Tsunami tirou-lhes os pais. Agora constroem escolas para crianças órfãs

Junho 13, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do noticiasaominuto de 25 de maio de 2019.

‘Orphans to Orphans’ é o nome do projeto criado por dois irmãos britânicos que perderam os pais no Sri Lanka em 2004.

Paul e Rob Forkan, de nacionalidade britânica, perderam os pais nesse fatídico dia em que viram uma “grande muralha de água” a atingir o resort onde estavam de férias com a família.

Kevin e Sandra Forkan, os pais, foram identificados três meses depois entre os cerca de 230 mil mortos à passagem do tsunami por vários países do Índico. Paul, Rob e mais dois irmãos conseguiram sobreviver com ferimentos ligeiros.

Volvidos 15 anos, a “dor” é ainda uma constante diária, disseram à BBC, mas não quiseram deixar que isso o parasse. Os dois idealizaram um projeto para transformar a realidade das crianças orfãs através da educação, investindo na construção de escolas.

A inciativa ‘Orphans to Orphans’ (de órfãos para órfãos, em português) é uma espécie de homenagem aos pais. O objetivo, revelam, é “abrir o máximo de escolas possível”.

Até agora, já construíram uma escola no Sri Lanka e outra no Malawi, prevendo-se a abertura de mais duas ainda este ano, uma no Nepal e outra no Brasil. Seguir-se-ão a Índia, país onde a família iniciou a viagem que acabaria de forma trágica quatro anos depois.

Férias Literárias “Super Heróis” 1 a 26 de julho na Casa Museu João Soares (Leiria)

Junho 13, 2019 às 8:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

Maioria das crianças com cancro não morre. Taxa de sobrevivência pode chegar aos 90%

Junho 13, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 29 de maio de 2019.

Primeiros dados nacionais do registo oncológico pediátrico indica que surgiram cerca de 700 casos de cancro em crianças entre 2014 e 2016.

As taxas de sobrevivência a três anos estão acima dos 90% em alguns dos tipos de cancro mais frequentes nas crianças, conta o jornal Público esta quinta-feira. É o caso das leucemias linfoblásticas agudas, que representam 75% dos casos de leucemia.

As leucemias, os tumores do sistema nervoso central e os linfomas são os principais cancros até aos 14 anos. E os resultados do primeiro Registo Oncológico Pediátrico Português — que estão em linha com os dados europeus — revelam que, em todos eles, mais de metade das crianças sobrevive.

Os coordenadores do estudo, iniciado em 2014, contam ao jornal Público que as leucemias linfoblásticas agudas têm uma taxa de sobrevivência aos três anos de 91% e as mielobásticas agudas 69%; no caso dos tumores do sistema nervoso central, a taxa de sobrevivência atinge os 75%; nos linfomas de Hodgkin, chega aos 97% e nos linfomas de não Hodgkin fica nos 95%.

O cancro pediátrico é uma doença rara. Nos três anos analisados, entre 2014 e 2016, o Registo Oncológico Pediátrico Português registou em Portugal 762 novos casos em crianças até aos 14 anos.

De acordo com o jornal, as estimativas apontam para que um em cada 600 adultos seja sobrevivente de um cancro pediátrico.

 

 

 

Uma em cada 10 crianças no mundo trabalha

Junho 12, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 12 de junho de 2109.

Por Catarina Maldonado Vasconcelos

Uma em cada 10 crianças trabalha, mas, em Portugal, os casos que surgem são cada vez mais raros.

Em todo o mundo, há 152 milhões de crianças obrigadas a trabalhar. As estatísticas dizem que uma em cada 10 crianças trabalha, mas, em Portugal, os casos que surgem são cada vez mais raros, segundo a diretora da Unicef portuguesa.

“Não temos números consistentes, e sabemos que, a existir algum caso, pensamos que seja esporádico. São acontecimentos isolados, aqueles de que tivemos conhecimento”, revela a representante da organização que luta contra a realidade de mais de 150 milhões de infâncias roubadas.

Beatriz Imperatori, diretora executiva da Unicef, explica à TSF que a falta de conhecimento não é sinónimo de ausência de casos, uma vez que a pobreza e o trabalho infantil andam de mãos dadas.

“Gostaríamos de ter tudo o que são dados sobre as crianças em Portugal, uma fotografia mais exata daquilo que é a infância e do que é ser criança em Portugal para, então, saber quais são as fragilidades do sistema, onde é que elas estão, e como podemos melhorar”, apela a representante da organização, numa mensagem dirigida ao Governo.

O retrato é, no entanto, mais negro à escala mundial, principalmente em África e na América Latina, onde milhares de crianças nem sabem o que é brincar.

“O trabalho infantil pode ir desde a ajuda em casa até aos trabalhos agrícolas, o trabalho na indústria e até mesmo o trabalho escravo. Também não nos podemos esquecer das crianças-soldado, da exploração sexual e do tráfico de droga”, elenca Beatriz Imperatori.

O trabalho infantil vai dos cinco aos 17 anos, e é a indústria têxtil que mais recorre a crianças como mão-de-obra. Por isso, a Unicef lança um pedido, para que os consumidores sejam mais conscientes nas suas escolhas: “Os consumidores, com a força que têm – e todos nós, nas nossas opções diárias, podemos fazer as empresas e as marcas pensar -, devem perguntar-se de onde vêm e quem faz os produtos que lhes vêm parar às mãos.”

mais informações nos links:

https://www.ilo.org/lisbon/sala-de-imprensa/WCMS_709000/lang–pt/index.htm

https://www.ilo.org/ipec/Campaignandadvocacy/wdacl/2019/lang–en/index.htm

Participação de Matilde Sirgado do IAC no programa “Bem-Vindos” RTP África, hoje pelas 16.58 h

Junho 12, 2019 às 4:25 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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A Dra. Matilde Sirgado, Coordenadora do setor IAC- Projecto Rua, Tesoureira e Membro da Direção do Instituto de Apoio à Criança irá participar no programa “Bem-Vindos” RTP África, hoje pelas 16.58 h. No programa irá abordar o tema “Dia Mundial contra o Trabalho Infantil”.

Concerto a favor do IAC – 22 de junho no Teatro Nacional de São Carlos

Junho 12, 2019 às 2:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Fundada em 2012, a Escola de Música do Colégio Moderno organiza todos os anos, no quadro das suas atividades culturais, um concerto público no Teatro Nacional de São Carlos, cujos proventos têm revertido a favor de uma instituição sem fins lucrativos.

Este ano em que se comemoram os 36 anos da existência do IAC, entendeu a Direção do Colégio Moderno atribuir a este Instituto a verba obtida com a realização do concerto que terá lugar no Teatro Nacional de São Carlos, como habitualmente, no próximo dia 22 de junho, sábado, pelas 21 horas.

Convidamos todos os nossos associados, amigos e parceiros a estarem presentes, apoiando o IAC e usufruindo, simultaneamente, de um belo espetáculo musical.

Os bilhetes podem ser adquiridos na secretaria do Colégio Moderno e o seu custo é de 10 solidários.

Mais informações: tel. 217991840 ou email “secretaria@colegiomoderno.pt

Brincar ao ar livre: “Há uma excessiva protecção das crianças que, no fundo, as limita”

Junho 12, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Campanhas em Defesa dos Direitos da Criabnça, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 28 de maio de 2019.

De acordo com o relatório Playtime Matters, publicado pela organização Semble, 61% dos professores à escala mundial considera que brincar ao ar livre está relacionado com o bem-estar das crianças.

Teresa David

Subir e descer árvores, jogar à apanhada ou construir abrigos – há inúmeras brincadeiras que se podem fazer ao livre, mas poucas crianças o fazem. De acordo com o relatório Playtime Matterspublicado pela Semble, a uma escala global, 40% dos professores do 1.º ciclo do ensino básico afirmam que as crianças nas suas turmas têm menos de 30 minutos de recreio ao ar livre num dia normal de escola e 61% dos inquiridos considera que brincar ao ar livre tem uma relação directa com o bem-estar das crianças.

“O défice de atenção e a hiperactividade são doenças que estão a ser muito faladas e debatidas e há um número elevado de crianças que estão na escola e que estão sob o efeito de medicamentos”, diz Mónica Franco, uma das fundadoras do Movimento Bloom, uma associação ambiental sem fins lucrativos, que tem como objectivo ligar as crianças e as famílias à natureza. Segundo a mesma, “o ar livre tem essa capacidade de trabalhar com as crianças sem que elas estejam sob o efeito de nada”.

Há um ano, o Movimento Bloom criou a Escola da Floresta Bloom – um projecto que disponibiliza actividades para escolas e famílias e que pretende (re)ligar as crianças à natureza. De acordo com Mónica Franco, os professores que levam os seus alunos à Escola da Floresta, em Sintra, “ficam estupefactos com as diferenças que tem o facto de lhes ser dada a oportunidade de estar determinado tempo ao ar livre”, diz. “São crianças que depois têm um comportamento melhor e que melhora na sala de aula”, garante.

Estar na natureza e brincar de forma não estruturada, isto é, quando se permite que a criança descubra os objectos e o mundo à sua volta de forma livre, “é uma oportunidade de testarem os seus limites, de resolverem os seus problemas, os seus conflitos, de ultrapassarem as suas limitações e, portanto, contribui para aquilo que são chamadas as soft skills”, explica Mónica Franco. Esta forma de brincar pode também ajudar as crianças “na aprendizagem e a consolidar conhecimentos” já que tem benefícios para a “concentração, fomenta a sua criatividade, imaginação, para além de ser mais divertido”, conclui a representante da associação.

De acordo com o mesmo relatório, 80% dos professores questionados consideram que as crianças da sua escola deviam ter mais tempo para brincar ao ar livre. Apesar de as escolas permitirem os intervalos, “nem em todas as escolas esse intervalo é livre”, afirma a responsável. “As crianças, muitas vezes, não podem usufruir do recreio porque há falta de pessoal e não podem ir até determinadas zonas da escola, não podem subir às arvores. Há uma excessiva protecção das crianças que, no fundo, as limita” esclarece.

Não só os professores estão a impor mais restrições às crianças, mas também os pais. “Hoje em dia há um pavor: não se vê crianças a brincar na rua e mais, não se vê crianças a ser autónomas e a ir de bicicleta ou ir a pé para a escola ou apanhar um autocarro”, constata Mónica Franco que associa este factor à consequente perda de capacidades motoras.

Na opinião de Mónica Franco, os smartphones e outros gadgets electrónicos “limitam muito a criatividade” e retiram tempo à brincadeira, mas é também a intensidade com a que as crianças vivem nos dias de hoje que faz com que sobre pouco tempo para a brincadeira – “Os miúdos saem da escola, têm explicações, têm ATL, têm actividades depois da escola e acabam por chegar a casa com a vida tão estruturada que não há tempo para brincar”, disse.

A Associação Movimento Bloom, com o apoio da Associação Nacional de Professores, organiza em Portugal a campanha internacional “Dia de Aulas ao Ar Livre”, que considera que o tempo dedicado no exterior dentro do horário escolar é das iniciativas mais importantes para combater a crescente crise de problemas relacionados com a saúde mental das crianças e dos jovens. A campanha “tem como objectivo que as crianças tenham pelo menos 60 minutos diários de brincadeira não estruturada ao ar livre. Há muitas que não têm”, remata.

 

 

Dia 12 de junho: Diga não ao trabalho infantil!

Junho 12, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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https://www.ilo.org/lisbon/sala-de-imprensa/WCMS_709000/lang–pt/index.htm

https://www.ilo.org/ipec/Campaignandadvocacy/wdacl/2019/lang–en/index.htm

Investigadores criam teste psicológico para avaliar transtorno do videojogo

Junho 11, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Unsplash

Notícia e imagem do Público de 28 de maio de 2019.

Teste foi testado numa amostra de 550 estudantes do Reino Unido e da China e teve resultados “muito satisfatórios”.

Investigadores desenvolveram o primeiro teste psicológico mundial para avaliar o transtorno do videojogo e a severidade dos seus sintomas, através de critérios clínicos estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O teste é um instrumento psicométrico que foi testado numa amostra de 550 estudantes do Reino Unido e da China e que apresentou resultados “muito satisfatórios”, disse à agência Lusa o investigador e psicólogo português Halley Pontes, da Universidade da Tasmânia (Austrália).

“O que se verificou é que através de um conjunto simples de quatro perguntas podemos proceder a um diagnóstico e avaliar a severidade dos sintomas” dos jogadores, adiantou Halley Pontes, que liderou a equipa de investigadores que criou esta ferramenta e desenvolveu o estudo com a amostra de estudantes, a publicar no International Journal of Mental Health and Addictions.

Halley Pontes explicou que o “trabalho resulta do consenso a que Organização Mundial da Saúde chegou no passado fim-de-semana sobre o estatuto oficial do transtorno do videojogo” como uma perturbação psiquiátrica relacionada com “o uso excessivo e patológico dos videojogos”. De acordo com a definição da OMS, este padrão de comportamento deve ter sido evidente por um período mínimo de 12 meses e ter resultado num comprometimento significativo na vida familiar, do trabalho e da educação.

Questionários online a decorrer

Para a realização do estudo, foram criadas duas plataformas online, uma na Alemanha e outra no Reino Unido que permitem às pessoas que joguem activamente no computador, telemóvel ou consola responder a algumas questões e de imediato receber uma resposta sobre “o modo como se envolvem com os videojogos”, se é um envolvimento patológico ou normal.

O questionário online é baseado em critérios da OMS e regista as actividades de jogo dos últimos 12 meses numa escala de um (nunca joga) a cinco (muito frequentemente). As conclusões principais do estudo indicam que “o novo enquadramento clínico da OMS que define o transtorno dos videojogos é robusto e pode ser verificado em termos empíricos com os dados recolhidos”, sublinhou Halley Pontes.

Os dados revelam que, em média, os alunos inquiridos jogam 12 horas por semana, gastando quase metade deste tempo (46%) aos fins-de-semana sozinhos na frente de um computador ou com outros dispositivos móveis. Houve ainda 36 participantes (6,4%) que relataram grandes problemas no dia-a-dia devido ao seu comportamento. Halley Pontes explicou que o transtorno de videojogos é “uma incapacidade” de os jogadores controlarem o seu comportamento obsessivo, que é reflectido também no “aumento exponencial da prioridade que a pessoa dá ao jogo ao ponto de abafar outros interesses e actividades diárias” e continuar a jogar mesmo sabendo que “existem áreas da sua vida que estão a ser afectadas negativamente”.

O próximo passo dos investigadores das universidades da Tasmânia, de Birkbeck (Londres), de Pequim e de Ulm (Alemanha) é a realização do “maior estudo” sobre o transtorno do jogo, tendo para isso criado uma parceria com a empresa de eSports ESL, com laços estreitos com a comunidade de jogos, “um público potencialmente em risco”.

O novo estudo visa compreender de que forma o jogo está a tornar-se um problema de saúde e quais factores que contribuem para isso, incluindo variáveis sociodemográficas, de personalidade e motivações. Para Halley Pontes, a decisão da OMS vai “ajudar estas pessoas que sofrem a encontrarem validação para o seu sofrimento psicológico e, potencialmente, servirá também para desenvolver políticas que as ajudem a obter tratamento no sistema nacional de saúde”.

 

 

Nenhum jovem nasce delinquente

Junho 11, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de João André Costa publicado no Público de 27 de maio de 2019.

Estes jovens não têm nenhum adulto com quem falar, nenhum guia. Nem têm nenhuma razão para ter quando foram os adultos a abandoná-los em primeiro lugar. Assim criados, estamos a falar de jovens sem qualquer confiança no mundo dos adultos.

Nenhum jovem nasce delinquente. Não, os jovens fazem-se delinquentes, e cada vez em maior número, à taxa de três pontos percentuais por ano ao longo dos últimos cinco anos.

O alerta veio da presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens, Rosário Farmhouse, aos jornalistas presentes no encontro nacional das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens.

Sem futuro, sem interesse, motivação ou esperança, são cada vez mais os jovens entre os 15 e os 17 anos envolvidos em comportamentos delinquentes, desde o consumo de drogas e álcool à indisciplina escolar e à actividade criminosa. Fruto de famílias desestruturadas, vítimas da violência doméstica, da negligência, de abusos físicos, emocionais, sexuais, testemunhas do consumo de estupefacientes no seio familiar, filhos do desemprego de um ou dos dois pais, eles próprios sem futuro, interesse ou esperança, imigrantes de segunda e terceira geração sem quaisquer raízes culturais, encontramos cada vez mais crianças e jovens sem ninguém com quem falar, sem um pai, sem uma mãe, com irmãos e irmãs igualmente afectados, também eles sem modelos familiares ou alguém com quem falar.

E este é o cerne da questão. Estes jovens não têm nenhum adulto com quem falar, nenhum guia. Nem têm nenhuma razão para ter quando foram os adultos a abandoná-los em primeiro lugar. Assim criados, estamos a falar de jovens sem qualquer confiança no mundo dos adultos.

Feridos, rejeitados, procuram a rejeição quando um adulto se aproxima pois essa é a realidade com que sempre viveram. Sozinhos, procuram outros jovens com quem se identificam, muitas vezes pelas piores razões, entrando numa espiral de onde é difícil regressar.

Trabalhando com estes alunos todos os dias, a maior dádiva é a nossa presença, a nossa persistência, dedicação, teimosia, o nosso carinho e amor. E sim, há pontapés, e sim, também há murros, contra as paredes e portas, contra outras crianças, entre outras crianças, contra os professores e pessoal auxiliar entre insultos e mais pontapés.

E sim, temos apoios, desde psicólogos a assistentes sociais, passando pela polícia e psiquiatras, sem esquecer os nossos colegas e, de vez em quando, os pais. Juntos, aturamos tudo. Juntos, encaixamos tudo. Juntos, fazemos a diferença. Porquê? Porque não nos vamos embora.

Somos um hospital, somos uma enfermaria, somos a casa que nunca tiveram, somos pais e somos mães, somos mais, somos professores. Ensinamos e educamos, fazemos as vezes das famílias que nunca tiveram, trabalhando em pequenas turmas com cinco ou seis alunos, num total de 40 alunos na escola inteira.

Tudo isto leva tempo. Leva tempo poder voltar a confiar, poder voltar a falar, a chorar, a rir, a abraçar, a agradecer, a confiar. Não é fácil. Tal como não é fácil explicar a outros adultos o quanto vai nas almas destas crianças, destes meninos perdidos acabadinhos de sair da “Terra do Nunca”.

Este modelo, existente em Inglaterra há vários anos, procura responder aos mesmos problemas com que Portugal agora se depara. Este modelo exige a presença dos melhores professores e profissionais para poder ajudar as crianças mais necessitadas da nossa sociedade. Porquê? Não seria mais fácil abandoná-los? Não seria mais fácil deixar a polícia e os tribunais fazerem o seu trabalho? Seria. Seria também uma sociedade mais fria onde não mora um abraço ou uma palavra amiga, onde cada um por si e todos por nenhum seria o lema vigente, e eu não quero viver assim.

Por isso continuo a lutar e a trabalhar, todos os dias, hoje em Inglaterra, amanhã em Portugal, à procura de mudar mentalidades e comportamentos, não das crianças, para as crianças ainda há esperança, mas dos adultos, para que os adultos voltem a acreditar como um dia, há muitos anos, também eles foram crianças. Eu também não acreditei quando me disseram.

 

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