Crianças Desaparecidas na Europa: Crianças que fogem de situações complicadas em casa

Maio 25, 2017 às 12:30 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Por ocasião do Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, celebrado a 25 de maio por todo o mundo, a Missing Children Europe (MCE) http://missingchildreneurope.eu/ lançou o seu relatório “Números e Tipologias de 2016”. Este relatório revela a evolução das tipologias que vão aparecendo nas diversas Linhas de Apoio 116 000 por toda a Europa.

O Instituto de Apoio à Criança faz parte do conjunto de ONG que em 2001 fundou a Missing Children Europe, Federação Europeia das Crianças Desaparecidas e em 2004 criou uma linha específica no âmbito do SOS Criança para atendimento nestes casos tão complexos do desaparecimento e exploração sexual de crianças. Quando em 2007, a Comissão Europeia criou o número único europeu, o Ministro da Administração Interna, reconhecendo o trabalho do IAC nesta área, atribuiu ao SOS Criança  essa linha telefónica com o nº 116000, que é igual em todos os Países da União Europeia.

As Linhas de Apoio às crianças desaparecidas, associadas à MCE, estão acessíveis através do número 116 000 em 31 países da Europa. Desde 2015, esta rede de parceiros tem apoiado um número cada vez maior de crianças. Em Portugal, é o Instituto de Apoio à Criança que desde 2004 atende estas chamadas com uma equipa multidisciplinar disponível para prestar apoio emocional, psicológico e legal às crianças e suas famílias.

Em 2016 houve um aumento de 12% no que toca aos apelos recebidos de crianças, comparativamente ao ano anterior. Os contactos duplicaram devido a canais de informação como SMS, EMAIL e CHAT.

Em 2016, as fugas representaram 57% dos casos reportados às linhas 116000. Os raptos parentais foram o segundo grupo, com 23% dos casos.

De acordo com os relatórios divulgados pela UNICEF e INTERPOL, mais de 50% de crianças migrantes desaparecem dos seus centros de recolhimento na Europa em menos de 48 horas. Os casos de crianças migrantes aumentaram em 2% em 2015 e 7% em 2016. Os números poderiam ser maiores, mas a falta de clareza nos papéis e responsabilidades das autoridades na prevenção e resposta a este grupo particularmente vulnerável de crianças constitui uma grande preocupação, pois existe pouca proteção e resposta para os mesmos.

Os raptos criminais constituem menos de 1% dos casos reportados em 2016, enquanto que a tipologia perdidos/outra forma de desaparecimento constitui 13% do total das situações.

Um em cada cinco casos de crianças desaparecidas são de natureza transfronteiriça, revelando-se assim a importância da colaboração e cooperação entre os governos nacionais, as linhas de apoio, as forças policiais e outros serviços de proteção infantil, bem como com os mediadores de conflitos familiares internacionais.

Em 2016, 42% dos casos de crianças desaparecidas que foram reportados às linhas 116 000 foram encontrados no mesmo ano, número inferior ao de 2015, que foi de 46%.

Enquanto mais crianças foram localizadas nas outras quatro categorias (raptos parentais, crianças perdidas, crianças migrantes não acompanhadas) regista-se um decréscimo significativo no número de crianças em fuga que foram encontradas, de 57% em 2015 para 46% em 2016.

Também relevante é o número acrescido de crianças que fogem três ou mais vezes consecutivas. Isto chama a atenção para um grupo vulnerável de crianças e jovens cujos problemas, em casa ou com outras razões para fugirem, persistem após a primeira fuga.

As crianças, que fogem repetidamente, são forçadas a usar estratégias cada vez mais arriscadas para sobreviver, tais como dormir na rua e mendigar, expondo-se assim ao risco da exploração sexual.

As Linhas de Apoio de alguns países (Bulgária, Chipre, Grécia, Roménia, Sérvia, Eslovénia e Espanha) não receberam qualquer apoio financeiro dos seus governos nacionais em 2016. Noutros países, o financiamento das autoridades nacionais apenas suportou metade dos orçamentos necessários.

O financiamento é o principal desafio para a rede de Linhas de Apoio, que se deparam com o risco de falta de recursos humanos ou de ter de encerrar por não terem apoios e formas de subsistir.

As Linhas de Apoio 116000 responderam a mais de um milhão de apelos relativos a crianças desaparecidas desde 2011.

Em 2016, quinze Linhas de Apoio receberam um subsídio da Comissão Europeia, que teve início em meados de 2016 e que terá a duração de 24 meses.

Ler o relatório estatístico (números e tipologias) do MCE de 2016 :

http://missingchildreneurope.eu/Portals/0/Docs/Annual%20and%20Data%20reports/Missing%20Children%20Europe%20figures%20and%20trends%202016.pdf

Vídeos de campanhas do MCE pelo youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=ARTDAYLmIWE

https://www.youtube.com/watch?v=cAsm63Craik

Texto traduzido e retirado da Press Release do MCE para divulgação a partir de 25 de maio 2016

Para assinalar o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, o IAC leva a cabo mais uma Conferência. Este ano será a X Conferência Crianças Desaparecidas, que terá lugar na Assembleia da República, no dia 30 de maio.

Para aceder ao programa, entre no link:

http://www.iacrianca.pt/index.php/atualidades/noticias/item/878-x-conferencia-criancas-desaparecidas

TEXTO INTEGRAL para download

 

 

 

Instituto de Apoio à Criança recebe 10 pedidos de ajuda por dia – reportagem da SIC Notícias

Maio 25, 2017 às 11:30 am | Publicado em O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 24 de maio de 2017.

A reportagem contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança.

visualizar a reportagem no link:

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-05-24-Instituto-de-Apoio-a-Crianca-recebe-10-pedidos-de-ajuda-por-dia

Há cada vez mais pais ou mães que raptam os filhos. O Instituto de Apoio à Criança recebe 10 pedidos de ajuda por dia. Os dados foram revelados na véspera do Dia Internacional da Criança Desaparecida, que se celebra na quinta-feira.

 

Crianças jogam Monopólio com regras injustas para perceber desigualdade social

Maio 14, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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texto do site http://tabonito.tv/de 4 de maio de 2017.

A pensar na desigualdade social e em vésperas de eleições francesas, o Observatório das Desigualdades francês (Observatoire des Inégalités) gravou um vídeo onde um grupo de crianças joga Monopólio com normas um bocadinho diferentes.

Normalmente os jogadores começam com a mesma quantidade de dinheiro e seguem as mesmas instruções, mas neste caso não. As meninas ganham menos do que os meninos, as minorias são presas sem razão e os mais ricos do jogo nunca podem ser presos.

Os números, apresentados no final, não enganam: as minorias étnicas têm menos probabilidade de conseguir crédito para a habitação, as mulheres ganham menos do que os homens e os mais pobres são condenados a penas de prisão mais longas.

Um vídeo que mostra às crianças como as regras da vida real são injustas para muitos.

mais informações no link:

http://inegalites.fr/spip.php?page=analyse&id_article=2277&id_rubrique=173&id_mot=31&id_groupe=10

 

Geração Z, os jovens que nasceram na era da internet, da crise e do terrorismo

Maio 11, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 1 de maio de 2017.

Rita Porto

Depois dos Millennials, chega agora a Geração Z. Jovens que nasceram na era da internet e que não sabem o que é o mundo sem a crise e sem o terrorismo. O que esperam eles do futuro?

Leonor esteve indecisa sobre que objeto haveria de trazer quando lhe pedimos para escolher algo que a caracterizasse. Acabou por optar pelo violino em vez do telemóvel. Esta adolescente de 16 anos — feitos agora em abril — toca desde os oito anos e ainda hoje tem aulas e concertos: “Nem sei bem por que escolhi o violino. Acho que sempre gostei do som do instrumento”.

A irmã Carlota foi mais rápida na escolha: um azulejo com um barco à vela em tons de azul. “Fi-lo quando estava no 11° ano. Inspirei-me em todas as viagens que costumávamos fazer com os pais no Alcâncio, o barco do pai. Está sempre exposto na sala de estar”, conta a estudante de Cerâmica da Escola Artística António Arroio. O cuidado com que o manuseia, bem como o modo como o transporta — envolto em várias camadas de papel de cozinha para não se partir dentro da mala — denota a importância que ele tem para a adolescente de 18 anos, cuja carreira que quer seguir ainda é uma incógnita. “Gostava de um dia ter um atelier, mas não sei bem”.

Já Duarte anda com o seu objeto ao pescoço: um colar com duas estrelas azuis e uma roxa, feito pelo seu irmão mais novo. E não é o único assessório que costuma ter consigo: ao pulso tem um elástico e no dedo anelar da mão direita um anel, oferecido pelo melhor amigo, para o ajudar a ultrapassar “um mau momento”. “Gosto de usar acessórios. Ajudam-me a tirar o stress da escola e distraem-me um pouco”, conta o estudante de ciências.

André não andará sempre com o seu skate atrás, mas é sem dúvida uma parte essencial da sua vida. “Comecei a andar de skate há quatro anos, quando tinha 12. Na altura, um amigo comprou um skate numa ‘loja do chinês’ e depois toda a gente comprou um, e eu pensei ‘Porque não?’. Era só na brincadeira. À medida que as pessoas foram deixando de andar de skate, eu começava a interessar-me cada vez mais”, recorda o jovem de 16 anos.

Os treinos na rua com o melhor amigo — que entretanto também deixou o skate — passaram para o Skatepark. Foi o pai quem o levou lá pela primeira vez e, nem dois anos depois de ter começado, já estava a participar no primeiro torneio. “A primeira vez que ouvi falar num campeonato nem fui, por vergonha. Da segunda vez fiquei todo nervoso, mas participei. Fiquei em sexto lugar. Fiquei super feliz, mas também estava bué nervoso”. Foi apenas o início: hoje em dia participa em vários campeonatos, tanto nacionais como internacionais, muitos deles através da loja que o patrocina — Twin Tail.

A escolha de Leonor M. foi a mais tecnológica. “Sou uma pessoa que vive no seu próprio mundo e muitas vezes ponho os phones para estar só comigo, sem ninguém me chatear”. É algo que esta adolescente de 15 anos não dispensa, seja nos transportes públicos, em casa para ouvir música ou até na escola — “Este ano, como não me dou muito bem com a minha turma, acabo por estar muitas vezes de phones“. Um objeto essencial para a jovem baterista quando está a ensaiar em casa. “Tenho uma bateria elétrica em casa. Posso pôr os phones no amplificador e só se ouve como se estivesse a bater em qualquer coisa, mas eu gosto mesmo é de ter som no amplificador. A minha mãe sofre um bocado [risos].”

O que é a Geração Z?

Estes jovens têm histórias e gostos totalmente diferentes uns dos outros, mas partilham algo em comum: todos fazem parte da Geração Z. Depois dos baby boomers, da Geração X e dos Millennials, chegou-se à última letra do alfabeto para caracterizar as pessoas nascidas entre meados dos anos 90 até meados de 2010.

De acordo com dados do INE, são cerca de 2.566.327 as pessoas com menos de 24 anos a viver em Portugal. Dados da Pordata mostram que se trata de uma geração que nasceu numa população cada vez mais envelhecida, cujas mães são mais ativas e com mais escolaridade, mas cada vez menos jovens. Nascem no seio de famílias menos convencionais — têm cada vez menos irmãos biológicos, mas cada vez mais meios-irmãos — e estão rodeados de tecnologia.

Madalena Lupi, diretora do Departamento de Estudos Qualitativos da Netsonda/ConsumerChannel, analisou esta camada de jovens a propósito do 8º Seminário de Marketing Kids & Teens, promovida pela Brandkey, e ressalva que os anos limites para esta geração não são consensuais. “Partimos do princípio que são pessoas que nasceram por volta de 1995 e até 2016 — é uma geração que está em formação”, diz ao Observador.

A investigadora explica ainda que se trata de uma geração com “características próprias” graças ao contexto pessoal, social e económico em que nasceram e estão a crescer, ainda que algumas possam ser semelhantes às gerações anteriores.

Diana Dias Carvalho, socióloga e investigadora nas áreas da sociologia da família, da infância e da juventude, considera mesmo limitativo falar-se de gerações. “O risco de se falar em gerações é que tendemos a reduzi-las a certas características e consequências, e depois quando vamos ver, muitas vezes essas representações não colam com as realidades que encontramos, porque vai depender sempre dos contextos sociais — que são muito diversificados”.

Internet e novas tecnologias

Carlota — 18 anos: “Lembro-me que recebi o meu primeiro telemóvel no quinto ano — nem sequer tinha câmara! Foi-me dado quando começámos a vir sozinhas para casa e para se precisássemos de ligar para os pais. Mas não sinto que seja dependente do telemóvel e da internet. Há umas semanas estive de férias no Algarve com os meus avós e praticamente não mexi no telemóvel. Levei computador para fazer uns trabalhos para a escola e, apesar de ter internet, quase não a usei. Mesmo no dia a dia, só uso o telemóvel nos intervalos das aulas ou para ocupar o tempo, com alguma pesquisa que foi pedida pelos professores, por exemplo. Em termos de redes sociais, o que mais uso é o Instagram — não é tanto pelos vídeos, mas pelas fotografias (gosto muito de editá-las). O Snapchat já não uso tanto porque foram sendo criadas outras aplicações que fazem o mesmo. Uso bastante o Messenger de Facebook, mas só vou mesmo ao Facebook se os meus amigos me disserem que publicaram qualquer coisa.”

Leonor — 16 anos: “O meu primeiro telemóvel era um antigo telefone da minha mãe — deram-me aquele porque se o perdesse não havia problema. Não acho que seja viciada no telemóvel, mas dá sempre jeito. Por exemplo, eu nunca ando com relógio, portanto estou habituada a ver as horas no telemóvel e faz-me falta se não o tiver comigo. Costumo utilizá-lo para estar em contacto com os meus amigos e com os meus pais. Utilizo muito o Instagram, onde partilho fotografias e vídeos, e o WhatsApp para falar com os meus amigos, para combinar coisas ou quando preciso de alguma coisa para a escola e não tenho paciência para lhes ligar. Não uso muito o Messenger do Facebook, nem sei bem porquê.”

André — 16 anos: “Não me lembro de não haver internet — é mesmo estranho! Não sou dependente de tecnologia, mas uso o telemóvel diariamente, especialmente para as redes sociais. Utilizo o Instagram, o Snapchat, mas o Facebook não tanto e o YouTube um bocadinho. Também uso o WhatsApp para falar com os meus amigos e combinar coisas com eles, mas com mensagens áudio gravadas, que escrever dá muito trabalho [risos] . Publico vídeos no Instagram e no YouTube. Quando vou a um parque peço sempre a alguém para filmar, e vou pondo fotografias e vídeos. Sempre que faço alguma coisa nova tenho necessidade de mostrar. Não é para me orgulhar, simplesmente gosto que vejam. As pessoas dão apoio e isso é gratificante.”

Duarte — 16 anos:“Se me esquecer do telemóvel é um stress, porque não tenho maneira de comunicar com as pessoas. Antigamente estava muito preso às redes sociais. Atualmente gosto mais de usar o Instagram, para descobrir coisas novas ligadas à arte e à genética, e o Twitter, para me manter atualizado e ver as notícias — é fácil e rápido, porque sigo as páginas dos jornais e também há os trends. Falo com os meus amigos pelo WhatsApp e só tenho Facebook por causa do Messenger. Não me consigo imaginar sem internet. A internet ajudou-me a criar certas amizades que ainda hoje tenho. Agora sou capaz de comunicar mais, mas antigamente era mais difícil, era muito tímido. Acho que graças às redes sociais estou mais confortável ao pé das pessoas novas e consigo falar melhor com elas. Os nossos pais acham que, com a internet, não estamos tão atentos ao que se passa à nossa volta, mas no meu caso ajudou-me a perceber que o mundo não são só coisas boas. Comunicamos [entre amigos] de maneira diferente, conseguimos falar de vários tópicos porque estamos mais informados.”

Leonor M. — 15 anos: “Eu sou muito dependente do telemóvel — mais do que do computador. Dá para fazer tudo com ele, mas se me esquecer também não tem mal. Uso-o para falar com os meus amigos do grupo de jovens e da minha escola antiga, porque não estou com eles todos os dias. Utilizo muito o Messenger do Facebook e o WhatsApp. A rede social que uso mais é o Twitter, onde sigo pessoas famosas, como atores, músicos, chefs, e amigos meus, mas também gosto muito do Instagram porque gosto de tirar fotografias. Acho que as pessoas da minha idade partilham muitas coisas e acabam por não pensar quem vai ver aquilo. Por exemplo, a minha conta é privada, mas a de muita gente não é e nem sequer veem quem as segue.”

O universo digital é um dos aspetos mais característicos desta geração, como explica Madalena Lupi. “Hoje em dia, todos temos muitas companhias tecnológicas, todos utilizamos muito a internet, mas esta geração nasceu com ela. Se pensarmos que o Google apareceu em 1996, é uma geração que não conhece o mundo sem Google. Ou seja, o mundo para eles já foi definido de acordo com estes parâmetros e isso afeta em muito a maneira como eles o encaram e a maneira como reagem perante muitas coisas”.

Não são, contudo, jovens dependentes de tecnologia, sublinha a investigadora. Ainda assim, a facilidade com que chegam à informação de que precisam , graças “à internet no bolso” (o telemóvel), é determinante para o seu dia a dia: “Qualquer dúvida que um jovem desta geração tenha, tem a internet e toda uma rede enorme de pessoas que lhes explica o que é, como se faz, tudo o que houver a saber sobre o assunto.”, afirma Madalena Lupi.

Algo que pode parecer um caos para muitos, mas não para eles. “A capacidade de discriminar estímulos e de os encontrar será sempre superior à de gerações anteriores, porque cresceram com isto. Não acho que este excesso de informação seja uma coisa caótica e que desorganize. Eles próprios vão encontrando formas de selecionar esses estímulos.”, explica a psicóloga Patrícia Câmara ao Observador.

Uma realidade que faz deles pessoas mais “independentes” e “fazedores”, que utilizam a internet a seu favor para “concretizar as suas iniciativas”: “Na geração anterior, alguém que tivesse jeito para trabalhos manuais ou que até quisesse vender algumas coisas que fazia, tinha de ir a feiras e a lojas. Esta geração põe na internet e vende”.

Para a socióloga Diana Dias Carvalho — atualmente a tirar o doutoramento no ISCSP-UL sobre os jovens e a sua transição para o trabalho e para a vida adulta –, não se pode afirmar “com certeza” que há um uso excessivo da internet, especialmente porque se trata de uma geração com agendas “muito preenchidas e compartimentadas”, integrando o uso das novas tecnologias no seu dia a dia. “O que as crianças fazem online tem muito a ver com o que fazem offline: os jogos online têm a ver, por exemplo, com o gosto pelo futebol; as pessoas com quem falam online são aquelas com quem convivem offline“.

As redes sociais são das ferramentas mais utilizadas no telemóvel por esta geração, mas independentemente do domínio da internet nas suas vidas, continuam a privilegiar a comunicação cara a cara. “A tecnologia faz parte da vida deles, não foi algo que apareceu para substituir alguma coisa. Esta geração cresceu com as tecnologias e, portanto, mais do que os outros, sabe utilizá-las e não as utiliza para tudo. Eles cresceram com todo este digital e a criar relações em simultâneo”, adianta Madalena Lupi. Diana Dias Carvalho refere-se às redes sociais como “uma extensão do mundo offline e da interação face a face”.

Patrícia Câmara vai mais longe e defende que a comunicação online pode não só fazer com que os jovens que se sintam diferentes, cresçam tão menos “isolados”, como também pode servir como preparação para as relações na vida real. “Há jovens mais tímidos para quem a internet pode ser um refúgio — criando uma espécie de second life –, mas também pode ser até uma forma de se aproximarem dos outros, que de outra maneira não seriam capazes. Pode ser um passaporte para experimentar primeiro aquilo que ainda não se teve coragem de fazer na realidade, e não um impedimento do relacionamento em si”.

Pais e internet: controlo vs intimidade

A psicóloga destaca ainda a importância de haver uma “educação mais construtiva” no que toca a estas ferramentas digitais. “Acho que há sítios e horas em que as pessoas se devem desligar. Deve-se privilegiar os momentos de interação, como por exemplo os jantares de família. É importante fomentar estes espaços para que a alienação não exista efetivamente”.

Os pais muitas vezes tentam promover esta “educação”, nem que seja para tentar proteger os filhos daquilo que acham que são os perigos da internet, e muitas vezes não sabem como lidar com a quantidade de ferramentas a que os filhos têm acesso. “Estamos a assistir a uma mudança de paradigma com esta geração e os pais ficam mais aflitos porque a quantidade de coisas a que os filhos têm acesso e que eles não controlam é imensa. O que me parece é que, às vezes, por causa disso, há uma invasão da intimidade que não havia antes”, diz Patrícia Câmara, dando como exemplo determinadas aplicações que permitem aos pais localizarem os filhos e vice-versa. “No lugar onde devia estar a intimidade, o respeito e o espaço do outro passa a estar o controlo”.

A psicóloga considera que os pais deviam optar antes por um discurso “de responsabilização”, de explicação de que “há coisas que se tem realmente de saber, como a pesquisa na internet”, mas pautado “pela dignidade e pelo respeito”. “A história do Pinóquio — que foi seduzido na rua — é antiga. Há sempre predadores à espreita em todas as gerações. Cabe a todos nós, pais e profissionais, sermos instigadores de confiança, alertando para os perigos, mas sem personificarmos o ‘Velho do Restelo’ que teme em aceitar a evolução”.

A maneira como os pais olham para os perigos e benefícios do uso da internet varia consoante se trata de uma família favorecida ou desfavorecida, refere Diana Dias Carvalho. Nas famílias mais desfavorecidas, são muitas vezes as crianças que ensinam aos pais como funcionam as novas tecnologias, fazendo com que os adultos fiquem “mais distantes” e não facultem “ferramentas” aos filhos para eles se “orientarem”. Nas famílias mais favorecidas, por sua vez, são os progenitores que promovem a utilização da internet, estando por isso mais “vigilantes” e transmitindo uma série de “cuidados”.

Carlota — 18 anos e Leonor – 16 anos: “O Facebook foi a nossa primeira rede social, cada uma criou uma conta em 2012. O nosso pai não achava boa ideia que tivéssemos acesso mais cedo porque dizia que podia haver perigos e podíamos não ter bem noção do que estava a acontecer. Por exemplo, alguém fazer-se passar por uma pessoa da nossa idade, combinarmos um encontro e sermos raptadas. Nós sempre encarámos isso com muita seriedade — tivemos amigos que criaram uma conta às escondidas e nós não achávamos isso bem. Nessa altura, o nosso pai pediu-nos as passwords só para, se acontecesse alguma coisa, conseguir chegar até nós, mas nunca usou. Foi mais por uma questão de segurança e nós compreendemos. Nunca percebi muito bem porquê, mas lembro-me que os pais nos pediam para estarmos sentadas num sítio específico — à mesa por exemplo — para quando passassem pudessem dar uma vista de olhos e ver o que estávamos a fazer.”

André — 16 anos: “Tenho Facebook há sete anos e acho que nem disse nada ao meus pais quando criei a conta. Eu sei que eles ficam preocupados, mas nunca foram de me controlar. Eles sabem que eu sei tomar conta de mim. É como sair à noite: uma vez tive de levar um amigo a casa porque ele não estava muito bem. O meu pai ficou preocupado e eu disse-lhe: ”Pai, no dia em que eu chegar a casa assim, proíbe-me de sair à noite. Pode ser?”

Duarte — 16 anos: “Quando criei o meu Facebook tinha 12 anos. Acho que era a idade mínima para se criar uma conta e os meus pais não queriam que tivesse antes. Assim que tive Facebook, eles foram os meus primeiros amigos e tinham a minha password, mas acho que nunca a utilizaram. O meu pai sempre me avisou para ter cuidado com quem adicionava — dizia-me para ter a certeza de quem eram e se não tivesse, para não adicionar –, mas sempre teve muita confiança em mim. A minha mãe sempre foi mais insegura em relação a isso, não queria que me acontecesse nada.”

Leonor M. — 15 anos: “Os meus pais sempre me direcionaram para o que achavam que eu podia ou não fazer, mas nunca viram o meu Facebook. A verdade é que eu também sempre fui muito consciente. Eles não tinham a minha password, mas sabiam que se quisessem ver eu deixava sem qualquer problema. Acho que foi essa confiança que também nunca criou problemas”.

Relação com pais e irmãos

Será que estamos a falar de uma geração mais próxima dos pais? Madalena Lupi acha que sim, defendendo que o fosso geracional entre estes jovens e os seus pais é mais pequeno quando comparado com gerações anteriores, muito graças a valores que ultrapassam as fronteiras geracionais. “Os jovens sentem-se confortáveis com a geração anterior porque os valores são os mesmos. Temos pais e filhos a ouvirem as mesmas músicas e a irem aos mesmos concertos”.

Patrícia Câmara afirma que há efetivamente uma relação mais “aberta” e “flexível” entre pais e filhos, mas sublinha que existe um fosso geracional, especialmente do ponto de vista da tecnologia, o que leva depois a uma tentativa de maior controlo da vida dos filhos — “como se os miúdos soubessem mais do que os pais e os pais têm de espreitar pelo buraco da fechadura”.

Esta distância entre pais e filhos, acrescenta ainda a psicóloga, não é necessariamente negativa. Pelo contrário, serve precisamente para apoiar estas crianças ao longo do crescimento. “Crescer sem ter a sensação que há alguém que está lá pode ser a experiência mais desamparante possível. A relação entre pais e filhos deve poder jogar-se numa dinâmica de afastamentos e aproximações, de encontros e desencontros, amparados pela certeza de que sempre que faz frio se pode voltar ao ninho”.

Carlota — 18 anos: “Ter colegas com os pais separados era uma coisa comum — eu própria tenho pais separados. Lembro-me que quando estava no primeiro ano tinha bastantes colegas que já tinham os pais separados. Conheço muitas pessoas que não se dão bem com os pais ou têm relações más com eles. Todos os dias tenho colegas a queixarem-se que discutiram com a mãe porque ela não lhes deixa fazer qualquer coisa, ou porque falou-lhe mal, etc. Eu tenho uma relação muito próxima com os meus pais e, de vez em quando, até ouvimos as mesmas músicas. Às vezes o meu pai põe a rádio na M80 e se passa uma música antiga que eu começo a cantar, ele até pergunta: ”Mas tu conheces isto?’. A minha irmã e eu damo-nos relativamente bem, quando não nos damos mal [risos], mas até nos damos muito bem. Temos algumas discussões e partilhar não é coisa da Nonô. Ela gosta muito de usar a minha roupa, mas normalmente eu não posso usar a dela. Os nossos gostos são relativamente parecidos, apesar de haver muita coisa que eu gosto e ela não, e vice-versa, mas conhecemo-nos muito bem.”

Leonor — 16 anos: “Tenho uma relação próxima com os meus pais e com a minha irmã — roupa é coisa que não partilho [risos] –, mas tenho colegas com más relações com os pais, ou porque se divorciaram, ou porque nunca se deram bem. Sempre tive colegas com pais divorciados, mas de há uns tempos para cá parece que há mais. Há outros que são muito cúmplices, mas tem um bocadinho a ver com os pais. Há pais que, pelo trabalho, ou porque não têm paciência, estão mais ausentes na vida dos filhos e isso ressente-se na relação entre eles.”

André — 16 anos: “Não partilho muitos gostos com os meus pais. Não gostamos das mesmas séries nem das mesmas músicas. Quando uso a aparelhagem do meu pai, para pôr a minha música, ele costuma dizer: ‘Quando é que pões música a sério?’ [risos]. Às vezes sento-me com a minha mãe a ver a telenovela. Com o meu pai, às vezes ele vai ter comigo ao quarto e conversamos sobre futebol e ficamos a ver vídeos de skate. Temos uma relação aberta e próxima. Conto-lhes o que for preciso, falamos da nossa semana e sobre o skate, mas também temos as nossas discussões — depende do humor de cada um. Tenho muitos amigos com os pais separados e eles têm imensos problemas com isso. Queixam-se que estão sempre a mudar de sítio e que não conseguem estar com os dois ao mesmo tempo. Tenho cada vez mais amigos a passarem por isso.”

Duarte — 16 anos: “Eu tenho três irmãos, um com 21 anos — é filho do meu padrasto — e dois [meios-irmãos] com seis e quatro anos, e damo-nos todos bem. Claro que temos as nossas discussões, mas gostamos muito uns dos outros e preocupamo-nos uns com os outros. Com os meus pais, tinha uma relação mais próxima quando era mais novo. Acho que a maior parte do problema é falta de comunicação. Já não conto tudo o que se passa como antigamente. Tenho amigos que também não se sentem à vontade para falar com os pais sobre determinados assuntos, mas tenho amigas que partilham tudo com os pais e são capazes de falar de todos os problemas. Mas partilho muitos gostos com os meus pais, em termos de músicas, filmes e séries. Lembro-me de estar no sofá a ver o CSI com a minha mãe e tenho memórias de estar no carro com eles a ouvir música — o meu pai gosta de ouvir Blur e Beach Party e eu gosto muito do gosto musical dele. Antigamente se calhar era mais fácil os meus pais falarem com os pais deles sobre certas coisas, porque não tinham a quem recorrer sem ser a eles. Hoje em dia não só temos a internet, como temos outros adultos com quem falar, como professores, e falamos com os amigos.”

Leonor M — 15 anos: “Eu tenho uma relação muito próxima com os meus pais. Até tenho atividades que faço só com o meu pai, ou só com a minha mãe, ou com os dois, e se fizer com algum amigo, é muito estranho. Por exemplo, adoro ver séries com a minha mãe – agora estamos a ver o House. Com o meu pai costumo ouvir música. Gostamos muito de ouvir a Rádio Cascais porque dá muita música antiga, do tempo do meu pai, e acabamos por estar no carro a ouvir e a cantar. Acho que a minha geração tem uma relação mais aberta com os pais, falamos de todos os assuntos. Tenho ainda duas irmãs, uma com 28 anos e outra com 20. Já não estou tanto tempo com minha irmã mais velha porque ela agora está a trabalhar, mas sempre me dei bem com ela. Acabo por ter uma relação mais próxima com a minha irmã do meio porque divido o quarto com ela. Com ela falo muito do nosso dia a dia, mas se tiver algum problema, vou falar com a minha irmã mais velha, exatamente por ela ser mais velha.”

O convívio com os avós

Uma vez que se trata de uma geração que nasceu no seio de uma população cada vez mais envelhecida, e numa altura em que se vive cada vez até mais tarde, muitos destes adolescentes cresceram na companhia dos avós. Uma convivência que os marcou e continua a fazer parte dos seus rituais. Será provavelmente das últimas gerações a ter este privilégio, uma vez que se tem filhos cada vez mais tarde e, consequentemente, é-se avô numa idade mais avançada.

Carlota — 18 anos: “Tenho uma relação muito próxima com os meus avós [maternos] — não cheguei a conhecer os meus avós paternos. Falamos imenso com eles, nem que seja uma vez por semana. Nem sempre somos nós a ligar, sei que devíamos ligar mais. Eles estão em Lagos e sempre que estamos juntos parece que não passou tempo nenhum. Lembro-me de ser pequena, de a minha avó cortar uma manga, dar-me o caroço e eu comê-lo no degrau da cozinha.”

Leonor — 16 anos: “Tenho uma relação muito próxima com os meus avós, desde sempre. Eles foram para Lagos quando tinha cinco ou seis anos e ainda me lembro dos almoços de família que se faziam todos os fins de semana quando eles ainda moravam cá em cima.”

André — 16 anos: “Tenho dois avós da parte da minha mãe e uma avó da parte do meu pai — costumo estar com ela quando vou ao emprego do meu pai porque ela mora ali perto. Com os outros avós temos jantares de família, em que também vêm os meus tios — às vezes não dão jeito se eu tiver uma saída [com os amigos]. Costumo ir mais cedo para casa deles para ajudar a fazer o jantar e para conversar. Depois de comer, eu, o meu avô, os meus tios e o meu pai costumamos ficar a jogar às cartas ou a conversar.”

Duarte — 16 anos: “Eu dou-me extremamente bem tanto com os meus avós paternos como maternos. Todas as semanas estou com os quatro, costumo ajudá-los no que for preciso. Do lado materno, precisam mais de ajuda com as compras, para fazer recados e limpezas. A minha avó canta num coro e há umas semanas fui assistir, com o meu avô, a um espetáculo que eles deram no Olga Cadaval. Do lado paterno são mais independentes, mas faço-lhes companhia. Lembro-me de, quando era mais novo, ir ao zoo com eles e com o meu primo.“

Leonor M — 15 anos: “Eu sempre convivi muito com os meus avós maternos. Durante muito tempo eu saía da escola e ia para casa deles porque a minha avó tinha sido professora e ajudava com os trabalhos de casa. Com os avós paternos também tinha uma relação próxima, mas não os via todos os dias como os outros avós. Às vezes ligava-lhes a dizer que ia lanchar ou jantar a casa deles. Acho que a relação que eu tenho com os meus pais é diferente da que eles tinham com os pais deles na minha idade. Hoje em dia há uma maior abertura para falar com os nossos pais do que antigamente.”

Onde pára o amor?

A vontade de ter alguém com quem partilhar a intimidade continua a estar presente nesta geração, à semelhança das anteriores. Seja através de relacionamentos longos ou apenas fugazes, a base é sempre a mesma, como explica Patrícia Câmara: “Ter alguém que acompanhe as várias etapas do crescimento”, “que ajude na descoberta do corpo”, tendo como “expectativa” que o amor vem “compensar as fragilidades”.

Mas até aqui as redes sociais têm a sua influência. Não é fácil para estes jovens distinguir aquilo que pertence à esfera pública e o que deve ser mantido exclusivamente na intimidade. “É difícil com a maturidade própria destas idades gerir aquilo que é suposto ser público e o que é suposto ser íntimo. A intimidade acaba por ficar à mercê do julgamento de outros”.

Carlota — 18 anos: “Eu nunca tive um namorado nem uma grande paixão, mas vejo pelas minhas colegas e há muitas que estão em relações longas. Tenho uma amiga que está com o mesmo namorado há cerca de seis anos, mas depois também tenho outras que estão com alguém no máximo durante seis meses. Talvez por estarmos no 12.º ano acho que as pessoas da minha idade dão mais valor à escola e a terem emprego do que a divertirem-se. Ainda hoje tinha uma colega a queixar-se que não via o namorado há um mês por causa de trabalhos, etc.”.

Leonor — 16 anos: “Acho que não tem muito a ver com a geração em si, mas sim com a personalidade. Varia de pessoa para pessoa. Tenho amigos que não namoram e outros que sim; uns com relações mais longas e outros mais curtas. Talvez os mais frequentes sejam os namoros passageiros, de dois a três meses, se calhar porque se fartam uns dos outros”.

André — 16 anos: “São normalmente ‘namoricos’, não costumam ser relacionamentos muito longos — no geral as pessoas enjoam ao fim de três ou quatro meses. Nem sei bem explicar porquê, por uma pequena discussão acabam logo tudo .”

Duarte — 16 anos: “Hoje em dia, as relações são cada vez mais curtas — duram um mês ou poucos meses. É mais complicado manter uma relação, mas não sei bem porquê. Parece que é um pouco mais complicado as pessoas exprimirem-se e com isso perde-se a intimidade. Com as redes sociais também não é fácil porque já não há a privacidade que havia antes, é tudo público. As pessoas expõem-se mais e é difícil manter um relacionamento entre poucas pessoas — é uma notícia que circula facilmente. Com isso, há um receio de assumir as relações. Apesar de serem raros os relacionamentos longos, acho que os adolescentes valorizam as relações não só amorosas, mas também de amizade.”

Leonor M — 15 anos: “Eu conheço muitas pessoas da minha idade que têm namorado. Não são relacionamentos nem muito longos, nem muito curtos — de três a quatro meses –, mas acho que isso tem a ver com a nossa idade. Estamos sempre a querer coisas diferentes a cada momento e mudamos de opinião muito facilmente.”

Tolerância

Madalena Lupi não tem dúvidas de que estamos perante uma geração mais tolerante que as anteriores: “Para eles, a diferença é uma coisa natural e lutam por preservar essa diferença”. Uma tolerância que advém de um maior conhecimento da diversidade do mundo e das pessoas. “Eu não vejo uma geração fechada, pelo contrário. Acho que eles têm uma abertura e falam sobre determinados assuntos, como a sexualidade, a homossexualidade, de uma maneira que era impensável há 15 anos”, refere Patrícia Câmara.

Carlota — 18 anos: “Como ando numa escola de artes, em Lisboa, há uma maior diversidade de pessoas e há uma maior tolerância em relação ao que é diferente. Não sei como será noutros sítios.”

Leonor — 16 anos: “Não acho que haja uma grande tolerância. Sempre que há alguém que se veste de maneira diferente, as pessoas olham de lado.”

André — 16 anos: “Não acho que sejamos uma geração mais tolerante. Conheço muita gente que se vir um homossexual goza ou afasta-se. Para mim é indiferente, conheço um rapaz gay, ele é fixe e faz parte do nosso grupo. Ele não admite, mas nós também não gozamos com ele. Se ele for gay, nós apoiamos. Antigamente havia mais [preconceito] porque as pessoas tinham medo de expressarem os seus sentimentos. Hoje em dia, sinto que há cada vez mais pessoas a assumirem-se e as pessoas vão-se habituando. Mas ainda vai faltar algum tempo até se ser tolerante para com toda a gente.”

Duarte — 16 anos: “Com o passar dos anos estamos a tornar-nos mais tolerantes com a diversidade. Eu dou-me com pessoas tolerantes relativamente a questões como a homossexualidade e o racismo, mas também já conheci pessoas que não suportam homossexuais e que são bastante racistas. Acho que tem a ver com a família: se os pais forem racistas então os filhos também são um bocadinho. A homossexualidade não tanto, acho que é uma coisa mais individual.”

Leonor M. — 15 anos: “Acho que somos uma geração tolerante, mas estava à espera que fôssemos mais. Estamos no século XXI, cada vez somos mais diferentes e estava à espera de uma outra atitude. E com a internet podemos saber e falar de tanta coisa, e as pessoas acabam por não saber. Eu sou uma pessoa que gosta muito de falar sobre certos temas e saber a opinião dos outros. No grupo de jovens semi-católico onde ando juntamo-nos de quinze em quinze dias, fazemos atividades e falamos sobre questões como o racismo, a homossexualidade e assuntos do dia a dia, mas muitas vezes as pessoas isolam-se e nem sabem do que se está a passar. Há uma certa vergonha em falar de algumas questões como a homossexualidade. Há uma brincadeira que os meus amigos costumavam fazer que é dizer coisas como ‘mas que atitude gay’ ou ‘és mesmo gay’. Eu detesto isso porque, para mim, ser gay não é um insulto. Acho que não o fazem por maldade, é mais porque não pensam no que estão a dizer.”

Igualdade de género: será desta?

A igualdade de género tem sido um tema extremamente debatido e chegou aos ouvidos destes jovens. É por isso uma questão à qual estão mais atentos. “Está a fazer este movimento no sentido em que mulheres e homens o percorram de uma forma mais idêntica”, defende Patrícia Câmara.

Carlota — 18 nos: “Na escola é um bocadinho ao contrário do que as pessoas pensam. Os rapazes são pior tratados porque assume-se que eles são os que se portam pior. Na minha aula de Geometria Descritiva, houve um colega que foi expulso da aula por ter falado uma vez, enquanto uma outra colega que estava sempre a incomodar não foi. Também acontece o contrário. Ou seja, as raparigas não poderem fazer algumas coisas que os rapazes podem. No nono ano, por exemplo, tive um professor de educação física que punha os rapazes a jogarem à bola, uns contra os outros, e as raparigas só ficavam a rematar à baliza quando algumas delas até jogavam melhor que alguns rapazes — mas esse professor era um bocado machista.”

Leonor — 16 anos: “Ultimamente fala-se muito mais nesta questão, mas apesar do esforço, ainda há muito esta desigualdade. Pessoas que ainda dizem que as raparigas não se devem sentar de determinada maneira e não devem dizer certas coisas. Ainda assim, é algo que tem vindo a melhorar.”

André — 16 anos: “Não noto uma grande diferença de tratamento entre rapazes e raparigas. Há muitas raparigas que jogam futebol e outras que andam de skate. Nós tratamos toda a gente igual, mas quando se aleijam, parece que nos preocupamos mais com as raparigas. Não é por mal, é só uma questão de cuidado.”

Duarte — 16 anos: “As pessoas que me rodeiam consideram as raparigas iguais aos rapazes. Não notam diferença de tratamento na escola, por exemplo — acho que os professores têm a mesma atenção e o mesmo cuidados com todos –, mas ainda se encontram pessoas que acham que as mulheres são ‘inferiores’. Não é uma coisa que se oiça muito, mas quando alguém está mais irritado ou numa situação complicada, ainda se veem pessoas a recorrerem a esta diferença.”

Leonor M. — 15 anos: “Hoje em dia estamos mais relembrados desta questão e pensamos mais nisso. Já aconteceu, durante uma aula, um professor dizer que aquilo que estou a fazer não é trabalho para uma mulher e para pedir ajuda a um colega. Tenho também um professor que acha que trabalhar num bar não é trabalho para uma mulher. Obviamente que não gosto de ouvir, mas como são professores não posso ter grande reação. São pessoas mais velhas, acho que na minha geração já não se nota tanto.”

Terrorismo

A palavra terrorismo ganhou toda uma outra dimensão após o 11 de setembro de 2001. Nessa altura, os jovens da Geração Z ainda não eram nascidos, ou eram demasiado novos e não se lembram do que era o mundo antes da queda das Torres Gémeas, moldando por isso a maneira como olham para os ataques terroristas.

“Eles vivem num mundo em que as coisas estão em constante ameaça terrorista. Um jovem desta geração que veja uma mochila abandonada no metro, o primeiro pensamento que tem é: ‘será que alguém deixou aqui uma bomba?’, enquanto uma pessoa com a mesma idade há uns anos pensaria: ‘olha, alguém esqueceu-se da mochila’.”, explica Madalena Lupi.

Já Patrícia Câmara não acredita que estes jovens estejam assustados com estes ataques, especialmente por acharem que Portugal é um país seguro.

Carlota — 18 anos: “Não gosto muito de pensar nessa questão. Se pensarmos todos os dias nisso [nos ataques terroristas], vamos estar a criar medos que até podem ser verdade, mas que são desnecessários. Não podemos viver a vida com medo.”

Leonor — 16 anos: “Eu não ligo muito [à questão do terrorismo], talvez porque vivo em Portugal. Se calhar, se vivesse noutro país em que os atentados acontecessem com mais frequência não pensaria assim, mas não estaria tão preocupada quanto as pessoas que sempre viveram naquele país. E não, se vir uma mochila abandonada, não penso logo que pode ser uma bomba.”

André — 16 anos: “O terrorismo não me assusta, antes pelo contrário. Às vezes vejo onde aconteceram os atentados porque já sei que depois as viagens para lá vão ficar mais baratas. São também países que depois acabam por ter mais segurança. Por um lado é mais chato — tens de ser revistado e eles têm muito mais cuidado –, mas por outro não volta a acontecer um atentado tão cedo graças a essa segurança.”

Duarte — 16 anos: “Ainda me lembro do que era viver sem terrorismo. Lembro-me que era mais calmo quando queríamos sair do país. A questão do terrorismo é uma coisa de que falamos entre amigos. Se acontecesse alguma coisa em Portugal, não sei como as pessoas iriam reagir — talvez não estejamos preparados. A notícia do primeiro atentado em Paris chocou-me. Ficámos [os meus amigos e eu] todos um bocado em pânico, sem saber o que dizer e as redes sociais foram invadidas com montes de coisas.”

Leonor M. — 15 anos: “O terrorismo é uma coisa com que vivemos todos os dias. As notícias são só sobre isso, sobre a crise e sobre miséria. Não acho que sejamos uma geração mais insegura, acho exatamente o oposto. Somos muito mais calmos neste tipo de coisas, mas isso tem um lado mau: não somos responsáveis.”

Crescer com a crise

Para além do terrorismo, a crise financeira foi outro dos fenómenos que marcou o crescimento destes jovens. A grande maioria não se lembra do que é viver sem crise.”Eles têm muita noção do que foi a crise e têm consciência de que ela pode comprometer ou condicionar o seu futuro”, defende Diana Dias Carvalho.

Carlota — 18 anos: “Como vivemos quase toda a vida em crise, não temos bem noção do que é viver sem ela, então acabamos por achar isto tudo normal. Acho que a nossa geração ficou marcada por esta crise e acabou por fazer com que estejamos mais atentos aos gastos, mas não acho que sejamos uma geração poupada. Mesmo que a crise passasse iríamos ter cuidado e atenção para não gastar muito dinheiro — por exemplo, iríamos continuar a estar atentos aos produtos mais baratos ou em promoções.”

Leonor — 16 anos: “Não me lembro de viver sem crise. Há uns tempos tinha a perceção de que as pessoas estavam preocupadas em poupar e agora nem tanto. Cá em casa tentamos poupar, mas não é nada de preocupante. Tentamos não deixar as luzes todas acesas, não gastar água desnecessariamente e, quando vamos ao supermercado, estamos mais atentos aos produtos mais baratos.”

André — 16 anos: “Toda a gente fala na crise. Os meus amigos e eu tentamos sempre ir jantar ao mais barato possível, nem que seja se eu não tiver muito dinheiro, os meus amigos vêm todos jantar a minha casa e depois pagam-me a saída. Em casa senti algumas diferenças, mas nunca me faltou nada. O meu pai sempre que vai ao supermercado leva vales do Mini Preço ou do Pingo Doce, vê os descontos online, vai mais vezes às compras quando há descontos — noto essa preocupação. Normalmente mudo de skate de mês a mês, dependendo do esforço que faça, mas houve uma altura em que tive de me aguentar com o que tinha.”

Duarte — 16 anos: “Lembro-me que antes da crise as notícias eram mais calmas. Havia menos stress em termos das escolhas que fazemos, que podemos ou não fazer. Em casa, a maior diferença que notei foi nos gastos — sabemos quanto custa um litro de leite no Continente, no Lidl, no Pingo Doce e fazemos comparações para ver o que é mais barato. Antes estávamos mais à vontade e agora há mais avisos. Por exemplo, costumava deixar a televisão ligada para companhia, mesmo que não estivesse a ver nada. Agora já considero isso um desperdício. Com o passar do tempo consegui perceber que as coisas já não são o que eram e consegui habituar-me a isso. Eu até me considero poupado, mas tenho gastos que posso evitar. Não acho que a pessoas minha idade sejam muito poupadas. Se recebem dinheiro e têm algo em mente, gastam logo e não esperam para que o preço fique melhor, por exemplo.”

Leonor M. — 15 anos: “Acho que não me lembro de viver sem crise. Os telejornais passam muita coisa sobre a crise e coisas políticas e, ainda que sejam assuntos importantes, acho que se devia falar mais sobre cultura e sobre o país em si. As pessoas já vivem em stress e depois chegam a casa e na televisão só se fala nisso. Em minha casa não falamos tanto em poupança, mas o meu pai tenta explicar-me o que está a acontecer para eu ter noção do que se passa à minha volta. Eu sempre fui muito de juntar dinheiro para comprar coisas que são importantes para mim: a minha bateria, a minha máquina fotográfica, a minha primeira Nintendo.”

Madalena Lupi também sublinha o peso da crise nesta geração. “Provavelmente tiveram pais que perderam emprego, houve estilos de vida que mudaram. Eles já perceberam que nada é seguro, que as coisas podem acabar de um momento para o outro e portanto já não são tão idealistas”. Ao serem menos “idealistas” e mais “fazedores”, continua a investigadora, é também uma geração que pensa que “pode mudar o mundo no pequeno espaço que é seu e no grande espaço que é a internet”.

Futuro profissional….

Patrícia Câmara considera que se trata de uma geração que procura “alternativas” ao dito emprego clássico — as startup e a”recuperação” dos cursos profissionais são exemplo disso. “Procuram coisas mais centradas a partir de si próprios, na construção de coisas para o mundo, do que propriamente na integração de grandes instituições”.

A crise também fez com que se tornassem “menos obstinados” com as carreiras e levou-os a questionar os “padrões de sucesso”. “Não me parecem miúdos tão centrados no sucesso, até porque a maior parte sente que as carreiras não existem”, acrescenta.

E será que, à semelhança das gerações anteriores, estão de olhos postos lá fora em novas possibilidades de emprego? Patrícia Câmara acha que não. “Acho que esta ideia de ir para fora está a ficar mais pequenina. Não só pela questão do medo — dos atentados terroristas, do Brexit –, mas também pela vontade de reabilitar o próprio país. Os momentos de grande crise também obrigam a um olhar para dentro social e psicologicamente”.

Esta insegurança relativamente ao futuro faz com que alguns jovens optem por estar mais focados no aqui e agora. “Acho que esta indefinição do futuro é a grande diferença para esta geração. Além de que o presente é tão espesso que eu não acho que eles estejam propriamente a pensar no futuro”, defende Patrícia Câmara.

Carlota — 18 anos: “Eu costumo pensar mais no presente do que no futuro — penso a cinco anos no máximo –, mas tenho imensas colegas que estão preocupadas em melhorar as notas desde o nono ano para conseguirem entrar na faculdade. Acho que se devia pensar mais no agora. Este ano vou acabar o 12.º ano e, para o ano, estou a pensar fazer um Gap Year e ir para Londres aprender inglês para depois ir para a Tailândia dar aulas. Queria também passar pela Austrália para visitar uns primos que estão lá a viver e só depois voltar a Portugal. Gostava de ir para a faculdade quando voltasse, mas não sei para que curso. Tento não pensar muito nisso [de faculdade e emprego]. As oportunidades fazem-se. Temos é de estar atentas a novas oportunidades, mesmo que não seja na nossa área. Ou seja, aceitar um trabalho mesmo que não seja na nossa área e mais tarde arranjar forma de chegar aos nossos sonhos.”

Leonor — 16 anos: “Agora estou no 10.º ano em humanidades. Eu até teria ido para ciências, mas tinha físico-química e matemática e eu sabia que não iria resultar. A verdade é que nunca tive aquela coisa de saber desde pequena o que queria ser. Estou a pensar em ir para Direito — o meu pai até disse que talvez conseguiria arranjar-me um estágio –, mas ainda não sei bem. Por enquanto é só uma ideia, não sei se é mesmo isso que quero seguir. Sei que gostava de fazer Erasmus quando estivesse na faculdade e talvez até ir trabalhar para fora. Eu sempre tive familiares a viverem na Austrália portanto, para mim, é uma coisa normal ter pessoas longe e só as ver de vez em quando.”

André — 16 anos: “Estou no 10.º ano em humanidades. No ano passado estive em ciências, mas não gostei muito. A meio do ano deixei de me empenhar, quase não ia às aulas e ficava o tempo todo a andar de skate porque já sabia que ia mudar de área. Planos para o futuro não tenho nenhuns. Eu gostava de seguir skate, mas não sei. Depende das oportunidades que forem surgindo, dos patrocínios, dos campeonatos, mas o tempo irá proporcionar isso tudo. Se der para seguir skate, muito bem. Se der para seguir outra coisa, segue-se outra coisa — tem é de ser algo relacionado como fotografia ou filmagens. Para ser skater vou ter de ir para fora. Estados Unidos é o sítio em que se ganha mais nome, mais dinheiro e há mais probabilidade de ser profissional. É o meu sonho.”

Duarte — 16 anos: “Para mim, aquilo que fazemos no presente vai influenciar o nosso futuro e acho que se queremos ter um bom futuro, há que ter cuidado com o que se faz no presente. No nono ano estava um bocado indeciso entre ciências e artes. Fascina-me tudo o que tenha a ver com artes — toco trompete, adoro pintura e escultura. Só que depois achei que seria difícil escolher o que seguir no universo das artes. Outra coisa que me influenciou foi a saída [profissional], ter emprego. Então fui para ciências. Foi um escolha racional — se tivesse escolhido com o coração, teria ido para artes. Gostava de seguir Genética. É uma área que me interessa, tentar perceber como está tudo estruturado. Se conseguir ter notas, gostava de ir para uma faculdade de Genética que há nas Caldas da Rainha, mas também pondero ir estudar fora. Mais tarde, gostava de ter um bom emprego, ainda que tenha medo de não ter emprego em Portugal.”

Leonor M. — 15 anos: “Eu estou a tirar técnicas de cozinha e pastelaria na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. Depois estou a pensar ir para a faculdade também no Estoril. É um curso profissional, decidi entrar num curso específico logo porque não sabia que área haveria de escolher e para escolher algo que não iria gostar muito, não valia a pena. Espero um dia ter o meu restaurante, com comida não tanto tradicional, mas mais molecular. A cozinha depende muito do dia da pessoa que estiver a cozinhar, e tem muito por base a inspiração de cada um.”

… e pessoal?

Mas não se pode descartar o lado pessoal e Patrícia Câmara considera que o maior receio dos jovens continua a estar ligado a este aspeto: “Não encontrar alguém com quem partilhar a vida”. Para esta geração, a família voltou a ter um lugar central, defende a psicóloga. “Querem uma carreira sim, mas sem abdicar de existência”.

Carlota — 18 anos: “Eu não penso muito nisso [ter alguém]. Às vezes vezes falamos deste assunto, mas é uma coisa sem muita importância.”

Leonor — 16 anos: “Acho que toda a gente pensa em ter filhos e casar fica mais em segundo plano. Não acho que seja preciso um papel para se poder ter filhos ou para dar importância a uma relação. Acho que a maior parte das pessoas da minha geração pensa em ter filhos sem casar antes.”

André — 16 anos: “Gostava também de ser pai aos 20 e poucos para acompanhar durante mais tempo os meus filhos. Normalmente as pessoas pensam em acabar o 12.º ano, ter uma média fixe, escolher um curso, acabar a faculdade, ter emprego e vida estável e só depois casar e ter filhos. Eu sou completamente ao contrário: acho que é bom ter uma vida estável, mas isso demora muito tempo.”

Duarte — 16 anos: “Quando imagino o meu futuro, claro que me preocupo com o emprego, mas não estaria tão motivado em querer ter um bom emprego se não tivesse alguém ao meu lado. Gostava de assentar e ter filhos, ensinar aquilo que aprendi à minha descendência, mas nem todos pensam como eu. Tenho muitos colegas que nem pensam em ter filhos ou só pensam em ter muito mais tarde, quando tiverem uma vida mais estável. Eu gostava de ter dois filhos, para terem irmãos. Talvez um casal: um rapaz e uma rapariga.”

Leonor M. — 15 anos: “A nossa geração pensa cada vez menos em casar e ter filhos — não é uma coisa de que falamos muito entre amigos, é mais de passagem. Pensamos em fazer tudo muito mais tarde porque achamos que quando tivermos 28 anos, por exemplo, não vamos ter um emprego estável. Eu penso muito nos filhos que terei: como vou conseguir conciliar o tempo que eles vão estar de férias e eu não estou; as horas a que vou chegar a casa e eles já vão estar a dormir. Acho que vou ter de ter alguém ao meu lado que vai ter de ser muito tolerante comigo.”

 

vídeos e fotografias no link:

http://observador.pt/especiais/geracao-z-os-jovens-que-nasceram-na-era-da-internet-da-crise-e-do-terrorismo/

Não te deixes enganar pela Baleia – Se entras no jogo, o teu papel é perder

Maio 9, 2017 às 2:30 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Não deixes que a Baleia te marque para sempre – Se entras no jogo é para perder

Maio 8, 2017 às 2:21 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Melhor proteção para crianças on-line – Parlamento Europeu

Maio 8, 2017 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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https://www.europarltv.europa.eu/programme/society/better-protection-for-children-online

Prevenção contra Desafio “Baleia Azul” vídeo da PSP

Maio 4, 2017 às 12:30 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Criança e Natureza: Vamos permitir que elas se arrisquem durante o brincar?

Maio 4, 2017 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do site http://epoca.globo.com/de 17 de abril de 2017.

Fabio Raimo, instrutor de educação ao ar livre, explica sobre a capacidade das crianças de brincar e calcular riscos: “Ninguém se desenvolve se isolando de riscos”

LAÍS FLEURY

“Não suba nesta árvore, você pode se machucar!” “Não pise nesta pedra, você pode cair!” “Cuidado com a água, você pode escorregar!” são algumas das frases que as crianças, certamente, mais escutam dos pais ou responsáveis quando brincam na natureza. O que os adultos não entendem, muitas vezes, é que essas aventuras oferecem pequenos riscos não prejudiciais às crianças, ao contrário: são fundamentais para seu desenvolvimento, e elas sabem, ainda que inconscientemente, como escolher os riscos de suas brincadeiras.

>> A falta que a natureza faz

Já se sabe que as crianças precisam se movimentar para que possam se desenvolver com saúde e em todo o seu potencial. Especialistas mostram que a relação com a natureza para o desenvolvimento de diferentes habilidades corporais, como pular, escalar, correr, construir, é benéfica e fundamental. Não é mera coincidência o impulso das crianças para exercitar essas habilidades em relação ao caráter expansivo, exploratório, curioso e ativo que permeia a infância.

No episódio A criança que se sente capaz, produzido pelo Criança e Natureza, do Instituto Alana, Fabio Raimo, instrutor de atividades ao ar livre, explica o valor do risco para o desenvolvimento da criança e comenta como o brincar na natureza é a prática mais propícia para empoderar os pequenos ensinando-os a lidar com seus medos, conhecer seus limites e sentir-se capazes e confiantes para interagir em segurança com o ambiente, com as pessoas e com o mundo.

 

 

O meu amigo eu vou respeitar

Abril 30, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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texto do site http://www.hypeness.com.br/

A Escola de Educação Infantil Pequenos Passos, de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, fez o maior sucesso com um vídeo postado no Facebook na semana passada. Parte de um projeto desenvolvido por Gisele Freire, uma das sócias da escola, a ideia é ensinar às crianças alguns valores importantes, como respeito, amizade e humildade.

Com o auxílio das professoras, caixas de papelão foram transformadas em vagões coloridos, onde diversas palavras foram escritas e, no fim do mês passado, foram usadas pelas crianças para formar o trenzinho.

No vídeo divulgado, elas passeiam pelo pátio da escola cantarolando uma música escrita por Eliton Seára, também professor do local, onde entoam palavras de respeito aos coleguinhas.

Segundo Gisele, a ideia do projeto surgiu após perceber que as crianças estão naquela fase de brigar e morder uns aos outros, e que esta seria uma maneira lúdica de passar bons valores para elas. Duvido que você vai ver algo mais fofo durante essa semana!

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