Jovens, a covid “não é uma constipação” e é preciso pensar nos avós

Junho 6, 2020 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 29 de maio de 2020.

Rita Rato Nunes

Diretora-geral da Saúde fala numa “tendência para aliviar o comportamento” de proteção contra a covid-19, por parte dos mais novos. Nas últimas três semanas, os números de novos contágios entre os jovens subiu ligeiramente.

Prestes a entrar na terceira fase de deconfinamento (marcada para a próxima segunda-feira 1 de junho), os jovens voltaram a estar no centro dos apelos das autoridades de saúde e do Presidente da República. Podem não sentir com tanta intensidade a doença como os mais velhos, mas a covid “não é uma constipação”, alerta a diretora-geral da Saúde, e é preciso pensar nos mais velhos e pessoas de risco que estão à volta.

“Há de facto uma tendência para aliviar o comportamento”, disse, em conferência de imprensa, Graça Freitas, referindo-se aos mais novos. Os números atualizados no boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS), das últimas três semanas (entre 8 e 29 de maio), mostram um crescimento ligeiramente superior na taxa de novas infeções nas faixas etárias mais jovens.

Neste período, a taxa de crescimento foi maior entre as crianças (dos 0 aos 9 anos e dos 10 aos 19 anos) e depois nos jovens entre os 20 e os 29 anos. Na primeira quinzena do mês, os novos casos entre estes jovens passaram de 3270 para 3627 (um aumento de 10,9%) e esta semana estão nos 4178 (subida de 15,2%).

Perante isto, a responsável pela DGS relembra que “esta doença não é uma constipação. Mesmo que tenham a doença na forma ligeira podem transmitir o vírus a grupos de risco e a familiares mais velhos”, interpela diretamente os jovens. Graça Freitas refere ainda que foi notado um aumento dos ajuntamentos entre os mais novos na região da Grande Lisboa – a mais afetada pela pandemia, neste momento. Esta sexta-feira, a zona de Lisboa e Vale do Tejo registou 97% dos 350 casos de covid-19 notificados nas últimas 24 horas.

Horas antes, durante uma entrevista à rádio renascença, o Presidente da República fazia o mesmo apelo. Marcelo Recebo de Sousa pediu aos mais novos para pensarem que “têm avós, têm pais e têm tios” e comportarem-se tendo em conta “o risco social dos outros”.

Recuperando o essencial, Graça Freitas, relembrou: é preciso evitar o contacto próximo, utilizar máscara e respeitar as medidas de higiene e etiqueta respiratória. Depois, o discurso endurece. “Não se podem tolerar comportamentos que ponham em risco a saúde pública. Depende de nós e do nosso comportamento interromper cadeias de transmissão”, afirmou.

13% do total de infetados são jovens

Atualmente, o boletim da DGS dá conta de 4178 casos de infeção pelo novo coronavírus em jovens entre os 20 e os 29 anos, desde o início da pandemia. O que representa 13% do total de infetados (31 946). A nível de óbitos, existe apenas registo de um caso de um jovem de 29 anos, que tinha outras patologias associadas. A morte de um jovem de 14 anos também chegou a ser referenciada como consequência do novo coronavírus, mas a autópsia afastou essa possibilidade.

Os dados globais da pandemia apontam no mesmo sentido. Indicam que o risco de ocorrer uma morte por covid-19 é tanto maior quanto mais elevada for a idade. Até aos 9 anos a incidência é nula, entre os 10 e os 39 anos atinge a taxa dos 0,2%, segundo os números mais recentes do surto do novo coronavírus, tendo como base informação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China (CCDC).

No entanto, estes número não devem servir de desculpa para o incumprimento dos conselhos divulgados pelas autoridades de saúde. No final do mês de março, numa mensagem dedicada aos mais novos, o diretor da Organização Mundial da Saúde lembrava isso mesmo. “Vocês não são invencíveis. Este vírus pode prender-vos durante semanas a uma cama de hospital ou mesmo matar-vos. E, mesmo que não fiquem doentes, as vossas escolhas sobre o que fazem e onde vão podem significar a diferença entre a vida e a morte para outras pessoas”, disse Tedros Ghebreyesus, congratulando-se depois com o facto de muitos jovens “estarem a passar a palavra e não o vírus”.


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