O que os adolescentes consideram cool

Abril 23, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do  http://blitz.sapo.pt/ de 8 de abril de 2017.

Zoran Ivanovich (Creative Commons)

Um estudo da Google indica onde se encontram as preferências dos adolescentes de hoje em dia

Todas as gerações são distintas. As preferências dos adolescentes de há meio século são, hoje, muito diferentes das preferências dos adolescentes de hoje. E assim vai variando, de década para década, de época para época. Traduzido por miúdos: o que ontem era “fixe” hoje é “uma seca”.

A Google elaborou, recentemente, um estudo que visa, precisamente, apontar onde se situam as preferências dos adolescentes de hoje em dia, a denominada Geração Z – a que nasceu em meados da década de 90, já com o uso da Internet disseminado por todo o mundo. No entanto, foram apenas considerados os jovens com idades compreendidas entre os 13 e os 17 anos.

Segundo o estudo, aquilo que é considerado “fixe” para a Geração Z é, também, uma representação dos seus valores, das expetativas que guardam para si próprios, dos seus amigos, e das marcas que mais apoiam. Neste grupo estão, por exemplo, o YouTube, a Netflix, a Nike e a própria Google.

E quais são, então as preferências musicais desta geração? Segundo o estudo, são mais variadas do que qualquer preconceito poderia ditar. Entre os artistas mais “votados” pelos inquiridos estão gigantes da pop atual, como Drake e Beyoncé, mas também bandas como os Coldplay, Fall Out Boy, ou Panic! At The Disco – e até os Beatles encontraram espaço nos corações, e ouvidos, da Geração Z.

A música ainda detém um papel importante na “fixeza”; para estes adolescentes, as celebridades mais importantes são, quase todas, músicos, destacando-se Selena Gomez, Chance the Rapper e Ariana Grande. O seu nível de popularidade mede-se, também, pelas suas ações: os mais “genuínos” e filantrópicos são considerados os “mais fixes”.

Por ter crescido rodeada de computadores e, mais importante ainda, pela Internet, não é de estranhar que esta geração mostre, também, um forte apego pela novidade tecnológica. De todos os inquiridos, 24% (14% rapazes, 10% raparigas) disseram que aquilo que é “mais fixe” são as novas tecnologias.

(Talvez) Por isso, são poucos os que afirmaram não possuir um smartphone: apenas 9,6% dos inquiridos, sendo que neste campo a Apple suplanta ligeiramente a Microsoft, com 42,3% a preferirem o Iphone aos Androids.

No que diz respeito às redes sociais, plataformas de partilha de imagens e vídeos, como o Snapchat e o Instagram, são rainhas. O Facebook ainda é utilizado, mas apenas para consumo diário – partilhar algo através desta rede já não é “fixe”.

E se, novamente, o preconceito ditar velhos adágios como “os jovens de hoje já não se interessam pela leitura”, saiba que nada se encontra mais longe da verdade: ler é uma atividade indispensável e “fixe”, lado a lado com os videojogos. Afinal de contas, estamos a falar de uma geração que não conheceu o mundo sem Internet – e que, por causa dela, se tornou na mais informada de sempre.

 

“Nenhuma creche devia permitir a entrada de crianças sem boletim de vacinação em dia”

Abril 22, 2017 às 5:05 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ a Manuel do Carmo Gomes no dia 20 de abril de 2017.

“Deviamos ter actuado preventivamente e ter tomado medidas que impeçam os delírios fantasiosos e infundados dos defensores da não vacinação”, defende Manuel Carmo Gomes. DR

Após uns dias de surpresa com o ressurgimento de uma doença que tínhamos eliminado, os serviços de saúde serãocapazes de reagir atempadamente e adaptar-se, acredita Manuel Carmo Gomes

Alexandra Campos

“Deviamos ter actuado preventivamente e ter tomado medidas que impeçam os delírios fantasiosos e infundados dos defensores da não vacinação”, defende Manuel Carmo Gomes, membro da Comissão Técnica de Vacinação da Direcção-Geral da Saúde e professor de Epidemiologia de Doenças Transmissíveis na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Tendo em conta o número de casos notificados em Portugal, há razões para alarme?

Não há razões para alarme. Portugal realiza Inquéritos Serológicos Nacionais que nos dão uma ideia do grau de protecção da população. Estimamos que cerca de 94% (com um erro possível de 1,5% para baixo e para cima) da população com mais de dois anos de idade tenha anticorpos capazes de conferir protecção. O problema é que os 6% não protegidos podem formar bolsas de susceptíveis. Em resumo, a esmagadora maioria da população tem protecção. Os que têm mais de 40 anos estão protegidos porque tiveram a doença em pequeninos, os mais novos estão protegidos por vacinação. Entre os 6% não protegidos há pessoas com estados de saúde que os impediram de ser vacinados e (não incluídos nos 6%) há ainda os bebés com menos de 12 meses que estão em risco. No seu conjunto, estas pessoas são uma razão para a nossa preocupação.

Há especialistas que consideram que faria sentido antecipar a vacinação dos bebés e revacinar os nascidos após 1974 e até 1990 porque receberam apenas uma dose de vacina. Pensa que isto faria sentido?

A antecipação da vacinação para antes dos 12 meses de idade é sempre uma medida de excepção só recomendável em situação de surto. A vacinação de rotina começou em 1974 com uma única dose aos 15 meses. Em 1990 foi introduzida a segunda dose para crianças entre 11 e 13 anos. Em princípio, as pessoas que receberam a vacina aos 15 meses de idade (ou mais tarde) não necessitam de revacinação. Admito contudo que pessoas sujeitas a contactar repetidamente com doentes sejam revacinadas, porque a dose de contaminante recebida também é importante.

Os profissionais de saúde podem não estar preparados para lidar com esta doença por fazerem parte de uma geração que já não conviveu com a patologia? As autoridades de saúde deveriam ter tomado outro tipo de medidas quando foi conhecido o primeiro caso?

É verdade que a maioria dos jovens profissionais de saúde nunca viram sarampo, porque graças à adesão da nossa população à vacinação não tínhamos casos há quase 20 anos. É verdade também que o sarampo é uma doença de diagnóstico relativamente fácil e muito bem descrita na literatura. A sua contagiosidade é famosa. A doença é conhecida e é reconhecível, os serviços irão adaptar-se. O que mais deploro que não se tenha já feito é a discussão sobre a obrigatoriedade da vacinação para algumas doenças em que incluo o sarampo. Para se implementar a obrigatoriedade de usar cinto de segurança e cadeirinhas nos carros para os mais pequenos foi tudo muito mais rápido – não compreendo porquê. Portugal está no top-10 mundial em termos de saúde materno-infantil e de eliminação de doenças infecciosas. Mas como estas doenças não foram erradicadas à escala global e as nossas fronteiras estão abertas, deviamos ter actuado preventivamente e ter tomado medidas que impeçam os delírios fantasiosos e infundados dos defensores da não vacinação. Na minha opinião nenhuma creche devia permitir a entrada de crianças sem o boletim de vacinação em dia e, no ensino obrigatório, os pais de crianças sem o boletim de vacinas em dia devem ser avisados e deve ser-lhes dado um prazo curto para vacinar os filhos. Se não o fizerem, devem ser-lhes cortados os subsidios oriundos de dinheiros públicos e devem pagar uma coima superior às que nos impõem por não usar cinto de segurança nos carros ou por viajar em contra-mão.

 

 

 

 

Equipamentos ajudam crianças e jovens com autismo

Abril 22, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://ionline.sapo.pt/ de 9 de abril de 2017.

 

A APPDA-Leiria recorreu à plataforma de crowdfunding do Novo Banco para comprar equipamentos, capazes de ajudar crianças e jovens com autismo a comunicarem entre si e com o mundo que as rodeia.

«Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens», a frase é de Fernando Pessoa, mas poderia ser dita por qualquer criança ou jovem portador de Perturbações do Espetro do Autismo (PEA). Assim acredita a Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo de Leiria (APPDA-Leiria).

Esta Instituição Particular de Solidariedade Social nasceu em 2009 pelas mãos – talvez a palavra mais adequada até seja voz – de um grupo de pais preocupados com o presente e o futuro dos seus filhos portadores de PEA. «Os objetivos gerais são apoiar o estudo desta patologia e promover a qualidade de vida das pessoas com PEA e das suas famílias, através da implementação de respostas sociais especializadas nas especificidades desta problemática», explicou ao SOL o presidente da direção da APPDA-Leiria, João Teodósio.

O autismo é uma perturbação global do desenvolvimento infantil que se prolonga por toda a vida e evolui com a idade.  As crianças com PEA, cujo diagnóstico geralmente é feito pelos 3 anos de idade, embora seja possível detetar alguns sinais aos 18 meses, têm dificuldades muito específicas ao nível da interação social, da aquisição e uso convencional da comunicação e da linguagem. «A comunicação, tanto verbal como não-verbal, é deficiente e desviada dos padrões habituais. Muitas pessoas com autismo, estima-se que cerca de 50%, não desenvolvem linguagem durante toda a sua vida», sublinhou o responsável.

Dificuldade em comunicar com tanto para dizer ao mundo

A associação pretende assim «dar voz ao autismo, nomeadamente através de equipamentos de comunicação aumentativa que possam proporcionar às crianças e jovens formas divergentes de comunicar consigo próprios e com o mundo que os rodeia». A forma como o meio ambiente aceita e lida com estas crianças e jovens é determinante para o seu desenvolvimento e a sua inclusão social.

Para João Teodósio, os equipamentos de comunicação aumentativa são essenciais para o desenvolvimento da autonomia das crianças. Ajudam também as famílias ao trazerem estrutura ao ambiente em casa. Mas para os adquirir a APPDA-Leiria precisou de ajuda e recorreu ao Novo banco Crowdfunding. Através desta plataforma, angariou 2.097 euros, 135% do objetivo inicial de 1.556 euros.

Graças ao valor dos 62 donativos, a associação tem agora um monitor tátil TFT, um software para comunicação aumentativa e acesso ao computador (GRID 2), um software para criação de quadros de comunicação e atribuição de ações a diferentes comandos (BM & SPD), um manípulo Jelly Bean para auxílio à manipulação do software e um dispositivo para ligação de manípulos (INPROMAN 2).

Os equipamentos «possibilitaram a comunicação mais facilitada» às 72 crianças e jovens que a APPDA-Leiria apoia através das três respostas sociais de que dispõe: um centro de atendimento, acompanhamento e reabilitação para pessoas com deficiência; um centro de atividades ocupacionais; e um lar residencial.  Atualmente, a necessidade mais urgente é a compra de viaturas para fazer o transporte das crianças e jovens entre a casa e os centros da associação. Também isso pode ser uma grande ajuda, facilitando a vida e a rotina das famílias. Saiba como ajudar em http://www.appdaleiria.pt.

 

Encontro Concelhio “Desafios da Intervenção Protetiva na Área da Infância e Juventude – 26 abril no Feijó

Abril 22, 2017 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/events/281631418940138/permalink/283210542115559/

A contra-cultura escolar

Abril 21, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do blog http://kyrieeleison-jcm.blogspot.pt/ de 9 de abril de 2017.

Juan Botas – School (1989)

O lamentável acontecimento ocorrido com finalistas do ensino secundário português num hotel em Espanha (ver aqui) é apenas o sintoma de um problema que é continuamente ocultado pelos responsáveis políticos da educação. E esse problema está, apesar da melhoria dos resultados obtidos por Portugal nos estudos internacionais sobre a educação, a afectar de forma sistemática o desempenho escolar dos alunos e, de forma indirecta, as expectativas legítimas de desenvolvimento que Portugal poderia ter. Esse problema está ligado à cultura escolar que muitos alunos, muitos mais do que deveria ser admissível, ostentam.

Essa cultura escolar é caracterizada pelo desprezo do saber – todas as áreas de estudo são consideradas uma grande seca – e, ao mesmo tempo, pelo desdém pelo esforço e pela superação de obstáculos. Chamemos-lhe uma contra-cultura escolar. O resultado destas atitudes é a indisciplina – geralmente, de baixa intensidade mas que boicota sistematicamente as aulas – e aprendizagens, quando existem, muito deficientes. A escola não é vista como lugar onde se aprende, mas onde se vai para conviver com os amigos, arranjar uns namorados ou namoradas, suportar uns professores menos simpáticos e triturar aqueles que não têm uma capacidade hiperbólica – repito, hiperbólica – para impor a autoridade.

Dito de outra maneira, para tentar ser o mais claro possível: o problema não está nos alunos que têm dificuldades em aprender. Está numa massa informe e de grandes dimensões que não quer aprender, isto é, que não quer adequar o seu comportamento às exigências que qualquer aprendizagem exige, sejam aprendizagens feitas por métodos mais tradicionais ou mais inovadores. Tentemos de novo ser claros: o problema principal não está nos métodos usados pelos professores. Está na atitude e na cultura dos alunos ou, melhor, na sua contra-cultura.

Os resultados são aprendizagens que não são feitas, comportamentos como os de Espanha ou a pandemia das praxes académicas daqueles que chegam ao ensino superior, onde o ídolo cultural da massa estudantil é Quim Barreiros (só isto diz muito sobre o problema). A consequência é tornar as escolas portuguesas num lugar estranho onde os professores querem ajudar milhares e milhares de alunos que não querem ser ajudados, que desprezam a escola e tudo o que ela implica. As escolas inventam e reinventam continuamente mil processos para auxiliar alunos que, pura e simplesmente, esperam que os professores os aprovem sem que eles tenham que fazer mais do que existir.

Esta contra-cultura do aluno português não é partilhada, felizmente, por todos. Há muitos alunos com uma atitude adequada e que se esforçam para superar as dificuldades e alcançar objectivos exigentes. Sejamos, porém e mais uma vez, claros: estes são uma minoria. Esta cultura adversa à aprendizagem, esta contra-cultura, tem dois suportes que a alimentam e protegem. Em primeiro lugar, as famílias. Muitas famílias ou não são capazes de educar os seus filhos ou não sabem quem têm em casa e fazem dos professores o bode expiatória dos insucessos dos rebentos. Em segundo lugar, o Ministério da Educação. Este e todos os outros que o antecederam. O Ministério da Educação é especialista em inventar reformas e contra-reformas, em tornar o trabalho de escolas e professores insuportável e, fundamentalmente, em desviar a atenção do problema central.

Para o Ministério da Educação – seja ele de que cor política for – o problema nunca é dos alunos, nem da cultura que trazem de casa e da rua ou do papel dos pais no sistema educativo. Para qualquer Ministério da Educação, os alunos querem aprender, os pais são muito empenhados, só que os professores são uns incompetentes e não ensinam. Logo, a única coisa a fazer é mais uma reforma do ensino, que massacre os professores, traga uns jogos florais para as escolas e, se for possível, dê mais poder aos pais dentro do sistema. Os responsáveis políticos nunca perceberam uma coisa. Para haver uma reforma do ensino é necessário que haja ensino, que os alunos estejam dispostos a aprender, que não tenham por objectivo boicotar as aulas ou, pura e simplesmente, deixar passar o tempo até que os professores, em desespero de causa, se sintam coagidos a passá-los. O problema está onde os políticos não querem mexer, na contra-cultura escolar que se instalou entre uma massa enorme de alunos portugueses.

Publicada por Jorge Carreira Maia

 

Colóquio Brincar e os modos de ser Criança – 26 e 27 de maio em Coimbra – Organização do IAC – Fórum Construir Juntos

Abril 21, 2017 às 2:06 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O Instituto de Apoio à Criança (IAC) tem por objetivo principal contribuir para o desenvolvimento integral da Criança, na Defesa e Promoção dos seus Direitos, sendo a criança encarada na sua globalidade como sujeito de direitos na família, na escola, na saúde, na segurança social e justiça.

É convicção do IAC que a promoção do “Direito de Brincar” consagrado no artigo 31º da Convenção sobre os Direitos da Criança, conduz a um crescimento equilibrado e feliz, já que através do Brincar a Criança atribui significados, comunica, compreende os outros, aprende a respeitar regras, inventa, constrói vezes sem fim, numa reconstrução permanente.

Neste sentido, o IAC-FCJ divulga o Colóquio Brincar e os modos de ser Criança, a decorrer nos dias 26 e 27 de maio, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, em Coimbra.
Este evento tem como principal objetivo refletir sobre o BRINCAR como direito das crianças, como expressão do seu modo de ser e estar, e como estratégia cientificamente fundamentada de educação e de integração social. Iremos procurar despertar o interesse de todos os participantes para a importância da atividade lúdica, dando ao mesmo tempo a conhecer investigações e iniciativas já realizadas, na medida em que elas possam ser inspiradoras para novas ações, por ventura da iniciativa dos próprios formandos.

Mais informações e inscrições através do link: https://sites.google.com/site/brincar2017/

Em anexo segue Cartaz de divulgação e o Flyer com o programa.

Cartaz (pdf)

Programa (pdf)

A Educação e as relações do mundo virtual

Abril 21, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 10 de abril de 2017.

A Educação e as relações do mundo virtual

É frequente ouvirmos o quanto as crianças de hoje são diferentes das crianças de há uma ou duas décadas atrás e como tem sido difícil adaptar relações, educações e o próprio sistema de ensino, que se mostra cada vez mais desadequado aos interesses e vontades desta nova geração. Na verdade, se educar já era por si só um grande desafio, com todas as alterações desta geração que nasce de olhos abertos e pronta para a vida, tornou-se uma tarefa especialmente delicada.

São realmente muitas as mudanças que esta geração do novo século apresenta. Embora por vezes seja difícil para as famílias compreenderem esta nova forma de se ser criança e jovem, diria que em muitas coisas mudaram para melhor. Maior consciência de si próprios, maior liberdade de ação e menos preconceitos! Que bom, que esta geração nos trouxe essa maravilhosa capacidade de aceitação da diferença, que reflete sempre uma maior possibilidade de aceitação de nós próprios. Este seria um passo gigante para a felicidade do ser-humano, se não tivesse sido acompanhada pelo desenvolvimento de um novo tipo de relacionamentos, infelizmente bem menos saudável e por uma compreensão distorcida do que realmente é liberdade.

O mundo virtual alterou por completo a forma como as pessoas se relacionam e atualmente estamos a assistir a uma espécie de “solidão acompanhada”. Os pais estão pouco em casa, as famílias alargadas são cada vez mais uma raridade, as crianças já não brincam na rua e acabam fechadas em quatro paredes à espera que alguém chegue a casa e lhes dê alguma atenção. Sem tempo, cansadas e sem paciência as famílias acabam por incentivar os ipads, as playstations e as redes sociais porque assim também têm algum sossego. Na verdade não há tempo nem disponibilidade para estar em relação.

O que são as “Relações líquidas”?

Nesta conjuntura assistimos cada vez mais ao desenvolvimento de “relações líquidas”, nas quais a confiança, a intimidade, a presença e o olho no olho, escorrem por entre os dedos das mãos e não permitem que se solidifiquem as relações.

Comprometemos o vínculo na união entre as pessoas e sem vínculo desenvolvemos relações frias, distantes, mais robotizadas e bem menos sentidas. Estamos mais permeáveis à imagem e aos “likes”, numa superficialização das relações que não pode ser reconfortante para ninguém. Vivem na ilusão de estarem acompanhados, sempre no burburinho e corre corre das redes sociais, mas na verdade sentem-se muito sozinhos.

Nesta solidão social e familiar, facilmente percebemos a razão da tristeza, abatimento, falta de energia, falta de motivação e depressão que avassala a vida de muitas crianças e jovens.

Esta semana numa consulta de acompanhamento familiar uma jovem dizia exatamente isso à sua mãe: “Não percebes porque é que eu estou sempre no telemóvel? Eu sinto-me sozinha, muito sozinha! Não compreendes a minha agressividade?! Nós nem conseguimos jantar em família a horas decentes, mas consegues ter tempo para me chatear constantemente com a arrumação do quarto e com as notas dos testes. Imagina então que eu sou como uma mesa. Quanto mais forte lhe bates mais te dói a tua própria mão… Se lhe bateres devagar a tua mão não te vai doer!

A verdade é que as redes sociais, a internet e os jogos de computador têm sido os verdadeiros refúgios desta geração, que se sente acima de tudo sozinha… As redes sociais permitem-lhes manter algum contacto com o mundo e com as pessoas, ainda que virtual, mas distorcem a noção de relacionamento interpessoal e aumentam o medo e a ansiedade das relações próximas, intimas, verdadeiras…

Como dizia Fernando Pessoa no seu poema Solidão – “sinto-me livre mas triste, vou livre para onde vou, mas onde vou nada existe”!

Não, não vamos voltar atrás no tempo, mas por favor vamos cuidar das nossas relações!

 

 

 

XVI Hospital da Bonecada no Colombo de 24 a 30 de Abril

Abril 21, 2017 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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“Não percam o XVI Hospital da Bonecada no Colombo de 24 a 30 de Abril. Um projecto da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Médicas do qual o IAC é, orgulhosamente, parceiro.”

https://www.facebook.com/hospitaldabonecada

 

Depressão infantil: tanta tristeza para um filho tão pequeno

Abril 21, 2017 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Texto do http://www.noticiasmagazine.pt/

A depressão nas crianças e jovens é uma realidade bem diferente da oscilação diária de emoções que fazem parte do desenvolvimento infantil. Não é porque uma criança está triste que tem necessariamente de estar deprimida. Mas também não devemos desvalorizar estados emocionais negativos só porque são crianças e não têm, por isso, «razões» para estarem deprimidas. Como se tivessem de existir razões para estar deprimido…

A diferença entre uma depressão e os sentimentos de emoções negativas (normativos) está na duração e na intensidade dos sintomas. Os estudos indicam que crianças com progenitores com história de depressão têm maior predisposição para desenvolver a patologia.

A família não tem apenas o peso genético, tem também o peso psicoemocional. A presença de sentimentos de angústia excessiva, medos e negligência no ambiente familiar pode contribuir como fator de risco para a depressão infantil.

Mas há fatores psicológicos – nomeadamente situações traumáticas ou até fatores ambientais relacionados com condições de vida (pobreza, por exemplo) – que podem contribuir para o aparecimento da depressão.

O diagnóstico de depressão infantil é algumas vezes confundido com outras perturbações do desenvolvimento. Associadas a este diagnóstico surgem algumas comorbilidades (perturbação de hiperatividade e défice de atenção, perturbação de oposição e desafio, comportamentos de autoagressão, dificuldades de aprendizagem), o que o torna ainda mais difícil de ser corretamente formulado.

A boa notícia é que, quando diagnosticada atempadamente e devidamente intervencionada por uma equipa multidisciplinar (médico, psicólogo, família, professores), é possível uma boa recuperação, quer em termos emocionais quer em termos sociais, cognitivos e comportamentais.

Ainda que o tema da depressão nas crianças seja cada vez mais debatido, diferenciado e estudado, existe um longo caminho por desbravar. Culturalmente é difícil aceitar que uma criança possa estar deprimida, por isso este diagnóstico é muitas vezes protelado ou subestimado.

Ter um diagnóstico e o acompanhamento adequado foi essencial para a Maria poder regressar à escola e mudar a forma como se sentia. A mudança não aconteceu de um dia para o outro, mas foi profunda.

Estas são palavras da Maria (nome fictício), que esteve dois anos em recusa escolar:

«Entrei num mundo chamado depressão. Tudo começou aos 12 anos, era uma menina normal, feliz, rodeada de amigos… Tudo isso foi desaparecendo. Fechei-me em casa, não conseguia conviver com as pessoas como antes, não frequentava mais a escola pois a sensação de poder entrar e viver o mesmo que as outras crianças viviam era aterrador.»

«Sentia-me triste 24 horas em cada dia que passava, não gostava mais da minha família, não me importava mais com nada nem comigo mesma. Era eu e a depressão. Via todos aqueles que estavam comigo a afastar-se, não tinha mais planos para o dia de amanhã. Basicamente ficava à espera que me libertasse da tristeza quando ela quisesse ir embora.»

«Aprendi a valorizar-me, a ganhar esperança, lidar com todos os problemas que poderiam surgir na minha vida adiante. Consegui ultrapassar tudo e sei que sempre que precisar posso contar sempre com o apoio da minha psicóloga. Hoje posso dizer que sou outra Maria, encontrei um rumo, voltei à escola, já tenho amigas que gostam de mim por aquilo que sou e encontro-me feliz.»

*Parceria NM/CADIn (Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil). Júlia Vinhas é psicóloga, especialista em psicologia clínica e da saúde no CADIn.

SINTOMAS A QUE OS PAIS DEVERÃO ESTAR ATENTOS

 

  1. Adolescência
  • Manifestações mais próximas do adulto (humor deprimido, perda de energia, desinteresse, sentimentos de desesperança e/ou culpa, alterações do sono isolamento, baixa autoestima, ideias suicidas)
  • Comportamentos de risco
  •  Agressividade consigo e com os outros
  •  Não ter um projeto de vida
  • Pouco interesse pela escola
  1. Dos 6 aos 12 anos
  • Ter um aspeto triste, chorar facilmente
  • Queixar-se de falta de energia – dores de barriga e cabeça, perda de força nos membros
  • Perder o interesse por atividades de que antes gostava (desportos, jogos)
  •  Demonstrar sentimentos de incompetência, negativos, de desvalorização, falta de confiança e baixa   autoestima («não sei», «não sou capaz», «não consigo», «ninguém gosta de mim»)
  • Medos frequentes e injustificados
  1. Até aos 6 anos
  • Perder o interesse por atividades lúdicas
  •  Ficar ansioso com a separação dos pais
  •  Não brincar com outras crianças ou evitar o contacto
  •  Fazer chichi na cama (quando já era autónomo)
  •  Ter frequentes acessos de raiva/choro ou comportamentos de oposição
  •   Mudar os padrões habituais de sono ou apetite
  •  Queixar-se de dores sem haver uma razão

 

A Vida Secreta de uma Abelha – 22 de abril na Ludobiblioteca EB de S.Pedro do Estoril

Abril 20, 2017 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Tel: 938 796 999

Email: ludobiblioteca.saopedro@gmail.com

Ludobiblioteca EB de S.Pedro do Estoril

das 14h30 às 17h30 – Entrada Livre

Rua Bento Carqueja,

São Pedro do Estoril

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