80 anos separam as histórias destes dois refugiados – eles têm mais em comum do que imagina – UNICEF

Fevereiro 22, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.unicef.pt/18/site_pr_unicef_-_novo_video_refugiados_2017_02_03.pdf

Inflação de notas continua a ser maior no ensino privado

Fevereiro 22, 2017 às 2:41 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 21 de fevereiro de 2017.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Comparação das Classificações Internas no Ensino Secundário

Diferenças entre as notas internas dos alunos do ensino secundário também se fazem sentir por curso e região, segundo revela novo estudo da DGEEC.

Clara Viana

Em 2016, as notas atribuídas pelas instituições de ensino privadas aos seus alunos do secundário foram mais altas cerca de 0,67 valores do que as registadas no público. Em 2014, esta diferença estava nos 0,92 valores. O desalinhamento entre os dois subsistemas de ensino “acentuou-se entre 2011 e 2014, tendo-se posteriormente observado uma ligeira correcção nos anos de 2015 e 2016”, nota a Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) num novo estudo sobre as classificações internas (aquelas que são atribuídas pelos professores das escolas), com a data deste mês.

O estudo, divulgado no site da DGEEC, vem confirmar que, entre 2011 e 2016, os alunos do ensino público têm tido, em média, “classificações internas mais baixas do que os seus colegas do privado que, posteriormente, obtêm resultados iguais nos exames nacionais”.

A DGEEC justifica a importância desta análise pelo facto de o desalinhamento das notas entre escolas ser preocupante devido, em primeiro lugar “à questão da equidade entre alunos no concurso nacional de acesso ao ensino superior”. Bastam umas décimas a mais na média para um candidato ultrapassar centenas de outros, nomeadamente nos cursos mais disputados, como Medicina.

A DGEEC afirma que pretende contribuir com este estudo para “um debate informado sobre esta matéria”.

O regime de acesso ao ensino superior está a ser reavaliado, existindo já propostas no sentido de penalizar os candidatos que venham de escolas que inflacionem sistematicamente as notas. Também existem aquelas que dão notas internas sistematicamente mais baixas. São as que desalinham para baixo.

Para calcular o chamado indicador de alinhamento das notas a DGEEC compara as classificações internas atribuídas pelas escolas aos seus alunos com as classificações atribuídas pelas outras escolas do país a alunos que tiveram resultados semelhantes nos exames nacionais. E o que é que este exercício pode revelar?

Por exemplo, esclarece a DGEEC, “se as classificações internas atribuídas pela escola A são sistematicamente superiores às atribuídas pela escola B a alunos que obtêm os mesmos resultados nos exames, então é possível que a escola A esteja a utilizar critérios de avaliação do desempenho dos seus alunos diferentes dos utilizados pela escola B”.

Nem todas as privadas inflacionam

De regresso às diferenças entre público e privado, o que também se conclui neste estudo é que nem todas as privadas inflacionam notas. “Existe uma grande heterogeneidade dentro do subsistema privado e também, em menor grau, dentro do subsistema público”, frisa a DGEEC.

Esta heterogeneidade é comprovada pelo seguinte exercício: comparando alunos com resultados semelhantes nos exames nacionais, as classificações internas atribuídas pelos 15 estabelecimentos privados que mais inflacionaram as notas foram cerca de 1,91 valores mais elevadas, em 2014, do que as notas internas atribuídas pelos restantes colégios. Aquele valor desceu para 1,52 valores em 2016.

Já no ensino público, constatou-se que as notas internas dadas nas 15 escolas com notas mais inflacionadas foram, em 2016, cerca de 0,45 valores mais elevadas do que as classificações atribuídas pelos restantes estabelecimentos públicos.

Alunos de Línguas penalizados

Mas não é só entre o ensino público e privado que existem desalinhamentos de notas. Estes encontram-se também entre cursos e regiões.

Nos cursos científico-humanísticos do ensino secundário, que são os vocacionados para prosseguir estudos no superior, existem quatro opções: Artes Visuais, Línguas e Humanidades, Ciências Sócio-económicas e Ciências e Tecnologias. Esta última é a que tem actualmente mais estudantes.

Comparando alunos que tiveram resultados semelhantes nos exames, constatou-se que nas suas notas internas existe “um desalinhamento persistente entre os diversos cursos”. “Aos alunos de Línguas e Humanidades são, em média, atribuídas classificações internas mais baixas do que aos seus colegas de Ciências e Tecnologias”, conclui a DGEEC. Em 2016, este desalinhamento para cima foi de cerca de 0,67 valores a favor dos alunos de Ciências e Tecnologias.

 

 

 

“Tabaqueiras estão a fazer dinheiro à custa da saúde das crianças”

Fevereiro 22, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Relatório, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.rtp.pt/noticias/ de 9 de fevereiro de 2017.

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Paulo Alexandre Amaral – RTP 09 Fev, 2017, 20:22 / atualizado em 10 Fev, 2017

Uma investigação da Human Rights Watch dá conta dos malefícios do tabaco não apenas no consumidor final mas do outro lado da cadeia: entre milhares de crianças que a partir dos oito anos trabalham em plantações na Indonésia e se expõem durante as colheitas aos efeitos da absorção de nicotina e pesticidas altamente tóxicos para o ser humano. O relatório do ano passado é relembrado pela HRW numa semana em que o grupo Facing Finance publica o seu próprio texto denunciando as grandes multinacionais que lucram com violações ambientais e dos Direitos Humanos.

O relatório “Dirty Profits” (Lucro Sujo) do grupo Facing Finance, agora publicado, chama a atenção para a necessidade de implementar princípios éticos na regulamentação dos investimentos feitos pelas grandes companhias.

Um dos casos que surge neste texto é o das crianças que trabalham sem condições nas plantações de tabaco na Indonésia, uma investigação da HRW que aborda esse tema da relação das tabaqueiras com os locais de produção na Indonésia. Nessa investigação a HRW dá conta das perigosas condições de trabalho a que são submetidas estas crianças que são envolvidas na cadeia de produção da folha de tabaco.

Estamos a falar dos produtores que fornecem uma grande parte das grandes tabaqueiras, não apenas indonésias mas também mundiais, como a British American Tobacco e a Philip Morris International.

Nas 119 páginas do do relatório do ano passado “The Harvest is in My Blood’: Hazardous Child Labor in Tobacco Farming in Indonesia”, a organização de defesa dos Direitos Humanos estabelece a ligação entre a produção de tabaco e os problemas de saúde que afectam os trabalhadores, explicando a cadeia percorrida pelos produtos tóxicos até se instalarem no organismo.

As crianças são uma parcela significativa destes trabalhadores expostos à nicotina. Mas não apenas: além da nicotina, as crianças – muitas delas a partir dos oito anos – vê-se na situação de lidar com “químicos tóxicos, utensílios perigosos, carregar com pesos excessivos e trabalhar em períodos de calor extremo”, refere o texto, para advertir que estas condições de trabalho podem ter para estes pequenos trabalhadores “consequências duradouras tanto para a sua saúde como para o seu desenvolvimento”.

Quinto produtor mundial

A Indonésia ocupa o quinto lugar na produção mundial de tabaco. O país alberga mais de 500 mil quintas que se dedicam a este negócio. Um negócio que acaba por ser largamente lucrativo para os proprietários, já que uma larga fatia da mão-de-obra é constituída por crianças entre os 10 e os 17 anos.

De acordo com as contas da Organização Internacional do Trabalho, mais de milhão e meio de trabalhadores nesta faixa etária trabalham na Indonésia no sector da agricultura. Não há contudo números exactos para a fatia que está nas plantações de tabaco.

Sabe-se, de qualquer forma, que o sistema das tabaqueiras passa por uma cadeia de venda e revenda da folha de tabaco que pode começar nas quintas de pequena e média dimensão até chegar ao topo, as grandes companhias de transformação. Por norma, o sistema montado desta forma tende a desculpabilizar as grandes marcas, que garantem observar as regras sanitárias e de segurança. Quando são envolvidas em violações de leis laborais, não é raro atirarem para cima da mesa a questão das subcontratações, afirmando desconhecer o que é do conhecimento geral logo desde a base.

O trabalho infantil encaixa nesta classe de problema. Sedeadas em países ocidentais com leis restritas relativamente ao trabalho infantil, as grandes empresas tabaqueiras deslocalizam parte da produção e muitas vezes da transformação para países com autoridades judiciais permissivas, que fecham os olhos a este tipo de violação. O resultado é a poupança com os custos de trabalho.

A HRW exige neste relatório que as grandes multinacionais do tabaco façam alguma coisa para parar as violações laborais e proíbam os “seus” produtores de usarem crianças em contacto directo com o tabaco. O recado segue também para Jakarta, com a organização a instar o governo indonésio a regular a indústria de forma a não deixar escapar os culpados destas práticas ilegais.

“As companhias de tabaco estão a fazer dinheiro à custa da saúde das crianças obrigadas ao trabalho infantil na Indonésia”, acusa Margaret Wurth, uma das investigadoras da Human Rights Watch e co-autora do relatório.

Crianças com náuseas, vómitos, dores de cabeça

A investigação foi realizada em quatro províncias indonésias, três das quais contribuem com 90% do total nacional da produção de tabaco: Java Oriental, Java Central e a província ocidental de Nusa Tenggara.

Entre as 227 pessoas entrevistadas contavam-se 132 crianças com idades que iam dos 8 aos 17 anos, muitas das quais foram obrigadas a começar a trabalhar aos 12 anos.

Metade das crianças entrevistadas disse sofrer com náuseas, vómitos, dores de cabeça e tonturas, tudo sintomas relacionados com envenenamento por nicotina através da absorção pela pele.

Ayu, uma criança de 13 anos, disse aos investigadores que vomita todos os anos quando está a trabalhar na colheita de tabaco: “Eu comecei a vomitar quando já estava muito cansada de cortar e carregar as folhas de tabaco. Eu vomitei tantas vezes”.

Não há ainda estudos sobre os efeitos a longo prazo, mas os investigadores que estudam as consequências do tabagismo sugerem que a exposição à nicotina durante a infância pode acarretar o desenvolvimento do cérebro.

Uma combinação de nicotina e pesticidas

Muitas destas crianças explicaram como são obrigadas a manipular e aplicar pesticidas e outros químicos nas plantações. Será através da pele que muitas destas crianças absorvem quantidades letais de nicotina e pesticidas altamente nocivas para a saúde.

Riscos que tanto as crianças como os seus pais manifestaram desconhecer: a exposição prolongada a pesticidas pode provocar problemas crónicos graves como problemas respiratórios, cancro, depressão, problemas cognitivos e infertilidade.

Constatando que eram poucas as crianças ou os seus pais, alguns proprietários dessas pequenas quintas, que procediam de acordo com normas de segurança, a HRW vem agora exigir ao governo indonésio que faça sessões de esclarecimento e implemente planos de segurança para os trabalhadores dos campos de tabaco.

 

 

 

Música pra ti – Instrumentos improváveis -25 de Fevereiro no CCB

Fevereiro 22, 2017 às 11:17 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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capturar

25 fev / 8 abr / 27 mai / 24 jun

Miniconcertos

 Depois das apresentações singulares de Eli Gras, em Dezembro, e Pamelia Stickney, em Janeiro, o ciclo de miniconcertos Música pra Ti dedicado ao tema “instrumentos Improváveis” continua até Junho com muitos sons surpreendentes ainda por descobrir.

 Músicos de várias partes do mundo vão partilhar as suas invenções no universo multidisciplinar da música experimental e eletrónica, da construção de novos instrumentos com forte componente visual e das esculturas sonoras. Estes músicos originais vão atuar durante 30 minutos e, no final, responder a perguntas do público curioso.

 Os concertos Música pra Ti oferecem-se como um momento intimista que aposta na proximidade com a performance, em que o conhecimento e a experiência dos músicos são oferecidos a crianças e a adultos para satisfazer todas as suas curiosidades.

mais informações:

https://www.ccb.pt/Default/pt/FabricaDasArtes/Programacao/Espetaculos?a=721

Ação de Formação TAV – Técnico/a de Apoio à Vítima – 14 de março a 19 de abril em Lisboa

Fevereiro 22, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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amcv

 

Técnico de Apoio à Vítima

“«Técnico de apoio à vítima» a pessoa devidamente habilitada que, no âmbito das suas funções, presta assistência directa às vítimas;” (Lei 112/09 de 16 de Setembro)

“1 — Constituem requisitos obrigatórios para a habilitação como técnico de apoio à vítima:

  1. a) A habilitação académica de nível superior na área das ciências sociais e humanas ou a posse de habilitação académica de nível superior noutra área, desde que, nesta situa-ção e, cumulativamente, o interessado detenha experiência profissional relevante no domínio da violência doméstica, requisito este cuja observância é verificada pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG);
  2. b) A frequência, com aproveitamento, de 90 horas de formação para técnicos de apoio à vítima.

(…)

4 — As pessoas que, à data da entrada em vigor do presente despacho, sejam detentoras de habilitação de nível secundário e exerçam, comprovadamente, a função de técnico de apoio à vítima ficam dispensadas do cumprimento do requisito da posse de habilitação de nível superior previsto na alínea a) do n.º 1.”

(in Despacho nº 6810-A/2010)

Objetivos:

Qualificar profissionais que atuam no domínio da Violência Doméstica e de Género e ou da prevenção da vitimação ou revitimação desta – Técnicos/as de Apoio à Vítima (artº2º da Lei nº112/2009 de 16 de setembro).

Destinatárias/os:

Profissionais que prestam apoio técnico directo às vítimas/sobreviventes de violência doméstica / violência nas relações de intimidade das seguintes áreas: educação, saúde e saúde mental, psicossocial, desenvolvimento comunitário, jurídica.

Programa/Conteúdos:

Metodologias de Formação:

Apresentação dos conteúdos; Brainstorming; Discussão de grupo; Análise de casos; Role Playing; Focus Group; Questionários e exercícios online.

Datas:

14 de Março a 19 de Abril de 2017

Sessões e-Learning: 14 de Março a 19 de Abril

Requisitos e-Learning: computador, internet, colunas.

Sessões presenciais: 14 de Março (14h – 17h); 21 e 28 Março, 04 de Abril (10h – 17h);

18 e 19 Abril (10h – 18h)

Local: Lisboa (local a confirmar)

Módulo Duração
e-Learning Presencial
I – Perspetiva História da Violência na Família 4h 2h
II – Vitimologia: Conceitos Gerais 6h
III – Violência Doméstica: Conhecer a situação e refletir sobre ela 17h 1h
IV – Violência Doméstica: Orientações para a Intervenção Psicossocial 11h 11h
V – A Lei e o Combate à Violência Doméstica 12h 6h
VI – Práticas Orientadas 6h 14h
Total
 56h  34h

 

 Inscrições:

Valor da Inscrição: 425,00 €*

* Desconto de 50% para associadas/os que tenham as quotas em dia ou se inscrevam até 60 dias antes da data de início da formação.

Pagamento: 50% do valor no momento da inscrição e os restantes 50% até ao dia 13 de Março.

Formas de Pagamento:

 Transferência Bancária (NIB – 0035 0557 00026804230 35)

 Cheque à ordem de AMCV – Associação de Mulheres Contra a Violência

 

(Enviar comprovativo com a inscrição por e-mail ou para a morada: R. João Villaret, 9 – 1000-182 Lisboa)

Data Limite de Inscrição: 08 Março

Inscrições limitadas a 15 participantes

Número Mínimo: 8 participantes

Certificação:

Para obtenção do certificado é necessário:

  1. 90% da frequência das sessões presenciais – 1 manhã ou tarde;
  2. Completar 2 questionários de avaliação com aproveitamento (e-Learning);
  3. Completar pelo menos 4 dos 5 exercícios propostos (e-Learning).

 

Informações Complementares:

mailto:formacao@amcv.org.pt/ 21 380 21 60

 

http://www.amcv.org.pt/pt

 

Sabe porque chora o seu bebé? Arranjámos-lhe uma tradutora

Fevereiro 21, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Entrevista do http://observador.pt/ de 4 de fevereiro de 2017 a Joana Rombert.

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Ana Cristina Marques

Fome, cólicas ou sono. Interpretar o choro de um bebé consegue ser um quebra-cabeças, mas é também um desafio à altura de Joana Rombert, terapeuta da fala e autora de “A Linguagem Mágica dos Bebés”.

Talvez seja fome. Talvez a fralda esteja suja ou, então, o sono atacou de vez. Às vezes parece impossível adivinhar o que causa aquele choro desenfreado, aflitivo, que deixa um pai e uma mãe de cabelos em pé e com os nervos em franja. Saber interpretar um bebé não é tarefa fácil, mas é precisamente o trabalho de Joana Rombert, terapeuta da fala e autora do livro “A Linguagem Mágica dos Bebés” (Esfera dos Livros) que chegou às livrarias nacionais no final de janeiro.

No livro, a especialista que também já foi apelidada de tradutora dos bebés descreve as várias etapas de comunicação e linguagem de uma criança, desde o primeiro dia de vida até aos três anos. Entre explicações mais e menos técnicas há ilustrações divertidas e ainda muitas estratégias para ajudar a melhorar a comunicação entre pais e filhos — porque esta relação, que inclui diversos sons, gestos, expressões corporais e faciais, faz-se sempre entre mãe/pai e filho.

No livro descreve várias etapas comunicativas e linguísticas da criança, desde os zero meses até aos três anos. Há algum período fundamental para este desenvolvimento?

No livro tenho em conta o modelo Touchpoints, que diz que o desenvolvimento das crianças não é uma linha diagonal mas sim feito por etapas, por pontos de viragem em que acontecem regressões no desenvolvimento para haver evoluções. Por exemplo, os quatro meses são um touchpoint em que o bebé está mais virado para fora, olha mais para o mundo exterior, em que só quer comunicar e interagir com os outros. Então o que é que acontece à sua alimentação e ao sono? O bebé dorme menos porque mal acorda quer ir brincar. E quando está a mamar pára muitas vezes e olha para a mãe, como que a dizer: “Eu sei que estás aí, quero é brincar contigo”. Portanto, nos três primeiros meses ele está mais virado para dentro e aos quatro meses vira-se para fora — nessa altura há uma disrupção ou uma desorganização familiar, em que os pais começam a dizer: “Então, o meu bebé sempre comeu e dormiu tão bem e agora não… O que é que eu fiz?”. Isto faz parte do desenvolvimento normal. A regressão no sono e na alimentação dura semanas. Naturalmente isto vai acontecer porque o bebé está a aprender coisas novas, pelo que há outras áreas que ficam para trás, nomeadamente a do sono e da alimentação. Estes momentos são ponto-chave, são janelas de oportunidade durante o desenvolvimento, às quais nós, pais e profissionais, nos podemos aliar — é uma altura em que podemos promover ainda mais o desenvolvimento da criança.

Nesses momentos-chave, como nos quatro meses, o que é que os pais devem fazer? Como é que se devem comportar?

Primeiro, os pais não estimulam a comunicação nem a linguagem, porque a linguagem não se estimula. É antes promovida, facilitada, uma vez que todos nós nascemos com esta capacidade inata para desenvolver a linguagem e a comunicação de maneira a relacionarmos-nos com o mundo. O que acontece é que durante este tempo há vários ingredientes para os pais darem mais espaço à criança para comunicar. Um aspeto que acho muito importante é em relação ao tempo de espera e ao tempo de escuta — os pais devem observar e estar atentos às várias etapas da criança, estar atentos à sua comunicação e responder àquilo que ela manifesta, mesmo que às vezes não entendam o que ela quer. O mais importante são todas estas tentativas que eles, pais, fazem para comunicar com o seu bebé.

Diz que todo o comportamento é uma forma de comunicação. Como por exemplo?

Os pais devem estar atentos a todo o comportamento do bebé. Se o bebé se aperta muito e dá um grito é porque há uma dor. Ou se, por exemplo, estamos a falar com o bebé e ele está com vontade de dormir, então a indicação que ele está a dar é que agora não está disponível para brincar assim. Ou quando o bebé leva as mãos à boca e começa a chupar os dedos, dando o sinal que está com fome. Há vários sinais que ele nos pode dar e, de facto, ele manifesta muito através do sono e da alimentação que são, no início, as necessidades básicas dele.

A ideia passa pelos pais estarem simplesmente atentos às mensagens do bebé?

Exatamente, para perceber o seu significado, para saber porque é que ele está a manifestar aquilo e qual é a sua necessidade. O mais importante são estas tais tentativas de comunicação [entre pais e filho]. Há muitos pais que não sabem interpretar os choros do bebé — e não têm de o saber, isso não é obrigatório, não há regras nem padrões em termos de desenvolvimento. Há padrões normativos mas estes têm espaços de abertura muito grandes, nem tudo é sinal de alarme e nada é estanque. Tudo é flexível e tudo é evolutivo. Todas as dúvidas, inquietações e inseguranças fazem parte da maternidade e da paternidade e é um processo de tentativa-erro. O melhor que eles [pais] podem fazer é ir ter com o bebé e tentar tudo aquilo que conseguirem. É isso que faz com que o bebé sinta “olha, este é o meu pai, ele está aqui para mim”. Ao fazer isto está-se a dar significado ao que o bebé quer transmitir, mesmo que não haja sintonia entre pai e filho. Isso faz parte do desenvolvimento e ajuda os pais a tornarem-se mais confiantes.

Nesse sentido, o livro funciona apenas como uma orientação?

O livro dá-nos algumas pistas de sinais fisiológicos e naturais, como as expressões faciais e a história do “neh”. Porque é que um bebé diz “neh”? No choro da fome, o bebé faz o que parece ser um “neh” porque ele tem a língua lá em cima, que é quando faz sucção — no movimento da sucção, a língua está lá em cima e bate no céu da boca. Mas há bebés que fazem isto de forma muito competente e outros nem por isso. Há bebés em que é mais difícil diferenciar o tipo de choro e é preciso ter um ouvido bastante treinado — também não é obrigatório tê-lo. A mesma coisa acontece do bebé para os pais, porque a comunicação não é só dos pais para o bebé. Achamos que o bebé é mais passivo, mas o bebé comunica de uma forma muito forte. Ele chora e isso é o máximo da comunicação, de tal maneira que as pessoas até ficam com desconforto. O choro é, nesta fase, a única forma de linguagem do bebé, ele não conhece outra.

No livro escreve que eles, os bebés, conseguem perceber o que nós dizemos e que quando ainda estão na barriga da mãe conseguem memorizar a voz desta. Será que subestimamos os bebés?

Acho que sim, claro. Acho que subestimamos completamente, porque mal o bebé nasce é altamente competente. Não é que ele perceba as palavras, até porque ainda não tem esse entendimento, mas ele consegue discriminar diferenças de línguas. É uma coisa de facto altamente competente, em termos de discriminação auditiva: um bebé com muito poucos dias consegue diferenciar. Sabemos que quando o bebé está dentro da barriga, na vida intrauterina, ele vai ouvindo os sons de quando o pai ou a mãe falam com ele, os sons que ouviu durante nove meses. Quando nasce, se o pai ou a mãe falarem, ele vai imediatamente virar a cara para eles. Se eu falar, ele não vai virar a cara para mim. Ele sabe que aqueles são os seus pais, que estiveram sempre com ele.

O bebé também responde de forma diferente a sons mais agudos ou mais graves. Uma vez que o bebé esteve dentro da barriga e ouviu durante mais tempo a mãe, ele prefere as vozes semelhantes à dela. Portanto, ele está mais habituado a discriminar esses sons. O mesmo acontece com a entoação. Imaginemos uma mãe que durante toda a gravidez fala baixinho: se quando o bebé nasce falamos com muita entoação, ele vai responder menos. Ele também é capaz de discriminar diferentes línguas porque discrimina as partes da prosódia, da entoação, da melodia… Hoje em dia sabe-se isto através dos movimentos da chucha — quando o som é diferente eles alteram o movimento da chucha e vice-versa. Há muitos estudos neste sentido. Uma coisa engraçada é que os pais, homens, quando falam com os bebés falam em falsete — é este a tipo de fala que o bebé está mais atento.

Se a fase dentro da barriga é tão importante para a comunicação posterior, o que é que as mães não devem ou não podem fazer durante a gestação?

Não sei o que é se deve ou não fazer. Agora, de facto, isso vai ter impacto na vida do bebé. Se for uma mãe com vários tipos de emoções, o bebé também vai estar preparado para diferentes tipos de emoções. Acho que não há um padrão para isso. O importante é a mãe comunicar de volta quando o bebé dá um pontapé — de certa forma o bebé está a dizer alguma coisa à mãe. É tudo um processo muito natural. Quando um bebé nasce os pais passaram horas a admirá-lo. Os pais estabelecem uma relação com o bebé através do seu comportamento e comunicação (a forma como tocam no bebé, como olham para ele…). O nosso comportamento também é comunicação. Este livro não é para ensinar pais e mães, é para nos ajudar a descobrir melhor quem é o nosso bebé e como é que podemos interagir com ele.

Também é necessário que o bebé esteja inserido num ambiente comunicativo. O que se entende por isso?

Um ambiente comunicativo é um ambiente em que há linguagem, em que o bebé desenvolve a comunicação e a linguagem de duas formas diferentes. Primeiro, todos nós temos um dispositivo que é inato, temos alguma coisa cá dentro que nos permite desenvolver. É como aprender a andar: o bebé quando começa a andar precisa de um espaço para o fazer, ele pratica, cai e levanta-se, e há uma altura em que começa a andar. Ninguém ensina o bebé a andar, porque isso vem de dentro de nós. A mesma coisa acontece com a comunicação e a linguagem: assim que eles nascem a primeira coisa que precisam é de ter um interlocutor, alguém que comunique com eles e que dê significado àquilo que eles estão a transmitir (quando o bebé chora e o pai responde, começa a comunicação). Esse dispositivo está lá. Mais à frente, quando pensamos em linguagem, o que a criança tem de ter é alguém que fale com ela, que a oiça falar de uma forma ativa e passiva. Ou seja, que converse com o bebé, comunique, interaja, faça frases, mas também que o oiça falar. Um ambiente comunicativo é isto, não é estar sempre a dizer “diz lá o que é isto!”. As coisas acontecem de forma natural e não é obrigatório estar numa creche. Numa avó também se desenvolve a linguagem. Mas há muitas vezes a ideia de que o bebé vai começar a falar assim que entra na creche — isto é um mito que eu gosto de esclarecer porque a linguagem é inata e, se alguma coisa não acontece, é porque há qualquer coisa ali que não está a correr bem e precisa de ser avaliada.

Ainda na lógica do ambiente comunicativo, qual é o risco da televisão nesta fase? E quais as suas vantagens?

Há o perigo de o bebé ficar entregue à televisão, aos iPads ou aos iPhones — este é o único perigo. Entregue é estar lá o dia inteiro. Isto é um risco, de facto, porque aí apenas temos uma aprendizagem passiva. O ser humano desenvolve-se muito mais através de uma aprendizagem ativa. Atualmente é só carregar num botão, é muito fácil: desde muito pequenos que os bebés são competentes e, com o dedo, viram páginas. Estes aparelhos têm muitas coisas atrativas para eles, inclusive a luz. Acho que não podemos eliminar estas coisas porque fazem parte da nossa vida, podemos é arranjar alternativas: o pai, por exemplo, pode ver televisão com o filho e ir falando com ele sobre isso. Há aliás alguns programas muito interessantes e muito interativos, mas se não houver alguém para os traduzir… muitas vezes podem haver programas que são desadequados ou que não são para a idade do bebé. Temos de aproveitar o que de bom temos.

Ao ler o livro fica-se com a ideia de que há diferenças de género no desenvolvimento da linguagem. É verdade?

Não digo que há diferenças, digo que é diferente a forma como os pais — mãe e pai — falam com as raparigas ou com os rapazes. Nós não falamos da mesma forma com os rapazes do que com as raparigas. Costumo dar este exemplo: quando um filho rapaz cai, ele começa a chorar e muitas vezes oiço os pais dizer: “Vá, está bem, já passou”. Quando é a menina e ela chora, perguntam: “Estás bem? Dói muito? Queres mimos?”. Claro que não há padrões, há pais que fazem isto e outros que não fazem, mas naturalmente quando conversamos com um homem ou quando conversamos com uma mulher, o nosso discurso modifica-se. Por esse motivo, também vai ser diferente a forma como eles [rapazes e raparigas] falam e comunicam. O que acontece é que ambos passam pelas mesmas etapas, só que fazem-no de forma diferente. Muitas vezes ouvimos dizer — e isso agora já está um pouco de parte — que as raparigas falam mais cedo do que os rapazes. Durante muito tempo se disse isso e agora já se sabe que não é bem assim. Ambos passam pelas mesmas etapas e alguns permanecem mais tempo numas do que noutras, não é propriamente um atraso. Nós naturalmente explicamos mais as coisas às raparigas e desenvolvemos mais a nossa conversação, pelo que elas são capazes de fazer frases mais cedo, enquanto os rapazes podem demorar mais tempo a dizer, por exemplo, palavras soltas.

Então, um conselho passaria por falar da mesma forma com ambos os sexos?

Acho que o importante é respeitar as diferenças: nós somos diferentes e temos uma forma diferente de dialogar. Se pensarmos em termos de atividade, os rapazes são mais motores, gostam mais de jogar à bola e com carrinhos, enquanto as raparigas brincam com as bonecas a dar a papa — aí têm mais linguagem. Isto tem que ver com as nossas diferenças de género.

Diz que existe uma relação entre a alimentação e fala. Como assim?

Os momentos em que são introduzidos alimentos diferentes, são momentos em termos de salto na linguagem. Vou dar um exemplo: até aos três meses o choro é essencialmente a forma de o bebé comunicar, o que vai diminuindo ao longo do tempo. Entre os quatro e os seis meses, o bebé começa a comer as papas porque já tem mais espaço dentro da boca e, se tem mais espaço, já pode fazer mais sons. Isso é a fase do balbuciar. Entre os seis e os nove meses deve ser introduzido um sólido na boca da criança — isto é que é muito importante. Se entre os seis e os nove meses não introduzirmos qualquer tipo de sólido, por exemplo pão ou bolacha, mais tarde pode ser mais difícil o bebé aceitar os sólidos. Esta é precisamente a altura em que o bebé faz um balbucio não repetitivo ou este jargon [de jargão], em que parece que está a conversar. Com um ano de idade, na primeira palavra, a criança já mastiga. Ou seja, estas etapas de desenvolvimento e de viragem na linguagem e na comunicação têm que ver também com estas etapas na alimentação. Porque a nossa boca tem várias funções e isto é tudo muscular. Os pontos de desenvolvimento da linguagem têm que ver com isso. Se uma criança, por exemplo, fala à sopinha de massa é porque pode engolir com a língua para a frente. São dois subsistemas que se interligam mas que não dependem um do outro.

Muito resumidamente, qual é a evolução da comunicação da criança entre os zero e os três anos?

Há duas grandes etapas, que é a etapa pré-linguística e a etapa linguística. Até ao primeiro ano, até à primeira palavra, é a etapa pré-linguística. A partir do momento em que diz uma palavra, a criança entra na fase da linguística ou da linguagem e isso já é considerado comunicação, apesar de já existir alguma compreensão da linguagem. Todas as etapas são universais, todos passamos por etapas comuns ao longo do desenvolvimento. Começamos por comunicar através do choro para depois, mais à frente, irmos para esta linguagem mais concreta. Primeiro é choro, depois a expressão facial, a mímica, o gesto, o sorriso, o tomar a vez, o palrar, em que a criança diz vogais, o balbucio (sílabas repetidas e não repetidas) e o tal jargon, que parece uma conversa de verdade, na qual não se percebe nada. A partir daí, entre os nove meses e os 18 meses, pode surgir a primeira palavra, sendo que a média é aos 12 meses. Mas há crianças que dizem aos nove meses, outras que dizem aos 15. Mas a partir dos 18 meses já é considerado um sinal de alarme.

No meio disto tudo, quais são os principais sinais de alarme?

Há sinais de alarme em todas as etapas do desenvolvimento. O que é importante é pensar em sinal de alarme em termos de intensidade — ou seja, se a criança faz alguma coisa que é muito exuberante; se com 18 meses não emite uma palavra, se não balbucia, isso é uma coisa muito exuberante — e caso a situação perdure no tempo. Nessas circunstâncias o ideal será falar com o pediatra da criança.

Já foi apelidada de tradutora de bebés. Pode também ser uma encantadora de bebés?

Eu é que fico encantada com os bebés, eles é que me encantam. Apesar de ser terapeuta da fala trabalho com recém-nascidos. É uma coisa que ninguém imagina, mas nós, seres humanos, começamos a falar e a comunicar desde pequeninos. É apaixonante trabalhar com bebés.

visualizar o vídeo no link:

http://observador.pt/especiais/sabe-porque-chora-o-seu-bebe-arranjamos-lhe-uma-tradutora/

 

 

Ucrânia: Um milhão de crianças precisa de ajuda urgente

Fevereiro 21, 2017 às 2:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tsf.pt/ de 20 de fevereiro de 2017.

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LUSA/TSF

A UNICEF acusa o mundo de ter esquecido a guerra que há três anos devasta o leste da Ucrânia. O conflito está a deixar pelo menos um milhão de crianças em situação de emergência humanitária, estatística que representa o dobro dos números do ano passado.

Em comunicado, a UNICEF alerta que a situação se agravou devido aos confrontos constantes e à degradação rápida das condições de vida no leste do país. As crianças vivem sob ameaça permanente, as escolas estão destruídas, tiveram de abandonar as casas, não têm acesso a bens essenciais como água e aquecimento e estão permanentemente expostas a minas e outros engenhos explosivos. Pelo menos 12 mil vivem em localidades que são bombardeadas uma vez por mês.

A UNICEF quer que seja respeitada pelo menos a legislação humanitária internacional, incluindo o acesso a apoio humanitário sem restrições. A agência lançou um apelo para que se recolham pelo menos 30 milhões de euros para prestar apoio na saúde, nutrição, educação, água potável e saneamento, mas só conseguiu reunir cerca de 10% da quantia.

mais informações no comunicado de imprensa da Unicef:

O número de crianças ucranianas que precisam de ajuda quase duplicou relativamente ao ano passado

 

“Jovens estão saturados de discursos centrados nos riscos da internet”

Fevereiro 21, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://tek.sapo.pt/ de 7 de fevereiro de 2017.

tek

O cenário é semelhante em várias idades. Logo desde os mais pequenos (alguns com menos de 3 anos) e até aos mais velhos, é cada vez mais frequente encontrar os jovens portugueses de olhos colados aos ecrãs, como prova um estudo realizado por uma equipa de investigadores da FCSH/Nova para a ERC.

Hoje dominam os smartphones e os tablets onde há 10 anos pontuavam os portáteis Magalhães, mas os desafios vão crescendo com novas tecnologias, modas das redes sociais e conteúdos mais visuais, mas também a tendência para expor mais da vida privada online.

Como podem os pais e educadores gerir a relação dos mais jovens com as tecnologias? Devem proibir e limitar o tempo de utilização, que rouba muitas vezes espaço ao estudo e a outras atividades, mas também tempo de socialização com a família e amigos, e horas de sono?

O estudo realizado para a ERC dá outro tipo de recomendações, com estratégias flexíveis, adequadas à idade, nível de competências e a própria personalidade dos jovens, e da sua tendência para arriscar. “Estratégias restritivas resultam numa limitação do acesso a oportunidades, pelo que a mediação deve privilegiar a capacitação para a resolução de problemas e a resiliência”, refere o estudo entre outras recomendações.

Cristina Ponte, uma das responsáveis pela investigação, explica ao TeK que, por uma questão cultural, os povos do Sul da Europa apresentam mais receios sobre os conteúdos online, sobretudo os de cariz sexual. Habituada a discutir em fóruns europeus os temas relacionados com a segurança na internet, a investigadora refere que esta é uma das grandes preocupações dos educadores portugueses, a par com o contacto com estranhos, que não tem eco nos países nórdicos.

“No norte da Europa a educação privilegia a autonomia. No Sul a tendência é para sermos mais protecionistas”, justifica. O espírito de que o bom pai e a boa mãe são os que protegem ainda está muito vincado na cultura portuguesa e traduz-se na forma como encaram a utilização dos equipamentos tecnológicos, embora muitas vezes os aparelhos sejam usados como baby sitter ou “pacificadores”, sobretudo junto das crianças com idades até aos 8 anos.

E qual é o discurso certo? Cristina Ponte afirma que não há uma resposta genérica, mas que no geral “os jovens estão saturados de discursos centrados nos riscos da internet, sobretudo na adolescência”. Em vez de protecionista, o discurso devia ser mais “empoderador”, apostando no faz, controla, verifica. “Devia ser capacitante para ajudar a lidar com o risco e para criar competências”.

 

“A intervenção psicológica com vítimas de abuso sexual requer formação especializada”

Fevereiro 21, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Marisalva Fernandes Fávero à http://spsc.pt/ no dia 4 de fevereiro de 2017.

spcf

“O abuso sexual é um crime muito difícil de sinalizar”, que pode ocorrer em qualquer lado: na família, na escola, na universidade, mesmo no consultório do psiquiatra ou psicólogo. Marisalva Fernandes Fávero, doutorada em psicologia e investigadora do Instituto Universitário da Maia, dedica-se ao estudo deste fenómeno, na perspetiva da vítima. A autora de Sexualidade Infantil e Abusos sexuais, terapeuta sexual e psicodramatista, explica ao site da SPSC, que “desenclausurar” o abuso é possível, mas complexo, requerendo do profissional que acompanha a vítima uma formação especializada.

Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica – A violência sexual pode ter apenas uma dimensão psicológica? Ou pressupõe sempre uma qualquer forma de agressão física?

Marisalva Fernandes Fávero – A violência sexual tem várias faces e protagonistas. Não pressupõe sempre a agressão física. Felizmente, e ao contrário do que as pessoas podem pensar, esta é uma constatação que os estudos científicos vieram trazer para a comunidade em geral. Até há umas décadas só se considerava violência sexual se houvesse marcas físicas e, portanto, os tribunais procuravam vestígios. Não se considerava violência sexual ser-se assediado, obrigado a ver cenas de sexo entre outras pessoas (ao vivo ou em filmes), a ver o corpo do agressor (no caso do exibicionismo), a deixar-se fotografar e filmar nu e em poses eróticas, etc..

SPSC – Que metáfora usaria para descrever o que acontece no universo psicológico e emocional de uma criança que seja abusada sexualmente por um membro da família, e de forma repetida, ao longo de anos?

MFF – O abuso sexual continuado é, para mim clausura, prisão. É um estado semelhante ao vivido em campos de concentração. Gera, na vítima, a despersonalização, a falta de controlo sobre o seu corpo, sobre as suas emoções, remete-a a um silêncio forçado, a uma permanência na situação de violência. Ainda que os portões de saída estejam abertos, não há para onde fugir. Emociono-me, sempre com uma afirmação de dois terapeutas franceses (Perrone e Naninni), que ilustram esta solidão e desamparo: “A criança fica numa situação de exílio. Faz parte do mundo adulto sem estar integrada e participa do mundo das crianças sem lhe poder pertencer. Por isso, está condenada ao silêncio! Em sua casa fala uma língua estrangeira e fala uma língua estrangeira no exterior. É estrangeiro num e noutro.” Eu “aportuguesei” a expressão anglo-saxónica Disclosure (usada para indicar a revelação do abuso sexual) num texto que está para publicar (“Porque Desenclausurar é mais do que revelar um segredo bem guardado”). A mensagem de esperança é que “desenclausurar” é possível. A terapia é imprescindível nestes casos. É preciso ter os sentidos em estado de alerta, para perceber quando uma criança ou adolescente está a ser vítima. É um fenómeno de silêncio, é certo, mas o ser humano não comunica só com palavras – as vítimas dizem que fizeram tentativas de revelar, que enviaram sinais, que não foram consideradas. Por outro lado, é imprescindível investir em programas de prevenção. Num estudo em que participei na Universidade de Salamanca (com Amaia Del Campo e Félix López), sobre a avaliação de um programa de prevenção em todos os níveis de escolaridade, 10 alunos/as (oito do grupo experimental e duas meninas do grupo de controle) revelaram, durante a aplicação do Programa, que foram ou estavam a ser vítimas.

SPSC – Que sinais não verbais pode a vítima enviar?

MFF – Qualquer mudança de comportamento, isolamento social, estar com sono em horários de aula ou de atividades sociais, alterações fisiológicas, comichão nas zonas íntimas, comportamentos sexuais ou interesses sexuais não esperados para a idade, etc..

SPSC – Quando pensamos em abuso sexual intrafamiliar não o associamos a mulheres agressoras. Porquê?

MFF – Em certa medida pensamos bem, porque está demonstrado que a maioria das vítimas são meninas e o agressor homem. No entanto, também há mulheres que agridem sexualmente crianças e adolescentes da sua família. Até há bem poucos anos, pensava-se que as mulheres só agrediam sexualmente, se instigadas pelos seus companheiros agressores. Mas os estudos científicos e o trabalho com vítimas tem vindo a desconstruir este mito. A pedofilia feminina e a agressão sexual por mulheres são reconhecidas na psiquiatria e psicologia forense. No meu estudo (realizado a partir de 1994 e publicado em 2003) encontrei 10% de mulheres agressoras de crianças. Os dados mantêm-se e os estudos internacionais vão na mesma direção, revelando percentagens que vão dos 5% (quando as vítimas são meninas) aos 20% (para vítimas rapazes). A agressão é mais facilmente velada, pois nas crianças mais jovens pode ser confundida com os cuidados. Isto também se aplica aos homens agressores, mas no caso das mulheres pode ser ainda mais subtil. É preciso pontuar que as consequências podem ser tão graves quanto as perpetradas por agressores e os motivos também se assemelham.

O abuso sexual continuado é, para mim clausura, prisão. É um estado semelhante ao vivido em campos de concentração. Gera, na vítima, a despersonalização, a falta de controlo sobre o seu corpo, sobre as suas emoções, remete-a a um silêncio forçado, a uma permanência na situação de violência. Ainda que os portões de saída estejam abertos, não há para onde fugir.

SPSC – Como pode a vivência testemunhal do abuso sexual do ‘outro’, marcar uma criança ou adolescente?

MFF – Neste momento, e depois de 6 anos a investigar o assunto, não tenho dúvidas de que uma criança ou adolescente que ouve, assiste e/ou é confidente de uma vítima muito próxima de si, é também ela uma vítima (indireta). Temos verificado que as características do abuso sexual em si, as vivências subjetivas, os mecanismos de defesa e as consequências são muito semelhantes às das vítimas diretas.

SPSC – É possível que o abuso sexual vivido na infância/adolescência seja completamente apagado do consciente? Que técnicas terapêuticas se recomendam para intervir junto destas vítimas?

MFF – Apagado não é o termo. O acompanhamento de vítimas diz-nos que, principalmente nos casos de abusos sexuais repetidos, de facto podem ocorrer no momento do trauma, reações dissociativas que, ao impedir o acesso às memórias (do trauma), prejudicam o seu processamento. A dissociação é um fenómeno defensivo, complexo, que permite que a pessoa se distancie cognitiva e emocionalmente da experiência, de forma a manter a estabilidade física e mental. A dissociação pode surgir durante, ou imediatamente após o trauma (peritraumática), ou como uma consequência a longo prazo. Por isso, está fortemente associada a fenómenos dissociativos na idade adulta, pelo que a presença da dissociação nesta etapa da vida pode ser um indicador fortemente confiável de que a pessoa sofreu abusos sexuais na infância e/ou adolescência. Várias propostas de intervenção focada no trauma têm surgido, cada qual reclamando maior eficiência e rapidez. Independentemente do modelo terapêutico de intervenção utilizado, deve promover a estabilização dos sintomas, validar a experiência e os sentimentos associados e promover o desenvolvimento pessoal com vista ao futuro.

SPSC – Que organizações recomenda no apoio a famílias que lidam com o problema da violência sexual na infância/adolescência?

MFF – Tenho colaborado com a Associação Projecto Criar. Possui os GIAC (Gabinetes Interdisciplinares de Apoio à criança, no Porto, Vila do Conde, Braga e Lisboa) e oferece intervenção psicológica, social e jurídica às vítimas. Há várias respostas sociais, IPSS, ONG, Gabinetes de psicologia em algumas universidades. Em dezembro foi criado o primeiro Centro de Crise de apoio a mulheres e raparigas sobreviventes de violência sexual na Cidade de Lisboa, o primeiro serviço especializado em Portugal. Na inauguração ficou a promessa política para o seu alargamento ao país.

SPSC – O Sistema Nacional de Saúde comparticipa o tratamento psicoterapêutico a menores vítimas de violência sexual? E a adultos?

MFF – Não especificamente. Há apoio psicológico em hospitais, centros de saúde, etc.. Mas a resposta, embora feita por psicólogos e psiquiatras, não é especializada e isto deveria ser um ponto importantíssimo a entrar na agenda política. A intervenção psicológica com vítimas de abuso sexual (seja com crianças e adolescentes ou pessoas adultas que foram vítimas na infância ou adolescência) requer uma formação especializada. É uma área complexa, exige muito do/a profissional, que deveria submeter-se à supervisão e à sua própria terapia.

SPSC – Há muito a ideia de que a vítima de abuso sexual se transforma frequentemente em agressor/a, se não for ajudada. Na realidade é mesmo assim?

MFF – Não é bem assim. Grande parte das vítimas rompe o chamado ciclo de violência. De outro modo, tendo em conta a elevada frequência de vítimas, o flagelo da violência sexual seria, ainda, maior. Outra evidência é que a maior parte das vítimas são mulheres e os ofensores, homens.

Temos que considerar todos os fatores que possam contribuir para a agressão sexual. Apesar de a maior parte das vítimas romper, efetivamente, o ciclo de violência, a intervenção psicológica é muito importante, para, por um lado evitar a repetição do ciclo, mas também para acabar com esta espécie de “premonição” de vítima-a-agressor, nos rapazes vítimas. Por tudo isto, é preciso realçar que, ser vítima de violência sexual na infância ou adolescência pode ser um fator de risco de agressão sexual no futuro, não a causa do referido comportamento.

SPSC – As direções pedagógicas dos meios universitários portugueses são sensíveis à necessidade de prevenir a violência sexual, de criar estruturas para denunciar agressores e para apoiar vítimas? Ou promove-se mais a ideia de que ‘isso não acontece aqui’?

MFF – Não reconheço essa preocupação em nenhuma universidade.

SPSC – Nas escolas secundárias também acontece violência sexual? De que formas? O sexting é uma delas?

MFF – A violência sexual acontece em qualquer lugar, desde que haja agressores. O sexting está a tornar-se vulgar, pois toda a gente tem telemóveis ou outros meios de comunicação, todos de fácil acesso.

Se a violência sexual, principalmente a intrafamiliar, é um crime quase perfeito (protegido pelo silêncio da vítima, da família, pelos sentimentos ambivalentes da vítima para com o agressor, por outros fenómenos psicológicos), a violência sexual nos contextos profissionais é um crime perfeito, sobretudo quando é perpetrado por psiquiatras e terapeutas.

SPSC – Sabemos que o assédio sexual também acontece nos gabinetes de profissionais de saúde (médicos, psicólogos, psiquiatras, entre outros especialistas). Esta é uma realidade mais fácil de sinalizar, punir e combater?

MFF – Toda a violência sexual é difícil de sinalizar. Se a violência sexual, principalmente a intrafamiliar, é um crime quase perfeito (protegido pelo silêncio da vítima, da família, pelos sentimentos ambivalentes da vítima para com o agressor, por outros fenómenos psicológicos), a violência sexual nos contextos profissionais é um crime perfeito, sobretudo quando é perpetrado por psiquiatras e terapeutas. É muito difícil de sinalizar e combater. Os estudos indicam que, apenas as situações mais sérias terão alguma probabilidade de serem reportadas. Dá-se o caso, em grande parte das situações, de a própria vítima demorar a reconhecer que está a ser vítima. Em tribunal a primeira coisa que perguntam é: “se isto aconteceu na primeira consulta, porque é que lá voltou?”. E as vítimas são desacreditadas, remetidas ao silêncio. E a “violência sexual” é quase legitimada em tribunal. O público em geral faria a mesma pergunta, tende a culpar a vítima, por isso, dizia eu, é um crime perfeito!

SPSC – Temos ideia da percentagem de pessoas que sofre (sofreu) de violência sexual no nosso país, atualmente? Como interpretar estes dados?

MFF – Desde a realização do meu estudo não foi feito nenhum estudo nacional de prevalência, que retira dados da informação da própria população e não através de fontes oficiais (que são as que resultam das denúncias). Neste primeiro estudo, 7% da amostra referiu ter sido vítima até os 18 anos. No entanto, na época, tendo em conta os dados internacionais (entre 10 e 15%) considerámos que algumas pessoas da amostra não tinham sido sinceras e que os dados de vitimação poderiam ser maiores do que os revelados. Por este motivo, e passados quase 15 anos do início do processo Casa Pia (que consideramos ter sido um acontecimento que fez romper o silêncio social sobre o fenómeno, tanto que se verificou um aumento das denúncias), decidimos replicar o estudo e, embora só tenhamos tratado os dados do norte do país, verificamos que 10% da amostra revelou ter sido vítima. Mas aqui introduzimos um dado novo, pois verificámos que, nesta mesma amostra, 5% foi vítima indireta, ou seja, testemunhou o abuso sexual por ter ouvido, presenciado ou sido confidente de uma vítima direta. Como se vê são dados preocupantes. Por isso urge a implementação de programas de prevenção (avaliados e eficazes), a reformulação das penas, a intervenção psicológica e jurídica para as vítimas e para as suas famílias e a intervenção com agressores.

SPSC – A sociedade portuguesa reconhece os horrores da violência sexual como horríficos?

MFF – Sim, depois de ter sido confrontada de uma forma muito dramática, com o que ficou conhecido como o processo Casa Pia. A sociedade portuguesa teve de rever certos mitos e preconceitos, nomeadamente o de que o agressor pode ser alguém com reconhecimento e simpatia pública, e o de que as vítimas podem ser rapazes. O processo Casa Pia abriu um debate público, social, e conseguiu implicar todas as pessoas na reflexão sobre o que é, verdadeiramente, a violência sexual contra crianças e adolescentes. Inicialmente, no entanto, gerou-se pânico, medo e insegurança por parte dos adultos relativamente à forma como deveria ser o relacionamento com as crianças sem ser/parecer abusivo. É evidente que todo este processo teve também repercussões nos processos judiciais. Apesar de considerar que ainda falta muito para se chegar a um modelo adequado de intervenção nos abusos sexuais, alguns acontecimentos abrem uma ponta de esperança. Por exemplo, o caso de um professor, no Porto, que foi condenado por abuso sexual de três alunas adolescentes, cujos tipos foram o que chamamos de menos intrusivos (sem penetração, sem contactos físicos subtis, assédio sexual verbal, etc.) e para tal terem valorizado as perícias psicológicas, o meu depoimento na qualidade de psicóloga de uma das vítimas, e terem ouvido as adolescentes, com recurso à gravação para memória futura.

 

 

Conferência “Políticas Públicas para a Infância: O papel da Família e das Comunidades” na Fundação Calouste Gulbenkian, dia 23 fevereiro, 10h, auditório 2

Fevereiro 20, 2017 às 5:25 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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