Linha SOS-Criança – Entrevista do Drº Manuel Coutinho, Secretário-Geral do IAC à RTP3

Março 18, 2020 às 6:45 pm | Publicado em O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Entrevista do Drº Manuel Coutinho, Secretário-Geral do IAC à RTP3 no dia 18 de março de 2020.

Se tens menos de 18 anos, se te sentes preocupado(a) ou se a Pandemia Covid19 te está a deixar inquieto(a), telefona para a Linha do SOS CRIANÇA – o número é o 116111

Março 18, 2020 às 11:45 am | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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“É muito pior do que eu pensava. Há menores desacompanhados e à mercê de todo o tipo de violência. Temos de tirá-los de lá imediatamente”

Março 18, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 9 de março de 2020.

Crise dos refugiados e migrantes: organização humanitária Mission Lifeline quer fretar um avião para levar crianças e mulheres da Grécia diretamente para Berlim. Em causa está o impasse em que milhares de pessoas refugiadas e migrantes se encontram depois de a Turquia ter aberto as suas fronteiras e a Grécia estar a lidar com o caso como uma “invasão”, termo usado pelo próprio Governo de Atenas. Por sua vez, a União Europeia responde assim: “Espero que cheguemos a um acordo para que os migrantes asilados na Turquia não acreditem que a fronteira com a UE está aberta e que não tentem transpô-la exercendo uma pressão maciça” .

“Estamos à espera da autorização do governo alemão mas queremos liderar um esforço mais rápido, menos burocrático, que possa realmente ter impacto real nas vidas das mulheres e crianças em Lesbos que mais precisam de ajuda”, diz ao Expresso Alex Steier, diretor da Mission Lifeline, uma organização não-governamental alemã que está a tentar, em parceria com a congénere austríaca, fretar um avião para trazer as pessoas mais vulneráveis de Lesbos diretamente para a Alemanha.

Uma equipa de investigação constituída por vários voluntários da Mission Lifeline esteve em Lesbos (Grécia) na sexta-feira e o líder dessa equipa no local, David Pichler, considera que as vias para salvar estas pessoas são, neste momento, insuficientes: “É muito pior do que eu pensava. Há menores desacompanhados, muitos à mercê de todo o tipo de violência. Temos de trazer as pessoas imediatamente, não podemos esperar pela UE porque vai demorar demasiado tempo”, diz ao Expresso, por telefone, o coordenador da Mission Lifeline na Áustria. A conversa decorreu enquanto embarcava de volta da Grécia para o seu país.

A Mission Lifeline está em contacto com organizações locais que estão neste momento a organizar uma lista com os nomes de pessoas particularmente vulneráveis – crianças, jovens e mulheres na sua maioria -, lista que depois será entregue ao Ministério do Interior. “Enviámos uma equipa que nos disse que não há nada a fazer além de tentar evacuar Lesbos aos poucos. Com essa informação pedimos então a lista das pessoas que devem ser resgatadas com urgência, enquanto ao mesmo tempo tentamos reunir os 50 mil euros de que precisamos para mandar um voo com 20 médicos e psicólogos para trazer as pessoas”, explica Alex Steier.

O problema é garantir a autorização das autoridades. “Não, não é fácil, claro, mas acreditamos no poder na sociedade civil e estamos a fazer o trabalho de entender as cidades que estão dispostas a receber pessoas. Se houver várias localidades a aceitar isto, os governos não podem dizer que não. O mesmo se pode passar em outros países europeus.” Esta pode ser uma visão demasiado otimista se confrontada com as palavras do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, que ainda esta segunda-feira voltou a tentar contrariar a ideia transmitida pela Turquia de que as fronteiras da Europa estão abertas para receber refugiados: “Espero que cheguemos a um acordo para que os migrantes asilados na Turquia não acreditem que a fronteira com a UE está aberta e que não tentem transpô-la exercendo uma pressão maciça”, declarou o Alto Representante da UE para a Política Externa, durante uma conferência de imprensa em Bruxelas.

David Pichler contrapõe. “Há mais de mil crianças em Lesbos sem local onde dormir, dormem à beira do rio, debaixo de árvores, isto não é apenas por causa da violência a que estão sujeitas estas crianças, é também para tentar ajudar aqueles que, mesmo que não tenham sofrido violência física, vivem completamente desprotegidos, sem casas de banho, sem roupa, sem aquecimento. É uma vergonha a Europa deixar-se ficar, eu senti-me envergonhado a caminhar por lá.”

A Mission Lifeline está em contacto com o governo alemão e quer redistribuir as pessoas ou por zonas que se mostrem disponíveis previamente para as receber ou através do chamado método de Königstein, que desde 1949 serve para distribuir refugiados segundo o qual as províncias com melhores indicadores económicos e mais recolha de impostos recebem proporcionalmente mais gente do que outras zonas mais pobres. Do lado de Berlin parecem ter já luz verde. O presidente da Câmara, Michael Müller, quer ajudar: “A situação humanitária nas ilhas gregas do mar Egeu e na fronteira externa da União Europeia são intoleráveis numa UE guiada pelo respeito aos Direitos Humanos. Independentemente de considerações políticas, é hora de agir. Pelo menos crianças e outros jovens refugiados desacompanhados têm de ser salvos desta situação difícil”, disse ao jornal “Berlin Spectator”. Mas o parlamento alemão pode impedir esta iniciativa. Na quarta-feira, uma moção dos Verdes alemães sobre a aceitação de 5.000 refugiados das ilhas gregas foi rejeitada pelo Bundestag de Berlim. Os grandes partidos da coligação no governo, os sociais-democratas (SPD) e os da União Democrata-Cristã (CDU), votaram contra.

Alex Steier quer principalmente que quem manda sinta a pressão. “Será muito difícil à Alemanha não permitir a evacuação porque estamos a falar de legitimidade do Estado. Este tipo de luta é do conhecimento coletivo, por exemplo, entre alemães de leste que também saíram das suas terras por um vida melhor, dentro do seu próprio país.” Como exemplo, Steier fala de um resgate de 20 pessoas que o navio da Mission Lifeline fez em agosto do ano passado, no Mediterrâneo Central, e explica que só em setembro é que as conseguiu levar de Itália para a Alemanha. “Sem a pressão da sociedade, essas pessoas tinham entrado num sistema de requisição de asilo muito mais lento e é essa pressão que estamos a tentar fazer. A situação é tão tenebrosa lá que vai ser muito difícil ao Estado explicar porque é que não ajuda quando há cidades dispostas a receber as pessoas.”

“Conto só uma história pequena para terminar: há tanto plástico no rio que os miúdos, que brincam entre o lixo em Lesbos, chamam-lhe ‘o rio que não se mexe’”, completa David Pichler.


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