“Enervei-me com tudo. Preferia estar na escola”

Maio 1, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 15 de abril de 2020.

Ana Peixoto Fernandes

Laura Mendes aprende numa plataforma da Microsoft e tem aula de 20 minutos.

O primeiro dia de aulas do 3.º período começou cedo para Laura Mendes, de nove anos. A mãe chamou-a por volta das 8 horas e a aluna do 3.º ano preparou-se como se tivesse que sair de casa em Mentrestido, Vila Nova de Cerveira, para ir à escola. “Depois de acordar, tomei banho, vesti-me e fui tomar o pequeno-almoço. Liguei a televisão para ver uns bonecos num canal que a minha irmã gosta e depois vim para baixo (escritório) estudar. A minha rotina começa às nove e tenho de me habituar”, conta a menina, filha de Sérgio Mendes e Ilda Silva, que têm uma outra filha de 17 meses, Caetana.

A nova realidade do estudo e de aulas no domicílio, através do computador na plataforma Teams da Microsoft, deixou Laura nervosa. “De manhã é para fazer os trabalhos e de tarde é com a professora. Só acabei agora (perto da hora da aula) o trabalho de Português e Estudo do Meio. Tive a minha mãe e o meu pai a acompanhar e até fiquei um bocado enervada”, desabafou. “Foi a primeira vez e eu não estou habituada. Enervei-me com tudo. Preferia estar na escola, no meu lugar, a tirar dúvidas com a professora”.

Na primeira aula do grupo A (Laura pertence ao grupo C, mas fez uma troca pontual porque tinha uma consulta) com a professora Cristina, parte do tempo foi ocupado a organizar a “sala de aula virtual”. Os 25 alunos foram divididos em grupos mais pequenos para facilitar o trabalho de cerca de 20 minutos com a professora.

“Estão a olhar para o monitor? Toda a gente tem rato? Veem um relógio? Depois tem uma câmara e um microfone, sim, e um ecrã com uma setinha…(pausa). Já vos vou explicar. Agora vou só atender o telefone a uma mãe, porque hoje é um dia especial”, dizia a docente, atendendo: “Estou, mãe. Não está a conseguir entrar?”.

Acertada a comunicação, professora e alunos passaram à matéria do dia: o conto “João Pateta” de Guerra Junqueiro (Contos para a Infância). “Fizeram a ficha de Português que vos pedi? Abram o caderno com as respostas. Eu vou projetá-la e fazer-vos umas perguntas. “Laura, o que é um pateta?”, começou a docente. E a aluna respondeu: “É uma pessoa engraçada e brincalhona”.

Ontem, os pais de Laura estavam os dois em casa, mas hoje já não será assim. Sérgio, diretor comercial numa empresa, vai regressar ao trabalho. A mãe, Ilda Silva, contabilista, é que está de licença para tomar conta das duas filhas. “É complicado. Tenho a bebé e a Laura precisa de acompanhamento. Não posso deixá-la sozinha. Ela ainda não manobra o computador e os programas. Este primeiro dia foi de muita ansiedade e ela estava muito agitada, mas conseguiu-se”, comentou Ilda, concluindo: “Nestas circunstâncias é a melhor solução. Não ponho isso em causa, porque não queria que a minha filha fosse para a escola”.

1º de Maio Brincar é um Direito

Maio 1, 2020 às 3:06 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Metade dos alunos fora da escola não tem computador em casa

Maio 1, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 21 de abril de 2020.

Situação é vivida por 826 milhões de estudantes paralisados devido à covid-19;  Unesco incentiva uso de rádio, televisão e criatividade; suspensão de aulas “sem precedentes” afeta mais de 1,5 bilhão de estudantes e 63 milhões de professores primários e secundários.

Cerca de 826 milhões de alunos atualmente fora das salas de aula devido à pandemia da covid-19 não têm acesso a um computador em casa. O número corresponde à metade do total de alunos nessa situação.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco, quase 706 milhões não têm ligação doméstica de internet.

Coalizão

Os dados compilados pela Força-Tarefa para Professores foram apresentados esta terça-feira. A aliança internacional usou informações do Instituto de Estatística da Unesco e da União Internacional de Telecomunicações, UIT.

O novo estudo aponta que as disparidades se aprofundam em países de baixa renda. Um dos exemplos é a África Subsaariana, onde 89% dos alunos não têm acesso a computadores em casa e 82% não têm acesso à internet.

Em metade da região, cerca de 56 milhões de alunos vivem sem ligação a redes de telefonia móvel.  A agência destaca que telefones celulares permitiriam o acesso dos alunos a informações, a conexão com seus professores e uns com os outros.

Conectividade

A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, disse que embora os esforços para fornecer conectividade para todos tenham de ser multiplicados, agora “se sabe que o ensino e a aprendizagem contínuos não se podem limitar aos meios on-line”.

A conclusão é que para reduzir essas desigualdades sejam usadas outras alternativas, incluindo o uso de transmissões de rádio e televisão comunitárias e a criatividade em todas as formas de aprendizado”.

O tema é abordado pela Coalizão Global de Educação Covid-19 que reúne mais de 90 parceiros da agência dos setores público e privado. A meta é lidar com essas lacunas, desenvolver soluções universais e equitativas e promover uma revolução digital inclusiva.

Em nível global, pelo menos 1,5 bilhão de estudantes e 63 milhões de professores primários e secundários são afetados pelo fechamento de escolas em 191 países. Para a Unesco esta é uma “perturbação sem precedentes” causada pela pandemia.

Professores

A agência aponta haver desafios para uma rápida transição para o ensino on-line, mesmo para professores em países com infraestrutura confiável de tecnologia da informação e comunicação, TICs, e conectividade doméstica. O acesso a esses meios é ainda mais difícil ou impossível para docentes de regiões onde recursos e metodologias à distância estão menos disponíveis.

A necessidade de capacitar professores para lecionar a distância e on-line de maneira eficaz e falta de auxílio nos países de baixa renda é outro problema. Na África Subsaariana, 64% dos docentes do ensino fundamental e metade do ensino médio tiveram o mínimo desse treinamento, sem incluir as habilidades em TICs.

Desigualdades

Para a diretora-geral adjunta de Educação da Unesco, Stefania Giannini, essas desigualdades são uma ameaça real à continuidade da aprendizagem.

Os integrantes da Coalizão Global de Educação incluem a UIT e grupos que apoiam professores. Entre eles estão a Education International, a Fundação Gems-Varkey, a Organização Internacional do Trabalho e a Força-Tarefa Internacional sobre Professores para Educação 2030.

Recentemente, a Unesco juntou vários representantes de países para partilhar virtualmente suas experiências em estratégias de ensino a distância durante a pandemia de covid-19.

Mais informações na Press Release da Unesco:

Startling digital divides in distance learning emerge

Corona vírus #Covid-19: Como lidar com… situações vulneráveis para crianças e jovens

Maio 1, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Documento completo no link:

https://www.cnpdpcj.gov.pt/corona-virus-covid-19-como-lidar-com-a-situacao1.aspx


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