogo e ao brincar. E acima de tudo, à agência da criança como construtura do seu próprio desenvolvimento.

XIV Encontro Nacional da APEI – Currículo e Desenvolvimento Curricular na Educação de Infância, 7 e 8 de julho no Porto

Junho 12, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.dge.mec.pt/noticias/educacao-de-infancia/xiv-encontro-nacional-da-apei-curriculo-e-desenvolvimento-curricular

Ministério proíbe TPC nas actividades de enriquecimento curricular

Agosto 12, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 9 de agosto de 2016.

adriano miranda

Clara Viana

Ministério da Educação reforça carácter lúdico das AEC.

As entidades promotoras das Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), destinadas aos alunos do 1.º ciclo, devem evitar que estas sejam “um prolongamento de actividades formais de ensino” e garantir que tenham um carácter “eminentemente lúdico”, estipulou o Ministério da Educação (ME) num conjunto de normas que foram agora enviadas às escolas.

As AEC são de oferta obrigatória, embora a sua frequência seja facultativa, ou seja, os pais podem decidir se os filhos as realizam ou não. O ME já estabeleceu também que estas só poderão realizar-se após o termo das aulas, às 16h30, e não antes do seu início ou durante o período lectivo, como sucedia com frequência. O que nenhuma entidade promotora das AEC poderá fazer, frisa o ME, é transformar estas actividades em período de realização de trabalhos de casa.

Nas normas enviadas às escolas, o ministério frisa que estas actividades devem responder “às expectativas das crianças e da sua formação integral, aumentando o leque de experiências que cada um dos alunos vivencie”.

Deste modo, acrescenta, no momento de planificação das AEC as escolas devem, entre outras vertentes, “valorizar as expressões culturais locais”, “criar oportunidades para que os alunos possam escolher livremente entre diferentes actividades e projectos” e “privilegiar a metodologia de projecto com a intenção primordial de dar voz aos alunos, a fim de gerar aprendizagens significativas e uma visão global das situações”.

No ano lectivo passado, segundo dados da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), só 8,6% das escolas tinham AEC focadas na ligação da escola com o meio, um dos domínios que o ME quer agora fomentar. Ainda menos representativas são as actividades relacionadas com solidariedade e voluntariado, que foram desenvolvidas só em 1,5% das escolas.

As AEC podem ser promovidas pelas escolas ou entregues por estas a associações de pais, autarquias, Instituições Particulares de Solidariedade Social ou outras entidades. Das 752 entidades promotoras de AEC em 2015/2016, 44,3% eram associações de pais, seguindo-se as autarquias (30,9%) e as IPSS (15,7%).

Nesse ano, 88% dos alunos do 1.º ciclo estavam inscritos nas AEC. Das 3549 escolas com 1.º ciclo existentes em Portugal Continental, só em nove não existiam estas actividades. Na maior parte das escolas, adianta a DGEEC, os domínios mais representados são os que dizem respeito a actividades desportivas e artísticas, presentes, respectivamente, em 96,3% e 94,4% das escolas. Em terceiro lugar surge o ensino de Inglês ou de outra língua estrangeira (86%).

 

 

 

Pais vão poder optar entre as Actividades de Enriquecimento Curricular ou as ATL

Janeiro 20, 2012 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 17 de Janeiro de 2012.

Por Lusa

Os pais vão poder escolher se os filhos frequentam Actividades de Tempos Livres (ATL) ou Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), segundo um protocolo a celebrar hoje entre o Governo e instituições de solidariedade.

Esta é uma das novidades dos protocolos de cooperação entre o Governo, a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), a União das Misericórdias Portuguesas e a União das Mutualidades Portuguesas que serão assinados hoje à tarde numa cerimónia onde estará presente o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares.

Entre as “medidas francamente positivas” dos protocolos, o presidente da CNIS, Lino Maia, sublinhou “o direito de escolha para os pais de poderem pôr os filhos a frequentar um ATL”.

Segundo aquele responsável, esta possibilidade pode fazer com que algumas escolas deixem de ter AEC: “Havia autarquias que estavam com dificuldades nas transferências financeiras e desta forma poderá resolver-se o problema”.

Lino Maia lembra que “a tendência para optar pelos ATL já vinha acontecendo” e que passar a contemplar o direito de escolha faz mais sentido, uma vez que existe “na comunidade quem preste um serviço mais barato”.

A polémica em tornos das AEC começou no início do ano letivo quando as associações de pais alertaram para os perigos de os cortes orçamentais ditarem o fim da escola a tempo inteiro, isto depois de uma autarquia (Lamego) ter avisado que não tinha capacidade financeira para continuar com o projecto e por isso iria devolver essa responsabilidade ao Ministério da Educação e Ciência (MEC).

O MEC sempre garantiu que as Actividades de Enriquecimento Curricular iriam continuar a existir apesar de, em Novembro, ter admitido que o modelo em vigor poderia vir a ser alterado.

Criadas em 2006, as AEC permitiram dar gratuitamente a todos os alunos do 1º ciclo um conjunto de aprendizagens enriquecedoras do currículo e, ao mesmo tempo, alargar o horário escolar até as 17h30.

 


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