Lançamento do livro «A Joaninha ao Contrário e Outras Histórias» 29 maio no Goethe-Institut em Lisboa

Maio 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Apresentação da 5ª edição do livro de João dos Santos “A Casa da Praia: O PSICANALISTA NA ESCOLA” 29 maio em Lisboa

Maio 22, 2018 às 9:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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A história do rock ilustrada para miúdos e graúdos

Maio 21, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Chuck Berry ©Joana R.

Notícia do P3 de 8 de maio de 2018.

Estabelecer uma ponte entre a cultura dos pais e a linguagem dos filhos é o ponto de partida de A História do Rock (para pais fanáticos e filhos com punkada). O livro de Rita Nabais, com ilustrações de Joana Raimundo, dá a conhecer aos mais novos as principais figuras do rock através de pequenas biografias e curiosidades de artistas que fizeram parte da banda sonora da adolescência dos pais de hoje, outrora jovens amantes de música.

Para Nuno Valente, das Edições Escafandro, a publicação deste livro teve a intenção de criar um lugar na memória das crianças para os ícones da geração dos pais, “numa altura em que o rock está a ser ultrapassado por outros géneros junto das novas gerações” — como o rap e o pop. O editor conta que o feedback não podia ser mais positivo. “Há pais que todas as noites lêem um artista diferente aos filhos, enquanto os adormecem a mostrar as músicas e os vídeos”, exemplifica o editor ao P3.

Esta nova enciclopédia do rock tem 147 entradas com ilustração e texto, que vão desde Bill Haley & His Comets e Little Richard — pioneiros do estilo musical —, até a nomes mais recentes, como The National ou Vampire Weekend, passando por Elvis Presley e Nirvana. Para além dos desenhos dos músicos, o livro conta ainda com as sugestões musicais de várias pessoas da área, como Miguel Ângelo (Delfins) e Fernando Ribeiro (Moonspell), resultando numa playlist com mais de 500 artistas dos últimos 70 anos.

 

Preventing violent extremism through education: A guide for policy-makers

Maio 15, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Livros, Recursos educativos | Deixe um comentário
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descarregar o guia no link:

http://unesdoc.unesco.org/images/0024/002477/247764e.pdf

“Quando se lê em criança, o cérebro cresce”, diz Carlos Fiolhais

Maio 7, 2018 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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“Devo aos livros aquilo que sou. Só me conheço a ler”, diz Carlos Fiolhais DANIEL ROCHA

 

Texto do https://www.publico.pt/ de 19 de abril de 2018.

Para assinalar dez anos de vida literária, João Manuel Ribeiro organizou as jornadas 10 de Letra. Primeiro no Porto e agora em Lisboa. Carlos Fiolhais é um dos convidados.

RITA PIMENTA

Começou a ler cedo, “ainda antes da escola”, e não tem dúvidas de que, “quando se lê em criança, o cérebro cresce, desenvolve-se, eu sou a prova disso”. Quem assim fala é o físico Carlos Fiolhais. “Devo aos livros aquilo que sou. Só me conheço a ler, foi assim que conheci mundos que não conhecia”, diz o cientista e um dos oradores das Jornadas Literárias 10 de Letra que decorrem nesta quinta-feira, em Lisboa, na Sociedade Portuguesa de Autores (a partir das 17h30). Uma conferência que comemora os dez anos de livros de João Manuel Ribeiro, autor de mais de 50 títulos e editor da Trinta por Uma Linha.

Carlos Fiolhais diz ver os livros como “uma grande invenção que pôs os cérebros a comunicar” e “que, de uma forma compacta, nos levou à revelação e ao conhecimento”. Conta ao PÚBLICO que foi para cientista porque na adolescência descobriu, em bibliotecas, livros de divulgação científica: “O meu cérebro escolheu um caminho. Um livro é um abridor de portas. Eu descobri que o mundo é misterioso e quis ajudar a desvendar o mistério da sua formação.”

Sobre os destinatários das obras, crianças, jovens ou adultos, diz: “Os livros são de quem os apanhar, a idade é algo que nem sempre se percebe. Já escrevi a pensar que era para ser lido por adultos, mas foram os mais jovens que os preferiram.” O contrário também já lhe aconteceu.

No caso de João Manuel Ribeiro, que escreveu o primeiro livro para a infância em 2008 (Rondel de Rimas para Meninos e Meninas, ilustrado por Anabela Dias), a entrada neste segmento deu-se por acaso. Convidaram-no, num colégio com que colaborava, para escrever uma história de Natal. “Sem me dar conta da responsabilidade, escrevi um conto breve que foi do agrado dos alunos; no Natal seguinte, voltei a escrever outra história com igual aceitação. Nunca mais parei, Sem querer, contaminei-me com esta literatura e, desde então, vivo para ela, inteiramente.”

No passado, teve “participações poéticas esporádicas no Jornal de Notícias e no Diário de Notícias jovem”. Destes dez anos de letras, o que retém de mais relevante é a publicação do primeiro livro, “por ser o primeiro e abrir a porta a todos os outros, sobretudo os de poesia (ainda tão mal-amada)”; a publicação de Meu Avô, Rei de Coisa Pouca, “por ser autobiográfico e pelo imenso prazer que me deu escrevê-lo”; os encontros com os pequenos leitores, “nessa árdua mas deliciosa tarefa de ‘fazer’ leitores”, e “as recentes traduções no estrangeiro, pelo reconhecimento que proporcionam”.

“Se não tivesse conhecido os teus livros, seria mais pobre”

E quem é que pode ficar indiferente a estas frases que algumas crianças lhe foram dirigindo durante a última década? “Gostava de ter sido teu companheiro de infância”; “tu só escreves poesia, mesmo quando escreves em prosa”; “esse livro [Meu Avô, Rei de Coisa Pouca] produziu em mim um sismo interior” e “se não tivesse conhecido os teus livros, seria mais pobre”.

O autor (doutorado em Ciências da Educação, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, e Mestre em Teologia, pela Universidade Católica do Porto) criou recentemente a revista de literatura infantil e juvenil A Casa do João (com o Centro UNESCO de Amarante) e tem um propósito que extravasa a literatura: “Espero, luto e trabalho (quase sempre sem o conseguir) por um mundo justo, fraterno, plural, que seja, de facto, uma casa grande, de todos e para todos.”

Com estas jornadas, deseja “ajudar a descobrir que a literatura faz bem, é uma vitamina sem a qual nos tornamos ictéricos”. Espera também “chamar a atenção para a importância da literatura infantil e juvenil na vida das crianças (e não só) e contribuir para mostrar, apesar do seu destinatário e da sua especificidade, que é literatura como a outra; não é uma literatura menor”.

Diz Fiolhais: “Escrever bem é escrever para todos.” Depois, pergunta: “Para que idade é o Principezinho, de Saint-Exupéry?” E conclui: “Um bom livro fala-nos de coisas possíveis e impossíveis. Faz-nos pensar e sonhar. No Principezinho, há desde ciência a auto-ajuda.”

Quanto mais cedo, melhor

O cientista afirma ser viciado em leitura e não conseguir viver sem livros. “Quanto mais cedo se começar, melhor. Não me fizeram mal.” Recentemente, participou num projecto de livro e CD que fala de ciência a crianças dos três aos dez anos através de poesia e canções de José Fanha e Daniel Completo: Entre Estrelas e Estrelinhas — Este Mundo Anda às Voltinhas. “Procurei que os versos contivessem a lição de interrogar, observar, demonstrar. Uma chamada à ciência.” E diz gostar de cruzamentos, não de becos. “Cruzamentos de temas, de cérebros, de autores.”

O físico ainda não sabia o que iria dizer na conferência desta quinta-feira, mas tudo pode acontecer quando Carlos Fiolhais se entusiasma. A conversa com o PÚBLICO terminou na seguinte reflexão: “Por que seria que andavam de mão em mão as pombinhas da Catrina?”

As jornadas abrem com o psicólogo Eduardo Sá e a comunicação “As crianças e a leitura”. Segue-se um painel que reúne ainda os autores de literatura para a infância e juventude Luísa Ducla Soares e José Jorge Letria, sob o mote “A literatura, o indispensável supérfluo” e moderado por Helena Gatinho.

A encerrar, o presidente da Sociedade Portuguesa de Autores apresentará o livro Os Direitos das Crianças — Antologia Poética, que reúne poemas de cerca de 20 autores portugueses, espanhóis e brasileiros, como João Pedro Mésseder, José António Franco, Emiliana Carvalho (Brasil) António Garcia Teijeiro e Alfredo Ferreiro (Espanha).

 

 

Fiadeiras de histórias e oficina sobre o livro «Mana» PARA FAMÍLIAS com crianças dos 4 aos 5 anos, 28 abril na Biblioteca Camões

Abril 25, 2018 às 9:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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PARA FAMÍLIAS com crianças dos 4 aos 5 anos

Fiadeiras de histórias e oficina sobre o livro «Mana»
Neste livro maravilhoso vamos encontrar páginas riscadas, autocolantes colados ou desenhos rabiscados sobre as páginas e uma irmã mais nova que passou por ali… e deixou um rasto de destruição à sua passagem.
O que será que fez mais…?
Quem gosta de rabiscar?
Riscar, andar à batatada e outras coisas mais …?
Aparece e verás o que vai acontecer!
Entrada gratuita, mediante inscrição prévia.

Duração: 1h30
Nº Mínimo de participantes: 5 | Nº Máx. 10 (10 crianças + 10 adultos).

ATENÇÃO FAMÍLIAS
Inscrevam-se nas famílias LERlinhas: em cada mês uma família prepara uma história para ler na biblioteca. Quem alinha?

Biblioteca Camões
Data: 2018-04-28 às 11:00
Contactos: Tel: 218 172 360
bib.camoes@cm-lisboa.pt
Observações: Entrada gratuita, mediante inscrição prévia.

Lançamento do livro “Do telemóvel para o mundo” de Daniel Sampaio – 11 abril, 18.30, Fundação Medeiros e Almeida

Abril 11, 2018 às 11:20 am | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.caminho.leya.com/pt/eventos/?id=831

 

Estes alunos melhoraram as notas por causa dos tablets

Março 13, 2018 às 12:30 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt/ de 12 de março de 2018.

Fundação Gulbenkian distribuiu equipamentos por alunos e professores de uma escola. Durante dois anos letivos, dois investigadores acompanharam todo o processo.

Alunos de duas turmas dos 7.º e 10.º anos receberam tablets “para usar como quisessem”, no âmbito de um estudo que concluiu que a maioria ficou mais motivada e aprendeu mais.

A Fundação Gulbenkian queria perceber o que acontece numa escola em que os tablets fazem parte do dia-a-dia e para isso distribuiu equipamentos por todos os alunos e professores. Durante dois anos letivos, dois investigadores acompanharam todo o processo.

O professor universitário José Luís Ramos, um dos autores do estudo ’Tablets’ no Ensino e na Aprendizagem. A sala de aula Gulbenkian: Entender o presente, preparar o futuro, começa por sublinhar que os alunos não são todos iguais, não utilizam as tecnologias da mesma maneira nem com os mesmos fins.

Além disso, acrescenta, os resultados do estudo não podem ser extrapolados para a realidade nacional, uma vez que foram acompanhadas apenas duas turmas de uma escola de Lisboa.

No entanto, notou-se “maior motivação e uma atitude mais positiva para com a escola e a aprendizagem” entre a maioria dos alunos.

Regra geral, “os alunos que mais utilizaram os tablets”foram também “os que mais aprenderam”, diz o professor, considerando que “os tablets podem ser um recurso muito interessante para a aprendizagem dos alunos”.

Alunos e professores receberam um tablet, contou o professor, sublinhando que houve um ou outro encarregado de educação que não ficou agradado com a ideia de o seu filho estar ligado em rede 24 horas por dia e que acabou por proibi-lo de tocar nos aparelhos.

Houve alunos que usaram os tablets com muita intensidade para diversão, outros que os usaram pouco, mas de forma eficiente, segundo o estudo que será apresentado terça-feira na Fundação Calouste Gulbenkian.

Alguns alunos utilizaram a tecnologia a seu favor, mas também houve outros que baixaram as notas. “Sabemos que alguns alunos tiveram alguma dificuldade em gerir o seu tempo”, admitiu o professor.

Durante dois anos, os investigadores conseguiram acompanhar a utilização do uso dos tablets graças a um dispositivo de investigação, que passava pela observação de aulas, gravação de aulas – “tivemos mais de 500 horas de aulas gravadas” – entrevistas a alunos e a professores, explicou José Luís Ramos.

 

 

 

Apresentação do livro “Tablets no Ensino e na Aprendizagem” 13 março na Fundação Calouste Gulbenkian

Março 12, 2018 às 3:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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mais informações:

https://gulbenkian.pt/evento/tablets-no-ensino-e-na-aprendizagem/

Não sobrecarregue os seus filhos de atividades (os nossos especialistas explicam porquê)

Fevereiro 24, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Livros | Deixe um comentário
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Sérgio Condeço

Texto do https://www.noticiasmagazine.pt/ de 10 de janeiro de 2018.

Da escola para o futebol, o piano, o inglês e muitas outras atividades, as crianças ficam demasiado ocupadas e sem tempo para terem liberdade, para desenvolverem a criatividade, para fazerem as suas próprias escolhas ou para brincarem. E brincar é oxigénio para os mais pequenos.

Texto Cláudia Pinto | Ilustração Sérgio Condeço/WHO

O tema é debatido recorrentemente e suscita dúvidas. As crianças estão demasiado ocupadas? Têm o tempo todo preenchido e sem alternativa para o que realmente importa para o seu desenvolvimento? Os especialistas acham que sim.

Como noutras áreas de comportamento, não existem fórmulas universais nem regras estanques. Maria José Araújo é professora da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto (IPP) e investiga esta área do brincar e do tempo livre há muitos anos.

«As crianças têm de ter oportunidade para brincar e divertir­‑se, visando os propósitos da sua educação e do seu bem­‑estar», explica. E se na teoria isto é algo que se percebe, na prática, com a logística diária, vidas atarefadas, pais à beira de um ataque de nervos entre os afazeres familiares e profissionais diários, tudo se torna mais complexo. «As crianças dependem dos adultos, dos pais, dos educadores, não decidem sozinhas e ficam à espera que alguém lhes dê essa possibilidade», sublinha.

Na maioria das vezes, só querem brincar. É a atividade que melhor conhecem desde tenra idade. Mas, no dia­‑a­‑dia, passam demasiado tempo na escola, chegando a ocupar os finais de tarde com atividades desportivas ou de complemento ao estudo. Resta pouca margem para dar largas à criatividade, tão importante no crescimento. «É fundamental que se perceba que brincar é como respirar para as crianças. Estas só aprendem porque brincam», explica a professora.

Mas o que são afinal os tempos livres? Será que as atividades em que as crianças estão inscritas são consideradas como tal? Afinal, a sigla ATL sugere isso mesmo. «Esta designação deve ser entendida como o tempo em que a criança pode dedicar a atividades não estruturadas.

As estruturadas (inglês, guitarra, ginástica, etc.) são fundamentais para a aprendizagem, em termos intelectuais, sociais, físicos, mas nessas a criança não tem liberdade. Os tempos livres são essenciais para que aprenda a lidar com a frustração», explica Catarina Mexia, psicóloga e terapeuta do casal no Centro de Estudos da Família e Psicoterapia.

Na incessante tentativa de ocuparmos os miúdos, nem sempre recuperamos hábitos mais simples que podem proporcionar verdadeiro tempo de qualidade em família, como fazer um bolo nas tardes frias de domingo. Sem complicar muito. Ou, pura e simplesmente, não fazer nada.

«As crianças não estão habituadas a parar. Não fazer nada é fazer alguma coisa. Para­‑se, respira­‑se, ou pura e simplesmente descansa­‑se», sublinha a psicóloga. Não é incomum ouvi‑las comentar que não têm nada para fazer. Mas, afinal, «o tédio é fundamental para a criança descobrir coisas diferentes para fazer», salienta a médica pediatra do Hospital dos Lusíadas Joana Appleton Figueira.

Além da importância de as crianças terem os seus tempos livres e de não estarem demasiado ocupadas, não é menos relevante deixá­‑las escolher em vez de serem os pais a fazê­‑lo.

«Estamos muito preocupados com a escola, temos uma sociedade hiperescolarizada, e isto não é errado. A escola é fundamental, mas no tempo curricular que está previsto na lei. Nas restantes horas, as crianças, que gostam de fazer muitas coisas, deveriam ter a oportunidade de escolher algumas das suas atividades», defende Maria José Araújo, que, já em 2009, publicava um livro a alertar para esta realidade, intitulado Crianças Ocupadas, editado pela Prime Books (ver caixa).

Nas aulas que leciona, no IPP, dedica uma unidade curricular a esta questão e uma outra relacionada com a motricidade e o bem­‑estar, de forma a alertar os alunos de hoje, educadores de amanhã, para a valorização do tempo livre como algo essencial para a vida das crianças. O objetivo é formar futuros professores sobre a questão do brincar e da ocupação das crianças após o horário letivo.

Quando as atividades nem sempre correspondem ao que a criança deseja, acaba por ser frequente a desistência. É esse, aliás, um dos motivos que levam mais os pais a recorrer às consultas de Catarina Mexia. «A preocupação que aparece mais em consulta é o que se passa com os filhos, porque é que não persistem e desistem facilmente. A questão é que os pais não estão a ouvir os filhos», alerta.

Estarão os pais e as escolas a programar o tempo das crianças de forma rígida e exagerada?

«As atividades organizadas são habitualmente propostas pelas instituições e escolhidas pelos pais. Os estudos provam que quando as crianças escolhem o que fazer, e os pais respeitam essa escolha, as crianças não se cansam tanto e usufruem em pleno», explica Maria José Araújo.

Brincar implica correr, estar ao ar livre, interagir com os amigos e outras crianças. Isto nem sempre é possível em algumas escolas tradicionais. Algumas delas têm espaços condicionados, o que torna também o tempo de recreio mais limitativo.

«A música, a ginástica, o inglês e todas as atividades são realizadas em espaços fechados. As crianças passam de um espaço fechado para outro. No entanto, há muitas escolas e muitas instituições que têm muito cuidado e que fazem um espaço notável ao proporcionarem recreio ao ar livre, idas ao parque, organizam passeios, caminhadas, brincadeiras e jogos no exterior», adianta a professora.

Por vezes, e porque os pais estão a trabalhar e não têm quem vá buscar os filhos à escola ao final do tempo de aulas, a brincadeira é substituída por «salas com poucas funcionárias para o número de crianças e com uma televisão para os manter quietos. Ou então, em ATL que são prolongamentos da escola, com salas semelhantes e onde se fazem trabalhos de casa», sublinha Joana Appleton Figueira.

Na sociedade atual existe ainda uma enorme pressão com os resultados escolares, daí que se incentive o estudo. A típica frase: «Tens de ter boas notas para seres alguém na vida» é claramente identificada por cada um de nós. «As crianças já são “alguém” no momento em que nascem. São pessoas de pleno direito. As preocupações dos pais são legítimas e levam‑nos a organizar as atividades que consideram que poderão vir a proporcionar mais oportunidades e um trabalho aos filhos no futuro. Queremos muito que as crianças sejam responsáveis, mas não desenvolvemos a sua responsabilidade e autonomia. Porque isso pressupõe que brinquem e o façam com os outros», explica Maria José Araújo.

E se lhe disséssemos que a criança está a aprender enquanto o faz? «Brincar é a única forma que a criança tem de aprender quando é pequena, mesmo dentro de uma sala de aula», acrescenta. Percebe­‑se então a quantidade de vezes em que os miúdos reforçam que querem brincar «só mais um bocadinho» e a insistência para que os adultos partilhem o momento.

Não existem receitas milagrosas nem números mágicos. O que pode ser o ideal para uma família, não tem de ser necessariamente para outra. «Para algumas crianças, principalmente as mais velhas, pode não haver muito tempo livre todos os dias, desde que, durante a semana, existam horas disponíveis para ler, conversar com a família e com os amigos. O tempo livre pode ser passado a ajudar os pais com o jantar sem tecnologias ligadas, enquanto conversam, e deve ser proporcionado diariamente às crianças mais novas, sem ecrãs, com poucos brinquedos acessíveis de cada vez (num quarto cheio, a criança nem consegue decidir com o que brincar)», sugere Joana Appleton Figueira.

Mais do que a quantidade de atividades, o tempo deve ser passado com qualidade e, se possível, partilhado com os pais. Com alguma organização mas sem exageros. «Por vezes, é mais útil não programar tanto ao fim de semana e deixar acontecer», conclui Catarina Mexia.

Leituras que ajudam

Numa sociedade contemporânea em que as pessoas estão cada vez mais ocupadas, sobra pouco tempo para se refletir sobre as melhores decisões que se podem (ou devem) tomar no dia­‑a­‑dia. No livro Crianças Ocupadas, a autora procura facultar aos pais um instrumento que lhes permita decidir o que é melhor para os seus filhos.

Crianças Ocupadas, de Maria José Araújo, Prime Books, setembro de 2009, 10,82 euros

 

 

 

 

 

 

 

O quê?… Os adultos não sabem? é um livro que resulta de um trabalho incluído num projeto de educação criativa desenvolvido ao longo de três anos com crianças do 1.º ciclo do ensino básico da escola EBl/JI do Cerco do Porto (Agrupamento de Escolas do Cerco). As crianças tentam explicar, à sua maneira, que precisam que as deixem brincar.

O quê? Os adultos não sabem?, de Maria José Araújo, ilustrações de Catarina Mendes, Prime Books, maio de 2010, 6,90 euros

 

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