Once missing, never forgotten

Maio 25, 2017 às 9:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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This study is a first step in this direction and it aims to develop evidence on the decision- making process of launching a publicity appeal, running a publicity appeal, the effectiveness of a publicity appeal, and the impact of a publicity appeal. This is done in order to identify existing knowledge, but also to shed light on operational challenges and gaps in knowledge which call for further research in this under-researched area. Our intention with this project was to improve our understanding of these issues and lay the grounds for further research to be undertaken in 2017 – 2018 (pending available funding).

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Once missing – never forgotten

A escola que nunca desiste dos seus alunos deu um livro

Maio 19, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 8 de maio de 2017.

 

A Escola da Ponte, à qual muitos chamam a escola mais democrática do país, fez 40 anos. O romancista e ex-jornalista Paulo M. Morais foi espreitar o que por lá se faz de tão extraordinário e a experiência deu um livro: «Voltemos à Escola», da Contraponto.

 Texto de Sara Dias Oliveira

O modelo é conhecido. Não há salas de aula, há espaços de aprendizagem. Não há filas de carteiras, há mesas redondas. Não há aulas, há tempos. Não há disciplinas, há valências. Não há professores, há orientadores educativos. Não há diretor, há gestor.

A Escola da Ponte nasceu na aldeia de Vila das Aves, em Santo Tirso, em 1976, há 40 anos – a NM entrevistou José Pacheco, fundador da escola, em março passado [leia aqui a entrevista]. Paulo M. Morais, romancista e ex-jornalista, resolveu escrever um livro sobre este projeto peculiar e que já motivou mais de 40 trabalhos de investigação.

Paulo M. Morais quis perceber como a Escola da Ponte ensina de forma diferente há 40 anos, como esta escola mexe com a ordem estabelecida. Levava imensas perguntas na cabeça quando chegou à Ponte. Os alunos fazem o que querem? Aprendem alguma coisa? Porque só existe uma escola assim em Portugal? O modelo é replicável? Há estudos sobre os resultados desta escola? Isto resulta? Pediu autorização para entrar, teve permissão, andou à vontade, conheceu a dona Helena da reprografia, o senhor Serafim, o funcionário que faz o que for necessário, alunos e professores.

No primeiro dia, chegou atrasado à escola que entretanto se mudou para a vila de São Tomé de Negrelos, também em Santo Tirso, que o GPS não deteta, com estrada de empedrado, estreita, quase sem espaço para dois carros se cruzarem – mas onde só no ano letivo passado estiveram mais de 1200 visitantes, quase metade do Brasil. Entrou, viu na janela do átrio da escola os direitos e os deveres dos visitantes afixados e foi percebendo de que cepa é feita esta escola que esticou do 1.º ciclo até ao 9.º ano de escolaridade. Na hora da despedida, custou-lhe dizer adeus.

«Visitar uma escola na Finlândia é ir ao encontro de uma realidade que tem por detrás o apoio dos responsáveis políticos educativos. Visitar a Escola da Ponte é ir ao encontro de um pontinho minúsculo do mapa de Portugal. É ir à aldeia gaulesa dos livros de Astérix, um último reduto que resiste teimosamente às sucessivas cargas do império escolar», conta.

Esta escola é um exemplo de resiliência. Paulo M. Morais leu livros, entrevistou José Pacheco, falou com alunos, ex-alunos, professores, funcionários. Trocou impressões com gente que decidiu estudar o que acontece na Ponte. «A história da Escola Ponte é uma história de pessoas apaixonadas. É uma história de resistência, como tantos já disseram, mas principalmente de paixão pelas crianças, pela educação, pelo futuro. É uma escola que requer uma entrega própria dos apaixonados; que demanda um compromisso próximo da fé», escreve o ex-jornalista que fez crítica de cinema, viajou pelo mundo com uma mochila às costas, foi pai de uma menina e plantou um pessegueiro – e, neste momento, traduz romances e livros de não ficção e tem vários livros publicados, entre eles Revolução Paraíso e O Último Poeta.

Paulo M. Morais quis saber o que pensa quem ali passa ou passou o tempo. Hélder, aluno de 14 anos, fala com conhecimento de causa. «O efeito que a escola teve em mim foi aprender a estudar e saber assumir os erros». Catarina, de 13 anos, também escreveu o que pensa num papelinho. «Deu-me mais responsabilidade, autonomia e mais sentido na vida, ao longo do meu futuro. Também me fez estudar ao meu ritmo e conseguir seguir a minha vida com maior responsabilidade». Adelina Monteiro, 12 anos de professora, 11 dos quais na Ponte, conta como é ensinar nesta escola. «A Escola da Ponte é crescimento em comunidade, num exercício pleno de cidadania interventiva, crítica, implicada, responsável. A Escola da Ponte é afeto, é conhecimento, é uma ponte para a transformação social.»

Na Escola da Ponte, cada aluno é único e irrepetível. Ali vive uma comunidade educativa que pratica a escola de uma outra maneira. Igual a tantas outras espalhadas pelo país, mas que segue um caminho diferente. «Dentro das suas idiossincrasias, a Escola da Ponte é igual a qualquer outra escola. Há os alunos compenetrados, os problemáticos, os preocupados, os engraçados, os perturbadores, os carismáticos, os tímidos; há todo o tipo de alunos que se encontram noutras escolas. Mas o milagre da Ponte, como diz o senhor Serafim, talvez passe por nunca se desistir de nenhum deles», escreve o autor do livro.

Cada aluno programa o seu trabalho. Às quartas-feiras, os alunos reúnem-se em redor do seu tutor e preenchem um plano de quinzena. O tutor é quem acompanha de forma individual e permanente o percurso curricular de cada aluno. A base programática é igual à das outras escolas, a abordagem é diferente. Há seis dimensões: linguística, lógico-matemática, naturalista, identitária, artística, pessoal e social.

Acredita-se que as necessidades individuais devem ser atendidas singularmente, que cada aluno deve fazer a apropriação individual e subjetiva do currículo, tutelada e avaliada pelos orientadores educativos. E o projeto educativo coloca como um dos objetivos formar «pessoas e cidadãos cada vez mais cultos, autónomos, responsáveis, solidários, e democraticamente comprometidos na construção de um destino coletivo e de um projeto de sociedade que potenciem a afirmação das mais nobres e elevadas qualidades de cada ser humano.»

«Na Escola da Ponte, também há conflitos, problemas, alunos difíceis, queixas, discussões, amuos. E, como resposta, há paciência e também disciplina. Uma espécie de caos organizado», diz Paulo M. Morais.

Os alunos debatem e decidem tudo o que se passa na escola. Decidem quando estão preparados para serem avaliados. O autor do livro assistiu à eleição da Assembleia da Escola da Ponte, à apresentação dos candidatos e propostas, aos debates, aos votos na urna.

Cada criança define o respetivo plano de aprendizagem, de acordo com conceitos de autonomia, solidariedade e responsabilidade. «Na mesma sala, no mesmo núcleo, há alunos que aprendem diferentes coisas. Aqueles alunos, de certa forma, estão a aprender sozinhos, no seu ritmo próprio, com a sua própria lógica. Aqueles alunos estão a escolher, a optar, a decidir pelas suas próprias cabeças», adianta.

Paulo M. Morais assistiu também a um tempo de ginásio de alunos com necessidades educativas especiais, que obedece a um esquema próprio. As crianças ajudam na tarefa de ir buscar os aparelhos ao armazém. «Cada um tem tarefas específicas. Um miúdo atira uma bola de andebol ao cesto de basquete. Recebe incentivos quando encesta; não desiste quando falha. O rapazinho do trampolim continua a dar pulos; mas agora, de mãos dadas ao professor, sobe cada vez mais alto. Depois, as mãos largam-se para treinar a capacidade de ele dar uns passinhos e uns saltinhos autonomamente. Do outro lado da cortina de lona, rapazes e raparigas jogam ao ‘mata’», conta.

Na avaliação externa de 2013, feita pela Inspeção Geral da Educação e Ciência, a Escola da Ponte tirou muito bom em todos os itens. A equipa ministerial destacou «o excelente clima e ambiente educativos», «o trabalho colaborativo entre os alunos» e «a participação ímpar dos pais e encarregados de educação e dos alunos na vida do projeto.»

Esta escola não tem campainhas, as portas das salas estão abertas, o barulho nos corredores diminui à medida que os alunos entram nas salas. Tem alunos como noutras escolas, com os mesmos gostos, que têm telemóveis, andam à volta de tablets, fazem barulho no recreio. E, por vezes, a continuidade do projeto treme. «Não é nenhuma bandeira do ensino português. Bem pelo contrário. Todos os anos paira uma nuvem de dúvida sobre se o projeto Fazer a Ponte terá as condições para prosseguir nos moldes em que foi pensado. E, consoante o Governo e o ministro da Educação em funções, a relação e posição sobre a Ponte pode mudar drasticamente. É viver com o credo na boca. E, ainda assim, continuar a trabalhar como não houvesse uma nuvem negra que paira permanentemente sobre o telhado da escola.»

António Sampaio da Nóvoa assina o prefácio do livro. «É possível replicar esta experiência noutros lugares? Não. Mas é possível aprendermos com ela, mobilizarmos a mesma energia, fazer o mesmo trabalho de reflexão e de diálogo que os nossos colegas da Ponte têm feito desde 1976. Nem modas, nem imitações. Cada escola é uma escola. Irrepetível», escreve.

Voltemos à Escola chega às livrarias a 12 de maio. É apresentado no dia seguinte, a 13, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, às 17h30, no âmbito do ciclo literário Porto de Encontro, com a participação de professores da Escola da Ponte. A 15 de maio, Alexandre Quintanilha e Rui Vieira Nery apresentam a obra, editada pela Contraponto, na FNAC Chiado, em Lisboa, às 18h30.

 

Lançamento do livro «Álbum de Famílias», hoje 18.00 horas em Lisboa

Maio 4, 2017 às 1:12 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.booksmile.pt/

 

e-Book “A Mediação nos Conflitos Familiares Transfronteiriços”

Abril 29, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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http://www.cej.mj.pt/cej/recursos/ebooks/outros/eb_MediacaoConflitosTrans.pdf

 

 

Simona Ciraolo: “Qualquer tema pode ser bom para um livro infantil”

Março 9, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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texto publicado no http://observador.pt/ no dia 20 de fevereiro de 2017.

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Ana Dias Ferreira

Ao terceiro livro, Simona Ciraolo escolhe olhar para “O Rosto da Avó” e escrever sobre envelhecimento, mesmo para crianças. Conversa com a autora que pinta magistralmente as relações familiares.

Cada ruga tem uma memória e é uma linha na história desta mulher. Uma ruga remete para a noite em que conheceu o marido, na montanha-russa, outra para o melhor piquenique que fez à beira-mar, com as amigas, outra ainda para uma manhã de primavera em que fez uma grande descoberta e viu uma gata a dar à luz. O mais recente livro da italiana Simona Ciraolo faz zoom no rosto de uma avó para contar uma história ternurenta sobre o envelhecimento. Depois de Quero um Abraço (2015) e O Que Aconteceu à Minha Irmã? (2016), O Rosto da Avó é o terceiro livro da também ilustradora publicado em Portugal. Pretexto para uma entrevista por e-mail entre Londres, Lisboa e Nova Iorque onde se tenta perceber como nasce a motivação para escrever livros para crianças.

Na dedicatória do seu primeiro livro Quero um Abraço escreveu: “Para a Pam e para o Martin, que me fizeram deitar mãos à obra”. Quem são eles e de que forma influenciaram o seu trabalho?

A Pam e o Martin são os maravilhosos professores que tiveram de testemunhar as minha lutas durante o mestrado [em ilustração de literatura infantil]. Sempre que tive crises de confiança eles souberam fazer-me sair da minha própria cabeça e ver as coisas sob outra perspetiva. Souberam sempre quando eu precisava de um bom pontapé no rabo, metaforicamente falando! Sem essa energia e sentido de humor tenho a certeza que teria perdido uma quantidade ridícula de tempo com pensamentos que não interessavam nada.

Li que se mudou para Londres depois da licenciatura em cinema de animação e que trabalhou em filmes e publicidade antes de estudar ilustração em Cambridge. Como é que começou a escrever livros para crianças?

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Adorei esses primeiros anos em animação, é uma indústria maravilhosa para se trabalhar por causa das pessoas que se conhecem. Por outro lado, os livros ilustrados são o amor da minha vida. Já os colecionava nessa altura e olhava para eles como a arte narrativa mais perfeita de todas. Nunca tinha sentido a necessidade absoluta de contar uma história usando a animação, ao passo que o formato de livro ilustrado fazia todo o sentido para as histórias que tinha na cabeça, e de forma muito natural. Daí ter decidido embarcar nessa aventura.

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Como é que se lembrou de ter um cato como protagonista do seu primeiro livro?

Quero um Abraço é a história de alguém muito sensível e com um grande coração que é profundamente mal interpretado e visto como defensivo. Enquanto estava a pensar nestas caraterísticas, a ideia de um cato surgiu-me e instantaneamente soube que ele ia ser perfeito para a história que eu queria contar.

Mesmo com uma planta, Quero um Abraço é uma história sobre família e amizade. Tendo em conta os seus dois outros livros publicados em Portugal, O Que Aconteceu à Minha Irmã? e O Rosto da Avó, podemos dizer que escreve sobretudo sobre relações humanas e familiares?

Sim, até agora os meus livros têm mostrado sobretudo os temas comuns às relações e às dinâmicas familiares. Gosto muito de observar a forma como as pessoas interagem umas com as outras, especialmente dentro das fronteiras de uma casa particular, onde todas as suas idiossincrasias são sublinhadas. Suponho que este interesse influencia inevitavelmente as minhas histórias.

uma

Primeiro um livro sobre uma irmã mais velha, depois outro sobre uma avó inspiradora. Estas histórias são autobiográficas? Qual foi a ideia por trás de cada uma delas?

Os meus livros não são autobiográficos, mas escrevo sempre sobre sentimentos e emoções com os quais me consigo relacionar, direta ou indiretamente. Gosto de imaginar uma personagem numa situação específica e como é que isso a faria sentir. O que quer que a motiva parece-me tão real, tão tangível, que acabo por gostar das personagens como se fossem entes queridos.

segundo

Normalmente como é que identifica um bom tema? É a história que surge primeiro ou o universo visual?

Uma ideia que vale a pena perseguir é uma que me envolva de forma profunda. Normalmente tenho um “pressentimento” em relação à história que quero contar e, apesar de todo o trabalho envolvido entre o primeiro rascunho e a obra acabada, consigo sempre reconhecer esse primeiro “pressentimento” no livro final. A narrativa vem sempre primeiro, enquanto a imagética nasce em resposta aos requisitos da história.

Como é que gostava que as pessoas lessem os seus livros?

Espero que os leitores os achem honestos e que as personagens pareçam humanas, credíveis. Para além disso, espero que cada leitor encontre a sua própria forma de se relacionar com estas histórias e as experiências que são narradas. Acho que os meus livros podem ser lidos de formas muito diferentes, consoante se seja criança ou adulto, mas há pessoas da mesma faixa etária que parecem dar ênfase a aspetos diferentes de uma história e já recebi interpretações bastante pessoais do mesmo livro. Adoro ver como as minhas histórias são filtradas através das experiências de outra pessoa.

muitos

Envelhecer, ou a passagem do tempo, não são assuntos fáceis. Teve sempre confiança que dariam um bom livro para crianças?

Lembro-me de ter noção da passagem do tempo quando ainda era bastante pequena. Muitas vezes pensava nisso com impaciência, mas por vezes invadia-me uma sensação de perda eminente. À partida (espero), a maioria das crianças não tem tanta noção disto como eu tinha e se calhar, para algumas delas, O Rosto da Avó vai ser a primeira oportunidade de pensar neste conceito e irão reconhecer uma abordagem positiva do assunto. Talvez alguns miúdos não estejam preparados e regressem ao livro mais tarde. Acredito que qualquer tema pode ser bom para um livro infantil, mas a criança tem de encontrá-lo no tempo certo para ela.

recente

Falando da ilustração, como é que descreve o seu universo e a sua técnica?

Acredito que as ilustrações de um livro têm de servir a narrativa: afinal de contas, uma boa parte da história é contada através dos desenhos. Quando estou à procura da melhor abordagem a adotar para um livro em particular, procuro indicações no tom do texto mas também nas coisas que o texto não diz mas que estão implícitas — essas coisas têm de passar através das ilustrações. Por outro lado, se o texto nos está a dizer como é que uma personagem se está a sentir, posso querer usar as cores no desenho para dizer aos leitores que vai ficar tudo bem, ou seja, para tranquilizá-lo. A cor é apenas um exemplo: todos os elementos num desenho transportam uma qualidade expressiva, por isso quando estou a desenhar uma página tento explorar a força das marcas do lápis, o espaço livre à volta de uma figura, até o branco no papel, para me ajudar a atingir não só um efeito estético agradável mas também transmitir a atmosfera emocional certa.

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No novo livro, por exemplo, é muito bonita a maneira como faz zoom na cara da avó ou como transforma as suas memórias em desenhos tão coloridos e cheios que quase saem das páginas.

Para este livro funcionar eu tinha de criar duas dimensões temporais separadas e precisava que esta distinção fosse inequívoca. O espaço em que a menina está com a avó tinha de parecer íntimo, enquanto eu pretendia que o reino das memórias se destacasse pela sua riqueza, por estar cheio de vida e carregado com estas emoções todas. Encontrei esta solução muito cedo na história e apesar de não ter a certeza se seria capaz de desenhar o rosto da avó com a graciosidade que tinha em mente, sabia que era um desafio a ultrapassar para poder criar um livro que celebra verdadeiramente a idade e a experiência.

 

 

 

Farto da Elsa? Chegou a Coleção Antiprincesas

Março 5, 2017 às 7:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/de 1 de março de 2017.

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A escritora brasileira Clarice Lispector é uma das quatro mulheres sul-americanas cuja vida é agora contada a um público infanto-juvenil. Pitu Sáa

 

Ana Dias Ferreira

Em vez de castelos e superpoderes, uma nova coleção de livros conta a história de mulheres reais que conseguiram ser extraordinárias. Frida Kahlo e Clarice Lispector são duas das “antiprincesas”.

Não usam tiaras e não têm superpoderes mas mudaram o mundo à sua maneira. Frida Kahlo, Clarice Lispector, Violeta Parra e Juana Azurduy são as quatro heroínas de uma nova coleção infanto-juvenil “para meninos e meninas” que chega dia 3 de março às livrarias. “Quatro mulheres do mundo real para combater estereótipos de género junto dos mais novos”, lê-se na apresentação da coleção batizada, sugestivamente, de Coleção Antiprincesas.

“Contamos histórias de mulheres porque sabemos de muitíssimas histórias de homens importantes, mas não tantas de mulheres. Conhecemos algumas histórias de princesas, é certo, mas quão longe da nossa realidade estão essas raparigas que vivem em castelos enormes e frios? Há muitas mulheres que quebraram os padrões da sua época, que não se resignaram a desempenhar as funções que a sociedade lhes impunha (os maridos, os pais, os irmãos mais velhos) e seguiram o seu próprio caminho”, escreve Nadia Fink, jornalista argentina que teve a ideia da coleção — editada originalmente pela conterrânea Chirimbote — e assina todos os textos.”

Para começar são quatro livros, um por cada uma destas mulheres, escritos com uma linguagem acessível e ilustrados a cores (com recurso a algumas imagens reais) pelo também argentino Pitu Sáa. Em Portugal a edição está a cargo da Tinta da China — numa parceria com a EGEAC e o programa Lisboa por Dentro — e a 8 de março, Dia da Mulher, há direito a lançamento no Cine-Teatro Capitólio, no Parque Mayer.

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Da pintura à literatura, passando pelas lutas políticas e a música, estas são quatro histórias inspiradoras que não podiam estar mais longe do “viveram felizes para sempre” da Disney e dos poderes mágicos de Frozen. Por isso mesmo, a primeira coisa que se vê quando se abrem os livros são as pernas de Branca de Neve, reconhecíveis pela enorme saia amarela, a irem embora para dar lugar a outras mulheres que “não se deixaram ficar à espera e, com vontade de ir mais longe, procuraram compreender o mundo de outra maneira, superar obstáculos e deixar uma obra que está para lá do tempo”. Sem tiaras nem coroas mas com muitas outras coisas na cabeça.

Quem são estas antiprincesas?

Antiprincesa nº 1: Frida Kahlo

Exemplo de força e de um imaginário sem igual, Frida Kahlo usou cores fortes para pintar o sofrimento da sua vida. Resumindo com a mesma linguagem acessível do primeiro livro da coleção — e que poupa os leitores mais pequenos, e bem, aos pormenores do famoso acidente que a deixou com a coluna partida (contados magistralmente por Alexandra Lucas Coelho num outro livro da Tinta da China, Viva México) –, Frida nasceu em 1907 mas preferia dizer que tinha nascido em 1910 “porque foi nesse ano que os camponeses começaram uma grande revolução no seu país, e por isso decidiu que ela e o novo México tinham nascido juntos”. Teve uma perna defeituosa, motivada por uma doença aos seis anos (poliomelite), e ficou presa à cama e com as costas engessadas depois do autocarro onde viajava ser esmagado por um elétrico, aos 18 anos. Para a entreter, a mãe montou um cavalete e um espelho sobre a cama: “A princípio, Frida enfurecia-se por se ver tão imóvel, mas acabou por decidir que seria a sua própria modelo. (…) Começou assim a pintar auto-retratos. E, para que a acompanhassem na solidão, acrescentava animais: nas suas pinturas passeavam macacos, cães, veados e papagaios.” Ao longo da vida pintou-se a si própria e ao México, ao muralista Diego Rivera, com quem casou, aos animais que a acompanhavam na grande Casa Azul, hoje uma casa-museu, e às lutas sociais.

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Antiprincesa nº 2: Violeta Parra

Menos conhecida dos leitores portugueses, Violeta Parra foi uma artista chilena que viajou pelo seu país de guitarra ao ombro, para ouvir e salvar do esquecimento as canções tradicionais do Chile. Nascida em 1917, numa família pobre, aprendeu a tocar sozinha, imitando os pais às escondidas (eles eram músicos de folclore mas já lhe tinham dito: “nada de ganhar a vida com a música”). Teve de usar saias feitas de cortinados e cantar na rua, em troca de esmola, encontrou e perdeu o amor em Santiago do Chile, para onde se mudou à procura de uma vida melhor, e percorreu as zonas mais recônditas do país, muitas vezes com os filhos pequenos, para ouvir e gravar, da boca dos mais velhos, as canções tradicionais que já estavam a desaparecer. “A minha única vantagem é que, graças à guitarra, pude deixar de descascar batatas. Porque eu não sou ninguém. Há muitas mulheres como eu por todo o Chile” é uma das suas frases citadas no livro. Outra, para terminar: “Eu não quero exibir-me. Quero cantar e ensinar uma verdade, quero cantar porque o mundo vale a pena e está mais confuso do que eu.”

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Antiprincesa nº 3: Juana Azurduy

A ser uma princesa da Disney, Juana Azurduy seria Mulan (ou Mulan é Azurduy, melhor dizendo). Guerreira e heroína nascida em 1780, foi uma espécie de Joana D’Arc da Bolívia que pegou na espada para lutar pela libertação do seu país, na altura colonizado pelos espanhóis. História e mito cruzam-se no livro, mas há factos que é possível balizar: aos 17 anos entrou num convento, “para onde as mulheres da altura iam para se tornarem freiras ou para estudarem”, mas foi expulsa pouco tempo depois. Casou aos 19 anos com um lavrador e juntos batalharam pela independência, ao lado dos guerrilheiros. Juana lutava a cavalo e armada com pistolas e um sabre, numa altura em que as mulheres não eram permitidas no exército. Não só lutava como um dia teve de salvar o marido que tinha sido feito prisioneiro, invertendo a ordem das histórias dos cavaleiros que salvam princesas de dragões em castelos. Comandou um esquadrão chamado Os Hussardos, teve cinco filhos — terá mesmo combatido grávida e com a filha recém-nascida nos braços — e depois da morte do marido, Manuel Padilla, numa batalha, foi lutar para a Argentina, tendo regressado à Bolívia com a independência do país, em 1824.

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Antiprincesa nº 4: Clarice Lispector

Mais do que antiprincesa, “esta brasileira considerava-se ‘anti-escritora’, porque não gostava de estruturas, das coisas académicas, nem de regras, e escrevia onde e como podia: em papelinhos, guardanapos ou com a máquina de escrever no colo, enquanto os filhos corriam e ela atendia o telefone e os ajudava com os trabalhos de casa”, lê-se na primeira página do quarto livro da coleção. Fascinante na obra e na personalidade, Clarice Lispector é o tipo de mulher difícil de resumir — até Benjamin Moser, que assinou uma monumental e excecional biografia sobre a escritora (publicada em Portugal pela Civilização, em 2010), dizia que Clarice é como a esfinge, um mistério difícil de desvendar. De “olhar felino”, como escreve Nadia Fink, Clarice Lispector nasceu em 1920, na Ucrânia, e foi para o Brasil com um ano, no navio que os pais, judeus, tiveram de apanhar para fugir das perseguições anti-semitas. Desde pequena gostava de inventar histórias com as amigas, sobretudo de contos que não tinham fim. “Quando chegava em um ponto impossível, por exemplo, todos os personagens mortos, eu pegava. E dizia: ‘Não estavam bem mortos.’ E continuava.” Ao longo da vida escreveu romances (muitos com o famoso final aberto, todos desconcertantes), livros infantis protagonizados por animais (estão publicados pela Relógio D’Água) e crónicas nos jornais para ganhar a vida, sobretudo depois de se divorciar do diplomata com quem tinha casado e regressar ao Brasil. O melhor será ficar com as palavras da própria Clarice, citada no livro anti-princesas, e esperar que a sua leitura incite os mais jovens a descobrirem-lhe a obra: “Escrever é usar a palavra como isca, para pescar o que não é palavra.”

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Tertúlia «Violência no Recreio: Diálogo sobre a Prevenção e Identificação do Bullying» 23 de fevereiro

Fevereiro 13, 2017 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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mais informações sobre o livro:

http://www.bertrand.pt/ficha/13-anos-para-sempre-marion?id=18896688

Facebook e educação : publicar, curtir, compartilhar

Janeiro 30, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Livros, Recursos educativos | Deixe um comentário
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descarregar o livro no link:

http://books.scielo.org/id/c3h5q

Livro “Histórias Simples de Pessoas Simples”, escrito e ilustrado por jovens autores do CECD Mira Sintra

Janeiro 28, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://www.cecdmirasintra.org/index.php/109-ate-ao-limite-do-sonho

Apresentação e Lançamento do livro “Conteúdo e limites do Princípio Inquisitório na Jurisdição Voluntária” 26 janeiro no CEJ

Janeiro 25, 2017 às 9:30 am | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://www.petrony.pt/store/product/0/120871/conteudo-e-limites-do-principio-inquisitorio-na-jurisdicao-voluntaria

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