InfoCRIANÇA Nº 85 Audição Da Criança

Junho 2, 2020 às 7:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Publicações IAC- Marketing | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Visualizar o InfoCRIANÇA no link:

https://mailchi.mp/iacrianca/infocrianca85

Petição pede estatuto de vítima para crianças expostas à violência doméstica – Notícia com declarações da Presidente do IAC Dulce Rocha

Junho 2, 2020 às 3:34 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia da Rádio Comercial de 1 de junho de 2020 com declarações da Dra. Dulce Rocha, Presidente do IAC.

A PETIÇÃO QUE FOI LANÇADA NO DIA DA CRIANÇA ULTRAPASSOU AS QUATRO MIL ASSINATURAS EM POUCAS HORAS.

Poucas horas bastaram para que uma petição para pedir o estatuto de vítima às crianças expostas à violência doméstica ultrapassasse as quatro mil assinaturas necessárias que garantem a discussão na Assembleia da República.

Várias personalidades e figuras públicas associaram-se a esta petição, lançada neste Dia Mundial da Criança. A criadora do Instituto de Apoio à Criança, Manuela Eanes, o antigo ministro Rui Pereira, ou os locutores Nuno Markl, Pedro Ribeiro e Vasco Palmeirim são alguns dos nomes que constam na lista inicial de signatários deste apelo criado pela escritora e pintora Francisca de Magalhães Barros.

A presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC), Dulce Rocha é também uma das primeiras signatárias.

“O IAC sempre defendeu que devia ser consagrado o estatuto de vítima para a criança que vivesse em contexto de violência doméstica porque as crianças ficam muito afetadas, não apenas a nível psicológico”, explica Dulce Rocha.

DULCE ROCHA EXPLICA IMPORTÂNCIA DA MEDIDA

No ano passado, o Bloco de Esquerda apresentou uma proposta semelhante, mas foi chumbada sob o argumento de que seria redundante.

Dulce Rocha, diz que o atual sistema não protege a criança que está exposta a um contexto de violência doméstica.

DULCE ROCHA CONSIDERA QUE SISTEMA NÃO PROTEGE A CRIANÇA EXPOSTA EM CONTEXTO

A presidente do IAC considera que esta petição tem grande importância “para que a criança possa ser mais protegida e possa ter formas e mecanismos para se defender”.

“Tudo o que permita proteger mais as nosssas crianças é bem vindo”, sublinha.

DULCE ROCHA EXPLICA OBJETIVO DA PETIÇÃO

“O Direito a uma infância segura, equilibrada e com afecto é inalienável e, da sua garantia, depende a capacidade da criança construir as bases de uma vida adulta realizada e feliz. Este direito da criança, e a sua proteção é, a par dos demais, condição sine qua non da garantia do Princípio da Igualdade de oportunidades”, pode ler-se no texto da petição que acrecenta que “todavia, a realidade tem demonstrado que os fundamentos apresentados no sentido de que as normas legais existentes já permitiam essa protecção, não eram realistas. Com efeito, o que se constata é que as instâncias de decisão não consentem essa interpretação, o que conduz a uma desprotecção da criança vítima. Urge por isso aprovar medidas legislativas urgentes que respondam a essa necessidade, garantindo às crianças vítimas esse estatuto legal, o qual, infelizmente, já corresponde ao seu estatuto real”.

Dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) indicam que, ano passado, 1473 crianças e jovens foram vítimas de crime.

Rui reinterpreta os rabiscos de crianças — e transforma-os em personagens ilustradas

Junho 2, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Texto do Público de 27 de maio de 2020.

Mariana Durães

A ideia já lhe ia na cabeça “há algum tempo”, mas conseguir a atenção “dos miúdos e dos pais”, entre escola e outras actividades, nem sempre é fácil. Por isso, Rui Sousa, artista plástico natural de Valongo, aproveitou o período de confinamento para lançar o convite: “Propus aos pais que pedissem aos filhos para fazer um desenho de um monstro ou de um animal e eu depois faria a interpretação desse desenho segundo o meu traço.”

Chamou ao projecto Isolamento Criativo e a ideia era, essencialmente, “entreter e ocupar a cabeça dos miúdos com algo que não fosse o vírus e a seca de terem que estar fechados em casa”. O resultado foram mais de 200 desenhos a chegar-lhe, espalhados entre mensagens e posts do Facebook (“recebi alguns que nem sei onde estão”) e o desafio de os reinventar a todos. “O segredo é tentar entrar dentro da cabeça deles, tentar perceber o que estão a representar”, explica. Assim, conseguiu transformar um conjunto de rabiscos desordenados em personagens mais reais, que preservam o traço infantil e a cor dada pelas crianças. “Os pais que me deram feedback disseram que os filhos conseguiam ver aquilo que queriam representar”, afirma.

Para os interessados em adquirir o desenho reinterpretado pelo artista, Rui fez “um preço simbólico”. Agora, terminado o período de confinamento, o projecto vai continuar, mas apenas por encomenda. Basta enviar um desenho feito por uma criança para o artista, via redes sociais. E não importa o quão abstractos pareçam os traços — a piada está mesmo aí.

Galeria no link:

https://www.publico.pt/2020/05/27/p3/fotogaleria/rui-reinterpreta-rabiscos-criancas-transformaos-personagens-ilustradas-401262?fbclid=IwAR2uk3VE35cgtVeN-wqq11RN36BKgQ7v6y9mNy4azBSGBM21FzRd-Yss5xE

Ensinar à distância: Crónica de uma vida real

Junho 2, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Crónica de Carmo Machado publicada na Visão de 13 de maio de 2020.

Serve tudo isto para vos dizer que o regresso à escola no dia dezoito de maio se revela, no meu caso concreto, totalmente desnecessário. Pelos riscos que implica e, sobretudo, porque os alunos que irão regressar são exatamente aqueles que conseguiram utilizar esta nova experiência como um excelente estágio para a vida que os espera no ensino superior. Quanto aos demais, até dia 26 de junho continuarão a fingir que aprendem e eu a fingir que ensino. O testemunho da professora Carmo Machado.

Depois de quase dois meses em contacto quase diário com todos os meus alunos – distribuídos pelos três anos letivos do ensino secundário – através de meios digitais e tecnológicos variados (na primeira fase, o correio eletrónico, o whatsapp, o instagram, o telefone, etc.; numa segunda, a aplicação Zoom.us seguida da famosa plataforma Teams de que, assumo, eu nunca tinha ouvido falar), fui informada de que regressarei à escola dia dezoito de maio para dar aulas de Português ao 12ºano.

Se repararam bem no que escrevi na primeira frase deste texto, tenho estado em contacto com todos os meus alunos, o que não significa forçosamente que eu tenha estado a ensinar seja o que for e, muito menos, que eles tenham estado a aprender. Não retirem já conclusões precipitadas. Deixem-me primeiro explicar. Das minhas quatro turmas, duas do décimo ano, uma do décimo primeiro e uma do décimo segundo (com um tempo semanal de cinquenta minutos síncronos, seguido de outros cinquenta minutos de sessão assíncrona), posso garantir que, a ter ocorrido ensino e/ou alguma aprendizagem real, eficaz e significativa ao longo deste tempo, tal aconteceu apenas na turma do ano de exame, o 12º ano. Poderia enumerar variadíssimas razões para este facto mas deixo-vos apenas com algumas: a maturidade dos alunos, o seu empenho demonstrado ao longo do ano, a sua preocupação perante os resultados a obter nos exames de acesso ao ensino superior, o desenvolvimento de métodos de trabalho autónomo, o à vontade no uso das novas tecnologias e, sem sombra de dúvida, o respeito pelo professor.

Sobre as duas turmas do décimo ano, posso afirmar que uma delas revela algum interesse nas atividades propostas, colaborando com a professora, reagindo, participando, rindo… Exatamente como acontecia nas aulas presenciais. No que às restantes turmas diz respeito (uma do décimo e outra do décimo primeiro), a experiência é quase traumática. As aulas síncronas podem ser descritas de forma simples: tentativa desesperada por parte do professor para ouvir uma palavra do outro lado da rede. Perante a chamada, mal respondem. Recusam-se a ligar a câmara. Recusam-se a ler. Não respondem às questões. Basicamente, não participam. Conto com dois a três alunos por turma e pouco mais. Paira um silêncio tal nestas sessões que já me apeteceu desligar o microfone e a câmara e fazer de conta que a ligação à internet caiu. Apeteceu-me, note-se. Obviamente não o fiz. Suportei a humilhação até ao fim, desejosa de que os malditos minutos passassem para acabar com o tormento daquele monólogo digital.

A verdade, se querem saber, é que este ensino à distância, como lhe andam a chamar, não é ensino à distância absolutamente nenhum. Confesso que com a turma do 12º ano, houve momentos em que fui professora. Quando lhes agucei a curiosidade para a pesquisa de novos conhecimentos e autores (a poesia de autores do séc. XX); quando promovi a reflexão sobre temas como a mudança, temática recorrente nos contos em estudo; quando estabeleci pontes com a disciplina de Sociologia e pedimos, eu a colega desta disciplina, um só trabalho comum; quando promovi a criatividade ao pedir-lhes trabalhos em registo áudio e vídeo onde mostrassem momentos de fruição do texto poético e que muito me surpreenderam… O resto foi nada. A maioria dos restantes alunos das outras turmas limitou-se a uma postura acrítica, passiva e apática, recusando qualquer tipo de atividade que implicasse debate ou análise ou leitura, enviando trabalhos de fraquíssima qualidade, repletos de erros de todo o tipo e, na generalidade, copiados da internet. Em suma, alunos desinteressados e desinteressantes… Como, aliás, já eram presencialmente.

Serve tudo isto para vos dizer que o regresso à escola no dia dezoito de maio se revela, no meu caso concreto, totalmente desnecessário. Pelos riscos que implica e, sobretudo, porque os alunos que irão regressar são exatamente aqueles que conseguiram utilizar esta nova experiência como um excelente estágio para a vida que os espera no ensino superior. Quanto aos demais, até dia 26 de junho continuarão a fingir que aprendem e eu a fingir que ensino…

Sobre as reuniões de professores realizadas através das plataformas digitais, afirmo com deleite que estas se revelaram de uma espantosa eficácia tanto na poupança de tempo como de meios. Bendita plataforma! Quanto à documentação a preencher, esta não surpreendeu na medida em veio confirmar que os professores (ou quem os coordena) não conseguem sobreviver sem formulários, relatórios e afins. A grande questão com que termino este texto é se o leitor, desse lado, fará a mais pequena ideia do que é ser professor e simultaneamente diretor de turma, neste modelo de pseudoensino à distância, ainda por cima de uma turma com exames nacionais. Aí, confesso, a vida complicou-se deveras e, por vezes, não houve tempo para se ser professor.


Entries e comentários feeds.