Instituto de Apoio à Criança frisa necessidade de sistema que proteja crianças e vítimas de violência doméstica – Entrevista da Presidente do IAC, Dra. Dulce Rocha

Fevereiro 22, 2019 às 2:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da da RTP Notícias de 8 de fevereiro de 2019.

Entrevista da Dra. Dulce Rocha, Presidente do IAC ao programa Sexta às 9 de 8 de fevereiro de 2019.

Dulce Rocha, presidente do Instituto de Apoio à Criança, considera que o Estado deve verificar quais as falhas que levaram ao assassinato de uma bebé pelo próprio pai e procurar alcançar um sistema que proteja as crianças e as mães vítimas de violência doméstica.

 

 

 

No Dia dos Namorados, agências da ONU chamam atenção para o casamento infantil

Fevereiro 20, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 14 de fevereiro de 2019.

De acordo com o Unicef, cerca de 12 milhões de meninas com menos de 18 anos se casam todos os anos; para o Unfpa, o casamento infantil é o produto tóxico da pobreza e desigualdade de gênero.

Todos os dias, dezenas de milhares de meninas se tornam noivas. Casamentos infantis violam os direitos delas, expõem elas à violência em potencial, colocam em risco suas saúdes e criam um futuro negro.

“Aos 14 anos, fui submetida ao casamento prematuro, onde os meus pais me aconselharam a me casar ainda menor de idade. Eles disseram que se eu me casasse não sofreria mais e que quando chegasse ao meu novo lar, tudo seria diferente e eu teria uma vida boa sem depender de ninguém.”

Esta é Mariamo, de Mocambique. Ela contou a história dela ao Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. Mariamo está entre 21% de jovens mulheres no mundo que segundo a agência, se casam antes dos 18 anos de idade.

“Eu pensava que iria viver uma vida melhor como os meus pais tinha me falado, mas nada daquilo era verdade. Eu sofri, passava as noites sem comer. O meu marido ia pescar e quando voltava eu perguntava, o que vamos comer? Ele dizia, não tenho nada, porque não consegui nada. Você também mulher pode procurar algo para comermos porque você tem mãos.”

Noivas Infantis

De acordo com o Unicef, todos os anos, assim como Mariamo, cerca de 12 milhões de meninas com menos de 18 anos se casam. Até 2030, se o mundo não agir de forma decisiva para terminar o casamento infantil, mais de 150 milhões de meninas podem se tornar “noivas infantis”.

Mas, como aponta o Fundo da População das Nações Unidas, Unfpa, isso não precisa ocorrer e programas para terminar com o casamento infantil estão fazendo a diferença, libertando crianças de uniões indesejadas.

Valentines’Day

Neste 14 de fevereiro, Dia dos Namorados ou Valentines’Day, em inglês, também conhecido como Festa de São Valentim, o Fundo da População das Nações Unidas, Unfpa, está abordando o que acontece quando meninas dizem “eu não quero” ao casamento infantil.

Como diz a diretora executive do Unicef, Henrietta Fore, “para muitos, o Dia dos Namorados é associado com romance, flores e propostas de casamento.” Mas ao tempo, como ela destaca, “para milhares de meninas ao redor do mundo o casamento não é uma escolha, mas um fim indesejado de suas infâncias e futuros.”

Como parte de uma campanha, meninas e mulheres compartilharam suas histórias. Kakenya Ntaiya contou que cresceu na região rural do Quênia. Ela explicou que “a forma tradicional de vida para as meninas é passar pela Mutilação Genital Feminina em preparação para o casamento quando jovens.”

Kakenya disse que “escapou do casamento infantil e lutou pela educação dela.” A jovem eventualmente criou a Kakenya’s Dream, o Sonho de Kakenya na tradução em português, uma ONG que usa a educação para empoderar meninas e transformar as comunidades rurais.

Violência Doméstica

O Unicef destaca que o casamento infantil leva a uma vida de sofrimento. Meninas que se casam antes dos 18 anos têm menos chance de estudar e têm mais chance de serem vítimas de violência doméstica.

A agência também destaca que jovens meninas adolescentes são mais susceptíveis a morrerem devido a complicações na gravides e no parto do que mulheres na casa dos 20 anos.

Pobreza

Para o Unfpa, o casamento infantil é o produto tóxico da pobreza e desigualdade de gênero. Muitas famílias acreditam que o casamento irá assegurar o futuro das filhas, mas na verdade, ele muitas vezes atrapalha as perspectivas das meninas.

Como enfatiza a agência, o casamento infantil é um fenômeno global, que afeta meninas em diversas comunidades e religiões.

Em 2017, O Programa Global do Unicef e do Unfpa para lidar com a questão atingiu 1 milhão de meninas e 4 milhões de membros de comunidades com informação e serviços para terminar com o casamento infantil.

Para o Unfpa, tudo muda quando meninas aprendem que existe um futuro melhor à sua disposição.

Abaixo o Unicef cita 10 fatos que ilustram porque é preciso #TerminarOCasamentoInfantil.

  1. Em todo o mundo, se estima que 650 milhões de meninas e mulheres vivas hoje se casaram antes de completarem 18 anos.
  2. Globalmente, o número total de meninas casadas na infância é estimado em 12 milhões por ano.
  3. A região sul da Ásia abriga o maior número de noivas infantis. São cerca de 285 milhões delas, o que representa  mais do que 40% do total no mundo. Em segundo lugar aparece a África subsaariana, com cerca de 115 milhões de noivas infantis ou 18% dos casos no mundo.
  4. A prática do casamento infantil diminuiu em todo o mundo. Na última década, a proporção de mulheres que se casaram quando crianças diminuiu em 15%, de 1 em 4 (25%) para aproximadamente 1 em 5 (21%).  Ao todo,  cerca de 25 milhões de casamentos infantis foram evitados. O aumento dos índices de educação de meninas, os investimentos pró-ativos do governo em meninas adolescentes e as fortes mensagens públicas sobre a ilegalidade do casamento infantil e os danos que causam estão entre as razões para a mudança.
  5. No sul da Ásia, o risco de uma menina se casar na infância diminuiu em mais de um terço, de quase 50% há uma década para 30% nos dias atuais.  A queda foi em grande parte impulsionada por grandes avanços na redução da prevalência do casamento infantil na Índia.
  6. Cada vez mais, os casos de casamento infantil estão migrando do Sul da Ásia para a África Subsaariana. A região apresenta um progresso mais lento e a uma população crescente. Dos casamentos infantis mais recentes, cerca de 1 em cada 3 acontecem agora na África subsaariana, em comparação com 1 em 7 há 25 anos.
  7. Na América Latina e no Caribe, não há evidências de progressos. Os níveis de casamento infantil continuam tão altos quanto há 25 anos.
  8. O casamento infantil ocorre também em países de alta renda. Nos Estados Unidos, a maioria dos 50 Estados tem uma exceção na lei que permite que as crianças se casem antes dos 18 anos. Até 2017, na União Européia, apenas quatro países não toleravam exceções à idade mínima de 18 anos para o casamento.
  9. O casamento na infância tem repercussões em muitas áreas da vida de uma menina. Por exemplo, na Etiópia, a maioria das jovens que se casaram quando crianças deram à luz antes do seu 20º aniversário. As noivas infantis também têm menos chances de receberem cuidados especializados durante a gravidez e o parto. Além disso, as adolescentes casadas na Etiópia têm três vezes mais probabilidade de estar fora da escola do que as jovens solteiras.
  10. Para eliminar o casamento infantil até 2030, conforme estabelecido na Agenda para o Desenvolvimento Sustentável, o progresso global teria que ser 12 vezes mais rápido do que o nivel observado na última década.

 

 

 

Fugir a um destino quase certo

Fevereiro 13, 2019 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Euronews de 17 de janeiro de 2019.

Numa pequena cooperativa têxtil, situada nas montanhas do norte do Vietname, trabalham mais de 130 mulheres, de várias idades. Mulheres que, de alguma forma, foram vítimas de traficantes de seres humanos, ou são mães solteiras e foram marginalizadas pelas suas comunidades. Umas escaparam a casamentos forçados na vizinha China. Outras fugiram à prostituição, entre as mais jovens há quem tenha perdido a mãe para essas uniões forçadas.

Thao Thi Van tinha dois anos quando a sua mãe foi um dia ao mercado e não voltou. Pensa-se que foi levada por traficantes. Hoje, com 13 anos, continua a querer saber quem a vendeu.

Aqui tentam reescrever-se histórias com final feliz. Para Mua Thi Dinh trabalhar nesta pequena fábrica evita que ande “nas colinas, ao sol e à chuva”, diz que se sente melhor aqui.

As histórias de sofrimento destas mulheres desencadearam o processo que levou à criação desta estrutura, chamemos-lhe, familiar. Vang Thi Mai abriu-lhes as suas portas, deu-lhes emprego, uma profissão, um salário para si e para as suas famílias. Acrescenta que a sociedade pode não gostar delas, mas que neste local “sentem-se confiantes”.

Além da dimensão social desta fábrica, a sua criadora tem também o objetivo de preservar a riqueza da cultura Hmong, passada das mais velhas às mais jovens, numa altura em que os têxteis chineses, em poliéster, invadem os mercados da região.

 

Paulo Oom: «Os pais têm de dar o exemplo»

Janeiro 23, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Notícias Magazine de 20 de maio de 2018.

Vários estudos indicam que a idade média em que uma criança começava a ver TV regularmente em 1970 era 4 anos. Em 2016, essa média era de 4 meses. Que caminho estão as crianças a fazer e que atitude devem os pais adotar? Estas foram algumas das questões a que Paulo Omm, pediatra convidado da conferência da Notícias Magazine, respondeu no auditório do ISCTE, em Lisboa.

Texto de Alexandra Pedro

A criança hoje vive à frente do mundo digital. Tem tudo à sua disposição», começou por dizer o especialista na conferência da Notícias Magazine sobre se «Há tecnologia a mais na vida dos nossos filhos?».

«Para dar uma ideia do impacto que a tecnologia tem, há uma métrica muito fácil de usar. Quanto tempo demora determinada tecnologia, quando aparece, até estar presente na casa de cinquenta milhões de pessoas?», questionou Oom, enumerando dados da televisão e da rádio.

«A rádio demorou 38 anos a existir na habitação de cinquenta milhões de pessoas em todo o mundo. O telefone, vinte anos. E a televisão, 13.» E a internet? «Apenas quatro anos», afirmou o pediatra. E foi ainda mais longe: «A última versão do Google+ nem chegou a três meses.» Hoje, a tecnologia espalha-se a uma «velocidade vertiginosa e não temos mão nela», considerou, perante a plateia esgotada daquele auditório.

Para explicar as suas ideias sobre o tema, Paulo Oom dividiu a intervenção em duas fases. Primeiro falou sobre as crianças dos 0 aos 8 anos. Os dados sobre a utilização tecnológica nestas idades confirmam a rapidez referida acima.

«Em 2011, 38 por cento das crianças tinham usado uma vez o telemóvel, dois anos depois [2013] já 72 por cento das crianças tinham estado em contacto com um telemóvel», diz, com base num estudo americano sobre o tema.

No caso das crianças americanas, dos 0 aos 2 anos, um estudo indica que estas estão cerca de uma hora e quinze minutos por dia a olhar para ecrãs. O problema agrava-se porque, segundo Paulo Oom, até aos 2 anos as crianças têm «níveis muito imaturos de atenção, memória e pensamento simbólico», além de que, nesta idade, as crianças não conseguem «transformar o que estão a ver de 2D para 3D, ou seja, não percebem que o que estão a ver no ecrã é adaptável à sua vida».

É aqui que entra o papel fundamental dos pais. «Se a criança for deixada sozinha com o ecrã aprende zero, não retém nada. É necessário um desenvolvimento por proximidade» e é por isso que os pais «devem estar presentes para lhes explicarem como aplicar o que estão a ver». Além da crescente utilização, outro alerta do pediatra é sobre os conteúdos. «Há um predomínio do entretenimento quando se compara com os programas educacionais.

Podíamos pensar que haveria maior uso das tecnologias porque as crianças tinham muitas aplicações para estudo ou para ensino, mas, pelo contrário, é o entretenimento que domina. E dentro do entretenimento, quer na Europa quer nos EUA, o YouTube é o rei da utilização nos ecrãs», explica Oom.

A partir dos 4 anos, há estudos que confirmam que aplicações tecnológicas podem treinar a persistência, ajudar a controlar impulsos e emoções e aumentar a criatividade. Ainda assim, as crianças com grande utilização de tecnologia podem mostrar atrasos cognitivos, atrasos na linguagem e menor interação social.

O ideal? «Estimular a criança a aprender mas sem que a tecnologia substitua o papel que tem a interação com um adulto ou com outras crianças», explica o especialista com vários livros publicados na área da infância.

Paulo Oom deixa vários conselhos para os pais, «que devem ser o primeiro exemplo», nomeadamente «evitar ecrãs nas refeições, durante brincadeiras e uma hora antes de dormir». É igualmente «importante monitorizar o conteúdo, estabelecer regras em relação ao tempo e ao contexto da utilização dos aparelhos e assegurar que as regras são cumpridas».

Os dados alarmantes espelham-se também na adolescência, a outra fase do discurso de Paulo Oom, que indica que dos 10 aos 18 anos a criança americana está «ligada à tecnologia sete horas e 38 minutos por dia. E 24 por cento destas crianças dizem que vivem permanentemente ligadas», frisou.

Contudo, Paulo Oom não tem dúvidas: «A culpa não é só das crianças.» «A culpa é também dos pais, que dão o exemplo. Um adulto americano, fora do seu emprego, está 33 horas por semana ligado ao seu ecrã, o que significa que em 20 anos está quatro a olhar para um ecrã, fora do trabalho», esclareceu.

No debate moderado por Catarina Carvalho, diretora executiva do Diário de Notícias, Manuel Laia, Head of International Sales da Science4you – empresa de brinquedos tecnológicos e científicos – explicou como esta indústria se tem adaptado a uma nova realidade.

«Inicialmente procurámos ter brinquedos educativos e diferentes e que fossem virados para a coordenação motora e para o desenvolvimento de outro tipo de capacidades. Contudo, ao longo do tempo, percebemos que tínhamos de nos juntar ao digital, mas tentámos que fosse na medida certa», frisou o responsável da empresa. Laia esclarece que atualmente são os brinquedos offline que têm mais procura. «Os pais escolhem-nos para evitar que os filhos se viciem na tecnologia.»

O eurodeputado Carlos Zorrinho, da comissão da Indústria e Investigação, outro dos convidados, lembrou que seria «importante introduzir a componente social» na temática, quando questionado sobre o interesse dos pais.

«Tudo isto tem de ser feito com um propósito. Todos desejamos que os nossos filhos sejam saudáveis, que sejam felizes, que aprendam a pensar e que desenvolvam o seu raciocínio lógico», frisou o eurodeputado português.

Vídeo da conferência de Paulo Oom no link:

https://www.noticiasmagazine.pt/2018/paulo-oom-os-pais-dar-exemplo/

 

Esta app traz uma nova dimensão às histórias que pode contar às crianças

Janeiro 7, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Notícia do TEK.Sapo de 1 de dezembro de 2018.

Chama-se Wonderscope e é uma das novas aplicações a tirar partido da realidade aumentada para transformar os lugares normais em espaços extraordinários.

A aplicação faz com que se consiga “ver” as histórias a acontecer mesmo ao seu lado, apesar de estar sentado no sofá de casa, ou no jardim do seu bairro. E é uma forma de passar um tempo mais rico com as crianças, mantendo a sua imaginação e criatividade ativa.

Na biblioteca da Wonderscope há uma série de históricas para ver e conhecer, sobre os duplos que fizeram muitas personagens de cinema, ou uma versão moderna do Capuchinho Vermelho, mas estão prometidas mais histórias com as quais pode interagir usando a voz.

No conceito está a exploração do mundo, para o que precisa de se levantar e andar com o iPhone ou o iPad na mão, mas também a interação com as personagens. Para já está só em inglês, mas isso até pode servir para treinar a língua.

A app está disponível para iPhone e iPad e é gratuita, mas conte com compras in app para mais histórias e funcionalidades.

 

 

 

O novo vício dos adolescentes americanos

Janeiro 4, 2019 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da Euronews de 17 de dezembro de 2018.

É um fenómeno que atinge muitos países – a Sociedade Portuguesa de Pneumologia já lançou o alerta – mas os números que chegam dos Estados Unidos dão corpo à realidade. A utilização de cigarros eletrónicos entre os adolescentes do ensino secundário duplicou no último mês em relação ao ano passado, abrangendo 21% dos estudantes americanos.

“Isto atingiu uma proporção inadmissível”, diz Scott Gottlieb, da FDA, a autoridade sanitária americana. Em causa estão sobretudo os alunos do 10° ao 12° anos, atraídos pelos sabores variados dos produtos e pelos argumentos que apontam este tipo de consumo como mais seguro.

“Mas os consumidores nem sempre têm noção de que estão realmente a utilizar nicotina”, responde Wilson Compton, do Instituto Nacional da Droga americano.

As autoridades sanitárias falam mesmo em “epidemia” e numa nova geração viciada em nicotina. Os cinco principais produtores de cigarros eletrónicos foram intimados a apresentar medidas para controlar o uso entre os mais novos, sob pena de o consumo passar a ser proibido.

 

Kubo: o robô que ensina miúdos a programar também aprendeu coisas novas

Dezembro 31, 2018 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de dezembro de 2018.

Os dinamarqueses da Kubo Robotics ganharam o pitch da Web Summit em 2016. Desde então venderam 5000 exemplares do robô que ensina miúdos a programar.

Victor Ferreira e Teresa Pacheco Miranda

Não é todos os dias que se ganha um prémio em dinheiro. Nem é qualquer um que o rejeita. A startup Kubo Robotics fez ambas as coisas em 2016: foi a Lisboa ganhar o prémio do melhor pitch da Web Summit, mas depois rejeitou os 100 mil euros, porque o dinheiro chegaria sob a forma de investimento e os fundadores tinham outra estratégia para desenvolver a empresa.

Preferiram lançar uma campanha de crowdfunding e estabelecer parcerias locais em Odense, um “cluster da robótica” na Dinamarca, descreve Daniel Lindegaard, chefe de operações da empresa. A terra natal de Hans Christian Andersen, criador de famosas histórias infantis, continua a ter alguém preocupado com o ensino de crianças — para o robô criado pela Kubo, o importante é que se aprenda programação desde tenra idade.

A equipa alia o interesse comercial — “queremos ser a melhor solução” — com preocupações sociais: querem colocar o robô em escolas e bibliotecas públicas, para evitar que o Kubo se torne um produto para ricos e, dessa forma, contribua para uma sociedade mais desequilibrada. Desde a vitória em Lisboa, a empresa vendeu cinco mil exemplares do robô, lançou uma aplicação para telemóvel e tem vindo a adicionar novas funcionalidades ao Kubo, que também ensina música aos mais pequenos ou a escrever correctamente.

No rescaldo da Web Summit, lançámos a pergunta: o que aconteceu às startups que ganharam a competição que todos os anos é organizada pela Web Summit para distinguir o melhor pitch? Também já descobrimos que a Lifeina, vencedora em 2017, quer salvar corações.

 

 

 

Seca no Afeganistão leva pais a venderem os filhos

Dezembro 13, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Euronews de 28 de novembro de 2018.

A pior seca das últimas décadas no Afeganistão está a levar algumas famílias a venderem os filhos para liquidarem as dívidas ou comprarem alimentos. A seca tem agravado o problema do casamento infantil. A Unicef estima que pelo menos 161 crianças, entre elas seis meninos, tenham sido vendidas num período de apenas quatro meses em duas das províncias afetadas.

“Os pais contraem dívidas para sustentarem a família, esperando que a chuva chegue em breve e lhes permita liquidar a dívida, mas infelizmente a seca continua a arrastar-se e eles não conseguem pagar as dívidas. Infelizmente, as crianças tornam-se uma garantia”, disse Alison Parker, porta-voz da UNICEF para o Afeganistão, numa conferência de imprensa, realizada na terça-feira, em Genebra.

Entre as crianças há bebés de apenas um mês, já prometidos para casamentos forçados. 35% da população afegã realiza casamentos infantis.

10, 6 milhões de pessoas têm dificuldades para alimentar-se no Afeganistão.

“Este é um dos momentos mais difíceis da história do Afeganistão. O povo afegão está a sofrer de uma forma inimaginável”, frisou Toby Lanzer, representante-especial da ONU no Afeganistão.

O Alto Comissariado da ONU anunciou que começou a entregar milhares de tendas aos deslocados, vítimas dos conflitos e da seca.

 

Bastam 23 euros para salvar a vida de uma criança com fome

Dezembro 13, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 11 de novembro de 2018.

No dia em que se assinalam 72 anos da sua fundação, a UNICEF lança esta terça-feira uma campanha de angariação de fundos para combater a subnutrição de crianças.

Em declarações à TSF, diretora executiva da Unicef Portugal, Beatriz Imperatori, deixa “um apelo muito forte” pela luta contra a fome, em especial na África subsariana.

Um tratamento completo para tratar uma criança subnutrida durante três semanas não representa um custo muito elevado para quem quer ajudar – cerca de 23 euros – “mas pode ser um novo início para uma criança”.

Foi o que aconteceu a Marcelino e a Unicef quer que a história deste bebé seja a história de mais crianças em risco de vida.

Ao perceber que o filho estava gravemente doente a mãe de Marcelino levou-o ao centro de saúde local. Depois de ser tratado com alimentos terapêuticos fornecidos pela Unicef o bebé regressou a casa com a mãe, levou ainda 14 doses desse alimento para dar continuidade ao tratamento.

Quase 151 milhões de crianças menores de cinco anos registaram atrasos no desenvolvimento físico e cognitivo devido à subnutrição, enquanto mais de 50 milhões de crianças tinham um peso demasiado baixo para a sua idade, segundo os últimos dados do relatório “The State of Food Security and Nutrition in the World”, referentes ao ano passado.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância foi criado em 1946 para dar resposta às necessidades das crianças europeias após a guerra. Hoje, a Unicef está presente em mais de 190 países em todo o mundo.

 

 

Devemos proibir as crianças de ver os filmes onde a princesa é beijada por um desconhecido?

Dezembro 7, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 18 de nevembro de 2018.

No 90.º aniversário do rato Mickey, olhamos para a evolução das princesas da Disney, uma das marcas mais rentáveis e bem-sucedidas do mundo de Walt Disney.

Liliana Borges

Quando uma princesa é beijada por um desconhecido no meio de um bosque e isso lhe salva a vida, que mensagem estamos a passar às crianças?

A história remonta à primeira longa-metragem de animação da Disney: A Branca de Neve e os Sete Anões. Depois de provar uma maçã envenenada pela vilã da história, a invejosa Rainha Má, Branca de Neve desmaia e assim fica até que o beijo do “verdadeiro amor” a salve. O beijo acaba por chegar, quando Branca de Neve está deitada na floresta. Chega sem que Branca de Neve conheça sequer o Príncipe.

Keira Knightley, a actriz norte-americana que interpreta Elizabeth Swann na saga da Disney Piratas das Caraíbas, afirmou recentemente numa entrevista ao talk-show Ellen que tinha uma lista de filmes na sua “lista negra” e que não iria mostrar à filha de três anos. Entre eles estão Branca de Neve e Cinderela que, diz “esperou que um homem rico a viesse salvar”. “Não, isso é completamente errado. Salva-te a ti própria, obviamente!”, vincou.

Os dois filmes inserem-se numa das primeiras fases das princesas Disney, que a investigadora Juliana Garabedian, da universidade norte-americana James Madison, insere na fase de “pré-transição”. No estudo “Papéis de Género na animação: Como é que a Disney está a redefinir a Princesa Moderna”, a investigadora divide a evolução das princesas em três fases. A primeira arranca precisamente com o lançamento de Branca de Neve e os Sete Anões em 1937 e vai até à Bela Adormecida, em 1959. Nestes filmes, que a investigadora Charlote Krolokke do Centro de Estudos Culturais da Universidade da Dinamarca do Sul define como a “primeira onda de feminismo”, o papel da mulher nas sociedades estava confinado às tarefas domésticas — um retrato óbvio em Cinderela, responsável por todas as tarefas domésticas da família da madrasta e duas irmãs e de Branca de Neve, que limpa a casa aos Sete Anões.

“Estes papéis de género são afirmados nas acções das princesas e mostram um período em que a Disney seguia o que era expectável de uma sociedade predominantemente machista”, lê-se no estudo.

Voltemos à Branca de Neve. “O que poderia ser a história de uma jovem na sua descoberta pessoal acaba por ser um retrato da mulher enquanto doméstica, que limpa a casa a sete homens, aceita um presente ‘sem autorização’, e precisa do beijo do Príncipe Encantado para sobreviver”, escreve Juliana Garabedian.

Mónica Canário, coordenadora do movimento HeForShe em Portugal, uma campanha lançada em 2014 pela UN Women na defesa dos direitos humanos, defende que “proibir os filmes da Disney não é solução”. Num workshop dirigido a pais e mães com dúvidas sobre o papel destes filmes de animação na educação das crianças, Mónica Canário lembra que “é preciso ver, para que depois se possa contextualizar e fazer a distinção entre o certo e errado”, usando os filmes como “uma ferramenta de explicação de conceitos que não ensinados nas escolas”.

“A Branca de Neve fazia sentido em 1937. Não faz agora. Mas não é por isso que os nossos filhos não a devem ver. A Disney é óptima para perceber a progressão dos direitos das mulheres.” Nos anos 50, nota a coordenadora do HeForShe, a imagem da mulher em tarefas domésticas é continuamente reproduzida em anúncios publicitários e associada a utensílios de cozinha e produtos de limpeza. Foi a partir dessa data que as mulheres começaram a conquistar os seus primeiros direitos, como o direito ao voto.

“A Pequena Sereia também é outro exemplo problemático. Abdicou daquilo que lhe permitia expressar-se. A voz”, continua Mónica Canário, que é também investigadora do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE, no Instituto Universitário de Lisboa. No filme, a sereia Ariel troca a voz por pernas para poder conhecer o príncipe Eric. No momento em que consente o sacrifício, questiona como irá conseguir falar com ele. A resposta? Terá de usar a beleza. Ariel, que no filme tem apenas 16 anos, aceita e deixa a família. No entanto, este filme já se insere num ciclo mais moderno: o de transição. Nesta categoria estão também A Bela e o Monstro (1991), Aladdin (1992), Pocahontas (1995), Mulan (1998), A Princesa e o Sapo (2009) e Entrelaçados (2010).

“Enquanto a Bela escapa como norma como uma mulher que gosta de ler, dizer o que pensa e é corajosa o suficiente para ir salvar o pai, é reduzida a um papel de personagem dependente quando poderia ter sido a heroína”, escreve Garabedian. Ainda assim, já se começa a destacar alguma evolução no feminismo das personagens.

“Sempre vi os filmes e isso não quer dizer que vá ser mais machista. Importa sim explicar às crianças. Por exemplo, no caso da Branca de Neve ou Bela Adormecida, deve explicar-se que não devemos beijar ninguém sem consentimento. E a partir daí explicar a palavra consentimento.”

A viragem é a Mulan. Apesar de arrancar com uma visita à casamenteira e ter a música I’ll Make a Man Out of You, que em português encontra uma versão mais soft com Vais lutar, ela “é a primeira personagem feminina da Disney que mata o vilão” e torna-se a heroína independente da história, aponta Mónica Canário. Disfarçando-se de homem para poder entrar no Exército no lugar do pai, Mulan torna-se no melhor soldado. Salva o pai (e a China) e prova que uma mulher é tão capaz quanto um homem.

“Há também a Tiana [A Princesa e o Sapo], a primeira personagem afro-americana, que é empreendedora nata, onde a figura do pai está muito presente na vida dela. Nesta fase, há uma evolução também das personagens masculinas, que ganham mais emoções. Depois há o pormenor do pote das gorjetas que ela vai somando, mostrando que tu podes ser o que quiseres, desde que trabalhes para isso”, continua a investigadora.

Também em Pocahontas vemos, tal como em Aladdin, um casamento arranjado. No entanto, a filha do chefe da tribo recusa o casamento e escolhe o seu próprio destino. E no final, opta por ficar com o seu povo e deixar partir John Smith.

Mas a grande revolução chega com Brave (2012), uma história sobre uma princesa que recusa casar-se com alguém para se poder tornar rainha. Numa viagem guiada pela busca de independência, a protagonista torna-se na sua própria heroína e dispensa um amor-romântico, focando-se na sua relação com a família, especialmente com a mãe, adepta de tradições conservadoras.

“A Merida, não tem o cabelo liso, não é loura, nem tem um físico de princesa-tipo, com uma cintura vespa, da largura de uma agulha. Tem o cabelo desgrenhado e reivindica que não vai casar com ninguém”, continua Mónica.

Também em Frozen, um dos maiores recentes sucessos da Disney (foi o filme de animação mais lucrativo de sempre, superando os 1,2 mil milhões de dólares só em bilheteiras em todo o mundo), a história do amor entre duas irmãs que se salvam uma à outra mostra o poder das novas princesas. Numa das cenas, Anna tem de escolher entre salvar-se com o beijo de Krostoff (sim, outra vez) e salvar a irmã. A jovem princesa escolhe salvar a irmã.

Neste filme há ainda outra cena importante, onde a Disney faz uma espécie de mea culpa em relação aos seus anteriores casamentos entre príncipes e princesas, quando Elsa censura Anna por querer casar com alguém que acabou de conhecer.

A Disney é progressista?

Apesar da evolução das personagens nas histórias ao longo dos anos, Mónica Canário não considera que a Disney seja progressista. “O que a Disney faz é acompanhar a sociedade, também o faz para não ficar para trás. Era o que iria acontecer se não houvesse representatividade. Mas não dá o passo à frente.” Esse passo à frente seria, por exemplo, representar Elsa [Frozen] como uma personagem homossexual.

“O facto de criares empatia, de dares uma casa ao problema, muitas vezes é a forma mais rápida de chegar as pessoas. As crianças precisam dessa representatividade. Precisam de saber que aquelas pessoas existem. Que não está errado e até aparece no filme. A representatividade é tudo.”

Mas quando se devem começar a discutir estes assuntos? De acordo com a investigadora Christine Macintyre no livro Enhancing Learning through Play (Introduzir a aprendizagem através de brincadeiras), é aos cinco anos de idade que “as crianças transitam da fase de empatia com os personagens e começam eles próprios a personificar os protagonistas das histórias”.

“Não vale a pena confundir a criança. Estas conversas têm sempre de ter em atenção a idade e a própria sensibilidade das crianças. Com isto podem introduzir-se conceitos chave que dificilmente vão ser falados nas escolas. Eu andei na escola pública e não me lembro destes temas serem falados. Não falamos de feminismo, machismo, abuso, assédio ou até de voto”, sustenta. “Isto não ser falado na escola é mau, é péssimo. Só a partir da faculdade é que se começa a falar. Os filmes podem e devem ser usados como ajuda aos pais.”

“A princesa moderna da Disney é independente, corajosa e heróica. As audiências contemporâneas precisam de ver personagens femininas fortes que conseguem estar ao lado dos personagens masculinos”, vinca Juliana Garabedian. “Ao fazê-lo, a Disney encoraja a ideia de igualdade entre géneros e ajuda a construir a aceitação universal de não deixar que sejamos definidos pela forma como nascemos, mas pelas nossas acções.”

 

 

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