Grooming: a nova técnica dos abusadores para atrair miúdos

Fevereiro 14, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo LifeStyle de 8 de janeiro de 2019.

É um fenómeno que preocupa todos os pais. Saiba o que fazer para prevenir que o seu filho seja alvo de um predador através das redes sociais.

A Internet e as redes sociais facilitam a aproximação de predadores sexuais. Se antes montavam estratégias para se aproximar fisicamente e conquistar a confiança dos miúdos, hoje basta criarem um perfil falso e esperarem que as vítimas mordam o isco.

A esse processo de sedução e aliciamento chama-se hoje grooming e mereceu um extenso artigo no jornal espanhol La Vanguardia. Nele, é referido que a maioria desses casos ocorrem quando os miúdos têm entre os 12 e os 15 anos de idade. O grooming é uma forma de assédio a menores praticada por adultos, particularmente profícua na Internet e manifestada em redes e fóruns sociais.

A terapeuta clínica Patricia Santisteban explicou ao jornal La Razon que esses canais funcionam como “um trampolim para os pedófilos ganharem a confiança das vítimas e conseguirem depois obter algum benefício sexual.

Durante esse processo, o agressor passa a conhecer os pontos fracos da criança e utiliza-os para obter o que pretende. Pode conhecer a rotina dos pais, as horas em que o menor está sozinho em casa e até descobrir algum tipo de conflito familiar – ou problema na escola – que não hesitará em explorar a seu favor, fingindo apoiar a criança”, diz a terapeuta.

“A incidência de grooming é semelhante à que antes se verificava fora das redes”, afirma Santisteban, prosseguindo: “Mais do que aumentar, a atividade dos pedófilos mudou.” O que muda fundamentalmente é que decorre em espaços que os pais não conseguem controlar, já que lhes é impossível monitorizar as atividades on-line dos filhos a tempo inteiro ou proibir o uso de redes sociais e telefones. Essas medidas, aliás, e como sublinha a terapeuta clínica, podem ser contraproducentes. “A partir de certa idade, se os pais impedirem os filhos de ter as suas páginas nas redes sociais, eles vão acabar por mantê-las, mas de forma secreta, o que complica tudo”.

Santisteban diz que é preciso estar atento a possíveis comportamentos depressivos dos jovens, reforçando que esse tipo de problema torna-os mais vulneráveis ao assédio.

E há alguma coisa que os pais possam fazer para evitar que os miúdos caiam nessas terríveis armadilhas? O melhor mesmo, diz a especialista, é conversar. Mas deixa algumas estratégias que podem servir aos pais.

Tente ajudar os adolescentes a refletir com quem devem ou não estar em contacto. Lembre-lhes que é melhor não falarem com estranhos ou pessoas com as quais não se dão no mundo real.

Deve alertá-los para as consequências da partilha de fotografias ou vídeos, explicando que mesmo entre namorados é melhor manter alguma privacidade. Recorde-lhes que esses conteúdos, uma vez partilhados, entram no domínio público, ficando eles sem qualquer hipótese de os controlar (podem ser vendidos, manipulados, etc).

Não proíba os adolescentes de usarem redes sociais e smartphones, pois isso pode acicatá-los e levá-los a fazer pior – só que em segredo.

Explique-lhes que, protegidas atrás de um ecrã, as pessoas nem sempre são honestas: podem mentir sobre o nome, o sexo, a profissão, a idade, bem como sobre interesses e hobbies (algo muito comum nos agressores para agradarem e atraírem os adolescentes).

Fale sobre educação sexual. Se eles estão curiosos, vão procurar respostas seja aonde for. É melhor tratar o tema com calma e segurança, por mais desconfortáveis ​​que seja.

 

Leitura: hábito praticado pelos pais reduz problemas de comportamento nas crianças, diz pesquisa

Fevereiro 13, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Revista Crescer de 6 de julho de 2016.

Estudo feito em Roraima, comandado pela Universidade de Nova York, mostra o impacto positivo da leitura quando é praticada pelos próprios pais, em casa

Uma pesquisa divulgada hoje (6) pela manhã, em Brasília, durante o IV Seminário Internacional do Marco da Primeira Infância, mostrou que quando os próprios pais leem para seus filhos, em casa, com regularidade, a família tem diversos benefícios. Realizado com a população de Boa Vista, em Roraima, o estudo apontou, por exemplo, um aumento de 25% de crianças sem problemas de comportamento e 50% de aumento da leitura interativa, em que os pais leem conversando e estimulando os filhos. A pesquisa foi conduzida por Alan Mendelsohn, professor associado de Pediatria e Saúde Populacional da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York e Adriana Weisleder, cientista pesquisadora da mesma instituição, em colaboração com o IDados e o Instituto Alfa e Beto. “Quando o pai ou a mãe lê para a criança faz toda a diferença, não é a mesma coisa de quando a professora lê, por exemplo. Não é um momento de simples história, é algo muito maior, é a formação do vínculo”, destacou Osmar Terra, ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, durante o evento desta manhã.

A pesquisa
O trabalho “Prevenindo Disparidades na Prontidão Escolar de Famílias de Baixa Renda em Boa Vista” foi feito com 1.250 famílias (com crianças de 1 a 4 anos) de baixa renda do município, frequentadoras das creches das Casas-Mãe (parte do programa Família que Acolhe, da prefeitura). Elas foram  divididas em grupos experimentais, sendo um deles com atendimento normal da creche, que inclui leitura interativa diária pelos educadores, e outro no qual além desse trabalho, os pais receberam treinamento e capacitação para que tivessem habilidades para ler e interagir com os filhos em casa. Durante as sessões, eles recebiam orientações, trocavam experiências e faziam relatórios diários. Segundo João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, a receptividade dos pais a esse aprendizado foi muito boa. “Eles passaram a trocar mensagens e fotos pelo celular mostrando cenas dessas leituras em casa com as crianças e as reações delas. Os pais aprenderam instrumentos para fazer algo que sempre quiseram, mas não sabiam como”, diz. Ele também conta que durante o processo havia o “livro viajante”, um caderno que era levado a cada dia por uma criança, para que, em casa, registrasse com desenhos, fotos e comentários dos pais como havia sido a leitura do livro naquele dia. “Os pais foram se acostumando e adquirindo orgulho de trocar suas experiências com outros – e as crianças cobravam isso deles”, lembra João Batista.

Os resultados desse trabalho são melhorias não só no desenvolvimento das crianças (como aumento de 14% no vocabulário), mas também nas relações familiares, como menor índice de punições físicas e maior estimulação cognitiva em casa. O hábito da leitura passou a fazer parte da rotina dessas famílias: houve aumento de 50% naquelas que passaram a ler com os filhos três vezes por semana ou mais e ainda redução de 50% do número de famílias que não liam para as crianças.

Até mesmo os casos de pais que não sabiam ler não representaram um obstáculo para os bons resultados. Isso porque, durante as oficinas de treinamento, foram ensinadas duas técnicas: uma para usar os livros de imagens e outra para basear a interação nas ilustrações. Os livros utilizados no trabalho foram selecionados pela equipe do Instituto Alfa e Beto, seguindo diversos critérios, como diversidade de temas, gêneros, tipos de texto e idade recomendada.

mais informações no link:

http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cssf/arquivos-de-eventos/seminario-06-07-2016/sem-06-07-2016-ml-1a-inf-alan-mendelsohn

 

6 dicas para ensinar as crianças a serem organizadas

Fevereiro 13, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Texto e imagem do site Up to Kids

Não precisa gastar muito dinheiro. Use a imaginação. Ferramentas simples são suficientes para garantir uma boa organização. Algumas funcionam tão bem como as mais sofisticadas e dispendiosas.
Arrumar o próprio quarto, por exemplo, e ter algumas tarefas regulares, são a melhor forma de introduzir a organização na vida de uma criança – um grande desafio para todos os educadores.
Se os pais não forem organizados, dificilmente serão os filhos.

Exemplo é a chave do sucesso: os pais são um espelho para os filhos.

Preste atenção e pondere seguir as seguintes dicas:

1.Um calendário familiar

Se for grande tanto melhor. Fixe-o na parede lá de casa, num local de fácil acesso. Organize o calendário de acordo com o agregado familiar, os compromissos pessoais, profissionais e escolares. As atividades a desenvolver em conjunto e em particular: a hora das refeições, da higiene, das tarefas de casa, de brincar, etc.

Convém estabelecer rotinas diárias.

Se o fizer tornar-se-á mais fácil ensinar a criança a ser organizada em casa e na escola, aumentando, assim, as probabilidades de enfrentar com sucesso o mundo quando for adulta. Uma criança organizada tenderá a ter uma carreira profissional mais bem sucedida, através do cumprimento de metas e objetivos a atingir desde os primeiros anos de vida.

O processo será mais fácil se usar um marcador de cor diferente para cada membro da família. Viver num ambiente organizado é fundamental para o bom desenvolvimento do raciocínio lógico da criança. Delegue competências, seguindo o princípio, segundo o qual, em casa todos ajudam.
Atenção, não a force a executar tarefas para as quais ainda não está preparada – o não cumprimento com sucesso de algumas responsabilidades pode provocar o sentimento de frustração e insegurança. O excesso de ordem pode, também, potenciar a procura obsessiva da perfeição e originar problemas a médio/longo prazo.

2.Lista de verificação visual

Dê-lhe as ferramentas certas para a organização. Em vez de palavras, por que não fotografias? Normalmente, as crianças são mais seduzidas por aquilo que veem em vez de aquilo que leem. E costuma ser menos stressante. As rotinas podem ser olhadas de forma divertida.

Use, por exemplo, fotos para ilustrar a lista de tarefas a executar. Seja criativo. Organize a rotina matinal por fotografias: fotos a sair da cama; escovar os dentes; vestir-se; pentear o cabelo e tomar o pequeno-almoço.

A lista de verificação visual é particularmente importante para as crianças mais pequenas que ainda não sabem ler e para as que apresentam problemas de aprendizagem e atenção. Verá que pouco tempo depois cumprirão todas as tarefas de forma intuitiva.

À medida que a criança vai crescendo comece a dar-lhe liberdade para cumprir as tarefas de forma independente, aumentando, assim, lentamente os níveis de responsabilidade.

Aos 8 anos a criança já deverá ser capaz de fazer tudo sozinha, ainda que nem sempre da forma mais eficaz. Organização e disciplina são conceitos essenciais para qualquer pessoa. Sempre que realizar uma tarefa sozinha não deixe de elogiar e, em alguns casos específicos, ofereça uma recompensa. O reforço positivo vai potenciar o aumento da confiança e da autoestima da criança.

3.Um relógio analógico

Ensine a importância do tempo. Um relógio pode ajudar as crianças a se situarem mais facilmente no tempo e no espaço. Permite, também observar como o tempo pode ser dividido em partes. Quantos minutos passaram e quantos restam. Considere a compra de quatro cores de papel celofane.
Divida o mostrador do relógio em blocos de 15 minutos e coloque celofane de cor diferente em cada uma dessas partes.
Esta estratégia permitirá à criança acompanhar com maior facilidade a passagem do tempo até que aprenda a ver as horas com normalidade, algo fundamental para saber como se organizar.

4.Um organizador de material

Um canto de estudo organizado é fundamental para que não sucedam as habituais distrações. Em vez de deixar o material escolar espalhado pela casa, guarde-o num local próprio, por exemplo, dentro de uma caixa facilmente transportável. Ensine a criança a organizar o material (lápis, marcadores, tesoura e cola) de uma forma funcional. Há caixas de brinquedos com alças que podem servir para armazenar e transportar todo o material escolar.

5.Dossiers/pastas coloridas

Pastas organizadas por cores costumam facilitar a vida dos alunos. Por exemplo, use uma determinada cor para colocar os papéis que precisam viajar com regularidade de casa para a escola e vice-versa, por exemplo, os trabalhos de casa. Escolha outra cor para os papéis que podem voltar para casa e não precisam de ser devolvidos.
E ainda outra cor para os trabalhos que precisam de ser acompanhados pelos pais e logo depois devolvidos à escola.

6.Caixas como portfólio

Caixas variadas são uma ótima solução para economia de espaço, num quarto de uma criança. Empilham-se facilmente uma em cima de outra e podem ser decoradas e rotuladas conforme o gosto de cada criança. Use-as, por exemplo, para guardar desenhos e outros materiais de forma cómoda e eficaz. Experimente utilizar, também, caixas transparentes com tampa, para que, de uma maneira simples e rápida, a criança consiga aceder aos brinquedos favoritos.

 

Fugir a um destino quase certo

Fevereiro 13, 2019 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Euronews de 17 de janeiro de 2019.

Numa pequena cooperativa têxtil, situada nas montanhas do norte do Vietname, trabalham mais de 130 mulheres, de várias idades. Mulheres que, de alguma forma, foram vítimas de traficantes de seres humanos, ou são mães solteiras e foram marginalizadas pelas suas comunidades. Umas escaparam a casamentos forçados na vizinha China. Outras fugiram à prostituição, entre as mais jovens há quem tenha perdido a mãe para essas uniões forçadas.

Thao Thi Van tinha dois anos quando a sua mãe foi um dia ao mercado e não voltou. Pensa-se que foi levada por traficantes. Hoje, com 13 anos, continua a querer saber quem a vendeu.

Aqui tentam reescrever-se histórias com final feliz. Para Mua Thi Dinh trabalhar nesta pequena fábrica evita que ande “nas colinas, ao sol e à chuva”, diz que se sente melhor aqui.

As histórias de sofrimento destas mulheres desencadearam o processo que levou à criação desta estrutura, chamemos-lhe, familiar. Vang Thi Mai abriu-lhes as suas portas, deu-lhes emprego, uma profissão, um salário para si e para as suas famílias. Acrescenta que a sociedade pode não gostar delas, mas que neste local “sentem-se confiantes”.

Além da dimensão social desta fábrica, a sua criadora tem também o objetivo de preservar a riqueza da cultura Hmong, passada das mais velhas às mais jovens, numa altura em que os têxteis chineses, em poliéster, invadem os mercados da região.

 

Portugal tem muitos alunos no secundário mas poucos chegam ao superior

Fevereiro 12, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 7 de janeiro de 2019.

Há mais estudantes no 12º ano do que nos parceiros da OCDE, mas os que ingressam numa universidade ficam aquém da média internacional. Modelo dos cursos profissionais e pouca diversidade de ofertas no superior ajudam a explicar o fenómeno.

Poucos países no mundo têm uma diferença tão acentuada quanto Portugal entre o número de estudantes inscritos no ensino secundário e aqueles que acabam por ingressar num curso superior. Mais de metade dos jovens de 20 anos não está a estudar e, para os atrair, o país terá que fazer mudanças nos cursos profissionais, mas também nas formas de acesso e nas ofertas do superior, defende Cláudia Sarrico, especialista da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que fará a conferência de abertura da Convenção Nacional do Ensino Superior, esta segunda-feira, em Lisboa.

Os dados do último Education at a Glance, o relatório anual sobre educação da OCDE, publicado em Setembro, mostram que, na população entre os 15 e os 19 anos, que é aquela que tipicamente está em idade de frequentar o ensino secundário, Portugal tem uma percentagem de alunos inscritos em instituições de ensino superior à média internacional – 89% contra 85% na OCDE.

No intervalo seguinte, dos 20 aos 24 anos, idade em que a maioria dos alunos que segue para o ensino superior está a frequentar uma licenciatura, a situação inverte-se. A percentagem de população inscrita numa instituição de ensino, em Portugal, é de 37%, ao passo que, na OCDE é de 42%. Se o paralelo for traçado em relação aos restantes parceiros da União Europeia, o país perde ainda mais na comparação: a média europeia é de 43%.

Um outro dado do Education at a Glance 2018 permite perceber a evolução deste fenómeno. Se, aos 16 e aos 17 anos, Portugal tem 98% da população inscrita em instituições de ensino – contra 95% e 92%, respectivamente para cada uma dessas idades, na OCDE –, a partir dos 18 anos o indicador cai de forma abrupta: 82% de inscritos aos 18 anos, 65% aos 19 e apenas 54% aos 20 anos.

Quando o país apostou em alargar a população inscrita no ensino secundário, “fê-lo sobretudo por via dos cursos profissionais”, que hoje representam cerca de metade dos inscritos do 10.º ao 12.º anos, contextualiza Cláudia Sarrico, analista de políticas de ensino superior da OCDE, que vai comentar estes dados na Convenção do Ensino Superior. “Só que os cursos profissionais foram concebidos a pensar na transição para o mercado de trabalho, e não no prosseguimento de estudos”, afirma.

Muitos dos alunos que vão para o ensino profissional estarão, por isso, previamente menos disponíveis para prosseguir estudos, “porque queriam um tipo de ensino diferente de modo a ingressar no mercado de trabalho”, admite Sarrico. Além disso, mesmo que a dada altura possam pensar em continuar a estudar no superior, terão dificuldades.

Desde logo porque o concurso nacional de acesso se baseia em larga medida nos exames do ensino secundário e, nos cursos profissionais, os alunos não têm algumas das disciplinas em que há provas nacionais ou, quando as têm, os currículos são diferentes. Para responder a esta dificuldade, o Governo comprometeu-se, em 2017, a fazer mudanças na forma de acesso ao ensino superior para os alunos do ensino profissional, que até agora não foram concretizadas.

Além disso, a especialista da OCDE questiona se estes alunos estarão, de facto, “preparados para ter sucesso no ensino superior”, tendo em conta a forma como os cursos profissionais foram desenhados. E dá o exemplo da Holanda onde os alunos do profissional têm licenciaturas mais longas (de quatro anos em vez de três) do que os alunos que chegam ao ensino superior vindos do ensino regular.

Diversificar os públicos

O que também resulta evidente da comparação internacional que Cláudia Sarrico vai apresentar na Convenção do Ensino Superior é que Portugal tem um défice de qualificações neste nível de educação. Entre a população que tem 25 a 34 anos só 34% tem formação superior. Na OCDE são 44%.

O país “precisa de mais gente no ensino superior” e o que aconteceu no ensino secundário pode servir de modelo, defende a investigadora. “Da mesma forma como, quando se fez uma massificação no secundário teve que ser feita uma diversificação da oferta, também no caso do superior terá que acontecer o mesmo”, propõe Cláudia Sarrico.

Um exemplo relativamente recente do que podem ser as novas ofertas de universidades e politécnicos são os cursos técnicos superiores profissionais. Portugal também tem margem para aumentar o número de estudantes em regime de tempo parcial – em que é um dos países com menos alunos inscritos, com 5,19% contra 19,65% de média da OCDE –, mas também públicos adultos que estejam já no mercado de trabalho.

“A oferta tem de se adaptar para que seja uma oferta de qualidade e os alunos não só entrem como também progridam e saiam com as competências”, defende a investigadora da OCDE.

A conferência de abertura da Convenção Nacional do Ensino Superior será partilhada por Cláudia Sarrico e Pedro Teixeira, do Centro de Investigação de Política do Ensino Superior. Na mesa de comentário a essa intervenção estarão a investigadora do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa Maria Mota, vencedora do Prémio Pessoa em 2014, o antigo Ministro do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, e o politólogo Pedro Adão e Silva, bem como o ministro dos Negócios Estrangeiros e antigo ministro da Educação, Augusto Santos Silva, em representação do Governo.

O Governo tem um elemento em cada um dos seis painéis de discussão previstos para esta segunda-feira, em que vão ser debatidos temas como o acesso ao ensino superior, a acção social e o financiamento do sector. Entre os participantes estão membros de todos os partidos com assento na Comissão de Educação da Assembleia da República, bem como representantes dos estudantes. O Presidente da República fará o discurso de encerramento.

A sessão desta segunda-feira da convenção é a primeira de seis de uma iniciativa com a qual os reitores vieram reclamar um pacto de dez anos contra “estagnação” no sector. A discussão prossegue em Março, na Universidade de Aveiro, onde o tema será a articulação do ensino com a investigação. A terceira sessão acontece no mês seguinte no Porto e vai debater a aproximação do ensino superior às empresas, administração pública e agentes culturais.

Esta iniciativa do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas vai parar durante o período eleitoral e será retomada, no final do ano, após a tomada de posse do Governo que resultar das próximas legislativas. Serão então debatidos outros três temas: o papel das universidades no combate às alterações climáticas, a modernização pedagógica do ensino superior e a coesão territorial do país.

Relatório Education at a Glance 2018

 

 

 

As novas tecnologias e os olhos das crianças: que perigos?

Fevereiro 12, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Sapo Lifestyle

A visualização de imagens em ecrãs e o seu impacto na saúde ocular é um tema que preocupa os pais de crianças e adolescentes. Sabendo que existem algumas ideias pré-concebidas, que nem sempre correspondem à realidade, será importante que a informação sobre os reais efeitos de smartphones, tablets e computadores na saúde ocular seja a correta. As explicações são do médico Renato Silva, Oftalmologista no Hospital CUF Porto.

A síndrome visual do computador

Ao olhar fixamente para um ecrã ou um livro o reflexo de pestanejo fica diminuído, aumentando a evaporação da lágrima. Em utilizadores crónicos e prolongados de ecrãs, também as glândulas de Meibomius funcionam pior. Estas glândulas são responsáveis pela produção da camada lipídica da lágrima, que lhe dá estabilidade e diminui a sua evaporação. Estas alterações diminuem a quantidade e qualidade da lágrima, provocando sintomas típicos de olho seco tais como sensação de corpo estranho, ardor, olhos vermelhos, sensação de peso nas pálpebras ou necessidade de pestanejar ou fechar os olhos.

Por outro lado, ao olhar para um objeto ao perto, o olho precisa de fazer esforço para focar, um mecanismo que é conhecido como acomodação. A manutenção da acomodação por períodos moderados provoca cansaço ocular originando sintomas como visão enevoada, dores de cabeça, dificuldade de focagem ou sensação de peso nos olhos.

As crianças e adolescentes não sabem exprimir tão bem como um adulto aquilo que sentem. Apesar das alterações oculares observáveis serem iguais às que estão presentes nos adultos, o sintoma que as crianças mais descrevem é a visão desfocada, sendo raro referirem outros sintomas. Muitas vezes as crianças apresentam-se apenas com pestanejos frequentes ou com necessidade de coçar os olhos, não conseguindo nomear quaisquer outros sintomas.

Estes sinais e sintomas, apesar de surgirem para todas as atividades de perto, tais como a leitura de livros ou trabalhos de precisão, são mais frequentes na visualização de ecrãs.

Estes sintomas são transitórios e desaparecem algum tempo após a ausência de visualização dos ecrãs.

O desenvolvimento de miopia

Apesar do principal fator de risco para o desenvolvimento de miopia ser a existência de história familiar, existem fatores ambientais que têm influência no aparecimento e evolução desta patologia.

Alguns estudos recentes vieram mostrar que a visão prolongada ao perto poderá ter um impacto relativamente pequeno no desenvolvimento de miopia, apenas em idades mais precoces, até aos 12 anos. Em nenhum estudo foi demonstrado que a utilização de ecrãs tivesse um risco superior no desenvolvimento da miopia do que a leitura de livros.

Nos últimos anos tem sido comprovada a importância da exposição à luz natural como fator preventivo do aparecimento e progressão da miopia. Esta associação é hoje clara, sabendo-se que quanto menor a idade, maior a importância da exposição à luz natural. No entanto, o benefício na prevenção da miopia está demonstrado pelo menos até aos 18 anos.

Tendo em conta o conhecimento atual é recomendada, para crianças e adolescentes, uma utilização de ecrãs inferior a 2 horas por dia, com a realização de intervalos de, pelo menos, 5 minutos a cada 30 minutos. Os ecrãs deverão estar afastados dos olhos para o esforço de acomodação ser menor.

Recomenda-se também a exposição à luz natural, com uma duração igual ou superior a 2 horas por dia, devendo a realização de atividades ao ar livre ser preferida à utilização de ecrãs dentro do portas.

As explicações são do médico Renato Silva, Oftalmologista no Hospital CUF Porto.

 

 

O pesadelo das birras alimentares

Fevereiro 12, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Sapo Lifestyle

O processo de alimentação deve ser encarado como um processo dinâmico e interativo entre pais e/ou cuidadores e criança. Os profissionais da PIN deixam algumas dicas para pais.

A alimentação é fundamental para a sobrevivência, crescimento e desenvolvimento das crianças. Por este motivo, desde cedo os pais preocupam-se com o tipo e quantidade de alimentos que as crianças ingerem diariamente.

Todos os comportamentos integrados no processo de alimentação (e.g., preferências alimentares, uso dos utensílios adequados, quantidade de alimentos) são essencialmente aprendidos. Esta aprendizagem é visível logo nos primeiros dias de vida da criança. É na interação com a mãe que o bebé aprende a distinguir os primeiros sinais de fome, descobre os alimentos, as diferentes texturas e sabores e, consequentemente, desenvolve as suas preferências alimentares.

Estas primeiras interações com os alimentos são muitas vezes fonte de ansiedade para pais e cuidadores. Nem sempre é fácil perceber os sinais que a criança transmite! Consequentemente, os momentos das refeições acabam por parecer autênticos campos de batalha, onde os pais tentam de todas as formas alimentar os seus filhos e os filhos tentam, da melhor forma que conseguem, mostrar aos pais o que estão a sentir nesse momento. Daqui surge o que comumente é conhecido como a “birra alimentar”.

Comecemos por desconstruir este termo, uma “birra” consiste numa explosão de fúria ou frustração por parte da criança que normalmente se traduz em períodos de choro, gritos e/ou agressividade. As “birras” são estratégias usadas pelas crianças para expressarem e gerirem as suas emoções. Neste sentido, quando temos uma “birra” é porque algo se passa no mundo desta criança, e esta é a forma encontrada para demonstrar essa inquietude.

Uma “birra alimentar” é uma manifestação comportamental que ocorre concretamente durante os períodos de alimentação. Mais uma vez, a criança está a tentar dizer-nos que algo não está bem durante estes momentos. Podem traduzir medo em experimentar novos alimentos (neofobia), dificuldade em lidar com a textura e/ou sabor dos alimentos, alterações sensoriais, orgânicas, entre outras. As causas destas birras particulares são diversas e, normalmente confundem pais e cuidadores. Com frequência os pais relatam que as refeições são longas e conflituosas, as crianças recusam comer ou não ingerem alimentos muito específicos ou cozinhados de uma determinada forma.

Por outro lado, são igualmente de considerar outros fatores, nomeadamente as expectativas dos pais e cuidadores quanto ao processo de alimentação e as práticas adotadas pelos mesmos. A aprendizagem do processo de alimentação exige tempo e paciência que, num mundo tão exigente, acaba por se tornar uma tarefa árdua para quem alimenta.

O processo de alimentação deve ser encarado como um processo dinâmico e interativo entre pais e/ou cuidadores e criança. Muitas vezes implica ter um espaço adequado para alimentar, livre de estímulos exteriores (e.g., tv, telemóveis, computadores, brinquedos), onde a criança possa tocar na comida, sujar-se a si própria e, muitas vezes, até aos próprios pais!

Para além disso, os pais devem estar disponíveis e atentos ao longo do processo. A atenção total dos pais é importante na resolução das birras alimentares. Os pais focam-se nos comportamentos e reações das crianças, percebem as suas preferências e os sinais de fome e saciedade. As refeições em que os pais se mostram focados na tarefa demoram menos tempo e levam à ingestão alimentar considerada adequada à criança.

A intervenção na área do comportamento alimentar é efetuada por uma equipa multidisciplinar que pretende ajudar pais e cuidadores a perceberem e lidarem com as “birras alimentares” e outros comportamentos alimentares mais graves, despistar possíveis causas orgânicas e, auxiliar na adoção de estilos de vida saudáveis.

Da nossa experiência junto de pais e respetivas crianças, deixamos algumas dicas:

– analise os sinais que a criança transmite durante o processo de alimentação: respeite sempre os sinais de fome e saciedade que a criança transmite;

– ofereça um novo alimento pelo menos 8 vezes: deve sempre incentivar a provar, se após cada exposição a criança recusar o alimento, então é porque não gosta por algum motivo;

– não force a criança a comer;

– estabeleça um horário para cada refeição e procure segui-lo;

– as refeições devem ser feitas num ambiente agradável e interativo;

– as crianças são os nossos maiores fãs, se quer que ela coma um determinado alimento, mostre que também o come e aprecia!

Texto: Joana Fernandes e Andreia Leitão

 

Prevenir Fenómenos de Dependência Online

Fevereiro 11, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Internet Segura de 18 de janeiro de 2019.

A utilização da Internet, principalmente de plataformas digitais como o Facebook, Instagram ou Youtube ocorre cada vez mais de uma forma regular, independentemente da idade dos seus utilizadores, tornando-se um desafio estabelecer uma utilização saudável das mesmas. Segundo dados obtidos da PORDATA (Base de Dados de Portugal Contemporâneo), o total de utilizadores da Internet até 2018 atingiu os 74,7%.

Dentro da população de utilizadores da Internet, surgem diferentes padrões de utilização: Desde os utilizadores mais casuais, que consultam algumas plataformas online algumas vezes por semana ou por mês, a utilizadores mais intensivos que estão em permanente contacto com diversas plataformas. Esta tipologia de utilizadores  pode estar mais sujeita ao aparecimento de sintomas de dependência associados à utilização intensiva das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Sintomas como a ansiedade, o stress, o desajustamento dos horários de período de sono e refeições, entre outros, podem estar associados a esta utilização intensiva e pouco saudável das TIC. Esteja atento a estes sinais e opte por algumas estratégias de prevenção, nomeadamente:

1 – Registos diários.

Efetue registos relativos ao tempo investido nas diferentes plataformas online e dispositivos que utiliza para comunicar/interagir através da Internet. Aponte num caderno as horas que passa e cada vez que se ligar à rede. Pode inclusive optar pela instalação de aplicações que fazem esta monitorização e lhe enviam alertas sobre o tempo dispendido.

2 – Opinião da família e amigos.

Peça à sua família e amigos mais chegados, um feedback relativo ao tempo que consome quando está online e em que medida este tempo online pode estar a convergir com atividades importantes para si e para os seus amigos e familiares.

3 – Estabeleça limites.

Defina alguns limites relativos ao tempo que passa online. Pode inclusive determinar momentos do dia em que está afastado dos diferentes dispositivos que utiliza para estar online, ou até…

4 – Internet Free Day.

Escolha um dia da semana (ou do fim-de-semana) para promover um “Dia Sem Internet”. Este dia poderá ajudá-lo a lentamente, saber aproveitar as diversas atividades offline e a sentir uma menor ansiedade quando reduz o tempo em que está online.

 

 

YouTube vai proibir vídeos com desafios e partidas que incentivem “a violência ou atividades perigosas”

Fevereiro 11, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 17 de janeiro de 2019.

A plataforma de partilha de vídeos atualizou as “diretrizes da comunidade” e passou a proibir “conteúdo que incentive atividades perigosas com grandes possibilidades de resultar em ferimentos graves”.

Cláudia Monarca Almeida

O YouTube atualizou esta terça-feira a política de utilização e vai começar a remover vídeos de desafios e partidas que incentivem “a violência ou atividades perigosas que possam resultar em sérios danos físicos, situações stressantes ou morte. Desafios como o Tide Pod Challenge — que mostra os utilizadores a morderem as pastilhas de detergente para as máquinas de lavar — e o desafio do fogo (em que deitam um produto inflamável na pele e depois ateiam fogo) vão ser retirados da plataforma.

“Há muito que o YouTube proíbe vídeos que promovam atividades prejudiciais e perigosas; e revemos e atualizamos regularmente as nossas diretrizes para nos certificarmos de que são consistentes e endereçam apropriadamente tendências emergentes”, disse um porta-voz do site à CNN.

A atualização surge depois de o Bird Box Challenge se ter tornado viral. O desafio, tal como o nome, é inspirado no filme da Netflix, que foi o maior sucesso da plataforma de streaming até ao momento, e num curto espaço de tempo, ao ser visto por mais de 45 milhões de pessoas na primeira semana. Imitando a personagem de Sandra Bullock, vários jovens têm-se filmado a fazer várias atividades com os olhos vendados. Nos Estados Unidos uma jovem de 17 anos colidiu com outro quando conduzia “com os olhos cobertos”. Segundo a polícia local, este foi o “resultado previsível” do Bird Box Challenge.

A popularidade do Bird Box Challenge obrigou a Netflix a emitir um apelo no Twitter. “Não acredito que tenho de dizer isto, mas POR FAVOR NÃO SE MAGOEM COM ESTE BIRD BOX CHALLENGE. Não sabemos como é que isto começou, e apreciamos o amor, mas Boy e Girl [nome dos personagens filhos de Bullock no filme] só têm um desejo para 2019 e é que vocês não acabem no hospital por causa de memes.”

Sob a revisão às “Políticas Acerca de Conteúdo Nocivo ou Perigoso”, o YouTube passa a proibir “desafios que representem um risco aparente de morte” ou que possam causar “danos físicos reais”. Deixam também de ser permitidas “partidas que levam as vítimas a acreditar que correm perigo físico”. Assim, vídeos que contenham “invasões a domicílios ou a simulação de tiros sendo disparados de um carro em movimento” serão retirados da plataforma.

Com a atualização, o YouTube coloca especial enfoque na proteção dos mais novos. Vão deixar de ser permitidos conteúdos que apresentem “crianças a participar em desafios perigosos que impliquem um risco iminente de ferimentos graves” e “partidas abusivas ou perigosas passíveis de causar problemas emocionais a crianças.” Para “desenvolver diretrizes sobre os tipos de brincadeiras que ultrapassam esse limite”, o YouTube diz ter trabalhado diretamente com psicólogos. A “simulação da morte de um dos pais” e a “simulação de abandono por pais ou responsáveis” são os dois exemplos dados de tipos de vídeos que não serão aceites no site.

A nova versão das diretrizes inclui também o reforço no controlo do links externos e as imagens das miniaturas. Utilizadores que divulguem links para “sites pornográficos, malware ou spam” ou usem “imagens [nas miniaturas] que violem gravemente as políticas, como fotos pornográficas ou com violência explícita” vão receber um aviso. À terceira infração em 90 dias, a conta será apagada.

O YouTube anunciou ainda que começou na terça-feira o “período de tolerância” de dois meses, durante o qual os utilizadores poderão ser informados sobre atualizações e alterar os seus conteúdos. “Nos próximos dois meses, conforme intensificarmos a aplicação, todo o conteúdo que violar as diretrizes da comunidade relacionadas a miniaturas, links externos, desafios e partidas será removido, mas o canal não receberá um aviso”, explica o comunicado.

 

Não sobrecarregue os seus filhos com atividades (os especialistas explicam porquê)

Fevereiro 11, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Sérgio Condeço

Texto do Notícias Magazine de 10 de janeiro de 2019.

Da escola para o futebol, o piano, o inglês e muitas outras atividades, as crianças ficam demasiado ocupadas e sem tempo para terem liberdade, para desenvolverem a criatividade, para fazerem as suas próprias escolhas ou para brincarem. E brincar é oxigénio para os mais pequenos.

Texto Cláudia Pinto | Ilustração Sérgio Condeço/WHO

O tema é debatido recorrentemente e suscita dúvidas. As crianças estão demasiado ocupadas? Têm o tempo todo preenchido e sem alternativa para o que realmente importa para o seu desenvolvimento? Os especialistas acham que sim.

Como noutras áreas de comportamento, não existem fórmulas universais nem regras estanques. Maria José Araújo é professora da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto (IPP) e investiga esta área do brincar e do tempo livre há muitos anos.

“As crianças têm de ter oportunidade para brincar e divertir­‑se, visando os propósitos da sua educação e do seu bem­‑estar”, explica. E se na teoria isto é algo que se percebe, na prática, com a logística diária, vidas atarefadas, pais à beira de um ataque de nervos entre os afazeres familiares e profissionais diários, tudo se torna mais complexo. “As crianças dependem dos adultos, dos pais, dos educadores, não decidem sozinhas e ficam à espera que alguém lhes dê essa possibilidade”, sublinha.

Na maioria das vezes, só querem brincar. É a atividade que melhor conhecem desde tenra idade. Mas, no dia­‑a­‑dia, passam demasiado tempo na escola, chegando a ocupar os finais de tarde com atividades desportivas ou de complemento ao estudo. Resta pouca margem para dar largas à criatividade, tão importante no crescimento. “É fundamental que se perceba que brincar é como respirar para as crianças. Estas só aprendem porque brincam”, explica a professora.

Mas o que são afinal os tempos livres? Será que as atividades em que as crianças estão inscritas são consideradas como tal? Afinal, a sigla ATL sugere isso mesmo. Esta designação deve ser entendida como o tempo em que a criança pode dedicar a atividades não estruturadas.

“As estruturadas (inglês, guitarra, ginástica, etc.) são fundamentais para a aprendizagem, em termos intelectuais, sociais, físicos, mas nessas a criança não tem liberdade. Os tempos livres são essenciais para que aprenda a lidar com a frustração”, explica Catarina Mexia, psicóloga e terapeuta do casal no Centro de Estudos da Família e Psicoterapia.

Na incessante tentativa de ocuparmos os miúdos, nem sempre recuperamos hábitos mais simples que podem proporcionar verdadeiro tempo de qualidade em família, como fazer um bolo nas tardes frias de domingo. Sem complicar muito. Ou, pura e simplesmente, não fazer nada.

“As crianças não estão habituadas a parar. Não fazer nada é fazer alguma coisa. Para­‑se, respira­‑se, ou pura e simplesmente descansa­‑se”, sublinha a psicóloga. Não é incomum ouvi‑las comentar que não têm nada para fazer. Mas, afinal, “o tédio é fundamental para a criança descobrir coisas diferentes para fazer”, salienta a médica pediatra do Hospital dos Lusíadas Joana Appleton Figueira.

Além da importância de as crianças terem os seus tempos livres e de não estarem demasiado ocupadas, não é menos relevante deixá­‑las escolher em vez de serem os pais a fazê­‑lo.

“Estamos muito preocupados com a escola, temos uma sociedade hiperescolarizada, e isto não é errado. A escola é fundamental, mas no tempo curricular que está previsto na lei. Nas restantes horas, as crianças, que gostam de fazer muitas coisas, deveriam ter a oportunidade de escolher algumas das suas atividades”, defende Maria José Araújo, que, já em 2009, publicava um livro a alertar para esta realidade, intitulado Crianças Ocupadas, editado pela Prime Books.

Nas aulas que leciona, no IPP, dedica uma unidade curricular a esta questão e uma outra relacionada com a motricidade e o bem­‑estar, de forma a alertar os alunos de hoje, educadores de amanhã, para a valorização do tempo livre como algo essencial para a vida das crianças. O objetivo é formar futuros professores sobre a questão do brincar e da ocupação das crianças após o horário letivo.

Quando as atividades nem sempre correspondem ao que a criança deseja, acaba por ser frequente a desistência. É esse, aliás, um dos motivos que levam mais os pais a recorrer às consultas de Catarina Mexia. “A preocupação que aparece mais em consulta é o que se passa com os filhos, porque é que não persistem e desistem facilmente. A questão é que os pais não estão a ouvir os filhos”, alerta.

Estarão os pais e as escolas a programar o tempo das crianças de forma rígida e exagerada?

“As atividades organizadas são habitualmente propostas pelas instituições e escolhidas pelos pais. Os estudos provam que quando as crianças escolhem o que fazer, e os pais respeitam essa escolha, as crianças não se cansam tanto e usufruem em pleno”, explica Maria José Araújo.

Brincar implica correr, estar ao ar livre, interagir com os amigos e outras crianças. Isto nem sempre é possível em algumas escolas tradicionais. Algumas delas têm espaços condicionados, o que torna também o tempo de recreio mais limitativo.

“A música, a ginástica, o inglês e todas as atividades são realizadas em espaços fechados. As crianças passam de um espaço fechado para outro. No entanto, há muitas escolas e muitas instituições que têm muito cuidado e que fazem um espaço notável ao proporcionarem recreio ao ar livre, idas ao parque, organizam passeios, caminhadas, brincadeiras e jogos no exterior”, adianta a professora.

Por vezes, e porque os pais estão a trabalhar e não têm quem vá buscar os filhos à escola ao final do tempo de aulas, a brincadeira é substituída por “salas com poucas funcionárias para o número de crianças e com uma televisão para os manter quietos. Ou então, em ATL que são prolongamentos da escola, com salas semelhantes e onde se fazem trabalhos de casa”, sublinha Joana Appleton Figueira.

Na sociedade atual existe ainda uma enorme pressão com os resultados escolares, daí que se incentive o estudo. A típica frase: “Tens de ter boas notas para seres alguém na vida” é claramente identificada por cada um de nós. “As crianças já são ‘alguém’ no momento em que nascem. São pessoas de pleno direito. As preocupações dos pais são legítimas e levam‑nos a organizar as atividades que consideram que poderão vir a proporcionar mais oportunidades e um trabalho aos filhos no futuro. Queremos muito que as crianças sejam responsáveis, mas não desenvolvemos a sua responsabilidade e autonomia. Porque isso pressupõe que brinquem e o façam com os outros”, explica Maria José Araújo.

E se lhe disséssemos que a criança está a aprender enquanto o faz? “Brincar é a única forma que a criança tem de aprender quando é pequena, mesmo dentro de uma sala de aula”, acrescenta. Percebe­‑se então a quantidade de vezes em que os miúdos reforçam que querem brincar “só mais um bocadinho” e a insistência para que os adultos partilhem o momento.

Não existem receitas milagrosas nem números mágicos. O que pode ser o ideal para uma família, não tem de ser necessariamente para outra. “Para algumas crianças, principalmente as mais velhas, pode não haver muito tempo livre todos os dias, desde que, durante a semana, existam horas disponíveis para ler, conversar com a família e com os amigos. O tempo livre pode ser passado a ajudar os pais com o jantar sem tecnologias ligadas, enquanto conversam, e deve ser proporcionado diariamente às crianças mais novas, sem ecrãs, com poucos brinquedos acessíveis de cada vez (num quarto cheio, a criança nem consegue decidir com o que brincar)”, sugere Joana Appleton Figueira.

Mais do que a quantidade de atividades, o tempo deve ser passado com qualidade e, se possível, partilhado com os pais. Com alguma organização mas sem exageros. “Por vezes, é mais útil não programar tanto ao fim de semana e deixar acontecer”, conclui Catarina Mexia.

Leituras que ajudam

Numa sociedade contemporânea em que as pessoas estão cada vez mais ocupadas, sobra pouco tempo para se refletir sobre as melhores decisões que se podem (ou devem) tomar no dia­‑a­‑dia. No livro Crianças Ocupadas, a autora procura facultar aos pais um instrumento que lhes permita decidir o que é melhor para os seus filhos.

O quê?… Os adultos não sabem? é um livro que resulta de um trabalho incluído num projeto de educação criativa desenvolvido ao longo de três anos com crianças do 1.º ciclo do ensino básico da escola EBl/JI do Cerco do Porto (Agrupamento de Escolas do Cerco). As crianças tentam explicar, à sua maneira, que precisam que as deixem brincar.

 

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