Estas crianças não param! Errado, estas crianças não se mexem

Julho 1, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de José Morgado publicado na Visão de 19 de junho de 2018.

Ao abrigo de um equívoco designado por Escola a Tempo Inteiro e apesar de boas práticas que existem, muitas crianças passam horas sem fim sentados ou, quase, paradas. Em casa, o cenário é do mesmo tipo só que em frente de um ecrã.

Recentemente foram divulgados pelo Instituto de Avaliação Educativa os resultados das provas de aferição realizadas em 2017. A imprensa deu particular relevo a alguns indicadores mostrados pelos alunos do 2º ano do 1º ciclo na área da Actividade Física.

Como exemplo destes indicadores podemos referir que 46% das crianças não conseguiu saltar à corda, 40% não conseguiu executar uma cambalhota para a frente ou que 31% não realizou adequadamente o jogo infantil ajustado à sua idade.

As reacções foram múltiplas procurando encontrar explicações e responsabilidades.

Algumas notas.

Mais do que um olhar sobre as especificidades das tarefas referidas o que me parece mais crítico e merecer atenção é o nível global de realização de actividades físicas por parte de muitas crianças.

Recordo que já em Fevereiro deste ano o Conselho Nacional das Associações de Professores e de Profissionais de Educação Física alertava para que boa parte dos alunos do 1º ciclo, por razões de natureza diversa e apesar de algumas boas práticas e iniciativas, não realizam regularmente actividades de Educação Física.

No entanto, quando em diferentes contextos se abordam questões relativas ao mundo da infância, uma das mais frequentes afirmações dirigidas ao comportamento das crianças e adolescentes é “Estas crianças não param” ou algo no mesmo sentido. Contudo, apesar da frequência com que ouvimos expressões deste teor, elas parecem desajustadas pois, de facto, as crianças não se mexem e também por isso provavelmente… “não param”.

Segundo o Relatório “Health at a Glance: Europe 2016” da OCDE, em Portugal, mais de uma em cada quatro crianças tem excesso de peso. Nas raparigas ultrapassa os 30% e nos rapazes temos 25%.

Acresce que no que respeita à actividade física e considerando a recomendação da OMS de uma hora diária de actividade física aos 11 anos só 16% das raparigas e 26% dos rapazes a cumprem e aos 15 anos temos 5% das raparigas e 18% dos rapazes.

É ainda de referir que estudos realizados em Portugal mostram que a obesidade infantil, um dos valores mais altos da UE, é já um problema de saúde pública associado, por exemplo, ao disparar de casos de diabetes tipo II em crianças. Parece, pois, evidente a importância que deve merecer a questão dos hábitos alimentares e o combate ao sedentarismo, sobretudo nos mais novos.

Ainda no que respeita à actividade física, um trabalho da Universidade de Coimbra divulgado em 2013 sublinhava de novo o impacto que o sedentarismo tem na saúde das crianças. Este estudo envolveu 17424 crianças entre os 3 e os 11 anos e mostrou uma relação significativa entre hábitos fortemente sedentários, ver televisão por tempo excessivo por exemplo, e problemas na saúde e bem-estar dos miúdos.

Um outro trabalho de 2012 da Faculdade de Motricidade Humana envolvendo cerca de 3000 alunos evidenciava o efeito positivo da actividade física no rendimento escolar para além dos evidentes benefícios para a saúde.

De facto, o quotidiano de crianças e adolescentes está excessivamente preenchido com actividades que solicitam pouca actividade física. Ao abrigo de um equívoco designado por Escola a Tempo Inteiro e apesar de boas práticas que existem, muitas crianças passam horas sem fim sentados ou, quase, paradas. Em casa, o cenário é do mesmo tipo só que em frente de um ecrã.

Parece estar adquirido que a generalidade dos estudos comprovam que o nível de actividade física de crianças e adolescentes está francamente abaixo do desejável. Por outro lado, este é o equívoco a que me referia, instalou-se a “ideia” de que as crianças e adolescentes não param, são muito activas, algumas até mesmo “hiperactivas” pelo que os desejos de muitos pais e professores é que estejam mais “calmas”, mais “sossegadas” e não tão “activas”, às vezes até são medicadas para que se aquietem.

Por isso e de uma vez por todas, que crianças e adolescentes não parem, que as não envolvam e incentivem a actividade sedentária tantas horas por dia e que ajudemos todos os pais e comunidades a construir alternativas que sejam atractivas para os tempos dos mais novos.

É uma questão de saúde, física e mental, para crianças e adolescentes e, também, para os adultos que lidam com eles.

No trabalho com pais refiro com frequência a importância que também têm as actividades ao ar livre que deveriam ser uma rotina e não uma excepção na educação formal e não formal dos mais novos.

Somos dos países da Europa em que adultos e crianças menos desenvolvem actividades no exterior contrariamente, por exemplo ao que se verifica nos países nórdicos apesar das diferenças de clima.

O que me preocupa seriamente é que o brincar da infância vai-se encurtando, algum dia os miúdos vão nascer crescidos para já não precisarem de brincar.

Ainda no caso mais particular mas também essencial do brincar no exterior, as questões da segurança e, sobretudo dos estilos de vida e a mudança verificada nos valores e nos equipamentos, brinquedos e actividades dos miúdos, têm levado a que brincar na rua começa a ser raro.

Embora consciente das variáveis risco, segurança e estilos de vida das famílias, creio que seria possível alguma oportunidade de “devolver” aos miúdos o circular e brincar na rua, talvez com a supervisão de velhos que estão sozinhos as comunidades e as famílias conseguissem alguns tempos e formas de ter as crianças por algum tempo fora das paredes de uma casa, escola, centro comercial, automóvel ou ecrã.

No imperdível “O MUNDO o mundo é a rua da tua infância”, Juan José Millás recorda-nos como a rua, a nossa rua foi o princípio do nosso mundo e nos marca. Quantas histórias e experiências muitos de nós carregam vindas do brincar e andar na rua e que contribuíram de formas diferentes para aquilo que somos e de que gostamos.

Como muitas vezes tenho escrito e afirmado, o eixo central da acção educativa, escolar ou familiar, é a autonomia, a auto-regulação, a capacidade e a competência para “tomar conta de si”. A rua, a abertura, o espaço, o risco (controlado obviamente), os desafios, os limites, as experiências, são ferramentas fortíssimas de desenvolvimento e promoção dessa autonomia.

Talvez, devagarinho e com os riscos controlados, valesse a pena trazer os miúdos para a rua, mesmo que por pouco tempo e não todos os dias. Eles iriam gostar e far-lhes-ia bem.

Saberiam dar cambalhotas, saltar à corda ou realizar jogos infantis de grupo.

(Texto escrito de acordo com a antiga ortografia)

Doutorado em Estudos da Criança. Professor no Departamento de Psicologia da Educação do ISPA – Instituto Universitário. Membro do Centro de Investigação em Educação do ISPA – Instituto Universitário. Colaborador e consultor regular de Programas de Formação de Professores e de Projectos de Investigação e Intervenção. Colaborador regular em Programas de Orientação Educativa para Pais. Autor de diversas publicações nas áreas da qualidade e educação inclusiva, diferenciação pedagógica, etc.

Blogue – http://atentainquietude.blogspot.com

 

 

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Maus hábitos de sono aumentam risco de obesidade nos rapazes

Maio 2, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e fotografia do https://ionline.sapo.pt/ de 16 de abril de 2018.

Estudo da Universidade de Coimbra conclui que crianças do sexo masculino com hábitos de sono irregulares têm 128% mais probabilidade de obesidade.

Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra chegaram à conclusão que os maus hábitos de sono representam “risco muito elevado de obesidade” nas crianças de sexo masculino.

O estudo contou com a participação de 8.273 crianças entre os seis e os nove anos (sendo 4.183 de sexo feminino) e, baseando-se nas recomendações da Academia Americana de Pediatria (2016) que estabelece que a duração indicada de sono para as crianças deve ser entre nove e 12 horas, teve como objetivo analisar “a relação entre os hábitos de sono irregulares” – quer por escassez ou excesso – e “o risco de excesso de peso e obesidade na população pediátrica”.

Na investigação foi também tido em conta a “atividade física e os comportamentos sedentários (por exemplo, o tempo passado a ver televisão ou a jogar no computador) através de questionários preenchidos pelos pais”, explica uma nota enviada pela Universidade de Coimbra à Lusa. O estudo foi publicado no American Journal of Humam Biology.

As conclusões ditam que “os rapazes que apresentavam hábitos de sono irregulares para a sua idade, isto é, quer abaixo das nove horas por noite, quer acima das 12 horas por noite, durante a semana têm 128% probabilidade de serem classificados como crianças com excesso de peso comparativamente com aqueles que dormiam as horas recomendadas”, explica o investigador Aristides Machado-Rodrigues.

Para as raparigas, cujos resultados foram analisados à parte, “não houve associações significativas entre a duração do sono e o risco de obesidade, nem nos dias da semana nem durante o fim de semana”, refere ainda o investigador que destaca “o cumprimento dos hábitos de sono recomendados na infância” como “um aspeto crucial da saúde cognitiva e do desenvolvimento harmonioso das crianças”.

“Os pais devem reforçar as regras familiares da ‘hora de deitar’ das crianças para que estas possam ter o tempo de sono diário recomendado para a saúde”, alerta Aristides Machado-Rodrigues e lembra que “a literatura sustenta, de forma inequívoca, que a privação do sono, especialmente em idades pediátricas, está associada a problemas de saúde aumentados, não só de índole cognitivo, mas especialmente relacionados com a diminuição da tolerância à glicose, o qual é um fator de risco para a obesidade”.

“Na atualidade, e de forma muito pragmática, não podemos deixar de manifestar a nossa preocupação para os comportamentos sedentários de ecrã, vulgo tablets, telemóveis e computadores, que as crianças e jovens perpetuam pela noite dentro, comprometendo as horas de sono recomendadas, muitas vezes fechados no quarto e sem conhecimento dos pais”, acrescenta.

Apesar das várias medidas que têm sido adotadas para o combate à obesidade, “os hábitos de sono são os que têm merecido menor atenção comparativamente a outros comportamentos do quotidiano, como a atividade física, os hábitos nutricionais ou ainda o sedentarismo”, pode ainda ler-se na nota enviada pela Universidade de Coimbra.

Este estudo está incluído numa investigação mais ampla sobre a Prevalência da obesidade na infância em Portugal, sob a coordenação de Cristina Padez e com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

The association of irregular sleep habits with the risk of being overweight/obese in a sample of Portuguese children aged 6–9 years

 

 

 

Mais de 76% das crianças do 1.º ciclo vão para a escola de carro

Janeiro 1, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 20 de dezembro de 2017.

Mais de 76% das crianças portuguesas do 1.º ciclo vão para a escola de carro. Menos de 18% deslocam-se a pé ou de bicicleta, com a maioria dos pais a considerar o trajeto inseguro.

O sistema de vigilância que analisa o estado nutricional infantil divulga hoje os seus resultados relativos a 2016, integrando também uma avaliação sobre a atividade física e sobre os comportamentos sedentários por parte das crianças. A percentagem de crianças que se deslocam de automóvel para a escola cresceu significativamente de 2008 para 2016, passando de 57% para mais de 76%.

No último ano analisado, mais de 64% dos encarregados de educação consideraram que o caminho de ida e regresso da escola não era seguro, sendo as regiões Centro, da Madeira e dos Açores as que têm maior percentagem de pais a considerarem os trajetos inseguros para as crianças se deslocarem a pé ou de bicicleta.

Além de questionarem as famílias, os investigadores do estudo coordenado pelo Instituto Doutor Ricardo Jorge perguntaram também às escolas como avaliam os acessos aos recintos escolares.

Pouco mais de metade (51,4%) das escolas considerou a acesso à escola seguro, sendo novamente na Madeira e nos Açores que se detetou uma maior percentagem de escolas a considerar o caminho de casa para a escola como inseguro.

Para o estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative (COSI) foram avaliadas 6.745 crianças de 230 escolas portuguesas do 1.º ciclo do ensino básico (dos 6 aos 8 anos de idade).

Lusa

O relatório mencionado na notícia é o seguinte:

Childhood Obesity Surveillance Initiative: COSI Portugal 2016

 

Há cada vez mais crianças que passam mais de uma hora por dia a jogar computador

Dezembro 21, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://lifestyle.sapo.pt/ de 20 de dezembro de 2017.

Nuno de Noronha

Mais de 75% das crianças portuguesas dos 6 aos 8 anos passam entre uma e duas horas por dia a jogar jogos eletrónicos durante a semana, segundo dados de 2016, que mostram um aumento significativo desta atividade sedentária.

O estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative (COSI), em que foram avaliadas 6.745 crianças em Portugal, mostra que em 2016 quase 60% utilizavam o computador para jogos eletrónicos cerca de uma hora por dia durante a semana, enquanto 16% despendiam na atividade duas horas por dia e 4,5% cerca de três horas ou mais.

Ao fim de semana, cerca de 80% das crianças estavam no computador duas ou mais horas por dia.

As atividades sedentárias frente ao computador foram reportadas em maior proporção em 2016 do que no mesmo estudo realizado em 2008.

Há quase dez anos, apenas 12% das crianças avaliadas usava o computador para jogos entre uma e duas horas durante a semana, o que contrasta com os 75% em 2016.

Apesar disso, mais de 66% dos menores analisados brinca fora de casa durante o fim de semana três ou mais horas por dia.

Menos brincadeiras dentro de casa

Durante a semana, há uma redução das brincadeiras fora de casa, mas ainda assim cerca de 70% das crianças brinca fora entre uma e duas horas por dia.

Aliás, o estudo COSI aponta para uma melhoria dos indicadores de atividade física na infância, com poucas crianças (1,7%) a indicar que nunca praticam atividade física em 2016, o que contrasta com os quase 20% que o afirmavam em 2008.

Também a prática de três ou mais horas de atividade física espontânea ao fim de semana foi maior em 2016 (com 66%) do que em 2008 (50,8%).

Quanto à atividade física em ambiente escolar, cerca de 65% dos estabelecimentos de ensino avaliados disponibilizavam pelo menos 90 minutos semanais de educação física às crianças do primeiro ciclo. Outras 25% das escolas oferecem entre 60 e 90 minutos de educação física por semana.

O relatório mencionado na notícia é o seguinte:

Childhood Obesity Surveillance Initiative: COSI Portugal 2016

 

Raparigas portuguesas são das que praticam menos desporto na Europa

Maio 17, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 17 de maio de 2017.

Relatório da OMS destaca pouca actividade física entre adolescentes portuguesas.

Romana Borja-Santos

A prática regular de exercício físico está longe de ser um hábito entre as adolescentes portuguesas, que estão entre as mais inactivas da Europa. Aos 13 anos, não há nenhum outro país europeu onde as raparigas pratiquem tão pouco exercício. Nesta idade, só 6% das portuguesas dedicam uma hora por dia a uma actividade física moderada a intensa, indicam os dados de um relatório da Organização Mundial de Saúde, que será apresentado nesta quarta-feira no Congresso Europeu de Obesidade, no Porto.

De acordo com o documento Adolescent obesity and related behaviours: trends and inequalities in the WHO European Region, 2002-2014, aos 15 anos o valor desce para 5%, mas nessa altura as italianas conseguem praticar ainda menos desporto do que as portuguesas. Na idade mais baixa avaliada, os 11 anos, os dados não são animadores, mas mesmo assim são mais positivos: 16% das raparigas dedicam uma hora diária ao exercício, ficando à frente de dez países, como Itália, Dinamarca, Suécia ou Holanda.

Para a investigadora Margarida Gaspar de Matos, que coordena a parte portuguesa do trabalho da OMS, estes resultados são preocupantes e mostram que é preciso procurar outras formas de incentivar a prática de exercício – até porque os valores nas raparigas estão praticamente estáveis desde 2002 e nos rapazes as subidas são ligeiras. “Para incentivar a prática é preciso começar cedo e na cultura familiar e com a família. Na escola é preciso que os jovens encontrem a ‘sua actividade’ e não se tenham de reduzir a ‘ofertas standard’”, exemplifica a psicóloga da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa.

Os dados dos rapazes não são tão negativos, mas também estão longe de serem animadores. Aos 11 anos, 26% dos adolescentes praticam pelo menos uma hora diária de uma actividade física moderada a vigorosa. Aos 13 anos o valor desce ligeiramente para 25% e aos 15 anos cai para 18%. Margarida Gaspar de Matos defende que é preciso incentivar o exercício de outras formas, começando por acabar com alguns estereótipos como “retirar dos praticantes de actividade física a ‘etiqueta’ de que são pouco ‘intelectuais’”.

A investigadora vai mais longe nas razões que explicam este afastamento do desporto. A começar pelas poucas condições que existem nas escolas para que os adolescentes possam tomar banho após a actividade desportiva. Depois, sublinha que a associação entre o desporto e práticas competitivas ou até alguns comportamentos mais violentos afasta muitas vezes os jovens que apenas procuram um momento de lazer. “A promoção da actividade física não passa por convencer os adeptos da prática, mas por encontrar contextos e motivação para os que não são adeptos e entender o que os afasta”, conclui.

descarregar o documento citado na notícia em baixo:

Adolescent obesity and related behaviours: trends and inequalities in the WHO European Region, 2002–2014

 

Os adolescentes portugueses têm um problema com a escola. E tem piorado

Março 16, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 15 de março de 2016.

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Andreia Sanches

Grande estudo da OMS sobre a adolescência. Portugal é dos países onde há menos jovens a dizer que gostam muito da escola. E os seus níveis de satisfação com a vida já conheceram melhores dias. Mas em muitos aspectos são mais saudáveis.

Os adolescentes portugueses sentem-se mais apoiados pela família. Queixam-se menos de dores de cabeça, de estômago, de dificuldades em dormir. São dos que mais tomam o pequeno-almoço todos os dias, o que, é sabido, é bastante saudável. Têm consumos de álcool ligeiramente abaixo da média observada noutros países. E fumar vai sendo menos frequente. O novo grande estudo internacional sobre a adolescência, da Organização Mundial de Saúde (OMS), faria respirar de alívio milhares de pais em Portugal se ficássemos por aqui. Mas não é o caso. Primeira má notícia: os adolescentes portugueses são dos que gostam menos da escola, em 42 países e regiões analisados. E piorou bastante nos últimos anos.

“Quando em Portugal perguntamos do que é que gostam na escola, as aulas aparecem em último lugar. Pior que as aulas, só mesmo a comida da cantina. E isto tem sido recorrente, somos sempre dos piores no gosto pela escola e na percepção de sucesso escolar. Não há nenhuma razão demográfica ou geográfica que eu conheça que explique tal, e o atraso provocado pelo obscurantismo de antes do 25 Abril (sendo uma incontestável verdade) já devia, por esta altura, estar ultrapassado.” Quem o diz é Margarida Gaspar de Matos, a investigadora que em Portugal coordena este estudo da OMS desde que, em 1998, o país começou a participar.

Chama-se Health Behaviour in School-aged Children, é feito de quatro em quatro anos. Os resultados da edição de 2014/2015 são apresentados nesta terça-feira de manhã, em Bruxelas. Baseiam-se nas respostas de mais de 220 mil adolescentes europeus e do Norte da América.

A recolha foi feita em escolas com 6.º, 8.º e 10.º anos. O objectivo é avaliar hábitos, consumos, comportamentos, com impacto na saúde física e mental, em diferentes fases de crescimento: aos 11, aos 13 e aos 15 anos.

Em Portugal participaram 6000 adolescentes — em Dezembro de 2014 o PÚBLICO divulgou as primeiras conclusões do inquérito nacional, aplicado nesse ano, que mostravam um número crescente de jovens a queixar-se de sintomas que revelavam mal-estar psicológico, tristeza, stress, insatisfação. Agora, com este relatório internacional, esses dados são vistos à luz do que se passa noutros pontos do globo.

A escola vai mal

Gostas muito da escola? Cerca de um quarto dos adolescentes de 15 anos dos 42 países e regiões participantes dizem que sim. A Arménia tem o melhor resultado, a Bélgica francófona o pior, Portugal surge com a 33.ª pior posição: só 11% dos rapazes e 14% das raparigas dizem que gostam bastante da escola.

Os adolescentes portugueses são também dos que maior pressão sentem com a vida escolar e dos que menos se têm em conta como alunos. É assim desde cedo: aos 11 anos, aparecem quase no fim da tabela, com a 38.ª pior auto-avaliação do seu desempenho escolar. Aos 15 é pior. Só 35% das raparigas e 50% dos rapazes consideram que têm bom desempenho escolar, quando a média dos 42 países é 60%.

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Os macedónios, os albaneses, os búlgaros, os israelitas e os ingleses são os que mais acham que na escola até se saem bem; os portugueses e os húngaros estão no extremo oposto.

“Isto é um forte alerta aos responsáveis pela educação neste país”, diz Margarida Matos, em resposta ao PÚBLICO. “É preciso avaliar a situação, identificar determinantes, estudar casos de sucesso noutros países, aprender com o que funciona bem. A minha percepção, neste e noutros casos, é que temos uma tendência nacional para nos esmerarmos na legislação, mas esta raras vezes é antecedida de uma avaliação dos pontos fortes e fracos das situações e ainda mais raras vezes é seguida por um estudo das consequências e dos riscos. Do ponto de vista da populações (e neste caso das famílias) parece que os governantes andam a saltar de medida em medida ‘apenas’ para fazer diferente, sem grande racional por trás.”

Nem sempre estivemos tão mal: em 1997/1998, ano de estreia dos portugueses no estudo da OMS, o país era o 2.º no gosto pela escola, em 28 participantes. Melhor do que a Noruega, Israel ou os Estados Unidos, por exemplo. Mais de um terço dos jovens portugueses de 15 anos diziam então que gostavam muito da escola.

Em 2001/02 descíamos para 8.º no ranking. Quatro anos depois já aparecíamos em 22.º. E se em 2009/10 se registou uma ligeira melhoria (o país ficou 21.º), em 2014/15 estamos pior do que nunca, com o tal 33.º lugar.

O problema não são os colegas — que são, na verdade, o que os portugueses mais gostam na escola, seguindo-se os “intervalos” entre aulas. O problema são mesmo as aulas, consideradas aborrecidas, e “a matéria”, que é descrita como excessiva, prossegue a investigadora da Faculdade de Motricidade Humana, da Universidade de Lisboa.

As diferenças de género são evidentes: as raparigas têm quase sempre pior percepção da sua competência escolar. Aos 15 anos gostam menos da escola do que eles. E são também elas que mais se mostram mais stressadas com os trabalhos para casa. De resto, em Portugal, como no resto do mundo, as meninas estão a suscitar preocupações crescentes aos peritos da OMS. “São mais propensas a relatar saúde irregular, múltiplas queixas, menor satisfação com a vida”, lê-se nas conclusões do relatório internacional.

E a vida em geral?

“A experiência que se tem com a escola pode ser crucial no desenvolvimento da auto-estima e de comportamentos saudáveis. Os adolescentes que sentem que a escola os apoia estão mais propensos a ter comportamentos positivos e a serem mais saudáveis”, prosseguem os peritos da OMS, “têm níveis de satisfação com a vida mais elevados, menos queixas relacionadas de saúde e apresentam menor prevalência de consumo de tabaco”. Em suma: as escolas têm um papel essencial no bem-estar.

Em Portugal, contudo, como já se viu, a escola não parece ser grande fonte de felicidade. E os temas “satisfação com a vida” e “bem-estar” foram mesmo dos mais surpreendentes no inquérito português quando ele foi divulgado no fim de 2014. Quase um em cada três adolescentes disse que se sentia deprimido mais do que uma vez por semana. Eram 13% em 2010. E um em cada cinco alunos do 8.º e 10.º anos magoara-se a si próprio nos 12 meses anteriores ao inquérito, sobretudo cortando-se nos braços, nas pernas, na barriga.

As perguntas relacionadas com auto-lesões não foram incluídas no estudo internacional agora tornado público, uma vez que nem todos os países as colocaram nos inquéritos. Não eram obrigatórias. Mas atente-se, por exemplo, à pergunta sobre “satisfação com a vida”: os adolescentes portugueses estão comparativamente em pior posição, aos 13 e 15 anos, do que os de outros países. Números: em Portugal, 74% das raparigas e 83% dos rapazes de 15 anos deram uma nota de 6 ou mais à sua felicidade (numa escala de 0 a 10); a média do HBSC é de 79% e 87%, respectivamente, o que significa que sobretudo as raparigas portuguesas estão aquém da média. Globalmente, o país aparece neste indicador em 36.º lugar, em 42. Há quatro anos, estávamos melhor, em 28.º.

Os luxemburgueses, os galeses, os ingleses, os polacos e os macedónios são os menos satisfeitos de todos, aos 15 anos de idade. E é na Arménia, na Moldávia, na Albânia, na Holanda e na Suíça que se encontram as maiores percentagens de satisfação com a vida.

“O que aconteceu em Portugal foi que os jovens com elevada satisfação melhoraram, os com muito baixa satisfação continuaram assim, mas os que tinham uma satisfação mediana desceram”, explica Margarida Gaspar de Matos. A recessão económica, diz, “além de ter feito descer a satisfação com a vida, foi fonte de iniquidade, uma vez que não afectou os mais satisfeitos, havendo uma associação da satisfação com a vida com a condição económica — quanto melhor condição económica mais satisfação com a vida”.

Sexo com preservativo

Boa notícia é o facto de quando se fala dos chamados “sintomas múltiplos” — dores de estômago, de cabeça, dificuldades em dormir — o país aparecer muitíssimo melhor do que outros, com percentagens bem abaixo de média de jovens a declarar tais sofrimentos. “Ainda temos um bom Sistema Nacional de Saúde, certo? A precariedade afecta primeiro a satisfação e o bem-estar e só depois a saúde física”, continua a investigadora.

E como se saem os portugueses em matéria de consumos? Há “bons resultados, comparados com as médias HBSC”, prossegue. Comece-se pelo tabaco: 10% das raparigas e 12% dos rapazes de 15 anos fumam pelo menos uma vez por semana, a média dos países do HBSC é 11% e 12%. No que diz respeito ao uso de cannabis passa-se o mesmo (entre 10 e 13% já usaram, a média é 13% e 17%, o país onde há mais gente a consumir é a França, entre 14 e 16%).

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No que diz respeito ao uso de preservativo, apesar diminuição registada em Portugal, desde 2010, “estamos, ainda assim, nos sete primeiros lugares”, nota Margarida Matos: 75% das raparigas de 15 anos e 73% dos rapazes da mesma idade que já tiveram relação sexuais disseram que usaram preservativo na última relação. Suíça, Grécia e Ucrânia têm as taxas de utilização mais altas; Polónia, Malta e Suécia os piores.

A propósito, mais um dado: aos 15 anos, 13% das raparigas e 26% dos rapazes portugueses disseram já ter ido relações sexuais, contra uma média internacional de 17% e 24%, respectivamente.

As más notícias regressam quando se chega ao capítulo do peso/obesidade. Em Portugal, há mais adolescentes com excesso de peso ou até mesmo obesos do que a média. No grupo dos miúdos de 15 anos, o país está no 12.º lugar (entre 16% e 21%, respectivamente raparigas ou rapazes, apresentam peso a mais ou obesidade, o que significa um ligeiro aumento em relação há quatro anos).

Pesados e parados

As meninas portuguesas de 13 anos são mesmo das que têm mais excesso de peso nos 42 países analisados: 24% têm peso a mais ou estão já obesas, sendo que uma prevalência igual é observada no Canadá e maior só em Malta.

Portugal tem ainda um ponto a seu desfavor: aos 11, 13 ou 15 anos os adolescentes portugueses são dos que menos exercício físico fazem diariamente — o indicador é “60 minutos por dia de actividade física moderada a vigorosa”, que é o recomendado, como lembra a OMS.

“Temos agora uma regulação cuidada sobre a alimentação nas escolas”, nota Margarida Matos. “Mas por qualquer motivo os alunos continuam a queixar-se que comem mal.” Ou seja, “tanto na área da alimentação na escola como na área da prática da actividade física, o que quer que ande a ser feito não está a dar resultado”. Serão necessárias novas abordagens.

Alguma intervenção centrada na “educação para a diferença, para a tolerância e para a expressão convivial de pontos de vista diferentes” é também sugerida pela investigadora, para atacar a questão do bullying.

Aos 11 anos, por exemplo, entre 11% (raparigas) e 17% (rapazes) disseram que foram alvo de bullying na escola, “duas ou três vezes por mês nos últimos dois meses”. A média é 13%. O país tem, assim, a 16.ª taxa mais alta de alunos de 11 anos que se dizem vítimas de bullying.

O cenário piora quando se avalia a percentagem de adolescentes que foram vítimas “pelo menos uma vez nos últimos dois meses” — ou seja, quando se procura aferir um bullying menos frequente, 34% dos alunos de 15 anos dizem ter sido vítimas. Bem acima da média HBSC de 23%.

A coordenadora do HBSC sublinha que “diminuíram muito as situações de vitimização desde 2002” e que “agora estamos ‘apenas’ um pouco acima da média”. Subsiste, contudo, “algo de chamemos-lhe ‘cultural’” — relações interpessoais algo “belicosas” entre pares, mesmo quando se diz que se gosta dos colegas: é “o empurrão”, é o “não deixar falar”, é o “chamar parvo”, é o “insulto ocasional”.

Margarida Matos remata: “Talvez esteja na hora de incluir, nos programas das escolas, um aspecto convivialidade positiva entre pares, nomeadamente nas questões entre idades, entre géneros e entre culturas.”

EntrevistaEm Portugal, a falta de autonomia dos adolescentes “é algo assustadora”

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mais gráficos no link:

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/os-adolescentes-portugueses-tem-um-problema-com-a-escola-e-tem-piorado-1726154

 

 

 

Ciclo de Conferências “Escolas Saudáveis, Famílias Saudáveis”

Fevereiro 17, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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entrada é livre, sendo que para a atribuição de certificados de participação deverá ser efetuada uma inscrição prévia.

A segunda conferência terá lugar no próximo dia 19 de fevereiro pelas 21H00.

este Ciclo de Conferências está acreditado com um total de 12 horas e nº de créditos de 0.5, para Educadores de Infância e Professores dos Ensinos Básico e Secundário. Registo de acreditação CCPFC/ACC-85734/16.

mais informações:

http://www.cespu.pt/noticias-e-eventos/2016/02/ciclo-de-conferencias-escolas-saudaveis-familias-saudaveis-cespu-2016/

16 of the Coolest Playgrounds in the World

Fevereiro 15, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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The modern playground is, to be honest, sort of boring. The bright-colored, safety-engineered plastic of cookie-cutter prefabricated jungle gyms can’t make up for the thrilling fun of admittedly rickety seesaws, slick metal slides that burned on sunny days, and super-fast merry-go-rounds.

And that’s terrible for kids. Scientists have found that playing is integral to developing a healthy brain and body. One 2011 study from a pair of Norwegian psychologists concluded that taking risks (and overcoming them) during play is an important part of child development, and that preventing children from encountering risks may lead them to develop anxiety. Thus, playgrounds where children can climb high, spin fast, and potentially hurt themselves aren’t just more fun—they’re better for childhood development.

A diverse range of playground activities is also important to keep kids active, which improves motor skills and combats childhood obesity. In a study of schoolchildren in Denmark, concrete play areas encouraged much less movement than other playground types. Children playing on paved surfaces that weren’t marked for any specific games, like basketball, tended to stay sedentary, while kids moved more on grass and play equipment.

Luckily, while most playgrounds have traded fun for lawsuit protection, there are still a few places in the world where unfettered childhood joy is possible. Here are some of the coolest playgrounds from around the globe.

Veja mais AQUI.

Atividade física intensa importante na prevenção da obesidade infantil

Junho 4, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site  http://lifestyle.sapo.pt  de 23 de maio de 2015.

APCOI - Associacao Portuguesa Contra a Obesidade Infantil

De acordo com a Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) uma em cada 3 crianças portuguesas tem excesso de peso. Valores que colocam Portugal entre os países da Europa com as maiores taxas de prevalência de obesidade pediátrica.

Para tentar contrariar estes números é essencial incentivar as crianças para a prática de exercício físico de forma regular e, claro, incutir hábitos saudáveis de alimentação e hidratação.

Um estudo desenvolvido em 2014 pelo Laboratório de Exercício e Saúde da Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa, revelou que “para reduzir o índice de massa gorda nas crianças é necessário incluir a prática de atividade física intensa”.

A avaliação, realizada com acelerómetros em 175 raparigas e 168 rapazes, entre os 10 e os 12 anos, teve como objetivo determinar as associações entre a dose de dispêndio energético de intensidade moderada versus intensidade elevada e a obesidade total e abdominal infantil.

Os investigadores observaram que estes indicadores de obesidade estavam somente associados com a atividade física de intensidade elevada.

As diretrizes da prática da atividade física defendem que as crianças devem praticar pelo menos 60 minutos de atividade moderada por dia e que as intensidades elevadas devem ser incorporadas pelo menos 3 vezes por semana.

Embora ainda não esteja clarificado o contributo da intensidade da atividade física, este estudo vem chamar a atenção para a importância da intensidade elevada com a finalidade das crianças terem um perfil mais saudável de composição corporal.

Tal como sucede com os adultos, as crianças devem ser acompanhadas por especialistas, médicos e profissionais ligados à prática do exercício, de forma a adaptar o esforço às necessidades e capacidades corporais. Mas a prática de exercício é essencial e deve ser incentivada desde os primeiros anos de vida do bebé.

 

 

Sabe quais são as crianças que comem menos fruta?

Janeiro 29, 2015 às 3:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 28 de janeiro de 2014.

Mais informações na notícia da DGS:

Projeto EPHE (EPODE for the Promotion of Health Equity)

Shutterstock

As crianças portuguesas comem, em média, mais fruta por dia do que as de seis outros países europeus, mas as pertencentes a famílias de um nível socioeconómico mais baixo comem menos, de acordo com dados divulgados hoje.

As conclusões são as primeiras a surgir do estudo do projecto europeu EPHE, financiado pela Comissão Europeia e apoiado pela Organização Mundial de Saúde, que tem como “principal objectivo avaliar o impacto de intervenções de promoção de hábitos alimentares saudáveis e de actividade física na redução das desigualdades sociais na saúde, em crianças em idade escolar dos seis aos nove anos”, coordenado em Portugal pela Faculdade de Ciências da Nutrição da Universidade do Porto (FCNAUP) com a Direcção-Geral de Saúde e desenvolvido na Maia.

“As crianças portuguesas foram as que apresentaram consumos mais elevados de fruta, comparativamente às restantes crianças europeias que integram este projecto. Em média, as crianças portuguesas, consomem fruta diariamente, pelo menos uma vez por dia. No entanto, verificaram-se diferenças significativas no consumo de fruta em função do estatuto socioeconómico dos pais”, pode ler-se no comunicado do projecto EPHE, que abrange Bélgica, Bulgária, França, Grécia, Holanda, Portugal e Roménia.

Ainda que o resultado do consumo seja de “destacar pela positiva”, como disse à Lusa a investigadora da FCNAUP Maria João Gregório, isto significa que uma criança que pertença a um nível socioeconómico mais baixo come menos fruta do que uma criança de famílias de um nível socioeconómico superior.

Maria João Gregório acrescentou que se verificou ainda que “as crianças portuguesas, que pertencem a famílias com nível socioeconómico mais baixo, têm uma frequência de consumo de refrigerantes e de sumos de fruta maior do que as de famílias de nível socioeconómico mais elevado”.

O projecto, na Maia, decorre no âmbito da iniciativa “Maia Menu Saudável” e englobou 240 crianças e respectivas famílias.

Através de questionários, em três anos consecutivos, o objectivo é compreender se o desenvolvimento do projecto foi bem-sucedido na alteração de consumos, para reduzir as desigualdades sociais na saúde.

“O que nós sabemos é que as estratégias de promoção da saúde têm mais impacto nos indivíduos que têm um nível socioeconómico mais elevado”, realçou Maria João Gregório.

O comunicado acerca do projecto refere ainda que, “no que diz respeito ao consumo de hortícolas, independentemente do estatuto socioeconómico da família, as crianças incluídas neste estudo apresentam uma frequência de consumo de hortícolas de, em média, duas a quatro vezes por semana”, embora “quase 30% das famílias com nível educacional mais baixo referiram que as crianças consomem salada menos do que uma vez por semana”.

Sobre a definição de “estatuto socioeconómico”, o estudo explica que este foi definido “pelo nível educacional de ambos os pais, pela situação profissional e pela posição face ao rendimento”, tendo sido “o nível educacional da mãe seleccionado como a variável socioeconómica que melhor previa o estatuto socioeconómico parental em toda a amostra”.

O projecto europeu EPHE, para a prevenção da obesidade infantil e a promoção do acesso à saúde, toma a sigla da designação original, Ensemble Prévenons l’Obésité des Enfants for the Promotion for the Health Equity.

Lusa/SOL

 

 

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