App nacional protege crianças de desenhos animados violentos na Internet e ganha adeptos no mundo

Agosto 7, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 21 de julho de 2018.

A maior parte dos clientes de uma empresa de Braga está nos Estados Unidos da América (60%) e no Reino Unido, mas já está em mais de 200 países .

Quando se apercebeu que as filhas viam desenhos animados na Internet que pareciam originais da Disney, mas na verdade continham cenas “estranhas e violentas”, do género do “Mickey a cortar cabeças”, Hugo Ribeiro procurou uma aplicação para telemóveis capaz de garantir a filtragem do que era ou não era apropriado para as crianças. Como não encontrou uma solução dentro dos requisitos pretendidos, deitou mãos a esse projeto e, juntamente com Pedro Branco, criou a KiddZtube. Operacional desde o final de 2017, o sucesso chegou logo nos primeiros meses deste ano: a plataforma já disponibiliza mais de 1.200 vídeos, todos selecionados por professores a partir dos conteúdos infantis mais populares no Youtube, e atingiu, no semestre concluído a 30 de junho, o patamar das 250 mil crianças utilizadoras, em mais de 200 países, num total que supera os três milhões de vídeos vistos.

Os números são avançados à VISÃO por Hugo Ribeiro, diretor geral da Magikbee, a empresa de Braga que desenvolve este produto destinado a crianças e pais, acrescentado aos vídeos conteúdos didáticos e interativos. No final, as crianças são confrontadas com uma pergunta ou um desafio que, por regra, a equipa de professores que os cria tenta transformar numa ferramenta de aprendizagem. “Das cores, dos animais, até de músicas de Natal”, exemplifica Hugo Ribeiro. Cada vídeo pode estar associado a cerca de dez perguntas, que vão surgindo à vez sempre que a criança vê o mesmo desenho animado. Aos pais estão reservadas funcionalidades como a possibilidade de definirem um limite temporal de utilização por dia ou a de poderem rastrear os conteúdos visualizados pelos filhos.

Em março, a versão paga (4,99 dólares – ou 4,2 euros) da KiddZtube chegou a ser app para crianças mais vendida na Amazon, na área audiovisual, e ao início da tarde desta sexta-feira, 20, seguia na quarta posição (há atualizações de hora a hora). “É incrível como estamos a conseguir competir com gigantes a nível mundial como a Nickelodeon”, salienta o cofundador da Magikbee, que deixou o emprego na Sonae, na área do marketing da operadora NOS, para investir neste negócio. Também está disponível uma versão gratuita da aplicação, com cerca de 50 vídeos.

Inglês é a língua mãe

Os conteúdos selecionados no Youtube são todos em inglês e o alvo são crianças dos três aos oito anos. A opção está ligada ao facto de terem sido identificadas lacunas “à escala global”, no que respeita à monitorização dos desenhos animados que as crianças devem evitar, e também à vontade de chegar ao maior número de interessados. O mercado americano representa nesta altura 60% dos clientes da KiddZtube, seguido do Reino Unido, com um peso entre os 25 e os 30 por cento. “O resto dos nossos clientes está muito distribuído”, adianta Hugo Ribeiro, 38 anos e pai de uma menina com cinco e de outra com onze.

O sucesso do projeto levou entretanto a pedidos de outros professores para incluirem vídeos na plataforma, de forma a poderem depois usá-los no ensino de algumas temáticas, da geografia à história. Nesse sentido, a Magikbee criou a KiddZtube Academy, uma solução que permite seguir a evolução dos alunos.

 

 

E quando os filhos saem de casa e os pais não sabem o que fazer?

Julho 28, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 17 de julho de 2018.

O síndrome do ninho vazio existe e pode levar alguns pais à depressão. A receita é transmitir confiança aos filhos e deixá-los voar, recomendam os especialistas. Quanto aos pais, há projectos que podem pôr em prática.

Bárbara Wong

Na cozinha, uma mulher faz pãezinhos chineses com destreza. Põem-nos a cozer ao vapor e leva-os para a mesa, onde ela e o marido comem em silêncio. Ele sai para trabalhar e ela fica a terminar a refeição até que o último pãozinho, o bao, ganha vida. É um bebé que segue a mãe para todo o lado, mas à medida que cresce vai ganhando autonomia para mal daquela mãe que não se consegue adaptar. O fim fica para quem quiser ir ver a curta-metragem Bao, da realizadora Domee Shi, que antecede Os Incríveis 2, nos cinemas. Amanhã começam as candidaturas à primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, altura em que muitos jovens optam por escolher cursos ou escolas que ficam longe da casa dos pais. Como lidam estes com a situação?

Depende. Tal como a mãe chinesa de Bao, também os pais portugueses promovem pouco a autonomia dos filhos, começa por dizer a psicóloga Teresa Espassadim, da Clínica Psicodinâmica, em Lisboa, e que foi coordenadora do Gabinete de Orientação do Instituto Superior de Engenharia do Porto. “Há um estilo mediterrânico que parece que temos de estar muito juntos para sermos felizes enquanto há outros estilos parentais que promovem mais a autonomia”, aponta.

Embora se verifiquem algumas mudanças – os jovens vão estudar para outra cidade ou para outro país, e, terminado o curso, emigram – os pais continuam com as suas vidas muito focadas e centradas nos filhos. E, por isso, quando eles saem de casa podem sofrer do chamado síndrome do ninho vazio, ou seja, podem mesmo adoecer, entrar em depressão porque deixam de ter uma missão na vida e as suas rotinas em torno dos filhos. “Continuam a existir pessoas a sofrer com um vazio que se instala. A sós ou acompanhadas”, aponta Júlio Machado Vaz, psiquiatra, por e-mail, reconhecendo que são sobretudo as mães as que mais sofrem com o alegado abandono. No entanto, Bárbara Ramos Dias, psicóloga clínica e especialista em psicologia adolescente, refere que começam a surgir pais que sofrem do mesmo mal.

Separações e outras complicações

Bárbara Ramos Dias lembra que, por altura de os filhos saírem de casa, algumas mães passam pela menopausa. “A pessoa não se sente bem consigo, sente que já não tem objectivos na vida”, descreve. Teresa Espassadim acrescenta mais um dado para o sentimento de vazio: actualmente, muitos casais deixam para mais tarde a maternidade, logo, a idade da reforma pode coincidir com a altura em que os filhos abandonam o lar. “Quando as angústias são mascaradas por estar ocupado e preocupado com a vida de outros, os vazios podem ser mais angustiantes”, aponta a especialista.

Por vezes, é quando os filhos saem de casa que os pais se confrontam consigo próprios e concluem que o que os unia era apenas a descendência. “Após 30 anos, as pessoas podem perceber que são estranhas [uma para a outra]”, refere Espassadim. “Se se trata de um casal é preciso avaliar o estado da relação, o face a face pode ser insuportável ou [por outro lado] uma oportunidade de viver mais livremente”, aponta Machado Vaz. Se há casais que escolhem esta altura para se separar, outros aproveitam para se (re)conhecer. “Muitos reencontram o amor que os uniu, outros dizem que não faz sentido. O mais importante é compreender que esta é uma nova fase da vida”, acrescenta Bárbara Ramos Dias.

Mas não são só os pais que sofrem, os filhos também. A psicóloga que acompanha adolescentes conhece alguns casos de jovens que se sentem inseguros com o abandono da casa paterna. “E se não consigo pagar a renda? E se algo corre mal? E se a minha mãe passar o tempo todo a ligar-me? E se o meu pai ficar zangado pela decisão que tomei?” Estas são algumas das perguntas que surgem em consultas, revela Bárbara Ramos Dias. Desde que os filhos são pequenos que é importante prepará-los para serem autónomos – ensiná-los a cozinhar, a passar a roupa, a gerir o dinheiro – e responsáveis, propõe. “Quando saem para a faculdade ou quando querem ir viver com um amigo, os pais devem reconhecer que o filho tem coragem, dar-lhe força e apoiá-lo”, sugere.

Teresa Espassadim é da mesma opinião: cabe aos pais dar espaço aos filhos para que estes possam fazer as suas escolhas. Voltando a Bao, a mãe do pãozinho chinês fica em stress quando este quer ir brincar com os outros meninos. A psicóloga lembra que muitos pais vão às festas de anos dos amigos dos filhos e lá permanecem. São pessoas que “vivem a vida social dos filhos, que não lhes dão espaço”. Por isso, “seria estranho que não sentissem algum vazio depois da sua saída de casa”, constata.

“Olhar para sonhos antigos”

Na verdade, os pais que sempre deram espaço ao casal, enquanto os filhos ainda estavam em casa, os que já tinham os seus projectos, poderão ser aqueles que menos sentem o vazio da casa quando os filhos a abandonam. “Preparar a saída é um trabalho a tempo inteiro, desde que os filhos nascem e à medida que eles vão crescendo, procurando ter sempre espaço para que os pais sejam eles próprios”, aconselha Teresa Espassadim.

Mas há quem precise de ajuda profissional por se sentir depressivo, especialmente os que são muito dependentes dos filhos. “É preciso ajudar a pessoa a reconstruir o seu ‘eu’”, diz Bárbara Ramos Dias. Como é que isso se faz? A pessoa precisa de voltar a olhar para si, para o que gosta de fazer, reencontrar amizades antigas, criar novas, redescobrir o amor, enumera a psicóloga. “Olhar para sonhos antigos e querer concretizá-los. Usar os PPP – pensamentos positivos permanentes – porque enquanto estivermos a pensar de forma positiva, vamos ter respostas diferentes. É uma oportunidade de crescimento. E fazer um detox mental, ou seja, deitar fora tudo o que não interessa, as raivas, as angústias, as ansiedades”, defende Ramos Dias.

Pode ser uma altura difícil na vida dos pais porque confrontam-se com os seus próprios receios, refere Teresa Espassadim, salvaguardando que “isso é saudável”. “Tem de haver um ajuste e esse não se faz sem dor”, constata. Os pais têm de reconhecer que são mais do que isso. “Têm de deixar de se pôr em último lugar. Agora, já podem ir à hidroginástica, já podem comer a coxa do frango”, brinca a psicóloga. “Nós somos pessoas com vida própria e não apenas pais dos nossos filhos”, escreve por seu lado Machado Vaz.

Se a maioria, segundo os especialistas ouvidos, ultrapassa a síndrome do ninho vazio e descobre outros motivos para viver que não apenas os filhos, outros há que os sufocam com medos e telefonemas por tudo e por nada, que os culpam por se sentirem e estarem sozinhos, e que só recuperam quando os netos chegam, encontrando assim uma nova missão na vida. Esses pais têm de “perceber que a missão está cumprida”, diz Bárbara Ramos Dias.

Só depois de todo este processo – de reconhecimento que o ninho está vazio, de confiança que os filhos têm as ferramentas para voar e para fazer o seu próprio ninho – é que os pais estão preparados para novas rotinas, diz a psicóloga. “É o ciclo natural da vida. Temos de o encarar de forma positiva e reconstruir uma nova vida”, aconselha. Nessa, os filhos continuam a ter parte. “A saída física não significa abandono, a relação com os marotos mantém-se a outro nível. Hoje em dia, quantas vezes por Skype, com tanta emigração forçada para os jovens”, constata Júlio Machado Vaz.

 

A Bebedeira Passa, o Resto Não 2

Julho 27, 2018 às 5:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Os avós são… sete crianças dizem-nos o que pensam sobre estes seres especiais

Julho 26, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do MAGG de 26 de julho de 2018.

Por Dulce Neto

No Dia dos Avós perguntámos aos netos o que é que eles são. As respostas são honestas mas também ternurentas como se vê neste vídeo.

Com mais ou menos vergonha e um discurso mais ou menos articulado, uma coisa é certa. Os avós destas sete crianças que aceitaram o desafio da MAGG são figuras presentes nos dias dos netos.

E hoje, que o mundo assinala o Dia dos Avós, os miúdos contam-nos como eles fazem parte das suas vidas.

Oferecem prendas, sim, mimos e abraços, muitos, e (alguns) doces, claro, mas também educação. Há quem conte histórias, jogue às escondidas, leve ao parque, ensine a cozinhar ou faça o prato preferido. E também há quem castigue.

Todos concordam com Rosa Cabral, de oito anos: os avós são pessoas especiais. Mateus Martins, de cinco anos, recorda como vai comer gelados com a avó Nela, os presentes que a avó Ana lhe oferece, os passeios com o avô João ou como o avô Jaime é adepto do Benfica e ouvia futebol na rádio.

Já Edgar Santo da Mata, cujos quatro anos traquinas o impedem de ficar muito quieto à frente da câmara da MAGG, confessa que gosta de dormir com a avó Odete enquanto Seline Varela de nove anos revela que a encara como uma segunda mãe.

E se Afonso Beato e Pilar Coelho, ambos com seis anos, garantem que os avós nunca os puseram de castigo e os levam a passear, Mariana Ferreira, de oito anos, manifesta uma opinião muito clara sobre a importância dos avós: têm muito a ensinar, pois nasceram mais cedo.

Ora aqui está uma afirmação com a qual as psicólogas Patrícia Poppe e Margarida Alegria não podiam estar mais de acordo: os avós têm um lugar fundamental na família contemporânea.

A primeira, que já tem uma neta de dois anos, defende que o contacto dos avós com os netos é muito importante para os mais velhos,“porque as crianças são seres em desenvolvimento, são fantásticas, têm muita alegria e significam a possibilidade de se estabelecer relações muito fortes, o que é enriquecedor”.

Reconhecendo, tal como Margarida Alegria, que hoje é mais difícil ter avós disponíveis, porque trabalham até mais tarde, Patrícia Poppe salienta, no entanto, que o “tempo que reservam para os netos é de mais qualidade”.

Recordando a ligação estreita que teve com a avó, a psicóloga aborda o papel que os avós podem desempenhar na educação dos pais. “Quando eram pequeninos, os nossos filhos não nos observavam na nossa função de educadores, de cuidadores e de referências afectivas. Agora veem-nos a lidar com os filhos deles e aprendem também com isso”.

Margarida Alegria reconhece na prática a definição avançada por Mariana Ferreira: “Os avós são pessoas que ajudam”. Com uma bebé com pouco mais do que um mês, é a mãe quem lhe fica com a outra filha de três anos para já poder estar de regresso ao trabalho, onde segue adultos e crianças. A psicóloga não precisa de ir buscar os dados de um estudo desenvolvido em 2008 (mas que continua a ser uma referência) pela Universidade de Oxford para sublinhar que a ligação entre avós e netos é benéfica para as crianças. A investigação da reputada universidade britânica concluiu que as crianças que tiveram uma ligação estreita com os avós têm menos problemas emocionais e comportamentais e menos dificuldades em lidar com os seus pares.

No seu consultório, Margarida Alegria nota a diferença entre “as crianças que agora nas férias não têm onde ficar senão em ATL’s (Atividades de Tempos Livres) e aquelas que têm a sorte de poder ficar com os avós.” Estes, em geral, não são apenas uma fonte inesgotável de experiências, conhecimentos e afecto, como “têm mais tempo livre do que os pais e por isso proporcionam programas aos miúdos a que eles de outra forma não teriam acesso”.

E se não há dúvidas sobre os benefícios da presença dos avós para as crianças, “o mesmo se pode dizer para eles: os avós renascem”.

O ditado diz que os “netos são a sobremesa da vida” para os avós, mas podem eles prejudicar a educação dos miúdos com a ideia de que “os pais educam, os avós mimam”? “O mito de que os avós estragam as crianças é, em parte, verdade”, diz Margarida Alegria. Ou seja, não é bem mito. “São menos rígidos, são mais flexíveis, têm mais tempo para brincarem e fazerem outras coisas com os netos, mas tudo depende da relação que tiverem com os pais e do que for estabelecido entre eles”. Os avós podem, e devem, ser um apoio e um conforto na tarefa difícil de criar os filhos, não um problema ou entrave, continua Margarida Alegria lembrando que é necessário um equilíbrio. “Não considero que a minha sogra ou a minha mãe ‘estraguem’ a minha filha”.

Evocando as férias que passava com a avó, como isso lhe deu um capital de memórias inesquecíveis, a psicóloga salienta ainda a importância de se manterem “certas rotinas e tradições (como o almoço semanal em casa dos avós, a semana de férias em conjunto, por exemplo) para estreitar a união familiar, elemento importante no crescimento de uma criança”.

Tudo somado, conclui Margarida Alegria, as três partes — pais, filhos e avós — “só têm a ganhar com o envolvimento equilibrado dos avós”.

 Texto de Dulce Neto, vídeo de Samuel Costa.

 

 

“A bebedeira passa, o resto não.” Do coma alcoólico às brincadeiras que acabam mal

Julho 26, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 20 de julho de 2018.

Centenas de menores são assistidos pelo INEM em coma alcoólico todos os anos.

De uma farra com amigos a “uns copos a mais” vai um pequeno passo. De “uma brincadeira que acaba mal” a uma pena de prisão também. Pelo meio, o desafio com que muitos adolescentes já foram confrontados – “não consegues”. Não consegues beber mais depressa do que eu, não consegues beber esta caneca toda de uma vez, não consegues beber mais um shot.

Para quem acha que consegue, fica a lembrança: “O álcool em excesso só te dá excesso de confiança. A bebedeira passa, o resto não”. É a mensagem de uma nova campanha de sensibilização dirigida aos jovens portugueses.

Desde 2015, a venda de álcool é proibida a menores de 18 anos, mas os números falam por si. Em 2017, o INEM assistiu 1270 menores em coma alcoólico . Em 2016, foram 1315 e no ano anterior, 1283.

Segundo o último estudo do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) relativo ao consumo de álcool em 2016, 89,6% dos jovens de 18 anos inquiridos admitiam beber álcool, 49,6% diziam já ter bebido quatro ou mais copos (se for do sexo feminino) ou seis ou mais copos (se for do sexo masculino) de uma qualquer bebida alcoólica na mesma ocasião e 31,4% a admitia já o ter chegado ao estado de embriaguez.

A par da campanha que o Governo lança esta sexta-feira, o Ministério da Administração Interna vai por em marcha o programa “Noite + Segura” a partir da segunda quinzena de julho, sobretudo nos municípios de Lisboa, do Porto e de Albufeira.

O objetivo é reforçar a segurança em zonas de concentração de estabelecimentos de diversão noturna e aumentar da fiscalização da venda de bebidas alcoólicas a menores.

 

 

Obrigação dos Estados para investirem nos Direitos da Criança (Artº 4º da Convenção sobre os Direitos da Crianças) – Vídeo explicativo

Julho 14, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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General comment No. 19 (2016) on public budgeting for the realization of children’s rights (art. 4) no link:

https://tbinternet.ohchr.org/_layouts/treatybodyexternal/Download.aspx?symbolno=CRC%2fC%2fGC%2f19&Lang=en

 

“Olá, eu sou o judeu» Antissemitismo nas escolas

Julho 4, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do site Swissinfo de 26 de junho de 2018.

Por Sibilla Bondolfi

Jovens judeus visitam classes da rede pública suíça para responder a perguntas sobre o judaísmo para evitar a desinformação que gera o anti-semitismo. Intitulado “Likrat”, esse projeto de diálogo é tão bem-sucedido que os países vizinhos, como Alemanha e Áustria, estão também adotando-o.

Hinwil, na região de Zurique Oberland: a maioria dos jovens daqui nunca viu um judeu, muito menos falou com um. Há muitos anos que não existe mais uma comunidade judaica nessa região rural.

Os jovens se dirigem para uma sala de aula onde as cadeiras foram organizadas em círculo. Duas moças, vestidas de maneira moderna, com longos cabelos castanhos, sentam-se no meio. Uma delas rapidamente retoca sua maquiagem.

Nesse momento, pode acontecer que um aluno exclame: “Mas onde está o judeu?” E Liora, uma das duas belas moças do projeto, responde: “Eu sou o judeu”.

Superando os preconceitos que precedem o anti-semitismo

Cenas como essa em um encontro do Likrat podem ser vistas no documentário de Britta Wauer, ganhadora do Prêmio Grimme, um dos grandes prêmios da televisão pública alemã (no link abaixo, em suíço-alemão, com legendas em francês):

O Likrat é um projeto de diálogo da Federação Suíça de Comunidades Judaicas (FSCI), realizado desde 2002 na Suíça de língua alemã e desde 2015 na Romandie (Suíça francófona). Em cada encontro, dois jovens judeus visitam uma escola e respondem perguntas sobre o judaísmo, em uma média de cem reuniões por ano em todo o país.

A ideia é quebrar os preconceitos antes que o anti-semitismo possa se firmar. “Há vinte anos, a comunidade judaica da Suíça confrontou-se com diferentes acontecimentos que tornaram os velhos preconceitos parcialmente aceitáveis ​​novamente na sociedade”, diz Jonathan Kreutner, secretário geral do FSCI, referindo-se ao nascimento do projeto.

Nenhum tema é tabu

Com sua colega, Liora responde a perguntas sobre sua vida como judia. Pode-se perguntar sobre qualquer coisa. “Sem tabus”, confirma Liora. E as perguntas afloram: “Seu pai tem cachos nas têmporas?”

“Em geral, as crianças e os jovens fazem perguntas sobre o dia a dia, roupas, amor ou necessidades alimentares”, observa Jonathan Kreutner. “Dependendo das circunstâncias, pode ser um pouco mais controverso, quando se trata dos clichês sobre a aparência típica dos judeus, por exemplo. Mas essas questões são perfeitamente normais, e não têm nada a ver com ódio.

Um modelo de sucesso – também para outros países

Na Suíça, o Likrat é um sucesso total, e o modelo já foi exportado para a Alemanha, a Áustria e a Moldávia. E de acordo com Jonathan Kreutner, outros países seguirão. “Um projeto de diálogo” feito na Suíça “se tornará global. Isso obviamente nos deixa contentes”.

Na Alemanha, em particular, o anti-semitismo e o assédio religioso nas escolas tomaram as manchetes nos últimos meses. O fato de os agressores serem frequentemente filhos de pais turcos ou árabes reviveu o debate sobre o anti-semitismo muçulmano e a política de migração.

Existe também na Suíça anti-semitismo de parte de crianças muçulmanas ou de origem imigrante?” Até agora, não sabemos muito dos jovens ou de seus pais”, diz Jonathan Kreutner. “Mas a maioria das crianças e jovens judeus já vivenciou provocações, até mesmo insultos por causa de sua religião, mesmo na Suíça”. E é aí que entra o projeto Likrat.

O projeto foi também estendido a adultos. Com o Likrat Public, os jovens ajudam empresas ou hotéis a entender melhor seus clientes judeus. Que esses workshops são necessários, não há dúvidas, graças a casos como o “erro” de um hotel em Graubünden que havia postado um lembrete para seus hóspedes judeus pedindo-lhes para tomar um banho antes e depois de usarem a piscina.

Você pode entrar em contato com a autora desta matéria @SibillaBondolfi no FacebookLink externo ou no TwitterLink externo.

 

“Em Portugal há líderes islâmicos a recomendar a mutilação genital feminina”

Junho 30, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Pedro A. Pina

Notícia da RTP de 21 de junho de 2018.

Catarina Marques Rodrigues, Pedro A. Pina (imagem) – RTP

O assunto “ainda é tabu” em Portugal, mas o projeto com a Guiné-Bissau serve para os dois países erradicarem a excisão. A presidente do CNAPN diz que a chave está nos líderes das mesquitas e pede mais apoio do Alto Comissariado para as Migrações.

Ela versus tradições de séculos. É uma batalha difícil, mas Fatumata tem conquistado algumas vitórias. A presidente do Comité Nacional para o Abandono das Práticas Nefastas, Saúde da Mulher e Criança (CNAPN) da Guiné-Bissau dedica-se a tentar destruir práticas e rituais como o casamento infantil, os casamentos forçados e a Mutilação Genital Feminina. Tudo práticas que atentam contra as mulheres “pelo simples facto de elas serem mulheres”. Uma das raízes está, pois, na desigualdade de género, garante: “Só elas é que são submetidas aos casamentos infantis, só as mulheres é que são dadas em casamento forçado, às vezes não conhecendo os maridos nem gostando deles. A violência doméstica, a violência sexual, os sistemas tradicionais de herança. São sempre as mulheres as vítimas”.

A mutilação genital feminina (MGF) é uma das práticas mais violentas. Consiste no corte parcial ou total dos órgãos genitais externos da mulher, como o clitóris e/ou os lábios vaginais, a sangue frio, com uma navalha, uma lâmina ou com um pedaço de vidro. O nome mais comum é “fanado”, ato executado pelas “fanatecas”, mulheres imcumbidas de excisar as meninas e raparigas. De 2010 a 2014 houve uma diminuição do número de mulheres submetidas à prática na Guiné-Bissau na ordem dos 5%, mas ainda há 44,9% das mulheres guineenses entre os 15 e os 49 anos que são vítimas de MGF.

A prática também acontece em Portugal e há líderes de mesquitas a defender que a excisão é uma “recomendação islâmica”, inscrita no Corão, em nome da “pureza” das raparigas. São revelações de Fatumata Djau Baldé à RTP. A responsável do CNAPN esteve em Portugal no âmbito do projeto que liga os dois países e que, em Portugal, é implementado pela P&D Factor – Associação para a Cooperação sobre População e Desenvolvimento. Há também uma campanha nos aeroportos portugueses para evitar que as meninas sejam levadas nas férias aos países de origem para serem excisadas.

Fatumata foi submetida à MGF em criança e, em adulta, transformou a sua história em força para mudar o destino das mulheres no seu país. A mulher que já foi secretária de Estado da Solidariedade Social e do Emprego e ministra dos Negócios Estrangeiros não tem vergonha de andar de porta a porta, de reunir com os mais altos representantes políticos nem tem medo de partilhar os seus objetivos: quer ser a primeira mulher primeira-ministra ou presidente da República da Guiné-Bissau.

Em 2011 a Mutilação Genital Feminina passou a ser crime na Guiné-Bissau. Ainda assim, segundo um estudo divulgado este ano pela Liga Guineense dos Direitos Humanos, 44,9% das mulheres guineenses são vítimas de MGF, das quais 29,6% são meninas com menos de 14 anos. As coisas mudaram com a lei ou a lei foi uma operação de charme do Governo?

A Guiné-Bissau não tem problema de leis. Temos muitas leis e até fazemos parte de várias convenções regionais e internacionais. Temos é um problema de implementação dessas leis. A lei que criminaliza a MGF está a ser aplicada mas precisamos de mais tribunais na Guiné-Bissau. Nos sítios em que há tribunais, se o crime for cometido, as pessoas são julgadas. Já tivemos casos de pessoas que foram a tribunal, que tiveram sentenças e que foram presas. Hoje toda a gente na Guiné-Bissau sabe que a MGF é proibida e, por isso, quem descobrir que a sobrinha, a filha ou a neta foi submetida à prática, pode entrar em contacto com o CNAPN, com a Polícia Judiciária ou com a Polícia de Ordem Pública. A polícia vai ter com aquela família e a criança é levada ao hospital para ser observada. Se os médicos confirmarem, os pais são levados.

E incorrem numa pena de entre 1 e 5 anos de prisão.

Os pais, sim. A fanateca (mulher que fez a excisão) incorre numa pena de entre um a oito anos. Se a criança morrer, a pena é de um a dez anos. A decisão é do juíz e o parecer médico é tido em conta. Ninguém é condenado a menos de um ano de prisão. O máximo que vimos a ser aplicado foi uma pena de 3 anos.

Há casos de fanatecas que tenham deixado de o ser?

Muitas…

Pessoas com 40 anos, 50 anos…

Ui, com 70 anos… As fanatecas tradicionais são mulheres adultas que já estão na menopausa. Algumas fanatecas vivem daquele trabalho, então é preciso dar-lhes algum apoio financeiro para poderem abandonar a prática.

Como é que se muda a mentalidade de uma pessoa com uma idade tão avançada?

Tem a ver com a forma como falamos com a pessoa. É preciso escolher bem quem é que vai conversar com ela.

O trabalho do CNAPN é informar, sensibilizar e educar para o abandono da prática. Como é que isto se faz?

No início fizemos muito trabalho porta a porta, uma a uma. Passa sempre por mostrar os perigos que a MGF tem para a saúde. Vamos às comunidades praticantes da MGF, vamos ter com as fanatecas e mostramos-lhes fotografias para elas verem as consequências físicas da prática. Antes de apresentarmos as imagens avisamos logo: ‘O que vamos ver é o nosso corpo, tal como ele está’. É o que é. Há quem queira muito ver mas depois fecha logo os olhos quando as imagens começam, porque não aguentam. Muitas das fanatecas ficam surpreendidas, porque não têm noção de como é que a rapariga fica.

Os dirigentes do CNAPN são pessoas originárias das comunidades praticantes de mutilação genital feminina. São islamizados e sabem como chegar às fanatecas. Essa proximidade ajuda muito. Eu, por exemplo, que sou submetida à prática, quando chego à frente de uma mulher que faz a prática, eu sei como cumprimentá-la, sei como falar com ela. Há uma música que elas dançam e eu sei que, se eu chegar lá, tenho de me ajoelhar primeiro para pedir autorização para entrar. Elas dão um sinal e só depois é que eu me posso misturar com elas. Mas quem não conhece aquele rito de dança, chega e entra.

A diminuição dos números deixa-a orgulhosa?

Eu vou orgulhar-me quando a prática acabar. Mas sim, segundo o inquérito oficial, em 2014, 29,6 por cento as crianças entre os zero e os 14 anos tinham sido submetidas à prática, enquanto quatro anos antes eram 39 por cento. Acredito que em 2018 ainda temos menos. Temos sempre de nos focar nos números das crianças, porque as mulheres, uma vez submetidas à prática, ficam sempre submetidas à prática.

O trabalho de prevenção é em crianças que vão nascer agora. É fundamental investir na camada juvenil, na escola, fazer com que os professores introduzam esse tema no currículo escolar, falar desses aspetos aos jovens que serão homens de amanhã. Em 2010, 36 por cento de mulheres das comunidades praticantes ainda queriam que a prática continuasse. Em 2014, só 13 por cento dessas mulheres é que queriam que a prática continuasse. Isso já demonstra o impacto da mudança de mentalidades. O que não significa que a prática tenha diminuido só por isso, porque a mulher não toma a decisão sozinha.

Quem é que tem mais responsabilidade? A mulher ou o homem?

Continua a ser o homem, porque é ele que manda. Ele é o chefe da família e a mulher faz o que ele disser. Se ele disser “não”, é “não”, mas se a mulher for autónoma também pode decidir por ela. Se bem que é difícil definir onde está a autonomia, porque temos exemplos de mulheres que até são escolarizadas, estão a trabalhar, mas ainda dependem muito da decisão do marido. A minha mãe submeteu-me à prática, mas eu não submeti as minhas filhas. Sou escolarizada, tive oportunidade de decidir por mim mesma e também tenho um marido com quem me entendo muito bem.

Portugal tem uma comunidade de imigrantes guineenses. Quando as comunidades praticantes imigram, levam consigo as tradições e os rituais. 

Sim. Apesar de estarem a viver num país europeu, muitas mulheres destas comunidades comportam-se como se estivessem nos países de origem. Elas foram educadas para passarem aquelas práticas de séculos à geração seguinte. Quando lhes dizemos que a MGF tem de parar elas ficam: “Então e agora como é que fazemos? Temos a responsabilidade de passar tudo o que é dos nossos antepassados para os nossos filhos. As nossas mães passaram-nos aquela tradição, nós também temos obrigação de passá-la para os nossos filhos”. Ainda mais nesta prática, em que são as mulheres as responsáveis por preparar as suas filhas, as suas sobrinhas, as suas netas, para serem aceites dentro das suas comunidades.

O que é que esteve a fazer em Portugal?

Fizemos intervenções no terreno com as comunidades guineenses cá em Portugal. Em Odivelas ouvimos homens a dizer que a prática acontece aqui. Não sabemos exatamente onde, mas se dizem que acontece é porque acontece. Também reunimos com vários organismos que são parte do projeto, como a secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade, a Comissão para a Igualdade de Género, as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens, a Assembleia da República e o Alto Comissariado para as Migrações (ACM). Precisamos que o ACM trabalhe connosco, junto dos imigrantes africanos.

Quais as principais dificuldades que encontraram em Portugal?

Muitas pesssoas não querem falar. Quando estivemos em Odivelas não havia nenhuma mulher no nosso encontro. São os homens que dão autorização às mulheres para poderem comparecer nos encontros, então elas não aparecem. Na Guiné é igual: quando vamos intervir num terreno novo, primeiro temos de ir ter com os homens, porque se eles não autorizarem, elas simplesmente não aparecem. Na Guiné já falamos abertamente sobre a excisão, mas aqui ainda é tabu. Em Portugal estamos a ter dificuldade em ter pessoas a falar sobre o assunto, por isso é que queremos mais envolvimento sobretudo do ACM para trabalharmos com as lideranças islâmicas

Porque os líderes islâmicos têm poder sobre os muçulmanos e ainda se diz que a prática é recomendada no Corão.

Em Portugal encontrámos líderes islâmicos de alguns locais de culto (como mesquitas) a dizer que a mutilação genital feminina é uma recomendação do Islão. Isto acontece. Por isso é que temos de começar pelas lideranças islâmicas e, através delas, chegar às mulheres. Poder-se-á, à semelhança do que está a acontecer na Guiné, introduzir estes temas nos conselhos que os líderes dão à sexta-feira antes da reza desse dia. Há conselhos que os imãs passam, por exemplo sobre a importância da vacinação, de ir à consulta pré-natal, de se cuidar da higiene pessoal, e nesse pacote o tema da MGF já é introduzido. É o que também queremos que se faça cá, com as lideranças islâmicas cá.

Na Guiné-Bissau conseguimos juntar mais de 200 líderes islâmicos da Guiné Bissau a dizerem “não” à prática. Aqueles líderes são pessoas que toda a gente conhece, que têm o domínio do Corão, são grandes conhecedores da sabedoria islâmica. Apresentarem-se publicamente contra a MGF foi muito forte. Permitiu desmistificar aquela ligação que se fazia entre a prática e o Islão. Mas, claro, há alguns que continuam a dizer que é recomendação islâmica porque toda a vida ouviram isso e hoje sentem-se constrangidos a voltar atrás. Alguns nem sabem ler. A geração nova, que tem mais domínio do Al Corão, que sabe ler e interpretar árabe, já está a trazer uma nova visão.

Às vezes é cansativo tantas reuniões, tanta conversa, que depois nem sempre resulta em mudança efetiva?

Às vezes sim. É preciso estar-se preparada. É o que escolhemos fazer. Temos de bater, bater, até perfurar. Só o facto de conseguir abertura para falar, eu já considero uma vitória. Hoje já falei com duas pessoas, amanhã peço a essas duas pessoas: ‘Cada um de vocês pode trazer mais duas pessoas?’ Então eles trazem mais duas pessoas e já somos seis. Peço àqueles seis: ‘Cada um pode trazer mais duas pessoas?’ Então já passámos de seis para doze. E assim, a pouco e pouco, vamos lá chegar.

Acha que foi esse perfil que a faz chegar a secretária de Estado e a ministra?

Não sei (sorri). Eu comecei muito cedo a trabalhar, tornei-me militante do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde muito cedo, sempre me envolvi em causas sociais. Ajudei a fundar o Sindicato dos Professores, era muitas vezes porta-voz nos dias das greves e nas negociações com o patronato e depois comecei a aparecer mais publicamente quando me tornei membro da Liga Guineense pelos Direitos Humanos. Trabalhámos muito a igualdade de homens e mulheres, organizámos marchas. Depois fui a primeira presidente do Instituto da Mulher e da Criança e depois fui nomeada secretária de Estado. Se me tivessem perguntado, eu tinha preferido ficar no Instituto da Mulher e da Criança porque estava mais próxima das pessoas, mas aconteceu assim. Fui subindo e cheguei a ministra.

Havia muitas mulheres quando começou?

Não havia muitas, mas hoje já somos mais. Mesmo nas comunidades mais longíquas, hoje encontra-se muitas mulheres ativistas. Temos que lutar para conquistar. Se ficarmos caladas os homens não nos vão libertar. Por exemplo, já houve várias mulheres ministras.

Mas há direitos básicos que a mulher não tem, como a questão da herança. 

A mulher ainda não tem a terra. Ela trabalha a terra, mas a terra pertence sempre ao homem. Imaginemos: um casal compra uma terra em conjunto. Os dois contribuíram para comprar aquela terra mas, se a mulher morrer, a família da mulher não vai reclamar a terra. Parte-se sempre do princípio que a terra é do marido. Mas se é o marido que morre, a família do marido vem cobrar. Se a mulher não aceita que um dos irmãos ou um dos familiares do marido herde a terra, corre o risco de ser expulsa de casa com os filhos e tudo. Segundo a lei do sistema de herança, isto não é permitido. Mas, como disse, uma coisa é o que está na lei e outra é a prática do dia a dia. Muitas mulheres ainda não vêm que têm a lei do seu lado e acabam mesmo por abandonar a terra.

Qual é a sua maior ambição?

Ver a mulher independente, livre e autónoma. Vê-la ao lado do homem. Acredito que a mulher faz diferença quando tem poder, porque as mulheres não se preocupam só com elas mas preocupam-se com os outros também. Eu costumo dizer que eu não vivo por mim mesma, eu vivo por mim, pela minha família, pelos meus amigos. Temos de pôr os seres humanos à frente de tudo. Quero um dia ver uma mulher primeira-ministra na Guiné-Bissau, quero ver a mulher presidente da República. Se calhar eu poderei fazer parte de uma dessas mulheres no meu país. É o que mais almejo nesse momento.

Entre 2014 e 2017, foram detetados em Portugal 237 casos de mutilação genital feminina

vídeos da entrevista no link:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/em-portugal-ha-lideres-islamicos-a-recomendar-a-mutilacao-genital-feminina_es1081185

 

 

Casa Branca de Trump tenta defender o indefensável

Junho 20, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Stephanie Keith REUTERS

Notícia do Público de 19 de junho de 2018.

Donald Trump culpa os democratas pela crise na fronteira com o México, republicanos no Senado tentam resolver crise da “tolerância zero” com imigração que separa famílias na fronteira

Manuel Louro

Crianças a chorar desesperadamente e a gritar pelos pais. A certa altura, um agente do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras diz, em espanhol, que há ali “uma orquestra” e que só falta mesmo o “maestro”. Este é o cenário que se pode ouvir numa gravação, captada na semana passada num centro de detenção no Texas, publicada na segunda-feira pelo ProPublica. Este áudio serviu apenas para aumentar a pressão sobre a Administração Trump devido à política de “tolerância zero” relativamente à imigração, em que filhos menores são separados dos pais que tentam entrar ilegalmente nos EUA. Sem que nada mude no Governo, os próprios senadores republicanos iniciaram movimentações para resolver a questão.

Desde que, em Abril, o attorney general (equivalente a ministro da Justiça) Jeff Sessions anunciou a instauração desta política, mais de duas mil crianças foram separadas das famílias na fronteira entre os Estados Unidos e o México. Sob estas ordens, as autoridades detêm automaticamente qualquer pessoa que passe a fronteira ilegalmente, até requerentes de asilo. Como não podem ser detidas, as crianças são levadas para outros locais, longe dos pais.

No Partido Republicano, o desconforto é latente. E mesmo no interior da Administração o assunto é alvo de discórdia. O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, revelou ontem que vai reunir-se com os senadores democratas para chegar a um entendimento sobre a crise. O objectivo, disse, é aprovar uma lei sobre a separação das famílias e não uma lei mais abrangente sobre a imigração.

O alto-comissário para os Direitos Humanos da ONU, o jordano Zeid al-Hussein, foi particularmente duro e exigiu, na segunda-feira, que Washington ponha imediatamente um ponto final nesta actuação. “A ideia de que um Estado conseguiria deter os pais cometendo abusos contra crianças é inconcebível”, disse.

O ministro dos Negócios Estrangeiros mexicano, Luis Videgaray, descreveu as separações como “cruéis e desumanas”, pedindo aos EUA que recuem. Anunciou ainda que o seu país pretende trabalhar com os países de origem destes imigrantes para tentar repatriar as famílias separadas.

Sem recuo

“A lógica sugere que a Casa Branca, sob uma esmagadora pressão política, seria forçada a recuar na sua dura política de imigração”, escreve Stephen Collinson, correspondente da CNN na Casa Branca. Mas a Administração Trump insiste em desafiar todas as leis da lógica, coerência e verdade para defender o que cada vez mais consideram ser indefensável.

Na segunda-feira, o briefing diário na Casa Branca da porta-voz da Administração, Sarah Sanders, foi repetidamente adiado. Até que Sanders revelou que seria Kirstjen Nielsen, secretária da Segurança Interna, a falar aos jornalistas para abordar a situação da imigração. Quando Nielsen entrou na sala de imprensa tinha passado pouco mais de uma hora desde a divulgação da gravação do choro das crianças no Texas.

June 19, 2018/President Trump: “We want to solve family separation. I don’t want children taken away from parents, and when you prosecute the parents for coming in illegally, which should happen, you have to take the children away”>

Questionada sobre possíveis abusos, Nielsen garantiu que Washington “tem padrões elevados” e que as crianças estão a ser bem tratadas: “Damos-lhe refeições. Damos-lhe educação. Damos-lhe cuidados médicos. Há vídeos, televisões”, disse.

Mas já tinham sido divulgadas imagens das crianças presas dentro de uma espécie de gaiola em armazéns no Texas e com apenas alguns colchões e coberturas térmicas.

“O Congresso e os tribunais criaram este problema, e apenas o Congresso pode resolver isto”, acabou por afirmar Nielsen, pressionada pelos jornalistas, acrescentando que as separações “não são uma política” e que a acusação de que estão a ser usadas para enviar uma mensagem de dissuasão a quem queira atravessar ilegalmente a fronteira norte-americana é “ofensiva”.

Ora, estas declarações acabaram por contrariar outros membros da Administração. Como John Kelly, chefe de gabinete de Trump e antecessor de Nielsen, que disse à rádio pública NPR em Maio que a separação de pais e filhos podia funcionar como um “poderoso travão”. No domingo, o New York Times publicou afirmações de Stephen Miller, conselheiro político do Presidente Trump, em que diz que a “mensagem é a de que ninguém está acima da lei da imigração” e que esta medida é um acto humanitário pois acaba por impedir os pais de levarem os filhos na “perigosa viagem” até aos EUA.

Na semana passada, na Casa Branca, Donald Trump disse aos jornalistas que os “democratas têm de mudar a sua lei”. Ontem, em inúmeros tweets, repetiu a mesma ideia: a culpa é do Partido Democrata. Apesar de os democratas serem minoritários no Congresso.

A verdade é que esta situação foi gerada apenas devido à instituição desta “tolerância zero” desde Abril. Não houve nenhuma directiva para que as famílias fossem separadas. Mas, devido ao facto de os adultos sem documentos terem de ser detidos quando chegam à fronteira, a separação é inevitável. Não há também nenhuma ordem dos tribunais a exigir medidas deste género e esta situação foi evitada por todas as Administrações anteriores.

Imigrantes “infestam” EUA

Ontem, Trump voltou a escrever no Twitter que os “democratas são o problema, não se preocupam com o crime”, e chegou ao ponto de dizer que querem que os imigrantes ilegais “entrem e infestem o nosso país”. “Das 12.000 crianças, 10.000 são enviadas pelos seus pais numa viagem muito perigosa, e apenas 2000 estão com os seus pais.”

“Mudem as leis”, pediu repetidamente o Presidente norte-americano, para concluir: “Se não existirem fronteiras, não existe país”.

“Enquanto uma turbulenta crise política causada pela ‘tolerância zero’ a imigrantes não documentados poderia convencer uma Casa Branca convencional a procurar uma saída, esta Administração está a cavá-la. Está a acusar falsamente os democratas e as administrações anteriores por uma prática que decidiram adoptar e que podem alterar quando quiserem”, explica Collinson na CNN.

Jeff Sessions demonstrou como a Administração Trump agrava a crise ao tentar dar explicações na Fox. Disse que as comparações com os campos de concentração são injustas: “Na Alemanha nazi tentavam impedir os judeus de saírem do país”.

 

 

 

Contacto com germes pode ajudar a prevenir cancro infantil

Junho 11, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da Euronews de 23 de maio de 2018.

Promover as interações físicas com os outros e com o ambiente circundante, não se preocupar excessivamente com a higiene de uma criança, nem tentar isolá-la de qualquer contacto com germes e bactérias, poderão ajudar a prevenir a leucemia linfoblástica aguda, a forma mais comum de cancro infantil.

Quem o diz é o professor Mel Greaves, do Instituto de Investigação do Cancro, no Reino Unido, um dos principais especialistas da matéria. Num estudo publicado na Nature Reviews Cancer, Greaves compila mais de três décadas de investigação, para sugerir que a tendência para um modo de vida cada vez mais asséptico – característico das sociedades mais desenvolvidas – pode facilitar o aparecimento da doença. Ao contrário, o contacto com determinados micróbios numa fase inicial da vida pode preparar melhor o sistema imunitário para lidar mais tarde contra as infeções.

 

 

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