Lançamento do livro de Vânia Beliz “Chamar as coisas pelos nomes : como e quando falar sobre sexualidade” 19 setembro FNAC Chiado 19.00 horas

Setembro 18, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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CHAMAR AS COISAS PELOS NOMES: Como e quando falar sobre sexualidade.

Editora Arena

Convido-vos a conhecer o meu novo livro dirigido às famílias, aos educadores e às educadoras. “Chamar as coisas pelos nomes” é o meu desafio de oferecer, a quem educa, estratégias simples para que se possam abordar com crianças e com jovens alguns dos temas mais importantes da sexualidade. O prefácio de Jorge Ascensão, Presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, é o ponto de partida do reconhecimento da importância desta temática na educação para a saúde.

Porque falar de sexualidade ultrapassa, em muito, a temática do sexo, convido-vos a descobrir como podemos promover a saúde e o bem-estar das nossas crianças desde o nascimento. Educamos para a sexualidade desde que nascemos, e a forma como nos comportamos e como educamos meninos e meninas é um ponto de partida importante para o sucesso das nossas relações. A forma como viveremos a nossa intimidade e como construiremos a nossa felicidade depende sempre da forma como integramos a nossa identidade, de como lidamos com o nosso corpo e as suas transformações, e de como vivemos os primeiros relacionamentos… Será que sente ter competências para abordar todos estes temas importantes?

E as questões da identidade: quem sou e como sou? a puberdade e a adolescência? Bem, “Chamar as coisas pelos nomes” poderá ser, assim, uma ferramenta que considero importante para todos e para todas que se preocupam com a felicidade dos seus filhos e das suas filhas, e que querem responder eficazmente a todas as perguntas e desafios que surgirem.

De forma objetiva e sem medo, chamemos as coisas pelos nomes!

O meu obrigada

Vânia Beliz 

 

Afinal, não há “orfanatos” cheios de crianças para adotar em Portugal

Julho 31, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Observador de 19 de julho de 2018.

É um dos mitos que o livro “Adotar em Portugal — um guia para futuros pais” procura desmontar: afinal, o número de crianças para adoção é muito inferior ao número de candidatos a pais.

O livro nasce de uma experiência pessoal: Ana Kotowicz, jornalista do Observador, é mãe de duas crianças, adotadas no ano passado. Em “Adotar em Portugal — um guia para futuros pais”, a autora procura traçar um caminho pelas várias fases do processo, entre regras, burocracias, dúvidas e, às vezes, mitos. Como o mito dos orfanatos cheios de crianças à espera de serem adotadas, desmontado no capítulo “As crianças institucionalizadas”. É um excerto dessa parte que aqui publicamos. O livro já está à venda e é apresentado esta quinta-feira, em Lisboa.

“No nosso imaginário coletivo, as crianças à espera de serem adotadas são órfãs. Foi isso que vimos durante muitos anos em filmes e livros, seja em ‘Annie’ ou ‘Oliver Twist’. E isto não podia hoje estar mais longe da verdade.

Esqueça a ideia de orfanato. Para começar, a esmagadora maioria das crianças que se encontram em instituições têm pais biológicos vivos mas, por um motivo ou por outro, foram retiradas à sua família pelo Estado. Quem são estas crianças que estão longe das suas famílias e entregues à guarda do Estado?

Todos os anos, desde 2004, o Instituto da Segurança Social publica o relatório CASA – Caraterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens, com a caraterização destes menores. Em 2016, último ano de que se conhecem dados, havia pouco mais de oito mil crianças institucionalizadas (99 eram órfãs). Nota importante: estar institucionalizado não é sinónimo de estar à espera de ser adotado. Pelo contrário, deste total só 830 crianças esperavam por uma nova família. E quem são essas oito mil crianças?

“São sobretudo crianças a partir dos 12 e até aos 18 anos, com maior incidência dos 13 aos 15. É o que predomina no sistema. Ou seja, mais de metade delas estão fora do jogo, estão fora das condições legais para serem adotadas (menores de 15). Algumas estão na fronteira, com 12/14 anos, mas sabemos que é muito difícil serem adotadas. E este é o nosso sistema nacional de acolhimento. É o grosso da coluna”, explica-nos uma fonte que pede o anonimato e que há dezenas de anos trabalha no mundo da adoção. “O que se passa com as restantes? Temos uma predominância de crianças cujo projeto de vida é o regresso à família.”

Portanto, a maioria das crianças institucionalizadas são maiores de 12 anos, idade que poucos candidatos a adotantes procuram, e entre as mais pequenas o projeto de vida de grande parte delas passa por reencaminhá-las para a sua família de origem, seja a nuclear ou a alargada.

Se há um regresso, quer dizer que houve uma saída. Vamos então perceber o caminho que uma criança faz desde que é retirada aos pais biológicos.

Normalmente, a criança que chega a uma instituição para ser acolhida já estava sinalizada como menor em risco e teve outras medidas de proteção antes de ali chegar. Há motivos para suspeitar de negligência e risco de vida para a criança e a Segurança Social acompanha a situação de perto. Se, em algum momento, os alarmes soam e a criança é retirada aos pais, ela não é simplesmente colocada numa lista de menores em situação de adotabilidade.

A primeira prioridade do Estado é manter a criança junto da família biológica. Se os pais não estão capazes de cuidar dela, procura-se uma alternativa na família alargada: avós ou tios que possam fazê-lo, enquanto se ajuda os pais a ter condições para receberem os seus filhos de volta.

Se não existe esse familiar, então os menores ficam temporariamente à guarda do Estado, mas sempre na perspetiva de voltarem a ser integrados na família biológica. “A instituição é o fim da linha, a lei assim o determina e a prática também. Há um conjunto de outras medidas que não passam pela institucionalização: apoio junto de pais, familiares, pessoas idóneas. Estas medidas em meio natural de vida predominam no nosso sistema.”

No Reino Unido, por exemplo, é o contrário. Enquanto que em Portugal 85 a 90% das medidas são em meio natural de vida – e apenas o resto em acolhimento –, no sistema britânico vê-se o oposto e a esmagadora maioria das medidas aplicadas passam pela institucionalização das crianças. “Em Portugal leva-se muito a sério a preservação familiar e a responsabilidade parental, dois princípios da lei de proteção de menores.”

Diz-nos o CASA que em 2016, 4276 crianças tiveram alguma medida aplicada em meio natural de vida antes do primeiro acolhimento. Por isso, explica-nos a mesma fonte, isto faz com que as crianças cheguem mais tardiamente ao sistema de acolhimento – porque se tenta a manutenção na família. E tenta-se demais? “Tenta-se o suficiente que cada situação exige tendo sempre em conta o princípio que nos norteia, que é o superior interesse da criança. É o princípio mais elementar de todos, e o superior interesse da criança não deve permitir que o interesse do adulto se sobreponha.”

E apesar de admitir que poderá haver algumas situações em que se poderia ter desbloqueado a criança para adoção mais cedo, também diz que há situações que surpreendem pela positiva: recuperação de laços, um familiar afastado que aparece e que não sabia que a criança estava a viver aquela situação. E integrar a criança na família alargada é sempre preferível a encaminhá-la para a adoção. “O regresso à família é sempre o primeiro objetivo. A criança tem direito à família, seja biológica ou adotiva, mas a sua é a que vem em primeiro lugar.” E é só nesse momento, quando todas as hipóteses de regresso à família biológica estão esgotadas, que se avança para uma das restantes duas hipóteses: preparar o jovem para seguir um caminho independente (depois da maioridade) ou encaminhá-lo para a adoção se for menor de 15 anos. Se for esse o caso, o processo vai agora ser decidido nos tribunais.

É feita nova investigação para que o juiz possa decidir que encaminhar o menor para a adoção é no seu melhor interesse. Se isso acontecer, a guarda é retirada aos pais – que também são ouvidos durante o processo de instrução, bem como membros da família alargada – de forma definitiva e a criança ficará a aguardar por uma nova família. A partir deste momento, a família biológica perde quaisquer direitos sobre o menor e todas as ligações são cortadas de forma irreversível. Em alguns casos, poderá manter-se o vínculo com irmãos.

Mesmo que a criança permaneça numa instituição, a família biológica perde o direito de visitá-la. E estes menores, os que não esperam o regresso à família ou que não vão ser autonomizados, fazem parte “do quadradinho dos 10%”, as cerca de 800 crianças que todos os anos esperam ser integradas numa nova família.
Uma assistente social, que prefere o anonimato como acontece com a maioria das técnicas que entrevistei para este livro, contou-me uma dessas histórias dramáticas. No dia em que o tribunal decretou a medida de adotabilidade para um menor que estava à guarda da instituição onde ela trabalhava, era também o dia de anos da criança. Quando chegou a comunicação, a família biológica estava já dentro da instituição com um bolo de aniversário para fazer a festa.

Dizem as regras que a partir daquele momento o contacto entre menor e a família cessa de imediato. Mas o que aconteceu é que ninguém da equipa da instituição conseguiu enviar aqueles pais para trás. Fecharam os olhos, comemorou-se o aniversário e foi o último contacto que a criança teve com aquela família.

Voltando aos números, das 8175 crianças institucionalizadas em Portugal (69% tem mais de 12 anos de idade), mais de metade são rapazes e 47% são raparigas. A fase correspondente à infância e pré-adolescência (0 aos 11 anos) apresenta um peso de 30,5%, (2499), segundo os dados do CASA.

O relatório analisa ainda as caraterísticas especiais de cada uma destas crianças, como problemas de comportamento, toxicodependência, problemas de saúde mental, debilidade mental, deficiência mental e deficiência física. Os problemas comportamentais são os mais manifestados e foram identificados em mais de duas mil crianças (2227) que se encontravam, na sua maioria, no fim da puberdade/adolescência. Mas, como o relatório ressalva, as causas que originam estas dificuldades emocionais, apesar de geradas muito cedo na vida, normalmente só se manifestam mais tarde e de forma evidente a partir dos 12 anos.

Quer isto dizer que muitas das crianças que não têm problemas de comportamento poderão vir a manifestá-los mais tarde. Destaque ainda para o número de menores acompanhados em pedopsiquiatria ou psicoterapia e que beneficiam de acompanhamento de saúde mental regular: 3892 situações. Há ainda 1609 crianças a quem foi prescrita medicação, o que corresponde a 20% das crianças em situação de acolhimento.

Estas situações são muitas vezes despoletadas pelos contextos familiares em que os menores viviam antes da institucionalização e que deixam marcas profundas. As situações de perigo, ou seja, os motivos que levaram à abertura de processos de proteção e ao acolhimento das crianças também estão analisados no CASA. E porque uma criança pode estar sujeita a mais do que um perigo, foram detetadas 18 895 situações de risco para as 8175 crianças.

A negligência sobressai nesta análise, representando 72% das situações de perigo. Com um número bastante menor, seguem-se as situações de maus-tratos psicológicos (8,5%), os maus-tratos físicos (3,4%) e os abusos sexuais (2,8%). Importante referir que há várias formas de negligência e aquela fatia dos 72% está partida em fatiazinhas mais pequenas: falta de supervisão e acompanhamento familiar, ou seja, a criança foi deixada só, entregue a si própria ou com irmãos menores, por largos períodos de tempo (59%); exposição a modelos parentais desviantes (32%) em que o adulto potencia na criança padrões de condutas desviantes ou antissociais; e a negligência quer dos cuidados de educação (31,6%) quer dos cuidados de saúde (29,1%).

Os maus-tratos psicológicos também têm subcategorias: violência doméstica, exercício abusivo da autoridade, ignorar de forma passiva, provação social, corrupção, depreciação ou humilhação, ameaça, rejeição ativa.
Há ainda uma outra categoria, mais vaga, os outros perigos (13%), onde encontramos 832 crianças com comportamentos desviantes, algo que o CASA considera ser uma subcategoria “já que é sabido que na génese dos comportamentos desviantes apresentados pelas crianças encontram-se os demais fatores de perigo”, como a negligência ou os maus-tratos. Estas crianças, uma vez integradas numa nova família, precisam de quem seja capaz de perceber a raiz dos seus problemas e ajudar os menores a entender, transformar e alterar esses comportamentos.”

 

 

Crianças e Famílias num Portugal em Mudança – livro de Mário Cordeiro

Julho 26, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Neste livro traça-se um perfil da situação de saúde e de bem-estar da criança em Portugal, focando especialmente o grupo etário dos 0-9 anos. Com base em diversos indicadores existentes, e na sua evolução, avaliam-se as necessidades de saúde e de bem-estar, bem como as causas de mortalidade, doença e o sucesso das estratégias preventivas, depois de definida a população infantil em termos demográficos e sociais.

Mais informações sobre o livro no link:

https://www.ffms.pt/publicacoes/detalhe/1081/criancas-e-familias-num-portugal-em-mudanca

 

Lançamento do livro “Alerta Premika! Risco online detetado” em Ponta Delgada

Julho 15, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Livros, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Açores Magazine de 8 de julho de 2018.

 

 

“Os jovens não têm noção de mortalidade. Ninguém pensa que vai morrer aos 13 ou 14 anos”

Julho 11, 2018 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Consumir drogas e perder a virgindade aos 12 anos é uma realidade em Portugal. Quem é o afirma é Francisco Salgueiro, que traça um retrato da adolescência em pleno século XXI. O escritor, autor de vários livros dedicados ao tema, lançou em junho “Sexo, Drogas e Selfies”, e revelou ao Expresso uma realidade que leva muitos jovens a arriscarem a vida para serem populares no grupo de amigos.

Francisco Salgueiro é autor de vários livros sobre um dos períodos mais complexos e exigentes na vida de pais e filhos: a adolescência. Em 2010 publicou o primeiro livro dedicado ao tema “O Fim da Inocência – Diário Secreto de Uma Adolescente Portuguesa” e três anos mais tarde repetia a dose com o 2.º volume – “O Fim da Inocência – Diário Secreto de Um Adolescente Português”. Este mês lançou “SDS – Sexo, Drogas e Selfies”. Uma visão crua sobre uma realidade que muitos pais continuam a ignorar.

O que é que o levou a escrever um terceiro livro sobre os adolescentes portugueses?
Os pais ainda não acreditam que esta é uma realidade e que acontece aos seus filhos. Continuo a ter muitos pais que me dizem: “também na nossa altura uns fumavam erva, outros cheiravam cocaína e apanhávamos bebedeiras de coma alcoólico”. Não percebem que há muito mais a acontecer. As crianças estão a começar cada vez mais cedo nas drogas, álcool e sexo. Há um mundo diferente que os pais têm de perceber. Os mais novos, de 12 anos, tentam imitar os mais velhos, de 14 e 15 anos.

Este livro é um alerta para os pais?
Sim. Quis passar a mensagem de que na realidade destes jovens não há afetos genuínos, há pessoas descartáveis, pessoas utilizadas pelos seus corpos, relacionamentos de amizade que não o são. Estes miúdos não estão atentos ao que se passa à volta deles e gostam em massa dos mesmos temas sem sequer os discutirem.

Como é que surgiu a necessidade de partilhar estas mensagens?
Sou uma esponja de inspiração, tudo aquilo que posso absorver à minha volta vou absorvendo e há uma altura em que tenho necessidade de partilhar o que andei a recolher. O SDS junta centenas de histórias desde o “Fim da Inocência”. Nos dois primeiros livros, as histórias que contava passavam-se aos 14 anos e os editores da Leya diziam “como é que é possível ser tão cedo? Se calhar temos que indicar outra idade”. Eu dizia-lhes que não, que tínhamos de ser sinceros. Ficaram boquiabertos com as histórias que conto neste livro e que envolvem jovens de 12 anos.

Qual a principal diferença entre este livro e os anteriores?
É a idade, tudo se inicia mais cedo. As selfies, por exemplo, vieram tornar as relações descartáveis. Ter uma conversa pouco importa se tirarmos uma selfie e parecermos muito contentes. Há uma falta de auto-estima muito grande e o ‘fear of missing out’ – o medo de perder alguma coisa. Os jovens vivem na era dos ‘likes’, precisam de fazer algo para serem validados, para terem aprovação social. Os pais não estão lá a dizer “não precisas da aprovação social porque eu estou aqui, eu valido-te, eu gosto de ti”.

Este livro retrata a sociedade ou apenas um estereótipo?
Não posso generalizar que todas as pessoas sejam assim. Mas dei muitas palestras de norte a sul do país e percebi que esta realidade existe de facto, porque há uma coisa comum a todos estes jovens: a internet.

A internet é o pólo agregador dos comportamentos de risco atuais. É lá que os miúdos vêem pornografia desde muito cedo, os ‘youtubers’, que podem comprar droga, é lá que tudo se passa…

Os jovens têm consciência do que estão a fazer?
Muitos miúdos afirmam ter tomado “um comprimido qualquer” que lhes ofereceram e eu pergunto-lhes: “então mas o que é que continha o comprimido? Perguntaram? Fizeram um teste? (existem muitas carrinhas que fazem esse tipo de testes)”. Respondem-me: “não me interessa, era uma coisa qualquer e eu tomei porque achei graça”. Existe a cultura do YOLO – you only live once (só vives uma vez). Não há noção de mortalidade, ninguém pensa que vai morrer aos 13 ou 14 anos. Portanto, é um comprimido que pode ter sido feito numa garagem na China e que ninguém faz a mínima ideia do que contém, e para os miúdos é totalmente indiferente tomar este ou outro qualquer.

São os protagonistas das suas histórias que o procuram?
No primeiro livro, foi a Inês que veio ter comigo e que se expôs, contando-me uma série de histórias, nas quais não acreditei desde logo. Encontrei-me com ela, mais tarde, e com o seu grupo de amigos no Bairro Alto e apercebi-me que o que ela contara não era assim tão descabido. Assisti a algumas das histórias relatadas, e se eu que saio à noite não conhecia aquela realidade, como é que os pais haveriam de conhecer? No “Sexo, Drogas e Selfies (SDS)” peguei em histórias de várias pessoas. De repente passei a ser o repositório das histórias que todas as raparigas me queriam escrever e contar porque não têm coragem para falar com os pais.

Há pais que o abordam ou pedem para falar consigo?
Há casos em que vieram falar comigo para me contar uma história que aconteceu, mas geralmente são poucos. Muitos dizem-me que têm medo de ler os meus livros e são eles quem mais precisa de os ler. Alguns acham que por os filhos não saírem à noite estão protegidos mas na verdade não estão. Basta terem um computador em casa, com ligação à internet, e fecharem-se no quarto.

Antigamente era preciso ir para a rua, agora bastam estes comportamentos dentro de casa. Os próprios pais cometem erros nas redes sociais, pelo que tem de haver um crescimento coletivo. Não se pode recorrer ao argumento “eu sou mais velho, sei mais coisas que tu”, até porque provavelmente isso não é verdade, os miúdos sabem muito mais das redes sociais.

Como é que um escritor se transforma (quase) num psicólogo de adolescentes?
Não é fácil. Tento não o ser. Há dois tipos de emails que eu recebo: o mail de exposição, de quem quer falar, desabafar, sem procurar mais. Depois há outras pessoas que querem procurar e precisam, porque não sabem o que fazer à sua vida. Eu não sou psicólogo, mas como já me cruzei com muitas destas histórias procuro dar-lhes força, agir com bom-senso, tentando alertar para os comportamentos de risco.

Como foi sair à noite com estes miúdos e perceber o que se passava?
Depois de terem tomado comprimidos, aconteceu estarem ao telemóvel comigo e dizerem-me “vou-me atirar da janela abaixo, porque é lindo, vou voar”. Como na história do comboio (partilhada no SDS), em que tirar uma selfie para se ser popular é uma prioridade, mesmo quando se está completamente bêbedo (ou quando se ingeriu qualquer coisa), colocando a vida em risco. Os jovens não ganham consciência, procuram cada vez mais imitar os mais velhos. O pensamento é este: “Se os mais velhos cheiram cocaína, eu com 13 anos também quero experimentar, se não lhes acontece nada de especial, porque é que me há-de acontecer a mim?”

A história em que me inspirei para a parte final do livro chocou-me muito, foi-me contada pela irmã da pessoa que passou pelo problema. Foi a que mais me chocou até hoje. Estamos a chegar ao limite, para lá daquilo não há mais nada.

O que falta na relação entre pais e filhos?
Muitas vezes os pais chegam cansados do trabalho e a última coisa que lhes apetece é dar atenção aos filhos e falar com eles. O “Fim da Inocência” trouxe à tona o interesse da comunicação social por estes temas que surgem muitas vezes nas primeiras páginas. Não há desculpa para que os pais não estejam alerta.

Como é que os pais conseguem falar com os filhos sem estes acharem as conversas uma “seca”?
Este tipo de livros e artigos da Comunicação Social podem ser tema de conversa. Tem de haver um espaço dinâmico e de troca de ideias, e não de moralismos. É a pior coisa. Os jovens falam muito comigo porque não sou moralista e tenho um espírito muito aberto. Se um filho diz aos pais “já experimentei”, não o podem colocar de castigo, e têm de desconstruir o problema para que o filho não volte a consumir. Se os pais optam por colocar os filhos de castigo, eles voltam a repetir, porque o fruto proibido é o mais apetecido.

 

Entrevista publicada no jornal Expresso em 2 de julho de 2018

Livro infantil “Mãe tudo/Mai Todo” Filosofia para crianças

Julho 2, 2018 às 2:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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APEFP PUBLICA LIVRO DE ZÉLIA GONÇALVES

Um livro, NOVO, que desenvolve e promove competências sociais e emocionais da crianças, assim como a Adaptabilidade, Autorregulação, Comunicação, Pensamento Criativo, Resiliência e/ou Resolução de Problemas.
É um projeto no domínio da Educação e de Filosofia para crianças, editado pela Associação de Filosofia.

O livro partiu da doçura da figura da mãe em que há um tudo que se completa através da imagem e da frase.

A garantia do relevo e o cheiro a chocolate despertam os sentidos, tal como a com a Língua Gestual Portuguesa e uma música “Simbiose” que transcende o espaço, o tempo e viaja onde se quiser na mente de quem a ouve.

O livro tem como percebe um CD, uma folha com cheiro a chocolate, algum relevo, em forma de sinopse um relembrar como acabar com o comportamento em 5 tempos e Planos de sessões para Crianças e Jovens, para servir ao professor de guia.

O livro pode ser adquirido na http://www.apefp.org/ ou através da autora zelia.mmg@gmail.com

Encontro: Pensar o Acolhimento Residencial de Crianças e Jovens, 26 junho na Fundação Calouste Gulbenkian

Junho 22, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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O IAC-CEDI convida para a sessão de autógrafos do livro “Alerta Premika : Risco Online Detetado” 27 maio, Feira do Livro de Lisboa

Maio 25, 2018 às 7:00 pm | Publicado em CEDI, Livros | Deixe um comentário
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mais informações:

http://alertapremika.blogspot.pt/

Lançamento do livro «A Joaninha ao Contrário e Outras Histórias» 29 maio no Goethe-Institut em Lisboa

Maio 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/1244177935713762/

Apresentação da 5ª edição do livro de João dos Santos “A Casa da Praia: O PSICANALISTA NA ESCOLA” 29 maio em Lisboa

Maio 22, 2018 às 9:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/casadapraia6ipss/

 

 

 

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