Museus, não esqueçam as crianças, por favor

Setembro 26, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Artigo de Sara R. Oliveira para o site Educare.pt, em 10 de agosto de 2018

 

As novas tecnologias são uma boa ferramenta para que as visitas a museus não sejam entendiantes e enfadonhas para os mais novos. Luís Pereira, da Universidade de Coventry, Inglaterra, dá algumas dicas sobre o assunto e explica por que razão é importante perceber que os mais novos também são um público-alvo desses espaços.

 

No Museu de História Natural, em Oxford, Inglaterra, há uma placa à entrada que tem escrito o seguinte: “Please, touch me!” (Por favor, toca-me). Luís Pereira, da Universidade de Coventry, Inglaterra, doutorado em Educação para os Media Digitais e mestre em Aprendizagem e Videojogos, faz questão de lembrar esta placa que convida a mexer. “É o mote que dá as boas-vindas aos mais pequenos, indicando que algumas daquelas peças (no caso, animais embalsamados, pedras e outros materiais) estão à espera que as meninas e os meninos (e os adultos) possam tocar e sentir”, refere.

Visitar museus não tem de ser um programa chato, aborrecido. Os recursos digitais ajudam a aumentar o interesse dos mais novos pelos museus, esses centros especializados de partilha de conhecimentos, e a enriquecer as visitas. Auriculares com comentários sobre as peças em exposição, aplicações para instalar nos tablets ou smartphones, realidade aumentada, visitas virtuais, são alguns exemplos do que pode ser feito.

A Internet é também uma aliada nesta área porque ajuda a tornar uma visita mais interessante, mais envolvente. “As tecnologias são úteis para selecionar, lendo críticas, e preparar a visita a museus (verificar os horários e condições de acesso). Podem também enriquecer os objetos visitados através de realidade aumentada.” Por outro lado, um museu pode também ser a oportunidade de desligar das tecnologias, prescindir dos ecrãs e apreciar objetos e espaços.

“Para os pais, o desafio é cada vez mais evitar que os seus filhos se tornem eremitas digitais, enclausurados nos seus quartos com tablets, telemóveis e consolas”, afirma. Uma alternativa é precisamente programar visitas a museus, a espaços criativos. Tirá-los de casa, aumentar o tempo de qualidade em família.

Luís Pereira defende que “os museus deviam ser espaços eminentemente pensados para as crianças”. Há exemplos de museus portugueses muito atraentes para crianças e há os que não colocam os mais pequenos no centro das suas preocupações. As visitas guiadas devem ser planeadas e colocadas em prática numa linguagem acessível para crianças. E não só. “Em todos os museus deveria haver atividades para as crianças, estilo caça ao tesouro, relacionadas com o tema do museu, colorir ou outras possibilidades. Ou seja, atividades que ultrapassam o contexto das visitas escolares.” Simples, não implicam muitos custos e motivam e entretêm as crianças.

“Eu creio que um aspeto relevante tem a ver com uma mudança de paradigma, em que os museus se destinam muitas vezes a uma elite da sociedade. Isso passa por tornar os museus em espaço mais democráticos e populares, no sentido de ser das pessoas.” Luís Pereira sempre esteve envolvido na criação de atividades para pais e educadores no sentido de fomentar a literacia digital. Foi professor do Ensino Básico e Secundário em várias escolas portuguesas e colaborou com diversas instituições de ensino superior nacionais e estrangeiras, nomeadamente as universidades de Oxford, Bournemouth, Minho e Algarve.

Visitas interativas, criativas, divertidas

Os museus não são todos iguais e uma primeira visita, divertida e nada enfadonha, pode ser determinante. As crianças também não são todas iguais. Espicaçar a curiosidade é fundamental. E, muitas vezes, a primeira visita a um museu é feita em contexto escolar. O que estimula a aprendizagem sobre várias matérias – ser humano, ciência, música, animais, carros – fazendo ponte com o currículo escolar.

“Os professores têm este privilégio de abrir horizontes aos seus alunos. Em alguns países, a entrada em museus é gratuita para professores. Isso faz todo o sentido, pois quando planifica uma visita escolar a informação e conhecimento do professor vão influenciar o programa dessa mesma visita.” Professores e pais podem, por exemplo, desafiar os mais novos a usar o Minecraft, o jogo do mundo virtual, para construírem o seu próprio museu. Colocar a criatividade a funcionar.

Na sua perspetiva, as entradas para famílias deveriam ser tendencialmente gratuitas nos museus. Luís Pereira entende que o modelo de negócio deveria apostar mais na venda de produtos das lojas, da cafetaria-restaurante, e não se centrar em demasia no bilhete cobrado à entrada. “Do meu ponto de vista, interessa mais ter os museus cheios, com o potencial de venda de recordações e produtos com preços acessíveis, do que ficar com os espaços vazios.” “Julgo também que a dinâmica educativa dos museus está muito centrada nas visitas escolares, em vez de programas para ocasiões de férias, altura em que as famílias têm mais disponibilidade para acompanhar os seus filhos”, acrescenta.

“É importante reconhecer que os museus são muito relevantes num contexto em que o aprender acontece também fora da sala de aula. A educação não formal é muito relevante e favorece a apreensão de novos conhecimentos ou o reforço das aprendizagens feitas dentro da sala de aula”, sublinha.

Pensar nas crianças é um bom princípio e é também uma boa estratégia. Se os miúdos gostam do museu, da experiência, divertem-se e aprendem, e os pais tendem a querer repetir o programa naquele ou em outros museus. “Creio que já todos tiveram experiências em que uma visita guiada pouco informada e amorfa retira todo o entusiasmo que aquele património podia despertar. Por outro lado, quando existe paixão e a narrativa está pensada para os mais pequenos, as crianças e os mais velhos ficam presos a cada detalhe”, comenta. E, em seu entender, as pessoas que trabalham nos museus não podem ser esquecidas. Têm de ser valorizadas como parceiras na educação das comunidades.

 

A cultura deixa marcas nas crianças

Janeiro 29, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 27 de janeiro de 2015.

Paulo Pimenta

Rita Pimenta

Projectos artísticos para crianças até aos cinco anos apoiados por Portugal, Islândia, Liechtenstein e Noruega.

O programa Pegada Cultural – Artes e Educação tem agora uma variante: Primeiros Passos. A Direcção-Geral das Artes vai apoiar projectos dirigidos a crianças até aos cinco anos, numa parceria com a Islândia, o Liechtenstein e a Noruega. Um montante de 136 mil euros será distribuído por cinco projectos – um por cada região de Portugal continental: Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.

“O apoio não é muito elevado para cada um, mas vai chamar a atenção para este público-alvo. É muito importante o contacto precoce com as artes”, diz ao PÚBLICO Susana Graça, responsável pelo programa, que aceita candidaturas até 20 de Fevereiro. As ilhas ficaram de fora por questões de “incapacidade legal” da Direcção-Geral das Artes (DGArtes).

“Podem concorrer companhias de teatro, de dança, escolas de criação artística, associações culturais e outras entidades ligadas às artes”, diz a também directora de serviços de planeamento, informação e recursos humanos da DGArtes. Informa que “as candidaturas deverão ser apresentadas em parceria com uma ou mais entidades artísticas dos outros países doadores”. Daí terem de ser apresentadas em inglês.

As áreas artísticas definidas são: arquitectura, artes digitais, artes visuais, dança, design, cruzamentos disciplinares, fotografia, música e teatro. “Cada projecto seleccionado contará com um financiamento máximo de 85% das despesas elegíveis, num montante máximo de 27.200 euros”, pode ler-se no site da DGArtes.

O bom exemplo da Noruega

Susana Graça valoriza “a colaboração próxima com a embaixada da Noruega” e quer realçar a experiência do Arts Council daquele país, “são muito focados na infância e investem bastante nos serviços educativos das instituições”.

Uma das iniciativas que descreve ao PÚBLICO chama-se “mochila cultural”, em que há uma mistura de várias artes que são depois apresentadas e dinamizadas nas escolas. “Existe há muitos anos e funciona a nível regional. A Noruega já colhe os frutos desta atenção dada às crianças.”

Em Portugal, a experiência da Pegada Cultural (sem restrição a um público-alvo específico) começou no ano passado e aquela responsável espera que a adesão seja idêntica para esta variante dos Primeiros Passos. Os cinco projectos seleccionados em Fevereiro de 2014 foram: Othello’s Anatomy – Arts and Education for Citizenship (várias valências, Lisboa); The Giant and the Little (teatro de marionetas, Évora); Mothers (teatro, Faro); Circus Lab (novo circo, Viseu) e Write a Science Opera (ópera, Porto).

Para se poder avaliar se os trabalhos “marcaram” efectivamente os intervenientes com uma “pegada cultural”, Susana Graça diz haver “uma série de indicadores, como número de escolas e de alunos envolvidos, e registos visuais e fílmicos do impacto do programa nos miúdos”. E está certa de que, “daqui a uns anos, os meninos que agora participarem nos projectos hão-de encher as salas de espectáculos”.

 

 

Estudo recomenda reforço de actividades culturais nas escolas

Julho 6, 2014 às 3:00 pm | Publicado em Divulgação, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do i de 29 de junho de 2014.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Cultura, formação e cidadania : relatório final

Anexos Sumário Executivo Apresentação Pública a 2014.06.27 Síntese – Conclusões e Recomendações

cultura

Por Agência Lusa

Por outro lado, as atividades lúdico-expressivas verificaram um “regular incremento relativo do número de alunos abrangidos, no decurso de 2009 até 2013”

As escolas devem passar a incluir um maior número de atividades artísticas e culturais, que sejam acompanhadas por uma maior interação entre a Secretaria de Estado da Cultura e o Ministério da Educação e Ciência, segundo um estudo divulgado hoje.

O documento “Cultura, Formação e Cidadania”, desenvolvido no âmbito do Plano Cultura 2020, coordenado pelo professor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra Carlos Fortuna, e hoje apresentado no Porto, sugere que se reforce “a presença das artes e da cultura no meio escolar, através de um contato regular dos alunos e professores com diversas linguagens estéticas e artísticas contemporâneas, e com diversos agentes artísticos e culturais, através, por exemplo, do fomento de ‘residências’ regulares de artistas e grupos/companhias/estruturas culturais e artísticas na escola”.

Nesse sentido, é ainda recomendado que se aumentem as oportunidades de formação/ação direcionadas a professores e educadores, “nos domínios de criação artística e cultural”, assim como a criação de uma “linha de apoio financeiro (cooperação ME/SEC) às escolas, para lançamento e reforço de ‘projetos-piloto’ para a redução do absentismo, do insucesso e do abandono escolar precoce”.

“Diversas análises apontam para a influência positiva que as disciplinas artísticas podem desempenhar na melhoria do ‘clima’ existente na escola, tornando a sua frequência mais motivadora para os alunos, contribuindo deste modo para a redução das interações sociais negativas e os comportamentos potencialmente antissociais”, contribuindo também “para melhorar a ligação emocional e os relacionamentos entre alunos e professores”.

O relatório apresentado hoje, perante o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, refere que “continua a ser muito importante o desenvolvimento de atividades artísticas e culturais em contextos extraescolares, o que permite a criação de oportunidades de saída que, para determinados segmentos da população escolar, são muitas vezes uma via privilegiada (senão única) de acesso a espaços especificamente vocacionados para a fruição cultural e artística, e a experimentação artística”.

Segundo dados do documento, o ensino de música, no contexto das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC), sofreu um “decréscimo gradual” desde 2011, o que contrariou a subida sentida nos dois anos letivos anteriores.

Por outro lado, as atividades lúdico-expressivas verificaram um “regular incremento relativo do número de alunos abrangidos, no decurso de 2009 até 2013”.

O estudo relata ainda que mais de metade dos espaços que integram a Rede Portuguesa de Museus “não dispõe de um plano de emergência aprovado pelas entidades competentes”, algo que propõe que seja corrigido.

Este trabalho faz parte do Plano Cultura 2020, desenvolvido no contexto do quadro europeu, por iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura, através do Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais, com o objetivo de ajudar a projetar políticas culturais para os próximos anos.

O Plano Cultura 2020 prevê a realização de cerca de uma dezena de estudos sobre o setor, em articulação com o Instituto Financeiro do Desenvolvimento Regional, o Instituto Nacional de Estatística e “um conjunto alargado de universidades e investigadores”.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa

 

 


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