20 de Junho de 1921- Nascimento de Matilde Rosa Araújo

Junho 20, 2012 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação, Poesia | Deixe um comentário
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Matilde Rosa Araújo (1921-2010), sócia fundadora do Instituto de Apoio à Criança e Directora do Boletim do IAC. Nasceu em Lisboa em 1921, licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Foi professora do Ensino Técnico Profissional e do primeiro Curso de Literatura para a Infância, que teve lugar na Escola do Magistério Primário de Lisboa. Autora de livros de contos e poesia adultos e crianças, a sua temática centra-se em torno de três grandes eixos de orientação: a infância dourada, a infância agredida e a infância como projecto.  Dedicou-se, ao longo da sua vida, aos problemas da criança e à defesa dos seus direitos.

Entrevista a Matilde Rosa Araújo Aqui

Adoção: Um direito para algumas crianças – Crónica de Dulce Rocha na revista Visão

Março 30, 2012 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Poesia | Deixe um comentário
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Crónica quinzenal da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança, na revista Visão de 29 de Março de 2012.

Em Portugal durante quase cem anos, o século de vigência do Código de Seabra, a adoção não era possível.

O Prémio Norte-Sul foi atribuído este ano a Souhayr Belhassen, uma jornalista tunisina, presidente da Federação Internacional dos Direitos Humanos. Tem um curso de estudos políticos, mas tem sido através do jornalismo que o seu ativismo se tem manifestado.

Dirigiu no seu País a Liga dos Direitos Humanos, e tem-se destacado particularmente na defesa dos direitos das mulheres, nos Países Árabes.

Na segunda-feira fui ouvi-la à tardinha, numa iniciativa da Universidade Católica e do Instituto de Estudos Políticos do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

A determinada altura, falou de algumas contradições que por vezes acompanham os processos revolucionários e dos seus receios relativamente ao estatuto das mulheres na Tunísia, e referiu o aumento significativo do número de véus no pós Ben Ali.

Interpelada a concretizar os seus receios e inquietações, esclareceu que a votação significativa obtida pelo partido islamista poderia conduzir a uma redução de direitos já alcançados, visto que apesar de não democrático, o regime do ditador Ben Ali reconhecera direitos importantes às mulheres e às crianças e referiu que uma das primeiras leis revogadas pelo governo tinha sido a lei da adoção, o que considerava uma regressão, já que se tinha repristinado uma lei antiga sobre a “kafala”, que é semelhante ao nosso instituto da tutela.

Na verdade, em muitos países árabes vigora a Kafala, que permite às crianças cujos pais não estão em condições de os cuidar, serem acolhidos e criados por terceiros, mas que não lhes permite considerá-los filhos, pelo que não têm direito a herdar, nem a usar o nome da família que os acolhe.

Lembrei-me que também em Portugal durante quase cem anos, o século de vigência do Código de Seabra, não tivemos adoção e mesmo quando em 1966 o Código Civil reintroduziu a adoção, limitava-a às crianças órfãs ou filhas de pais incógnitos. O instituto da adoção como o conhecemos hoje, só depois do 25 de Abril, mais propriamente quando após a aprovação da Constituição em 2 de Abril de 1976, teve de se alterar profundamente o livro de Direito da Família.

As normas constitucionais que proclamavam o princípio da não discriminação, designadamente em razão da ascendência e do sexo, exigiam que o Código Civil consagrasse a igualdade entre os cônjuges e que se desenvolvesse a adoção, alargando-a às crianças abandonadas, maltratadas e abusadas, sempre que se entendesse que se configurava uma rutura dos laços afetivos próprios da filiação. Hoje, a adoção é um instituto constitucionalmente garantido e as normas vigentes aconselham celeridade na constituição desse vínculo jurídico quando se reconheçam reais vantagens para a criança, no seu superior interesse.

Uma verdadeira  revolução, que consiste afinal na possibilidade de dar a uma criança uma família onde possa crescer e ser amada como se filho fosse, num ambiente de afeto e felicidade.

A adoção continua a ser possível apenas para algumas crianças sem família, porque os direitos delas são sempre desvalorizados, mas lembrei-me neste fim de Março de homenagear aqueles que de Abril fizeram mais e melhores oportunidades para as nossas crianças.

Como dizia Jorge de Sena, temos de celebrar em cada dia “a honra de estarmos vivos”.

 

Balada das Vinte Meninas Friorentas poema de Matilde Rosa Araújo

Julho 13, 2010 às 1:00 pm | Publicado em Poesia | Deixe um comentário
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Vinte meninas, não mais,
Eu via ali no beiral:
Tinham cabecinha preta
E branquinho o avental.

Vinte meninas, não mais,
Eu via naquele muro:
Tinham cabecinha preta,
Vestidinho azul escuro.

As minhas vinte meninas,
Capinhas dizendo adeus,
Chegaram na Primavera
E acenaram lá dos céus.

As minhas vinte meninas
Dormiam quentes num ninho
Feito de amor e de terra,
Feito de lama e carinho.

As minhas vinte meninas
Para o almoço e o jantar
Tinham coisas pequeninas,
Que apanhavam pelo ar.

Já passou a Primavera
Suas horas pequeninas:
E houve um milagre nos ninhos.
Pois foram mães, as meninas!

Eram ovos redondinhos
Que apetecia beijar:
Ovos que continham vidas
E asinhas para voar.

Já não são vinte meninas
Que a luz do Sol acalenta.
São muitas mais! muitas mais!
Não são vinte, são oitenta!

Depois oitenta meninas
Eu via ali no beiral:
Tinham cabecinha preta
E branquinho o avental.

Mas as oitenta meninas,
Capinhas dizendo adeus,
Em certo dia de Outono
Perderam-se pelos céus.

Verso Aqui Verso Acolá (organização de Natércia Rocha)

Cavalinho, cavalinho Por Matilde Rosa Araújo

Julho 9, 2010 às 1:00 pm | Publicado em Poesia | Deixe um comentário
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Cavalinho, cavalinho

Cavalinho, cavalinho
Que baloiça e nunca tomba;
Ao montar meu cavalinho
Voo mais do que uma pomba!

Cavalinho, cavalinho,
De madeira mal pintada:
Ao montar meu cavalinho
As nuvens são minha estrada!

Cavalinho, cavalinho
Que meu pai me ofereceu:
Ao montar meu cavalinho
Toco as estrelas do céu!

Cavalinho, cavalinho
Já chegam meus pés ao chão:
Ao montar meu cavalinho
Que triste meu coração!…

Cavalinho, cavalinho
Passou tempo sem medida:
Tu continuaste baixinho
E eu tornei-me tão crescida.
Cavalinho, cavalinho
Por que não cresces comigo?
Que tristeza, cavalinho,
Que saudades, meu Amigo!

Matilde Rosa Araújo, O Livro da Tila

História do Sr. Mar por Matilde Rosa Araújo

Julho 8, 2010 às 12:13 pm | Publicado em Poesia | Deixe um comentário
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HISTÓRIA DO SR. MAR

Deixa contar…
Era uma vez
O senhor Mar
Com uma onda…
Com muita onda…

E depois?
E depois…
Ondinha vai…
Ondinha vem…
Ondinha vai…
Ondinha vem…
E depois…

A menina adormeceu
Nos braços da sua Mãe…

Matilde Rosa Araújo, O Livro da Tila

Poema de Matilde Rosa Araújo – Os Direitos da Criança

Julho 6, 2010 às 9:00 pm | Publicado em Poesia, Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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O Dia Mundial da Poesia no CCB

Março 8, 2010 às 10:00 am | Publicado em Divulgação, Poesia | Deixe um comentário
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As crianças aprendem com o que vivem: o poema

Fevereiro 4, 2010 às 2:00 pm | Publicado em Poesia | Deixe um comentário

Children Learn What They Live

If children live with criticism, they learn to condemn.

If children live with hostility, they learn to fight.

If children live with fear, they learn to be apprehensive.

If children live with pity, they learn to feel sorry for themselves.

If children live with ridicule, they learn to feel shy.

If children live with jealousy, they learn to feel envy.

If children live with shame, they learn to feel guilty.

If children live with encouragement, they learn confidence.

If children live with tolerance, they learn patience.

If children live with praise, they learn appreciation.

If children live with acceptance, they learn to love.

If children live with approval, they learn to like themselves.

If children live with recognition, they learn it is good to have a goal.

If children live with sharing, they learn generosity.

If children live with honesty, they learn truthfulness.

If children live with fairness, they learn justice.

If children live with kindness and consideration, they learn respect.

If children live with security, they learn to have faith in themselves and in those about them.

If children live with friendliness, they learn the world is a nice place in which to live.

 Dorothy Law Nolte, 1972

A criança é como o poeta…

Janeiro 21, 2010 às 10:10 am | Publicado em Poesia | Deixe um comentário

A Criança
Aberta, discreta
ou desatenta
é como o poeta:
não mente, inventa.

                      Luís Veiga Leitão

Saiba mais sobre este escritor português AQUI.

Fernando Pessoa:”Quando as crianças brincam”

Janeiro 7, 2010 às 10:16 am | Publicado em Poesia | Deixe um comentário
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Quando as crianças brincam
E eu as ouço brincar,
Qualquer coisa em minha alma
Começa a se alegrar

E toda aquela infância
Que não tive me vem,
Numa onda de alegria
Que não foi de ninguém.

Se quem fui é enigma,
E quem serei visão,
Quem sou ao menos sinta
Isto no meu coração.

Fernando Pessoa, 05 de Setembro de 1933

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