Crianças de Vila Real revelam comportamento “sedentário alarmante”

Junho 23, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 4 de junho de 2019.

A maioria do tempo fora da escola é passado em actividades de ecrã, seja em frente à televisão, ao computador e/ou ao telemóvel.

Lusa

Um estudo que envolveu 542 alunos do 2.º ciclo de Vila Real concluiu que 60% destas crianças têm um “comportamento sedentário alarmante”, disse nesta terça-feira o Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano (CIDESD).

O CIDESD, que resulta de consórcio de 10 instituições nacionais de ensino superior e agrega mais de 120 investigadores, diagnosticou o comportamento sedentário e a aptidão física de alunos do 2.º ciclo de agrupamentos escolares de Vila Real.

“Os resultados revelam um comportamento sedentário muito prevalente, caracterizado essencialmente pelo tempo passado em actividades de ecrã, seja em frente à televisão, ao computador e/ou ao telemóvel”, disse, em comunicado, a investigadora Sara Santos.

Segundo a especialista, “estes comportamentos com baixo dispêndio energético tendem a causar impactos negativos em vários indicadores de saúde e, consequentemente, na qualidade de vida das crianças”.

De acordo com o estudo, “durante o recreio, a actividade física das crianças é satisfatória”, no entanto, o “cenário agrava-se quando vão para casa”.

“Mais de 30% dos alunos não realizam qualquer tipo de actividade física fora da escola. O CIDESD recomenda que sejam incentivados a integrar uma prática estruturada como o desporto escolar e o desporto federado”, afirmou Sara Santos.

O estudo envolveu 542 alunos, de ambos os sexos e com idades compreendidas entre os 10 e os 13 anos, e, segundo o CIDESD, “mais de 30% tem um índice de massa corporal (IMC) acima do recomendado”.

O estudo revelou, ainda, que as raparigas precisam de melhorar dois atributos da aptidão física: a agilidade e a força muscular dos membros inferiores.

No âmbito do projecto, foram realizados entre Outubro e Novembro de 2018 vários testes a alunos dos agrupamentos de escolas Diogo Cão e Morgado Mateus.

Durante a aula de Educação Física, a equipa do CIDESD avaliou o peso, a altura (de pé e sentado), o salto e a velocidade na mudança de direcção em corrida, através de instrumentos de alta precisão como plataformas de infravermelhos, células fotoeléctricas e balanças de bioimpedância eléctrica.

“Os dados recolhidos podem ser particularmente úteis para os professores de Educação Física e para os treinadores dos clubes desportivos entenderem melhor o processo de maturação biológica e a sua relação com a aptidão física e prontidão desportiva”, afirmou o director do CIDESD, Jaime Sampaio.

O responsável acrescentou que, por outro lado, os “resultados também ajudam os decisores políticos locais, mas sobretudo os centrais, a repensar planos de intervenção que ajudem a combater este grave problema, quanto mais não seja pelos custos incomportáveis a longo prazo para o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

Este consórcio junta o Instituto Politécnico de Bragança, Escola Superior de Desporto de Rio Maior – Instituto Politécnico de Santarém, Universidade da Beira Interior, Instituto Universitário da Maia (ISMAI), Universidade da Madeira, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Instituto Politécnico de Viseu, Universidade de Évora, Instituto Politécnico de Viana do Castelo e Instituto Politécnico da Guarda.

 

Casos de abuso sexual de menores de 14 anos não param de crescer desde 2013

Junho 19, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 28 de maio de 2019.

A APAV sinalizou no ano passado 1.504 crimes sexuais que envolveram 941 vítimas menores de idade. A maior parte destes crimes têm como agressores os próprios pais das crianças.

Só no ano passado, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) acompanhou 269 crianças com menos de 14 anos vítimas de abuso sexual, um número que não para de aumentar desde 2013. São mais 70 vítimas do que em 2017 e mais 132 face a 2013, segundo indica o relatório da instituição que será divulgado esta terça-feira e foi avançado pelo Jornal de Notícias e pelo  Público.

A maior parte destes crimes, acrescentam os dados, têm como agressores os próprios pais das crianças. Só através do programa específico da APAV, 881 vítimas já recorreram à Rede Care, mais de 80% eram raparigas. “Estes são crimes votados ao silêncio, mas, pouco a pouco, têm sido tornados públicos por quem está próximo das vítimas. Temos feito um bom trabalho de sensibilização muito grande, que já envolveu 11 mil pessoas, e isso tem ajudado a mudar mentalidades”, explicou ao JN Carla Ferreira, responsável da Rede Care.

Os dados indicam ainda que a APAV sinalizou um total de 1.504 crimes sexuais que envolveram 941 vítimas menores de idade no ano passado. Este era um número que tinha vindo a descer desde 2015. O abuso sexual de crianças foi, aliás, a situação que mais pedidos de ajuda motivou entre 2013 e 2018.

Outros crimes incluídos nas estatísticas da APAV dizem respeito a maus tratos físicos ou psicológicos, em contexto de violência escolar, entre outros.

Relatório citado na notícia no link:

https://apav.pt/apav_v3/index.php/pt/2028-estatisticas-apav-criancas-e-jovens-vitimas-de-crime-e-de-violencia-2013-2018

 

Seis sintomas que ajudam a detetar o vício dos videojogos

Junho 17, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Exame Informática de 28 de maio de 2019.

Francisco Garcia

Um problema que só recentemente foi considerado doença e que tem vindo a tornar-se cada vez mais comum na nossa sociedade, que é cada vez mais dependente das novas tecnologias.

Este sábado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) passou a considerar o comportamento obsessivo para com os videojogos uma doença mental. Conheça aqui alguns dos sintomas que, segundo a American Addiction Centers, são comuns em pessoas que sofrem deste distúrbio:

Estilo de vida sedentário – Passar horas em frente a um ecrã pode ter efeitos perigosos no corpo e mente de um jovem. Este cenário pode agravar-se quando a pessoa em causa não pratica desporto, podendo aumentar desmedidamente o peso e acentuar uma má postura, ou em casos mais graves, desenvolver doenças como Diabetes tipo 2.

Ausência de interação social – Embora nalguns videojogos os jogadores interajam uns com os outros, os jogos não devem substituir outras formas de socialização (não virtuais) na vida das crianças. A aprendizagem de ferramentas de comunicação em contextos reais é fundamental no desenvolvimento dos mais jovens e não deve ser substituída por experiências de gaming.

Problemas de concentração – A ação e movimentos rápidos nalguns videojogos é considerada, por alguns especialistas na área, como uma das causas para falta de concentração nalguns jogadores. Associam ainda o tempo investido em videojogos à falta de interesse na leitura, que requer uma atenção prolongada.

Evitar tarefas associadas ao desenvolvimento – Este sintoma pode surgir na adolescência, quando os jovens utilizam os videojogos como um escape para os problemas da sua vida, evitando situações que os obriguem a crescer emocionalmente.

Comportamentos violentos – Algumas crianças e adolescentes que passam muito tempo a jogar videojogos de combate ou violentos, podem estar mais propensos a apresentar alguns sinais de agressividade do que outros que não jogam. A American Addiction Centers aconselha os pais a terem um mecanismo de vigilância semelhante ao que usam para impedir as crianças de ver filmes violentos.

Convulsões e lesões de stress – De acordo com um artigo publicado no British Medical Journal, os videojogos podem aumentar os riscos em jogadores com epilepsia, devido à intensidade das luzes, cores e gráficos. Um comportamento compulsivo com videojogos pode ainda levar a pequenas lesões relacionadas com o stress, nomeadamente nas mãos e pulsos.

 

 

 

Investigadores criam teste psicológico para avaliar transtorno do videojogo

Junho 11, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Unsplash

Notícia e imagem do Público de 28 de maio de 2019.

Teste foi testado numa amostra de 550 estudantes do Reino Unido e da China e teve resultados “muito satisfatórios”.

Investigadores desenvolveram o primeiro teste psicológico mundial para avaliar o transtorno do videojogo e a severidade dos seus sintomas, através de critérios clínicos estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O teste é um instrumento psicométrico que foi testado numa amostra de 550 estudantes do Reino Unido e da China e que apresentou resultados “muito satisfatórios”, disse à agência Lusa o investigador e psicólogo português Halley Pontes, da Universidade da Tasmânia (Austrália).

“O que se verificou é que através de um conjunto simples de quatro perguntas podemos proceder a um diagnóstico e avaliar a severidade dos sintomas” dos jogadores, adiantou Halley Pontes, que liderou a equipa de investigadores que criou esta ferramenta e desenvolveu o estudo com a amostra de estudantes, a publicar no International Journal of Mental Health and Addictions.

Halley Pontes explicou que o “trabalho resulta do consenso a que Organização Mundial da Saúde chegou no passado fim-de-semana sobre o estatuto oficial do transtorno do videojogo” como uma perturbação psiquiátrica relacionada com “o uso excessivo e patológico dos videojogos”. De acordo com a definição da OMS, este padrão de comportamento deve ter sido evidente por um período mínimo de 12 meses e ter resultado num comprometimento significativo na vida familiar, do trabalho e da educação.

Questionários online a decorrer

Para a realização do estudo, foram criadas duas plataformas online, uma na Alemanha e outra no Reino Unido que permitem às pessoas que joguem activamente no computador, telemóvel ou consola responder a algumas questões e de imediato receber uma resposta sobre “o modo como se envolvem com os videojogos”, se é um envolvimento patológico ou normal.

O questionário online é baseado em critérios da OMS e regista as actividades de jogo dos últimos 12 meses numa escala de um (nunca joga) a cinco (muito frequentemente). As conclusões principais do estudo indicam que “o novo enquadramento clínico da OMS que define o transtorno dos videojogos é robusto e pode ser verificado em termos empíricos com os dados recolhidos”, sublinhou Halley Pontes.

Os dados revelam que, em média, os alunos inquiridos jogam 12 horas por semana, gastando quase metade deste tempo (46%) aos fins-de-semana sozinhos na frente de um computador ou com outros dispositivos móveis. Houve ainda 36 participantes (6,4%) que relataram grandes problemas no dia-a-dia devido ao seu comportamento. Halley Pontes explicou que o transtorno de videojogos é “uma incapacidade” de os jogadores controlarem o seu comportamento obsessivo, que é reflectido também no “aumento exponencial da prioridade que a pessoa dá ao jogo ao ponto de abafar outros interesses e actividades diárias” e continuar a jogar mesmo sabendo que “existem áreas da sua vida que estão a ser afectadas negativamente”.

O próximo passo dos investigadores das universidades da Tasmânia, de Birkbeck (Londres), de Pequim e de Ulm (Alemanha) é a realização do “maior estudo” sobre o transtorno do jogo, tendo para isso criado uma parceria com a empresa de eSports ESL, com laços estreitos com a comunidade de jogos, “um público potencialmente em risco”.

O novo estudo visa compreender de que forma o jogo está a tornar-se um problema de saúde e quais factores que contribuem para isso, incluindo variáveis sociodemográficas, de personalidade e motivações. Para Halley Pontes, a decisão da OMS vai “ajudar estas pessoas que sofrem a encontrarem validação para o seu sofrimento psicológico e, potencialmente, servirá também para desenvolver políticas que as ajudem a obter tratamento no sistema nacional de saúde”.

 

 

Portugal em 2.ª lugar na proteção dos direitos da criança.

Junho 6, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do SNS de 31 de maio de 2019.

Portugal está no 2.º lugar no Top 10 do KidsRights Index (índice de proteção dos direitos da criança), de acordo com o relatório de 2019 da organização internacional dos direitos da criança KidsRights, em parceria com Universidade Erasmus de Roterdão, divulgado no âmbito da Convenção dos Direitos da Criança. Nas questões de saúde, Portugal ocupa a 3.ª posição.

KidsRights Index é um indicador que classifica a adesão dos países, a nível mundial, às recomendações e esforços na melhoria dos direitos das crianças. O ranking global anual dos desempenhos dos países em relação aos direitos das crianças avaliou, em 2019, um total de 181 países, sendo que as cinco primeiras posições ficaram para Islândia, Portugal, Suíça, Finlândia e Alemanha, respetivamente.

A análise assenta em 23 indicadores, 16 quantitativos e sete qualitativos, agrupados em cinco domínios: direito à vida, direito à saúde, direito à educação, direito à proteção e criação de um ambiente favorável ao cumprimento dos direitos da criança.

A pesquisa baseia-se em dados dados quantitativos publicados e regularmente atualizados pela Unicef e dados qualitativos publicados pelo Comité dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU) para todos os países signatários da Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU.

Sobre a KidsRights

KidsRights é uma organização não-governamental internacional que promove o bem-estar e defende os  direitos de crianças em situação de vulnerabilidade no mundo todo.

Para saber mais, consulte:

KidsRights Foundation > https://www.kidsrightsindex.org/– em inglês

 

Novo estudo revela que a terapia familiar pode ser a melhor intervenção para crianças e adolescentes que sofrem de problemas de saúde mental

Junho 3, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Lifestyle Sapo de 8 de maio de 2019.

O estudo “Hidden Figures: Is Improving Family Functioning a Key to Better Treatment Outcomes for Seriously Mentally Ill Children?” é o maior estudo que examinou os resultados do tratamento a 18.000 crianças e adolescentes com graves problemas de saúde mental colocados em programas de internamento.

O estudo foi conduzido pelo Dr. Paul Sunseri, investigador e diretor executivo da New Horizons Child and Family Services.

O estudo constatou que, para as crianças tratadas nestes programas, o quão bem elas funcionavam tanto no momento em que iniciavam o tratamento quanto no momento em que terminavam, estava altamente associado ao bom funcionamento da sua família imediata.

O “funcionamento familiar” foi definido como a capacidade de as famílias resolverem problemas, comunicarem positivamente, negociarem o conflito e tratarem-se respeitosamente. As famílias que tiveram mais dificuldades nestas áreas, a criança ou o adolescente apresentaram condições de saúde mental comprovadamente piores e continuaram a lutar mesmo depois de concluído o tratamento.

“Tendemos a ver os problemas de saúde mental em crianças e adolescentes como algo errado que precisa de ser corrigido, mas este foco é muito estreito. A maioria dos pais começa por procurar um terapeuta individual para tratar os problemas do filho ou da filha. A terapia individual pode ser útil, mas este estudo sugere que a forma mais eficaz de tratamento para adolescentes não é a terapia individual, mas sim a terapia familiar”, disse Paul Sunseri, investigador e autor do estudo.

E acrescenta: “Os problemas de saúde mental na adolescência podem ser causados, agravados ou aliviados dependendo da qualidade das relações dentro da família. A dinâmica familiar é fundamental e o melhor ponto de partida para ajudar o adolescente a recuperar”.

Sunseri recomenda que os serviços de saúde mental conduzam rotineiramente algum tipo de avaliação breve da família para determinar o seu nível de funcionamento. Há um número significativo de crianças que apresentam problemas de saúde mental provenientes de famílias com baixo nível de funcionamento que passam despercebidas a estes serviços (o que ele chama de “Figuras Ocultas”).

“Identificando famílias em dificuldades, o terapeuta fica numa posição mais vantajosa para oferecer o tipo de ajuda que a criança e a sua família mais precisam: terapia familiar ou, no mínimo, uma combinação de terapia familiar e individual”.

 

 

 

Problemas de sono nos adolescentes podem ser resolvidos com menos ecrãs à noite

Junho 3, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 20 de maio de 2019.

Os problemas de sono nos adolescentes podem ser revertidos em apenas uma semana limitando a utilização à noite de ecrãs emissores de luz como os dos telemóveis, ‘tablets’ e computadores.

Os problemas de sono nos adolescentes podem ser revertidos em apenas uma semana limitando a utilização à noite de ecrãs emissores de luz como os dos telemóveis, ‘tablets’ e computadores, defendeu esta segunda-feira a Sociedade Europeia de Endocrinologia.

A relação entre o uso destes equipamentos à noite e o sono dos adolescentes foi alvo de um estudo, que será divulgado em Lyon durante o encontro anual da Sociedade Europeia de Endocrinologia, e que conclui que demasiada exposição noturna à luz, especialmente a luz azul emitida pelos ecrãs de ‘smartphones’, ‘tablets’ e computadores pode afetar o relógio biológico do cérebro e a produção da hormona do sono, melatonina, resultando numa disrupção no tempo e qualidade do sono.

“A falta de sono não só causa sintomas imediatos de cansaço e perda de concentração, como pode aumentar o risco de problemas de saúde mais sérios a longo prazo, tais como diabetes, obesidade e doença cardíaca”, sustentou a instituição em comunicado.

Outros estudos sugeriram que a privação do sono relacionada com o tempo de exposição a ecrãs pode afetar mais as crianças e os adolescentes do que os adultos, mas não investigaram a fundo como a exposição na vida real está a afetar o sono dos adolescentes em casa e como pode ser revertido.

O estudo resulta de uma parceria entre o Instituto Holandês de Neurociência, a Universidade Médica de Amesterdão e o Instituto Alemão de Saúde Pública e Ambiente.

Os investigadores estudaram os efeitos da exposição dos adolescentes à luz azul dos ecrãs em casa. Aqueles que ficaram mais de quatro horas por dia à frente do ecrã adormeceram, em média, 30 minutos mais tarde e acordaram mais vezes do que os jovens que permaneceram menos de uma hora expostos àquela fonte de luz, além de outros sintomas de falta de sono.

Dirk Jan Stenvers, do Departamento de Endocrinologia e Metabolismo da universidade de Amesterdão, afirmou que os adolescentes passam cada vez mais tempo ocupados com os ecrãs e que as queixas relacionadas com o sono são frequentes nesta faixa etária.

“Aqui demonstramos muito simplesmente como essas queixas de sono podem ser facilmente resolvidas, minimizando o uso noturno de ecrãs emissores de luz azul”, conclui o investigador.

mais informações na notícia:

Sleep problems in teenagers reversed in just one week by limiting screen use

Resumo da investigação:

Restoring the sleep disruption by blue light emitting screen use in adolescents: a randomized controlled trial

 

Brincar faz assim tanta diferença? Os benefícios estudados pela ciência

Junho 1, 2019 às 7:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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© Dreamstime

Notícia e imagem do i de 30 de abril de 2019.

Marta F. Reis

Um artigo publicado em 2018 na revista “Pediatrics” fez uma revisão dos efeitos demonstrados ao longo das últimas décadas, também em animais.

Uma função superior mas não só 

“Embora a brincadeira esteja presente numa grande faixa de espécies, de invertebrados (como o polvo, lagarto, tartaruga e abelha) a mamíferos (ratos, macacos e humanos), a brincadeira social é mais proeminente em animais com um grande neocórtex” [área mais desenvolvida no Homo sapiens], lê-se no artigo “The Power of Play”. Brincar dá competências vitais para a sobrevivência, mas há indícios de que os animais brincam mesmo em situações que os deixam em risco.

As primeiras brincadeiras no berço 

Cucu? “O bebé humano nasce imaturo em comparação com outras espécies, com o desenvolvimento do cérebro a acontecer após o nascimento. Os bebés são totalmente dependentes dos pais para regular os ritmos de sono-vigília, alimentação e muitas interações sociais. Brincar facilita a progressão da dependência para a independência e da regulação para a autorregulação. Esta evolução começa nos primeiros três meses de vida”, dizem os autores.

Mudanças vísiveis no cérebro 

O artigo assinala que muitos estudos têm sido feitos em animais, não sendo possível extrapolar as conclusões para o ser humano. Ainda assim, os trabalhos com animais como ratinhos dão pistas. Crias privadas de brincar revelam, mais tarde, menos eficiência e comportamentos mais imaturos. “Ratos criados em gaiolas cheias de brinquedos tinham cérebros maiores, córtex mais espesso e completavam labirintos mais rapidamente”, exemplificam os autores.

Os benefícios para a saúde… e académicos 

O exercício físico associado a muitas brincadeiras não só previne o excesso de peso como tem vantagens para o sistema imunitário, endócrino e cardiovascular, mas também na prevenção de doenças como a depressão. Os autores, da Academia Americana de Pediatria, citam ainda trabalhos que sugerem que as crianças prestam mais atenção às aulas depois de um recreio de brincadeiras livres do que por exemplo de atividades de educação física, mais estruturadas.

Um cérebro pró-social

O artigo faz referência ao livro Affective Neuroscience, de Jaak Panjsepp (1998), para sublinhar que vários estudos com animais sugerem que a função de brincar é construir um cérebro pró-social capaz de interagir com outros de forma efetiva. O autor estudou as bases neurológicas das emoções em animais e sugeriu também que a privação de brincadeira estará ligada a casos de síndrome de défice de atenção e hiperatividade.

Menos stress?

É mais uma pista de estudos com animais. “Doses elevadas de brincadeira estão associadas a níveis baixos de cortisol, o que sugere que brincar reduz o stresse ou que animais sem stresse brincam mais”, lê-se no artigo. Um estudo com crianças de três e quatro anos ansiosas com a ida para a escola estudou o efeito de 15 minutos de brincadeira em comparação com ouvir a professora a ler uma história. O grupo que brincou tinha níveis de ansiedade mais baixos.

Aprender a negociar

“Brincar com colegas geralmente envolve a resolução de problemas sobre as regras do jogo, o que requer negociação e cooperação. Através destes encontros, as crianças aprendem a usar uma linguagem mais sofisticada”, escrevem os autores.

O faz de conta

A análise cita estudos que sugerem que brincar com brinquedos tradicionais está ligado a um vocabulário maior e com mais qualidade do que brincar sobretudo com brinquedos eletrónicos. Também aponta vantagens às brincadeiras de faz de conta: “Encorajam a autorregulação uma vez que as crianças têm de colaborar no ambiente imaginário, concordar em fingir e conformar-se aos papéis, o que melhora a sua capacidade de raciocinar sobre acontecimentos hipotéticos”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

The Power of Play: A Pediatric Role in Enhancing Development in Young Children

Portugal a Brincar : Relatório do brincar de crianças portuguesas até aos 10 anos – 2018

Maio 30, 2019 às 8:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Descarregar o relatório no link:

https://estrelaseouricos.sapo.pt/backoffice/files/file_20677_1_1556883880.pdf

Reportagem sobre a 1ª Conferência Estrelas & Ouriços : As crianças portuguesas brincam pouco

Maio 30, 2019 às 8:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do site Estrelas & Ouriços

O encontro estava marcado para as 9.30h, em Cascais, para debater um tema essencial e transversal ao desenvolvimento – como brincam hoje as crianças portuguesas e em que adultos se tornarão amanhã. O painel de oradores foi de luxo, pelo domínio do tema, pela entrega e pelo sentimento comum da urgência de brincar por uma sociedade mais bem sucedida. As conclusões são preocupantes: as crianças brincam em média (apenas) 2 a 3 horas por dia, a maior parte do tempo na escola, pouco ao ar livre e ainda menos com os pais.

“Esta primeira conferência da Estrelas & Ouriços é uma homenagem a todas as crianças”. Assim abriu o evento – que reuniu pais, professores, profissionais de serviços educativos, psicólogos e especialistas das diferentes áreas ligadas ao universo da família e da criança – na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, pelo diretor-geral executivo da revista, Francisco Camacho. Estava dado o pontapé de saída para um “jogo” cheio de lances fortes e de propostas com potencial vencedor.

Foi o caso de Frederico Manuel Pinho de Almeida – vereador da Câmara Municipal de Cascais com os pelouros da Habitação e Desenvolvimento Social, Promoção de Saúde e Educação – que, depois de se congratular com o facto de a conferência ter aberto o Mês do Brincar em Cascais, partilhou as práticas que a Câmara Municipal de Cascais tem vindo a implementar neste âmbito, nomeadamente o Programa “Crescer a Tempo Inteiro” bem como o alargamento da rede de Ludobibliotecas e Ludotecas (16 e 5 equipamentos respetivamente).

Da prática ao estudo, Rui Mendes, coordenador do “Portugal a Brincar: Relatório do brincar de crianças portuguesas até aos 10 anos – 2018” apresentou este estudo que serviu de ponto de partida para a conferência. O professor da Escola Superior de Educação de Coimbra partilhou o palco com Ana Lourenço, psicóloga do setor de atividade lúdica do Instituto de Apoio à Criança, Madalena Nunes Diogo, diretora geral da Estrelas & Ouriços e Dulce Garcia – a jornalista, autora, editora e mãe brindou o público com uma moderação de debates que oscilou entre provocações saudáveis e interpelações pertinentes para passar a palavra aos oradores.

Brincar: quando, onde, com quem?

Quanto tempo brincam as crianças portuguesas? Onde brincam? Com quem brincam? Como brincam as crianças na Escola? Qual o papel dos brinquedos? Brincar e as tecnologias. Brincadeiras e jogos tradicionais. Estas são as bases do referido estudo – realizado numa parceria entre a Escola Superior de Educação de Coimbra, o Instituto de Apoio à Criança e a Estrelas & Ouriços – que procura não só dar a conhecer quais as tendências relacionadas com o brincar em Portugal, mas também sensibilizar a população para a importância do brincar e da promoção de hábitos de brincar.

Já em 2011 o Parlamento Europeu havia proposto algumas estratégias para que o brincar seja mais valorizado e para que, tanto as crianças como os adultos, possam usufruir ao máximo dos seus benefícios. Assim, esta organização sugere que se promova não só a consciência sobre a importância do brincar, mas que haja também uma mudança de atitudes face a esta atividade. Propõe-se a melhoria nos tempos e espaços que possam promover a brincadeira e a criação de condições para que as crianças arrisquem de forma segura e desenvolvam a sua resiliência.

Com base em inquéritos a cerca de 1.500 pessoas, com 39 anos de média de idades e maioritariamente do sexo feminino (92,6%), o estudo retirou algumas conclusões preocupantes, duas das quais: as crianças brincam pouco – a média é de 2 a 3 horas (25%) por dia – nomeadamente ao ar livre, em contacto com a Natureza, concentrando-se o maior tempo de brincadeira na escola.

Foi neste ponto que Ana Lourenço, do Instituto de Apoio à Criança reforçou a necessidade que sente de voltar ao brincar da infância dos que hoje são pais – o sucesso para uma criança é estar com o outro, brincando. E assim se trabalha a empatia, tão cara à nossa Sociedade.

“A brincadeira não é só necessária como vital”, lembrou Madalena Nunes Diogo, referindo a forma como os parceiros têm acompanhando esta necessidade, indo ao encontro das famílias, com atividades tão diversas que vão da robótica à pintura, e que respeitam disponibilidades físicas, mentais e económicas destas mesmas famílias, a quem a Estrelas & Ouriços há 10 anos serve e facilita a vida, divulgando diferentes tipologias de atividades.

Aquando da reestruturação da revista, em outubro de 2019, a Estrelas & Ouriços teve inclusive a preocupação de dar mais visibilidade à sua secção “Parques e Ar Livre”, depois de auscultar os pareceres, os gostos e as necessidades do público para quem trabalha.

Dos grandes aos pequenos oradores, Beatriz, de 9 anos, João, de 7, e Madalena, de 6, foram unânimes a responder à questão da preferência de brincar ao ar livre. Brincar às escondidas, jogar à bola e brincar com bonecas foram algumas das brincadeiras apontadas pelas crianças presentes na sala.

Famílias, escolas e cidades portuguesas pouco ativas

Carlos Neto foi das primeiras vozes a chamar a atenção dos portugueses para a extrema importância do brincar e para os seus efeitos benéficos no desenvolvimento das crianças. Professor Catedrático na Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa, continua, algumas décadas depois desses primeiros alertas, a ser a figura de referência em Portugal quando se fala de brincar.

Foi da sua boca que ouvimos que tanto as famílias como as escolas e as cidades portuguesas não são ativas, o que contribui diretamente para que as crianças sejam pouco ativas e mais destinadas ao insucesso.

A maioria dos pais, segundo o especialista, não valoriza a parte física do brincar, referindo mesmo que “para os pais, o que entra na escola é só a cabeça e não o corpo todo”. São estes mesmos pais que trabalham demasiadas horas e que não têm tempo para os filhos, embora o desejem – 37 minutos é o tempo diário que lhes sobra; são estes pais que têm medo que as crianças se confrontem com o risco; pais cansados, que dificilmente conseguirão educar crianças saudáveis e felizes, “situação deveras preocupante”.

O que fazer? Apelar ao papel do Estado central e do Estado local para que possa dar maior liberdade aos pais, fomentar uma relação de maior amor entre pais e filhos, fomentar a importância de brincar na rua (nos países nórdicos, independentemente do clima, as crianças brincam 7 a 8 horas lá fora) e evitar “encharcar” as crianças de brinquedos, nomeadamente para colmatar a falta de tempo com presentes.

Em suma, para Carlos Neto, brincar mais significa desenvolver no futuro: maior sentido crítico e uma maior capacidade de resolver problemas, de trabalhar em equipa e de comunicar; melhores competências espirituais e melhores dinâmicas de agir.

É preciso, na opinião do professor e investigador: viver mais devagar, ter tempo para não fazer nada, trabalhar a introspeção, a consciência de si próprio e da Natureza, a dinâmica de superação de forma a que a saúde mental dos adultos possa passar para as crianças a quem deve ser dado todo o tempo e espaço para brincar, “dinâmica biológica” que estamos a encaminhar para uma crise.

Quando a tecnologia se senta à mesa

A abrir a segunda mesa redonda, Rosário Carmona e Costa não perdeu tempo a detetar sintomas e doenças associadas. “Quando os miúdos começam a falhar nas competências humanas, percebemos que podem estar demasiado ligados”, defendeu a psicóloga clínica.

Com alguma tensão (saudável) com a oradora anterior, Jorge Vieira, da Nintendo, afiançou que “antes de falar das novas tecnologias, é preciso falar do nosso papel enquanto pais”. O também pai relembrou a importância que pode ter em matéria de diversão, a família jogar em conjunto.

Onde também se pretende que a família se junte é na cozinha, como sugeriu Ana Leonor Perdigão, responsável pela Unidade de Nutrition, Health and Wellness da Nestlé Portugal. Associar emoções positivas aos alimentos é fundamental, mas também perceber de onde vêm e confecioná-lo. Esta é uma forma de as crianças se familiarizarem com os alimentos ainda antes de lhes chegarem ao prato.

“As crianças que são envolvidas na confeção dos alimentos são mais disponíveis para comer e experimentar coisas diferentes”, defende a nutricionista. Levá-las ao supermercado – onde acontecem “explosões de sabores e aromas” – pode ser também uma hipótese de criar um momento lúdico, ao mesmo tempo que se vai ao encontro da logística lá de casa.

Dicas muito interessantes a reter sem o mínimo objetivo de causar angústia nos pais. Foi Domingos Amaral quem trouxe a palavra para cima da mesa para referir que, hoje em dia, e é algo que observa no exercício do seu cargo de presidente da direção da Escola Avé Maria, os pais vivem cada vez mais angustiados com o que de mal possa acontecer aos seus filhos. Mas o que fazer? «Deixá-los brincar. A vida é risco, não há outra maneira de o fazer!».

Depois de um momento de intervenções do público, Lina Varela – da Direção-Geral da Educação fechou a 1ª Conferência Estrelas & Ouriços afirmando que “deve haver complementaridade entre brincar e aprender”.

E assim soou a despedida da Estrelas & Ouriços: “Brinquem sempre!”.

Obs.: A 1ª Conferência Estrelas & Ouriços contou com o apoio de vários parceiros – Maria do Mar, Nesquik, MEO, Associação Mutualista Montepio, RTP, Antena 1 e Casa das Histórias Paula Rego.

 

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