Adolescência. 3 histórias chocantes de sexo, violência e selfies

Junho 20, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site MAGG de 11de junho de 2018.

por MARTA GONÇALVES MIRANDA

Depois de “O Fim da Inocência”, Francisco Salgueiro recebeu centenas de relatos de jovens. O resultado é “S.D.S. — Sexo, Drogas e Selfies”.

Sexo, drogas, álcool. Noites levadas ao limite, partilhas incessantes nas redes sociais, bebedeiras que quase terminam em coma alcoólico. Foi em 2010 que Francisco Salgueiro publicou o livro “O Fim da Inocência“, inspirado na história real de uma adolescente portuguesa.

Inês tem uma vida aparentemente perfeita, frequenta um dos melhores colégios nos arredores de Lisboa e relaciona-se com filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Mas é também consumidora regular de drogas, participa em jogos sexuais arriscados e utiliza desregradamente a internet.

“Antes de terminar ‘O Fim da Inocência’, perguntava a toda a gente se alguém conhecia histórias de outros adolescentes e ninguém conhecia. Era uma espécie de tabu”, conta à MAGG Francisco Salgueiro, 45 anos. “Quando o livro é publicado, começo a receber imensas histórias.”

“O Fim da Inocência” foi um enorme sucesso — em vendas, é verdade (já vai na 13.ª edição), mas também no despertar de uma consciência adormecida. Os pais não faziam a menor ideia do que os filhos andavam a fazer, a comunicação social não abordava estes temas. Depois do livro, e ainda mais depois da adaptação ao cinema (“O Fim da Inocência” foi o filme mais visto em 2017), tudo isso mudou.

“Quando escrevi ‘O Fim da Inocência’ achava que aquela era a geração que mais riscos estava a correr. Agora vejo claramente que é esta.”

Oito anos depois, ainda é raro o dia em que Francisco Salgueiro não recebe pelo menos um email de um adolescente a narrar-lhe alguma coisa. Foi por isso que surgiu a ideia de publicar “S.D.S. — Sexo, Drogas e Selfies“, que reúne várias histórias reais que lhe foram enviadas. São relatos novos e verídicos que mostram o que os jovens do século XXI fazem no seu dia a dia, em particular à noite.

E mudou assim tanta coisa desde Inês? Sim. E está pior? Sem dúvida. “Quando escrevi ‘O Fim da Inocência’ achava que aquela era a geração que mais riscos estava a correr. Agora vejo claramente que é esta.”

Por um lado, culpa das suas próprias profissões e estilos de vida, os pais acabam por estar mais desligados. Por outro, os miúdos vivem a cultura do YOLO (You Only Live Once — só vivemos uma vez) e do FOMO (Fear of Missing Out — medo de estarem a perder alguma coisa).

“Para nós pode não parecer muito tempo, mas para os adolescentes oito anos é de facto muito tempo em termos de novidades do que eles fazem no seu dia a dia. Há coisas que eles fazem hoje em dia que não passa pela cabeça dos pais ou das pessoas mais velhas.”

A MAGG pediu a Francisco Salgueiro que escolhesse excertos das histórias que mais o chocaram. Uma rapariga apanhada pelo segurança da discoteca a fazer sexo oral na casa de banho, e a ser filmada por amigos e desconhecidos. Uma jovem que reflete sobre um grupo de amigos que só interage via redes sociais (mesmo quando estão na mesma sala). Uma saída à noite que termina com uma agressão verbal — e física. Três histórias chocantes de “S.D.S. — Sexo, Drogas e Selfies”.

Atenção: as histórias que se seguem contêm cenas e linguagem sexualmente explícitas que podem ser consideradas inadequadas e ofender.

Ler as histórias no link:

https://magg.pt/2018/06/11/adolescencia-3-historias-chocantes-de-sexo-violencia-e-selfies/

 

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OMS classifica distúrbio de videojogos como doença mental

Junho 19, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 18 de junho de 2018.

O problema é definido como uma “falta de controlo crescente” que impede a realização de actividades normais num período superior a um ano.

Karla Pequenino

A Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou os “distúrbios com videojogos” como um problema de saúde mental na nova edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças, publicada online esta segunda-feira. A condição é definida como uma “falta de controlo crescente” ao longo de um período superior a 12 meses, em que se dá cada vez mais importância aos videojogos, mesmo com consequências negativas (falta de sono, irritabilidade, exclusão de outras actividades do dia-a-dia).

“Ter um distúrbio [no manual] é algo que os países tomam em consideração quando planeiam estratégias de saúde pública e monitorizam tendências com distúrbios”, lê-se no comunicado da OMS sobre a mudança que tinha sido anunciada no começo do ano. A nova edição da classificação de doenças – que chega mais de uma década depois da última revisão – entra em vigor no dia 1 de Janeiro de 2022. Até lá, os vários países devem preparar traduções e treinar profissionais de saúde para trabalhar com as mudanças. O manual é considerado a base para identificar tendências e estatísticas sobre doenças em todo o mundo por definir um código universal.

“Até 2022 ainda há coisas que podem mudar no manual, e há certamente muito interesse do lado das empresas dos videojogos. É uma indústria em crescimento”, diz ao PÚBLICO o psicólogo Pedro Hubert, coordenador do Instituto de Apoio ao Jogador (IAJ) que se foca no tratamento de dependências associadas aos jogos em Portugal, incluindo os jogos da sorte. Actualmente, cerca de 20% dos pacientes que chegam ao IAJ queixam-se de problemas específicos com videojogos. “Há provas científicas de que o estímulo para jogar pode ser tão forte como a nicotina e outras drogas. Por cá, há cada vez mais pais preocupados por não saber como ajudar os filhos que se isolam, começam a falhar na escola e vivem para os videojogos”, diz Hubert. “A partir do momento em que a OMS aceita isto, os critérios são iguais em todo o lado e os Estados são obrigados a reconhecer o problema.”

Há investigadores, no entanto, que recomendam cautela com o diagnóstico da OMS. A psicóloga Maria João Andrade, que gere a Grinding Mind, uma associação portuguesa para promover uma relação saudável com videojogos, relembra que os casos problemáticos são uma minoria. É algo que a própria OMS reconhece. “Estudos sugerem que o distúrbio apenas afecta uma pequena proporção de pessoas que se dedicam a actividades de jogos digitais ou videojogos”, lê-se no guia da OMS sobre as mudanças quanto aos videojogos. “Porém, as pessoas que se dedicam a esta actividade devem estar alerta sobre o tempo que passam com videojogos, especialmente quando leva a ignorar outras actividades diárias.”

6C51 Gaming Disorder

https://icd.who.int/browse11/l-m/en#/http%3a%2f%2fid.who.int%2ficd%2fentity%2f1448597234

 

Manuela Ramalho Eanes recebe Prémio MAC 2018 Personalidade do Ano, 20 de junho em Lisboa

Junho 19, 2018 às 4:10 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações nos links:

http://www.movimentoartecontemporanea.com/mac/

https://www.facebook.com/events/1731265463621780/

https://expressodooriente.com/premios-mac-sao-entregues-dia-20/

 

 

292 queixas no regulador contra a SIC

Junho 19, 2018 às 10:15 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Correio da Manhã de 9 de junho de 2018.

Deliberação da ERC citada na notícia:

Deliberação ERC/2018/93 (CONTPROG-TV)

Panda Biggs cortou beijo homossexual na série infanto-juvenil Sailor Moon

Junho 19, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de junho de 2018.

Os cortes, que se alargaram às cenas em que se fala da identidade de género, motivaram queixa da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Entidade Reguladora da Comunicação Social decidiu arquivar o processo.

Natália Faria

Há muito que a natureza da relação entre duas personagens numa série de animação infanto-juvenil alimentava discussões acesas nos fóruns da Internet: Haruka e Michiru, da série Sailor Moon Crystal, não são primas, como foram apresentadas nalgumas das versões internacionais da série japonesa, mas namoradas. E, apesar de se vestir como um rapaz, Haruka é, afinal, uma rapariga apaixonada por desporto e corridas de automóveis. Mas a sua aparência andrógina e a relação homossexual que mantém com Haruka são aparentemente de “apreensão complexa” para as crianças dos oito aos 14 anos a que a série se destina, pelo que o canal Panda Biggs decidiu cortar as cenas que abordavam as temáticas da homossexualidade e transgénero.

A decisão motivou várias queixas à Entidade Reguladora Para a Comunicação Social (ERC), uma das quais apresentada pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), o organismo responsável pela promoção e defesa desses princípios. A ERC entendeu, porém, que não resulta do corte dessas cenas qualquer apelo à discriminação em razão da orientação sexual, pelo que determinou o arquivamento do processo.

Na decisão publicada esta sexta-feira, a ERC refere-se a quatro participações contra o Panda Biggs relacionadas com a transmissão da série de animação japonesa Sailor Moon Crystal 3, além da queixa apresentada pela própria CIG. Todas aludiam aos cortes da cena em que as duas personagens femininas se beijavam, bem como de todas as demais cenas em que se aflorava a questão da identidade de género de uma das personagens, Haruka, uma rapariga com gostos, comportamento e aparência geralmente associados ao género masculino. No entender dos queixosos, tais cortes reforçam a “invisibilidade de expressões afectivas não-normativas”. E a alegação de que se tratou de um acto discriminatório com base na orientação sexual assentou na constatação de que as cenas de assédio sexual, em que uma personagem masculina força o beijo de uma rapariga, foram transmitidas “sem qualquer pudor sobre o público-alvo”.

Decisões destas traduzem-se na “desvalorização social destas pessoas [não normativas], colocando-as numa situação de fragilidade e marginalidade social”, alegam os queixosos, um dos quais sustenta que o corte da cena em que uma personagem revela que é andrógina configura uma “discriminação de género” que vai contra o artigo 13.º da Constituição.

Cenas desadequadas

À ERC, o Panda Biggs alegou que tais cenas eram desadequadas ao público-alvo e ao perfil do canal e que a sua retransmissão poderia “não ter o melhor acolhimento”. “Tratou-se tão-somente de uma apreciação de natureza editorial que nada tem a ver com censura”, alegou o canal, reivindicando o direito à liberdade editorial.

A ERC reconhece que os artigos 37.º e 38.º da Constituição consagram tal liberdade e sustenta que não resulta de tais cortes qualquer incitamento ao ódio gerado pelo sexo e pela orientação sexual mas um silenciamento das temáticas homossexuais e transgénero de um programa infantil tidas como desadequadas ao público jovem. “Tal preocupação até é legítima, dado que se está perante um assunto fracturante na sociedade portuguesa”, concede a ERC.

“É forçoso reconhecer que as temáticas da homossexualidade e do transgénero ainda não são, no contexto social actual, inteiramente aceites por toda a sociedade portuguesa, originando controvérsia. Pode admitir-se até que sejam de uma apreensão mais complexa para as crianças”, reforçou a ERC, para concluir: “Não se põe, por isso, em causa a liberdade editorial do serviço de programas Panda Biggs, que tem a liberdade de escolher os programas que transmite.”

Deliberação da ERC citada na notícia:

Deliberação ERC/2018/95 (CONTPROG-TV)

 

 

A história da foto viral de uma menina de 2 anos a chorar na fronteira dos EUA

Junho 18, 2018 às 4:35 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 18 de junho de 2018.

O fotografo americano John Moore acompanhava o controlo de fronteiras no Texas quando se ajoelhou para captar esta foto, de uma menina a chorar no momento em que teve de deixar o colo da mãe.

Uma mulher hondurenha e a sua filha de 2 anos viajavam há mais de um mês, vindas das Honduras via México, com o objetivo de entrarem nos Estados Unidos da América. No Sul do Texas, em Rio Grande Valley, foram apanhadas e revistadas pelos agentes do controlo de fronteiras. Foi nesse momento que o fotógrafo John Moore tirou a foto que se tornou viral e viria a emocionar o mundo.

As autoridades estavam a revistar pessoas antes de as carregarem para um autocarro que as transportaria até um “centro de processamento”, onde as crianças têm sido separadas dos pais. Quando chegou a vez de revistar a mãe desta criança, foi-lhe pedido que a pousasse no chão e a menina de dois anos começou a chorar, num momento captado por Moore, que se ajoelhou para fazer a foto. “Podia ver o medo nos rostos deles, nos olhos deles”.

Em entrevista à NPR, John Moore contou: “Todos nós ouvimos as notícias de que a administração [Trump] tinha planos para separar famílias e estas pessoas não faziam ideia dessas notícias. Foi muito difícil tirar estas fotografias, sabendo o que se seguia.” O fotógrafo refere-se à política de “tolerância zero” para os migrantes. De acordo com Departamento de Segurança Interna, entre os dias 19 de abril e 31 de maio, mais de dois mil menores foram separados dos pais na fronteira.

Como fotojornalista, o meu papel é continuar, mesmo quando é difícil. Mas como pai – e eu próprio tenho um recém-nascido – foi muito difícil ver o que estava a acontecer à frente da minha lente e pensar como seria se separassem os meus filhos de mim.”

A fotografia viral tornou-se agora uma bandeira contra a política de “tolerância zero” da administração de Donald Trump. Várias personalidades têm erguido a sua voz contra esta política ao longo da semana: desde o ex-presidente Bill Clinton até figuras que já passaram pela Casa Branca de Donald Trump, como o ex-diretor de comunicação Anthony Scaramucci.

Mas John Moore admitiu que desconhece o destino da criança da fotografia: “Não sei o que lhes aconteceu. Gostava muito de saber. Desde que tirei aquelas fotos que penso bastante nesse momento. E emociono-me sempre”.

 

 

 

Ateliê de Pop-up “O Capuchinho Vermelho”, de Louise Rowe, 23 junho na Biblioteca Municipal D. Dinis em Odivelas

Junho 18, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/BibliotecaMunicipalDDinisCmOdivelas/

 

Debate “O Direito à Infância – Importância no Desenvolvimento Humano” com a presença de Dulce Rocha Presidente do IAC, 20 junho em Lisboa

Junho 18, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Dulce Rocha, Presidente do Instituto de Apoio à Criança irá estar presente no debate.

mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/179258589582132/

Gestão democrática: como escutar as crianças na escola?

Junho 17, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Photo by Tra Nguyen on Unsplash

Texto do site Educação Integral de 18 de maio de 2018.

gestão democrática da escola pressupõe escutar as crianças, sobretudo as mais novas. Compreendê-las como sujeitos de direito, capazes de influenciar a vida coletiva significativamente, é o primeiro passo para criar um contexto participativo.

Leia + Qual a importância dos processos de escuta nas escolas?

“A criança não é um vir a ser. Ela já é”, diz Franciele Busico Lima, professora de pedagogia no Instituto Singularidades e da rede municipal de São Paulo, sobre a mudança de perspectiva em relação à infância que ocorreu nas últimas décadas, passando a compreendê-la como uma fase em si, e não um passo para tornar-se algo.

Manuel Jacinto Sarmento, professor no Instituto de Estudos da Criança, da Universidade do Minho, em Portugal, e uma das maiores autoridades no assunto, lembra que esse entendimento da infância surgiu no século XX e foi consagrado por em meio da Convenção Internacional Sobre os Direitos da Criança, de 1989.

“Este documento marcou os direitos específicos das crianças, para além dos Direitos Humanos, uma vez que a infância tem uma vulnerabilidade estrutural, dado que carecem dos adultos para se alimentar, poderem se desenvolver e se integrarem socialmente”, afirma Manuel, ressaltando que a Convenção reforçou a noção de que as crianças são cidadãs e têm direito à autonomia, identidade e poder de participação.

Se esses processos participativos forem instituídos desde cedo, diz o professor, cria-se uma cultura fundamental para uma sociedade mais democrática.

“Ninguém consegue tocar piano sem dedilhar suas teclas. A mesma coisa é verdade em relação à participação. Nunca teremos uma sociedade democrática sem a inclusão das crianças”, explica Manuel.

Para Franciele, a escola e os adultos também ganham. “O mundo adulto é muito embrutecido. Temos muito a aprender com as crianças, sobre como elas veem o mundo e outros caminhos para resolver os problemas da escola”, diz.

Escuta das crianças: ponto de partida

Praticar a escuta ativa das crianças requer alguns princípios. O primeiro é aceitar que talvez as crianças tomem a decisão “errada” e que não cabe ao adulto vetá-la, mas discuti-la. “A vida é assim para os adultos também, temos que lidar com erros e frustrações. Essa é uma oportunidade de discutir, debater e entender a questão”, diz Franciele.

Além disso, o medo dos adultos de que as crianças tomem uma decisão equivocada não pode impedir o processo de deixar que as crianças tomem decisões reais, que vão muito além de escolher, por exemplo, qual suco querem tomar no recreio.

Lugar do adulto

No processo de escuta para uma gestão democrática, os adultos também precisam entender o seu lugar físico e simbólico. É comum na relação com as crianças, por exemplo, que se pergunte da seguinte forma: “o que você quer beber? É água?”, ao invés de permitir que elas nomeiem e decidam o que querem.

É aconselhado que as crianças se expressem diretamente, isto é, sem que um adulto fale por elas. Durante as conversas faz-se necessário, ainda, deslocar-se para a altura delas, agachando ou sentando ao lado, com a finalidade de criar um diálogo mais horizontal.

Por fim, é preciso compreender que uma gestão democrática não se sustenta realizando processos de escuta das crianças de maneira pontual e isolada, e sem que ela reverbere de fato nas decisões da escola.

“Participar é ter o poder de influenciar a vida em comum, um poder que não é total e exclusivo, mas partilhado. Trata-se de um processo contínuo e permanente”, explica Manuel.

Estratégias para escutar as crianças

Assembleias

No ano passado, as crianças da Escola Municipal de Educação Infantil Dona Leopoldina, em São Paulo, decidiram que queriam uma casa na árvore. Fizeram diversos desenhos e planejamentos, e construíram a tão sonhada obra. Isso foi possível graças ao Conselho de Criança.

Uma vez por mês, crianças de 4 e 5 anos, gestão, professores e funcionários se reúnem para debater desejos, atividades e problemas na escola. Em uma das assembleias, realizadas no refeitório da escola, foi levantado o problema de que vizinhos passeavam com os cachorros nos jardins da escola e não recolhiam as fezes do animal. Juntos debateram o assunto: por que isso acontece? Todo mundo acha ruim? O que pode ser feito? Quem é responsável?

Nas duas semanas seguintes, discutiram o tema em sala de aula, com os colegas e professores. As crianças apresentaram suas ideias para solucionar o problema e os professores tentaram avaliar junto com elas a viabilidade de sua concretização.

Esse debate ocorre preferencialmente em um segundo momento, e não durante a assembleia, porque é mais fácil realizá-lo com grupos menores, cada um com um professor. Assim, todos têm a chance de serem ouvidos.

Após os debates, os alunos registram suas reivindicações e conclusões sobre o tema em qualquer formato que desejem: música, desenho, escrita, colagem. Depois, elegem dois representantes de cada sala, sempre uma menina e um menino, que se voluntariam e se revezam todos os meses com os demais colegas, para apresentar à gestão as ideias e reivindicações das turmas, em uma segunda reunião.

Nesta última, ficou decidido que seriam enviadas cartinhas aos vizinhos, pedindo que recolhessem o cocô dos cachorros, também colocaram placas indicando que era proibido não recolher as fezes, e deixaram sacolas disponíveis para quem esquecesse a sua própria.

Grupos de trabalho

Outra maneira de estimular a participação das crianças, sobretudo das que estão no final do Fundamental I ou já no Fundamental II, é realizar grupos de trabalho acerca da questão. O intuito é investigar e pesquisar o assunto, formular hipóteses e comparar teses, debatendo com os colegas e professores, para se ter uma noção mais ampla do problema.

Por exemplo, se as crianças quiserem novos brinquedos para o parquinho da escola e eles custam caro e a escola não tem dinheiro, pode-se pesquisar com os alunos a forma de financiamento das escolas, a distribuição do dinheiro para cada área, alternativas à compra do brinquedo, e até realizar um planejamento financeiro para viabilizar a compra em determinado período de tempo.

Desenhos

Os desenhos podem ser um recurso alternativo à fala para que as crianças expressem seus desejos, sonhos e desconfortos. Em sala de aula, com crianças a partir de 4 anos, principalmente, desenhar pode ser uma ferramenta para entender o que elas querem.

O professor pede, por exemplo, que elas desenhem como gostariam que fosse a brinquedoteca da escola. Ou pede para ilustrarem o que menos gostam na escola. E enquanto elas desenham, os professores podem perguntar o que significa cada elemento, o que estão querendo expressar, como se sentem sobre aquilo.

Enquanto isso, o professor vai fazendo um registro por escrito das impressões, que podem ser levadas à gestão posteriormente, ou pelos professores ou pelas próprias crianças.

Vias de comunicação

Para além de momentos estabelecidos para discutir questões acerca da escola, é interessante que as crianças possam acessar a gestão a qualquer momento. O simples gesto de deixar a porta da diretoria aberta pode ser um convite a entrar.

Como nem sempre um diretor ou coordenador poderá atender as crianças, uma alternativa é criar um canal nas redes sociais que elas possam acessar e mandar mensagens. Para os mais novos, pode-se deixar uma caixa de sugestões em algum lugar de fácil acesso da escola, onde as crianças possam depositar seus pedidos e incômodos.

Mas para que as crianças saibam que esse mecanismo funciona, e são verdadeiramente escutadas, os especialistas recomendam que haja sempre um retorno da gestão, e que preferencialmente não se demore mais do que um mês para realizá-lo.

Fotografias

Para Franciele, que acompanhou crianças pequenas, de 4 anos, durante uma visita à Bienal de Artes, uma ferramenta interessante para entender o ponto de vista das crianças é a câmera fotográfica.

Ela pediu para os pequenos fotografarem o que estavam vendo, o que mais gostaram na exposição de arte, entre outros pontos. Depois, projetaram as imagens para toda a turma e foram conversando sobre as impressões que tiveram, e o que acharam de cada foto e de cada obra.

“As fotos que as crianças tiraram na Bienal não tinham nada a ver com as fotos que os adultos fizeram. É outro ponto de visão, outra realidade, vivem em outros espaços, outros objetos, e veem coisas que a gente jamais veria”, contou.

Rodas de conversa

Manuel traz de Portugal outra experiência bastante difundida pela Educação Infantil do país. Lá, ao final do dia, as crianças sentam em roda e o professor puxa o assunto, pedindo que contem como foi o dia deles, o que aconteceu. Naturalmente, vão surgindo sugestões, problemas e opiniões sobre a escola e as atividades que realizaram.

“O processo de participação não está restrito a uma faixa etária, deve ser feito também para crianças menores por meio de suas formas próprias de comunicação, pois elas, como todas as outras, têm capacidade de emitir sua opinião e elas devem ser levadas em conta”, assegura Manuel.

 

Uma gestão democrática pressupõe a participação efetiva dos vários segmentos da comunidade escolar – familiares, professores, estudantes e funcionários – em todos os aspectos da organização da escola

PASSA A PALAVRA – Festa dos Ofícios do Narrar, em Oeiras de 18 a 24 de junho

Junho 16, 2018 às 5:57 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://festivalpassapalavra.pt/completo/

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